Janaina Paschoal e seu então aliado Jair Bolsonaro, quando era cotada para ser vice da sua chapa presidencial em 2018
Uma das autoras do pedido de impeachment da ex-presidente Dilma Rousseff (PT) em 2016, cotada para ser candidata a vice-presidente na chapa encabeçada por Jair Bolsonaro (hoje, sem partido) em 2018, quando se elegeria deputada estadual de São Paulo com a maior votação conquistada por uma parlamentar na história do país, a deputada Janaina Paschoal (PSL) usou hoje a tribuna da Alesp para pedir hoje o afastamento de Bolsonaro da presidência da República. Colega de Janaina no pedido de impeachment de Dilma, o jurista Miguel Reale Júnior também defendeu que o Ministério Público solicite que o presidente passe por um exame de sanidade mental.
Janaina considerou “crime contra a Saúde Pública” a atitude de Bolsonaro diante do Palácio do Planalto no domingo (15). Ele deveria estar em quarentena, após ter viajado no final de semana anterior aos EUA, voltando com quatro integrantes da sua comitiva infectados pelo coronavírus. Ainda assim, saiu no domingo para ter contato físico com simpatizantes do seu governo, cujos protestos havia pedido na quinta (12) para não acontecerem, na tentativa de não aumentar a disseminação da Covid-19 no país.
O presidente contrariou a determinação do seu próprio ministro da Saúde, Luiz Henrique Mandetta, cuja atuação diante da pandemia mundial do coronavírus tem sido elogiada por especialistas de Saúde Pública. Sobre a atitude de Bolsonaro, Janaína disse:
— Esse senhor tem que sair da presidência da República(…) Como um homem um que está possivelmente infectado vai para o meio da multidão. Como um homem que faz uma live na quinta e diz para não ter protestos, vai participar desses mesmos protestos e manda os deputados que são pau-mandados dele chamar o povo para a rua. Eu me arrependi do meu voto. Que país é esse? Como é que esse homem vai lá, potencialmente contaminando as pessoas, pegando nas mãos, beijando. Ele tá brincando? Ele acha que ele pode tudo? As autoridades têm que se unir e pedir para se afastar. Nós não temos tempo para um processo de impeachment.
Pelos mesmos motivos, Miguel Reale Júnior quer que Bolsonaro passe por exames de sanidade mental:
— Seria o caso de submetê-lo a uma junta médica para saber onde o está o juízo dele. O Ministério Publico pode requerer um exame de sanidade mental para o exercício da profissão. Bolsonaro também está sujeito a medidas administrativas e eventualmente criminais. Assumir o risco de expor pessoas a contágio é crime — disse hoje o jurista sobre a atitude do presidente ontem.
Também hoje, o PDT entrou na Justiça do Distrito Federal com pedido de medida cautelar de urgência para que o Bolsonaro seja obrigado a entrar em quarentena e fique proibido de manter contato, incitar ou organizar manifestações populares até a volta da normalidade das questões de Saúde Pública. A ação civil pública acusa o presidente de colocar a saúde dos cidadãos em risco ao desrespeitar recomendação do ministério da Saúde e da Organização Mundial da Saúde (OMS) para combate contra o novo coronavírus.
Confira abaixo o vídeo do pronunciamento da deputada Janaina Paschoal, veiculado pelo site conservador O Antagonista, considerado simpático ao governo Jair Bolsonaro:
A partir das 7h da manhã desta terça (17), o convidado do Folha no Ar 1ª edição, da Folha FM 98,3, será o sociólogo Fabrício Maciel, professor da UFF-Campos. Ele falará sobre a pandemia mundial do coronavírus, com seus reflexos na Saúde Pública e na economia, além dos governos Jair Bolsonaro (sem partido) e estadual Wilson Witzel (PSC), bem como dos rumos à esquerda no país. Também analisará o governo Rafael Diniz (Cidadania) e as perspectivas para as eleições municipais de outubro.
Quem quiser participar ao vivo do Folha no Ar desta terça pode fazê-lo com comentários em tempo real, no streaming do programa. Seu link será disponibilizado alguns minutos antes do início, na página da Folha FM 98,3 no Facebook.
Em Campos, tios do WhtasApp fazem defesa inconstitucional do governo Bolsonaro, pedindo intervenção militar, fechamento do Congresso e do STF (Foto: Genilson Pessanha – Folha da Manhã)
Contrariando as recomendações do ministério da Saúde, uma das coisas boas do governo Jair Bolsonaro (sem partido), por conta da pandemia do coronavírus, manifestantes a favor do presidente, contra o Congresso Nacional e o Supremo Tribunal Federal (STF), saíram hoje às ruas do país. Inclusive em Campos, onde cerca de 200 pessoas se reuniram na Igreja do Saco, saindo em carreata pela cidade.
