Para Nahim, reação ao aumento salarial dos vereadores é “pura maldade”

Nelson Nahim fala hoje, na sessão da Câmara, em “pura maldade” de quem protestou contra o aumento salarial máximo dos vereadores (foto de Antonio Cruz)
Nelson Nahim fala hoje, na sessão da Câmara, em “pura maldade” de quem protestou contra o aumento salarial máximo dos vereadores (foto de Antonio Cruz)

Segundo divulgou aqui, em seu blog, o jornalista Alexandre Bastos, o presidente da Câmara de Campos, Nelson Nahim (PPL), classificou como “pura maldade em período eleitoral” a forte reação nas redes sociais ao aumento salarial máximo concedido pela unanimidade dos atuais 17 vereadores (excetuados apenas os quatro ausentes na sessão do último dia 28) aos 25 que assumirão seus mandatos em 2013. Na dúvida bastante razoável, em relação ao que alegou Nahim, sobre os reais interesses das mais de 1.100 pessoas que, até agora, já subescreveram aqui o abaixo-assinado para tentar reverter na Justiça o reajuste salarial dos edis de Campos, fica a certeza de que estes cidadãos reagiram por uma conta aumentada sempre à altura máxima do teto constitucional, em decisões pessoais daqueles que foram eleitos para representá-los, paga com o seu, o meu, o nosso dinheiro.

Ademais, cumpre ressaltar que, ao contrário do que declarou aqui à jornalista da Folha Luciana Portinho, Nahim não enviou nenhum documento a este blogueiro, desde que o ouvi ao telefone sobre o assunto, na noite da última quinta-feira, dia 30. Na verdade, a resolução nº 8.315  da Câmara Municipal, que trata do aumento dos vereadores, foi republicada aqui, neste “Opiniões”, a partir da divulgação em primeira mão feita aqui, no blog do candidato do Psol à Prefeitura Erik Schunk. Até por respeito à figura pessoal e política de Nahim, cuja coragem para trilhar caminhos próprios e opostos ao seu irmão e deputado federal, Anthony Garotinho (PR), deve ser sempre ressaltada, o blog não vai dizer que a versão inverídica foi “pura maldade” do presidente da Câmara. Preferimos acreditar que ele apenas se confundiu…

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Vereadores aumentam salário e bola de neve da reação nas redes sociais

Se os vereadores de Campos achavam iriam passar ilesos ao aprovarem, por unanimidade, o aumento salarial máximo de 61,8% à próxima Legislatura, tudo indica que os nobres edis substimaram a sociedade que representam, ou deveriam representar. Aqui e acima, o compartilhamento de uma das muitas reações, fortes e inequívocas, numa bola de neve de indignação descendo ladeira abaixo (ou acima?) nas redes sociais…

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Aumento legal, mas moral?

O que, afinal, separa os vereadores de oposição e situação em Campos? À parte os interesses político-eleitorais de grupos em disputa por espaço e poder, parece que nada. Pelo menos, isso é o que claramente demonstraram quando se tratou de aumentar o número dos próprios cargos (e com isso as chances de se reelegerem) e as cifras dos próprios contracheques mensais (caso se reelejam), tudo às custas do dinheiro público.

Em setembro passado, aproveitando a emenda constitucional 58/2009, os 17 vereadores de Campos aprovaram, por unanimidade, o aumento máximo do número de cadeiras para as 25 que serão disputadas em outubro. Agora, no final do mês passado, os nobres representantes do povo de Campos aproveitaram a emenda constitucional 25/2000 para aprovarem, novamente por unanimidade, o aumento salarial máximo da próxima Legislatura, num reajuste de 61,8% (de R$ 9.288,03 para R$ 15.031,76).

Como o percentual foi bem superior aos 5% concedidos aos demais servidores públicos municipais, aos 14% concedidos aos estaduais, ou do que o reajuste entre 15% a 45% dado aos federais, sem contar os 7,9% do salário mínimo, a reação da sociedade civil foi rápida e contundente. Mobilizadas através das redes sociais, até a noite de ontem, mais de 800 pessoas já haviam endossado o abaixo-assinado convocado no site Avaaz.org, pelo publicitário Weyder Almeida Lemury, de apenas 23 anos.

