Deneval: “Patricia Cordeiro é despreparada para dirigir a cultura de Campos”

… ORDINÁRIA, NÃO!

Por Luciana Portinho, em 10-07-2013 – 19h01

CENSURA A NELSON RODRIGUES: BONITINHA SIM, MAS ORDINÁRIA, NÃO!

ft. Google
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Acabei de saber que barraram uma peça do Nelson Rodrigues no Trianon. Se isso é verdade, a situação é pior do que eu imaginava. Mas também, o que esperar de uma cidade governada pelo Antigo Testamento? Teatro lotado pra ver “Kiko: O verdadeiro”. (Adriano Moura, poeta, in Facebook, 09/07/13, às 22h13)

O que dizer de um povo que permitiu que demolissem o Trianon e construíssem uma caixa d’água de vidro? (Vilma Arêas, campista, escritora e Professora Titular da UNICAMP, em entrevista e este articulista)

Coisa feia, gente! Seria cômico se não fosse trágico, chavão muito usado, mas que cabe bem aqui. Estou em Campina Grande (PB), mas não posso deixar de me manifestar ante a censura à peça “Bonitinha, mas ordinária”, do famoso dramaturgo e cronista brasileiro Nelson Rodrigues, gênese do teatro moderno brasileiro, imposta pelo desgoverno de Campos dos Goytacazes. Soube, pelas redes sociais e blogs, ontem à noite, que a Fundação Teatro Municipal Trianon foi extinta e muitas outras coisitas, até ler o blog da Luciana Portinho, que falava da censura à peça do Nelson Rodrigues. Fui para o face e não se falava em outra coisa.

Pensei: Meu Deus, pode isso? Não será castigo para o povo campista, um povo já amaldiçoado por ter a frente do seu governo uma “Cantora Gritante”?

Pode sim. Vejam algumas preciosidades críticas que li no facebook:

1) “Os sete gatinhos”, de Nelson Rodrigues já foi confundida com peça infantil. Agora barram “Bonitinha, mas ordinária”. Quem sabe deixam passar “Álbum de Família” achando que é uma peça Gospel? (Adriano Moura, poeta);

2) “O Trianon Tem Dono? Quando se é dono de algo vc permite ou não. É um teatro particular e eu não sabia.”(Fernando Rossi, Diretor teatral e escritor);

3) “E Valsa N. 6 já foi confundida como peça de debutante, kkkk” (Guilherme Freitas);

4) “De repente ela libera a montagem de ”A mulher sem pecado”. É só falar que é uma homenagem a ela… : D”(ELA se refere à Prefeita de Campos)

Bem, ficaria aqui todo o dia enumerando a revolta dos mais chegados à cultura campista, dos diretores de teatro, produtores culturais entre outros tantos. Já faz tempo que digo que a cultura campista anda desgovernada e capenga. Corre a boca miúda que a Presidente do Fundação Cultural Jornalista Oswaldo Lima é totalmente despreparada para dirigir a cultura em Campos dos Goytacazes. Está no cargo por ser uma pessoa ligada à música, ou melhor, a uma banda cujo dono tem um estúdio e tralálálálálá. O fato é que as pessoas já se manifestam: “Sabe pq aconteceu isso? Pq colocarm Patrícia Cordeiro, uma pessoa totalmente despreparada culturalmente para aprovar o que não entende. Kd Orávio de Campos? Será que alguém o consultou? Garanto que não pois esse sabe distinguir um clássico teatral.Cada macaco no seu galho, gente!!!!” (Mario Cesar, em comentário no Blog de Luciana Portinho). Orávio de Campos Soares, ex-secretário de Cultura, tanto faz como tanto fez! E agora? A boca miúda não se cala.

Luciana Portinho, ex-presidente da Fundação Cultural Oswaldo Lima e entusiasta da cultura, atualmente, atuando na área de cultura da Folha, posicionou-se: “Um vexame para Campos e para todo o Brasil . A PMCG, segundo publicado em redes sociais e blogs locais como o de Claudio Andrade, aqui, e em outros da Folha Online como aqui e aqui, suspendeu a apresentação da peça teatral “Bonitinha, mas Ordinária” do renomado teatrólogo Nelson Rodrigues. Iria se apresentar no Teatro Municipal Trianon.Se próximo estávamos de Sucupira, agora caímos nas graças do Feliciano.”