Ironicamente, grande parte dos manifestantes pró-Bolsonaro foi de pessoas idosas, popularmente conhecidos como tios e tias do WhatsApp, que compõem o maior grupo de risco de morte da Covid-19. Alguns deles, como mostra a foto do protesto em Campos, não tiveram pudor em dar caráter inconstitucional ao protesto, pedindo intervenção militar e fechamento do Congresso e do STF.
Vivêssemos em uma ditadura militar, como a que se encerrou no Brasil em 1985, legando a hiperinflação aos governos civis, seria mais fácil lidar com essa gente. Que evidencia como o bolsonarismo tem sua face de doença no corpo da democracia. E que esta é a única resposta ao que a filósofa judia alemã Hanna Arendt chamou de “banalização do mal”, ao analisar como o homem comum da Alemanha dos anos 1930 foi capaz de se converter em fanático nazista.
Vereaador Marielle Franco (Psol), executada a tiros junto com seu motorista, Anderson Gomes, em 14 de março de 2018, pela milícia carioca
Domingo é dia dado à leitura de textos que proporcionem reflexão. Pelo menos àqueles que ainda conseguem refletir em meio à bipolaridade brasileira, cujos extremos confundem política com religião. Contra essa esquizofrenia social, que nem tratamento à base de lítio parece dar conta, o melhor remédio é insistir no pensamento livre de dogmas. Neste sentido, o blog recomenda a leitura de dois textos sobre os dois anos da execução a tiros da ex-vereadora carioca Marielle Franco (Psol) pela milícia carioca, publicados ontem e hoje em blogs hospedados no Folha1.
O primeiro, postado ontem (14), é do Marco Alexandre Gonçalves, estudante de Direito da UFF-Niterói. E liberal que quebra o paradigma da existência dessa corrente de pensamento dentro da universidade pública brasileira. O segundo, publicado hoje (15), é do servidor do Banco do Brasil Edmundo Siqueira. Cujo perfil de centro-esquerda também quebra a suposta hegemonia da esquerda mais radical dentro do serviço público federal.
A Marco Alexandre e Edmundo este “Opiniões” pede licença para recomendar a leitura das suas opiniões, frutos daquilo que o historiador francês Fernand Braudel chamou de “humanidade de base”. Que você, leitor, pode fazer clicando nos prints abaixo:
Delegadp federal Paulo Cassiano (Foto: Folh da Manhã)
PF Paulo Cassiano a prefeito?
Após o juiz aposentado Pedro Henrique Alves, que em entrevista publicada (aqui) na página 3 desta edição confirmou estar pensando em uma pré-candidatura a prefeito de Campos pelo SD, outro nome dos órgãos de atuação judicial também está sendo cogitado para disputar a eleição majoritária do município: o delegado federal Paulo Cassiano. A possibilidade andou circulando nas redes sociais da planície goitacá na última semana. Ouvido pela coluna, Cassiano não confirmou, nem negou. Na dúvida, uma certeza: se encampar e levar adiante a ideia, ele terá que se licenciar da Polícia Federal (PF).
Diferenças para Pedro Henrique
Além de obrigatório, o pedido de licença de Cassiano em uma eventual candidatura seria eticamente necessário. Ele já foi designado para chefiar as investigações das eleições de outubro nos 18 municípios pelos quais a delegacia da PF de Campos é responsável. Embora tenha atuado na política estudantil, quando cursou Direito da Uerj, ele não é filiado a nenhum partido. E, por enquanto, não tem o aval de nenhuma liderança política de peso, como é o caso de Pedro Henrique, convidado a disputar a Prefeitura de Campos pelo deputado estadual Rodrigo Bacellar (SD) e pelo presidente da Alerj, deputado André Ceciliano (PT).
Federais Laterça e Uchoa
A região teve um exemplo recente de policial federal exitoso na disputa de eleições. Em 2018, o delegado da PF de Macaé Felício Laterça (PSL) foi eleito deputado federal na onda do bolsonarismo que varreu as eleições daquele ano, no Estado do Rio e no país. Sem ligação formal com Jair Bolsonaro (sem partido), que deixou o PSL por conta da disputa pelas milionárias verbas do fundo partidário com a cúpula da legenda, Cassiano é evangélico, nicho da população que é uma das bases de apoio do presidente. De perfil diferente, mas também agente da PF local, Roberto Uchoa é pré-candidato a vereador em Campos.
