“E que justiça a resguarda?… Bastarda”

Já disse e escrevi, mais de uma vez, que considero o professor Adriano Moura o melhor entre nós, poetas de Campos vivos. Menos vezes, embora merecesse ainda mais, reafirmei outra opinião meramente pessoal: o advogado Gregório de Matos Guerra (1636/95), o “Boca do Inferno”, para mim, é o maior talento que já viveu na poesia brasileira. Assim, no diálogo entre os dois vates, aqueles que vaticinam, que veem antes, estabelecido aqui, na democracia irrefreável das redes sociais, abro minha lida blogueira na tentativa de aquecer esta manhã fria de sexta-feira…

Gregório de Matos
Gregório de Matos

Trechos de um poema de Gregório de Matos, escrito no século XVII. Qualquer semelhança com a “República do Chuvisco”, não será mera coincidência:

Que falta nesta cidade?… Verdade.
Que mais por sua desonra?… Honra.
Falta mais que se lhe ponha?… Vergonha.

O demo a viver se exponha,
Por mais que a fama a exalta,
Numa cidade onde falta
Verdade, honra, vergonha.

Quem faz os círios mesquinhos?… Meirinhos.
Quem faz as farinhas tardas?… Guardas.
Quem as tem nos aposentos?… Sargentos.

E que justiça a resguarda?… Bastarda.
É grátis distribuída?… Vendida.
Que tem, que a todos assusta?… Injusta.

O açúcar já acabou?… Baixou.
E o dinheiro se extinguiu?… Subiu.
Logo já convalesceu?… Morreu.

A Câmara não acode?… Não pode.
Pois não tem todo o poder?… Não quer.
É que o Governo a convence?… Não vence.

Quem haverá que tal pense,
Que uma câmara tão nobre,
Por ver-se mísera e pobre,
Não pode, não quer, não vence.

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Marcão busca vaga na Alerj e Orçamento Participativo na Câmara

Anunciada publicamente pelo jornalista e blogueiro Gustavo Matheus (aqui), a pré-candidatura do vereador Marcão à Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro (Alerj), nas eleições do ano que vem, é mesmo uma certeza do petista e do seu grupo político. Ainda assim, ele confirma que buscará, até o último momento, o entendimento com os dois outros nomes do PT de Campos que já tinham se lançado antes a deputado estadual: os professores Odisséia Carvalho (ex-vereadora e suplente de Marcão na Câmara) e Alexandre Lourenço. Sem descuidar do seu mandato de vereador, que admite ser a base do seu lançamento à Alerj, Marcão já tem definido seu objetivo assim que terminar o recesso do Legislativo goitacá: brigar pelo Orçamento Participativo no município de Campos, pauta lançada das ruas pelo movimento “Cabruncos Livres”.

Foto de Edu Prudêncio
Foto de Edu Prudêncio

Folha da Manhã – Por que se colocar agora como pré-candidato à Alerj, depois que Odisséia Carvalho e Alexandre Lourenço já haviam posto seus nomes?

Marcão – No início do mês, tomei conhecimento de uma pesquisa feita para Alerj em nosso município, onde o nome do vereador Marcão aparece com 5,33% de intenções de voto para deputado estadual, aparecendo nas intenções de voto tanto na pesquisa estimulada, quanto na espontânea, sem que em nenhum momento eu tivesse dito que seria pré-candidato à Alerj. A partir daí fizemos uma reunião com nosso grupo político e ficou decidido que este seria o momento de optar pela pré-candidatura.

Folha – Conversou com algum dos dois antes? Tem esperança que algum deles abandone a pré-candidatura própria e abrace a sua?

Marcão – Havia tido conversas informais com os dois companheiros, dando conta de que havia recebido um convite da direção estadual do PT, desde o mês de abril, para ser pré-candidato, e que existia, sim, essa possibilidade. Esperança, como diz o ditado popular, é a última que morre. Eu alimento, sim, a esperança de que consiga unificar os companheiros em torno da nossa candidatura, até pelo fato de que caso esse projeto tenha a aprovação das urnas, no caso da companheira Odisséia, ela poderá assumir o mandato na Câmara Municipal, já que é a primeira suplente no PT. E tenho pensado em algumas propostas de diálogo para serem apresentadas ao companheiro Alexandre.

