Wladimir diz que CRDI não vai fechar, mas “mudar sua concentração”

 

Prefeito Wladimir hoje disse que o Centro de Referência de Doenças Inmuno-infecciosas (CRDI) de Campos não vai fechar, mas “mudar sua concentração” (Montagem: Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)

 

“O Centro de Referência da Dengue (CRD) de Campos não vai fechar, estão distorcendo a realidade. Ele vai mudar a sua concentração”. Foi o que disse hoje o prefeito Wladimir Garotinho (PP) sobre a notícia do fechamento em 30 dias (confira aqui) do Centro de Referência de Doenças Imuno-infecciosas (CRDI), antigo CRD, no Hospital Plantadores de Cana (HPC).

— Hoje se paga um aluguel de R$ 50 mil e se contratam cerca de 40 RPAs (para o CRDI). O atendimento vai ser descentralizado na estrutura própria, que passou por ampliação. E os estudos continuarão, afinal todos os médicos são concursados da rede pública municipal — completou Wladimir

Mais veemente na forma do prefeito, a versão do seu governo já tinha sido registrada na coluna Ponto Final de hoje, publicada neste blog e na Folha da Manhã, que noticiou o fechamento do CRDI, após 23 anos atuando no município:

— A secretaria municipal de Saúde alegou que vem seguindo o modelo do SUS de descentralização e regionalização do atendimento. “Os atendimentos que seriam realizados no Centro serão distribuídos pela rede de atendimento primária e de urgência, através das Unidades Pré-Hospitalares (UPHs), na rede de atenção primária”, informou a assessoria.

A mudança gerou muitos comentários nas redes sociais:

— Uma pena. Uma referência segura para quem precisa de atendimento específico. Reconsiderem por favor! — pediu @vanessasantos0318 no Instagram.

— Uma pena deixar de existir um Centro de Referência da Dengue que se destacou em nossa região pelos serviços prestados sob a brilhante direção do dr. Luiz José de Souza! — lembrou @mchrisbloureiro.

No grupo de WhatsApp que este blog divide com o programa Folha no Ar, da Folha FM 98,3, o médico José Roberto Crespo, ex-presidente do Sindicato dos Médicos de Campos, analisou a decisão do governo municipal sobre o CRDI. E fez indagações:

— Embora a descentralização seja uma das diretrizes do SUS, a cidade de Campos criou um modelo de atendimento que grandes serviços oferece à comunidade, com um atendimento resolutivo, com exames laboratoriais rápidos. E está acoplado a um hospital (o HPC) quando houver necessidade de internação, além da experiência profissional que se desenvolveu. A pergunta que se faz é: A PMCG tem algum lugar prá manter o serviço ou vai “descentralizar” sem oferecer a qualidade atual?

 

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Gabriel Rangel — Federação UP, distorção e fidelidade partidária

 

Federação União Progressista (UP) entre o União Brasil de Rodrigo Bacellar e o Partido Progressitas de Wladimir Garotinho foi oficializada na última terça (29), em Brasília (Foto: Divulgação)

 

Federação União Progressista: distorção do instituto e fidelidade partidária

 

Gabriel Rangel, Doutorando em Direito na UFF e pós-graduado em Direito Eleitoral (IDP/DF)

Por Gabriel Rangel

ga_rangel@id.uff.br

 

Resumo: A Lei nº 14.208/2021 introduziu no Brasil o conceito de federação partidária, transformando a forma como os partidos políticos se organizam ao exigir uma parceria duradoura entre partidos com atuação nacional por no mínimo uma legislatura. Criada para fortalecer partidos menores contra a “cláusula de barreira”, na prática, essa inovação revelou uma diferença significativa entre a intenção original da legislação e sua aplicação prática. Além disso, essa inovação teve impactos na questão da fidelidade partidária, especialmente em relação à possibilidade de um motivo justo para que representantes eleitos antes da formação da federação deixem seus partidos. Este artigo analisa a falta de clareza jurídica causada pela ausência de uma interpretação uniforme no Tribunal Superior Eleitoral sobre este assunto, explorando a tensão entre o respeito à vontade do eleitor, os direitos políticos dos parlamentares e o interesse dos partidos políticos.

 

  1. Introdução

O sistema político-eleitoral do Brasil sempre promoveu destaque aos partidos políticos, considerando o mandato como pertencente ao partido, e não ao candidato eleito.

A federação partidária surgiu com o objetivo de ajudar os partidos menores a superarem a cláusula de barreira, promovendo a fusão partidária, mas criando um dilema jurídico complexo quando parlamentares eleitos anteriormente se veem obrigados a se alinhar a essa nova configuração.

 

  1. Federação partidária: o que se pretendeu x o que se revelou

A ideia era permitir que partidos menores pudessem sobreviver no cenário político após a “cláusula de barreira” (Emenda Constitucional nº 97/17), mantendo a pluralidade ideológica. No entanto, a recentíssima formação da federação entre União Brasil e Progressistas, chamada de “União Progressista”, mostra um desvio funcional do conceito.

