Fred anuncia cortes na Câmara e analisa governos de Rafael e Carla

 

Por Arnaldo Neto e Aluysio Abreu Barbosa

 

Conhecido na política pelo temperamento afável, o novo presidente da Câmara de Campos, Fred Machado (PPS), assume o cargo anunciando cortes. O fim do lanche dos vereadores e das sessões solenes já está certo. Ele quer também cortar o carro para os edis. O ex-líder do governo Rafael Diniz (PPS) concorda que 2019 é o ano para o prefeito retomar a popularidade que o elegeu no primeiro turno em 2016, mas sofreu desgaste pelas dificuldades financeiras deixadas pelos Garotinho. Para isso, prega a unidade do grupo governista, que admite não ter acontecido em 2018, na disputa a deputado federal do vereador Marcão Gomes (PR), seu antecessor na presidência. Fred também analisou as administrações de Rafael, seu aliado político, e de Carla Machado (PP), sua irmã, em São João da Barra. Ele garantiu não haver possibilidade dela concorrer a prefeita de Campos em 2020. Se Carla não puder se candidatar à reeleição em SJB, por problemas jurídicos, revelou que ela “terá a alternativa certa”.

 

(Foto: Anotnio Leudo – Folha da Manhã)

 

Folha da Manhã — Você fez parte de um pequeno grupo de oposição na legislatura passada, que conseguiu eleger o então vereador Rafael Diniz (PPS) prefeito no 1º turno, vencendo em todas as zonas eleitorais de Campos. E foi líder do governo, antes de substituir Marcão Gomes (PR) na presidência da Câmara. Para quem esteve dos dois lados, dá pra dizer que é mais fácil ser pedra do que vidraça na política?

Fred Machado — Eu acredito que ser pedra e vidraça na política são mais ou menos parecidos, por conta das responsabilidades que você tem.  A gente tem que  estar aceitando as críticas, fazendo políticas construtivas e tentar melhorar.  Na época que eu caminhei como pedra, nós nunca inventamos nada em relação ao governo. A gente falava em bases sólidas. Espero que agora também como vidraça eu possa também aceitar as críticas construtivas, mas também em bases sólidas.

 

Folha — E se não forem?

Fred — Quando não forem, eu vou falar a verdade. E aí a gente tem como discutir a veracidade e a falsidade dos fatos. Quando a gente está como vidraça, é mais fácil a gente ser atingido por uma pedra, mas com certeza o diálogo é a coisa mais importante. E eu vou prezar muito pela transparência na Câmara.  A gente já está mudando, mexendo no Portal da Transparência, recebendo umas demandas de pessoas físicas. Vamos fazer uns acertos no Portal da Transparência. Já conversei com meu grupo que eu quero essa transparência, que eu sempre prezei lá atrás, possa acontecer agora no momento que eu estou como presidente da Câmara. A gente tem uma lei 12.527 que é a lei da transparência do governo federal. E ela tem algumas coisas que a gente precisa estar implantando no nosso site, tal como um formulário onde as pessoas podem estar formatando suas perguntas. A gente tem que estar colocando também o e-sic (Sistema Eletrônico do Serviço de Informações ao Cidadão) que é uma ferramenta importante, um sistema de informação do cidadão. Você ali também através do e-sic, seria uma pergunta mais sucinta, não seria uma coisa muito grande e que você poderia estar naquele momento mesmo dando a resposta, como tem também o prazo na Lei de Acesso da Informação que a gente tem documentos, várias coisas que a gente teria até 20 dias de prazo para responder e mais dez. Então aquilo que a gente puder responder de imediato a gente vai responder de imediato.

 

Folha — Você foi líder do governo, na linha de frente contra a oposição. Apesar disso, foi eleito presidente da Câmara por unanimidade, como a Folha adiantou na coluna Ponto Final. Ocupando por dois anos uma posição de enfrentamento, como conseguiu depois essa unanimidade?

Fred — No fundo, eu sempre fui uma pessoa de muito contato, de muita conversa. Eu acredito que a gente não consegue chegar a algum lugar se a gente não conversar com as bases. E hoje eu tenho contato direto com os que hoje se dizem independentes. Por que lá na Câmara hoje não se cita grupo de oposição, se cita grupo de independentes. Quando eles querem uma reunião comigo, eles chegam e falam: “Fred, você teria tempo de receber o grupo dos ‘independentes’?”.

 

Folha — Os “independentes” são os vereadores de oposição?

Fred — Os “independentes” que eu me refiro seriam Álvaro Oliveira (SD), Alonsimar (PTC), Renatinho do Eldorado (PTC), Josiane (PRP) e Eduardo Crespo (PR). Graças a Deus, eu nunca tive um desentendimento com ninguém, mesmo sendo oposição. Por que eu acredito que cada um está ali para disputar o seu espaço, suas convicções ideológicas e não brigar. Aliás, brigam as ideias e não as pessoas. A pessoa ali discute, debate, mas ali atrás (da Câmara) a gente tem um tratamento formal, respeitoso. Eu como líder do governo atendi a diversas solicitações de vereadores da oposição. Então eu acho que esse entendimento fez com que a gente tivesse essa unanimidade e acredito que vai ser assim com a Câmara. Hoje, eles têm visto o quanto de atenção eu tenho dado a eles. Eu tenho apenas aquela vontade em fazer com que o grupo continue unido e que eu possa cada vez mais unir esse grupo em prol do Legislativo. Aquilo que aquele vereador de oposição não tem, aquele outro também não terá. Pela minha vontade, eu terminaria com os carros na Câmara. A Câmara tinha alguns carros alugados, que serviam aos vereadores. Já que houve o gancho da Alerj, acho que também poderíamos adotar a medida e acabar com os carros, até mesmo para evitar questionamento em época eleitoral. Diante disso, estou dando uma informação em primeira mão para vocês. Conversei hoje (quarta) com o Controle Interno da Câmara, para ver se temos essa possibilidade de também cortar essas despesas com carro. E vou também tentar cortar a verba do brunch (lanche para os vereadores), que não vejo necessidade. Se lá atrás eu batia nisso, por que agora eu vou manter? Isso é um ponto certo. Os vereadores vão chegar para a sessão e terão que vir de casa com o lanche tomado.

