Câmara de Campos e urnas de outubro no Folha no Ar desta 5ª

 

(Arte: Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)

 

Cientista social de Campos que ganhou o Brasil, Marcelo Viana Estevão de Moraes é o convidado do Folha no Ar desta quinta (22), ao vivo a partir da 7h25 da manhã. Ele analisará a rixa entre Garotinhos e Bacellar na política goitacá, e a indefinição da nova Mesa Diretora da Câmara de Campos.

Marcelo também dará sua projeção à eleição de outubro a deputado estadual e federal na região, a senador e a governador do RJ. Por fim, ele analisará a eleição ao Palácio do Planalto, polarizada em todas as pesquisas entre o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o presidente Jair Bolsonaro (PL).

Quem quiser participar ao vivo do Folha no Ar desta quinta pode fazê-lo com comentários em tempo real, no streaming do programa. Seu link será disponibilizado alguns minutos antes do início, na página da Folha FM 98,3 no Facebook.

 

 

0

Açúcar da Coagro na rede de supermercados Guanabara

 

Produto de Campos, o açúcar extrafino da Coagro entrou e ganhou destaque na rede de supermercados Guanabara, uma das maiores do estado do Rio (Foto: Divulgação)

 

À frente da antiga usina Sapucaia e prestes a assumir a operação da usina Paraíso, que voltará a moer na próxima safra, a Coagro comemora a entrada do seu açúcar extrafino na rede de supermercados Guanabara. Com várias unidades na zona metropolitana do Grande Rio de Janeiro, entre a cidade do Rio e a Baixada Fluminense, é uma gigante do ramo varejista em território fluminense, que agora vende o produto de Campos.

— Com muito orgulho a Coagro conseguiu entrar com seu açúcar na rede Guanabara de supermercados, que é uma das maiores do estado do Rio. Além da boa resposta nas vendas que viemos obtendo do nosso produto, é muito significativo ter a nossa marca numa das mais concorridas prateleiras do Grande Rio. É a primeira marca de açúcar fluminense a entrar lá, com um produto novo e comercialmente competitivo, que é o nosso açúcar extrafino — disse o industrial, produtor rural e presidente da Coagro, Frederico Paes, também vice-prefeito de Campos.

 

0

Quaest confirma: a 11 dias da urna, Lula cresce e Bolsonaro patina

 

(Montagem: Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)

Feita de sábado (17) a terça (20) e divulgada hoje (21), com 2.000 eleitores ouvidos presencialmente, a nova pesquisa do instituto Quaest Pesquisa e Consultoria, encomendada pela Genial Investimentos Corretora, confirmou as BTG/FSB e Ipec (antigo Ibope) de segunda (19): o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) apresenta tendência moderada de crescimento, enquanto o presidente Jair Bolsonaro (PL) mostra estagnação nesta reta final do 1º turno. Que se consumará daqui a apenas 11 dias. Na consulta estimulada às urnas de 2 de outubro, na comparação entre as duas Genial/Quaest da última semana, o petista cresceu de 42% aos atuais 44% de intenções de voto, no limite da margem de erro de 2 pontos para mais ou menos, enquanto o capitão tinha e manteve 34%.

 

(Infográfico: Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)

 

VOTOS VÁLIDOS E 2º TURNO — Nos votos válidos, excetuados dos brancos e nulos, o ex-presidente tem hoje 49% — na margem de erro, pode ter o mínimo de 50% mais 1 dos votos válidos necessários para consumar a eleição em turno único —, contra 38% do atual. Na projeção ao 2º turno de 30 de outubro, Lula também cresceu 2 pontos na última semana, indo de 48% a 50% na Genial/Quaest de hoje, enquanto Bolsonaro permaneceu estagnado em 40%.

 

(Infográfico: Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)

 

REJEIÇÃO — A rejeição é considerada fundamental à definição ao 2º turno. Entre as principais pesquisas presidenciais da semana passada, a Genial/Quaest de 14 de setembro tinha sido a que registrou a menor diferença na rejeição entre Bolsonaro e Lula: respectivamente, 52% a 47%, apenas 5 pontos, 1 ponto acima do limite da margem de erro. A indicar outra melhora do petista na reta final da disputa, essa diferença na rejeição entre os dois líderes de todas as pesquisas cresceu na Genial/Quaest de hoje, sete dias depois, para 8 pontos: o capitão tem hoje 54% dos brasileiros que não votariam nele de maneira nenhuma, 2 pontos a mais do que na semana passada; contra 46% de Lula, que reduziu 1 ponto no índice negativo.

 

(Infográfico: Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)

 

“VOTO ÚTIL” A LULA E TETO DE BOLSONARO — Se a BTG/FSB de segunda pareceu indicar que a campanha petista pelo “voto útil” ainda no 1º turno vinha surtindo efeito — com o crescimento de 3 pontos de Lula (de 41% a 44%), junto com as quedas de 2 pontos do ex-ministro Ciro Gomes (PDT, de 9% a 7%) e da senadora Simone Tebet (MDB, de 7% a 5%) —, a dúvida ficou aberta com a Ipec do mesmo dia, onde Lula cresceu 1 ponto (de 46% a 47%), Ciro se manteve estável em 7% e Tebet cresceu 1 ponto (de 4% a 5%). E permaneceu aberta com a Genial/Quaest de hoje, em que Lula cresceu 2 pontos (de 42% a 44%), Ciro caiu 1 ponto (de 7% a 6%) e Tebet cresceu 1 ponto (de 4% a 5%). Em todas as três pesquisas, Bolsonaro apareceu estagnado, aparentando ter batido em seu teto: em 35% na BTG/FSB, em 31% na Ipec e em 34% da Genial/Quest.

 

(Infográfico: Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)

 

ONDE LULA E BOLSONARO MAIS CRESCERAM? — Na Genial/Quaest, o crescimento dentro da margem de erro de Lula no quadro geral se operou fora da margem de erro em algumas faixas do eleitorado. Na comparação das pesquisas de 14 e 21 de setembro do mesmo instituto, o ex-presidente cresceu 12 pontos (de 44% a 52%) entre os sem religião, 4 pontos (de 38% a 42%) entre os com ensino médio, e 3 pontos em outras três fatias: entre os homens (de 39% a 42%), entre eleitores de 35 a 39 anos (de 39% a 42%) e os com 60 anos ou mais (de 45% a 48%). Nestas cinco faixas do eleitorado, Bolsonaro caiu ou ficou estagnado. Mas ele também cresceu fora da margem de erro em duas fatias: 3 pontos (de 38% a 41%) entre os eleitores com ensino superior e outros 3 pontos (de 28% a 31%) entre os católicos. Nestas duas, quem ficou estagnado foi Lula.

