Wladimir ataca para se defender, Rafael solta eleição a diretor de escola e base reclama

 

Wladimir Garotinho e Rafael Diniz (Montagem: Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)

 

No meio político é normal que quem atravessa situação defavorável tente criar uma ruim também ao seu principal opositor. Ontem, foi o que fez o deputado federal Wladimir Garotinho (PSD), ao ecoar (aqui) na Congresso Nacional denúncias de supostos devios de recursos do SUS na Saúde de Campos. Foi uma cortina de fumaça para o fato de no mesmo dia ter sido divulgado que o Tribunal Regional Eleitoral (TRE) determinou (aqui) o avanço das investigações sobre as denúncias de compra de voto contra Wladimir e o deputado estadual Bruno Dauaire (PSC).

Outra maneira de tentar sair de uma situação desfavorável, é tentar criar uma boa. Assim, atingido pelo pronunciamento assertivo de Wladimir na Câmara Federal, que cobrou investigações ao poder público federal na Saúde de Campos, o prefeito Rafael Diniz (PPS) ontem gravou e divulgou um vídeo nas redes sociais. E nele anunciou a eleição direta para diretores de escolas e creches do município. Promessa da sua campanha vitoriosa em 2016, já havia sido feita e descumprida pela ex-prefeita Rosinha Garotinho (hoje, Patri).

O problema é que o anúncio do prefeito desagradou alguns vereadores da situação, cujo apoio também se dá em troca da indicação de pessoas da sua confiança aos cargos de diretor de escolas e creches da sua base eleitoral. Em comentário ao vídeo postado por Rafael, foi o caso do edil governista Jorginho Virgílio (PRP), que declarou (aqui):

 

Vereador governista Jorginho Virgílio

 

— Desculpas meu amigo prefeito, mas como vereador eleito democraticamente como o senhor não posso aceitar mais decisões de governo sem a mínima discussão com a base de sustentação do governo… Já são 2 anos e 5 meses de governo e o parlamento não participa das decisões de governo, muitas vezes desastrosas como foi o aumento do IPTU que a equipe de governo preparou e a Câmara aprovou, mas o senhor acabou tendo que voltar atrás, como aconteceu no reajuste dos servidores… Ou o parlamento é respeitado e ouvido nas decisões de governo ou o barco vai realmente afundar…

Questionado depois pelo blog, Jorginho informou que o projeto de lei do prefeito já chegou à Câmara, mas ainda não está à disposição dos edis para análise. Ele confirmou ter cerca de 10 indicações de diretores de escolas e creches. E, embora assegure que a maioria é de concursados, admitiu que não são todos. Perguntado se o descontentamento poderia gerar um pula-pula antecipado na base, ele disse não acreditar: “Os vereadores não estão preocupados se os seus indicados se elegerão ou não. Estão preocupados com a falta de diálogo do governo”.

Apesar da resistência da bancada da situação, não é necessário pesquisa para se constatar que a eleição para diretores de escolas e creches tem o apoio maciço do magistério, alunos, pais e da população.

 

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Rodrigo Bacellar fecha apoio do PV, de Magal e dispara: Wladimir é só o plano B do pai

 

Rodrigo Bacellar fechou o apoio em 2020 com o PV e Jorge Magal (Montagem: Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)

 

Deputado estadual, Rodrigo Bacellar (SD) fechou o apoio do PV à sua pré-candidatura a prefeito de Campos em 2020. Ainda que ele trabalhe uma aliança com o também pré-candidato Caio Vianna (PDT), o apoio verde foi fechado apenas ao parlamentar. Além do partido que em 2016 apoiou a eleição de Rafael Diniz (PPS), Rodrigo também terá o apoio em 2020 do ex-vereador Jorge Magal (PSD), que mantém muita força eleitoral na região de Guarus, mesmo depois de condenado na operação Chequinho.

O deputado estadual esclareceu que foi um equívoco a nomeação (aqui) ontem de Magal em Diário Oficial (DO), npara subdiretoria-geral de Recursos Humanos da Alerj.  A retificação deve ocorrer hoje: o ex-vereador na verdade será assessor parlamentar de Rodrigo, que como advogado o defendeu e inocentou das acusações criminais da Chequinho. Na eleitoral, Magal foi condenado e está inelegível até 2024, o que não o impede de atuar como cabo eleitoral em 2020.

Com capital político em Guarus importante em qualquer eleição municipal, Magal revelou que foi sondado por Rafael Diniz e pelo deputado federal e também pré-candidato a prefeito Wladimir Garotinho. Mas decidiu apoiar Rodrigo porque “ele pode ser estourado, mas sempre cumpre o que fala”.