 

Folha — Até o momento não há pesquisa divulgada, mas a impressão é que a onda verde que elegeu Rafael no primeiro turno, em todas as zonas eleitorais do município, não é a mesma. Fala-se que 2019 seria fundamental para tentar recuperar a popularidade do prefeito para 2020, quando ele já disse, em entrevista à Folha, que disputará a reeleição. Concorda?

Fred — Concordo com as duas teses. Quanto à perda de popularidade, não foi só Rafael. Nós, vereadores da base, também, porque acreditamos em um projeto com o pé no chão. Mas nós pegamos, realmente, um município com problemas. Hoje estamos vivendo isso com o Governo do Estado. Eu tenho certeza que o Governo do Estado terá dificuldades em manter as contas em dia e pagar o funcionalismo. Aqui, em Campos, nós ficamos desprovidos de recursos e até hoje estamos pagando dívidas do passado.

 

Folha — Isso porque a Câmara, com o ex-procurador Robson Maciel Junior, conseguiu revisar no TRF-2 o contrato draconiano que os Garotinho fecharam com a Caixa na “venda do futuro” de Campos. Do contrário, seria muito pior.

Fred — Sim, o apoio do Robson foi fundamental. Por um lado eu fico triste de ele ter nos deixado, mas fico muito feliz por ele estar buscando o espaço dele. Conversei com ele, vai ser pessoa que vai estar sempre ao meu lado. Fiquei com a Procuradoria que ele avalizou. Em relação à popularidade do governo, voltando à pergunta, aquilo que a gente perdeu, vamos recuperar através do Centro de Segurança Alimentar e Nutricional (Cesan), o antigo Restaurante Popular.

 

Folha — Tem o Hospital São José, a Clínica da Criança, a retomada de obras no Palácio da Cultura e no Mercado. Isso tudo Rafael anunciou para 2019.

Fred — Tem vários projetos. Eu vou conversar com Rafael, até mesmo para tomar pé da situação, conhecer o cronograma dessas obras, passar para os vereadores. E a gente realmente espera ver essa popularidade crescer. Rafael é um político pé no chão. Eu acredito muito nele por isso. Não vi Rafael falar uma coisa, dita por ele a mim, que ele não tenha cumprido. Acontecendo, todo aquele decréscimo de popularidade que os vereadores da base tiveram, vai se tornar um acréscimo de popularidade, porque a gente tem brigado junto com ele para que a nossa cidade prospere. E tem também a questão do transporte, que é uma parte fundamental e que se der certo esse sistema tronco-alimentador, que o IMMT e o prefeito estão montando. Se isso funcionar realmente, a gente vai ter as vans saindo dos distritos, tendo ponto de encontro com os ônibus. Se isso combinar, bater certinho, com a passagem a R$ 2,75, a gente vai ganhar muito com isso.

 

Folha — Marcão deve entrar em fevereiro no governo. Especula-se que seria na secretaria de Desenvolvimento Humano e Social. Na entrevista à Folha, Rafael não confirmou o cargo. É isso mesmo?

Fred — Sinceramente, eu não tenho essa informação sobre para onde Marcão iria, mas eu acredito muito na Sana (Gimenes, secretária de Desenvolvimento Humano e Social), no trabalho que ela faz. É uma pessoa que, caso Marcão vá para o Desenvolvimento Humano e Social, pode fazer um grande trabalho em outra pasta. E com relação a Marcão, ele é um político nato. Tenho uma estima muito grande por ele, somos amigos, tanto que eu o apoiei nas eleições. Fui a Carla conversar sobre ele, fomos juntos, ela disse que não poderia apoiar Marcão, porque já tinha outros compromissos, mas que não iria atrapalhar. Devo muito também à minha irmã, por ela ter entendido minha parte política. Assim como eu devo o meu primeiro mandato a ela, por ter me lançado candidato, agora eu tenho que fazer com que ela tenha orgulho de saber que o irmão dela anda com as próprias pernas.

 

Folha — Por falar em Carla, em 2012, ela encerrava o segundo mandato como prefeita de SJB e tinha grande aceitação do eleitorado campista. Naquele pleito ela participou bastante da sua campanha e você foi eleito com 4.956 votos. Já em 2016, quando Carla teve como foco a própria disputa à Prefeitura de SJB, sua votação caiu para 1.953. Você acredita que o fato de sua irmã ter ficado mais distante da sua campanha possa ter influenciado nesse resultado?

Fred — Com certeza influenciou. Mas o que mais influenciou foram as dificuldades, quando éramos oposição e não tínhamos a possibilidade de fazer nada pela população. Hoje é totalmente diferente. Recebi um telefonema da vereadora Josiane, me falando de uma pessoa que precisava fazer uma cirurgia cervical. A gente não tem na cidade essa prótese. A gente tem de mandar a pessoa para o IOT, lá no Rio. E eu já combinei com ela para segunda-feira a gente tentar resolver isso juntos.

 

Folha — Na legislatura passada isso não acontecia: a oposição pleitear junto ao governo?

Fred — A oposição não tinha como ser atendida com nenhum pedido, nem com poda de árvore. Se a gente precisasse da poda de árvore na rua da nossa casa, ia um outro vereador lá, do governo, fazer o pedido. Agora, não. Os vereadores, e eu tenho como provar, quando chegavam para mim, como líder do governo, eu levava as demandas ao prefeito e eram resolvidas. A falta de apoio da minha irmã influenciou, mas muito mais por a gente não ter tido espaço, hora nenhuma, no governo anterior.