 

(Infográfico: Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)

 

(Infográfico: Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)

 

William Passos, geógrafo com especialização doutoral em Estatística no IBGE

ANÁLISE DO ESPECIALISTA — “A Quaest divulgada hoje confirma o crescimento de Lula, dentro da margem de erro de 2 pontos, já apontado pela Ipec de segunda. Também confirma a interrupção do crescimento de Bolsonaro, o que pode sinalizar para o teto de intenção de voto do presidente. As duas pesquisas aplicam exatamente a mesma metodologia: entrevistas individuais face a face com os eleitores em domicílios sorteados por probabilidade matemática. Se na última Ipec, Lula passou de 46% para 47%, enquanto Bolsonaro manteve os 31% de intenção, no cenário estimulado ao 1º turno, quando os nomes de todos os candidatos são apresentados aos eleitores entrevistados, na Quaest de hoje, o ex-presidente foi de 42% para 44%, enquanto o atual manteve os 34% do levantamento anterior, divulgado em 14 de setembro. Na Quaest de hoje, as intenções de votos de Lula ainda não são suficientes para dar ao ex-presidente um terceiro mandato ainda no 1º turno. No eventual 2º turno, Lula também subiu 2 pontos percentuais dentro da margem de erro, alcançando 50%. Bolsonaro manteve os 40% do levantamento anterior”, observou William Passos, geógrafo com especialização doutoral em Estatística do Setor Público, da População e do Território na Escola Nacional de Ciências Estatísticas (Ence) do IBGE.

 

0

A 11 dias da urna, Lula cresce e Bolsonaro patina nas pesquisas

 

(Montagem: Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)

 

 

Bolhas a dois domingos da agulha

Hoje, faltam 11 dias para a urna de 2 de outubro. Na eleição presidencial mais polarizada desde 1989, na redemocratização do país, quando passou a ser em dois turnos, a popularidade do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e do presidente Jair Bolsonaro (PL) talvez seja melhor explicada pela paixão. Mas só pela razão o processo eleitoral pode ser entendido. Até os votos serem depositados e a apuração finalizada, as pesquisas eleitorais são a maneira mais objetiva não de adivinhar o resultado, mas de compreender as tendências do eleitorado para além das bolhas. Que, goste-se ou não, serão furadas daqui a apenas dois domingos.

 

Lula cresce e Bolsonaro patina (I)

Da planície goitacá, a Folha tem feito um esforço ao noticiar e analisar as principais pesquisas sobre quem governará o país do Planalto Central. Esta penúltima semana antes da urna, como de hábito, foi aberta ainda na manhã de segunda (19), pela pesquisa do Instituto FSB Pesquisa, contratada pelo BTG Pactual, banco de investimentos fundado por Paulo Guedes, ministro da Economia de Bolsonaro. E a tendência nela relevada, na comparação com a BTG/FSB de sete dias antes, foi de crescimento de Lula, que passou de 41% a 44% das intenções de voto na consulta estimulada ao 1º turno, enquanto Bolsonaro ficou estagnado nos 35%.

 

Lula cresce e Bolsonaro patina (II)

Fora da margem de erro de 2 pontos, a tendência de crescimento de Lula na BTG/FSB foi confirmada pela pesquisa Ipec (antigo Ibope) divulgada na noite da mesma segunda. Nela, dentro da margem de erro, Lula oscilou 1 ponto para cima, de 46% a 47% na consulta estimulada ao 1º turno; enquanto Bolsonaro confirmou sua estagnação: tinha e manteve 31% das intenções de voto. Com 47% dos votos válidos a Lula, contra 37% de Bolsonaro, a projeção da BTG/FSB foi de 2º turno, marcado para 30 de outubro. Que poderia não existir na Ipec, onde o ex-presidente teria 52% dos votos válidos já no 1º turno, contra 34% do atual.

 

2º turno e rejeição

Como a maioria das pesquisas aponta o 2º turno, essa é a tendência mais provável. Nele, pela BTG/FSB, Lula bateria Bolsonaro por 52% a 39%. E por 52% a 34% na Ipec. Na primeira, o petista levaria do 1º turno 9 pontos de vantagem, que chegariam a 16 pontos na Ipec. Dentro da campanha de Bolsonaro se comenta que se ele sair das urnas de 2 a 30 de outubro com 10 pontos atrás de Lula, a toalha será jogada. Índice fundamental à definição do 2º turno, a rejeição é liderada por Bolsonaro. Na BTG/FSB, são 55% os que não votariam nele de maneira nenhuma, contra 45% de Lula. Na Ipec, o presidente teve 50% de rejeição, contra 33% do ex.

 

“Voto útil”?    

Com tendências semelhantes, a diferença básica entre as duas pesquisas é que Lula cresceu 3 pontos (de 41% a 44%) na consulta estimulada ao 1º turno da BTG/FSB, enquanto o ex-ministro Ciro Gomes (PDT) caiu 2 pontos (de 9% a 7%) e a senadora Simone Tebet caiu outros 2 pontos (de 7% a 5%). O que pode ser reflexo da campanha petista pelo “voto útil” contra Bolsonaro na tentativa de definir a eleição em turno único. Mas essa possível migração de votos de outros candidatos a Lula não foi apareceu na Ipec, onde Ciro manteve os mesmo 7% da semana anterior, enquanto Tebet cresceu de 4% para 5%.

 

Onde Lula mais cresceu (I)

Qualquer alteração do quadro geral das pesquisas tem que ser conferida nas fatias do eleitorado, para saber onde as mudanças ocorreram. No crescimento dentro da margem de erro das intenções de voto de Lula na Ipec, ele cresceu mais na última semana em quatro faixas: 6 pontos (de 46% a 52%) entre os jovens de 16 a 24 anos, 4 pontos (de 45% a 49%) entre 35 a 44 anos, 4 pontos (de 43% a 47%) no eleitor com renda familiar mensal acima de 5 salários mínimos e 4 pontos nos sem religião (de 48% a 52%). Bolsonaro caiu ou ficou estagnado em todas essas faixas.

 

Onde Lula mais cresceu (II)

Acima da margem de erro, o crescimento de Lula na BTG/FSB foi bem mais amplo na distribuição entre as fatias do eleitorado. Ele cresceu 15 pontos (de 38% a 53%) entre 16 a 24 anos, 4 pontos (de 45% a 49%) nas mulheres, 6 pontos (de 26% a 32%) nos evangélicos, 11 pontos (de 46% a 57%) nos sem religião, 8 pontos (de 48% a 56%) entre 1 a 2 salários mínimos, 6 pontos (de 25% a 31%) no eleitor acima dos 5 salários mínimos, 6 pontos (de 56% a 62%) na região Nordeste, 5 pontos (de 34% a 39%) na região Sudeste, e 6 pontos (de 41% a 47%) no voto das capitais. Em todas essas faixas, Bolsonaro também caiu ou ficou estagnado.

