Em sua sexta edição, no final desta tarde de quinta (06), o programa Jogo Jogado (confira aqui na conta do Folha 1 no Facebook) recebeu o sociólogo e cientista político George Gomes Coutinho, professor da UFF, para tratar dos bastidores políticos de Campos, região e Brasil. Ao lado do jornalista Aldir Sales e de mim, o debate começou com a delação do ex-governador Sérgio Cabral, homologada pelo Supremo Tribunal Federal (STF), que envolve até o Superior Tribunal de Justiça (STJ). Assim como a liberação, também pelo STF, do julgamento do casal Garotinho pela Chequinho no Tribunal Regional Eleitoral (TRE).
Na condição de educador, George também falou das relações conflituosas entre o ministro da Educação Abraham Weintraub e o presidente da Câmara Federal, Rodrigo Maia (DEM). A reboque da entrevista da prefeita de Quissamã, Fátima Pacheco (DEM), ao Folha no Ar (aqui) na manhã de hoje, também se analisou o movimento partidário dela e de outras lideranças regionais, como a prefeita sanjoanense Carla Machado (PP) e o deputado federal Marcão Gomes (PL), todos saídos do PT para legendas de centro-direita.
Na deixa petista, foi analisada ainda a confusão na noite de ontem (05) no Sindipetro Campos, quando dois integrantes de extrema-direita local acabaram expulsos (aqui) do evento feito para receber o ex-ministro José Dirceu. Ao final do programa dedicado à política, coube também o registro à vida e à obra do ator Kirk Douglas, último sobrevivente da Era de Ouro de Hollywood, que morreu ontem (aqui) aos 103 anos.
Confira abaixo o Jogo Jogado de hoje, que terá nova edição na próxima segunda, 10/02:
Um problema social tem se transformado numa bomba prestes a explodir, pela falta de controle e de entendimento entre as esferas do poder público. Conviver é o nome da casa de acolhimento para menores da Fundação Municipal da Infância e Juventude (FMIJ) na rua Almirante Wanderkolk, no Parque Tamandaré, entorno da avenida Pelinca. E a convivência no bairro de classe média alta tem sido o maior problema desde que a casa alugada pelo município passou a abrigar menores infratores, por decisões judiciais e do Conselho Tutelar. Egressos de comunidades periféricas e distantes, esses adolescentes de histórico infracional não têm controle de entrada e saída, que fazem diariamente pulando o muro da frente da casa. E colocam suas próprias vidas em risco, escalando também diariamente os muros ainda mais altos com as residências vizinhas, mesmo diante da presença impassível dos vigias.
Na manhã de hoje, a redação da Folha foi acionada pela moradora de um prédio vizinho da Conviver. Inicialmente, sua queixa era o estado de abandono da piscina da casa alugada pelo município, com receio de que pudesse ser foco de infestação do mosquito da dengue. Mas o problema se revelou mais grave. Para evidenciar a falta de controle sobre os menores infratores, foi na presença dos vigias da Conviver que eles localizaram a equipe de reportagem, na varanda do apartamento. Os adolescentes infratores não se intimidaram. E diante das lentes repetiram sua rotina diária de escalar o muro lateral com a casa onde um idoso reside sozinho, e o muro dos fundos, com uma casa abandonada. Todos com cerca de três metros de altura. E o fizeram também na presença dos seguranças.
Acompanhe abaixo, nos flagrantes em fotos e vídeo, o que os menores infratores fazem diariamente na casa de acolhimento Conviver:
Os vigias também não impediram que os menores infratores depois saíssem da Conviver para cercar a entrada do prédio em que a equipe da Folha registrou os flagrentes. Alguns desses aolescentes interpelaram o motorista do carro que do jornal. E chegaram a segui-lo usando bicicletas. A demanda foi gerada desde o início da tarde à assessoria de comunicação da FMIJ. Às 20h, a Supcom enviou a nota abaixo:
“O Acolhimento Conviver é vinculado à Fundação Municipal da Infância e da Juventude (FMIJ) e atualmente se destina ao acolhimento de adolescentes em situação de vulnerabilidade, encaminhados por decisão judicial ou por razões emergenciais, por decisão do Conselho Tutelar.
Compete à FMIJ o dever de acatar os acolhimentos encaminhados pelo Judiciário e pelos Conselhos Tutelares, e cabe ao poder público municipal, representado pela FMIJ, gerir os acolhimentos institucionais e assegurar os direitos das crianças e adolescentes, como saúde, educação, lazer, entre outros.
