Governo Rosinha já gastou em oito meses a grana que tinha que durar mais cinco?

 

Atrasos no pagamento de obras, nos repasses aos hospitais conveniados e às instituições assistenciais? Prefeitura de orçamento bilionário e sem dinheiro? Qual o motivo possível?

Ainda as emendas individuais que teriam sido concedidas generosamente aos vereadores, apaziguados em uníssono na gestão interina de Nelson Nahim na Prefeitura? Algo a ver com a saída ainda nebulosa de Francisco Esquef da secretaria municipal de Finanças? Tentativa de fazer caixa para gastar em dobro em 2012, ano em que a prefeita tentará a reeleição?

Segundo uma fonte do primeiro escalão da administração Rosinha, nada disso! O motivo real, londe das atenuantes farsescas que os governistas encenam aos olhos do povo e da mídia, é muito mais elementar: a Prefeitura simplesmente já teria gasto praticamente todos os R$ 1,9 bilhão previstos para durar por ainda mais cinco meses.

É a mesma fonte que diz não entender porque o governo ao qual integra simplesmente não admite isso diante do dono de fato da grana: nós, o respeitável(?) público.

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Arnaldo Mattoso: Não serei vice, nem candidato a vereador

“Uma coisa é certa: vice eu não serei. Muito menos candidato a vereador, o que romperia meu compromisso com os pré-candidatos ao Legislativo que me apoiaram internamente”. Foi o que garantiu ao blogueiro o ex-prefeito e atual secretário de Educação de Quissamã, Arnaldo Mattoso (PMDB), preterido pela vereadora petista Fátima Pacheco na disputa interna da pré-candidatura da situação à eleição majoritária de 2012, a partir da pesquisa do IBPS, que teve alguns números revelados no post anterior.

Confirmando o que prefeito Armando Carneiro havia dito antes ao blog, Arnaldo reagiu com aparente elegância diante da definição interna desfavorável:

— Reconheço o resultado e tenho um compromisso com Armando. E este compromisso pressupõe que eu apóie a candidata definida pelo grupo a partir da pesquisa. Participei da definição deste critério e acompanhei todo o processo. Se não questionei antes, não posso fazê-lo agora. O momento requer muita tranquilidade — disse Mattoso, revelando ainda desconhecer a informação de que a primeira dama e secretária de Saúde de Quissamã, Alexandra Moreira, tenha tido qualquer interferência no processo de escolha.

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Quissamã: Armando revela números de Fátima e Arnaldo na pesquisa que Octávio lidera

Em relação à pesquisa do Instituto Brasileiro de Pesquisa Social (IBPS), coordenada pelo cientista político Geraldo Tadeu, professor da Uerj, ouvindo mil pessoas em Quissamã, nos dias 18 e 19 de julho, visando o pleito majoritário de 2012, o blogueiro teve acesso a alguns números, passados por telefone pelo prefeito daquele município, Armando Carneiro (PSC). Embora só tenha revelado os percentuais atingidos por seus então dois pré-candidatos, a veredora Fátima Pacheco (PT) e o ex-prefeito e secretário de Educação Arnaldo Mattoso (PMDB), que fizeram definir seu apoio desde já pela primeira, Armando admitiu que o ex-prefeito Octávio Carneiro (PP) lidera as amostragens espontânea e estimulada. Abaixo, o que foi revelado ao blog…

 

(Infográfico de Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)
(Infográfico de Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)

 

Na verdade, através da sua assessoria, Armando Carneiro entrou em contato com o blogueiro para questionar alguns pontos da matéria publicada hoje, na edição impressa da Folha, noticiando a definição de Fátima Pacheco como sua pré-candidata em 2012, a partir da pesquisa do IBPS. A ressalva do prefeito se centrou, sobretudo, na informação que creditava a escolha também a uma opção pessoal da secretária de Saúde e primeira dama daquele município, Alexandra Moreira.