Ainda mais acostumado à lida de juiz da Infância e Adolescência, da qual se aposentou recentemente, do que a de político, o campista Pedro Henrique Alves deixou claro nesta entrevista feita por e-mail que está pensando seriamente na possibilidade de ser pré-candidato a prefeito de Campos. Ele recebeu o convite do deputado estadual Rodrigo Bacellar (SD) em almoço na última segunda (09), reforçado no mesmo dia pelo presidente da Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro (Alerj), deputado André Ceciliano (PT). Pedro Henrique deixou claro seu alinhamento com outro ex-juiz, o governador Wilson Witzel (PSC). E se esquivou de responder sobre a atuação de Sérgio Moro enquanto magistrado no caso do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), antes de aceitar ser ministro da Justiça e Segurança do presidente Jair Bolsonaro (sem partido). Econômico na maioria das respostas, ele só se alongou ao falar sobre sua experiência na defesa dos direitos das crianças, adolescentes e gestantes.
Pedro Henrqiue Alves (Foto: Folha da Manhã)
Folha da Manhã – Como reagiu ao convite feito (aqui) na última segunda (09) pelo deputado estadual Rodrigo Bacellar, endossado no mesmo dia pelo presidente da Alerj, André Ceciliano, para se candidatar a prefeito de Campos pelo SD?
Pedro Henrique Alves – Senti-me lisonjeado e surpreso porque nunca tinha imaginado, nem sequer cogitado, me candidatar a prefeito da cidade onde nasci.
Folha – Política não é magistratura. Como acordos políticos não envolvem, necessariamente, nada ilegal ou imoral. Caso aceitasse o convite e se elegesse prefeito, o que Rodrigo e Ceciliano poderiam esperar do apoio deles a você?
Pedro Henrique – De fato, política não pode envolver nada de ilegal ou imoral. O político tem a obrigação de servir à sua comunidade. Se eleito fosse, tenho certeza que o Rodrigo Bacellar e o André Ceciliano poderiam esperar exatamente isso: um trabalho em prol da nossa comunidade. E, tenho certeza, eles adeririam de forma plena, porque todos nós queremos a mesma coisa: o bem da nossa sociedade.
Folha – Você disse (aqui) na terça (10) que ficou “surpreso” e “lisonjeado” com o convite. Mas que precisava conversar com sua família antes de decidir. Já conversou? Quando tomará sua decisão?
Pedro Henrique – Como já respondi à primeira pergunta, fiquei surpreso e lisonjeado pelo convite. Tenho conversado muito com a minha família. A decisão é muito difícil, porque envolve muitas questões. Inclusive porque envolve a mudança de todos nós, eu, minha esposa e meu filho para Campos dos Goytacazes. Porque quem exercer o cargo de prefeito precisa estar full time, todo o tempo, envolvido nas questões do município, que não são poucas. É, portanto, uma decisão difícil, que ainda não foi tomada.
Folha – Até pouco tempo, Rodrigo era considerado o principal articulador do pré-candidato a prefeito Caio Vianna (PDT). A ruptura se deu por conta da disputa por nomes para as nominatas a vereador entre SD e PDT. O convite a você foi consequência disso?
Pedro Henrique – Não tenho conhecimento. E, portanto, não há como expressar qualquer opinião.
Folha – No mesmo dia em que Rodrigo o convidou, a assessoria de Caio divulgou fake news afirmando que você não era candidato, antes mesmo da sua decisão. Sua eventual entrada no jogo bagunçaria o tabuleiro eleitoral de Campos?
Pedro Henrique – É difícil prever fatos futuros e incertos. Mas, por certo, se nós entrarmos na disputa do pleito político, será mais um dado a ser levado em consideração pelo eleitor campista para a sua escolha em outubro.
Folha – Além do SD, Rodrigo está montando uma aliança eleitoral para outubro, que poderia abarcar também o DEM, o PTC, o PV e o MDB. Você também já disse “não sou dado a aventuras”. Se esse apoio partidário se confirmar, não deixaria de ser aventura?
Pedro Henrique – Todos os dados, inclusive possibilidades de aliança partidária, estão sendo levados em consideração para que cheguemos a uma conclusão no que tange à pré-candidatura, ou não, ao governo municipal de Campos dos Goytacazes.
Folha – O juiz federal Marcelo Bretas tem sido cogitado para concorrer a prefeito do Rio. Assim como o ex-juiz federal e hoje ministro da Justiça Sérgio Moro, à eleição presidencial de 2022. Isso sem contar outro ex-juiz federal, o governador Wilson Witzel (PSC). Isso o beneficia?