Folha – E você abrir mão da sua pré-candidatura para apoiar um dos dois? Há também essa possibilidade recíproca? Qual deles teria sua preferência? Por quê?

Marcão – Na política temos que estar a todo instante dialogando e buscando a meu ver o estabelecimento de uma relação mutuamente consentida e respeitosa. É isso que procuro fazer em minhas ações. Não penso em abrir mão de minha pré-candidatura, tenho ótimo relacionamento com os dois, portanto não há preferência.

Folha – O fato de você sair de um mandato de vereador bastante atuante na oposição o coloca em vantagem sobre os outros dois?

Marcão – Acredito que a visibilidade de um mandato bem desempenhado ajuda na projeção do político, estou totalmente focado em nosso mandato na Câmara. Temos vários projetos sendo concluídos para colocá-los à apreciação da Câmara, no segundo semestre, inclusive um que já está tramitando e diz respeito à pauta que vem das ruas, se refere ao Orçamento Participativo (aqui). Vamos continuar trabalhando muito em busca de mais transparência e controle social. A possível vantagem, se existe, é fruto deste trabalho que estamos desempenhando.

Folha – Quantos votos acha que um candidato do PT à Alerj precisaria fazer para assegurar sua eleição? Quantos pretende ter?

Marcão – Aluysio, além de advogado, eu também sou contador e adoro trabalhar com estas previsões estatísticas eleitorais. No PT, na última eleição, foram necessários exatos 28.798 votos para conquista da vaga, porém não tínhamos candidatura própria para o governo do Estado. Agora, com a pré-candidatura do senador Lindbergh a governador, isso possibilitará que possamos fazer mais deputados federais e estaduais. Estimo que para essa eleição à Alerj, em 2014, quem tiver no PT acima de 20 mil votos, passa a ter muita chance na conquista da vaga.

Folha – Se nenhum dos três desistir, o PT de Campos, mais uma vez, não se arriscará a cumprir sua sina de nunca ter eleito ninguém à Alerj?

Marcão – Espero que esta sina efetivamente não ocorra, e que possamos entrar em entendimento e buscando o fortalecimento do partido, possamos de forma inédita eleger no mínimo um representante para nossa região.

Publicado hoje na edição impressa da Folha.

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“Grande Irmão” rege a dança das cadeiras no paredão rosa

Big Brother rosa

Por rafaelvargas, em 24-07-2013 – 10h37

Momentos de tensão, falsas expectativas, intrigas, reviravoltas e quedas de braço marcaram a dança das cadeiras na Prefeitura de Campos.  Como muitos secretários estavam interinamente em seus cargos, o grupo viveu uma espécie de Big Brother Rosa. Após um “paredão” disputado, alguns nomes foram eliminados. Outros ficaram pendurados e interinos.

Porém, com padrinhos fortes dentro da “casa”, alguns deles conseguiram permanecer no jogo. O detalhe é que, mesmo que já tenham sido confirmados, muitos secretários continuam balançando e estão sendo acompanhados – de perto – pela direção da atração pelo big fone.

Neste grande reality show da Prefeitura, os únicos participantes tranquilos são aqueles que foram imunizados pelo “Grande Irmão” ou pelo colar rosa do anjo. De resto, todo mundo querendo demais e ninguém querendo de menos.

Até a eleição de 2016, quando o grupo vai indicar o novo líder da “casa”, tudo indica que o embate entre os aliados vai ficar cada vez mais emocionante.

Emocionante como todo show deveria ser.

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Denúncias de manipulação e ilegalidades na Conferência de Cultura

Aqui, no grupo de discussão “Nelson Censurado”, criado na democracia irrefreável das redes sociais em protesto à condução da política cultural de Campos, a estilista Lívia Amorim denunciou manipulação, arbitrariedades e ilegalidades que teriam sido praticadas pelo poder público municipal na Conferência de Cultura do Município, realizado no último sábado, dia 20. Por extremamente graves, o blog pede a licença devida a Lívia, que acompanhou pessoalmente a Conferência, para reproduzir abaixo seus questionamentos…

III Conferência Municipal de Cultura, realizada no último sábado, no Museu Histórico de Campos (foto de Helen Souza)
III Conferência Municipal de Cultura, realizada no último sábado, no Museu Histórico de Campos (foto de Helen Souza)
Lívia Amorim, estilista
Lívia Amorim, estilista