Importante ressaltar que o Acolhimento Institucional é um serviço regulamentado pelo Estatuto da Criança e do Adolescente e por orientações técnicas, os quais não preveem o auxílio de força policial dentro das unidades. Os adolescentes recebem orientações dos educadores que atuam no acolhimento e, caso haja configuração de atos infracionais, há o encaminhamento para órgãos competentes.
No que se refere à piscina, a última limpeza ocorreu há menos de um mês, quando uma árvore do terreno vizinho caiu na casa onde funciona a Unidade de Acolhimento. Os materiais necessários para nova manutenção e limpeza estão sendo adquiridos, a partir da abertura do orçamento municipal, que ocorreu recentemente.
Atualmente, 10 adolescentes estão acolhidos no Conviver, os quais, em sua maioria, não se enquadram nas violações que definem a medida de Acolhimento como a mais adequada, como é o caso de adolescentes ameaçados, os quais teriam que ser encaminhados ao Programa de Proteção à Criança e ao Adolescente, vinculado ao Governo do Estado. Outras situações de acolhimento ocorrem por própria conduta dos adolescentes, o que por si só também não se enquadra na medida de proteção excepcional e muitas vezes estão relacionadas até mesmo à prática de atos infracionais.
Todos os agentes do Sistema de Garantia de Direitos destes adolescentes estão sendo comunicados, na medida de suas competências sobre todos os fatos envolvendo os adolescentes, inclusive, sobre o firme entendimento técnico da gestão pública municipal de que estes acolhimentos são indevidos”.
KIrk Dougas, filho pródigo da Era de Ouro de Hollywood
Morreu ontem (05), aos 103 anos, o dono de um dos rostos mais icônicos do século 20: Kirk Douglas. Estrela da Era de Ouro de Hollywood, entre os anos 1950 e 1960, era poderoso e viril na presença física, em um tempo que isso era natural, não condicionado em academias e anabolizantes. Sua marca era outro detalhe natural: o inconfundível furo no queixo. Filho de imigrantes judeus da Rússia, nasceu nos EUA e foi batizado Issur Danielovitch. Mudou o nome para Kirk Douglas ao se alistar na Marinha do seu país, pela qual lutou na 2ª Guerra Mundial (1939/45) contra o Império do Japão.
Como ator, Kirk concorreu ao Oscar três vezes. Pelo papel do pugilista inescrupuloso em “O Invencível” (1949), de Mark Robson; como o ambicioso produtor de cinema em “Assim Estava Escrito” (1952), de Vincente Minnelli; e como o atormentado pintor holandês Vincent Van Gogh, em “Sede de Viver” (1956), também de Vincente Minnelli, codirigido por George Cukor. Sem nunca ganhar, receberia o Oscar honorário em 1996 pelo conjunto da carreira. Seu filho, o ator Michel Douglas, levaria a estatueta dourada como ator por Wall Strett (1987), de Oliver Stone.
Protagonista do drama de guerra “Glória Feita de Sangue”
Mas os papéis pelos quais Kirk será para sempre lembrado foram em três clássicos. Dois deles dirigidos pelo, talvez, mestre do cinema dos EUA, Stanley Kubrick. O primeiro é um dos maiores filmes de guerra já realizados. “Glória Feita de Sangue” (1957) é baseado em uma história real da 1ª Guerra Mundial (1914/18) no Exército Francês. Que imortalizou a sentença do pensador inglês Samuel Johnson: “O patriotismo é o último refúgio dos canalhas”. O segundo talvez seja o auge de Kirk, ao protagonizar “Spartacus” (1960). Baseia-se em outra história real, a revolução de escravos na Roma Antiga, liderada por quem Karl Marx consideraria o primeiro herói da luta de classes. Cujo intérprete resgatou da lista negra da caça ao comunismo nos EUA o roteirista Dalton Trumbo.
Como o líder escravo Spartacus, seu papel mais marcante
Para alguém que está nessa história de jornalismo há mais de 30 anos, nenhum filme estrelado por Kirk Douglas marcou mais do que “A Montanha dos Sete Abutres” (1951). Foi dirigido por outro mestre do cinema, o austríaco Billy Wilder. Que foi jornalista em seu país natal, quando tentou entrevistar Sigmund Freud, antes de emigrar aos EUA para fugir do avanço da Alemanha Nazista. E se tornar um dos maiores nomes de Hollywood, primeiro como roteirista, depois também como cineasta. Na corrupção da ética jornalística para ganhar leitores, tanto quanto hoje qualquer Zé Mané busca likes nas redes sociais, o diretor/roteirista e seu protagonista estavam mais de meio século à frente do seu tempo. Como convém aos gênios.