 

Folha — No ano passado você sofreu um princípio de infarto antes de uma sessão extraordinária e chegou a passar por um procedimento cirúrgico. No retorno à Câmara, disse que “pegaria mais leve”. No entanto, deixou a liderança do governo para assumir a presidência da Casa. Este fardo é mais leve?

Fred — Não.

 

Folha — Pensou que seria?

Fred — Também não.

 

Folha — Conversou com o médico antes de aceitar?

Fred — Conversei (risos). Eu tenho tentado realmente trabalhar os problemas de uma outra forma. Eu trabalhava somatizando demais os problemas. Antes a gente ficava tenso demais, achando que de repente a gente tinha condições de resolver tudo. E, no fundo, a vida não é assim. Nem Jesus agradou a todos. Hoje mesmo estou vivendo essa situação lá na Câmara. Se eu cortar os carros, como falei, alguns vereadores vão ficar chateados. No entanto, a maioria da população vai ficar porque está mostrando que a gente está dando uma cara nova para Câmara, dando valor ao pouco recurso que a gente tem. Para que a gente possa chegar ao final estabelecido, sem problemas para contingenciamento. Isso incomoda muito. Hoje, se eu precisar fazer um contingenciamento de 3% em cima de (um salário de) R$ 3 mil dá R$ 90. De 30%, dá R$ 900. E aí já é a mensalidade de uma escola, por exemplo. Eu penso como se fosse comigo. Eu estou ali e eu não gostaria de perder, como nos perdermos com Dr. Edson (Batista, PTB, presidente da Câmara no governo Rosinha). Teve um contingenciamento de 30% que nós fomos favoráveis, à época, não discutimos, porque sabíamos que era um problema que acontece. Na época eu falei que era um problema comum em Tribunal de Contas do Estado. É o teto, o limite. E hoje eu quero trabalhar um pouco mais folgado em relação a isso. Então, o que estou pensando em fazer é projetar nos dois anos aquilo que a gente vai gastar e se tiver de tirar 3%, não é nada demais. E nem vai ser feito, não há nada que aponte para esse caminho. Mas, se houver, eu já cheguei para os vereadores e conversei, que é melhor a gente fazer agora, de 3%, do que deixar para depois e ter que fazer de 30%. Mas, com certeza gostaria de frisar: nenhum apontamento financeiro foi colocado ainda para mim, para que a gente tenha que fazer isso, para não criar alarde. Porque, com certeza, o dia que tiver de ser feito, logo estarei passando para as pessoas. Na gestão anterior, que teve de demitir os funcionários com Regime de Pagamento Autônomo (RPA), talvez para mim tenha sido bom.

 

Folha — Poupou você de ter que fazer o corte?

Fred — Ruim por um lado, porque agora eu fico pressionado nessa questão dos empregos, mas bom, também, porque não fui eu que tive de fazer. Tem as empresas terceirizadas que eu vou ter de voltar, a parte de vigilância, portaria. Eu sei que eu preciso economizar no lanche, no carro. A relação de RPA para terceirizado é de 1 para 2,8. O que pagava no RPA mil, se paga R$ 2,8 a 3 mil para terceirizado. Não estou dizendo que Marcão não fez o que deveria ser feito, mas cada um tem a sua administração. Eu prefiro trabalhar com RPA zero na Câmara.

 

(Foto: Antonio Leudo – Folha da Manhã)

 

Folha — Após assumir a presidência, um dos seus primeiros atos foi não prorrogar o corte de 30% dos salários dos comissionados, que durou entre outubro e dezembro de 2018. Você falou também em contingenciar, que é melhor cortar 3% agora do que cortar 30% depois. Na comparação entre os ex-presidentes Nelson Nahim e Edson Batista, que virou no folclore da Câmara de Campos, você quer ser bolo de fubá ou bolo Amélia? Vai deixar farelo quando tiver que cortar a fatia?

Fred — Eu tenho conversado muito com os vereadores para mostrar a real situação da Casa. Eu já penso em cortar bastante sessões solenes na Câmara porque isso gera custo. Já começamos a conversar sobre as moções de aplausos que existem dentro do regimento, eu posso estar colocando e vou colocar cinco moções de aplausos por mês, para cada vereador. Isso é regimental, não estou inventando. Quando você faz uma sessão solene, dependendo de qual for, tem que colocar rosas, trazer pessoas para fazer o cerimonial e tudo isso envolve custos. Essas medidas já são certas de acontecerem, das cinco menções de aplausos por mês para cada vereador, cortar o lanche e sessões solenes.

 

Folha — E os carros?

Fred — Sobre os carros estarei conversando nesta semana com alguns vereadores. Já tenho de acordo o próprio Alonsimar. Eu sei que vai ter controvérsias, mas eu, como presidente da Câmara, tenho que ouvir a maioria. Se a maioria estiver comigo e achar que a gente deve fazer, vai ser feito.

 

Folha – Em dezembro do ano passado Marcão precisou dispensar 31 porteiros depois que a Polícia Federal foi à Câmara para dizer que porteiros e vigilantes não poderiam ser contratados por meio de RPA e, sim, por uma empresa especializada. Marcão, na época, disse que era uma coisa que ficaria para sua gestão. Existe alguma solução para a questão dos vigilantes? Há necessidade da Câmara ter esse número de porteiros, maior do que o de vereadores?

Fred – Marcão não contratou vigilantes. Não eram pessoas armadas. Ficou o nome de porteiro, mas no fundo, eles também faziam a segurança do plenário sem arma. Mas temos que fazer o que a Justiça manda. Ele, infelizmente, na mesma hora que recebeu a notificação, exonerou todos. Isso mostra sua obediência à decisão judicial. O que vou fazer é tentar não ter esse erro, já que eu tivesse esse privilégio de saber que isso não poderia ser feito. O que vai ter que acontecer? Já existe licitação para vigilante. Temos que cortar os custos de carro, lanche para também suportar essa demanda que vou ter. E vou chamar a empresa que ganhar a licitação para diminuir o número de postos. Não existe condição orçamentária para que a gente fique com 38 postos.