Dia 20 de julho, último sábado a Prefeitura Municipal de Campos realizou no Museu Histórico de Campos dos Goytacazes, em cumprimento a portaria 33, de 16 de abril de 2013 do Ministério da Cultura a etapa Municipal de seleção dos delegados para as Conferências Regional e Nacional de Cultura. E o que se viu por lá foi uma seção de atos arbitrários que devem ser contestados de forma incisiva por todos nós tamanha gravidade, descaso e desacato a classe artística e movimentos culturais do Município.
A Conferência Municipal de Cultura em Campos dos Goytacazes:
1- O representante do Ministério da Cultura, Sr. Professor Flavio Aniceto não compareceu ao evento conforme constava na programação do evento no Diário Oficial. Sequer ligou ou comunicou formalmente sua ausência;
2- A Presidente da Fundação Cultural Jornalista Oswaldo Lima, Sra. Patrícia Cordeiro, não compareceu ao evento; Sua equipe não justificou a sua ausência;
3- A Secretária Municipal de Educação, Cultura, Esporte e Lazer não compareceu ao evento. A equipe não justificou a ausência da mesma;
4- A maioria dos inscritos não comprovou vínculo documental com as instituições que representavam. Não enviaram ofícios de comprovação.
5- As inscrições encerraram-se as 8h30m do dia 20/07 conforme consta no Diário Oficial, mas houveram inscritos após este horário;
6- Representantes do poder público, que também atuam como representantes do ONGs e Institutos, Grupos de Teatro, Associações Culturais inscreveram-se como representantes da Sociedade Civil negando suas participações no governo. Prática comum no Conselho de Cultura também;
7- O Grupo ORI, inscrito como sociedade civil é um Projeto Governamental da Fundação Zumbi dos Palmares; e isto é do conhecimento de toda classe artística local;
8- Menores de idade, representantes do projeto Municipal ORI, participaram como representantes da sociedade civil e votaram sem documentação de RG ou CPF. Os alunos não possuem sequer documentos.
9- O Funcionário Público Municipal Rossini Reis, eleito como delegado para representar a sociedade civil na Conferencia Estadual é funcionário do Museu Histórico de Campos e inscreveu-se como representante da sociedade civil. Na conferência inclusive, ele trabalhava como um dos organizadores do evento com a equipe do Museu. Como negar seu vínculo público?
10- O representante do Grupo ORI, Josimarson Ramos da Silva, eleito como delegado para representar a sociedade civil na Conferencia estadual Inscreveu-se como representante da sociedade civil, sendo que este representava um Projeto Público criado e mantido pela Fundação Zumbi dos Palmares. Sugiro que se verifique a idade do representante, pois até o final deste não havia sido encontrada.

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Lembranças de uma Campos com menos dinheiro e mais cultura

No rastro dos protestos contra a política cultural do município de Campos, pertinentes as memórias vivas do poeta e ator Artur Gomes, e seu “espião” e alter ego Federico Baudelaire, relembradas aqui,  na democracia irrefreável das redes sociais, de um tempo de menos dinheiro, ainda sem os royalties do petróleo, e mais cultura de fato jorrando da terra…

Artur Gomes, poeta e ator
Artur Gomes, poeta e ator

Um pouco da história de governos Garotinho

O hoje doutor em antropologia Jorge Pessanha Santiago é uma grande testemunha de quando Federico Baudelaire, em janeiro de 1989, a pedido do prefeito recém eleito, derrubou a porta da casa de veraneio de Zezé Barbosa, no Farol, e a transformou em Casa de Cultura, que infelizmente como Casa de Cultura, durou apenas aquele verão. Quem quiser o depoimento do Santiago, vai ter que ir a Lion, na França, onde ele hoje chefia um Departamento. Mas em Campos ex-dos Goytacazes, tem outra testemunha histórica do fato: Alberto Ferreira Freitas, ex-Diretor da Cada de Cultura José Cândido de Carvalho, em Goytacazes.


Vale lembrar que esse pedido, foi feito ainda no final de 1988, no Studio 52, que funcionava nos altos da antiga Adega 52, na Praça São Salvador, onde Federico era um dos integrantes do projeto de psicanálise popular: Um Divã Em Cada Esquina, juntamente com o arquiteto Mário Sérgio Cardoso, o publicitário Genilson Soares, o fotógrafo Oscar Wagner, o pintor Nilson Siqueira, e posteriormente o também publicitário Sérgio Provisano, além do jornalista Fernando Leite.