Essa federação abrigará 109 deputados federais, 6 governadores, 14 senadores e cerca de 1.330 prefeitos, além de ter acesso a cerca de um bilhão de reais do fundo partidário. Na prática, isso se torna uma espécie de “superfederação”, que não protege partidos menores, mas sim concentra poder e recursos em estruturas partidárias já fortes.

Essa configuração cria uma contradição entre a intenção da lei e os efeitos sistêmicos. Em vez de promover o pluralismo político, a federação pode reforçar hegemonias e enfraquecer a competitividade democrática, dificultando a renovação política e o surgimento de novas opções. Empiricamente, vê-se uma utilização estratégica da federação por partidos já grandes para expandir seu capital político.

Essa incongruência exige uma reflexão crítica sobre a regulamentação das federações partidárias, especialmente no que tange aos limites de sua formação e aos mecanismos de controle que evitem seu uso indevido. A falta de critérios legais claros para avaliar a legitimidade das federações, aliada à ambiguidade sobre seus efeitos na fidelidade partidária, gera incerteza normativa para os detentores de mandato e compromete os fundamentos da democracia representativa.

 

  1. A fidelidade partidária e a justa causa para desfiliação

A fidelidade partidária foi regulamentada na Lei dos Partidos Políticos. Dentre as situações de justa causa para desfiliação, como “mudança substancial ou desvio reiterado do programa partidário” e “grave discriminação política pessoal”.

A previsão é importante para a estabilidade institucional e preservação da vontade popular, porém carece de regulamentação uniforme, resultando em decisões judiciais inconsistentes, notadamente em casos de transformações partidárias como fusão, incorporação e federação.

 

  1. A federação e a insegurança jurídica

A obrigatoriedade de parlamentares eleitos em integrar federações formadas posteriormente gerou divergências entre doutrina e jurisprudência sobre a legitimidade de sua permanência ou desfiliação sem perda de mandato.

No semestre passado, o TSE decidiu que a formação da federação, por si só, não constitui justa causa. A Corte, por maioria, decidiu que a federação só gera justa causa quando há incompatibilidade ideológica ou discriminação política interna comprovada.

No entanto, essa decisão não foi unânime. Os Ministros Raul Araújo e Dias Toffoli discordaram, argumentando que a federação altera substancialmente a identidade dos partidos e impõe nova estrutura, afastando o vínculo original entre eleitos e seus partidos.

 

  1. A mudança substancial do programa partidário nas federações

O argumento-chave para a justa causa é a substituição do programa partidário original por um novo. Na prática, a necessidade de um programa comum indica essa mudança substancial, tal qual ponderado nos votos dissidentes dos Ministros do TSE.

A atuação unificada da federação, com diretrizes e regras rígidas para formação de listas proporcionais, reduz a autonomia interna dos partidos. Para parlamentares eleitos com uma ideologia definida, essa mudança pode representar uma ruptura com seus compromissos eleitorais.

 

  1. A oscilação na jurisprudência como fonte de insegurança jurídica

A insegurança sobre a interpretação da fidelidade partidária é evidente, com variações influenciadas por fatores políticos, composição dos Tribunais e interesses contextuais. Essa instabilidade é ampliada pelo modelo federativo, cujo tratamento judicial ainda é inicial e contraditório.

A incerteza sobre a manutenção do mandato em caso de desfiliação após a formação de uma federação compromete a segurança jurídica dos mandatários, que ficam sujeitos a interpretações casuísticas sem diretrizes normativas claras.

 

  1. Considerações Finais

A falta de consenso sobre os efeitos da federação partidária para a fidelidade dos mandatários revela uma importante disfunção no sistema jurídico-eleitoral brasileiro. O regime de federação, embora promova estabilidade entre partidos, altera a identidade política das legendas, justificando, em certos casos, a desfiliação por justa causa.

É fundamental que o TSE desenvolva critérios objetivos sobre o tema, superando a dicotomia entre formalismo normativo e a complexidade política. Uma jurisprudência estável, que respeite os direitos políticos dos eleitos e o princípio da soberania popular, é essencial para a democracia e a legitimidade do sistema proporcional.

 

Publicado hoje na Folha da Manhã.

 

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Jefferson e Danilo disputam a presidente do PT de Campos

 

(Arte: Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)

 

 

Eleição a presidente do PT em Campos, RJ e Brasil

O PT vai eleger, em 6 de julho, seus novos presidentes no Brasil, no estado do Rio e em Campos. Nesta, são dois os candidatos: o professor e ex-reitor do IFF Jefferson de Azevedo e o atual tesoureiro do diretório municipal Danilo de Farias Dutra.  O partido tem 4.230 filiados no município. Todos que estiverem em dia com suas obrigações poderão votar.