Além de falar sobre os apoios que já amarrou a 2020, Rodrigo analisou o pronunciamento feito ontem na Câmara Federal por Wladimir, cobrando (aqui) a apuração de uma denúncia de suposto desvio de recursos do SUS na Saúde Pública de Campos:

— Está claro: Wladimir quer polarizar com Rafael.  Mas, pela boca do filho, quem fala é o pai. (Anthony) Garotinho (sem partido) não é mais protagonista do jogo político de Campos. E sabe disso. Na verdade, ele trabalha para tentar fazer de Rosinha (Garotinho, atual Patri) a candidata a prefeita do grupo deles em 2020. Mas todos sabem que ela está inelegível. E acho muito difícil que isso se reverta até o próximo ano. Wladimir é só o plano B do pai.

Rodrigo será o entrevistado desta sexta (7) do Folha no Ar. O programa ao vivo da Folha FM 98,3 vai ao ar das 7h às 8h45 da manhã. Nesta quinta (6), o convidado será Roberto Dutra, sociólogo e professor da Uenf.

 

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Questão de tempo — Rafael leva 30 dias para oficializar mudanças por apoio de João

 

Parto de um mês: Rafael Diniz, João Peixoto, Nildo Cardoso e Robson Correa Vieira (Montagem: Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)

 

Acossado por seus próprios erros, como a desastrada suspensão (aqui) do reajuste salarial de 4,18% ao servidor, e agora por uma blitzkrieg (aqui) de pré-candidatos de oposição a prefeito de Campos em 2020, o governo Rafael Diniz (PPS) finalmente publicou hoje em Diário Oficial (DO) a nomeação do seu novo secretário de Agricultura. Assume oficialmente a pasta o técnico em agropecuária Robson Correa Vieira, o Robinho. Servidor concursado desde 1999, foi uma indicação política do deputado estadual João Peixoto (DC), para selar o apoio deste à reeleição de Rafael.

 

Exoneração de Nildo e nomeação de Robinho na Agricultura no DO de hoje (Reprodução)

 

Além da nomeação de Robinho e da exoneração de Nildo Cardoso (DEM) do cargo, para manter o ex-vereador no governo, também foi publicado hoje no DO a criação da superintendência municipal de Abastecimento. Nela, Nildo passa a responder à secratraria de Desenvolvimento Econômico. E se dedicará na nova superintedência ao seu projeto pessoal, de grande importância aos produtores rurais de Campos e região: reativar a antiga Ceasa.

 

No DO de hoje, criação da superintendência de Abastecimento, que será comandada por Nildo (Reprodução)

 

Nenhum dos fatos oficializados hoje em DO é novidade. Em 5 de maio, a coluna Ponto Final anunciou (aqui) que João Peixoto havia fechado aliança com Rafael para 2020, que provocou as mudanças administrativas de 2019. No dia 10, a coluna do empresário Murillo Dieguez anunciou (aqui) que Robinho seria o novo secretário de Agricultura e que Nildo se dedicaria ao projeto de reativação da Ceasa. E, no dia 16, as duas novidades foram confirmadas (aqui) novamente no Ponto Final.

Para uma gestão municipal que ultrapassou a metade do seu mandato com altos níveis de desaprovação, 2019 é considerado fundamental para correção de rumo, na tentativa da reeleição em 2020. Já no quinto mês do ano de véspera das urnas, demorar 30 dias na oficialização de mudanças para garantir apoio político, é tempo demais. E tempo é tudo que o governo Rafael não pode continuar a perder. A oposição dá reiteradas provas de que não vai mais perder o dela.

 

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Triângulo amoroso em obra prima do cinema no Cineclube Goitacá desta quarta

 

 

Muito menos conhecido do que deveria, “A Filha de Ryan” (1970), do mestre inglês David Lean, será o filme exibido às 19h desta quarta (05) no Cineclube Goitacá. A sessão acontece na sala 507 do edifício Medical Center, no cruzamento das ruas Conselheiro Otaviano e 13 de Maio. Ao final, ocorre debate, mediado por mim. A entrada e a participação são gratuitas.

Diante de “Lawrence da Arábia”, dirigido por Lean em 1962 e considerado como um dos maiores clássicos da história do cinema, difícil impedir que seu brilho solar ofusque o resto da filmografia do diretor. Mas “A Filha de Ryan” também poderia integrar, sem favor, qualquer lista de melhores filmes de todos os tempos. Sobretudo se a coletânea for do gênero romance.