“A Montanha dos Sete Abutres”, maior filme já feito sobre jornalismo
Se ainda não assistiu a nenhum desses filmes, você não sabe a inveja que tenho de você. Cada um deles foi descoberta, e referência, para a vida inteira. Como observou após a morte de Kirk Douglas uma outra jornalista, a quem muito prezo: “A gente sabe que uma vida valeu a pena quando sua morte aos 103 anos nos surpreende”.
Anthony Hopkins no personagem que imortalizou em “O Silêncio dos Inocentes” (1991), de Jonathan Demme
Evito palavras de baixo calão ao escrever. Sobretudo no mundo virtual, que não precisa delas para manter sua polarização acéfala. Mas às vezes elas são necessárias, como lecionou Euclides da Cunha, na “precisão integral do termo”.
Hannibal Lecter do lulopetismo, José de Abreu disse ontem (04) da colega Regina Duarte: “Vagina não transforma mulher em ser humano”. Se está certo, significa dizer que sororidade é a casa do caralho! Desde que este, lógico, entorte à esquerda.
E com a anuência escrota de todas as feministas identitárias que se calaram.
A entrevista (leia e assista aqui) de Rafael Diniz (Cidadania) à Folha FM 98,3 na manhã de ontem (04), gerou muita participação. Antes, durante e depois do Folha no Ar 1ª edição. Tanto em elogios à franqueza do prefeito, que deu números à crise financeira do município e reafirmou sua pré-candidatura à reeleição em outubro, quanto em cobranças e críticas a algumas das suas posições. Através do grupo de WhatsApp do programa, pautas como o atraso do pagamento dos RPAs foram aproveitadas. Com interação intensa dos ouvintes e telespectadores em comentários pelo streaming do programa na página da rádio mais ouvida de Campos no Facebook.
Hospitais (I)
Depois de encerrado a entrevista, ela continuou gerando repercussão no WhatsApp. Sobretudo na questão dos hospitais contratualizados. Presidente do sindicato que os reúne, Frederico Paes foi citado no programa. Primeiro de maneira velada pelo prefeito, que questionou a cobrança de diálogo com o setor. Lembrado pela bancada do programa que quem cobrou foi Frederico, nesta mesma coluna (aqui), em 22 de janeiro, Rafael respondeu dizendo que “dialogar não significa sempre dizer sim”. Depois, pelas redes sociais, o líder dos hospitais contratualizados citou pontos de divergência com o chefe do Executivo goitacá
Hospitais (II)
Sobre a questão do diálogo, Frederico confirmou o contato informal que teve com Rafael, citado por este na entrevista. Mas disse que “os hospitais só foram recebidos em outubro, depois de muita insistência, pelo prefeito. De lá para cá não tivemos mais nenhuma reunião formal para tratar do pagamento atrasado dos hospitais. O para frente, a gente está disposto a repactuar. Mas continuamos a atender à população e sem receber. O que está para trás, qual é o cronograma de pagamento? A questão do para frente, como ele mesmo propôs, deve ser resolvido a quatro mãos. Mas a gente não é chamado para conversar”.
Hospitais (III)
Quem também questionou as declarações do prefeito foi o médico Geraldo Venâncio. Diretor do Hospital Escola Álvaro Alvim e ex-integrante do governo municipal Rosinha Garotinho (hoje, Patri), ele ressalvou que as verbas federais do SUS, que passam pela Prefeitura aos hospitais contratualizados “são um mero repasse, que nada tem a ver com o tesouro municipal”. Outro médico, Cléber Glória, diretor da Santa Casa de Misericórdia de Campos, disse que “quando fala que em 2019 realizou mais repasses dedo que no ano de 2018, o prefeito simplesmente soma valores de recursos federais e estaduais a essa conta”.
Tréplica
Assessora de comunicação da Prefeitura, a jornalista Suzy Monteiro explicou no Whats App as declarações de Rafael à rádio: “Em momento algum o prefeito fala que fez mais repasses municipais em 2019 do que em 2018. Ele afirma que, mesmo com o atraso, houve mais repasses no ano passado do que no ano anterior. Longe de política, isso é de fácil comprovação. Santa Casa: R$ 33.608.385,20 em 2018 e R$ 42.952.232,35, em 2019. Plantadores: R$ 38.572.636,79 em 2018 e R$ 38.755.685,61, em 2019. Álvaro Alvim: R$ 23.173.724,41 em 2018 e R$ 29.837.657,33, em 2019. Beneficência Portuguesa: R$ 23.820.074,22 em 2018 e R$ R$ 34.331.202,19, em 2019”.
