PT fala de Ceciliano, eleição a prefeito e rebate Dutra, que reforça críticas ao partido
Presidente — ou presidenta, na guerra ideológica levada à gramática em que as duas formas estão corretas — do PT de Campos, a ex-vereadora Odisséia Carvalho enviou hoje ao blog uma nota pública. Ela trata da posição do diretório municipal da legenda sobre a declarações de apoio do presidente da Alerj, deputado estadual André Ceciliano, também do PT, na eleição a prefeito de Campos de outubro.
A despeito do PT de Campos manifestar a vontade de ter candidato próprio a prefeito no município, o petista Ceciliano reafirmou (aqui) na tradicional Festa de Santo Amaro, no último dia 15, o que já havia relevado na Feijoada da Folha, em 26 maio de 2019: caminhará com quem seu colega deputado estadual Rodrigo Bacellar (SD) apoiar. E tudo indica que o apoiado será o pré-candidato a prefeito Caio Vianna (PDT).
Odisséia aproveitou a nota para também rebater os questionamentos contundentes de Roberto Dutra, sociólogo e professor da Uenf. Também blogueiro do Folha1 e militante de esquerda, mesmo da Alemanha ele acompanhou a polêmica pelo portal do maior jornal de Campos e região. E, em postagem nas redes sociais reproduzida (aqui) neste blog, aproveitou a polêmica para classificar o PT de “um PP de grife”, criticando ainda o ex-presidente Lula.
Abaixo, a nota pública do PT enviada por Odisséia, reproduzida (aqui) nas redes sociais pelo secretário de Comunicação do partido em Campos e também blogueiro do Folha1, Gilberto Gomes. O texto é seguido da tréplica de Roberto Dutra. Mesmo em viagem pela Europa, a partir da Folha, o professor da Uenf continua acompanhando e intervindo no noticário político de Campos. No qual reforçou suas críticas ao PT local, estadual e nacional.

Nota pública
Sobre as recentes declarações do presidente da Alerj, deputado André Ceciliano, o diretório municipal do PT de Campos dos Goytacazes reafirma que terá candidatura própria no município, fruto de um esforço coletivo de dezenas de militantes dispostos a apresentar à população campista uma alternativa à esquerda nos moldes do programa democrático-popular.
O partido conta com apoio do diretório estadual (aqui), nacional e do próprio presidente Lula, que em recente declaração deixou clara a orientação aos diretórios do PT de apresentarem candidaturas próprias em cidades com mais de 100 mil habitantes.
Ceciliano não foi somente infeliz em ignorar as construções locais do partido, mas em supor que seu apoio a qualquer outro nome, que não seja aquele oficialmente apresentado pelo PT, possua alguma relevância.
O respeito às instâncias partidárias faz parte do único caminho possível de reconstrução do PT no estado do Rio de Janeiro. E declarações que não dialoguem com esta compreensão devem ser repudiadas.
Mais infelizes ainda foram as declarações de um professor universitário, quadro do PSB local, em recente entrevista ao portal Folha1.
Embora seus ataques ao PT carreguem um falso clamor por uma esquerda “de verdade”, o professor esconde que o PSB em Campos é muleta do terminal governo Rafael Diniz que, cercado por tecnocratas insensíveis socialmente, foi incapaz de compreender quais as reais necessidades do povo e apresentou a Campos uma crise social sem precedentes.
Estas declarações refletem o medo com a reorganização em Campos do maior partido de esquerda da América Latina.
O PT mantém claro qual seu papel junto à população e não abrirá mão de apresentar uma alternativa real, com uma candidatura própria que terá o trabalhador como prioridade.
Quem já mudou o Brasil, vai mudar Campos.
Secretaria de Comunicação do PT Campos
Presidenta municipal
Odisseia Pinto de Carvalho