A história se passa numa pequena vila de pescadores da Irlanda, durante a I Guerra Mundial (1914/1918). Vizinha à Inglaterra, a ilha da Irlanda é hoje dividida entre a Irlanda do Norte, de maioria protestante e ainda ligada à Grã-Bretanha, e a independente República da Irlanda, de maioria católica. A atual divisão só se deu a partir da Guerra de Independência do país, entre 1919 e 1921.

Durante a I Guerra, toda a Irlanda era dominada desde o séc. XVII pela Inglaterra. Que estava militarmente ocupada em disputar o poder na Europa Continental, no Oriente Médio e na Ásia contra a Alemanha, Império Austro-Húngaro e Turquia. Com a maior parte dos dominadores britânicos dedicados ao conflito global, os dominados irlandeses se animaram com seus sonhos de independência, que só seriam concretizados poucos anos depois.

 

 

O contexto político é pano de fundo para a história de um triângulo amoroso, mas fundamental em sua evolução e desfecho. Na isolada aldeia de pescadores de Killary, na península irlandesa de Dingle, Sarah Miles é Rose Ryan. Jovem saída da adolescência, sonha com um mundo que só conhece de livros de romance e catálogos de artigos femininos, enquanto o mundo real explode em conflitos sangrentos.

Órfã de mãe, Rose é a filha única de Thomas Ryan (Leo McKern) — daí o título do filme. Dono também do único bar do local, fato de importância redobrada em se tratando de irlandeses, o pai pode ser considerado rico em meio a pescadores pobres, e mima Rose sempre que pode. Líder espiritual da aldeia, o velho padre Collins (Trevor Howard, poderoso como sempre) se preocupa com o choque inevitável entre sonho e realidade da filha de Ryan.

Das poucas pontes de Rose com o mundo exterior que idealiza é o professor da vila, Charles Shaughnessy. É interpretado pelo galã Robert Mitchum, astro de Hollywood na produção britânica, convincente como irlandês. Viúvo de meia idade e fã de Beethoven, é alvo da paixão platônica da ex-aluna, que só se consuma após insistência dela. A sequência do casamento e da noite de núpcias é uma das tantas do filme que merecem destaque.

Tudo poderia ir bem naquele cenário isolado de mar, penhascos e campos verdejantes, não fosse a chegada do novo comandante da guarnição britânica instalada para vigiar as atividades dos inimigos no litoral. O jovem e garboso oficial Randolph Doryan (Cristopher Jones) chega com a fama de herói dos campos de batalha da Europa, mas revela a realidade na perna comprometida por ferimento e no trauma de guerra que o atormenta.

 

 

É pela fragilidade que Rose se aproxima do “inimigo”, jovem como ela. Como é na deficiência física que se criará o vínculo entre o oficial britânico e o louco da aldeia irlandesa: Michael, em composição que deu o Oscar de coadjuvante a John Mills. Perambulando em seu mundo particular, ele será testemunha muda, mas mímica, do romance consumado em sequência com cenas da natureza entre as mais sensíveis da história da sétima arte — mesmo em clara metáfora de ejaculação.

O mundo real surge no descarregamento de armas de um navio alemão para reforçar a resistência irlandesa contra os ingleses, durante uma tempestade. A coragem dos aldeões contra a violência do mar dialoga com outro clássico do cinema: o documentário “O Homem de Aran” (1934), de Robert Flaherty, também filmado na Irlanda. E se trata de mais uma sequência soberba, cujo desfecho se abaterá como tragédia aos protagonistas da ficção.

Há poucos filmes perfeitos. “A Filha de Ryan” é um deles. Se não fossem as virtudes de interpretação, roteiro, adaptação de época, som e música, é fruto de uma das duplas que mais contribuíram para fazer do cinema um espetáculo sobretudo visual: o diretor David Lean e o diretor de fotografia Freddie Young, também inglês. Este, pelo trabalho, levou seu terceiro Oscar, após outros dois em parceria com Lean: “Lawrence da Arábia” e “Dr. Jivago” (1965).

Ao final do filme, sem spoiler, a mensagem tem a benção do padre Collins: amar pode ser também perdoar.

 

Confira o trailer do filme:

 

 

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Ciro: “Petista é cartomante com Alzheimer, sabe dos próximos 4 anos e não lembra dos últimos 16”

 

 

Não concordo com algumas posições de Ciro Gomes, cujo destempro pessoal, não muito diferente do presidente Jair Bolsonaro, demonstra há anos ser seu pior inimigo.