Análise
Quem também se manifestou no grupo de WhatsApp do Folha no Ar foi o delegado Pedro Emílio Braga, titular da 146ª DP. Sem ligação com nenhum grupo político, ele analisou a participação do prefeito na Folha FM: “Excelente a entrevista de Rafael Diniz. Pessoalmente, enquanto gestor tanto na esfera pública, quanto privada, é gratificante ver um chefe do Executivo falar em números, custos, despesas, receitas e, principalmente, da decorrente austeridade que se impõe ao município pelo atual estado das coisas. Tudo sem politicagem barata e ataques eleitoreiros, mas com técnica e transparência. O único projeto é este”.
Advertência
Pedro Emílio foi além na análise da entrevista de Rafael, conjecturando sobre o futuro que as urnas de outubro determinarão a Campos: “Uma eventual sucessão que nos conduza pelos caminhos da antiga política, que pensa no hoje, ignorando as consequências no amanhã, certamente redundará na derrocada total da cidade. Rafael chega ao final da sua administração se preservando, em muitos aspectos, como o ‘novo’ que se propôs ser. E paga por isso, como ele bem sabe. Mas segue firme fazendo o que pode ser feito, no interesse da cidade e da população. Acreditar em milagres é para os ingênuos ou os mal-intencionados”.
Em vídeo viralizado nas redes sociais, o caminhoneiro Leonardo Siqueira Rodrigues, de 36 anos, foi flagrado (relembre aqui) no início da tarde de sol do último domingo (02), quando conduzia a esposa e o filho pequeno em um quadriciclo à beira-mar, na praia de Grussaí lotada de veranistas. Ao ser advertido por Aucilene Mendonça Nunes Teixeira de que era proibido trafegar ali, Leonardo parou o veículo, engatou a ré, acelerou, atropelou a banhista e fugiu do local. O caso causou grande revolta em SJB, Campos e região. Segundo o atropelador declarou na tarde de hoje (04), na 145ª DP de São João da Barra, ele não teve intenção de atropelar, ferir ou matar a vítima. Ela fez ontem (03) o exame de corpo de delito no IML, cujo resultado deve sair ainda esta semana. Assim que isso acontecer, o delegado Rodolfo Maravilha, titular de SJB, pretende encaminhar o caso ao Juizado Especial Criminal do município, como lesão corporal dolosa (com intenção de ferir).
Intimado ontem (03), como revelado aqui, Leonardo Siqueira prestou depoimento hoje sobre o caso. Ele disse não ter feito uso de bebida alcoólica no Polo Gastronômico de Grussaí, onde chegou por volta das 10h. Do qual saiu às 13h, levando a mulher e o filho no quadriciclo emprestado de um primo. Resolveu cortar caminho pela areia porque sua sogra teria ligado dizendo estar com dor nas costas e pediu ajuda à filha com o almoço. Na altura da barra da lagoa de Grussaí, ele teria ouvido alguém gritar “Ei!”. Quando teria parado e dado ré, para saber do que se tratava, chegou a uma mulher caída ao lado direito do veículo, a quem perguntou se ela o conhecia. Como a mulher nada teria dito, ele seguiu seu caminho até ouvir populares gritando “pega, pega”. E, com medo, resolveu acelerar.
Mesmo sem acesso ao depoimento, que o delegado titular de SJB não divulgou à imprensa, o blog chegou ao resumo da versão de Leonardo Siqueira Rodrigues. Sua história é bem diferente do que interpretou quem assistiu ao vídeo do atropelamento. Inclusive, ainda no domingo, tanto o delegado Rodolfo, quanto o plantonista do final de semana, Pedro Emílio Braga, titular da 146ª DP de Guarus, que disseram não ter dúvida do dolo do condutor do quadriciclo em atropelar a banhista. No mesmo dia, ela prestou depoimento na 145ª DP, junto ao seu marido, Mauro César de Almeida Teixeira, que testemunhou o caso. Ambos identificaram o atropelador. E a vítima repetiu o que disse a Leonardo Rodrigues, antes de ser atropelada por ele: “É proibido trafegar aqui”.
Confira abaixo as fotos de Leonardo Siqueira Rodrigues chegando nesta tarde na 145ª DP, acompanhado do seu advogado, para prestar depoimento:
A quem não faz jornalismo aos domingos, o atropleador Luiz Siqueira Rodrigues alegou só na segunda não ter percebido que “tinha encostado na banhista”. Ele não está sozinho no pior que a história revelou
Atropelos (I)
O que houve a partir do atropelamento doloso de uma banhista nas areias de Grussaí, na tarde quente do domingo (02), após advertir ao condutor do quadriciclo que era proibido trafegar ali, revelou o pior da nossa sociedade. E sua encarnação não se resume a quem, mesmo conduzindo uma mulher e uma criança, parou o quadriciclo, engatou a ré e acelerou para atropelar a banhista que o advertira. Com o vídeo do fato viralizado nas redes sociais, a apuração do caso ganhou profundidade jornalística no blog Opiniões, do Folha1, com as manifestações em tempo real (aqui) de todas as forças de Segurança Pública envolvidas no caso.