 

Folha — Você é do PPS, mesmo partido do prefeito. Vocês têm uma relação desde a legislatura passada, na oposição aos Garotinho. Depois, foi líder do governo Rafael. Mas antes da sua eleição a presidente, você falou à coluna Ponto Final que não seria nela um capacho como foi Edson Batista. Como será a relação entre os poderes Legislativo e Executivo de Campos?

Fred — Eu nem gostaria de repetir o que falei, porque no fundo eu sempre tive um grande respeito por dr. Edson. Só que ele realmente deixa a desejar porque não deixava com que a oposição tivesse vida dentro da Câmara.

 

Folha – E você e Rafael?

Fred – Eu e Rafael temos uma amizade muito grande.

 

Folha – Mas como presidente da Câmara e prefeito.

Fred – Rafael não sabe onde tem um grampo dentro da Câmara, não sabe onde é a sala de um vereador sequer. Se foi na Câmara duas ou três vezes, é muito. Acho, sim, que temos que ter harmonia entre Legislativo e Executivo.

 

Folha – Qual o limite entre harmonia e independência?

Fred – Acredito que no meu caso, nunca tive de Rafael alguma situação que me faça sentir dependente.

 

Folha – Falo da Casa, não de você.

Fred – Eu me incluo na Casa, como presidente, e tenho certeza de que se eu tiver de chegar para Rafael e solicitar que reveja alguns cálculos que possa estar beneficiando a Câmara em prol da população, ele verá com boa vontade. Hoje temos uma estimativa de perdermos 0,5%. A primeira coisa que fiz foi chegar no prefeito e falar: “Prefeito, esse duodécimo vai baixar de 5% para 4,5%”. A abertura que temos com o prefeito, como presidente da Câmara, foi mostrada assim. Ele disse: “Fred, se houver alguma coisa que a Prefeitura esteja faltando repassar para a Câmara, que você tenha a liberdade de ir na secretaria de Fazenda, resolver e me trazer”. Ele quer fazer o certo e eu também.

 

Folha – E foi resolvido sobre o duodécimo?

Fred – Estamos resolvendo já. Estou com o grupo formado pelo pessoal da auditoria interna, tem um pessoal da secretaria de Fazenda. Temos consultas também ao Tribunal de Contas do Estado.

 

Folha – Falando sobre a condução da Casa, você vai comandar o Legislativo em um ano eleitoral, em 2020. Como mediar a Câmara para que o debate não seja voltado apenas a política partidária e, sim, de coisas que sejam do interesse do município?

Fred – Fazendo isso que te falei. Colocando projetos em pauta, trabalhando também audiências públicas que realmente venham interessar a população. Acredito também que eu teria condições, através da Emugle (Escola Municipal de Gestão do Legislativo), de fazer alguns programas que todos os vereadores possam estar passando, alguma coisa para a população, trabalhar na rádio Câmara e, principalmente, voltar com o Parlamento Regional.

 

Folha – Na véspera da sua eleição, além da expectativa da votação unânime, você também falou ao Ponto Final sobre o Parlamento Regional. Qual a importância disso?

Fred – Isso. Já pedi para pegarem todos os papéis, a primeira ata, vou buscar junto com São Francisco, São João da Barra, municípios vizinhos. Vamos trabalhar bastante isso. Lá atrás, cheguei a falar que enquanto comíamos caviar, o povo passava fome, acho que agora tenho que dar o exemplo. Se é uma prerrogativa do presidente poder tirar esse lanche, já avisei ao pessoal que não vai ter.

 

Folha — Em 2016, antes das convenções, o nome de Carla chegou a ser cogitado como possibilidade de vir candidata à Prefeitura de Campos. Mas ela acabou concorrendo e levando pela terceira vez a Prefeitura de SJB. Especula-se que ela poderia  pensar nisso em 2020. Como presidente da Câmara, aliado do prefeito Rafael e irmão da prefeita Carla Machado, existe essa possibilidade?

Fred — Eu converso bastante com a minha irmã. Não vejo essa possibilidade. Carla, como todos dizem, na gíria popular, é minhoca da terra. Carla tem um amor muito grande por São João da Barra. Tenho certeza que, muitas vezes, quando se especula isso, se não fosse você especulando isso, eu ia achar que fosse a oposição, que talvez quisesse me fazer afastar do prefeito. Mas, isso já foi conversado uma série de vezes com a minha irmã. Com certeza, ela não tem vontade nenhuma de vir candidata a prefeita em Campos. E eu me sinto muito tranquilo, porque sei da amizade que ela tem com Rafael, que a admira muito. Não vejo possibilidade nenhuma disso acontecer. Eu estou muito tranquilo em relação a isso, porque eu converso direto com ela. Isso é uma coisa que se especula, como eu disse, pelo lado da oposição, para criar, realmente, uma divisão.

 

Folha — Você abstraiu a pergunta anterior de dolo de oposição, o que é bom. E há campistas que não são da oposição e veem com bons olhos a possibilidade de Carla concorrer a prefeita de Campos. Como viram em 2016, quando isso foi cogitado. Não há nenhuma possibilidade?

Fred — Eu me sinto, como irmão, orgulhoso das pessoas pensarem em Carla aqui. Sinal que ela faz um bom governo lá.

 

Folha — Um exemplo? Quando foi prestigiá-lo na posse como presidente da Câmara de Campos, Carla foi ovacionada pelo público.