Embora não assinada, a matéria foi apurada e redigida pelo editor de Política da Folha, Cilênio Tavares, profissional da maior competência e seriedade, com passagem de destaque em outros jornais, como os extintos A Cidade e Monitor Campista, além do carioca O Dia. Sigilo de fonte, como o blogueiro explicou ao prefeito, é uma garantia constitucional. De qualquer maneira, ao ter o cuidado de colocar a susposta intervenção pessoal de Alexandra na condicional, o repórter abriu a devida margem ao contraditório, reforçada hoje não só pela negação veemente de Armando, como no desconhecimento dessa versão por parte do próprio Arnaldo Mattoso, também ouvido pelo blog.

Em relação à pesquisa, o prefeito esclareceu que, embora a alternância entre Fátima e Arnaldo, nos números entre espontânea e estimulada, aponte para o equilíbrio, o que definiu a escolha da primeira pré-candidata foram as possibilidades de crescimento de ambos a partir dos índices de rejeição, na qual o secretário de Educação apareceu com diferença negativa de 10,1% em relação à concorrente. Ainda segundo Armando, este foi o raciocínio do cientista político Geraldo Tadeu na exposição da pesquisa feita ao vice-governador Luiz Fernando Pezão (PMDB) e ao ministro da Pesca, Luiz Sérgio (PT), que levou os quatro a se definirem conjuntamente pela vereadora do PT.

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Opiniões de poesia — João Cabral de Melo Neto

Na transição da política à poesia, momento sempre mais prazeroso das quartas-feiras, segue a reprodução neste “Opiniões” de textos originalmente escritos pelo blogueiro para o “Cantos” (aqui), inativo há algum tempo. Precisa como na tacada de sinuca ou no passe de Zidane, a bola da vez é…

João Cabral de Melo Neto — Poeta diamante

Por aluysio, em 07-11-2009 – 2h49

 

 

João Cabral de Melo Neto

 

Cronologicamente, o poeta pernambucano João Cabral de Melo Neto (1920/1999) pertenceu à Geração de 45, ano do fim da II Guerra Mundial e inicial da Guerra Fria. A ela, coube a difícil missão de suceder à Geração de 30, talvez a mais profícua na história da poesia brasileira, com valores como um Carlos Drummond de Andrade (1902/1987), um Murilo Mendes (1901/1975), um Mário Quintana (1906/1994), uma Cecília Meireles (1901/1964), um Augusto Frederico Schmidt (1906/1965), um Emílio Moura (1902/1971), um Jorge de Lima (1895/1953) e um Vinícius de Moraes (1913/1980). Por sua vez, foi a qualidade destes autores que solidificou o Modernismo no Brasil, inaugurado pela transgressora Geração de 22, de Mário de Andrade (1893/1945), Oswald de Andrade (1890/1953), Cassiano Ricardo (1895/1974), Raul Bopp (1898/1984), Ribeiro Couto (1898/1963) e do maior poeta entre estes pioneiros, ainda que modernista tardio: Manuel Bandeira (1886/1968), que, aliás, era primo de João Cabral.

Todavia, todo esse preâmbulo geracional, talvez didático e certamente enfadonho, se desvanece diante da afirmação do próprio Cabral: “Eu não sou de 45”. Cronologias à parte, não afirmava isso desprovido de razão, posto ter inaugurado uma póetica diametralmente oposta ao confessionalismo e à metafísica que marcaram seus contemporâneos.

Curiosamente, é uma toada de claras cores surreais, influência certamente do amigo Murilo Mendes, que vai ditar o primeiro livro de João Cabral, “Pedra do sono”, de 1942. A direção inicial, no entanto, seria realinhada pelo compasso e esquadro com os quais acabaria por sedimentar sua obra, tomados de empréstimo não de um poeta, mas de um arquiteto, o francês de origem suíça Le Corbusier (1887/1965):

— Quem mais influência exerceu sobre mim, teoricamente, foi o arquiteto Le Corbusier. Por muitos anos, ele significou para mim lucidez, claridade, construtivismo. Em resumo: o predomínio da inteligência sobre o instinto — admitiria o próprio Cabral.