Atropelos (II)
Mesmo de posse da identificação do condutor do quadriciclo desde às 18h40 da tarde de domingo, o nome de Leonardo Siqueira Rodrigues foi inicialmente mantido em sigilo, por prudência. E só foi divulgado pelo Opiniões no final da noite do domingo. O motivo? No tribunal de Inquisição das redes sociais, com fogueiras virtuais sempre acesas e prontas para transformar a reputação alheia em cinzas reais, estavam sendo divulgadas fake news com a imagem de um homônimo do atropelador, que nada tinha a ver com o caso. E quem fez isso, sem checar a informação, não pode se achar diferente de quem de fato guiava o quadriciclo.
Atropelos (III)
Mesmo depois do condutor do quadriciclo ser corretamente identificado, com nome e foto, as fogueiras das redes sociais continuaram ardendo. Para queimar as “bruxas” de lado a lado na bipolaridade política de uma sociedade doente. Na direita autoritária do “mata, esfola e arrebenta”, houve quem pregasse publicamente o linchamento do suspeito, atitude não menos cruel ou covarde do que o vídeo evidenciou no atropelamento. Já na esquerda popularmente chamada de “festiva”, causa séria da reação social no bolsonarismo, o avanço deste no país passou a ser considerado cúmplice do atropelador de Grussaí.
Atropelos (IV)
O suspeito foi intimado ontem (confira aqui) e ficou de ir hoje à 145ª DP de SJB, dar a sua versão. Que deve ser ouvida, como em qualquer estado democrático de direito. Por mais que, divulgada ontem por quem chegou atrasado na notícia, pareça ridícula: deu a ré no quadriciclo porque ouviu “alguém chamar”, não percebeu que “tinha encostado na banhista” e “estava com pressa porque minha sogra tinha passado mal”. A quem não deixa de fazer jornalismo aos domingos, os delegados Rodolfo Maravilha, na 145ª DP, e Pedro Emílio Braga, plantonista do final de semana, já tinham dito um dia antes não ter dúvida do dolo (intenção) no atropelamento.
Reveja o vídeo e tire a dúvida que os delegados não tiveram:
Atropelos (V)
Se, a partir do vídeo, o dolo pareceu evidente aos olhos treinados de dois delegados da Polícia Civil, no domingo o titular de SJB mostrou dúvida. A tipificação seria lesão corporal ou tentativa de homicídio? Ontem ele se mostrou inclinado pela primeira, de pena mais branda, em caso de condenação na Justiça. O que também gerou reação negativa nas redes sociais. Da direita punitivista à esquerda garantista. Nesta, houve quem levantasse a bandeira identitária: “Li nas entrelinhas uma possível amizade entre os machos intolerantes e misóginos desse embate”. Como diria Lula, patriarca desse matriarcado: “menas”! Que o delegado trabalhe em paz.
Leonardo Siqueira Rodrigues, identificado pela vítima do atropleamento em Grussaí como condutor do quadriciclo (Foto: Facebook)
Identificado como autor do atropelamento doloso de uma banhista nas areias da praia de Grussaí (reveja o caso aqui), no início da tarde de domingo (02), Leonardo Siqueira Rodrigues, de 36 anos, foi intimado hoje em Campos, na presença do seu advogado, para prestar esclarecimentos sobre o caso na 145ª DP de São João da Barra. Ficou acordado que ele o fará amanhã (04). Ontem, ao ser contactado por telefone pela Polícia Civil, ele disse que o faria hoje (03). Mas, segundo o suspeito, teria atrasado porque seu advogado estava fora da cidade. Em depoimento ainda ontem à mesma 145ª DP, ele foi apontado como condutor do quadriciclo, no qual levava ainda uma mulher e uma criança, que parou, deu ré e acelerou para atropelar a banhista Maria Aucilene Mendonça Nunes Teixeira, depois desta tê-lo corretamente advertido: “É proibido trafegar aqui”. A vítima e seu marido, Mauro César de Almeida Teixeira, testemunha do fato, identificaram Leonardo.