Fred — Eu acho que ela deu mais Ibope do que eu, né? Mas é isso, ela tem um carisma muito grande, é uma pessoa com uma experiência política grande, gosta do que faz. E eu acho que o Rafael é a mesma coisa. Ele também gosta muito do que faz, está passando a ter essa experiência no Executivo, enquanto Carla já está no terceiro mandato. É uma diferença muito grande. A mesma coisa se você pegar o Marcão, hoje, com essa bagagem que já teve desses dois anos, e eu começando agora. Não tem nada demais eu pedir conselhos, chegar para ele e falar: “Olha, isso aqui é por aqui mesmo?”. É o que eu faço. Eu tenho Marcão como amigo. Ouço o Robinho também. A equipe da espinha dorsal da Câmara, eu não mexi, porque confio nas pessoas. A parte política eu deixei de lado, porque se fosse pensar só em parte política, tiraria todos. Mas, não. Eu quero trabalhar, e trabalhar bem. Trabalhando bem, a minha parte política prospera. Do que adianta eu tirar pessoas pensando politicamente e me atrasar administrativamente? Então, eu mantive a espinha dorsal da Câmara, que é a superintendência, o controle interno. Um bom trabalho administrativo vai refletir politicamente para mim.

 

Folha — Ainda sobre a sua irmã, há quem comente, também, que a única possibilidade de ela não ser candidata à mais uma reeleição em SJB, seria sua condenação no Tribunal Superior Eleitoral (TSE)  na operação Machadada, caso se confirmem as decisões do juízo local e do Tribunal Regional Eleitoral (TRE). Carla só estaria fora do jogo se fosse condenada?

Fred — Eu acredito que ela pensa em ser reeleita. E, com certeza, o trabalho que ela tem feito faz com que seja franca favorita. Esses problemas judiciais sendo resolvidos, com certeza o nome ideal para voltar a ser prefeita de São João da Barra é Carla Machado.

 

Folha — Acredita que os problemas jurídicos serão resolvidos?

Fred — Eu tenho praticamente certeza que vão ser resolvidas, pelas defesas que foram feitas. Inclusive, a gente sempre conversa sobre isso e eu a vejo muito tranquila. Quem não deve não teme. Ela me fala sempre isso: “Ico, eu não devo, não tenho o que temer”. Mas, acredito que, caso haja algum problema, ela terá a alternativa certa. Uma vez que ela já foi traída, ela vai pensar com muito mais calma, com mais razoabilidade nas pessoas que ela vai colocar.

 

Folha — Traída por Neco (ex-prefeito de SJB)?

Fred — Isso, traída por Neco.

 

Folha — Qual avaliação você faz da metade dos governos Rafael e Carla? Poderia fazer uma comparação entre eles?

Fred — Eu vejo como duas situações distintas. Rafael pegou já com dois empréstimos feitos pela Rosinha, com a “venda do futuro”, que nós fomos veementemente contra. E avisávamos que nossos filhos iriam pagar. Muita gente não acredita nisso na época. E é aquilo que eu falei lá atrás, quando você entra, assim como eu estou me colocando, hoje, como um presidente de Câmara inexperiente ainda, eu vejo Rafael ainda como novo no Executivo; não inexperiente, mas novo. Carla já acompanhava, já sabia o quanto ela ia pegar de problemas. E desde o começo ela cortou todos os benefícios, aluguel social, e a gente ainda demorou um pouquinho para fazer isso.

 

Folha — Você acha que o governo de Campos errou nisso?

Fred — Talvez não tenha sido um erro. Eu acredito que tenha faltado, talvez, a gente saber como estava a casa. A transição foi tumultuada, documentos que sumiam, a gente não sabia daqueles empenhos que tinham sido cancelados. A gente chegou até a conversar no começo sobre essa situação: que, se tivesse de cortar alguma coisa, seria melhor fazer logo de início. No fundo, achei que ele foi coerente, porque ele não sabia o que ia encontrar. Carla, com a experiência que ela tinha já de dois mandatos, já sabia mais ou menos o que ia encontrar e já entrou com o pé na porta. Quando a gente entra em um cargo pela primeira vez, é muito difícil não ter uma pessoa do seu lado que já tenha participado. Eu converso com vereadores da oposição, com vereadores que estão envolvidos na Chequinho. No fundo, eu sei o modus operandi que eles trabalhavam lá. Só que eu me mantenho sempre quieto, porque eu acho que a confiança é uma das maiores coisas que a gente pode ter. E se eles falam alguma coisa comigo, é porque têm confiança. E eu me mantenho quieto e procuro não errar da forma que eles erraram. Então, eu acredito que a diferença (entre os governos) é esta: Rafael ter entrado, ter montado uma equipe, mas não ter tido tempo de ver que o tamanho do problema de Campos é bem maior, por conta da quantidade de vereadores, da extensão territorial que nós temos. E também, por conta de não termos uma equipe, já que na de Carla ela mudou peças no governo, mas conservou algumas. A de Rafael teve de mudar praticamente toda.

 

Folha — Mas qual a sua avaliação da primeira metade do governo Rafael e da primeira metade do governo Carla?

Fred — Avalio como mais favorável para Carla.

 

Folha — De 0 a 10, para um e o outro?

Fred — Colocaria 6 para Rafael e 8 para Carla. Fazendo um adendo que tanto lá, como cá, essa média sobe.

 

Folha — Comenta-se que o verão no Farol seria o primeiro passo nessa retomada de popularidade do governo de Campos. Isso seria fruto não só com a parceria com o Sesc nos shows, mas com Rafael resgatando talvez sua maior virtude como político, que é o contato corpo a corpo com o eleitor, após ter passado os dois primeiros anos mais fechado no Cesec. Como você avalia isso?

Fred — Eu comparo a mim, neste momento que estou. No momento que você entra em um cargo público que você nunca ocupou, se a gente não se fechar um pouco para tomar pé da situação, a gente não consegue pegar as rédeas das coisas. E o que Rafael sabe fazer bem é política, na rua, corpo a corpo, é uma pessoa super simpática, que dá valor às pessoas. Ele não é político só para ter voto, é para ajudar. Eu já vi Rafael ajudar pessoas que viviam falando mal dele em Facebook, principalmente na doença, assim como Carla. Acho que os dois têm muita identificação nessa parte de saúde. Independente de aqui em Campos ainda estarmos com problemas sérios. Mas com certeza, em 2019, tanto Campos como SJB vão dar um grande salto. A gente tem que trabalhar a parceria público privada direto e Rafael solto na rua, os vereadores trabalhando os projetos, vendo as demandas que a população realmente precisa, levando até o prefeito. O vereador é importante demais.