Rodrigo Vahia, integrante do Grupo Teatral Oito de Paus, que encenaria a peça censurada postou: “Liberdade? Que liberdade? De expressão, então… Não costumo postar textos de desabafo por aqui, porque particularmente acho que os problemas de cada um devem ser resolvidos na sua intimidade. Mas o ocorrido está além da minha, ou da intimidade de um grupo de artistas, do qual eu faço parte. Mas de todo um coletivo que acredita na livre troca de informação, produção de ideias e reflexões. Que acredita, mais do que na liberdade de escolha, no direito a escolha. Que acredita na liberdade de expressão. O fato que vou relatar aqui é GRAVE. Não pelo aspecto financeiro ou pelo descomprometimento. Mas pelo coronelismo e pelo cerceamento ao direito individual de liberdade. Além de, grosseiramente falando, ainda termos pessoas despreparadas e imbecis opinando e interferindo sobre políticas culturais, quando na verdade não deveriam nem estar varrendo rua, que é para não ofender os garis. Mas o fato é que o meu grupo de teatro teve a peça “Bonitinha, mas Ordinária” CENSURADA em Campos, pela Fundação Trianon, após a troca da sua presidência que resolveu rever os projetos já contratados. Simplesmente porque a peça de Nelson Rodrigues poderia ofender a prefeita Rosinha Garotinho, que é evangélica. Em pleno século XXI? Roubo, corrupção, lavagem de dinheiro através de ONGs, isso não ofende a atual prefeita, não é… Coitada, ela não deve saber dessas coisas… Ou deve rezar bastante e seu Deus a perdoa. Afinal, dinheiro não falta para pagar a própria redenção. Mas aí já não cabe a ninguém… Já que trata da individualidade dela. A questão é quando a individualidade de um governante interfere nas escolhas referentes ao coletivo. E é na minha opinião, a menos que eu esteja realmente ficando louco, INADMISSÍVEL, uma peça ser censurada porque pode desagradar esse ou aquele político!!! SE ALGUÉM CONCORDA COMIGO, POR FAVOR, COMPARTILHE ESSA MENSAGEM ATÉ QUE ELA CHEGUE À FUNDAÇÃO TRIANON EM CAMPOS. Não porque eu queira fazer a peça lá agora, porque sinceramente perdi a vontade. Mas porque acho digno mostrar também a essas pessoas que não vivemos mais em um regime absolutista e que não se faz política, nem muito menos arte, com a opinião ou aprovação de quem quer que seja. Nem de Deus. Quiçá de uma rosa.”

Pois é. “Um galo sozinho não tece a manhã;/ Ele precisará sempre de outros galos/ De um que apanhe esse grito que ele/ e o lance a outro; de um outro galo/ que apanhe o grito de um galo antes/ e o lance a um outro […] (João Cabral de Melo Neto).

Para não chorar, moral da história: Qual o esporte preferido das cantoras? Lançamento de discos! KKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKK!

Texto de autoria do Dr. Deneval Siqueira de Azevedo Filho. Professor Associado de Teoria e História Literária. Departamento de Línguas e Letras. Centro de Ciências Humanas e Naturais. Programa de Pós-graduação em Letras – Doutorado e Mestrado em Estudos Literários. Universidade Federal do Espírito Santo.

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Na frase da semana que se encerra, o bicho pelego da CUT

Neste domingo que se encerra, uma das frases que marcaram a semana, dita pela Viviane Araújo, de 18 anos, que disse ter sido contratada por sindicato ligado à CUT para participar da manifestação da última quinta, dia 11:

“Eu recebi R$ 30 para vir aqui. Eles pagaram nosso transporte e disseram que o dinheiro era para a gente comer aqui”.

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Nildo avisou: “Vou ser oposição até o fim”

Por Rafael Vargas, em 13-07-2013 – 17h02

Em seu blog (aqui), Gustavo Matheus deixa no ar a possibilidade do vereador Nildo Cardoso (PMDB), líder da bancada de oposição na Câmara de Campos, aderir ao mundo rosáceo. Neste caso, o vereador mais votado da atual legislatura estaria deixando de lado uma promessa que foi feita em seu primeiro discurso no Legislativo (aqui) em fevereiro. “Vou ser oposição até o fim. Se Deus permitir estarei aqui, com esse mesmo posicionamento até o último dia do meu mandato. Pode constar isso em ata”, destacou.