Pedro Henrique – Não posso afirmar se uma candidatura com o meu nome se beneficiaria, ou não. O que posso afirmar é que tenho estado muito satisfeito com o governo empreendido pelo nosso governador Wilson Witzel. Quem tem se mostrado um excelente governador no nosso Estado do Rio de Janeiro.
Folha – Desde que Montesquieu publicou seu “Do Espírito das Leis”, em 1748, a separação entre os poderes Executivo, Legislativo e Judiciário é a regra do estado de direito. Até que ponto esse protagonismo do Judiciário no Brasil não desequilibra a democracia?
Pedro Henrique – Não creio que haja um protagonismo do Judiciário. Até porque, quem está no Judiciário, é impedido de participar de qualquer pleito eleitoral. O que há de verdade são pessoas, nomes, que eventualmente permearam o quadro do Judiciário e que hoje se habilitam na política. E que, eventualmente, tem na pessoa, no indivíduo, capacidade, know how e credibilidade para concorrer.
Folha – Embora populares, Bretas e Moro também sofrem críticas. O segundo, sobretudo após os diálogos revelados na Vaza Jato, que indicam a ruptura da sua condição de imparcialidade como juiz. E por ter aceito ser ministro do presidente Jair Bolsonaro (sem partido), após ter condenado o ex-presidente Lula (PT), impedindo-o de concorrer em 2018. Como você vê?
Pedro Henrique – Prefiro não responder. Não estou no caso, não conheço nada em detalhe para opinar.
Folha – Mesmo residindo no Rio nos últimos anos, qual a sua avaliação do governo Rafael Diniz (Cidadania)? E o do seu ex-colega Witzel?
Pedro Henrique – Tenho pouco conhecimento do governo do prefeito Rafael Diniz, pessoa por quem tenho imenso carinho. Mas não posso opinar sobre o seu governo porque estive distante da nossa cidade. Quanto ao governo do nosso governador Witzel, por ter uma aproximação e conhecimento maior, mormente porque, morando no Rio de Janeiro, posso afirmar que ele revolucionou a política no nosso Estado. Em especial no que se refere à Segurança Pública, cuja mudança é visível para qualquer pessoa que resida ou que transita no nosso Estado do Rio de Janeiro.
Folha – Em que a experiência de anos em Varas da Infância e Juventude, em Campos e no Rio de Janeiro, poderia auxiliar à frente de um cargo de chefia no Executivo?
Pedro Henrique – Os anos em que passei na magistratura e também como empresário, tenho certeza, me trouxeram condições e o discernimento necessário, que me auxiliarão à frente de um cargo de tanta importância quanto é a chefia do Executivo do município onde nasci.
Folha – Atuando no Rio, você ganhou notoriedade nacional quando interditou os alojamentos do Ninho do Urubu, centro de treinamento do Flamengo, depois que um incêndio chocou o país ao matar 10 jovens atletas e ferir outros três, em 8 de fevereiro de 2019. Como magistrado, homem e pai de um menino de 8 anos, como o caso o marcou?
Pedro Henrique – Enquanto juiz da Infância e diante de todos os casos difíceis que sempre me foram apresentados, seja de uma criança abusada, seja de uma criança que estava em necessidade ou precisando de uma nova família, em um projeto de adoção, ou até mesmo desse caso específico do Ninho do Urubu, a minha postura sempre foi a de defender; de defender as nossas crianças, a de defender os nossos adolescentes. Eu sempre tive a consciência de que o meu salário enquanto magistrado da Infância e da Juventude, meu salário sempre foi pago para que eu defendesse com todo o ardor, com toda a determinação, com toda a minha objetividade, os direitos das nossas crianças e dos nossos adolescentes. Que, aliás, precisam, de uma maneira geral, de uma atenção maior. Nós precisamos de uma atenção maior à primeira infância, à gestante; enquanto ainda gesta aquela criança que vai nascer e que, portanto, precisa de um cuidado médico, de alimentação, para que aquela criança nasça sadia, com todas as suas sinapses formadas. Para que amanhã essa mesma criança seja colocada numa creche, numa escola, e que ela consiga se desenvolver. Porque nossas crianças são o futuro da nossa nação. E eu fiz esse trabalho durante anos na Infância e na Juventude. E pretendo continuar esse trabalho de defesa desse ser, que merece todo o nosso respeito para que ele cresça e se torne um cidadão de bem.
A partir das 7h da manhã desta segunda-feira (16), o Folha no Ar 1ª edição, da Folha FM 98,3, recebe três convidados: o secretário municipal de Educação, Brand Arenari; o presidente da Fundação Municipal do Esporte, Raphael Thuin; e o superintendente municipal de Entretenimento e Lazer, Helinho Nahim. Os três falarão da suspensão de aulas e eventos do município (relembre aqui) por conta da pandemia mundial do coronavírus, das eleições a prefeito de outubro deste ano, além das suas pré-candidaturas a vereador.