Ainda ontem policiais foram à casa de veraneio do suspeito em Grussaí, que estava fechada. Sem comparecer durante a manhã de hoje à 145ª DP, a Polícia Civil fez um novo contato por telefone para acertar a entrega da intimação a Leonardo Siqueira Rodrigues em Campos, onde reside, o que foi feito nesta tarde, já com a presença do seu advogado. O suspeito não é obrigado a falar, nem a comparecer à DP, segundo esclareceu hoje Rodolfo Maraviha, delegado titular de SJB . Ele e o delegado de plantão ontem na Polícia Civil da região, Pedro Emílio Braga, da 146ª DP de Guarus, já tinham afirmado não haver dúvida do dolo (intenção) no atropelamento. Mas Rodolfo adiantou hoje que sua tendência é tipificar o caso como lesão corporal, não tentativa de homicídio. No ar até a noite de ontem, o perfil de Leonardo no Facebook foi apagado.
Cópia do boletim de ocorrência na 145ª DP, na qual a vítima e seu marido identificaram como atropelador Leonardo Siqueira Rodrigues, cujo endereço e nome da esposa foram preservados (Reprodução)
Filmado e veiculado nas redes sociais, o caso gerou grande repercussão e revolta na região. O primeiro a apurar jornalisticamente o fato foi este “Opiniões”, para o Folha1. Inicialmente, o nome dos envolvidos foi preservado. Mas o suspeito teve que ser identificado depois que a imagem de um homônimo de Leonardo Rodrigues passou a ser veiculada em fake news nas redes sociais, como se fosse o condutor do quadriciclo. O nome da esposa do suspeito de fato, também revelado pela vítima e seu marido na 145ª DP, que estaria acompanhando Leonardo no quadriciclo, foi mantido em sigilo. Assim como seu endereço.
Atualizado às 16h47 com novas informações
Atualizado às 17h25 com a entrega da intimação
Confira o vídeo da barbaridade nas areias de Grussaí na tarde de domingo:
Prefeito de Campos, Rafael Diniz (Cidadania) será o convidado, a partir das 7h da manhã desta terça (04), do Folha no Ar 1ª edição, na Folha FM 98,3. A entrevista chegou a ser marcada, confirmada e anunciada (aqui) para a quarta passada (29), mas teve que ser cancelada por conta do rompimento do dique pelo rio Muriaé, na localidade de Três Vendas. Preso pela emergência, a participação do prefeito naquele dia se limitou (aqui) a uma participação ao vivo por telefone, para falar apenas do problema da cheia com as águas da chuva.
Nesta terça, a pauta será mais ampla. Rafael falará da crise financeira do município, da polêmica recente por conta do Restaurante Popular Romilton Bárbara (relembre aqui, aqui e aqui) e das relações entre o prefeito e a Câmara de Campos, esgarçadas na votação do Orçamento de 2020. O entrevistado também falará sobre suas perspectivas de reeleição em outubro deste ano, cuja pré-candidatura anunciou aqui, em dezembro de 2018.
Quem quiser participar do programa ao vivo pode fazê-lo com comentários em tempo real no streaming do programa, cujo link será disponibilizado alguns minutos antes do seu início, na página da Folha FM 98,3 no Facebook.
Por volta das 13h30 de hoje (02), um homem guiava um quadriciclo à beira-mar no balneário sanjoanense de Grussaí, lotado pelo calor do domingo. E ouviu da banhista Maria Aucilene Mendonça Nunes Teixeira a advertência: “É proibido trafegar aqui”. Mesmo levando outra mulher e uma criança no quadriciclo, seu condutor parou, deu ré e acelerou para atropelar de maneira dolosa e covarde a banhista que havia se queixado com razão, já que o trânsito de veículos automotores é proibido na faixa de areia da praia. No início da noite o delegado Rodolfo Maravilha, titular da 145ª DP de São João da Barra, informou que o suspeito tinha sido identificado, mas não revelou seu nome. A que o blog chegou ao ter acesso a uma cópia do depoimento prestado pela vítima e seu marido, Mauro César de Almeida Teixeira, testemunha do fato. Ambos disseram que o condutor do quadriciclo era Leonardo Siqueira Rodrigues, de 36 anos.
Leonardo Siqueira Rodrigues, apontado pela vítima e seu marido na 145ª DP como autor do atropelamento em Grussaí (Foto: Facebook)
Por questão de prudência, o “Opiniões” inicialmente não divulgou o nome, nem a foto do suspeito. Mas isso se fez necessário depois que fake news nas redes sociais passaram a creditar a ação criminosa a um homônimo, divulgando irresponsavelmente a foto da pessoa errada. Suspeito de fato, Leonardo Siqueira Rodrigues é residente em Campos, foi contactado pela Polícia Civil e se comprometeu a prestar depoimento na 145ª DP, acompanhado de advogado. A vítima foi encaminhada ao IML para fazer exame de corpo de delito.