Agora, cinco meses depois, será que Nildo Cardoso continua com a mesma opinião?

Atualização às 15h16: Leia mais sobre assunto aqui, no blog da jornalista Suzy Monteiro.

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A rapaziada é #, a pelegada é $


As diferenças: a rapaziada é #, a pelegada é $

Excluídas das passeatas de junho, as centrais sindicais e seus penduricalhos (UNE, MST, PT, PCdoB, PDT e etcétera) organizaram o seu próprio ‘Dia Nacional de Luta’. Isso foi ótimo. Ajudou a explicar por que a rapaziada refugou a ‘solidariedade’ da pelegada partidário-sindical. São muitas as diferenças entre os dois movimentos. A principal delas é a forma como os dois grupos se relacionam com os cofres públicos. Um entra com o bolso. Outro usufrui. Vai abaixo uma tentativa de distinguir o novo do antigo:

(Foto de Aguirre Talento/Folha de São Paulo)
(Foto de Aguirre Talento/Folha de São Paulo)

A rapaziada é #. A pelegada é $.

A rapaziada é o bolso. A pelegada é imposto sindical.

A rapaziada é coxinha. A pelegada é pastel-de-vento.

A rapaziada é sacolejo. A pelegada é tremelique.

A rapaziada é YouTube. A pelegada é videoteipe.

A rapaziada é Facebook. A pelegada é assembléia.

A rapaziada é máscara de vingador. A pelegada é cara de pau.

A rapaziada é viral. A pelegada é bactéria.

A rapaziada é chapa quente. A pelegada é chapa branca.

A rapaziada é sociedade civil. A pelegada é sociedade organizada.

A rapaziada é banco de praça. A pelegada é BNDES.

A rapaziada é a corrida. A pelegada é o taxímetro.

A rapaziada é asfalto. A pelegada é carro de som.

A rapaziada é horizonte. A pelegada é labirinto.

A rapaziada é fumaça. A pelegada é cheiro de queimado.

A rapaziada é explosão. A pelegada é flatulência.

A rapaziada é o público. A pelegada é a coisa pública.

A rapaziada é combustão espontânea. A pelegada é ignição eletrônica.

A rapaziada é luz no fim do túnel. A pelegada é beco sem saída.

A rapaziada é pressão popular. A pelegada é lobby.

A rapaziada é farinha pouca. A pelegada é meu pirão primeiro.

A rapaziada é terra em transe. A pelegada é cinema novo-velho.

A rapaziada é o desejo de futuro. A pelegada é o destino-pastelão.

A rapaziada é namoro. A pelegada é tédio conjugal.

A rapaziada é grito. A pelegada é resmungo.

A rapaziada é algaravia. A pelegada é palavra de ordem.

A rapaziada é poesia. A pelegada é pedra no caminho.

A rapaziada é dúvida. A pelegada é óbvio ululante.

A rapaziada é Fora Renan. A pelegada é o bigode do Sarney.

A rapaziada é abaixo a corrupção. A pelegada é a perspectiva de inquérito.

A rapaziada é mistério. A pelegada é indício.

A rapaziada é a alma do negócio. A pelegada é o segredo.

A rapaziada é novidade. A pelegada é o mesmo.

A rapaziada é anormalidade. A pelegada é vida normal.

A rapaziada é impessoal. A pelegada é departamento de pessoal.

A rapaziada é decifra-me. A pelegada é devoro-te.

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Artigo do domingo — O outro que somos

Seja em versão impressa ou virtual, jornalismo é sempre trabalho coletivo. Não por outro motivo, neste domingo no qual ainda não habito, mas para o qual escrevo, para espargir as trevas envolvidas na denúncia de censura à peça “Bonitinha, mas Ordinária”, de Nelson Rodrigues (1912/80), que seria encenada em 10 de agosto no Trianon, por conta de alegadas razões de ordem pessoal e religiosa da prefeita Rosinha Matheus (PR), segundo denunciou em mídia local e nacional o diretor Luís Fernando Perinei, do grupo teatral carioca “Oito de Paus”, nada mais producente do que buscar o olhar do outro.