 

Jefferson e Danilo

Jefferson foi candidato a prefeito de Campos em 2024, quando Danilo coordenou a campanha a vereador do petroleiro Tezeu Bezerra (PT). Atual presidente do PT em Campos, a professora e ex-vereadora Odisséia Carvalho é candidata a vice-presidente na chapa de Danilo, enquanto a servidora municipal Elaine Leão, presidente do Siprosep, é a vice de Jefferson.

 

Universidades x Sindipetro NF?

As inscrições para as candidaturas municipais estão abertas até o 0h deste sábado (03). Mas a disputa deve ficar entre Jefferson e Danilo. O primeiro representa a esquerda universitária do município, enquanto o segundo deve ter o apoio do Sindipetro NF. Com a disputa majoritária a presidente, o novo diretório será formado pelo resultado proporcional da eleição.

 

Candidatura de Danilo

“Comecei a pensar em me candidatar à presidência do partido ao final da campanha de 2022, estimulado por companheiros. Vejo a necessidade de renovação da direção do PT em Campos. Estou preparado para comandar o partido, sabendo que posso contar com a experiência todos os companheiros e companheiras que já estiveram nessa posição”, disse Danilo à coluna.

 

Candidatura de Jefferson

“O processo de eleições diretas do PT é uma oportunidade de fortalecer nossa democracia interna, ouvir os filiados e reafirmar nosso compromisso com as pautas do município, do estado e do país. Em Campos, participo desse processo ao lado de companheiras e companheiros, com o objetivo de renovar e fortalecer o partido”, disse Jefferson.

 

(Arte: Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)

 

Reimont e Diego disputam PT no RJ

No estado do Rio, os candidatos a presidente do PT serão o deputado federal Reimont e Diego Zeidan. Secretário de Habitação do governo Eduardo Paes (PSD) na cidade do Rio de Janeiro. Diego é filho do prefeito de Maricá, Washington Quaquá.

 

(Arte: Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)

 

Quaquá, Valter e Edinho disputam PT nacional

Por sua vez, Quaquá é candidato a presidente nacional do PT. Assim como o historiador Valter Pomar e Edinho Silva. Ex-prefeito do município paulista de Araraquara, Edinho é considerado o nome preferido do presidente Lula para comandar o partido no Brasil.

 

Publicado hoje na Folha da Manhã.

 

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Referência de Doenças Imuno-infecciosas vai fechar após 23 anos

 

Após 23 anos funcionando no Hospital Plantadores de Cana, o Centro de Referência de Doenças Imuno-infecciosas será fechado nos próximos 30 dias (Foto: Rodrigo Silveira/Folha da Manhã)

 

 

Fechamento do CRDI em Campos

O Centro de Referência de Doenças Imuno-infecciosas (CRDI) de Campos, também conhecido como Centro de Referência da Dengue (CRD), irá fechar suas portas em 30 dias. O que já foi comunicado pela Prefeitura ao Hospital dos Plantadores de Cana (HPC), onde o CRDI funciona.

 

Saúde quer descentralizar atendimento

A secretaria municipal de Saúde alegou que vem seguindo o modelo do SUS de descentralização e regionalização do atendimento. “Os atendimentos que seriam realizados no Centro serão distribuídos pela rede de atendimento primária e de urgência, através das Unidades Pré-Hospitalares (UPHs), na rede de atenção primária”, informou a assessoria.

 

Números dos 23 anos de atividade

Criado há 23 anos de Campos, CRDI nasceu como Centro de Referência da Dengue, com um objetivo principal: evitar mortes. Nessas mais de duas décadas, já atendeu quase o número da população inteira da cidade: mais de 400 mil pessoas, entre adultos e crianças, a maioria com suspeita de dengue. Foram mais de 50 mil diagnósticos confirmados e 7 mil internações.

 

Pacientes recebem hidratação no CRDI (Foto: Rodrigo Silveira/Folha da Manhã)

 

Enfrentamento de epidemias e pandemia

Campos foi a primeira cidade do país a ter um Centro de Referência da Dengue. O hoje CRDI já enfrentou seis epidemias de dengue, dos 4 sorotipos. Como a pandemia da Covid 19, quatro epidemias conjuntas de dengue e chikungunya, e epidemia de zika, além de outras arboviroses — doenças causadas por vírus transmitidos por mosquitos, carrapatos e outros insetos.

 

Mais de 150 trabalhos científicos gerados

Até ter seu fechamento comunicado pela Prefeitura ao HPC, o CRDI firmou parcerias com entidades importantes, como a Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz). Estudos já foram publicados em revistas científicas nacionais e internacionais com base na experiência do órgão. Mais de 150 trabalhos científicos foram produzidos com base nos dados e na experiência do CRDI.

 

Diagnóstico de outras doenças

Com diagnóstico diferencial, o CRDI já identificou doenças diversas, de leptospirose a câncer, em pacientes que chegaram imaginando estar com dengue. A própria Vigilância Epidemiológica de Campos transformou o Centro em referência também para atendimento e tratamento durante a epidemia de febre maculosa de 2023, sem óbitos a partir desta data.