Essa influência das artes visuais não se restringiria ao grande arquiteto, se espraiando também sob os traços do pintores holandês Piet Mondrian (1872/1944), do francês André Masson (1896/1987) e dos espanhóis Pablo Picasso (1881/1973) e Joan Miró (1893/1983), sobre quem chegou a escrever um livro em prosa e com quem chegou a conviver em sua carreira diplomática na Espanha — cuja Andaluzia, como seu Nordeste natal, está tão impressa em seus versos. Na poesia em si, ironicamente, quem mais marcou o vate pouco afeito ao canto das musas foi uma mulher: a estadunidense Marianne Moore (1887/1972), que “em vez de lápis,/ emprega quando escreve/ instrumento cortante:/ bisturi, simples canivete”, como ele descreve logo à estrofe inicial de “O sim contra o sim”,  poema do livro “Serial”, de 1961.

Identificados na gênese do “verso cicatriz” de Moore, a analogia óbvia desse “bisturi” e desse “canivete” com a “faca” e a “lâmina” que rasgam presença em boa parte da obra cabralina evidencia bem o autor marcado a fio de navalha pela imagem, auto-destinado à coisificação da poesia. Afinal, como diagnosticou nos versos de “Psicologia da composição”, poema que batiza o livro publicado em 1947: “São minerais/as flores e as plantas,/as frutas, os bichos/quando em estado de palavra.”

Poeta da concisão e da contenção, do “seco”, avesso ao lirismo fácil, ao derramamento sentimental que o grande público costuma associar aos poetas,  João Cabral está para a poesia brasileira como Graciliano Ramos (1892/1953) para a prosa. Elevado pelos concretistas a ponto de partida de uma nova estética, é o principal referencial ao fazer poético de lá ao Brasil dos nossos dias, mais que qualquer outro poeta do Modernismo, incluindo Drummond.

Atual inimigo público nº 1 do Concretismo, o poeta Alexei Bueno sequer considera os concretistas como pares, mas “artistas gráficos”, e denuncia ruidosamente o monopólio que os seguidores do movimento passaram a exercer no eixo Rio/São Paulo, a partir dos anos 1950 e do encastelamento nas universidades, sobre a produção e crítica da poesia brasileira. Mas ao radiografar esta numa obra de fôlego, “Uma história da poesia brasileira” (de 2007), ele ainda assim não se furtou em classificar Cabral “entre seus maiores criadores”.  Ou seja, embora critique o que chama de “seita” — o Concretismo e os neo-concretistas —, Bueno reverencia o “messias”.

Para o bem ou para o mal dos olhos de quem lê, a “pedra” que Cabral atirou no leito da poesia brasileira tem suas ondas de impacto refletidas até hoje. E sem margem ainda à vista…

Vários são os poemas que poderiam ser escolhidos para tentar sintetizar sua obra neste blog. “O cão sem plumas”, “Uma faca só lâmina”, “A educação pela pedra” e “Morte e vida severina” certamente estão entre eles. Todos pertencem a livros homônimos, publicados, respectivamente, em 1950, 1955 e, os dois últimos, em 1966. Para muitos, sua grande obra seria “Estudos para uma bailadora andaluza”, que abre “Quaderna”, de 1960. Também deste livro, a escolha, no entanto, acabou recaindo sobre outro poema:“‘Cante a palo seco’”.

O título do livro, pela etimologia, remete ao latim quaterna: “que são em número de quatro; que são quatro a quatro”, na definição do Houaiss. Muitas vezes pelos motivos errados, considerado um poeta complexo, o fato do pernambucano ter a quadra como sua estrofe de eleição é  fruto da influência direta que assumidamente sofreu da poesia popular nordestina. No poema “O número quatro”, do livro “Museu de tudo”, de 1975, ele dá sua razão: “O número quatro feito coisa/ ou a coisa pelo quatro quadrada,/ seja espaço, quadrúpede, mesa,/ está racional em suas patas”.