 

Da mentira ao choro?

Pressionado pela tendência de crescimento de Lula na reta final do 1º turno, Bolsonaro disse ontem a um jornalista em Nova York: “Se você acredita em pesquisas, não vou falar contigo”. Entre seus apoiadores menos racionais, virou moda dizer que as pesquisas erraram em 2018. É mentira! Em 24 de setembro daquele ano, a BTG/FSB deu Bolsonaro na liderança isolada, com 33%, contra 23% de Fernando Haddad (PT). No mesmo dia, o Ibope (atual Ipec) deu o futuro presidente com 28%, contra 22% de Haddad. Como foi aos lulistas em 2018 e serve aos bolsonaristas de 2022: quem questiona pesquisas, não raro, é quem depois chora com a urna.

 

Publicado hoje na Folha da Manhã.

 

0

Câmara de Campos e eleições de outubro no Folha no Ar desta 4ª

 

(Arte: Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)

 

Sociólogo e professor da Uenf, Roberto Dutra é o convidado do Folha no Ar desta quarta (21), ao vivo a partir das 7h25 da manhã, na Folha FM 98,3. Ele analisará a rixa entre Garotinhos e Bacellar na política goitacá, e a indefinição da nova Mesa Diretora da Câmara de Campos.

Roberto também dará sua projeção à eleição de outubro a deputado estadual e federal na região, a senador e a governador do RJ. Por fim, ele analisará a eleição ao Palácio do Planalto, polarizada em todas as pesquisas entre o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o presidente Jair Bolsonaro (PL).

Quem quiser participar ao vivo do Folha no Ar desta quarta pode fazê-lo com comentários em tempo real, no streaming do programa. Seu link será disponibilizado alguns minutos antes do início, na página da Folha FM 98,3 no Facebook.

 

0

Câmara de Campos e outubro no Folha no Ar desta 3ª

 

(Arte: Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)

 

Ex-prefeito de Campos e ex-presidente da Câmara Municipal, Nelson Nahim (MDB) é o convidado do Folha no Ar desta terça (20), ao vivo a partir das 7h25 da manhã, na Folha FM 98,3. Irmão do ex-governador Anthony Garotinho (União), ele analisará a rixa entre Garotinhos e Bacellar, e a indefinição da nova Mesa Diretora da Câmara de Campos.

Nahim também dará sua projeção à eleição de outubro a deputado estadual e federal na região, a senador e a governador do RJ. Por fim, ele analisará a eleição ao Palácio do Planalto, polarizada em todas as pesquisas entre o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o presidente Jair Bolsonaro (PL).

Quem quiser participar ao vivo do Folha no Ar desta terça pode fazê-lo com comentários em tempo real, no streaming do programa. Seu link será disponibilizado alguns minutos antes do início, na página da Folha FM 98,3 no Facebook.

 

0

BTG/FSB: a 13 dias da urna, Lula amplia vantagem sobre Bolsonaro

 

(Montagem: Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)

Favorito em todas as pesquisas deste ano eleitoral, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) entra nas últimas duas semanas antes das urnas de 2 de outubro, daqui a exatos 13 dias, aumentando sua vantagem sobre o presidente Jair Bolsonaro (PL). Na pesquisa semanal do instituto FSB Pesquisa, contratada pelo banco de investimentos BTG — fundado pelo ministro da Economia de Bolsonaro, Paulo Guedes —, Lula cresceu 3 pontos na consulta estimulada ao 1º turno dentro dos últimos sete dias, passando de 41% aos atuais 44% das intenções de voto. É um crescimento fora da margem de erro de 2 pontos para mais ou menos. Bolsonaro se manteve com os mesmos 35% que tinha em 12 de setembro e, hoje, está 9 pontos atrás (eram 6 pontos) do seu principal oponente. Como, dentro da margem de erro, o ex-ministro Ciro Gomes (PDT) caiu de 9% para 7%, e a senadora Simone Tebet (MDB) caiu de 7% para 5%, parece que a campanha pelo “voto útil” ao petista ainda no 1º turno vem surtindo efeito.

 

(Infográfico: Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)

 

ESPONTÂNEA E DEFINIÇÃO DO VOTO — Na consulta espontânea da BTG/FSB, sem a apresentação dos nomes dos candidatos, Lula também cresceu os mesmos 3 pontos. Passou de 39% a 42% de intenções de voto, enquanto Bolsonaro cresceu 1 ponto, de 33% a 34%. Feita de sexta (16) a domingo (18) e divulgada hoje, com 2.000 eleitores ouvidos por telefone, a pesquisa deu o petista com 47% dos votos válidos — para vencer a eleição em turno único, é necessário o mínimo de 50% + 1 dos votos válidos — contra 37% do capitão. Para 81% dos brasileiros, o voto a presidente já está definido, sem chance de mudar até a urna. Alta, a definição do voto sobe a 86% entre os eleitores de Lula, e a 90% entre os eleitores de Bolsonaro.

 

(Infográfico: Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)

 

(Infográfico: Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)

 

2º TURNO E REJEIÇÃO — Na projeção ao 2º turno, marcado para 30 de outubro, Lula hoje bateria Bolsonaro por 52% a 39%. A diferença de 13 pontos se manteve da pesquisa da última segunda, que deu o ex-presidente batendo o atual no turno final por 51% a 38%. Fundamental à definição do 2º turno, a rejeição continua liderada pelo capitão, com 55% dos brasileiros que não votariam nele de maneira nenhuma, contra 45% do petista. Favorável a este, a diferença atual de 10 pontos no índice negativo cresceu 1 ponto, dentro da margem de erro. Há uma semana, Bolsonaro tinha 56% de rejeição, contra 47% de Lula, 9 pontos de diferença.