Mas assisti só hoje a uma palestra do político cearense, feita no final do mês passado, em que ele dá a melhor definição do lulopetismo diante do governo Bolsonaro que ajudou a eleger:

 

 

— Tem petista que se assemelha a uma cartomante com Alzheimer: sabe tudo o que vai acontecer daqui a 4 anos, mas não lembra de nada do que aconteceu 16 para trás.

Basta zapear pelas redes sociais, observar quem de cara limpa credita apenas ao atual governo a crise econômica criada pelo PT no poder, para constatar o quanto a definição de Ciro é correta. E, ao menos, dar boa risadas.

 

 

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Vereadores Josiane e Genásio debatem ao vivo servidor de Campos no Folha no Ar

 

Josiane Morumbi e Genásio vão debater ao vivo o servidor de Campos, às 7h desta segunda (03), no Folha no Ar (Montagem: Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)

 

Assunto presente no noticiário das últimas semanas, os servidores de Campos voltarão à pauta do Folha no Ar a partir das 7h da manhã na próxima segunda (03). O programa da Folha FM 98,3 recebe os vereadores Josiane Morumbi (PRP) e Genásio (PSC) para debater o tema, que vinha quente e alcançou a fervura quando o governo Rafael Diniz (PPS) retirou (aqui) na última terça (28) a proposta de reajuste salarial de 4,18% à categoria.

Os servidores pressionaram a Câmara Municipal. No sessão do dia 29, o presidente Fred Machado (PPS) anunciou (aqui) o convite ao secretário municipal de Gestão, André Oliveira, numa sessão extraordinária na próxima quinta (06). A edil de oposição Josiane foi além e protocolou (aqui) um ofício para que o próprio prefeito vá ao Legislativo goitacá se explicar. Ela vai explicar por que no debate com o líder governista Genásio no Folha no Ar.

 

Victor Aquino, Lesley Beethoven, Roberto Dutra e Rodrigo Bacellar (Montagem: Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)

 

Sempre das 7h às 8h30, de segunda a sexta, o programa da Folha FM terá sequência na terça (04), com o secretário de Transportes de São João da Barra, arquiteto e militante bolsonarista, Victor Aquino; na quarta (05), com o presidente do PSDB em Campos, Lesley Beethoven; na quinta (06), com o sociólogo e professor da Uenf Roberto Dutra; fechando a semana na sexta (07), com o deputado estadual Rodrigo Bacellar (SD).

 

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Protestos contra cortes na educação pública da planície goitacá ao Planalto Central

 

 

Passeata pela educação ontem (30) reuniu ontem (30) 2 mil no Boulevard de Campos (Foto: Keven de Oliveira)

 

Contabilidade das ruas

Até às 20h40 de ontem (30), os protestos contra os cortes do governo Jair Bolsonaro (PSL) na educação pública tinham sido registrados em 129 municípios de 25 estados da União, mais o Distrito Federal. O levantamento foi do G1, que apurou adesão maior aos protestos pela educação do dia 15: até o mesmo horário tinham chegado a 156 cidades de todos os 26 estados. Como a contabilidade final daquelas primeiras manifestações chegou a 222 municípios, é possível que os números de ontem cresçam mais. No dia 26, os protestos a favor de Bolsonaro chegaram ao total de 156 cidades em todos os estados.

 

É a economia, estúpido!

Independente dos números, os protestos bolsonaristas surtiram efeito. Acuado pelas repetidas trapalhadas do seu governo, dos seus filhos e astrólogo nas redes sociais, mais as ruas do dia 15, o presidente ganhou fôlego nas ruas do dia 26, mesmo com adesão inferior no número de cidades brasileiras. No dia 28, os presidentes da Câmara, Senado e Supremo Tribunal Federal (STF) aceitaram o convite de Bolsonaro por um pacto pela estabilidade institucional e pelas reformas. Mesmo que sejam conduzidas pelo Congresso no “parlamentarismo branco” instalado no país, serão elas e seu resultado econômico que ditarão o futuro do governo.

 

Em Campos

Campos não foi exceção no movimento das ruas do Brasil. E seus manifestantes pela educação parecem ter aprendido lições importantes. Primeiro, ontem não voltaram a fechar vias públicas, atrapalhando o direito de ir e vir alheio, como tinham feito dia 15 na av. Alberto Lamego, em frente à Uenf. Segundo, após não contabilizarem o primeiro protesto, diferente dos bolsonaristas que anunciaram ter levado 400 campistas às ruas no dia 26, a organização do evento de ontem anunciou uma soma bem superior: 2 mil participantes. E quem viu ao vivo ou pelas imagens do Boulevard não tem motivo para duvidar.