Se todos os poemas de “Quaderna” são compostos em estrofes de quatro versos, é em “‘Cante a palo seco’” que a exatidão da forma vem na numeração exata: quatro movimentos, cada um de quatro conjuntos com o divisor do quatro (dois) por número de estrofes. E, ao quadrado ou vezes quatro, quatro é conta sempre precisa de 16.

Dedicado ao poeta espanhol Rafael Santos Torroella — que apresentou a Drummond e que traduziu este ao castelhano —, o poema é também onde Cabral mais brilhantemente rascunha, em versos, o seu próprio fazer poético, onde o anti-confessional melhor confessa sua arte diante de si e do leitor, nesse difícil “ser-se ao meio-dia”. Entre os maiores imagéticos da poesia brasileira e universal, ele faz isso utilizando metáforas de musicalidade, despindo-a em suas rimas toantes ao quase silêncio; mas só quase, como  “esse fio/ quando sem qualquer pássaro/ dá o seu assovio”.

A música, que costumava chamar de “menos desagradável dos ruídos”, foi a sua chave para negá-la.

Poeta mais apolíneo da Literatura brasileira, João Cabral de Melo Neto foi pintado em “Retrato, à sua maneira”, por Vinícius de Moraes, nosso maior dionisíaco: “Adiante Ave/ Camarada diamante!”

Bem sabia o Poetinha que a pedra mais dura é também a que mais brilha.

 

“A Palo Seco”

A R. Santos Torroella

 

1.1

Se diz a palo seco

o cante sem guitarra;

o cante sem; o cante;

o cante sem mais nada;

 

se diz a palo seco

a esse cante despido:

ao cante que se canta

sob o silêncio a pino.

 

1.2

O cante a palo seco

é o cante mais só:

é cantar num deserto

devassado de sol;

 

é o mesmo que cantar

num deserto sem sombra

em que a voz só dispõe

do que ela mesma ponha.

 

1.3

O cante a palo seco

é um cante desarmado:

só a lâmina da voz

sem a arma do braço;

 

que o cante a palo seco

sem tempero ou ajuda

tem de abrir o silêncio

com sua chama nua.

 

1.4

O cante a palo seco

não é um cante a esmo:

exige ser cantado

com todo ser aberto;

 

é um cante que exige

o ser-se ao meio-dia,

que é quando a sombra foge

e não medra a magia.

 

2.1

O silêncio é um metal

de epiderme gelada,

sempre incapaz das ondas

imediatas da água;

 

a pele do silêncio

pouca coisa arrepia:

o cante a palo seco

de diamante precisa.

 

2.2

Ou o silêncio é pesado,

é um líquido denso,

que jamais colabora

nem ajuda com ecos;

 

mais bem esmaga o cante

e afoga-o, se indefeso:

a palo seco é um cante

submarino ao silêncio.

 

2.3

Ou o silêncio é levíssimo,

é líquido sutil

que se coa nas frestas

que no cante sentiu;

 

o silêncio paciente

vagaroso se infiltra,

apodrecendo o cante

de dentro, pela espinha.

 

2.4

Ou o silêncio é uma tela

que difícil se rasga

e que quando se rasga

não demora rasgada;

 

quando a voz cessa, a tela

se apressa em se emendar:

tela que fosse de água,

ou como tela de ar.

 

3.1

A palo seco é o cante

de todos mais lacônico,

mesmo quando pareça

estirar-se um quilômetro:

 

enfrentar o silêncio

assim despido e pouco

tem de forçosamente

deixar mais curto o fôlego.

 

3.2

A palo seco é o cante

de grito mais extremo:

tem de subir mais alto

que onde sobe o silêncio;

 

é cantar contra a queda,

é um cante para cima,

em que se há de subir

cortando, e contra a fibra.

 

3.3

A palo seco é o cante

de caminhar mais lento:

por ser a contrapelo,

por ser a contravento;

 

é cante que caminha

com passo paciente:

o vento do silêncio

tem a fibra do dente.