 

(Infográfico: Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)

 

ONDE LULA CRESCEU? — O crescimento de Lula fora da margem de erro, no quadro geral, se operou em algumas fatias do eleitorado. Entre as BTG/FSB de 12 a 19 de setembro, o voto dos jovens entre 16 a 24 anos foi onde ele mais cresceu: 15 pontos (de 38% a 53%) em uma semana. Mas o ex-presidente também ganhou 4 pontos (de 45% a 49%) no voto das mulheres, 6 pontos (de 26% a 32%) no voto dos evangélicos, 11 pontos (de 46% a 57%) no voto dos sem religião, 8 pontos (de 48% a 56%) no voto do eleitor entre 1 a 2 salários mínimos, 6 pontos (de 25% a 31%) no voto do eleitor acima dos 5 salários mínimos, 6 pontos (de 56% a 62%) na região Nordeste, 5 pontos (de 34% a 39%) na região Sudeste, e 6 pontos (de 41% a 47%) no voto das capitais. Em todas essas faixas, Bolsonaro caiu ou ficou estagnado.

 

(Infográfico: Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)

 

(Infográfico: Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)

 

(Infográfico: Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)

 

William Passos, geógrafo com especialização doutoral em Estatística no IBGE

ANÁLISE DO ESPECIALISTA — “Tanto na pesquisa estimulada quanto na espontânea, Lula oscilou acima da margem de erro de 2 pontos. Na espontânea, o ex-presidente foi de 39% para 42%, enquanto, na estimulada, subiu de 41% para 44%. Bolsonaro oscilou de 33% para 34% na espontânea e manteve os mesmos 35% na estimulada. Com isso, Lula alcançou 47% dos votos válidos, enquanto Bolsonaro manteve os 37% da segunda passada. Num eventual 2º turno, Lula oscilou de 51% para 52% e Bolsonaro, de 38% para 39%. A oscilação das intenções dentro da margem acompanha as variações da rejeição: de 56% para 55%, no caso do atual presidente, e de 47% para 45%, no caso do ex. O cenário, portanto, é de estabilidade, mas com a sinalização da possibilidade de crescimento das intenções de Lula nesta reta final, que poderão culminar numa vitória ainda em 1º turno”, concluiu William Passos, geógrafo com especialização doutoral em Estatística do Setor Público, da População e do Território na Escola Nacional de Ciências Estatísticas (Ence) do IBGE.

 

0

César Boynard — Por que um empresário vota em Lula?

 

(Montagem: Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)

 

 

César Boynard, engenheiro e empresário de Campos

Lula ganha, mas 2023 já está comprometido

Por César Boynard

 

Quando Aluysio me pediu para escrever este artigo, logo pensei que diante da beligerância latente desta eleição eu só teria a perder em me expor publicamente. Por outro lado, penso que, como cidadão, tenho também o direito e até o dever de me manifestar de uma forma respeitosa e democrática.

Profissionalmente, o que me afeta diretamente no atual governo é o fato do Brasil ser hoje visto como pária mundial. Ou seja, deixamos de ser um país referência para sermos um país marginal, onde os investidores internacionais não têm confiança para investir. O atual governo fechou portas em todo o mundo, dos EUA a China, passando pela Europa e América Latina. Isso é péssimo para quem tem negócios com outros países. Na minha área de negócios, a prova cabal do que falo foram os fracassados leilões de blocos de exploração de óleo e gás realizados pela ANP durante o governo Bolsonaro em 2019 e 2021. Sendo que no primeiro nenhuma operadora apresentou sequer uma oferta.

Obviamente que isso se deve à total falta de credibilidade internacional deste governo. Cujas causas são a instabilidade política, derivada dos frequentes ataques à democracia, e as políticas ambientais que vão na contramão do que hoje se considera as melhores práticas de governança internacionais conhecida pela sigla ESG (“Enviromental, Social and Governance”, ou “Ambiental, Social e Governança”).

Não há como negar que o atual presidente provou, em menos de 4 anos, ser um poço de contradições, banalizando a mentira e os descalabros cometidos. Senão vejamos: Se diz cristão, mas prega o ódio e o armamento da população. Se diz a favor da vida, mas defende a ditadura, a tortura e debocha, imitando alguém com falta de ar, das centenas de milhares de brasileiros que morreram de covid. Se diz defensor da liberdade, mas ataca jornalistas e fala em extirpar e metralhar os opositores. Se diz contra a corrupção, mas se uniu ao que há de mais podre na política, que é o Centrão de Ciro Nogueira e Artur Lira. Aparelhou a PF para que as rachadinhas da família e a relação com o Queiroz não fossem investigadas. É contra a corrupção, mas não consegue explicar os 51 imóveis comprados com dinheiro vivo pela família. Tudo isso sem falar nos vários escândalos de corrupção no seu governo, nos ministérios da Educação, do Meio Ambiente e da Saúde.

Na minha opinião, a eleição será decidida pela rejeição. A depender das pesquisas até o momento Bolsonaro tem entre 50 e 56% de rejeição, enquanto Lula tem entre 35 e 40%. A discussão é se a fatura será liquidada no primeiro ou no segundo turno.

Não foi por acaso que a partir da pesquisa Ipec divulgada na última segunda feira, dia 12, na qual Lula aumentava sua vantagem no primeiro turno, que Bolsonaro mudou radicalmente seu comportamento. Passou a falar em respeitar o resultado das urnas e entregar a faixa, em caso de derrota — como se estivesse fazendo algum favor! Uma espécie de versão Jairzinho paz e amor. Acho pouco provável que em 15 dias ele consiga alterar a imagem pública de tosco, rude e agressivo que construiu durante todos seus mais de 30 anos de vida pública, inclusive e principalmente como presidente da República.

A ver vamos… Parece-me que Lula, com a sua reconhecida habilidade política, está se cercando das mais diferentes correntes políticas, inclusive ex-opositores como Geraldo Alckmin e Marina Silva, para governar o país e isolar o bolsonarismo. No entanto, tirar o poder paralelo do Centrão é um objetivo que me parece crucial para o próximo presidente e o futuro do país. Hoje, com o absurdo Orçamento Secreto que nos foi entalado por Artur Lira, o país passou a ter, de fato, um regime de governo semipresidencialista. Onde quem executa o orçamento é o Congresso e não o presidente da República. Mais um descalabro permitido no governo Bolsonaro.

Preocupa-me também como o novo presidente vai encontrar o país. Após o derrame de dinheiro público da chamada PEC kamikaze, ao custo de R$ 41,3 bilhões, aprovada há apenas três meses para tentar ganhar a eleição, em outro descalabro deste governo. Que há muito tempo transformou o tal teto de gastos em piso. Essa conta vai chegar! E terá que ser cobrada em 2023, na forma de controle da inflação, do dólar, do rebote da queda forjada da gasolina — também com efeito eleitoreiro, a partir da intervenção na Petrobras —, dos juros que já estão altíssimos, da compensação aos estados dos impostos que foram obrigados a renunciar pelo Congresso comprado Orçamento Secreto. A bomba relógio está armada! Isso para não falar no desmonte que ocorreu, principalmente, na educação pública e nos órgãos fiscalizadores ambientais. Que, como disse acima, é condição sine qua non para a reintegração do Brasil ao mercado internacional. Não vai ser tarefa fácil!