 

Profissionais no MP contra fechamento

Após saberem do pedido de fechamento do CRDI, cinco dos seus profissionais, esta semana, questionaram a decisão do Poder Público Municipal no Ministério Público. Foram três médicos e dois enfermeiros que pretendem lutar pela manutenção do trabalho de 23 anos como referência no combate a doenças imuno-infecciosas em Campos.

 

Publicado hoje na Folha da Manhã.

 

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Francisco e novo Papa pelos bispos de Campos no Folha no Ar desta 6ª

 

(Arte: Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)

 

Campos tem a singularidade de ter dois bispos da Igreja Católica Romana. Um diocesano, o progressista Dom Roberto Ferrería Paz, e um da Administração Apostólica Pessoal São João Maria Vianney, o tradicionalista Dom Fernando Rifan. Os dois são os convidados para encerrar a semana do Folha no Ar nesta sexta (2), ao vivo, a partir das 7h, na Folha FM 98,3.

Os dois bispos de Campos falarão sobre o Papa Francisco, morto na manhã da segunda de 21 de maio, horas depois de fazer sua última aparição pública do Domingo de Páscoa, para pedir pela paz em Gaza. E do legado do primeiro Papa sul-americano não só à Igreja de Roma e ao cristianismo, mas ao mundo.

Dom Fernando e Dom Francisco também analisarão o conclave para a escolha do novo Papa, que terá início nesta quarta (7), os critérios da eleição entre cardeais, seus nomes mais cogitados e os desafios do sucessor do Trono de Pedro e da Igreja.

Por fim, os dois bispos também tentarão projetar outra eleição, no Brasil, a presidente, governador, senador e deputados em 4 de outubro de 2026, daqui a pouco mais de 1 ano e 5 meses.

Quem quiser participar ao vivo do Folha no Ar desta sexta pode fazê-lo com comentários em tempo real, no streaming do programa. Seu link será disponibilizado alguns minutos antes do início, nos domínios da Folha FM 98,3 no Facebook e no YouTube.

 

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Após meses de queda e antes do INSS, Lula recupera popularidade

 

(Infográfico: Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)

 

 

Recuperação parcial de Lula

Em queda nas pesquisas desde 2024, o presidente Lula (PT) e seu governo fecham abril em recuperação parcial de popularidade. Entre a pesquisa AtlasIntel de março e a divulgada ontem (confira aqui), o governo cresceu a aprovação de 44,9% a 46,1%. Enquanto os que desaprovam, ainda maioria, caíram de 53,6% aos atuais 50,1%.

 

Contra Bolsonaro

O petista também melhorou na intenção de voto. Num 1º turno contra Jair Bolsonaro (PL), inelegível até 2030 no TSE e réu por tentativa de golpe de Estado no STF, Lula segue atrás, mas em empate técnico na margem de erro de 1 ponto para mais ou menos: 44,2% a 45,1% de Bolsonaro. Que, em março, tinha 5 pontos à frente: 45,6% a 40,6%.

 

(Infográfico: Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)

 

Contra Tarcísio

Lula também melhorou nas intenções de voto ao 1º turno contra o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (REP). Que, hoje, está atrás do petista por 34,3% a 42,8%. Esta vantagem de 8,5 pontos é maior do que os 7,8 pontos que o presidente já tinha na AtlasIntel de março, quando bateria Tarcísio por 41,7% a 33,9%.

 

(Infográfico: Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)

 

Contra Michelle

Em abril, Lula também ficou à frente da ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro (PL) em outro cenário 1º turno, por 43,3% a 31,3%. É uma diferença de 12 pontos. Na AtlasIntel de março, Michelle não foi testada como candidata.

 

(Infográfico: Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)

 

No 2º turno

Lula também melhorou nas projeções de 2º turno. Atrás de Bolsonaro (46% a 48%) e Tarcísio (46% a 47%) em março, o petista apareceu na AtlasIntel de abril à frente do primeiro (48,5% a 46,4%) e em empate exato com o segundo: 46,7% a 46,7%. Com 46,1%, Michelle apareceu em abril quase empatada com os 46,6% de Lula ao 2º turno.

 

(Infográfico: Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)

 

No radar de Tarcísio

A recuperação parcial de Lula, cujo governo a maioria dos brasileiros ainda desaprova, já havia sido detectada na pesquisa Datafolha no início de abril. E foi reforçada pela AtlasIntel divulgada neste final do mesmo mês. Mas já estava, por exemplo, no radar de Tarcísio e sua equipe.

 

No Estadão de domingo

Em matéria do Estadão publicada no domingo (confira aqui), o jornalista Pedro Augusto Figueiredo registrou: “Tarcísio e seu entorno também acreditam que o presidente Lula da Silva recuperará parte da popularidade perdida e chegará como favorito na eleição”.