A intenção do manifesto, além de tentar gerar uma ação civil pública contra o aumento salarial máximo dado pela Câmara Municipal à Câmara Municipal, é fazer “a comunidade de Campos fugir da inércia e partir para a ação contra os problemas de ordem pública”, como disse o jovem que o convocou, em reportagem publicada hoje, na página 2 da edição impressa da Folha da Manhã.

A unanimidade dos vereadores de Campos, na hora de aumentarem os próprios cargos e salários, sempre no teto fixado pela lei, fazendo do limite público sua média pessoal, pode até ser legal. Todavia, além de burra, como reza a máxima de Nelson Rodrigues, parece ser também uma unanimidade imoral para boa parcela da sociedade. Sobretudo em ano eleitoral, oposição e situação do Legislativo goitacá poderiam demonstrar critérios mais dignos ao se revelarem uma coisa só.


Publicado hoje na coluna Ponto Final, na Folha da Manhã.

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Sociedade impõe limites à sua representação política

Embora feito sobre a postagem abaixo, dando conta da reação das redes sociais ao aumento salarial máximo concedido pelos atuais vereadores de Campos aos próximos, o comentário do leitor Milton Corrêa da Costa, sobre o julgamento do Mensalão pelo Supremo, não deixa mesmo de ser um pertinente alerta aos limites que a sociedade brasileira começa a impor à sua representação política de maneira geral, seja no país, no estado ou no município. Escrito com pena hábil e precisa, merece abaixo a relevância maior de post…

Julgamento da “farsa do mensalão” não é farsa: falta agora a algema e a cadeia

Milton Corrêa da Costa

Com a condenação do ex-presidente da Câmara Federal, deputado João Paulo Cunha, por crimes de peculato, corrupção passiva e lavagem de dinheiro, associada à condenação de outros integrantes do primeiro grupo de réus do mensalão, o Supremo Tribunal Federal deixou bem claro, para a sociedade brasileira, que chegou ao limite da tolerância a corrupção na política, a pouca vergonha e a falcatrua que envolve o roubo do dinheiro público, uma cultura extremamente arraigada no país.

O farto material de investigação criminal, colocado à disposição dos ministros do Supremo Tribunal Federal, comprovaram, para a maioria dos magistrados, que não haviam inocentes no maior esquema de corrupção que se teve notícia na história republicana. A materialidade dos delitos ficou comprovada nas provas periciais, testemunhais e documentais.

Portanto, quem imaginava e tentava diminuir, perante a opinião púbica brasileira, a importância do gravíssimo crime de lesa-pátrria, afirmando tratar-se de uma “farsa”, objetivando assim livrar os “companheiros” da condenação, deu com os burros n’água. O tiro saiu pela culatra. Agora o deputado Jõao Paulo Cunha será cassado pelo graves delitos cometidos e pelo comportamento anti-ético, já tendo renunciado à candidatura da Prefeitura de Osasco, aguardando também a dosimetria das penas que fatalmente poderá chegar a mais de oito anos. Aí a história muda de figura, ou seja, seus antigos e fiéis companheiros do PT terão que visitá-lo no cárcere, no regime fechado como manda a lei.

Agora, “Inês é morta”. O Supremo Tribunal Federal já balizou que vem chumbo grosso daqui pra frente. Falta o julgamento do restante da quadrilha. Haja lexotan. O postulado de que é proibido roubar começa a ser doutrina verdadeira na política brasileira. Dinheiro público, fruto dos impostos pagos com o suor do trabalhador brasileiro, não é para ser surrupiado. Aprenda-se.

A possibilidade do uso de algemas, recolhimento ao cárcere e uso de uniforme de prisioneiro é mais do que real e atemorizam agora, mais do que nunca, os mensaleiros, entre eles algumas figuras carimbadas do PT. O STF mostrou o azimute do fim da tolerância. A sociedade brasileira agradece e confia agora, como nunca, na soberania e independência do Poder Judiciário.