Seja como for, o que mais espero e desejo é que esse clima péssimo de beligerância que está levando inclusive a absurdas mortes por diferenças políticas seja amenizado e o país volte a ser de todos os brasileiros. Onde todos remem para o mesmo lado.

 

Publicado hoje na Folha da Manhã.

 

0

A 15 dias da urna, Lula e Bolsonaro nas pesquisas da semana

 

(Montagem: Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)

O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) queria ganhar a eleição em turno único, o presidente Jair Bolsonaro (PL) queria ultrapassar Lula nas pesquisas antes do 1º turno, o ex-ministro Ciro Gomes (PDT) queria chegar aos dois dígitos de intenção de voto, e a ex-senadora Simone Tebet (MDB) queria ultrapassar Ciro. Hoje, a exatos 15 dias das urnas de 2 de outubro, as cinco principais pesquisas eleitorais da semana indicam que essas pretensões, dos quatro principais candidatos a presidente da República, terão dificuldade de ser alcançadas nos três domingos que ainda separam o Brasil do 1º turno.

VOO DE BEIJA FLOR – Em resumo da ópera deste ano eleitoral segundo todas as pesquisas, Lula bateu desde janeiro no seu teto de intenções de voto, na casa dos mesmos 40 e poucos % que manteve de lá para cá, sem nunca subir ou cair muito. Na boa imagem do jornalista Ocatvio Guedes, da Globo News, a evolução do petista lembra o voo do beija flor, estático no ar.

CRESCIMENTOS DE BOLSONARO – Bolsonaro teve três crescimentos claros durante o ano. O primeiro entre abril e maio, quando herdou naturalmente os votos de centro-direita das desistências do seu ex-ministro Sergio Moro (União) e do ex-governador paulista João Doria (PSDB). Depois, entre o final de julho e o início de agosto, sobretudo nos votos dos evangélicos, por conta dos ataques de toada neopentecostal ao PT; e da classe média baixa, com renda familiar mensal entre 2 a 5 salários mínimos, por conta da redução a fórceps do preço dos combustíveis. E, o terceiro e último, a partir da sua superexposição na captura do bicentenário da Independência do Brasil, no 7 de setembro travestido em atos de campanha em Brasília e no Rio de Janeiro.

TORCIDAS – Às tias do WhatsApp, por incapacidade, preguiça ou má fé, esses três movimentos de crescimento do seu “mito”, claros em todas as pesquisas, simplesmente inexistiram. Seriam só a readequação dos números, na reta final da campanha, à torcida bolsonarista. Tanto quanto alguns lulopetistas, na sua própria torcida pela “alma viva mais honesta neste país”, retorcem desonestamente os dados das pesquisas para tentar ignorar qualquer avanço de Bolsonaro.

VOOS DE POMBO E DE GALINHA – No mundo real, Ciro e Tebet tiveram alguma ascensão nas intenções de voto a partir das suas boas atuações nas sabatinas no Jornal Nacional e no debate da Band, ambos na última semana de agosto. Em outras imagens análogas do jornalista Octavio Guedes, o voo de Bolsonaro nas pesquisas seria o do pombo, por barulhento, atabalhoado, lento e construído em soluços no espaço. Que também parece ter batido em seu teto. Enquanto os voos de Ciro e Tebet, por curtos em alcance e teto, lembram o da galinha.

PESQUISAS DA SEMANA – A semana começou com duas pesquisas na segunda (12). De manhã, primeiro veio a BTG/FSB, feita entre sexta (9) e domingo (11), com 2.000 eleitores ouvidos por telefone. Na noite do mesmo dia, veio a Ipec (antigo Ibope), feita também entre sexta e domingo, com 2.512 eleitores ouvidos presencialmente. Na quarta (14), vieram outras duas pesquisas: a Genial/Quaest, feita entre sábado (10) e terça (13), com 2.000 eleitores ouvidos presencialmente; e a PoderData, feita entre domingo e terça, com 3.500 eleitores ouvidos por telefone. Finalmente, na noite de quinta (15), veio a sempre aguardada Datafolha, feita entre terça e a própria quinta, com 5.926 eleitores ouvidos presencialmente.

7 DE SETEMBRO x ELIZABETH II – Todas essas cinco pesquisas da semana tiveram margem de erro de 2 pontos para mais ou menos. E foram todas feitas depois do 7 de setembro, cuja repercussão na mídia e nas redes sociais foi sufocada, como todos os demais assuntos mundo afora, pela comoção com a morte da rainha da Inglaterra Elizabeth II, aos 96 anos, em 8 de setembro. Prova disso é que o próprio Bolsonaro vai deixar o Brasil e sua campanha para acompanhar o funeral da monarca britânica, nesta segunda (19), em Londres. Onde pode ter mais dificuldade para transformar o evento oficial em ato eleitoral.

1º TURNO – Do lado de cá do Equador e do oceano Atlântico, Lula continua liderando fora da margem de erro, com Bolsonaro também isolado no 2º lugar, todas as consultas estimuladas ao 1º turno. Por 41% a 35% na BTG/FSB, por 46% a 31% na Ipec, por 42% a 34% na Genial/Quaest, por 43% a 37% na PoderData, e por 45% a 33% na Datafolha. Em outras palavras e números, a 15 dias da urna, o petista hoje tem uma vantagem entre 6 (na BTG/FSB e PoderData) a 15 pontos (na Ipec) sobre o capitão.

 

(Infográfico: Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)

 

2º TURNO – Na projeção ao 2º turno de 30 de outubro, Lula também bateria Bolsonaro fora da margem de erro em todas as simulações. Por 51% a 38% na BTG/FSB, por 53% a 36% na Ipec, por 48% a 40% na Genial/Quaest, por 51% a 42% na PoderData, e por 54% a 38% na Datafolha. Só a Ipec manteve acesa a esperança lulopetista de definição em turno único, na margem de erro de 51% dos votos válidos. No 2º turno cada vez mais provável, daqui a 43 dias, o petista tem hoje uma vantagem entre 8 (na Genial/Quaest) a 17 pontos (na Ipec) sobre o capitão.