Quem quiser participar ao vivo do Folha no Ar desta segunda pode fazê-lo com comentários em tempo real, no streaming do programa. Seu link será disponibilizado alguns minutos antes do início, na página da Folha FM 98,3 no Facebook.
Por conta da pandemia mundial do coronavírus, a rede municipal de ensino público de Campos e São João da Barra vão suspender as aulas por 15 dias, a partir desta segunda, dia 16. Será uma antecipação das férias escolares de julho no ano letivo iniciado em 2 de fevereiro. A informação inicial foi do secretário de Educação do governo Rafael Diniz (Cidadania), o sociólogo e professor Brand Arenari. Depois dele, a prefeita Carla Machado (PP) também anunciou aqui a medida em SJB. A ideia é esperar pela atualização dos números da doença para decidir antes de retomar as aulas. Hoje, o governador Wilson Witzel (PSC) anunciou aqui a suspensão das aulas na rede estadual por 30 dias.
Presidente da Fundação Municipal do Esporte, o empresário e ex-campeão mundial de natação Raphael Thuin também suspendeu temporariamente os programas Via Esporte e Caminha Campos. Os dois ocorreriam neste domingo (15). O Via Esporte se daria na av. Alberto Lamego, em frente à Uenf, e tinha previsão de receber cerca de mil pessoas, entre às 7h30 e 13h30. O Caminha Campos, que promove caminhadas em pontos paisagísticos do município, iria ocorrer em Lagoa de Cima.
Até esta postagem, a Covid-19 tem 1 caso suspeito em Campos, 6 no Norte Fluminense, 228 no Estado do Rio e 1.485 casos no Brasil. Confirmados, o Estado do Rio contabiliza 16 casos, com 98 em todo o país. Entenda, no infográfico abaixo, a importância das medidas preventivas para combater a expansão da pandemia do coronavírus:
Após chamar pandemia do coronavírus de “fantasia” na terça, Bolsonaro fez live na quinta à noite, ao lado do ministro da Saúde Luiz Henrique Mandetta, usando máscara para se proteger
Ao contrário do que o jornal carioca O Dia publicou aqui às 10h23 de hoje, e a Fox News confirmou aqui logo depois, o presidente Jair Bolsonaro (sem partido) anunciou aqui nas redes sociais, no início da tarde, que seu teste deu negativo para o coronavírus. Segundo a Fox, da mídia conservadora dos EUA, a confirmação da infecção de Bolsonaro teria sido feita por seu próprio filho, o deputado federal Eduardo Bolsonaro (sem partido). Para negar a informação, seu pai postou uma foto dando uma “banana” com o braço e se anunciou livre da Covid-19 que infectou seu secretário de Comunicação, Fábio Wajngarten.
Confira abaixo os prints das postagens de O Dia, da Fox News e de Bolsonaro no Facebook:
Jornal O Dia divulgou na manhã de hoje que Bolsonaro teria contraído coronavírus
Atenta ao caso pela possibilidade de infecção de Trump, conservadora Fox News chegou a confirmar que Bolsonaro testou positivo para o coronavírus
Em seu perfil oficial no Facebook, Bolsonaro deu uma “banana” para anunciar que testou negativo ao coronavírus
Investigado pela Polícia Federal por corrupção (confira aqui), Wajngarten acompanhou Bolsonaro em um encontro com o presidente dos EUA, Donald Trump, na Flórida, no último final de semana. E chamou a atenção internacional para a possibilidade de infecção do mandatário mais importante do mundo pela comitiva do seu aliado brasileiro.
Ontem, o próprio Trump teve que se pronunciar sobre o assunto. Antes das versões e desmentido desta sexta-feira 13 sobre a suposta infecção de Bolsonaro, ele tinha afirmado há apenas três dias sobre a pandemia mundial, falando na terça (10) a empresários em Miami:
— Obviamente temos um momento de crise, uma pequena crise. No meu entender muito mais fantasia, a questão do coronavírus, que não é isso tudo que a grande mídia propaga pelo mundo todo.
Fotos do encontro entre Trump e Bolsonaro na Flórida, que levou seu secretário de Comunicação, Fábio Wajngarten, acusado de corrupção e infectado pelo coronavírus
A propagação do coronavírus pode cancelar as manifestações bolsonaristas contra o Congresso Nacional neste domingo, dia 15. Sobretudo depois que Donald Trump foi exposto ao novo vírus por Jair Bolsonaro. Que levou seu secretário de comunicação, infectado pela doença e acusado de corrupção (confira aqui), para se encontrar com o presidente dos EUA na Flórida, durante o último final de semana.