Quando verdadeiros, é o que o pretendem o jornalismo e a arte, como foi o que fizeram os artistas de Campos na manifestação da última quinta-feira, dia 11, mobilizados na democracia irrefreável das redes sociais, para ecoar as palavras de Nelson em protesto contra qualquer tipo de censura, na democracia ancestral das praças. Como sentenciou o poeta estadunidense Walt Whitman (1819/92), criador do verso livre, sem rima ou métrica, e pai de todo o Modernismo: “I believe in you my soul… the other I am” (“Acredito em você, minha alma… O outro que sou”).

Como na ágora da Antiga Grécia, da qual Nelson tanto bebeu, berço e conceito imutável da democracia, no coro entre os atores e a plateia, passemos a palavra para:

Talita Barros, jornalista e pesquisadora da obra de Nelson:

“Acho, sinceramente, que em nosso atual contexto nacional de protestos contra todo tipo de absurdo praticado pelos políticos, não é admissível que em Campos a atual gestão caminhe debochadamente ao encastelamento. Já foram quatro cancelamentos na programação cultural da cidade, três deles só esta semana. Houve uma centralização no setor cultural. Mas por onde andará Patrícia Cordeiro, presidente da Fundação Cultural Jornalista Osvaldo Lima (FCJOL), que agora centraliza todos os outros órgãos, para falar SATISFATORIAMENTE sobre o assunto e também para explicar o funcionamento desse novo organograma da prefeitura? É preciso que esteja disponível para além da rádio Diário. Não é um político ou gestor público quem deve escolher onde e quando falar à sociedade. Nós, cidadãos, é quem temos o DIREITO de definir, de colocar o pau na mesa. Os artistas ontem (na quinta) protestaram e onde está o Poder Público para ouvir essas vozes da rua? Tá certo que o grupo era pequeno. E daí? Em tempos de pós-modernidade, viva as minorias! Desrespeito e desmando é o que denominam a política em Campos… Ah, e aturar jornalista puxa-saco é FODA!”

Artur Gomes, poeta e ator:

“Aqui em canibália city me chega a notícia de que em campos ex-dos goytacazes e agora dos cordeiros evangélicos, a peça de teatro de Nelson Rodrigues — ‘Bonitinha, mas Ordinária’ — foi proibida de ser exibida no Teatro Trianon, por ordem da presidente da Fundação Cultural Jornalista Oswaldo Lima, Patrícia Cordeiro.

“O esdrúxulo da estória, é que a peça, já estava na grade de programação do referido teatro para ser encenada no dia 10 de agosto. Segundo o superintendente da Fundação Trianon, Sr. João Vicente Alvarenga, a motivação da censura não seria por questões religiosas, e sim por falta da documentação necessária para a sua encenação, o que não convence nem a Cristo.

“É bom lembrar que a maioria das ditaduras, sempre tiveram em sua retaguarda, e quase sempre ainda tem, algum segmento religioso, e em Campos isso não é diferente, muito pelo contrário, lá o governo municipal é totalmente apoiado pela igrejas evangélicas, estando a ele integrado vários bispos e pastores.

“É bom lembrar que a ditadura militar teve ao seu lado o segmento mais reacionário da igreja católica, a TFP.

“É incrível isso acontecer em nossos dias, numa terra onde nasceram figuras ilustres da arte, cultura e política nacional tais como Wilson Batista, José Cândido de Carvalho, Nilo Peçanha, José do Patrocínio e Benta Pereira.

“Não é à toa que o ator Tonico Pereira, que nasceu em Campos, costuma frisar que Campos não é uma cidade, porque cidade é uma outra coisa”.

Leniéverson Azeredo, jornalista e ativista católico:

“‘A religião deve ser questão de fundo individual, nunca permear os interesses e os espaços públicos, até porque a sociedade é composta por indivíduos ateus, budistas, católicos, islâmicos, umbandistas, e todos merecem respeito’.