 

(Infográfico: Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)

 

REJEIÇÃO – Considerado fundamental para a definição do 2º turno, o índice negativo da rejeição é liderado fora da margem de erro por Bolsonaro em todas as pesquisas. Por 56% a 47% de Lula na BTG/FSB, por 50% a 35% na Ipec, por 52% a 47% na Genial/Quaest, por 50% a 41% na PoderData, e por 53% a 38% na Datafolha. A diferença entre os brasileiros que não votariam de maneira nenhuma em um dos dois líderes das pesquisas vai de 5 (na Genial/Quaest) a 15 pontos (na Ipec e Datafolha) desfavoráveis ao capitão.

 

(Infográfico: Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)

 

TENDÊNCIA? – Na comparação com as pesquisas da semana anterior de cada instituto, os números ao 1º turno revelam diminuição da vantagem de Lula sobre Bolsonaro na BTG/FSB (de 12 a 6 pontos) e na Genial/Quaest (de 12 a 8 pontos), crescimento dessa vantagem na Ipec (de 13 a 15 pontos) e Datafolha (de 11 a 12 pontos), e estabilidade da diferença na PoderData (em 6 pontos).  Na mesma comparação, as projeções ao 2º turno revelam redução da vantagem de Lula a Bolsonaro na Genial/Quaest (de 12 a 8 pontos) e na PoderData (de 12 a 9 pontos), crescimento dessa vantagem na Ipec (de 16 a 17 pontos) e na Datafolha (de 14 a 16 pontos), e de estabilidade da diferença na BTG/FSB (em 6 pontos). Qual é, então, a tendência?

 

(Infográfico: Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)

 

ARTILHARIA PESADA – Na evolução dos sete dias anteriores entre as duas últimas pesquisas de cada instituto, impossível saber qual é hoje a tendência real ou a que prevalecerá nos próximos 15 dias ao 1º turno. E, tanto mais, 28 dias depois ao 2º turno. Neste, como é a rejeição que definirá o vencedor final, os veículos do Grupo Globo têm batido muito na liderança de Bolsonaro no índice negativo. Como a campanha de reeleição do presidente também já começou a bater mais pesadamente em Lula, tentando aumentar sua rejeição, a liderança do capitão nela parece assumida.

 

(Infográfico: Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)

 

DATAFOLHA E IPEC x QUAEST – A Globo contrata e repercute as pesquisas Datafolha e Ipec, que registraram na semana a maior diferença de Bolsonaro a Lula na rejeição: os mesmos 15 pontos a mais do capitão. Já na BTG/FSB e na PoderData, feitas por telefone, o atual presidente tem os mesmos 9 pontos a mais do que o ex-presidente no índice negativo. Feita através de entrevistas presenciais como a Datafolha e a Ipec, a Genial/Quaest registrou nesta semana sua menor diferença de Bolsonaro para Lula na rejeição: 5 pontos. Ainda a 43 dias do 2º turno, é apenas 1 ponto a mais que o limite da margem de erro.

William Passos, geógrafo com especialização doutoral em Estatística pelo IBGE

ANÁLISE DO ESPECIALISTA — “A Datafolha de quinta permite a comparação entre as três pesquisas que aplicam entrevistas presenciais individuais face a face, metodologia de captação de intenção de votos com maior precisão, dentre as disponíveis. No Datafolha, Lula mantém os 45% de intenção de voto na consulta estimulada ao 1º turno. Na Ipec, divulgada segunda, o ex-presidente foi a 46%, enquanto na Quaest de ontem registrou 42%. Bolsonaro, no Datafolha, oscilou para 33%, enquanto na Ipec foi a 31% e na Quaest, seu melhor desempenho, foi a 34%. Assim, em conjunto, é possível afirmar que enquanto o Datafolha e o Ipec apontam para uma maior estabilidade do cenário eleitoral, com uma folga mais favorável a Lula, a Quaest indica um cenário mais apertado e menos desfavorável a Bolsonaro. Nos votos válidos, a Datafolha, ao contrário da pesquisa da semana passada, confirma cenário de 2º turno, ao apontar 48% destes votos para Lula, que poderia ir para 50% no limite da margem de erro de 2 pontos percentuais para mais ou para menos. Para que uma eleição seja decidida no 1º turno, são necessários 50% mais um voto dentre os votos válidos, que excluem brancos e nulos”, concluiu William Passos, geógrafo com especialização doutoral em Estatística do Setor Público, da População e do Território na Escola Nacional de Ciências Estatísticas (Ence) do IBGE.

 

Página 2 da edição de hoje da Folha da Manhã

 

0

Genial/Quaest: vantagem de Lula a Bolsonaro cai a 8 pontos

 

(Montagem: Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)

Desde o polêmico 7 de setembro que capturou em atos de campanha, o presidente Jair Bolsonaro (PL) encurtou ou aumentou sua desvantagem para o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) na corrida às urnas de 2 de outubro, daqui a exatos 18 dias? Feitas após os 200 anos da Independência do Brasil, as pesquisas Datafolha de sexta (9) e BTG/FSB de segunda (12) indicaram que a diferença entre os dois líderes da corrida encurtou. Só a Ipec (antigo Ibope) de segunda deu que a vantagem de Lula aumentou. O que foi desmentido pela Genial/Quaest feita de sábado (10) a ontem (13) e divulgada hoje (14). Na série histórica das suas pesquisas, desde julho de 2021, Lula chegou à sua menor vantagem sobre Bolsonaro: apenas 8 pontos, com margem de erro de 2 pontos para mais ou menos. Na consulta induzida ao 1º turno, no espaço de uma semana, o petista caiu de 44% aos atuais 42% das intenções de voto, enquanto o capitão permaneceu estável com os mesmos 34%.

 

(Infográfico: Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)

 

Na projeção para o 2º turno de 30 de outubro indicado em todas as últimas pesquisas, em dúvida apenas na Ipec, Lula também continuaria batendo Bolsonaro na Genial/Quaest, por 48% a 40%. No espaço de uma semana, o petista perdeu 2 pontos dos 51% que tinha, enquanto o capitão somou 1 ponto aos 39% anteriores. A diferença atual de 8 pontos entre os dois no 2º turno, exatamente a mesma do 1º turno, é também a menor já registrada na série histórica de mais de um ano das pesquisas. Índice considerado fundamental à definição do 2º turno, a rejeição do atual presidente e do ex também alcançou a menor diferença já registrada até aqui pela Genial/Quaest. Nos últimos sete dias, Bolsonaro caiu de 53% aos atuais 52% dos brasileiros que não votariam nele de maneira nenhuma, enquanto Lula cresceu no índice negativo fora da margem de erro, de 44% aos 47% de hoje. Fora minimamente do limite da margem de erro, a diferença na rejeição do capitão ao petista hoje é de apenas 5 pontos. Se as rejeições dos dois se igualarem, qualquer resultado ao 2º turno passa a ser aritmeticamente possível.