 

3.4

A palo seco é o cante

que mostra mais soberba;

e que não se oferece:

que se toma ou se deixa;

 

cante que não se enfeita,

que tanto se lhe dá;

é cante que não canta,

cante que aí está.

 

4.1

A palo seco canta

o pássaro sem bosque,

por exemplo: pousado

sobre um fio de cobre;

 

a palo seco canta

ainda melhor esse fio

quando sem qualquer pássaro

dá o seu assovio.

 

4.2

A palo seco cantam

a bigorna e o martelo,

o ferro sobre a pedra,

o ferro contra o ferro;

 

a palo seco canta

aquele outro ferreiro:

o pássaro araponga

que inventa o próprio ferro.

 

4.3

A palo seco existem

situações e objetos:

Graciliano Ramos,

desenho de arquiteto,

 

as paredes caiadas,

a elegância dos pregos,

a cidade de Córdoba,

o arame dos insetos.

 

4.4

Eis uns poucos exemplos

de ser a palo seco,

dos quais se retirar

higiene ou conselho:

 

não o de aceitar o seco

por resignadamente,

mas de empregar o seco

porque é mais contundente.

 

João Cabral de Melo Neto, em João Cabral de Melo Neto — Obra completa (1994), Editora Nova Aguilar, Quinta reimpressão da 1ª edição (2006), págs. 247 a 251

 

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Entre as adivinhações e a lógica de SJB, Betinho aposta em ser o nome da oposição

Confirmado no post abaixo, pelo presidente do PR em Campos, como nome do grupo de Garotinho para disputar a Prefeitura de São João da Barra em 2012, o ex-prefeito Betinho Dauaire reagiu com ironia à descrença em sua candidatura, manifestada aqui pela prefeita Carla Machado (PMDB):

— Acho que Carla está com a síndrome do final de governo. Ela agora quer ser vidente. Mas se ela não consegue nem adivinhar quem será seu candidato, como quer adivinhar o candidato que a oposição vai ter? — indagou Betinho, desconsiderando que a prefeita já externou aqui sua preferência pessoal por Neco (PMDB), vereador eleito e seu secretário de Promoção Social, muito embora também mantenha aberta as possibilidades de candidatura dos vereadores Aluizio Siqueira (PDT) e Alexandre Rosa (PPS).

À ironia do ex-prefeito, o blogueiro engatou algumas perguntas de pretensão mais séria, feitas e respondidas na transcrição abaixo…

 

 

 

 

Blog — O que você chama de exercício de adivinhação de Carla reside no raciocínio dela de que problemas com a Justiça vão impedi-lo de se candidatar. Há este risco?

Betinho — Como já disse ao seu blog anteriormente (aqui), ela quis adivinhar a mesma coisa na eleição de 2008. E o fato é que eu me candidatei e concorri normalmente, sem nenhum problema com a Justiça.

 

Blog — Mas se a previsão dela foi equivocada em relação à sua candidatura, não foi precisa em relação à vitória final dela sobre você?

Betinho — Pode ter sido, assim como foi anteriormente errada em 2000, quando concorreu contra mim, disse que iria vencer, mas perdeu.

 

Blog — Das adivinhações para aquilo que de lógico as confirma ou não, a diferença parece ser quem está no poder. Em 2000, você estava e ganhou. Em 2008, ela estava e você perdeu. Em 2012, como ela estará, isso não fará novamente a diferença?

Betinho — Com uma diferença básica: Em 2000, eu venci quando tentei a reeleição; em 2008, ela me derrotou quando se reelegeu. Ocorre que Carla, agora, mesmo estando no poder, não pode mais tentar se reeleger, vai ter que escolher um candidato. Neste processo, usando mão da lógica levantada por você, todos sabem que a transferência de votos está longe de ser uma ciência exata.

 

Blog — Você questiona as “adivinhações” de Carla. Mas ao apostar em conseguir a vaga no PR de Garotinho, não pode você estar fazendo uma adivinhação arriscada?