Toda a ação do atropelamento foi filmada com câmera de celular. No vídeo, o condutor se mostrou aparentemente incapaz da conviver em sociedade, além de péssimo exemplo para a mulher e criança, que se especula serem sua esposa e filho, levados por ele no quadriciclo. Ainda sem ouvir o suposto autor do crime, a partir “apenas da análise superficial do vídeo”, o delegado Rodolfo disse não ter dúvida do dolo (intenção) do atropelamento. A incerteza é se a ação será tipificada como lesão corporal ou tentativa de homicídio.
A análise é semelhante à do também delegado Pedro Emílio Braga, titular da 146ª DP, de Guarus, e plantonista da Polícia Civil na região neste final de semana: “As imagens do crime, que já circulam nas redes, tornam irrefutável a tese de que o autor possuía a clara intenção de lesionar a vítima. No decorrer da semana serão colhidas novas provas acerca de detalhes da dinâmica, bem como cabalmente apurada a identidade do autor. A Polícia já identificou um suspeito e a tendência é que o caso seja rapidamente solucionado”.
Dinâmica do fato — Confira abaixo o depoimento da vítima e seu marido na 145ª DP, no qual ambos apontaram Leonardo Siqueira Rodrigues como o atropelador, dando seu endereço e nome da esposa, que foram preservados:
Cópia do boletim de ocorrência na 145ª DP, no qual a vítima e seu marido identificaram como atropelador Leonardo Siqueira Rodrigues, cujo endereço e nome da esposa foram preservados (Reprodução)
PM buscou o autor — Comandante do 8º BPM, o tenente-coronel Luiz Henrique Barbosa esclareceu que a Guarda Civil Municipal de São João da Barra, a qual já foi gerada demanda, é a responsável pela Segurança Pública na faixa da areia, cabendo o policiamente no asfalto à PM. Mas o tenente-coronel Henrique se posicionou sobre o crime covarde praticado à beira-mar pelo condutor do quadriciclo: “Ainda não conseguimos identificar o autor, pois apesar de termos intensificado o patrulhamento, o vídeo chegou tardiamente. Mas estamos à procura do autor”.
Advertência de especialista em Segurança — O blog também buscou a opinião do policial federal Roberto Uchôa, dada sua especialização em Segurança Pública na UFF. Que disse: “O condutor do veículo cometeu um crime ao atropelar de forma proposital a banhista e fugir sem prestar socorro. Ele deve ser identificado o mais rápido possível para que responda criminalmente por sua conduta. Porém isso não exime os órgãos de fiscalização do município de São João da Barra. Veículos não podem circular livremente pela areia sem receio de serem punidos. Essa impunidade acaba por criar situações como essa, onde os condutores se acham os verdadeiros donos da areia, sem respeitar os banhistas. Com as praias lotadas de banhistas e ausência de fiscalização, em algum momento algo ainda mais grave pode acontecer”.
Segurança de SJB também buscou autor — “Equipes da Secretaria Municipal de Segurança Pública de São João da Barra e da Polícia Militar estão tentando localizar o autor do atropelamento. As diligências buscam as possíveis rotas de fuga. Quem tiver alguma informação que possa ajudar a localizar o veículo e/ou o autor do atropelamento deve entrar em contato nos seguintes números: 99741-7878 (Ouvidoria da Secretaria Municipal de Segurança Pública), 2741-1373 (145 Delegacia de Polícia) e 2723-1177 (Disque-denúncia da Polícia Militar). O tráfego de veículos na areia da praia é proibido. Há sinalização na orla e diariamente a fiscalização é feita por dois quadriciclos do Grupamento Ambiental da Guarda Civil Municipal, das 9h às 18h. A Guarda também é acionada pelos 60 guarda-vidas em todo o litoral na alta temporada, sempre que um veículo é flagrado na areia. O Resgate da Secretaria Municipal de Saúde não foi acionado para o socorro à vítima”.
Confira abaixo o flagrante da barbaridade em vídeo:
Hans Mulaert, psicólogo, diretor municipal de Turismo e coordenador regional do PV
E depois da festa…
Por Hans Muylaert
Campista que se preze gosta de festa, receber os amigos para uma boa conversa e se possível que dure pelo menos oito horas de muita alegria e fartura. Não pode faltar nada, que venham todos os amigos e os amigos dos amigos; são todos convidados.
Campos, já foi conhecida pelas festas muito comemoradas com bolos de fubá, “isso sim era festa, todos os amigos partilhavam e saboreavam até os farelos”, e eram tantas e tantas que nem se preocupavam com desperdícios. Festas embaladas por músicos astronômicos que faziam todos pedirem bis.