 

Folha — O ex-deputado Paulo Feijó disse em entrevista à Folha no último domingo (27) que Marcão não teria sido eleito deputado federal porque o grupo do governo não fechou integralmente com ele. Concorda?

Fred — O deputado acompanhou melhor do que eu, ele esteve muito junto com Marcão na eleição. Eu ajudei Marcão em reuniões, em algumas situações. Então, no fundo, o grupo que eu via nas reuniões era o grupo de governo. Mas, deixei de ver, realmente, algumas pessoas.

 

Folha — Para essa retomada em 2019, não é fundamental que essas ausências não ocorram mais?

Fred — Concordo e vou trabalhar para isso, principalmente dentro da Câmara. Vou trabalhar para que a gente mantenha a unidade. Acho que é importante a gente ter como primordial a eleição de Rafael. Independente de eu estar vereador ou não, estando no grupo, eu tenho certeza que vou ser valorizado. E eu acho que é isso que os vereadores do grupo da base devem pensar. Vamos focar na eleição de Rafael.

 

Folha — Você deu nota 6 para Rafael e 8 para Carla. Prevê uma nota para o final desses governos?

Fred — Eu torço para 10 e 10 (risos).

 

Folha — Você torce. Mas o que espera de fato?

Fred — Coloco as dificuldades de Campos maiores. Então, que seja 10 a 9. Já fico satisfeito.

 

Página 2 da edição de hoje (03) da Folha

 

Página 3 da edição de hoje (03) da Folha

 

Publicado hoje (03) na Folha da Manhã

 

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Quem perde, ganha e deveria aprender com a eleição do Senado

 

 

O que será Davi Alcolumbre na presidência do Senado? É difícil prever. Mas, a César o que é de César, foi uma vitória consistente do governo Jair Bolsonaro, sobretudo do seu principal articulador político: o ministro da Casa Civil, Onyx Lorenzoni.

Alcolumbre e Onyx são do DEM — ex-PFL, ex-PDS, ex-Arena dos militares na última ditadura brasileira (1964/1985). E a legenda agora controla o Senado e a Câmara Federal, com Rodrigo Maia, o que não é pouca coisa. Hoje, mesmo que o PSL tenha o presidente, o DEM desponta como o partido mais poderoso do Brasil.

Com a derrota de Renan Calheiros, além do próprio, perdem o presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Dias Toffoli, seu colega ministro Gilmar Mendes, o PT e todos os presos e investigados na Lava Jato. Derrotar essa gente toda junta, também não é pouca coisa.

Ministro da Justiça e Segurança, Sérgio Moro respirou mais aliviado com a definição na Câmara Alta da República. Fosse presidida novamente por Renan, ele seria o principal adversário do ex-juiz federal no pacote anticorrupção que este prepara para enviar ao Congresso.

Pelo menos no discurso de vitória, Alcolumbre foi sensato. Tentou baixar a temperatura que entrou em ebulição no polêmico processo da eleição do Senado. Ao se mostrar generoso na vitória, deveria servir de exemplo ao ressentimento ainda destilado por Bolsonaro e parte dos seus eleitores.

 

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Peso do Estado sobre o empreendedor ameaça tradição na Campos/SJB

 

Charge de José Renato publicada hoje (01) na Folha da Manhã

 

Razão de Bolsonaro

Raras vezes se viu um início de governo no Brasil tão tumultuado quanto o de Jair Bolsonaro (PSL). Após o Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) levantar forte suspeita da prática de “rachadinha” pelo senador Flávio Bolsonaro (PSL), quando ainda era deputado estadual do Rio, as ligações do clã presidencial com a organização criminosa das milícias puseram em xeque o discurso moralista que levou o capitão do Exército ao Palácio do Planalto. Mas se tem uma coisa em que Bolsonaro está coberto de razão é quando volta e meia afirma: “Nós temos que tirar o Estado do cangote do empreendedor brasileiro”.

 

Tradição empreendedora

Em São João da Barra, foi demonstrado o peso da burocracia e voracidade do poder público sobre quem empreende. E logo sobre os pequenos. Quem costuma visitar o município sem se deparar com as barraquinhas de ambulantes à beira da BR 356, no trecho de Cajueiro? Fazem parte da cultura sanjoanense e da memória afetiva de quem frequenta Atafona, Grussaí e Chapéu de Sol. Ontem, o site da Prefeitura de SJB anunciou que termina hoje o cadastro anual para os responsáveis pelas 35 barracas que oferecem à beira da estrada produtos típicos da terra, como caju, castanha, graviola, pitanga, coco e ovo da roça.

 

Pouco é muito

O cadastro dos barraqueiros só começou a ser feito na última segunda-feira, na Sala do Empreendedor, ao lado da 145ª DP de São João da Barra. E quem não o fizer, nesse prazo exíguo de cinco dias, é ameaçado de não poder mais seguir na atividade econômica que costuma passar entre gerações de famílias de baixa renda. A quem para de carro e compra os produtos rurais, pode parecer pouco. Mas a taxa anual de R$ 161, cobrada pela superintendência municipal de Comércio, Serviços e Empreendedorismo, faz diferença no orçamento de quem vende nas barracas para sustentar sua família.

 

Matemática política

Os barraqueiros de Cajueiro sofreram um grande baque na produção da fruta que dá nome à localidade. Em 2005, uma praga conhecida como mosca branca destruiu 90% dos pés de caju da região. Só em 2010, com o plantio de 45 mil mudas, trazidas do Ceará, a atividade começou a se recuperar. O superintendente de Comércio, Serviços e Empreendedorismo do governo Carla Machado (PP) é Luciano Barreto. Em 2016, foi candidato a vereador pelo Pros, teve apenas 134 votos e não se elegeu. Com as 35 barracas multiplicadas pelos quatro da média de cada família que sustentam, são no mínimo 140 pessoas afetadas.