Betinho — Isso não é adivinhação, é compromisso. Em 2009, fiz a aliança com Garotinho e meu filho (Bruno Dauaire) assumiu a vice-presidência do partido em São João da Barra. Em 2010, apoiei no município as candidaturas de Garotinho para deputado federal e de Clarissa para deputada estadual, e ambas foram muito bem votadas (mas atrás, respectivamente, de Arnaldo Vianna (PDT) e João Peixoto (PSDC), apoiados por Carla). Até a segunda quinzena de agosto, assinarei minha filiação ao PR, quando estaremos também inaugurando a nova sede do partido em São João. Ou seja, todos os compromissos têm sido rigorosamente mantidos de parte a parte. Apostar que eles continuem sendo até 2012, não tem nada de adivinhação. Como você disse, é a lógica.

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Wladimir: Nosso compromisso em SJB é com Betinho

(Foto de Antonio Cruz)
(Foto de Antonio Cruz)

 

 “Não serei candidato em São João da Barra. O nosso compromisso é com a candidatura de Betinho Dauaire”. Assertivo, foi assim que o presidente do PR em Campos, Wladimir Garotinho, reagiu à possibilidade de ser uma alternativa do grupo político do pai, nas eleições majoritárias sanjoanenses do próximo ano. Cogitado aqui pela prefeita Carla Machado (PMDB), como possível opção da oposição, Wladimir disse ao blog que lembrar outros nomes, além do de Betinho, “é uma tentativa de desviar o foco”.

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Ranulfo descarta candidatura e define eleição em SJB entre Carla e Garotinho

Ouvido agora pelo blogueiro, pelo menos um dos quatro nomes citados pela prefeita Carla Machado como possível candidato da oposição à sua sucessão, negou qualquer intenção neste sentido. Ex-prefeito daquele município (entre 1992 e 1996, cassado ao final do mandato) e atual presidente do Centro de Informações e Dados de Campos (Cidac), Ranulfo Vidigal revelou que sequer pretende trasnferir seu domicílio eleitoral novamente para São João da Barra.

Embora tenha preferido tratar da questão da política local sempre embutida em sua visão de desenvolvimento econômico regional, ele não se furtou em afirmar:

— A eleição de 2012 em São João da Barra será definida no embate direto entre aqueles que, hoje, em são seus principais eleitores: Carla Machado e Anthony Garotinho.

Abaixo, outras impressões de Ranulfo…

Doutorado no Açu —  Minha dissertação de doutorado na UFRJ, defendida e aprovada em novembro passado, foi “Desenvolvimento Regional no caso do Açu e suas Implicações para o Futuro”. Nela, identifiquei muito claramente três pontos, três carências, que existem em São João da Barra, em Campos e em todos os municípios da região, que tem obrigação de pensar todo seu desenvolvimento futuro de maneira conjunta e articulada, tendo como base a implantação do Porto do Açu.

Macro-planejamento — A primeira questão é a ausência de macro-planejamento, capaz de dotar a região de infra-estrutura necessária para um investimento dessa monta. Não adianta mais São João da Barra se pensar sozinha, Campos se pensar sozinha, Macaé se pensar sozinha. Temos que pensar regionalmente e não estamos fazendo isso.

Burocracias municipais despreparadas — Os quadros públicos de todas as prefeituras da nossa região, sem exceção, estão muito aquém do necessário para atender às demandas desse novo ciclo. Os quadros administrativos dos nossos municípios são todos fracos, despreperados e desqualificados.

Mão-de-obra desqualificada — Sobretudo depois que encerrar a fase de construção, esses investimentos que aportarão no Açu gerarão demanda de mão-de-obra qualificada. Uma siderúrgica como a que montará esse grupo chinês vai gerar 3,5 mil empregos com média salarial de R$ 3,5 mil. E nossa região não está qualificada para ofertar essa mão-de-obra, que terá que ser em grande parte importada por essas empresas.