 

Lições

Se a lição foi aprendida na planície goitacá, o mesmo não ocorreu no Planalto Central. Em Brasília, quando a passeata de ontem se encaminhava ao Congresso, houve um princípio de tumulto entre manifestantes e policiais militares, que usaram spray de pimenta e prenderam um homem. Apostar no confronto sempre será perigoso contra um presidente que se elegeu e pretende governar estimulando-o. Dos dois lados, bom lembrar: foi a repressão policial que deu força às Jornadas de Junho de 2013. Como foi o rojão disparado por um manifestante em 2014, ao matar um cinegrafista da Band, que sepultou aquele movimento.

 

Cores e erros

Outra lição que a esquerda brasileira não aprendeu é meramente cromática, mas tem grande relevância. Nos protestos de ontem, voltaram a dominar as bandeiras vermelhas, em contraste ao amarelo e verde das manifestações pelo governo. Quem entrega a bandeira nacional ao oponente, pode entregar junto a nação. Foi o que ocorreu na eleição presidencial de 2018. No segundo turno, quando a batalha já parecia (e estava) decidida, beirou ao ridículo a tentativa da candidatura petista de Fernando Haddad de tentar trocar o vermelho da sua campanha pelo verde, amarelo, azul e branco. Quem não aprende com seus erros, os repete.

 

Aposentadoria

Prefeito de Conceição de Macabu por quatro mandatos, o campista Cláudio Linhares anunciou no último domingo, durante a 28ª edição da Feijoada da Folha, que vai se aposentar da política. Sem partido desde que deixou o MDB, depois dos recentes escândalos da legenda no Estado do Rio de Janeiro, Cláudio apoiou ex-prefeito carioca Eduardo Paes (DEM) para Governo do Estado e o ex-capitão Jair Bolsonaro (PSL) para presidência. Apesar da força da máquina, como na esmagadora maioria dos municípios fluminenses, não conseguiu fazer com que Paes superasse o fenômeno Wilson Witzel (PSC).

 

Vice

Cláudio Linhares foi eleito pela primeira vez em 2000, pelo PSB, quando obteve apenas 85 votos a mais do que o segundo colocado, Ercínio Pinto (PDT). Quatro anos depois foi reeleito com 410 votos à frente de Lídia Mercedes, a Têdi (PT). Em 2008, Cláudio lançou a candidatura do vice Marcos Couto (PMDB), mas foi derrotado por Têdi, que também ganhou de Linhares no confronto direto em 2012. Porém, a petista foi cassada pela Justiça Eleitoral em 2013 e ele assumiu a prefeitura. A população o manteve no cargo em 2016 e agora ele anunciou que vai colocar novamente o vice, desta vez Helinho Guerhard (PR), na disputa do ano que vem.

 

Com Aldir Sales

 

Publicado hoje (31) na Folha da Manhã

 

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Clarissa entrega a Bolsonaro projeto para desburocratizar adoção de crianças no país

 

Deputada Clarissa Garotinho entregou hoje seu projeto ao presidente Jair Bolsonaro (Foto: Divulgação)

Durante reunião da Bancada Feminina nesta quinta-feira (30) com o presidente da República, Jair Bolsonaro (PSL), a deputada Clarissa Garotinho (Pros) entregou em mãos ao presidente proposta de criação no âmbito federal do programa “Um Lar para Mim”. O objetivo é estimular no Brasil a adoção de crianças e adolescentes.

“O programa está em efetividade no Estado do Rio de Janeiro e tem como objetivo o incentivo a adoção de crianças acima da faixa etária de 5 anos de idade. No Brasil, existem cinco vezes mais famílias dispostas a adotar do que crianças para serem adotadas. A burocracia emperra também precisamos de um novo olhar para a maiores, que tem chances muito menores de conseguir um novo lar”, afirma a deputada.

A proposta consta do requerimento de indicação 773/19, de autoria de Clarissa, que sugere a criação de um auxílio-adoção para servidores.

De acordo com o programa, famílias que optarem pela adoção de crianças e adolescentes podem receber benefício que varia entre três e cinco salários mínimos, variando de acordo com a faixa etária. O incentivo também seria aplicado para famílias que optarem pela adoção de crianças de 0 a 5 anos com deficiência ou doença grave que exija acompanhamento médico permanente.