“Vou aproveitar esse comentário para dizer uma coisa interessante, muitos estão aproveitando o fato, que eu concordo ser um absurdo, para criar uma campanha contra pessoas que tem fé e evangelizam nas ruas, nas praças, nos estádios, etc. Religião não é algo de foro individual, é de foro coletivo, onde as pessoas, através do artigo 5º da Constituição Federal tem o direito inalienável de externar. Muitos aqui estão confundindo estado laico, com estado ateu. O Brasil foi fundado por cristãos portugueses, Campos dos Goytacazes teve sua história fortemente ligada a religiosidade, e mais, tanto Campos, quanto o resto do Brasil, são formados por cristãos. Bom, como eu disse, a censura é equivocada, a Fundação Teatro Trianon é gerida por alguém sem perfil técnico e acho que tinha de ser trocada. Creio que isso deve ser feito, mas, como eu disse acima, tem de ser tomar cuidado para que a discussão não culmine num debate anticristão”.

Adriano Moura, professor, poeta e dramaturgo:

“O que há em Campos é mais que perseguição a Nelson Rodrigues ou a qualquer outro tipo de arte. É estupidez mesmo; é gente burra, despreparada, insensível, cafona, ignorante que, por ser ‘amiguinho’ de A ou B, é indicada para administrar setores aos quais desconhece. Gente incompetente demais para tomar a atitude correta. Gente ‘careta e covarde’ que só sabe servir de mico de circo pra quem está no poder. Desde 1989 que a cidade vive nessa indigência, na dança das cadeiras dos poderes que insistem em permanecer na República do Chuvisco. Não adianta, caros senhores. Enquanto alimentarmos com nossos votos esses ‘zumbis’ viveremos nessa indigência. A sorte deles é que estupidez não paga imposto. E se pagasse dariam um jeito de sonegar”.


Publicado hoje, na edição impressa da Folha.

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Leniéverson Azeredo: “Protesto contra censura não pode virar debate anticristão”

Leitor e comentarista assíduo do blog, o também jornalista e blogueiro, além de ativista católico, Leniéverson Azeredo fez aqui um comentário sobre a polêmica gerada pela denúncia de censura no Trianon à peça “Bonitinha, mas Ordinária”, de Nelson Rodrigues (1912/80), por supostas razões de ordem pessoal e religiosa da prefeita Rosinha (relembre o caso aqui e aqui), segundo alegou em mídia nacional (aqui e aqui) o diretor Luís Felipe Perinei, do grupo teatral carioca “Oito de Paus”. Até porque Leniéverson, com base em sua fé e em sua garantia na Constituição, tece algumas ressalvas pertinentes ao caminho trilhado por algumas das críticas laicas à denúncia de censura religiosa, o blog pede licença para republicá-la abaixo, com a relevância maior de post…

Leniéverson Azeredo, jornalista, blogueiro e ativista católico
Leniéverson Azeredo, jornalista, blogueiro e ativista católico

“‘A religião deve ser questão de fundo individual, nunca permear os interesses e os espaços públicos, até porque a sociedade é composta por indivíduos ateus, budistas, católicos, islâmicos, umbandistas, e todos merecem respeito’.

“Vou aproveitar esse comentário para dizer uma coisa interessante, muitos estão aproveitando o fato, que eu concordo ser um absurdo, para criar uma campanha contra pessoas que tem fé e evangelizam nas ruas, nas praças, nos estádios, etc. Religião não é algo de foro individual, é de foro coletivo, onde as pessoas, através do artigo 5º da Constituição Federal tem o direito inalienável de externar. Muitos aqui estão confundindo estado laico, com estado ateu. O Brasil foi fundado por cristãos portugueses, Campos dos Goytacazes teve sua história fortemente ligada a religiosidade, e mais, tanto Campos, quanto o resto do Brasil, são formados por cristãos. Bom, como eu disse, a censura é equivocada, a Fundação Teatro Trianon é gerida por alguém sem perfil técnico e acho que tinha de ser trocada. Creio que isso deve ser feito, mas, como eu disse acima, tem de ser tomar cuidado para que a discussão não culmine num debate anticristão”.

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A Santa Casa vive litígio, denúncias e risco de interdição

Por Gustavo Matheus, em 12-07-2013 – 17h35

O hospital Santa Casa de Misericórdia, entidade filantrópica que por essência deveria ser sem fins lucrativos, conveniado com o Sistema Único de Saúde (SUS), não vem oferecendo estrutura e condições de trabalho para os médicos que por lá trabalham, e o fato resultou numa confusão sem fim. Uma verdadeira bola de neve.