O maior estrago da Covid-19 já chegou ao Brasil. Com diagnóstico de doença crônica na economia. Hoje, a Ibovespa teve queda de 14%, mesmo após ser interrompida duas vezes. E pela primeira vez, desde que o Plano Real foi implantado em 1994, o dólar ultrapassou a casa dos R$ 5,00. Há apenas uma semana, Paulo Guedes disse (veja aqui) que isso só aconteceria se ele “fizesse muita besteira”. Tudo após o pibinho de 1,1% de crescimento em 2019. A despeito da Reforma da Previdência mais ambiciosa da história do país, tocada pelo Congresso “inimigo”.
Enquanto isso, a convocação Clube Militar aos protestos do dia 15 é comemorada pela baixa bolsonaria. Composta pelos tios e tias do WhatsApp melhor definidos na História do Brasil pelo marechal Castelo Branco, líder do golpe civil-militar de 1964: “os mesmos que, desde 1930, como vivandeiras alvoroçadas, vêm aos bivaques bolir com os granadeiros e provocar extravagâncias do Poder Militar”.
Dois dias depois de Bolsonaro dizer (relembre aqui) que “a questão do coronavírus” não é “isso tudo”, e se trataria mais de uma “fantasia” propagada pela mídia, a economia do país dança à beira do abismo. Seu Posto Ipiranga na parea, Guedes acena com a solução: cobrar pressa na aprovação das reformas tributária e administrativa que o governo sequer enviou ao Congresso.
Resta torcer pelo sucesso das manifestações de domingo. Como conclamou em espírito cívico o Hobbes Matraca: “Se você é um patriota idoso e com problemas de saúde, vá apoiar o nosso presidente no dia 15/03. É um pequeno sacrifício para o bem das futuras gerações!”
Marielle Franco e José Padilha (Montagem: Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)
No dia 18 de março de 2018, escrevi um artigo (confira aqui) sobre as mortes, quatro dias antes, do astrofísico inglês Stephen Hawking e da vereadora carioca Marielle Franco (Psol). O primeiro, sucumbiu a uma rara doença degenerativa, enquanto a segunda foi executada a tiros pela milícia carioca, sem que até hoje se saiba o porquê, nas ruas do Rio. E naquele texto ainda fresco da perda de ambos, projetei:
“Goste-se ou não, Marielle representou o que o governo Lula (PT), que instituiu o Prouni em 2005, teve de melhor na inclusão educacional e social do país. Por partidas, vias, destinos (e quebra-molas) distintos, é exemplo de superação que pode ser comparado ao de Hawking. Se a vida e a obra deste viraram filme — ‘A teoria de tudo’ (2014), de Steve Marsh —, as da ativista e vereadora carioca reúnem condições de também se tornar”.
Tudo correria conforme o script até a esquerda identitária alegar que o cineasta José Padilha, das populares séries “Tropa de Eite” para o cinema, e “O Mecanismo”, para a Netflix, não poderia dirigir uma outra série sobre a vida de Marielle. E por quê? Porque, segundo o neopentecostalismo politicamente correto, Padilha é branco e… “fascista”. Quem não aprendeu nada com a banalização do termo que ajudou a eleger Jair Bolsonaro presidente em 2018, parece disposto a reelegê-lo em 2022. Com base na mesma pregação de ódio de quem diz se opor, enquanto se retroalimentam.
Quentin Tarantino e Spike Lee (Montagem: Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)
Política ao largo e para ficar só no cinema, a resposta que essa gente do politicamente correto merece, foi dada há mais de 20 anos pelo cineasta ítalo-americano Quentin Tarantino ao seu colega afro-americano Spike Lee. Em 1998, após filmar “Jackie Brown” no estilo blaxpoitation, do cinema negro independente dos EUA nos anos 1970, Tarantino foi acusado por Sipke de “apropriação cultural”.
Ao que Tarantino, fiel ao seu estilo próprio e inconfundível, respondeu à época: “Tenho muito respeito por Spike e seu cinema. Mas quer dizer que ele pode, por que é negro? E eu não posso, por que sou branco? Ele que suba num banquinho e beije a minha bunda”.
Em inglês, a expressão “kiss my ass” não tem nenhuma conotação sexual. É só pejorativa.
No mais, cabe a leitura ao artigo escrito por Padilha em resposta à turminha lacradora que o ataca. Com a abertura do Marcos Cavalcanti, professor da UFRJ:
Marcos Cavalcanti, professor da UFRJ
Nosso inimigo é o ódio: as patrulhas atacam novamente
Por Marcos Cavalcanti
O cineasta José Padilha e Antonia Pelegrino estão sendo atacados porque vão fazer uma série sobre Marielle e segundo as patrulhas ideológicas e raciais eles “não são negros” e Padilha é “fascista”.