Os princípios da ética e da moral foram definitivamente balizados como doutrina na política brasileira. Cumpra quem tiver juízo. Num país verdadeiramente sério o exemplo para as novas gerações começa em cima.O Partido dos Trabalhadores também manchou a história brasileira. Os empréstimos fictícios que o digam.

Aguarda-se agora constituição de uma nova Comissão da Verdade. O objetivo será investigar e identificar o verdadeiro chefe do mafioso esquema do mensalão. O povo brasileiro tem o direito de saber.

Milton Corrêa da Costa é cidadão brasileiro e aguarda ansiosamente o julgamento do mensalão

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Protesto nas redes sociais contra aumento salarial dos vereadores de Campos

Aqui, o “Avaaz.org — Petições da comunidade”, traz um protesto nas redes sociais contra o aumento salarial máximo que os 17 atuais vereadores de Campos concederam, por unanimidade, aos 25 que serão eleitos em outubro à próxima Legislatura, denunciado aqui, pelo blog. Após reunir pelo menos 200 assinaturas (até este momento, já foram colhidas 109), a promessa virtual é que protesto popular seja enviado, à luz do sol real, para a Câmara e Prefeitura de Campos, além do Ministério Público. Se você não concorda que os vereadores concedam a si mesmos e/ou aos seus sucessores, um reajuste salarial fixado no teto máximo permitido pela Constituição Federal, leia e participe desta reação das redes sociais contra aquilo que pretendem fazer, às custas do dinheiro público, aqueles que foram eleitos para representar a sociedade.

Abaixo, a transcrição do texto no qual a sua assinatura é solicitada…

“Ao Excelentíssimo Senhor Presidente da Câmara Municipal de Vereadores de Campos dos Goytacazes e demais vereadores da cidade, Os cidadãos abaixo-assinados, brasileiros, residentes e domiciliados na cidade de Campos dos Goytacazes, declaramos contra o reajuste salarial da proposta dos vereadores do município. Este Valor, R$ 15.031,76 que configura um total de 60%, é totalmente abusivo, não é compatível com a realidade salarial municipal, ferindo assim os interesses da comunidade. Os vereadores da câmara de Campos, no último dia 31/08/2012, apresentaram ao plenário da Casa, o Projeto de Lei que aumenta o salário dos vereadores do Legislativo Municipal, que passará dos atuais R$ 9.2 mil para R$ 15.031,76 (quinze mil, trinta e um reais e setenta e seis centavos) na próxima Legislatura, que vai começar em janeiro de 2013 e termina no dia 31 de dezembro de 2016. Os cidadãos de Campos dos Goytacazes são contra esse aumento abusivo e exige que o referido Projeto de Lei seja vetado.”

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Leitura das pesquisas

Quem apostava que o indeferimento da candidatura de Rosinha Garotinho (PR) à reeleição, pelo TRE, fosse ter alguma influência no voto do eleitor campista, sofreu ontem um amargo dissabor. Com a divulgação da pesquisa Ibope, encomendada e divulgada pela InterTV, do Grupo Folha, ficou claro que, hoje, nas urnas, a prefeita não só se reelege no primeiro turno, como ampliou sua já larga vantagem sobre os demais, crescendo de 57%, segundo pesquisa do Precisão de julho, para 63%, pelo Ibope.

Outra grande expectativa, dizia respeito aos desempenhos das campanhas dos candidatos Arnaldo Vianna (PDT) e Makhoul Moussalem (PT). Neste quesito, acertou quem apostou na queda do primeiro (de 18%, no Precisão, para 13%, no Ibope), com registro indeferido pela própria Justiça Eleitoral de Campos, e no crescimento do segundo (de 4% para 9%). Todavia, o efeito prático foi literalmente trocar cinco por meia dezena: os 5%, perdidos por um, foram os exatos 5% ganhos pelo outro.

Aos que ainda insistem em criticar o inequívoco sucesso político dos Garotinho, na pretensão de atribuí-lo apenas ao fato de controlarem a máquina pública municipal, uma outra pesquisa do Precisão, sobre a corrida à Prefeitura de São Francisco e divulgada hoje, com exclusividade, pela Folha, revela toda a fragilidade lógica do argumento. Mesmo prefeito, Frederico Barbosa Lemos (PR) aparece com apenas 21%, 31% a menos que seu único concorrente: Pedrinho Cherene (52%).