 

R$ 6,3 bilhões de desvios no INSS

Pode ser que essa recuperação parcial de Lula em abril caia por terra diante de casos como a corrupção no INSS. Segundo a Polícia Federal (PF) e a Controladoria-Geral da União (CGU), entidades investigadas cobravam mensalidades de aposentados e pensionistas, sem autorização. Os desvios são de R$ 6,3 bilhões.

 

Jogo de empurra

Como os desvios são de 2019 a 2024, isso significa que ocorreram em quatro anos do governo Bolsonaro e dois de Lula. No Congresso Nacional, o jogo de empurra pelas responsabilidades do novo escândalo de corrupção já está estabelecido.

 

Cabeça de Lupi a prêmio

Ontem, na Comissão de Previdência e Assistência Social da Câmara de Deputados, o ministro da Previdência Carlos Lupi admitiu que sabia do caso desde 2023. Mas tentou tirar o seu da reta. A cabeça de Lupi vem sendo pedida a Lula.

 

Esnobado pelo Centrão, PT sem o PDT?

Por ser o cacique do PDT, o partido ameaça abandonar a base do governo se Lupi for demitido. E levar junto seus 17 deputados federais e dois senadores. O que não deixa saída boa a um governo já esnobado pelo Centrão, no convite recusado pelo líder do União na Câmara, deputado Pedro Lucas (MA), para ser ministro das Comunicações.

 

Publicado hoje na Folha da Manhã.

 

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Rodrigo do União e Wladimir do PP juntos em Federação

 

Em Brasília para a oficialização da Federação entre União e PP, o presidente da Alerj, Rodrigo Bacellar, esteve com o senador Flávio Bolsonaro, enquanto o prefeito Wladimir Garotinho, acompanhado do engenheiro Sérgio Mansur, se reuniu com o ministro dos Transportes Renan Filho (Fotos: Divulgação/montagem: Eliabe de Souza o Cássio Jr.)

 

 

Rodrigo do União e Wladimir do PP

Presidente da Alerj, Rodrigo Bacellar é do União Brasil. Prefeito de Campos, Wladimir Garotinho é do Partido Progressistas (PP). Como a coluna adiantou no sábado (confira aqui), os dois estiveram ontem (29) em Brasília ao lançamento da Federação União Progressista (UP). Que de progressista não tem nada. E já é maior força do Congresso Nacional.

 

Agendas além da Federação

Wladimir, que pode ser vice na chapa do prefeito carioca Eduardo Paes (PSD) a governador em 2026, como pode vir a deputado federal e apoiar Rodrigo a governador, teve agenda de prefeito (confira aqui) em Brasília. Rodrigo, que busca consolidar sua pré-candidatura a governador, a reforçou ao se encontrar (confira aqui) com o senador Flávio Bolsonaro (PL).

 

Do Centrão com xará na extrema esquerda

Já existia um UP na política brasileira: o União Popular, de extrema esquerda e sem representação no Congresso. Por sua vez, o UP do Centrão já nasceu ontem somando 109 deputados federais, 14 senadores, 6 governadores, 1.328 prefeitos e R$ 954 milhões, que serão corrigidos na casa do bilhão para 2026, de Fundo Partidário.

 

Nascimento em oposição a Lula

Na oficialização ontem do UP, os discursos foram de oposição a Lula, mesmo com os 4 ministérios que os dois partidos ainda mantêm no Governo Federal. Governador de Goiás e pré-candidato a presidente, Ronaldo Caiado (União) garantiu: “Em curto espaço de tempo, o UP vai se desligar definitivamente do governo Lula”.

 

Caminhos de Rodrigo e Wladimir a 2026

Pode não ter sido a prioridade de Antônio Rueda, presidente do União, e do senador Ciro Nogueira (PI), presidente do PP, para se unirem e dividirem o comando do UP. Mas, na ponte Brasília/Rio/Campos, deixaram mais próximos os caminhos para 2026 entre o presidente reeleito da Alerj e o prefeito reeleito de Campos. A ver.

 

Publicado hoje na Folha da Manhã.

 

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Eleições 2026 pelas pesquisas no Folha no Ar desta 4ª

 

(Arte: Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)

 

Geógrafo com especialização doutoral em estatística no IBGE, William Passos é o convidado do Folha no Ar desta quarta (30), ao vivo, a partir das 7 da manhã, na Folha FM 98,3.

A partir das pesquisas (confira aqui, aqui, aqui e aqui), que indicam uma parcial recuperação de Lula (PT) após meses de queda de popularidade, ele tentará projetar as eleições presidenciais de 4 de outubro, daqui a pouco mais de 1 ano e 5 meses.

Também com base nas pesquisas estaduais (confira aqui e aqui) e nas articulações de bastidores (confira aqui), William tentará projetar as eleições a governador, senador e deputados federal e estadual, com Campos no contexto das decisões do RJ.

Quem quiser participar ao vivo do Folha no Ar desta quarta poderá fazê-lo com comentários em tempo real, no streaming do programa. Seu link será disponibilizado alguns minutos antes do início, nos domínios da Folha FM 98,3 no Facebook e no YouTube.