E a eleição em SJB? — Infelizmente, num erro que pode custar caro no futuro próximo, essas grandes discussões não são o tema das eleições para Prefeitura de São João da Barra. Em vez disso, o que se debate são as picuinhas políticas, os desafetos pessoais. Posso até assumir um posionamento diante das pessoas que me conhecem e confiam em mim, mas meu domicílio eleitoral está em Campos e não pretendo transferí-lo, pelo menos não com vistas a 2012.

Se não a economia, o que definirá em SJB? — Os principais eleitores de São João da Barra, hoje, são a prefeita e Garotinho. Desde as últimas eleições, em 2010, isso ficou bem nítido. Para deputado federal, os mais votados foram Arnaldo Vianna, apoiado por Carla, e Garotinho. Para estadual, lideraram João Peixoto, com os votos da prefeita, e Clarissa, que é filha de Garotinho. Dentro dessa política personalista, não tenho muito a contribuir.

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Bertinho e Carla — Democracia impressa e virtual

Ainda em relação às (in)definições políticas de São João da Barra, para que o leitor virtual possa ter acesso ao mesmo leque democrático aberto todo dia nas páginas impressas da Folha, o blogueiro reproduz abaixo os artigos assinados pelo ex-prefeito Betinho Dauaire e a prefeita Carla Machado, publicados pelo jornal, respectivamente, na última segunda e hoje. Na leitura das opiniões bem distintas sobre os eventos que culminaram com a votação na Câmara sanjoanense, na última quinta-feira, que o leitor forme livremente a sua própria…  

 

O dia da vergonha para São João da Barra

Por Betinho Dauaire

 

Se é saudável o debate no campo das ideias, nada saudável e sim vergonhosa foi a humilhação, o constrangimento a que cada cidadão de São João da Barra foi submetido nos últimos dias, tendo o lixo deixado em suas portas por mais de três dias. E que, estranhamente, começou a ser retirado imediatamente após a votação de uma mensagem modificativa da LDO na Câmara.

Tudo tem limite, mas em São João da Barra parece que, para alguns, limite e respeito ao próximo são coisas de museu. Os responsáveis, que são muito bem remunerados para evitar esse castigo que a população passou, não foram eficientes o bastante para  evitar o dia da vergonha.

Eu fui prefeito e já vivi embates com a então presidenta da Câmara, Carla Machado, que não colocava em votação a mensagem de suplementação que eu tinha enviado ao Legislativo da época, e nem por isso atrasei salários, nem levei risco à saúde do cidadão, deixando de retirar o lixo das residências, como aconteceu agora. O que não consigo entender é por que a prefeita não conseguiu evitar esse constrangimento para a população.

Outra questão estranha é que, se o que foi votado na Câmara na última sessão não foi uma mensagem de suplementação para o lixo, e sim uma modificação da LDO, que permite que a prefeita possa gastar metade do orçamento sem pedir autorização ao Legislativo, por que então deixaram o lixo nas portas das casas das pessoas? Por que então, minutos após ser aprovada uma mensagem que nada tem a ver com o lixo, e que nem validade jurídica tem ainda, a empresa voltou a funcionar, com carreata e tudo, como se fosse um favor para o cidadão?

A empresa declarou que os funcionários pararam em sinal de protesto. Mas vereadores denunciaram que foi a empresa que mandou os funcionários pararem, como forma de apoiar a prefeita e pressionar a oposição a votar.

Não há justificativa. Se foi culpa dos trabalhadores, que nem possuem sindicato local, como teriam condições de iniciar a coleta de lixo de forma coordenada, imediatamente após a prefeita ganhar a mensagem, se não houvesse a participação conjunta da empresa? Ninguém tem nariz de palhaço. O lixo já pode ter sido retirado das ruas, mas a humilhação permanece.

 

 

Minerva não dorme

 Por Carla Machado

 

Narra o mito, que a Sabedoria e a Justiça, personificadas pela deusa grega Athena, é fruto de Métis (a astúcia, a inteligência) com o poderoso Zeus, ordenador do Cosmos. Após ter sido proferido pelo oráculo, que se Zeus tivesse uma filha, ela se tornaria ainda mais poderosa que ele, Zeus tratou de engolir Métis para impedir o nascimento. Assim, Athena é gerada na cabeça do soberano do Olimpo. Mas, não foi fácil. Findado o período de gestação, o supremo Deus começou a sentir terríveis dores de cabeça, pois enquanto a Justiça não nasce, elas são inevitáveis.