De acordo com dados do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), atualmente cerca de nove mil crianças aguardam por adoção em instituições de acolhimento de todo o País, mas apenas 7,3% dos pretendentes à adoção aceitariam crianças com mais de 5 anos.

 

Da assessoria da deputada

 

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Associação de Imprensa Campista divulga programação dos seus 90 anos de fundação

 

Presidente da Associação de Imprensa Campista (AIC), Wellington Cordeiro enviou a programação de celebração dos 90 anos da entidade. Entre os dias 3 e 7 de junho, acontecerá a Semana da Imprensa. Mas os eventos se estenderão até o dia 28 do próximo mês.

Em tempos em que a imprensa virou alvo de ataques dos defensores do governo Jair Bolsonaro (PSL), como foi antes classificada de “golpista” em boa parte dos 13 anos do lulopetismo no poder, é sempre bom refletir sobre o papel do jornalismo no estado democrático de direito. Neste sentido, vale a pena conferir abaixo:

 

(Foto: Divulgação)

Em clima de comemoração pelos 90 anos de fundação, a Associação de Imprensa Campista divulgou nesta semana a programação da 29ª Semana da Imprensa, sob o tema “A Memória da Imprensa Campista”. O evento vai acontecer entre os dias 3 e 7 de junho com variadas atrações, entre bate-papos, exposição, debates e homenagens.

Este é o mais tradicional evento da imprensa campista. Reúne jornalistas, estudantes e demais profissionais do jornalismo em torno de questões relativas à profissão, à memória da cidade e temas de alta relevância para a sociedade.

A Semana da Imprensa é uma iniciativa da Associação de Imprensa Campista, que em junho deste ano vai completar 90 anos de existência e resistência. “Por este motivo, a temática escolhida para este ano é a memória e contará a história do jornalismo campista que se confunde com a própria história da AIC”, diz o presidente da AIC, Wellington Cordeiro.

A Semana da Imprensa termina no dia 7 de junho, mas as comemorações pelas nove décadas de atuação em Campos seguem com atividades nos dias 14 e 28 de junho. Os eventos têm a parceria do Curso de Jornalismo do Unifly e do Instituto Histórico e Geográfico de Campos dos Goytacazes e apoio do Museu Histórico de Campos.

 

 

Programação

 

SEMANA DA IMPRENSA

 

Segunda, 03/06

19h – MESA DE DEBATE: JORNALISMO IMPRESSO

Debatedores: Aloysio Balbi e Matheus Berriel

Mediador: Vitor Menezes

Local: Auditório do Uniflu

 

Terça, 04/06

19h – MESA DE DEBATE: FOTOJORNALISMO

Debatedores: Esdras Pereira e Rafael Peixoto

Mediador: Victor Hugo Berenger

Local: Auditório do Uniflu

 

Quarta, 05/06

19h – MESA DE DEBATE: RADIOJORNALISMO

Debatedores: Souza Neto e Rhyann Souza

Mediador: Júlio César Tinoco

Local: Auditório do Uniflu

 

Quinta, 06/06

19h MESA DE DEBATE: WEBJORNALISMO

Debatedores: Leandro Nunes e Ully Marques

Mediador: Simone Barreto (UNIFLU)

Local: Auditório do Uniflu

 

Sexta, 07/06

19h MESA DE DEBATE: TELEJORNALISMO

Debatedores: Giannino Sossai e Antônio Filho

Mediador: Mozart Dias

Local: Auditório do Uniflu

 

Sexta, 14/06

18h Atividade: BATE-PAPO DE BOTEQUIM

Local: Bar Ao Gato Preto (Rua Barão do Amazonas, 16)

 

Sexta, 28/06

18h – Atividade: EXPOSIÇÃO MEMÓRIA DA IMPRENSA CAMPISTA

Local: Museu Histórico de Campos

19h – Atividade: MESA DE DEBATE: MEMÓRIAS DA IMPRENSA CAMPISTA

Debatedores: Rafaela Machado – historiadora/Arquivo Público e ex-presidentes da AIC

Mediador: Genilson Soares

Homenageado: jornalista e professor Fernando da Silveira

Local: Museu Histórico de Campos

 

Promoção: Instituto Histórico e Geográfico de Campos/Associação de Imprensa Campista

Parceria: Museu Histórico de Campos

 

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Além de convite a secretário, oposição quer prefeito na Câmara para falar de servidor

 

Josiane Morumbi, vereadora de oposição, na sessão de hoje da Câmara (Foto: Rodrigo Silveira – Folha da Manhã)

 