 

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AtlasIntel: Lula em recuperação parcial de aprovação e intenção

 

(Infográfico: Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)

 

Em queda nas pesquisas desde 2024, o presidente Lula (PT) e seu governo fecham abril em recuperação parcial de popularidade. Sinalizada primeiro pela Datafolha do início de abril, a tendência apareceu também na nova pesquisa AtlasIntel divulgada ontem (28). Comparada (confira aqui) com a AtlasIntel de março, o governo cresceu a aprovação de 44,9% a 46,1%. Enquanto os que desaprovam, ainda maioria, caíram de 53,6% aos atuais 50,1%.

 

(Infográfico: Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)

 

Contra Bolsonaro — Lula também melhorou na intenção de voto. Num 1º turno contra Jair Bolsonaro (PL), inelegível até 2030 no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) e réu por tentativa de golpe de Estado no Supremo Tribunal Federal (STF), Lula continua atrás: 44,2% a 45,1% do ex-presidente. Mas é um empate técnico na margem de erro de 1 ponto para mais ou menos. Na AtlasIntel de março, Lula estava 5 pontos atrás: 40,6% a 45,6% de Bolsonaro.

 

(Infográfico: Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)

 

Contra Tarcísio e Michelle — Lula também melhorou nas intenções de voto ao 1º turno contra o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (REP). Que, hoje, está atrás do petista por 42,8% a 34,3%. A vantagem de 8,5 pontos do presidente é maior do que os 7,8 pontos que ele tinha na AtlasIntel de março, quando bateria Tarcísio por 41,7% a 33,9%. Em abril, Lula também ficou à frente da ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro (PL) no 1º turno, por 43,3% a 31,3%, diferença de 12 pontos.

 

(Infográfico: Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)

 

No 2º turno — Lula também melhorou nas projeções de um eventual 2º turno. Numericamente atrás de Bolsonaro (46% a 48%) e Tarcísio (46% a 47%) na AtlasIntel de março, o petista apareceu em abril à frente do primeiro (48,5% a 46,4%) e em empate exato com o segundo (46,7% a 46,7%). Com Michelle, que não foi testada nos cenários de março, Lula apareceu em abril quase empatado na projeção de 2º turno: 46,6% a 46,1%.

 

(Infográfico: Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)

 

Dados da pesquisa — A nova pesquisa da série histórica AtlasIntel foi feita entre 20 e 24 de abril. E entrevistou digitalmente 5.419 eleitores brasileiros pela metodologia Atlas Random Digital Recruitment (RDR).

William Passos, geógrafo com especialização doutoral em estatística no IBGE

Análise do especialista — “O governo Lula vinha tendo sua aprovação caindo pesquisa a pesquisa desde janeiro de 2024, quando começaram as medições da pesquisa AtlasIntel. Agora na pesquisa de abril de 2025, porém, com 46,1% de aprovação, o presidente apresenta sua melhor aprovação no ano, superando a de janeiro (45,9%), fevereiro (45,7%) e março (44,9%), quando a aprovação caiu ao pior patamar do mandato. Na AtlasIntel de abril, a melhora parece derivar da percepção de leve queda da inflação, leve recuperação do poder de compra e um aumento ainda maior das expectativas econômicas”, concluiu William Passos, geógrafo com especialização doutoral em estatística no IBGE.

 

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Vereador Silvinho Martins no Folha no Ar desta terça

 

(Arte: Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)

 

Vereador governista, Silvinho Marins (MDB) é o convidado do Folha no Ar desta terça (29), ao vivo, a partir das 7h da manhã, na Folha FM 98,3.

Silvinho falará sobre a nova composição da Câmara Municipal de Campos, a partir (confira aqui) da reforma administrativa da Prefeitura. E analisará os primeiros 100 dias do governo Wladimir Garotinho 2.

Por fim, com base nas pesquisas, tentará projetar as eleições de 6 de outubro de 2024 a presidente (confira aqui, aqui, aquiaqui e aqui), governador (confira aqui e aqui), senadores (confira aqui) e deputados federal e estadual.

Quem quiser participar ao vivo do Folha no Ar desta terça poderá fazê-lo com comentários em tempo real, no streaming do programa. Seu link será disponibilizado alguns minutos antes do início, nos domínios da Folha FM 98,3 no Facebook e no YouTube.

 

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Wladimir a deputado federal e Rodrigo a governador?

 

Presidente da Alerj, Rodrigo Bacellar é pré-candidato a governador e o prefeito Wladimir Garotinho, a deputado federal (Foto: Divulgação)

 

 

Wladimir a deputado e Rodrigo a governador?

É quase certo que o prefeito Wladimir Garotinho (PP) sairá do cargo até 4 de abril de 2026. É possível que o presidente da Alerj, Rodrigo Bacellar (União), assuma o governo do estado até a mesma data. Wladimir hoje tem mais chance de concorrer a deputado federal em 4 de outubro de 2026. Rodrigo, sobretudo se já no cargo, seria candidato a governador.