Como reza o dito popular: “O pior cego é aquele que não quer ver”. O governo de Campos é bem avaliado, sua candidata é popular e seus percalços na Justiça, se tiveram algum efeito no eleitor, foram o de simpatia por sua vitimização numa suposta perseguição. Se o motivo jurídico teve versão fantasiosa pelo grupo da prefeita, os efeitos eleitorais da tática se mostram reais, e todos positivos a ela. No voto, salvo um cataclismo, tudo indica que Rosinha não perde para ninguém.

Publicado na coluna Ponto Final de ontem, na Folha da Manhã.

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Encontros com Hemingway

Escrito por Ernest Hemnigway (1899/1961) em 1951, publicado em 52, e principal motivo para o Nobel de Literatura concedido ao seu autor, em 54, “O velho e o mar” é para muita gente, inclusive para mim, a grande obra em prosa do séc. 20. Pescador, caçador, beberrão, amante, pugilista, toureiro amador, mototista de ambulância na I Guerra Mundial (1914/18), correspondente estrangeiro que pegou em armas na Guerra Civil Espanhola (1936/39) e na II Guerra Mundial (1939/45), estadunidense e cidadão do mundo, Hemingway viveu uma vida intensa, impressa com sangue e suor em toda sua obra, sempre em busca de adrenalina, do limite, até resolver atravessar o último por conta própria, disparando o fuzil contra o próprio peito, em 1961.

Recentemente, tive três contatos ao acaso com o escritor, dois em filmes, um em literatura. O primeiro ao rever o excelente “Wrestling Ernest Hemingway” (no Brasil, “Recordações”), de 1993, dirigido por Randa Haines, no qual um marinheiro irlandês (Richard Harris) e um barbeiro cubano (Robert Duvall), ambos aposentados e solitários, vivendo em Miami, travam amizade em meio às redordações dos triunfos e desapontamentos das suas vidas. Em relação aos primeiros, para o ex-marinheiro, o maior está o momento em que aceitou o desafio de Hemingway, num bar de porto, para uma briga — daí o título original do filme.

O segundo contato se deu num filme mais recente e badalado, mas tão bom quanto: “Meia-noite em Paris”, de Woody Allen. Nele, o escritor contemporâneo e estadunidense vivido por Owen Wilson (imitando dolosamente o próprio Allen como ator de si mesmo), ambiciona passar de roteirista a romancista, assim como pretende se mudar de Los Angeles para Paris, enquanto sonha com a capital francesa dos anos 20, adotada por seus compatriotas da chamada “geração perdida”. Entre eles, destaca-se Hemingway, cujo carisma do personagem (mais que sua interpretação por Corey Stoll) rouba cada uma das cenas em que surge, ditando suas regras viris para composição de uma vida e uma obra dignas de nota, capazes de seduzir mesmo um sujeito pacato e tímido como Woody Allen, seja o que escreveu e dirigiu o filme, ou aquele que na tela é personificado por Owen Wilson.

O terceiro encontro, através da literatura, se deu em novembro passado, quando viajei a Belo Horizonte para visitar os amigos de infância Janife e César Boynard, que haviam acabado de ter a segunda filha, Antônia, companheira do pequeno Davi, que praticamente vi nascer, em outra viagem, numa Lisboa de oito anos atrás. Ao passarmos pela livraria Fnac, no BH Shopping, a lombada vermelha chamou minha atenção para o livro “Poesia Russa Moderna”. E a atenção passou a ser redobrada, quando constatei que os compiladores daquela coletânea eram Haroldo de Campos, Augusto de Campos e Boris Schnaiderman, os três tradutores do meu inseparável livro de poemas de Vladímir Maiakóvski (1893/1930), maior poeta do modernismo russo, que há tantos anos me ilumina os caminhos nesta vida.