Saber quem seria o próximo festeiro sempre foi uma questão importantíssima a ser respondida, até porque iria definir as atrações. E não poderia ser uma festinha de quatro horas, tinha que durar oito horas. Nem que para isso o festeiro do momento já comprometesse as horas de festa dos próximos eventos. Nessa época já aprimoraram as guloseimas, até o tradicional bolo de fubá foi substituído. Entrou em cena o bolo amélia.
E o que há de ruim na festa? Consegui achar uma resposta, o depois da festa!
O pior momento da festa são as horas que gastamos para arrumar toda bagunça que fica de horas e horas de eventos que não se preocuparam com a sustentabilidade, derramava cerveja, deixava a carne esfriar e virava lixo. Ninguém queria fazer vaquinha para continuar a festa, nem ao menos ajudar a desentupir o vaso sanitário que estragou, as paredes que ficaram sujas, o telhado que por brincadeira da natureza o vento levou. Ninguém quis segurar.
Até que o arrumador, já com pouco mais de três horas de faxina, ainda não acabou o seu serviço – há de se reconhecer que trabalho pesado e desgastante esse cara encarou. Já querem fazer outra festa só porque a garagem já está arrumada. E ele avisa: outra realidade, tem muito trabalho ainda, muitas horas serão gastas para terminar de catar todos esses descartáveis, recuperar o jardim, recuperar a moral da nossa casa para que ela fique de pé.
Os próximos eventos devem ter a participação de todos. A piscina tem que estar com sua água transparente, para que possamos observar a todos com segurança. Os copos têm que ser sustentáveis porque não tem mais como repor. A comida primeiro para as crianças, sem desperdício, e cuidar da segurança dos nossos idosos.
O responsável pela arrumação não tem mais dúvidas que muitas horas de festa exigem muito mais horas de faxina. E que para organizar toda a bagunça teve de aplicar produtos pesados de limpeza, teve de fazer reformas e até destruir falsos pilares para ganhar circulação de ar novo.
A arrumação incomoda a todos pela mudança que ela provoca, experimente arrumar seu armário e esteja disposto a abrir mão de roupas que você sempre gostou, daquele sapato confortável e verá o quanto é difícil; mas necessário para a verdadeira arrumação.
A polêmica do Restaurante Popular de Campos começou com a entrevista do deputado estadual Rodrigo Bacellar (SD) ao Folha no Ar na manhã de ontem (31). Ao microfone da Folha 98,3 FM, ele acusou (aqui) interferência do deputado federal Wladimir Garotinho (PSD) na decisão do governo estadual Wilson Witzel (PSC) de reabrir o Restaurante Popular. Mas sem a parceria proposta (aqui) com o governo municipal Rafael Diniz (Cidadania).
Na sequência, por meio da sua secretaria de Desenvolvimento Humano e Social, o governo Rafael reforçou (aqui) as críticas a Wladimir. Que reagiu com força aqui. No final da noite de ontem, a tréplica igualmente forte chegou ao blog, enviada pelo secretário municipal de Governo, o jornalista Alexandre Bastos. Que acusou o deputado federal e pré-candidato a prefeito em outubro de “cúmplice do governo que destruiu Campos”.
Confira abaixo o novo passo da polêmica sobre o Restaurante Popular:
Prédio do Restaurante Popular desativado em junho de 2017 pelo governo municipal, de propriedade estadual (Foto: Genilson Pessanha – Folha da Manhã)
Secretário municipal de Governo, Alexandre Bastos
“Wladimir está mostrando o que sempre foi: um Garotinho. É cúmplice do governo que destruiu Campos, incompetente e perdulário, e quer falar de competência? Buscamos uma parceria para reabrir o Restaurante e ele fez de tudo para impedir, como um garotinho birrento e egoísta. Ele não está nem aí para quem tem fome, nunca esteve. A fome dele e dos seus pais é pelo poder.
O prédio onde funcionava o Restaurante Popular pertence ao Governo do Estado e foi cedido à Prefeitura de Campos em 2016. Quando terminou seu mandato, a então prefeita Rosinha Garotinho deixou uma grande dívida em aberto com a empresa que preparava as refeições. A exemplo do que fez com o Previcampos, a “venda do futuro” e tantas obras paradas, deixou a conta para o sucessor pagar. Há mais de um ano a Prefeitura tenta assumir, mas o deputado luta para que não ocorra. Como seu pai, ele quer passar por cima de todos e usar programa social para ganho eleitoral.
E, agora, o deputado surge como se nada disso tivesse acontecido. É um misto de dissimulação, oportunismo e imaturidade. Mas vamos dar um desconto. Ele saiu esses dias da Disney e ainda deve estar com dificuldade para separar fantasia e realidade”.