 

Testemunho

Os barraqueiros de Cajueiro falaram à reportagem da Folha sobre o “peso do Estado”, representado pelo governo sanjoanense, sobre sua atividade de subsistência: “Nós temos que pagar uma taxa de R$ 161, só que marcaram de última hora. Já que é um cadastro anual, eles poderiam deixar para quitar até dezembro. É complicado tirar esse valor do nosso bolso agora para pagar. Só mexem nisso no verão, na hora que nosso movimento é maior. Temos que deixar de trabalhar para resolver isso. No inverno, não aparecem. Pra mim, o cadastro não vai adiantar de nada, igual ao ano passado”, criticou a barraqueira Jéssica Oliveira, de 23 anos.

 

Educação

O município de Campos conseguiu superar a meta prevista para até 2024 do Plano Nacional de Educação (PNE) e a do Plano Municipal para atendimento às creches. Ao contrário do que ocorre com o ensino fundamental, não existe obrigatoriedade de universalização de oferta em vagas em creche. Entretanto, o plano estabelece que, pelo menos, 50% das crianças de até três anos de idade sejam atendidas. Hoje, mais de 60% são beneficiadas e a previsão é que este percentual ainda cresça. Uma boa notícia para a volta às aulas.

 

Prazo adiado

O Governo do Estado do Rio de Janeiro prorrogou o prazo do recenseamento obrigatório para os servidores ativos, aposentados e pensionistas nascidos nos meses de novembro e dezembro. Eles terão até o dia 7 de março de 2019 para realizar o procedimento em qualquer agência do Bradesco do país. Esta é a última chance para que 18 mil servidores, que ainda não se cadastraram, façam a atualização cadastral e não tenham seus salários suspensos.

 

Com o jornalista Mário Sérgio de Souza

 

Publicado hoje (01) na Folha da Manhã

 

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Nossa Senhora dos Navegantes e Claudinha têm homenagens no Pontal

 

Reduto tradicional de grande parte dos campistas no verão, Atafona não se resume à programação oficial dos shows de sábado e domingo, no Balneário da praia sanjoanense. Desde hoje começou a Festa de Nossa Senhora dos Navegantes. Padroeira dos pescadores de Atafona, a imagem da santa sai nesta sexta (01) em procissão da sua capela no Pontal. De lá, segue ao Píer do Pescador, parte em procissão fluvial, desembarca nas areias do Pontal e volta à capela. Segundo o livro “Uma dama chamada Atafona”, do jornalista e pesquisador João Noronha, é uma tradição que ocorre anualmente desde 1955.

No sábado (2), dia em que os católicos celebram Nossa Senhora dos Navegantes, a programação começa bem cedo, com alvorada às 6h. Já às 18h30 será celebrada a missa solene (campal). Depois, a procissão terrestre percorre as principais vias públicas de Atafona. Na chegada, acontece a cerimônia de coroação e uma queima de fogos, encerrando as atividades religiosas. A Prefeitura colabora com a parte de estrutura, mas as flores que enfeitam a festa, assim como os fogos, são bancados pelos próprios pescadores do Pontal.

 

Morta no dia 25, Claudinha Arenari terá sua cinzas lançadas na foz do rio Paraíba, neste sábado (2), dia de Iemanjá. Organizado por amigos e parentes, o luau em sua homenagem será no Pontal de Atafona (Foto: Facebook)

 

É na base da colaboração que amigos e parentes da bilbiotecária Cláudia Arenari irão homenageá-la (aqui) com um luau, também nas areias do Pontal de Atafona, a partir das 18h de sábado.  Tradicional veranista de Atafona, Claudinha estava lá quando passou mal e foi internada na Santa Casa de São João da Barra, onde morreu (aqui) na última sexta (27). Ela tinha 62 anos. Após o velório em Campos, seu corpo foi cremado em Nova Friburgo. E suas cinzas serão lançadas no encontro das águas do rio Paraíba do Sul com o oceano Atlântico.

A data da homenagem a Cláudia é simbólica: no sincrestismo religioso brasileiro, 2 de fevereiro é a data de Nossa Senhora dos Navegantes. E também de Iemanjá, rainha dos mares e divindade do candomblé e da umbanda. Claudinha era sua devota. Nas redes sociais, os organizadores pedem aos presentes: se possível usem vestimenta branca e cada um leva sua bebida, velas ou lanterna e madeira para a fogueira.

 

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Morre aos 62 anos, em SJB, a bibliotecária Claudinha Arenari

 

(Reprodução de Facebook)

Morreu hoje a bibliotecária Cláudia Arenari, mais conhecida como Claudinha. Ela tinha 62 anos e estava em Atafona, onde era uma tradicional veranista. No domingo, começou a passar mal, com quadro de vômito, ficando de cama o resto da semana. Nesta madrugada, sem apresentar melhora, deu entrada na Santa Casa de São João da Barra e passou à UTI,  onde foram dignosticados insuficiência renal, anemia profunda e queda de pressão. Foi tentada uma tranferência ao Hospital Dr. Beda, em Campos, mas havia risco na remoção, mesmo numa UTI Móvel. Na tarde de hoje, ela não resistiu e morreu.

Claudinha foi casada com o professor de história Augusto Soffiati, o Tata, com quem teve dois filhos: Bernardo e Bárbara. Filho desta, deixa também um neto: Noah. Aposentou-se como bibliotecária da Bilblioteca Municipal Nilo Peçanha. Nos anos 1970 teve destaque em Campos como bailarina. E, desde então, era figura frequente da vida artística da cidade. Sua morte inesperada deixa saudades nos parentes e muitos amigos que colecionou numa vida breve, mas intensa.

O velório ocorrerá ainda hoje no Campo da Paz. Familiares e amigos tentam depois levar o corpo para ser cremado fora da cidade.