Minhas críticas ao PT não são de agora. São feitas em análises sobre a crise da política de esquerda desde de 2016. Fui filiado ao PT por muito tempo. Sempre votei em Lula e em Dilma. Não votei no Haddad, porque já não acreditava na existência de um projeto ousado de transformação social representado pelo PT. Quando critiquei a postura do deputado estadual do partido sobre as decisões do partido em Campos, meu foco foi o desrespeito com o diretório local. Quanto mais desprovido de projeto de transformação social é um partido, mais este partido pode ser um PP de grife.
Minha crítica não é moralista. O foco é a incompetência política do partido em oferecer alternativas de políticas públicas transformadoras. Não falo como membro do PSB. Mas cabe destacar que o partido está buscando oferecer políticas que transformem estruturas sociais de modo duradouro, cumulativo e crescente. Sua contribuição ao governo Rafael Diniz é marcada por políticas ousadas que estão, por exemplo, melhorando a qualidade da educação, como nunca foi feito. Nesta área, o PT confunde corporativismo sindical com interesse público.
A nota do partido sequer tem a coragem de entrar no mérito de minhas críticas. Limita-se a dizer que são infelizes. Infeliz é uma esquerda controlada pelo interesse organizacional desprovido de programa para o Brasil, o Estado do Rio de Janeiro e Campos. O PT estadual e o de Campos são uma versão piorada deste PT nacional sem rumo para ofertar ao país.
Roberto Dutra












“1917”
Motivo de crítica por Luiz Fernando Veríssimo em “Dunkirk” (
Ganhador dos Oscar de melhor diretor e melhor filme por “Beleza Americana” (2009), filme de estreia de Sam Mendes e clássico recente do cinema, o diretor inglês traz em “1917” uma comentada novidade estética: seu novo filme é todo em plano-sequência, sem cortes. Outro inglês, o mestre Alfred Hitchcock já havia feito isso em “Festim Diabólico” (1948), todo filmado dentro de um apartamento. Ao levar a ousadia técnica a campo aberto, Mendes foi agraciado com o Globo de Ouro de melhor diretor em 5 janeiro. É sempre um forte indicativo ao Oscar, que será entregue em 9 de fevereiro.
“PARASITA”
Questão emblemática desde sempre no conceito marxista da “luta de classes” — que o excelente roteiro sul-coreano não busca nivelar no proletariado, apenas tomar o lugar do patrão —, o “cheiro do povo” tem sua universalidade independente de Ocidente e Oriente, hemisférios Norte ou Sul. É ele que ativa o turning point contundente da história, ao transformar uma comédia na mais extremada tragédia. Tragédia no sentido grego do termo, que não serve de base ao Extremo Oriente, não de fazer tragédia. De fato, esse “cheiro do povo” evoca uma frase marcante de um bom filme brasileiro, “Linha de Passe” (2008), dirigido por Walter Salles Júnior e Daniela Thomas, sobre desigualdades sociais muito semelhantes: “Olha pra minha cara, porra!”.
Com suas surpresas subterrâneas, “Parasita” talvez seja um filme ainda mais revolucionário e marcante do que o frenético “Oldboy” (2003), de Park Chan-wook. Foi com ele, numa leitura oriental de Tarantino em suas bases no cinema de kung-fu de Hong Kong, que a Coréia do Sul impactou o mundo do cinema no novo milênio. Se não dedicado à violência estilizada de “Oldboy”, o sangue derramado em “Parasita” pode chocar ainda mais. Tanto quanto a antológica cena da jovem e bela mulher sentada sobre a privada que regurgita esgoto durante uma inundação no porão onde habita, enquanto fuma seu cigarro “mentolado” de fezes. E é choque necessário para tirar o espectador de classe média da sua zona de conforto, em qualquer parte do mundo.


Em mais um episódio de espantosa gravidade, o País foi dormir na quinta-feira e acordou na sexta assombrado por um pesadelo: num vídeo de composição macabra, o então secretário nacional de Cultura, Roberto Alvim, recitava com excitação indisfarçada e olhos vidrados um texto com trechos copiados de Joseph Goebbels, o mais fanático dos ideólogos do nazismo, que foi com Hitler até o final e morreu e matou a mulher e os seis filhos para não fazer nenhuma concessão e não abdicar da ideologia mortífera que ajudou a implementar.