89 foi sem dúvida o verão mais memorável do Farol, Campos ex-dos Goytacazes ainda não recebia royalties do petróleo. A grande atração da praia foi um circo emprestado ao prefeito pela Folha da Manhã, e o único grande show do verão foi um memorável show de Moraes Moreira no Campo de Futebol de Areia, e o resto da agitação cultural era produzida na Casa com cinema, artes plásticas, música e poesia, na marra, sem grana, e nós os produtores culturais alimentados com batata e sardinha, que conseguimos da merenda escolar, pois dinheiro para almoço e janta não havia.

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Em crise, PT ataca Lula e busca Lula

SOS Lula
O ex-presidente Lula está sendo estimulado por petistas graúdos a intervir no PT . Estes consideram que o partido perdeu o rumo diante dos protestos recentes. Avaliam que os petistas estão com medo de enfrentar as próximas eleições e procuram um salvador da pátria. Lula tem feito reuniões, mas reclama que muitas versões dessas conversas distorcem suas posições.

PT sofre crise de confiança
Os segmentos esquerdistas do PT , e até mesmo alguns moderados, estão fazendo uma dura crítica ao ex-presidente Lula. Aturdidos pelas recentes mobilizações, eles não o acusam diretamente , mas atacam sua política de alianças e a responsabilizam pelas mazelas dos governos petistas. Esses petistas querem romper o que chamam de “institucionalidade conservadora” . A confusão é tanta que, mesmo criticando a política de alianças que sustentou o governo Lula, principalmente na crise do mensalão, pregam o “Volta, Lula ”. Esses petistas acreditam que, mesmo sem maioria no Congresso e na sociedade, o PT deveria mandar os aliados às favas e governar só.

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Encerrado em si

Em sua coluna de ontem, o jornalista Paulo Renato Porto pretendeu responder ao artigo publicado na edição da Folha do último domingo, assinado por um dos titulares desta coluna. À exceção do que já foi dito no artigo dominical, intitulado “Sem você, nada irá mudar”, que pode ser lido e/ou relido no blog “Opiniões” (aqui), hospedado na Folha Online, pouco ou nada resta a ser dito.

No último dia 10, o jornalista Artur Xexéo publicou (aqui) em sua coluna, em O Globo, a denúncia de censura à peça “Bonitinha, mas Ordinária”, de Nelson Rodrigues, no Trianon, por supostos motivos de ordem religiosa da prefeita Rosinha. E na própria nota Xexéo atribuiu a fonte da informação ao ator Rodrigo Vahia, do grupo teatral carioca “Oito de Paus”, que encenaria a peça no teatro de Campos, em 10 de agosto.

Ao reproduzir quem depois atribuiu em rádio a passagem da nota ao Xexéo a um jornalista de Campos, Paulo Renato, enquanto também jornalista de Campos, ou não se deu ao trabalho de checar a informação original, publicada na contracapa do Segundo Caderno, de O Globo; ou se leu, o que é ainda pior, não se importou. Mas, em qualquer dos casos, tem, portanto, responsabilidade na “barriga” (notícia equivocada no jargão jornalístico) que se prestou a reproduzir.

Está certo Paulo, entretanto, ao afirmar: “Quando o jornalista se preocupa em ser notícia é porque o jornalismo vai mesmo muito mal”. E vai de mal a pior quando um jornalista reproduz uma “barriga” que tem como alvo outro jornalista, ou porque não se preocupou em checar antes os fatos, ou porque optou por ignorá-los. Como qualquer jornalista e leitor pode constatar por conta própria, trata-se de fato encerrado em si.

Publicado na edição da coluna Ponto Final de hoje, na Folha da Manhã.


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Artigo do domingo — Sem você, tudo vai ficar como está

De tudo que foi noticiado em mídia local e nacional, dando conta da suposta censura à peça “Bonitinha, mas Ordinária”, de Nelson Rodrigues, por alegados motivos de ordem pessoal e religiosa da prefeita Rosinha, que seria encenada no Trianon pelo grupo teatral carioca “Oito de Paus”, em 10 de agosto (relembre o caso aqui e aqui), o que realmente importa é que, mesmo claramente a contragosto, a presidente da Fundação Cultural Jornalista Oswaldo Lima (FCJOL), Patricia Cordeiro, teve que descer do pedestal no qual ela própria se pôs, para se reunir na última quarta-feira, dia 17, no foyer do Trianon, para ouvir as reivindicações dos artistas de Campos que foram às ruas protestar contra os desmandos na política cultural do município, responsável também pelo cancelamento de mais três apresentações, todas com satisfações sonegadas aos envolvidos e ao público.