 

(Infográfico: Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)

 

Como a coluna Ponto Final, publicada hoje na Folha da Manhã, antecipou ainda sem a nova Genial/Quaest desta quarta, mas já com base nos resultados anteriores da Datafolha de sexta e da BTG/FSB e da Ipec de segunda: “Bolsonaro acertou ao modular seu discurso, por ora apenas subliminar no golpismo, para centrar fogo no PT e em Lula. Estes subestimaram o antipetismo. E aumentar essa rejeição é a única chance real do capitão para tentar vencer o 2º turno. Em que Lula o bateria por 53% a 39% na Datafolha, por 51% a 38% na BTG/FSB e por 53% a 36% na Ipec. O motivo? Bolsonaro tem 51% de rejeição na Datafolha, contra 39% de Lula; 56% contra 47% na BTG/FSB; e 50% contra 35% na Ipec Sobre todas as outras eleições presidenciais no Brasil desde 1989, a de 2022 tem a singularidade de ser uma batalha entre rejeições. Na qual vencerá o menos odiado”.

 

(Infográfico: Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)

 

William Passos, geógrafo com especialização doutoral em Estatística pelo IBGE

— A divulgação da Quaest de hoje permite a comparação dela com a Ipec de segunda, duas pesquisas de intenção de voto que aplicam exatamente a mesma metodologia: entrevistas individuais face a face realizadas em domicílios sorteados. Na Ipec de ontem, a diferença entre Lula e Bolsonaro na pesquisa estimulada era de 15 pontos (46% a 31%), enquanto na Quaest de hoje caiu para 8 pontos (42% a 34%), uma diferença significativa e fora da margem de erro de 2 pontos. A divergência mais significativa, porém, está na pesquisa espontânea. Nela, a diferença de 14 pontos em favor de Lula na Ipec de segunda (44% a 30%) cai para apenas 4 pontos na Quaest de hoje (33% a 29%), ou seja, de acordo com a margem de erro, Lula e Bolsonaro poderiam estar numericamente empatados na pesquisa espontânea. Com a divulgação da Datafolha na próxima sexta, que também aplica entrevistas presenciais individuais face a face, porém realizadas na rua, em vez de nos domicílios, será possível a comparação dos resultados das três principais pesquisas que trabalham com aquela que é considerada a metodologia de captação de intenção de votos com maior precisão — observou William Passos, geógrafo com especialização doutoral em Estatística do Setor Público, da População e do Território na Escola Nacional de Ciências Estatísticas (Ence) do IBGE.

 

0

Pesquisas — Lula e Bolsonaro: quem é o menos odiado?

 

(Montagem: Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)

 

 

Pesquisas pós 7 de setembro

Da Datafolha de sexta à Ipec (antigo Ibope) de segunda, passando pela BTG/FSB do mesmo dia, as últimas três pesquisas presidenciais revelam perspectivas distintas à urna de 2 de outubro, daqui a exatos 18 dias. A Datafolha e a BTG/FSB indicaram que o presidente Jair Bolsonaro (PL) capitalizou seu sequestro do 7 de setembro e encurtou sua diferença para o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) na reta final do 1º turno, rumo a um disputado 2º turno. Já a Ipec indicou que quem cresceu foi Lula, que hoje teria 51% dos votos válidos. A possibilidade matemática de definir a eleição em turno único deve acelerar a campanha petista pelo “voto útil” sobre os eleitores do ex-ministro Ciro Gomes (PDT) e da senadora Simone Tebet (MDB).

 

Histórico do 2º turno

Instituída no Brasil pela Constituição de 1988 e passando a valer a partir da eleição presidencial de 1989, a eleição em dois turnos existe para que o voto útil seja feito no 2º, dando a opção ao eleitor de votar no 1º no candidato com que mais se identifique. Entre os presidentes, apenas Fernando Henrique Cardoso (PSDB) se elegeu ainda no 1º turno, em 1994 e 1998. E, segundo analistas, só o fez porque a eleição ainda era em cédulas de papel, muito mais fácil para anular o voto do que na urna eletrônica. O que diminuía o quantitativo necessário para se atingir o mínimo de 50% mais 1 dos votos válidos.

 

Lulanaro ou Bolsolula?

Se Lula precisou de dois turnos para se eleger e se reeleger presidente, em 2002 e 2006, a lógica não indica que teria mais facilidade em 2022. Sobretudo no enfrentamento de um presidente que tem “feito o diabo”, como Dilma Rousseff (PT) disse que faria em 2014, para tentar se reeleger. De extrema-direita, Bolsonaro é oposto no espectro ideológico à esquerda sindical de Lula. Mas, populares, os dois são muito similares no populismo de suas lideranças. E têm a mesma capacidade semiótica de falar a língua do frentista do posto, de maneira direta. Dispensam a tecla SAP necessária à tradução popular de oradores superiores, como FHC e Ciro.

 

Teatro do absurdo

Visíveis ao observador pragmático, essas similaridades passam longe dos apoiadores de Lula e Bolsonaro, que não têm eleitores, têm torcidas. De um lado, quem não aprendeu absolutamente nada com o apeamento do PT do poder e segue no maniqueísmo do “nós contra eles” que instalou no Brasil. Do outro, as tias de WhatsApp antes enrustidas, mas saídas do armário com a chegada do capitão ao poder como o empresário Cassio Joel Cenalli. Que viralizou nas redes sociais do país com um vídeo ameaçando não doar mais marmitas de comida à faxineira Ilza Ramos Rodrigues. Porque esta, após indagada, declarou voto em Lula.

 

Assassinatos políticos

Esse ódio político já custou a vida de dois apoiadores do PT, mortos por bolsonaristas neste ano eleitoral. Tesoureiro do PT em Foz do Iguaçu, no Paraná, Marcelo Arruda foi morto a tiros em 9 de julho, na sua festa de aniversário, pelo policial bolsonarista Jorge Garanho, que invadiu o evento sem ser convidado. Na área rural do município de Confresa, no Mato Grosso, o trabalhador rural Benedito Cardoso dos Santos, eleitor de Lula, foi morto com 15 facadas e um golpe de machado no pescoço pelo colega Rafael Silva de Oliveira, eleitor de Bolsonaro, após uma discussão sobre política. Emblematicamente, foi na noite do 7 de setembro.