 

Vice de Paes ou apoio a Rodrigo?

Wladimir tem outros cenários à vista. Mantém aberta a porta para vice do prefeito carioca Eduardo Paes (PSD) a governador. Como para apoiar Rodrigo ao mesmo cargo. Nesta possível parceria eleitoral entre os dois maiores políticos de Campos da sua geração, o município teria investimentos estaduais. Como teve enquanto durou a pacificação entre Garotinhos e Bacellar.

 

Opções de Rodrigo

Com ou sem apoio de Wladimir, Rodrigo tem também outras opções. Pode tentar ser deputado federal ou se reeleger a estadual. Embora não pudesse se candidatar numa 2ª reeleição a presidente da Alerj, nela manteria muito poder. Ou pode virar conselheiro no Tribunal de Contas do Estado (TCE) do RJ, seu objetivo antes de subir o sarrafo a governador.

 

Quem senta na cadeira de Castro?

A vaga de conselheiro do TCE-RJ hoje pode ter outra finalidade a Rodrigo. Serviria para ofertar ao vice-governador Thiago Pampolha (MDB). Para que este abrisse vaga ao presidente da Alerj assumir a cadeira de governador. Da qual Cláudio Castro (PL) também sairá até 4 de abril de 2026, para concorrer seis meses depois a senador ou deputado federal.

 

Lados A e B de Pampolha

Como a coluna revelou (confira aqui) em 12 de março: “Quem conhece a política fluminense, mas trabalha na oposição a Bacellar, diz que Pampolha é a encarnação da marchinha ‘Daqui não saio, daqui ninguém me tira’. Quem conhece a política fluminense e trabalha com Bacellar, aposta que o vice-governador só está valorizando o passe”. Hoje, a aposta maior é na segunda opção.

 

Paes com Lula ou Tarcísio?

Até as candidaturas serem homologadas nas convenções partidárias entre julho e agosto de 2026, tudo serão especulações. E há várias nos bastidores. Há quem, por exemplo, aposte que Paes não seria candidato a governador em apoio nacional a Lula. Mas à eventual candidatura presidencial de Tarcísio de Freitas (REP), atual governador de São Paulo.

 

Rejeição a Lula no RJ

Todas as pesquisas estaduais de 2025, como das eleições municipais de 2024 no RJ, apontam que Lula hoje tem uma aprovação entre o eleitor fluminense consideravelmente menor que a do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL). Isso seria um empecilho a Paes. Que teria que esconder o presidente candidato à reeleição na sua campanha a governador.

 

(Infográfico: Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)

 

A variável Kassab (I)

O governador de São Paulo tem entre seus maiores aliados Gilberto Kassab. Que é presidente nacional do PSD e secretário de Governo de Tarcísio. Se este concorresse a presidente, certamente teria o apoio de Kassab. O que, até partidariamente, levaria Paes pelo mesmo caminho. Em apoio a um presidenciável com rejeição menor do que Lula entre o eleitor do RJ.

 

A variável Kassab (II)

Por outro lado, na correlação entre as eleições estaduais e nacional, há quem aposte que Kassab trabalha para que Tarcísio se candidate à reeleição como governador de São Paulo. Em que, hoje, é considerado franco favorito. E com Kassab de vice. Da qual sairia para tentar se reeleger governador já sentado na cadeira em 2030, quando Tarcísio sairia a presidente.

 

No RJ, Flávio e quem ao Senado?

No RJ, o caminho de Castro ao Senado pode não ser tão fácil quanto apontam as pesquisas, que hoje o colocam em 2º lugar na corrida. Se ninguém discorda que Flávio Bolsonaro (PL) é favorito à reeleição ao Senado, na 1ª das duas cadeiras fluminenses em 2026, a disputa real pela 2ª também pode guardar surpresas. E elas podem sair de onde menos se espera.

 

Bené e Crivella ao Senado?

Caso Tarcísio não se lance agora a presidente, a aliança de Paes com Lula poderia trazer ao Senado no RJ não só a hoje deputada federal Benedita da Silva (PT), 3ª colocada nas pesquisas, mas também Marcelo Crivella (REP). Ex-adversário figadal de Paes, que tirou Crivella da Prefeitura do Rio em 2020, as conversas entre os dois estão abertas em 2025 para 2026.

 

(Infográfico: Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)

 

Crivella, Kassab e Tarcísio em Dilma

Paes se lançaria a governador com dois nomes a senador: Benedita, sua cota na aliança com Lula; mas para tentar driblar a rejeição deste no RJ, também Crivella. Que, antes de o bolsonarismo capturar o eleitorado neopentecostal em 2018, já foi ministro da Pesca de Dilma Rousseff (PT). De quem Kassab foi ministro das Cidades e Tarcísio, diretor-geral do Dnit.