O recuo (aqui) do governo Rafael Diniz (PPS) na proposta de 4,18% de aumento salarial aos servidores não gerou apenas o convite para o secretário de Gestão, André Oliveira, comparecer na próxima quinta (06) à sessão extraordinária da Câmara Municipal. Foi o que anunciou hoje (aqui) seu presidente, Fred Machado (PPS). Mas antes do início da tensa sessão de hoje, a vereadora de oposição Josiane Morumbi (PRP) também protocolou um ofício na tentativa de convocar o prefeito para explicar ao Legislativo a retirada da proposta de reajuste ao funcionalismo:

— Atendendo aos servidores, que não estavam satisfeitos com o aumento proposto pelo governo, a oposição já tinha proposto na semana passada a vinda do secretário de Gestão. Mas ontem, com o anúncio de que nem os 4,18% seriam mantidos, não foram só os vereadores de oposição que ficaram surpesos, mas também da situação. Por isso protocolei o requerimento para que o prefeito venha à Câmara explicar seus motivos. O presidente Fred, que respeito muito pela maneira democrática de agir, explicou que não colocaria meu requerimento em votação hoje e anunciou o convite a André Oliveira na quinta. Mas vou insistir na convocação do prefeito. Mesmo que sejamos minoria e percamos no voto, espero que meu requerimento seja apreciado na próxima sessão de quarta (05) — disse Josiane.

Abaixo, o requerimento protocolado hoje pela vereadora de oposição:

 

 

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Apoio de Ceciliano a Rodrigo na Feijoada da Folha reforça 3ª via a prefeito de Campos

 

Apesar do abraço em Gil Vianna, o presidente da Alerj, André Ceciliano, disse na Feijoada da Folha que vai caminhar com Rodrigo Bacellar na eleição a prefeito de Campos em 2020 (Foto Rodrigo Silveira – Folha da Manhã)

 

No último domingo (26), o presidente da Alerj, André Ceciliano (PT), declarou sobre as eleições de 2020 a prefeito da cidade que visitava na Feijoada da Folha: “Tenho uma relação muito boa também com Gil Vianna (PSL), com Wladimir (Garotinho, PSD), mas vou seguir em Campos o Rodrigo Bacellar (SD)”. A matéria foi publicada aqui, ontem (28) no Folha1, em meio a depoimentos de várias outras lideranças políticas reunidas no evento. E no mesmo dia foi repercutida e linkada por Rodrigo nas redes sociais.

Após declarar em 2 de maio (aqui) que “NUNCA me lancei candidato a nada, e desafio qualquer jornalista a me mostrar uma fala minha nesse sentido”, o apoio do presidente do Legislativo fluminense parece ter feito Rodrigo mudar de ideia. Haveria um acordo entre ele, o também deputado estadual Gil Vianna (PSL) e o ex-candidato a prefeito Caio Vianna (PDT), para definir até dezembro qual dos três se lançará a prefeito com apoio dos outros dois. A escolha seria feita por pesquisas de intenção de voto e trabalho para arregimentar legendas e montar nominatas.

O tal acordo, segundo Rodrigo detalhou hoje ao blog, teria sido montado uns 15 dias antes de uma foto dele com Gil e João Peixoto (DC) ser publicada nas redes sociais pelos três deputados, em 2 de abril. Dois dias depois, Gil negou aqui qualquer tratativa sua para 2020 que incluísse Caio, de quem foi candidato a vice-prefeito em 2016. Já sobre João Peixoto, em 27 de maio a coluna Ponto Final anunciou aqui sua aliança com o prefeito Rafael Diniz (PPS), pré-candidato à reeleição.

Mesmo sem João e Gil — que na Feijoada de domingo voltou a afirmar: “Estou muito animado, acho que está na minha hora para ser prefeito” — uma aliança entre Rodrigo e Caio poderia dar força à opção de terceira via na eleição a prefeito de Campos em 2020, para tentar driblar a polarização que se anuncia entre Rafael e Wladimir. Sobretudo com o apoio de Ceciliano ao filho do ex-vereador Marcos Bacellar (PDT). E se o filho do ex-prefeito Arnaldo Vianna (MDB), diferente de 2016, dessa vez conseguir manter o apoio do pai.

 

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Análise dos protestos a favor de Bolsonaro, antes de ficar velha pelas ruas de amanhã

 

No domingo dia 19, publiquei aqui e na Folha da Manhã o artigo “Democracia com megafone”, usando a história antiga, moderna e recente para tentar analisar o Brasil sob governo de Jair Bolsonaro (PSL). Em diálogo com aquele texto, o servidor público federal Edmundo Siqueira escreveu outro, intitulado “Verdade fora da caverna”, publicado aqui, no blog, e na edição do último domingo (26) da Folha. Nele também foram utilizados exemplos do passado na tentativa de entender o instável presente do país.