Comprado o livro, fomos da livraria para o Via Cristina, um dos melhores botequins de BH — o que significa dizer, do mundo. Lá, em meio à degustação de algumas das 707 cachaças orgulhosamente expostas no estabelecimento, em prateleiras em estilo colonial que fazem lembrar as da Biblioteca Nacional do Rio de Janeiro, passei a folhear o livro recém adquirido, até me deparar com um poema de Ievguêni Ievtuchenko, chamado “Encontro em Copenhague”, que relatava em versos um acaso aparentemente tão feliz ao autor, na capital da Dinamarca, quanto era aquele para quem lia, na capital das Minas Gerais. Abaixo, como em “Hamlet”, numa peça dentro da outra, passemos a eles…

Encontro em Copenhague

Sentados no aeroporto em Copenhague
atacávamos juntos o café.
Ali, tudo era belo,
confortável —
ambiente refinado como o quê!

E de súbito
aquele velho surgiu,
japona simples e capuz verde oliva,
pele curtida
por lufadas salinas,
ou melhor,
não surgiu,
exsurgiu.

Caminhava,
singrando por turistas,
como se houvesse largado o leme faz pouco,
feito espuma do mar
a barba híspida
branca
emoldurava-lhe o rosto.

Com sombria decisão de vitória
caminhava,
erguendo uma onda volumosa,
através de antiqualhas
de um moderno postiço,
através do moderno postiçando o antigo.

E abrindo a gola da camisa rústica,
ele, rejeitando o vermute e o pernaud,
pediu ao balcão uma vodca russa
e repeliu a soda com um gesto:
“No…”

Mãos gretadas, com cicatrizes,
curtidas,
sapatos grossos, arrastando solas,
calças incrivelmente encardidas, —
era mais elegante
do que todos em roda!

A terra sob ele como que afundava,
com o peso daquelas passadas.
Um dos nossos sorriu-me:
“Ei!”
Veja se não parece Hemingway!

Caminhava,
expresso em gestos curtos,
andar de pescador, pesado, lento,
todo talhado num rochedo bruto,
como através das balas,
através dos tempos.

Caminhava, encurvado, como na trincheira,
abria caminho entre pessoas e cadeiras…
Parecia-se tanto com Hemingway!…
Depois fiquei sabendo:
era Hemingway.

(1960)

Publicado na edição de hoje da Folha Letras, contracapa da Folha Dois, na Folha da Manhã


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Divulgação da pesquisa Ibope à Prefeitura de Campos

Desde que  foi anunciada aqui, em primeira mão, no Ponto de Vista do Christiano Abreu Barbosa, a pesquisa do Ibope sobre a corrida à Prefeitura de Campos tem gerado bastante expectativas e dado margem a muitas especulações. Integrada ao Grupo Folha, a InterTV vai divulgar hoje três pontos principais da consulta que encomendou. Amanhã, divulgará mais um. Alguns outros serão reverberados nos próximos dias pela própria InterTV e pelo jornal Folha da Manhã, em sua versão impressa e online.

Como ninguém parece ter dúvida sobre a liderança da prefeita Rosinha Garotinho (PR), a primeira pergunta é se sua diferença sobre os demais seria suficiente para garantir sua vitória ainda no primeiro turno. Ademais, se sua tendência é de queda, manutenção ou aumento dos 57% que lhe conferiu o Instituto Precisão, em pesquisa entre 21 e 23 de julho. Da mesma maneira, a correlação entre Precisão e Ibope dos números dos demais candidatos, sobretudo Arnaldo Vianna (PDT) e Makhoul Moussallem (PT), respectivamente com 18% e 4% na pesquisa de julho.

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Câmara de Campos dá aumento salarial máximo aos próximos vereadores

Perto do fim da atual Legislatura Municipal, quando as atenções estão mais voltadas para as eleições do que aos atos da Câmara, 13 dos 17 vereadores de Campos aprovaram o aumento máximo, segundo o teto estipulado pela Constituição Federal, para os 25 que serão eleitos em outubro: dos R$ 9.288,03 de hoje, os que assumirem em 2013 passarão a receber R$ 15.031, 76. No lugar dos 115% projetados aqui, pelo jornal virtual Terceira Via, que divulgou a notícia em primeira mão, o aumento real foi de 61,8%, mas ainda assim bem superior aos 5% concedidos ao servidores públicos municipal, aos 14% dados pelo Estado do Rio, ou do que o reajuste entre 15% a 45% que encerrou a greve em vários setores do funcionalismo federal.