O administrador da Santa Casa, o senhor Benedito Marques, para piorar toda situação, demitiu os médicos quando estes fizeram uma denúncia à secretária de Saúde, cobrando, desesperadamente, uma solução. Os plantonistas estão agora em litígio com a Santa Casa, com uma audiência marcada para próxima quinta-feira, às 17h, com o Ministério do Trabalho, no fórum. Juntamente dos administradores da entidade, estarão os médicos e membros da secretaria de Saúde.

Informações constatam que a Prefeitura estaria em dia com o repasse da verba, mas, pelo o sistema hoje em dia ser o Pleno (quando o repasse é feito diretamente aos administradores, os deixando responsáveis pelo pagamento das distribuidoras, funcionários e empresas), de alguma maneira os pagamentos não estão sendo realizados, segundo a denúncia de um dos funcionários. Até mesmo os equipamentos básicos de atendimentos médicos estão em falta. Um comunicado foi liberado por uma empresa responsável pela distribuição de marca-passo, dizendo que o pagamento está atrasado e que infelizmente não poderá entregar mais o aparelho. Alguns médicos estão revoltados com a situação, pois há pacientes com necessidade do mesmo no local.

O secretário de Saúde e vice-prefeito Chicão (PP) disse que o importante, para a Prefeitura, é que a Centro de Terapia Intensiva (CTI) não pare e que os atendimentos sigam ocorrendo. Chicão, que também é médico, ainda disse que a secretária fez tudo o que pôde ser feito.
“Olha, realmente temos uma audiência marcada para próxima quinta, mas já fomos informados pela Santa Casa, oficialmente, que a troca da equipe será realizada em breve. Portanto é oficial. Nosso papel é evitar qualquer interrupção no atendimento. A CTI não pode parar. Somente tomaremos alguma medida indesejável se não houver opção. Quanto à questão da demissão dos profissionais, está fora da minha alçada”, disse Chicão.

Foto: Edu Prudêncio
Foto: Edu Prudêncio

Quem também falou sobre o caso foi o presidente do CREMERJ (Conselho Regional de Medicina do Estado do Rio de Janeiro) Makhoul Moussalem (PT), que acredita que a postura dos administradores da Santa Casa é digna de interdição, caso seja comprovado o déficit estrutural alegado pelos médicos. “O que vem ocorrendo é inadmissível. Como você troca uma equipe médica e mantém as mesmas condições desumanas de trabalho. O que eu posso fazer é realizar uma fiscalização e, se for constatado o conteúdo da denúncia, interditar a Santa Casa”,

A administração da entidade informou que o Dr. Sérgio iria assumir a CTI, mas não forneceu sobrenome ou maiores informações.

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Rafael Vargas: “Não existe imoralidade maior que a ignorância”

Jornalistas Rafael Vargas e Alexandre Bastos (foto de Diomarcelo Pessanha)
Jornalistas Rafael Vargas e Alexandre Bastos (foto de Diomarcelo Pessanha)

Nas merecidas férias do jornalista Alexandre Bastos, confesso que abandonei a leitura diária do seu blog. E confesso também que foi um erro. Não por outro motivo, segue abaixo, com dois dias de atraso, a reprodução do texto do jornalista Rafael Vargas, colaborador do Blog do Bastos, sobre a denúncia de censura no Trianon à peça “Bontinha, mas Ordinária”, de Nelson Rodrigues (relembre o caso aqui e aqui, que ganhou mídia nacional aqui e aqui), por alegados motivos pessoais e religiosos da prefeita Rosinha (PR), segundo afirmou o diretor carioca Luís Felipe Perinei…

Por que vetar “Bonitinha, mas Ordinária” na Planície Goytacá?

Por Rafael Vargas, em 11-07-2013 – 15h19

Um clássico da dramaturgia brasileira censurado em pleno séc. XXI é algo difícil de crer. E por falar em crenças, sejam elas de ordem pessoal ou religiosa, viraram motivo de discussão sobre o que é imoral e para quem. Conforme está sendo noticiado por jornais do Estado do RJ, um embate se fez por conta da apresentação de uma peça consagrada de Nelson Rodrigues (e do cancelamento desta) em Campos.