De lá para cá, naquele mesmo último domingo, se deram as manifestações em apoio ao governo Bolsonaro, registrado em 156 municípios de todos os estados brasileiros. Antes, no dia 15, as manifestações contra os cortes federais na educação pública tinham se espraiado ainda mais, por 222 cidades. Hoje, véspera dos novos protestos pela educação programados para esta quinta (30), Edmundo voltou a escrever sobre o resultado parcial dessa confrontação democrática pelas ruas do país. E publicou sua nova análise aqui, nas redes sociais.

A partir do texto dele, mantive o diálogo aberto na forma de comentário. Sem que ninguém pretenda se assenhorar da razão, seguem abaixo os dois textos, antes de se tornarem velhos com as ruas de amanhã:

 

(Marcos Corrêa – Agência Brasil)

 

Por Edmundo Siqueira

O bolsonarismo marcou um gol. É preciso reconhecer que as manifestações do último domingo foram melhores que o esperado e o governo ganhou fôlego. As palavras impeachment e Bolsonaro estavam sendo utilizadas na mesma frase com muito mais intensidade antes dos movimentos de rua.

Talvez o “pacto” entre os poderes seja fruto desse sucesso, ou não sendo o fiasco esperado. Porém essa reconciliação deve ter vida curta e esteja ligada à reforma da previdência que atende a muitos interesses corporativos, inclusive do próprio congresso. Ao que parece o governo recua sobre o Coaf (assunto tratado nesse pacto, certamente), órgão que foi levado ao ministério da fazenda, saindo do guarda-chuva do Moro, que foi uma das pautas das manifestações que pediam justamente o contrário desse movimento, que agora o governo recua. Mesmo assim, o executivo saiu vencedor.

Mas as ruas deram seu recado e o congresso não quer sair como vilão. Deve destravar a pauta governista para que não seja ele, o congresso, o culpado pelo insucesso econômico crescente. Mas vejo que não esquecerá que foi antagonizado pelo próprio presidente, que inflou a militância. Me parece que a reforma da previdência é uma trégua, uma pausa estratégica no conflito entre os poderes, onde o mais afetado é o país.

O bolsonarismo venceu essa batalha, mas as ruas também deram outro recado: a direita liberal se afasta do bolsonarismo e a direita conservadora, ligada a costumes, enaltece as figuras de Moro e Guedes, vendo que o presidente de baixíssima capacidade intelectual e política é incapaz de atender aos seus anseios. Os pilares foram expostos.

 

 

 

Por Aluysio Abreu Barbosa

As manifestações do dia 26 foram aquém dos protestos do dia15 contra o corte na educação pública. No placar parcial de municípios brasileiros, contabilizado pelo G1, está governo 156 x 222 oposição. Falta a rodada dos novos protestos pela educação desta quinta (30). Mas, sim, o domingo serviu a uma inconteste demonstração de força do governo. Que será sempre refém da lógica: só governo fraco precisa demonstrar força.

Concordo contigo e alguns comentaristas: tudo dependerá da resposta da economia às reformas. À equação só acrescentaria o elemento das investigações do MP/RJ sobre Flávio Bolsonaro e a ligação da família presidencial com as milícias fluminenses. Mas como Lula foi reeleito pelo resultado econômico do seu governo, mesmo após o Mensalão, voltamos à sentença do Jim Carville, ex-marqueteiro de Bill Clinton: “It’s the economy, stupid”.

Quanto à questão do pacto, também concordo se tratar de trégua entre os três poderes. Embora não entenda como o STF possa pactuar nada além do cumprimento da Constituição. Contudo, a não ser que o presidente, seus filhos e astrólogo voltem à carga nas redes sociais, pode durar até a aprovação das reformas da Previdência e tributária. Ambas serão conduzidas pelo “parlamentarismo branco” abertamente instalado no país.

Aprovadas as principais reformas por um Congresso que, sim, “não quer sair como vilão”, quem controla a pauta da Câmara, inclusive pedidos de impeachment, pode se lembrar que foi representado nas passeatas do domingo com o logotipo da Odebrecht e notas de dólar nos bolsos e sapatos, rotulado publicamente como “Nhonho”, “Judas” e “171”. Por muito menos, Eduardo Cunha (MDB) fez o que fez, antes de se tornar residente do Complexo Penal dos Pinhais.

 

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