Desesperado e no limite, Zeus ordena ao ferreiro divino Hefestos que lhe abra a cabeça. Mesmo a contragosto, com técnica e precisão, desferra-lhe o machado de ouro certeiro e todos se surpreendem ao ver surgir, imponente e armada, pronta para guerra, a deusa Palas Athena. Por que procurar a mitologia grega? Pelo simples fato que se fazer uma homenagem a Palas Athena ou Minerva. Depois de meses de agonia, a Justiça foi feita na quinta-feira, em São João da Barra.

Após decisão do Tribunal de Justiça do Estado do Rio de Janeiro, o presidente do Legislativo foi obrigado a colocar em votação três projetos do Executivo que são de suma importância para o povo sanjoanense. Com isso, será possível pagar o reajuste de 7% dos servidores públicos, retroativo ao mês de maio. Tendo recursos em caixa, nos faltava autorização para executarmos despesas, como dar continuidade ao contrato de limpeza pública, que engloba uma série de serviços. Agora poderemos dar prosseguimento a uma série de programas  sociais como o Programa de Erradicação do Trabalho Infantil (Peti) e dos Centros de Assistência e Referência Social (Cras), assim como o Cartão Cidadão, além de outros benefícios, como o abastecimento de água potável no Quinto Distrito.

Desde o início deste imbróglio no Legislativo, quando uma minoria se fazia acima da maioria, perdi noites de sono, da mesma forma que os 409 chefes de família, funcionários da empresa que faz a limpeza no Município. Mas a justiça foi feita. A suplementação era necessária porque no final do ano passado os vereadores fizeram do orçamento municipal de São João da Barra uma colcha de retalhos, retirando recursos importantes de contratos contínuos. Ao aprovarem o Orçamento de 2011, os vereadores de oposição realocaram mais de 28% dos nossos recursos por meio de emendas parlamentares, o que quase resultou no engessamento do município, mas não por falta de dinheiro, e sim por interesse de uma minoria.

Em sua decisão, a desembargadora Márcia Ferreira foi clara. Segundo ela, o recurso impetrado pela Mesa Diretora, que adiou por mais de 20 dias a votação, sequer deveria ter sido acolhido pelo Tribunal. E naquele momento o Poder Legislativo Municipal não poderia se recusar a votar a lei pedida com urgência com a alegação de inconstitucionalidade. “(…) A sistemática do processo legislativo, em sede municipal, estadual ou federal, é voltada a permitir a formação deliberativa da vontade democrática (…)”.

Minerva realmente não dorme.

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Carla fala em Gersinho, Wladimir e Ranulfo para candidato da oposição em SJB

Ainda sobre a conversa com a prefeita Carla Machado (PMDB), mantida e relatada aqui na última sexta, restaram ainda algumas informações interessantes, relativas às possibilidades do pleito majoritário de 2012. Sem esconder a preferência pessoal por seu secretário de Promoção Social, Neco (PMDB), como candidato à sua sucessão, mas também sem abrir mão das alternativas dos vereadores Auizio Siqueira (PTB) e Alexandre Rosa (PPS), em quem Carla aposta como candidato da oposição em São João da Barra?

— Não acredito que Betinho seja o candidato, seja por problemas na Justiça, seja porque é a alternativa que menos interessa a Garotinho. Gersinho (presidente da Câmara) teria o problema do partido, pois teria  que se sair do PMDB até outubro. Não descarto a possibilidade de Garotinho lançar Wladimir  ou Ranulfo Vidigal (presidente do Cidac e prefeito sanjoanense entre 1992 a 1996, cassado no final do mandato) — elencou a prefeita.

Em conversa com o blog no último dia 20, Betinho negou aqui que qualquer pendência com a Justiça possa impedir sua candidatura.

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