A resposta do Padilha é irretocável, mas eu acrescentaria que o pior legado destes últimos anos de governos do PT e agora de Bolsonaro é o culto ao ódio e à visão binária segundo a qual o mundo se divide entre “nós” e “eles”. A patrulha que chama Padilha de fascista e argumenta, segundo a lógica do “lugar de fala”, que um cineasta branco não pode fazer um filme sobre uma negra é o reverso da medalha de quem quer proibir filmes de gays e censurar exposições de arte.
Ambos se alimentam do ódio ao diferente, aos que pensam fora da sua cartilha e são os grandes inimigos da democracia. Não podemos nos iludir mais: a censura e o patrulhamento “de esquerda” não é melhor ou mais aceitável que a censura e o patrulhamento “de direita”.
Precisamos derrotar ambos.
Segue o texto do Padilha:
Dois maiores lídreres da defesa dos direitos dos negros nos EUA dos anos 1960, Martin Luther King e Malcom X, depois que este renunicou ao caminho do ódio. Um foi assassinado pelo ódio dos brancos. O outro, pelo ódio dos próprios negros.
José Padilha, cineasta
Linchamento Moral
Por José Padinha
No dia 13 de abril de 1964, Malcolm X iniciou sua jornada espiritual ao Oriente Médio. Na Arábia Saudita, presenciou a confluência de pessoas de várias raças no entorno de Meca. Voltou mudado aos Estados Unidos. Anunciou que seu inimigo não era o homem branco, era o ódio.
Malcolm X dormia com sua esposa e seus filhos quando duas bombas incendiarias foram lançadas dentro de sua casa. Acordou em meio a fumaça, correu, ajudou a esposa a resgatar duas filhas e um bebê. Conseguiu escapar. Uma semana depois, levou um tiro de 12 no peito. Seus assassinos, também negros, provaram sua tese: o inimigo não era o homem branco, o inimigo era o ódio.
Conheci Marielle Franco no mesmo dia em que conheci Marcelo Freixo. Foi no Cine Odeon, em um debate ancorado na projeção de “Ônibus 174”, meu primeiro filme. Participamos de outros debates. Tenho alguns deles filmados. Freixo e Marielle nuca me chamaram de fascista. Pelo contrário, me ajudaram na pesquisa e na pré-produção do “Tropa 2”.
Freixo me deu acesso à CPI das milícias, que frequentei regularmente. Com o sucesso do “Tropa 2”, ficou ainda mais popular. Merecido. Senti a importância do gabinete de Freixo e aportei recursos na campanha do Psol. Nunca escrevi sobre isso. Não gosto de me explicar. Mas tomem nota por favor.
Saí do país alguns meses depois, porque fui vítima de uma tentativa de sequestro por parte de policiais milicianos. Mesmo morando fora, Antonia Pellegrino me procurou. Queria ajudar as pessoas mais próximas de Marielle e de Anderson. Queria fazer uma série de TV. Queria levar o nome de Marielle aos quatro cantos da terra. Julgava que, com meu nome no projeto, a série teria mais chance de obter distribuição internacional. E a família teria mais recursos. Aceitei na hora. Negociei por meses. Estava fechando um acordo internacional quando a Globoplay se interessou pelo projeto.
Não é difícil perceber porque a Globoplay é o melhor parceiro. No Brasil, a Globo tem alcance infinitamente maior do que qualquer estúdio estrangeiro. Tem ótimo elenco de atores negros. Tem ótimos diretores negros. Tem ótimas escritoras negras. Tem ótima equipe técnica negra. Sim, pensamos em tudo isso. Vocês não me conhecem, mas conhecem a Antonia. Além disso, uma série na Globo pressionaria as autoridades a encontrar e a punir quem matou Marielle.
Cheguei ao Brasil para assinar contrato. O meu trabalho seria ajudar na montagem do “writers room”, escrever um roteiro em parceira com a Antonia e dirigir o primeiro de, no mínimo, oito episódios. Além disso, queria ajudar Antonia, a Globoplay e o Instituto Marielle Franco a treinar novos talentos, usando a série como uma espécie de escola.
Não consegui nem começar.
O que aconteceu no dia seguinte ao da assinatura do contrato foi estarrecedor. Além de acusarem Antonia de racismo — apesar de a Antonia estar trabalhando com afinco para montar um equipe representativa da comunidade negra no Brasil e no exterior — e de me taxarem de fascista (Marielle nunca me chamou de fascista), atacaram a legitimidade da família de Marielle, atacaram a Mônica e atacaram Marcelo Freixo.