 

Os números do 1º turno

Da impossibilidade da razão, na humilhação de uma mulher humilde e em dois assassinatos políticos, à objetividade racional dos números, Lula lidera as consultas estimuladas do 1º turno sobre Bolsonaro. Por 45% a 34% (diferença de 11 pontos) na Datafolha, por 41% a 35% (6 pontos) na BTG/FSB e por 46% a 31% (15 pontos) na Ipec. As três pesquisas foram feitas após o 7 de setembro, com intenções de votos próximas, mas considerável diferença na distância entre o 1º e o 2º colocados. É, entretanto, na comparação com as pesquisas anteriores de cada instituto, configurando tendências, que se revelam as diferenças mais importantes.

 

(Infográfico: Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)

 

Quem subiu ou caiu?

Entre as Datafolha de 1º e 9 de setembro, Lula ficou estável nos 45%, enquanto Bolsonaro cresceu dentro da margem de erro, de 32% a 34%. Entre as BTG/FSB de 5 e 12 de setembro, Lula caiu dentro da margem de erro, de 42% a 41%; oposto a Bolsonaro, que cresceu de 34% a 35%. Entre as Ipec de 5 e 12 de setembro, Lula cresceu dentro da margem de erro, de 44% a 46%, enquanto Bolsonaro se mostrou estável nos 31%. Cruzando as três pesquisas, feitas com metodologias diferentes, impossível saber quem está de fato subindo, caindo ou estável. Hoje, as novas pesquisas Genial/Quaest e PoderData poderão deixar isso mais claro.

 

(Infográfico: Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)

 

Quem é o menos odiado?

Bolsonaro acertou ao modular seu discurso, por ora apenas subliminar no golpismo, para centrar fogo no PT e em Lula. Estes subestimaram o antipetismo. E aumentar essa rejeição é a única chance real do capitão para tentar vencer o 2º turno. Em que Lula o bateria por 53% a 39% na Datafolha, por 51% a 38% na BTG/FSB e por 53% a 36% na Ipec. O motivo? Bolsonaro tem 51% de rejeição na Datafolha, contra 39% de Lula; 56% contra 47% na BTG/FSB; e 50% contra 35% na Ipec. Sobre todas as outras eleições presidenciais no Brasil desde 1989, a de 2022 tem a singularidade de ser uma batalha entre rejeições. Na qual vencerá o menos odiado.

 

(Infográfico: Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)

 

0

BTG/FSB: vantagem de Lula a Bolsonaro cai para 6 pontos

 

(Montagem: Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)

O Brasil pode não estar vivendo uma onda bolsonarista, como afirmou no final de semana Andrei Roman, CEO do AtlasIntel, instituto que mais acertou resultados nas eleições presidenciais dos EUA em 2020, mas o presidente Jair Bolsonaro (PL) segue diminuindo sua diferença nas intenções de voto para o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Após a Datafolha de sexta, primeira feita após o 7 de setembro, a pesquisa semanal BTG/FSB confirmou hoje, a exatos 20 dias da urna de 2 de outubro, essa tendência. Os 8 pontos (Lula 42% x 34% Bolsonaro) que separavam os dois na consulta estimulada ao 1º turno, sete dias atrás, são agora 6 pontos: 41% para o petista, contra 35% do capitão. Na projeção do 2º turno de 30 de outubro, no entanto, a distância se manteve nos mesmos 13 pontos da semana passada: Lula caiu de 53% aos atuais 51% das intenções de voto, contra um Bolsonaro que também caiu, de 40% aos 38% de hoje. A nova BTG/FSB foi feita entre quinta (9) a domingo, com margem de erro de 2 pontos para mais ou menos.

 

(Infográfico: Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)

 

PÓS 7 DE SETEMBRO, 2º TURNO E REJEIÇÃO – O crescimento lento e gradual, mas consistente de Bolsonaro nas pesquisas, passou a ser registrado no final de julho e ganhou novo impulso na sua polêmica captura das comemorações dos 200 anos da Independência do Brasil, no 7 de setembro da última quarta. Na BTG/FSB de hoje, também cresceram dentro da margem de erro o ex-ministro Ciro Gomes (PDT), de 8% a 9% das intenções de voto na consulta estimulada ao 1º turno; e a senadora Simone Tebet (MDB), de 6% aos 7% de hoje. Índice considerado fundamental à definição do 2º turno, a rejeição continua sendo o maior problema do atual presidente. Que cresceu, na última semana, de 55% aos atuais 56% de brasileiros que não votariam nele de maneira nenhuma. Lula também cresceu 1 ponto no índice negativo entre 5 e 12 de setembro, passando de 46% a 47% de rejeição.

 

(Infográfico: Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)

 

VOTO CONSOLIDADO – Com 81% dos brasileiros com seu voto a presidente já definido, número que chega a 86% entre os eleitores de Lula e a 89%, entre os eleitores de Bolsonaro, há muito pouco espaço para mudanças do quadro eleitoral. Mas, com o capitão sempre crescendo, a cada nova pesquisa, quase sempre dentro da margem de erro, a pergunta que fica é: qual é o seu teto? Na série de 13 pesquisas da BTG/FSB, Lula bateu no seu desde março, quando registrou 43% das intenções de voto na consulta estimulada ao 1º turno, variando sempre, de lá para cá, entre 41% e 46%.

 

(Infográfico: Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)

 

VOTO EVANGÉLICO – No pouco espaço que ainda resta, Bolsonaro continua crescendo em algumas fatias, como o eleitor evangélico, na qual batia Lula por 47% a 30% (17 pontos) na BTG/FSB de 5 de setembro. E agora o faz por 51% a 26% — ou 25 pontos de vantagem, 8 pontos a mais em apenas uma semana.

 

(Infográfico: Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)

 

William Passos, geógrafo com especialização doutoral em Estatística no IBGE

ANÁLISE DO ESPECIALISTA – “Tanto no cenário estimulado quanto no espontâneo, os dois candidatos, quando oscilaram, o fizeram dentro da margem de erro de 2 pontos para mais ou para menos. Destaca-se que, nas duas simulações, desde o início dos levantamentos do Instituto FSB Pesquisa, no final de março, Lula e Bolsonaro, com poucas interrupções, variaram sempre dentro da margem de erro. Na pesquisa divulgada em 21 de março, Lula aparecia com 43% e Bolsonaro com 29% das intenções de voto no cenário estimulado e com, respectivamente, 38% e 27% na simulação espontânea. No levantamento divulgado hoje, o ex-presidente apresenta 41% e o atual alcança 35% das intenções na pesquisa estimulada e, respectivamente, 39% e 33% na espontânea”, destacou William Passos, geógrafo com especialização doutoral em Estatística do Setor Público, da População e do Território na Escola Nacional de Ciências Estatísticas (Ence) do IBGE.

 

0