Ainda que na reunião, palavra não tenha sido dita pelos artistas sobre as suspeitas contratações pelo poder público municipal da banda A Massa, que tem como percursionista o marido de Patricia, Lucas “Cebola”, questão que permanece tabu na política cultural de Campos, a presidente da FCJOL peca por arrogância e descolamento da realidade se chegou mesmo a considerar a reunião como uma sua “vitória”. Pois a vitória pertence de fato àqueles que se reuniram virtualmente no grupo de discussão “Nelson Censurado”, na democracia irrefreável das redes sociais, a partir do qual construíram a realidade do protesto na praça São Salvador, no dia 11, saindo em passeata até o Trianon; que voltaram a se reunir no Jardim do Liceu, no dia 15, e na Faculdade de Filosofia de Campos (Fafic), no dia 16, com o superintendente (ex-secretário) de Cultura Orávio de Campos Soares, onde a reunião com Patricia foi agendada para o dia seguinte.

Bem verdade que, sobre a reunião com Orávio, na Fafic, fechada à imprensa, não foram poucos os observadores não presentes a depois concluiriam que, como dois mais dois nunca costumaram resultar em cinco, em troca do encontro com Patricia no dia seguinte, os artistas teriam se comprometido a calar sobre a questão da banda A Massa. Todavia, também não é mentira que operação “Telhado de Vidro”, deflagrada contra o governo Alexandre Mocaiber, foi batizada pela Polícia Federal com o nome da empresa que contratava os shows daquela administração municipal, principal responsável pela primeira eleição de Rosinha à Prefeitura de Campos.

Mentira, das mais descaradas, foi a afirmação no programa de rádio Diário do sábado retrasado, de que este articulista teria “plantado” junto ao jornalista carioca Artur Xexéo a informação sobre a suposta censura à peça de Nelson Rodrigues, assim como sua alegada motivação por restrições de ordem pessoal e religiosa de Rosinha. Como o próprio Xexéo informou claramente em sua coluna, na contracapa do Segundo Caderno de O Globo, em sua edição do último dia 10 (atente ao trecho em destaque):

— É o que se pode chamar de uma atitude feliciana. O Teatro Municipal Trianon, de Campos de Goytacazes, cancelou a apresentação do espetáculo “Bonitinha mas ordinária”, do Grupo de Teatro Oito de Paus, que estava agendada para agosto. De acordo com um dos atores do grupo, Rodrigo Vahia, a justificativa que a direção do teatro deu por e-mail para o cancelamento da peça de Nelson Rodrigues é que ela “poderia ofender a prefeita Rosinha Garotinho, que é evangélica”. E tem gente que acha que a prefeita é bonitinha.

Vindo de quem veio, a acusação oposta ao que o próprio Xexéo escreveu aqui, não surpreende. Afinal, a capacidade de crer em suas próprias mentiras é uma das características de quem padece de deficiência mental e/ou de caráter, sobretudo diante da verdade claramente posta, preto no branco, a qualquer um que saiba ler. Outro jornalista, o Paulo Renato Porto, além de saber ler, sabe também escrever. Não foi por outro motivo que, há alguns anos, quando ele trabalhava na Folha, eu enfrentei sua própria resistência pessoal para que rompesse o monopólio da sua atividade jornalística na crônica esportiva, colocando-o para atuar na editoria de política, que lhe valeu a função que hoje exerce no jornal O Diário, depois acumulada com a assessoria da Câmara Municipal de Campos, sob comando do governista Edson Batista.