Foi um linchamento moral sem direito a respostas ou tempo para explicações. Os linchadores reduziram tudo à cor da minha pele, como se eu fosse fazer o projeto sozinho, como se não fôssemos contar a história de Anderson, um homem branco, como se não fôssemos montar uma equipe repleta de realizadores negros. Linchamentos sumários são compatíveis com os valores de Marielle?
Eu tenho um sonho. Eu sonho que meus filhos um dia viverão em uma nação em que as pessoas não serão julgadas pela cor de sua pele, mas sim pela natureza de seu caráter. Quem disse isso foi Martin Luther King. Sobre o meu caráter: nunca roubei ninguém, nunca cometi ato de racismo, nunca pressionei mulheres, nunca discriminei qualquer pessoa por sua opção sexual. Na minha vida, só fui processado por policiais do Bope e por milicianos.
No entanto, me tornei fascista porque filmei “Tropa de Elite”. Isso apesar de ter recebido o Urso de Ouro das mãos de Costa Gravas, ícone do cinema de esquerda, e de tê-lo entregue ao Lula, que queria fazer uma foto com ele. Nenhum dos dois me chamou de fascista.
Fiz vários outros filmes, incluindo “Garapa”, um documentário sobre a fome no Nordeste. Ajudo as famílias filmadas mensalmente, faz 12 anos. O primeiro documentário que produzi foi sobre carvoeiros. Retratou trabalho insalubre, escravidão e trabalho infantil. Na época, depois de uma exibição do filme no Congresso, eu, Eduardo Suplicy e Luciana Genro invadimos a sala de Michel Temer para pressioná-lo a colocar em pauta uma emenda constitucional que tornaria a alimentação um direito fundamental de todos os brasileiros. Conseguimos.
Posso continuar listando inúmeros fatos dessa natureza, mas acho que, no fundo, vocês já conhecem a minha trajetória de cineasta. E acho que o maior problema de vocês comigo foi a minha critica à corrupção sistêmica do PT e do PMDB. Embora eu também ache que vocês saibam que o petrolão, o mensalão e Belo Monte aconteceram de fato.
Talvez não saibam, entretanto, que não vivo sozinho. Tenho um filho e uma companheira. Será que estas pessoas estão sendo afetadas pelo linchamento em decurso? O mesmo vale, evidentemente, para as pessoas próximas de Marielle, de Antonia e de Mônica.
O pensamento de Martin Luther King é incompatível com a limitação da liberdade de expressão, com o julgamento de pessoas com base na sua cor e na sua sexualidade. A política de identidade é fundamental, mas levada ao extremo fulmina gente como Malcolm X. (Não, não estou me comparando com Malcolm X.)
Joe Biden ampliou hoje sua vantagem sobre Bernie Sanders nas primárias democratas e deve disputar a presidência dos EUA contra Donald Trump em novembro (Foto: Paul Vernon – AP Photo)
Salvo uma virada inédita nos 231 anos da democracia dos EUA, Joe Biden será o candidato democrata que disputará a eleição ao cargo mais importante da Terra, em novembro, contra Donald Trump. Hoje, o ex-vice-presidente de Barack Obama ganhou em cinco de seis estados nas primárias democratas. E ampliou sua vantagem (confira aqui) sobre o socialista Bernie Sanders.
Confirmada sua vitória, Biden terá como missão unir seu partido e seus votos para tentar impedir a reeleição do presidente republicano. Sobretudo no conservador Meio-Oeste, distante física e e mentalmente do eleitorado mais instruído das Costas Leste e Oeste dos EUA.
Para Biden ter chance de sucesso, será fundamental dar mais atenção à Saúde Pública. Foi o carro chefe da campanha de Sanders, com o qual atraiu o eleitor jovem. E terá importância redobrada com o coronavírus batendo à porta dos EUA, após paralisar a China, o Irã e parte da Europa, sobretudo a Itália.
Por sua vez, Sanders e sua aguerrida militância não poderão cometer os mesmos erros de 2016. Quando sua desmobilização e ataques à democrata Hillary Clinton foram fator determinante para dar a eleição de bandeja a Trump. Tanto mais em um país onde o voto não é obrigatório.
A esquerda terá que passar pelo centro se quiser trocar a dor de corno da “resistência” por voltar a governar. Com qualquer opção que não Trump no poder, os EUA e o mundo ficariam mais distantes do populismo da extrema-direita. Incluindo o Brasil de Jair Bolsonaro. Que seria obrigado a se enquadrar. Ou ficar isolado.