 

Bolsonaro mira Senado contra STF

Há mais dificuldades à candidatura de Castro a senador. Com a possibilidade de condenação e prisão de Bolsonaro, réu por tentativa de golpe de Estado no Supremo Tribunal Federal (STF) e já inelegível até 2030, o bolsonarismo passou a ter como objetivo crescer sua bancada e tentar chegar à presidência no Senado. Que é onde o STF pode ser constitucionalmente enfrentado.

 

Flávio, Eduardo e Michelle ao Senado?

Bolsonaro pode achar que Castro não tem perfil, se senador, para encarar um ministro do STF como Alexandre de Moraes. Para isso, além de Flávio no RJ, o ex-presidente pode lançar seu filho 03, Eduardo (PL), senador em São Paulo; e a esposa, Michelle (PL), senadora em Brasília. Isso caso nenhum deles se arrisque a presidente, ou vice numa chapa encabeçada por Tarcísio.

 

União com PP favorece Rodrigo

Aliado de Castro, enquanto também busca o apoio de Bolsonaro, Rodrigo tem a curto prazo outro trunfo em sua pré-candidatura a governador: nesta terça (29), seu União e o PP de Wladimir têm marcada em Brasília a oficialização da Federação dos dois partidos. Que reunirá não só a maior bancada federal, mas também mais de 1/3 de todos os prefeitos fluminenses.

 

Publicado hoje na Folha da Manhã.

 

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Do céu ao purgatório, a tragédia como ethos do Botafogo

 

(Imagem: Reprodução de TV)

 

Este blog tem um grupo de WhatsApp que divide com o programa Folha no Ar. Composto de lulopetistas, bolsonaristas e nem-nem, sua moderação dá um certo trabalho nestes tempos de bipolaridade política. Ainda assim, é tido como um dos mais conceituados da cidade e região. Rende pautas e alguns debates interessantes.

Nesse grupo, na manhã de hoje, um amigo botafoguense aparentemente jogou a toalha por conta da atuação ruim do seu time na noite de ontem. Em que até o bom goleiro John falhou bisonhamente no gol do argentino Estudiantes de La Plata, que deu números finais ao placar. Ao que respondi com um texto sincero, mas um pouco mais longo, que reproduzo abaixo:

 

O empresário estadunidense John Textor, Pai Provedor do Glorioso (Foto: Botofogo)

 

Sempre tive simpatia pelo Botafogo, por conta das histórias sobre Garrincha, Didi e Nilton Santos que meu pai me contava. E aprendi terem composto, ao lado do Santos de Pelé, Zito e Pepe, a fase de ouro do futebol brasileiro. O sentimento se reforçaria com a leitura de “Nunca houve um homem como Heleno”, de Marcos Eduardo Neves.

Em 2023, torci sinceramente para o Botafogo sair da fila no Brasileirão. Assim como para o Fluminense do meu pai (confira aqui) na Libertadores daquele ano. E, com o primeiro, pude sentir na pele a frustração com uma das maiores pipocadas da história do mesmo futebol brasileiro.

Na sequência, após o Botafogo golear por 4 a 1 um Flamengo todo desfalcado no Brasileiro de 2024, a arrogância de parte da sua torcida — como a do flamenguista médio, só que com menos títulos e torcida — me irritou bastante. E, sem a minha azarada torcida pessoal, que deu sorte ao Fluminense, vi o Botafogo ser campeão com merecimento (confira aqui) do Brasil e da América do Sul. Pelo que liguei a alguns botafoguenses, para cumprimentar e reconhecer a façanha.

Tenho muita desconfiança dos que defendem a inexorabilidade das SAFs no futebol de clubes. Sinceramente, não sei se estão certos. Mas sempre vou preferir o sistema dos clubes em que os sócios votantes impõem freios, contrapesos e consequências às decisões do comando do futebol. Como Leila no Palmeiras ou Rodolfo Landim no Flamengo, onde a condução errática das molecagens de Gabigol rendeu a eleição da oposição a presidente.

A todos os botafoguenses que liguei para saudar pelos títulos de 2024, frisei que aquele time tinha dois craques: Almada e Luiz Henrique. Não sei se nenhum deles contou a John Textor, estadunidense a encarnar nosso messianismo lusitano de Dom Sebastião. Mas o fato é que o gringo vendeu os dois jogadores, não quis pagar o que o luso Artur Jorge pediu e o resultado está aí. Exposto em 2025 como o dente perdido pelo argentino Barboza. E não há o que o clube possa fazer sobre as decisões do seu Pai Provedor.

Não tenho argumento racional à constatação de muitos botafoguenses, de que, sem o dinheiro de Textor, o Glorioso não teria como reencontrar seu tempo de glória. Mas, como lembrou o Cristo, toda moeda tem duas faces. Particularmente, creio que o equilíbrio entre a arrogância catártica de 2024 e a desesperança presente de 2025 seria mais salutar. Mas, vendo de fora, reconheço que a tragédia, no sentido grego, faz parte do ethos do Botafogo.

 

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