Na sessão da Câmara da última terça, dia 28, os únicos vereadores que não participaram da aprovação unânime do aumento, foram aqueles que não estavam presentes: Papinha (PP), Vieira Reis (PRB), Ilsan Vianna (PDT) e Marcos Bacellar (PDT). Todos os demais votaram a favor de aumentarem o próprio salário, caso consigam se reeleger em outubro, ou dos seus sucessores. Segundo explicou o presidente do Legislativo, Nelson Nahim (PPL), o reajuste segue determinação constitucional, baseada em 60% dos ganhos de cada deputado estadual, para fixar o salário dos vereadores de municípios com mais de 400 mil habitantes, como é o caso de Campos. Todavia, diferente do alegado por Nahim, na Emenda Constitucional nº 25/2000, 60% é o limite do que poderia ser concedido aos edis, não a única alternativa por força de lei.

Na verdade, se quisessem, os vereadores poderiam não ter se dado nenhum aumento, ou pelo menos um percentual mais próximo aos 5% proposto pela prefeita Rosinha Garotinho (PR) aos demais servidores do município, com aprovação pela maioria da Câmara, em maio deste ano. Embora 0s quatro vereadores de oposição tenham protestado naquela ocasião, ao que parece, depois que três deles aprovaram o reajuste salarial para si próprios, a posição passada, em aparente defesa do funcionalismo, foi meramente política. Entre eles, Nahim ontem mesmo enviou a Resolução 8.315, responsável pelo aumento, para o Tribunal de Contas do Estado (TCE), do qual aguarda agora o parecer antes do final do ano, para fazer valer o novo salário dos veradores a partir de 2013.

Aqui, em seu blog, o médico e candidato do Psol à Prefeitura, Erik Schunk reproduziu a Resolução publicada no Diário Oficial de ontem. Para ele, os salários dos parlamentares para a próxima Legislatura são mais uma demonstração de “desprezo para com a população, principalmente com os servidores municipais, que conseguiram pouco mais de 5% de reajuste salarial e os do Governo Federal,  cerca de 15%  em três anos”.  A resolução da Câmara Municipal de Campos nº 8.315, de 28 de agosto de 1012, foi reproduzida no facebook do candidato, sendo a notícia mais acessada da semana, com 128 compartilhamentos até o fim da tarde de hoje.

— Campos precisa conhecer para poder se indignar com esse tipo de comportamento dos políticos. Não é possível dar aumento desses  para os próximos 25 vereadores (e alguns devem ser esses que votaram) enquanto os demais trabalhadores de dão por satisfeitos quando conseguem pelo menos a reposição da inflação — disse Schunk. Ele lembrou ainda que, na mesma sessão do dia 28, também foram fixados os subsídios do  próximos prefeito e vice-prefeito, mas os valores não foram divulgados. “Serão que estão esperando a poeira baixar?” É bom lembrar, disse Erik, que o teto nacional para os ministros do Supremo e da presidenta da República é de R$ 26.726,13, sem os descontos.

Erik Schunk disse ainda que a lei que fixa os salários dos vereadores, prefeitos, deputados estaduais, federais e senadores precisa mudar, porque atualmente quando aumenta os valores no Congresso Nacional, ocorre um efeito cascata até às Câmaras Municipais. No entanto, argumenta: “a lei fala que subsídios dos vereadores devem ser fixados, no máximo, em até “x” por sobre o que recebe, por exemplo um deputado estadual a mesma sistemática vale do estadual em relação ao deputado federal e assim por diante. Só que as Câmaras e Assembleias usam sempre o máximo como parâmetro”.

— Eu fico indignado com a desfaçatez dos vereadores de auto reajustarem seus vencimentos em 61,8% e passarão a ganhar mais de R$ 15 mil por mês a partir do próximo ano. Acho que o Sindicato dos Servidores Municipais deveriam cobrar da Câmara uma posição porque esta mesma Câmara aprovou projeto de lei da prefeita fixando em 5% o aumento dos servidores da Prefeitura — desabafou Schunk.

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