Espantou, portanto, não só a mim, mas a vários outros colegas, que Paulo tenha reafirmado em sua coluna “Política & políticos” o que seu patrão de verdade havia regurgitado em rádio. Além, o jornalista ainda pretendeu classificar minha inexistente passagem de informação ao Xexéo como “barriga”, que no jargão jornalístico designa a informação equivocada. Creio que, mesmo para um analfabeto, os signos que formam o nome “Rodrigo Vahia” não podem ser confundidos com aqueles que compõem “Aluysio Abreu Barbosa”. Prenhe de nove meses da “barriga” inseminada pelo patrão, cuja paternidade se prestou a assumir com seu próprio nome, fica o alerta ao Paulo Renato, que recentemente já tomou aqui um puxão de orelhas público do blogueiro Gustavo Matheus, pela promiscuidade pouco ética no favorecimento de informações entre o jornalista e o assessor da Câmara reunidos na mesma pessoa.

Em contrapartida, agradeço ao empresário, blogueiro e colunista Murillo Dieguez, em sua “Comentários” da última sexta, dia 19, pela lembrança aqui da participação do blog “Opiniões” e da Folha em duas causas felizmente exitosas: além de forçar Patricia Cordeiro a se reunir com os artistas de Campos e ouvir suas reivindicações, a cobertura à campanha em solidariedade ao Asilo do Carmo, que no mesmo dia no qual foi abraçado literalmente pela comunidade, na última terça-feira, dia 16, teve os secretários municipais enviados por Rosinha para providenciar a remoção e o abrigo dos seus idosos num novo local.

À certeza de que as duas causas são maiores, mas muito maiores, do que quem escreve estas linhas, somam-se algumas outras, infelizmente quase sempre deixadas de lado por quem detém o poder nesta planície cortada pelo Paraíba do Sul, mal escudado por seus delirantes lambe botas de plantão: crítica não é ofensa, adversário dialético não é inimigo, e atacar pessoalmente quem critica, ou os supostos motivos que levaram à crítica, diante da incapacidade retórica de simplesmente contrargumentar, é um dos sofismas mais manjados (e intelectualmente medíocres) da humanidade.

Ao fim e ao cabo, a certeza definitiva foi revelada em entrevistas trocadas, no dia 16, entre mim e os também jornalistas da Folha Suzy Monteiro e Mário Sérgio Junior, com cinco estudantes adolescentes do 1º ano do ensino médio, da escola estadual João Barcelos Martins, que buscavam informações, para um trabalho de sociologia, sobre as manifestações de rua em Campos e no Brasil. Nas palavras aqui da jovem Tamires, de apenas 15 anos, deixo ao domingo a lição que parece dormitar no esquecimento de muito marmanjo: “Se a população sair das ruas, suas cobranças serão esquecidas. E se deixarmos nossos políticos esquecerem de nós, se nos esquecermos da força que temos, tudo vai ficar como está”.

Publicado hoje, na edição impressa da Folha.

Atualização: Aqui, após o artigo já ter sido escrito, o músico Fabiano Artiles e a atriz Simone Pedro, presentes à reunião na Fafic, na terça, garantiram que nenhum acordo foi aceito pelos artistas de Campos, no sentido de se calarem sobre a questão tabu das contratações da banda A Massa, como condição à realização da reunião de quarta, no Trianon. Eles também revelaram que, na Conferência Municipal de Cultura de ontem, da qual Patricia Cordeiro se fez ausente, o assunto foi levantado pela estilista Lívia Amorim, mas sem nenhuma resposta dos representantes do poder público municipal.

Atualização às 16h21 de 22/07: Aqui, em comentário à esta postagem, ao contrário do que informou no face, aqui e aqui, o músico Fabiano Artiles, a estilista Lívia Amorim afirmou sobre sua atuação na Conferência de Cultura: “Não questionei quem são as bandas contratadas pela prefeitura. Até pq não tenho conhecimento nem autoridade pra isso”.

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Do face ao blog, reflexões para o domingo

Da democracia irrefreável das redes sociais, aqui e aqui, o blog pede licença, respectivamente à jornalista Talita Barros e ao poeta Artur Gomes, para reproduzi-los abaixo, à reflexão do domingo…

Talita:

— Fico aqui pensando: será que Nelson Rodrigues não escandaliza mais ninguém mesmo? Em Campos, isso é difícil de acreditar. Em terra onde o pensamento contrário é quase um crime de opinião, a frase “toda unanimidade é burra” se torna uma imensa afronta.

Artur:

— Lalá Peixoto quando baixou no terreirão da Mocidade Independente de Padre Olivácio – A Escola de Samba Oculta no Inconsciente Coletivo – durante uma rabada de cordeiro que ela prepara como ninguém, não se conteve em dizer: a massa dessa padaria é podre.

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