O Grupo Teatral 8 de Paus alegou que a apresentações, já agendadas para o dia 10 de agosto no Teatro Municipal Trianon, foram canceladas após comunicado da Fundação Cultural Jornalista Oswaldo Lima. Segundo o grupo teatral, a justificativa seria que “a peça poderia ofender a prefeita Rosinha Garotinho, que é evangélica”. Em contrapartida, o superintendente do Teatro Municipal Trianon, João Vicente Alvarenga, divulgou uma nota oficial à imprensa, alegando inconsistência na documentação, e explicou que a prefeita Rosinha não teve acesso à agenda de agosto do Teatro Trianon, e, portanto, não  havia se posicionado a respeito de seu conteúdo.

“Todos os presidentes, inclusive depois de 64, me massacraram. Tive oito peças interditadas. A censura usa um tratamento discriminatório contra mim”, afirmou Nelson Rodrigues em entrevista ao jornal Estado de São Paulo em 1978.

É curioso de ver que, 35 anos após esta declaração, a obra do autor que revolucionou o teatro brasileiro continua causando polêmicas. Dito pelo não dito, vale a pena registrar que esta história poderá ter ainda muitos desdobramentos, que, talvez, não sejam tão rascantes como a obra do autor da “Vida como ela é’” devido a uma tendência do Executivo em não pormenorizar questões, principalmente, aquelas que envolvem descontentamentos e opiniões divergentes, mas é sempre bom lembrar de que não existe imoralidade maior que a ignorância.

Encenação de ‘Bonitinha, mas ordinária’, do grupo teatral 8 de paus, no Festival de Teatro da UFRJ (Divulgação)
Encenação de ‘Bonitinha, mas ordinária’, do grupo teatral 8 de paus, no Festival de Teatro da UFRJ (Divulgação)
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Talita Barros: “Onde está Patricia Cordeiro?”

Pessoal e profissionalmente, não concordo em tudo com a jornalista Talita Barros. Concordo com quem disser, no entanto, que ela se encontrou como repórter, e o leitor agradece, depois que passou a atuar na Folha Dois. Foi ela, por exemplo, quem cobriu para o caderno o protesto da última quinta (11/07), na praça São Salvador, contra a denúncia de censura de Nelson Rodrigues no Trianon, por alegados motivos pessoais da prefeita Rosinha (relembre o caso aqui e aqui, que teve repercussão em mídia nacional aqui e aqui). Sobretudo, concordo com a Talita em gênero, número e grau, na cobrança de um posicionamento público, por parte da presidente da Fundação Cultural Jornalista Oswaldo Lima, Patricia Cordeiro, que exceda o jogo de cartas marcadas da rádio Diário e demais “jornalistas puxa-saco de plantão”, para falar não só sobre o caso da peça de Nelson — já que pela versão do diretor carioca Luís Felipe Perinei, foi ela quem alegou ao superintendente do Trianon, João Vicente Alvarenga, os motivos morais e religiosos de Rosinha para suspender a peça “Bonitinha, mas Ordinária” — como acerca dos demais três cancelamentos recentes na agenda cultural do município. Em busca de respostas, o blog ecoa a pergunta “Onde está Patricia Cordeiro?”, feita aqui, pela Talita, na democracia irrefreável da redes sociais…

Jornalista Talita Barros
Jornalista Talita Barros

Acho, sinceramente, que em nosso atual contexto nacional de protestos contra todo tipo de absurdo praticado pelos políticos, não é admissível que em Campos a atual gestão caminhe debochadamente ao encastelamento. Já foram quatro cancelamentos na programação cultural da cidade, três deles só esta semana. Houve uma centralização no setor cultural. Mas por onde andará Patrícia Cordeiro, presidente da Fundação Cultural Jornalista Osvaldo Lima (FCJOL), que agora centraliza todos os outros órgãos, para falar SATISFATORIAMENTE sobre o assunto e também para explicar o funcionamento desse novo organograma da prefeitura? É preciso que esteja disponível para além da rádio O Diário. Não é um político ou gestor público quem deve escolher onde e quando falar à sociedade. Nós, cidadãos, é quem temos o DIREITO de definir, de colocar o pau na mesa. Os artistas ontem protestaram e onde está o Poder Público para ouvir essas vozes da rua? Tá certo que o grupo era pequeno. E daí? Em tempos de pós-modernidade, viva as minorias! Desrespeito e desmando é o que denominam a política em Campos… Ah, e aturar jornalista puxa-saco é FODA!

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