 

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Detalhes do sequestro de Cristiano Tinoco por amigo e a solução do caso

 

 

Assunto do dia

Em toda a cidade, ontem não houve outro assunto. A prisão e o envolvimento confesso do empreiteiro José Maurício dos Santos Ferreira Júnior no sequestro do amigo e também empreiteiro Cristiano Tinoco, em 3 de dezembro. Zé Maurício, como é mais conhecido, foi preso por volta das 6h30 em sua casa, no luxuoso condomínio Sonho Dourado, atrás do Shopping Estrada. Ele foi apontado por outros dois participantes da ação criminosa como seu mentor. Um deles, o vigilante Junio dos Santos Costa, também foi preso ontem e confessou ter sido o elo de ligação entre Zé Maurício e os três autores do sequestro.

 

Todas as instruções

Quem também apontou Zé Maurício como mentor do sequestro foi outro vigilante, Marven Chagas Batista. Ele foi preso em 17 de janeiro, próximo à Feira de Santana, na Bahia. Na Delegacia de Homicídios de lá, deu a confissão mais detalhada sobre o caso. Ele conhecia Junio, que ajudou Zé Maurício a planejar o sequestro, desde que ambos trabalharam juntos como seguranças da boate Vip Night, em Guarus. Segundo Marven: “Zé Maurício ligou certa vez e disse: ‘Junio lhe passou todas as instruções? Quando você pode agir?’ (…) todas as instruções eram repassadas por Junio, que recebia as ordens de Zé Maurício”.

 

A preparação

Municiado pelas informações de Zé Maurício, Marven detalhou o preparo antes da ação: “durante quatro meses, ia à casa de Cristiano Tinoco, onde ficava esperando o mesmo sair e o seguia, para ver os locais que ia”.  Com o roteiro e hábitos de Cristiano mapeados, Marven contou: “um dia Junio ligou para o declarante, informando que estaria embarcado no dia do sequestro, mas que Zé Maurício já teria dado ‘sinal verde’ para cometerem o crime”. Só a partir daí entraram os outros dois bandidos que, junto com Marven, executaram a ação: Carlos José Gonçalves do Espírito Santo, o “Cacá”, e André Ângelo Monteiro, o “Cabeça”.

 

A ação

Como foi o único que participou da elaboração do plano e sua execução, o depoimento de Marven foi o mais completo. Foi ele quem abordou Cristiano no dia 3, que saía da secretaria municipal de Obras. Ele o chamou pelo nome, levantou a blusa, exibiu o revólver e assumiu a direção do seu carro, sendo seguido em outro veículo por Cacá e Cabeça. Pararam no Posto do Contorno e depois seguiram à residência de Cristiano. Como o empresário não tinha dinheiro em casa, ele lhe deu algumas joias e negociou com os três bandidos. Ligou para um amigo, que lhe levou R$ 192 mil. Antes de saírem, a esposa de Cristiano chegou e foi também rendida.

 

Contradição

Após ser preso ontem, Junio também admitiu sua participação no sequestro e apontou Zé Maurício como seu mentor: “por volta do mês de julho, do ano de 2018, foi procurado por José Maurício para planejarem e o declarante executar um roubo a um empresário chamado Cristiano Tinoco”. Zé Maurício confessou ter participado do crime. Ele disse que “incialmente receberia uma parte do proveito obtido com o crime, mas posteriormente avisou a Junio que não queria mais nada do que fosse obtido”. Junio, no entanto, o desmentiu: “Marven havia fugido com o dinheiro do resgate” e “José Maurício se revoltou com o desfecho”.

 

Detalhe do Rolex

Em parte, a versão de Junio foi confirmada pelo próprio Zé Maurício: “Junio contou que Marven, após o assalto, teria fugido com todo o dinheiro, dando ‘banho’ em todo mundo”. Foram de Marven as afirmações mais fortes sobre a autoria intelectual: “Zé Maurício não participou no dia do crime, mas foi o mentor do sequestro”. A atenção policial ao empresário surgiu por um detalhe. Uma pergunta dele sobre um relógio Rolex de Cristiano, no convívio de ambos como amigos, foi repetida durante o sequestro. As suspeitas sobre Zé Maurício foram confirmadas pela investigação. E reforçadas ontem pela confissão da sua participação.

 

Eficiência policial

Como os depoimentos confirmam a versão inicial do resgate de R$ 192 mil, caíram por terra as especulações feitas por um perfil nas redes sociais ligado ao ex-governador Anthony Garotinho (PRP). Nele foi dito que os bandidos teriam encontrado R$ 1,8 milhão na casa do empresário. A intenção era tentar explorar politicamente o caso, já que Cristiano é irmão do também empresário Cesinha Tinoco, chefe de gabinete do prefeito Rafael Diniz (PPS). Mais do que o envolvimento de um amigo no caso, só outra coisa ontem foi tão comentada: a eficiência da investigação da Polícia Civil de Campos, comandada pelo jovem delegado Pedro Emílio Braga.

 

Pulicado hoje (25) na Folha da Manhã

 

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Confissões apontam Zé Maurício como mentor do sequestro de Cristiano Tinoco

 

Preso hoje em sua casa e apontado como autor intelectual do sequestro do empresário Cristiano Tinoco, José Maurício Ferreira Filho era seu amigo (Foto: Antonio Leudo – Folha da Manhã)

 

“Afirmativamente, que confessa ter participado do sequestro das duas vítimas, Cristiano Tinoco e Thais Dinelli, mas nega que tenha planejado o crime, apenas executou a ordem de outros elementos (…)

Junio dos Santos Costa, conhecido como Junio, que planejou o crime com José Maurício Santos Ferreira Júnior, conhecido como Zé Maurício (…)

Que o declarante durante esses quatro meses, ia à casa de Cristiano Tinoco, onde ficava esperando o mesmo sair e o seguia, para ver os locais que ia (…) Que o declarante informa que Zé Maurício ligou certa vez e disse ‘Junio lhe passou todas as instruções? Quando você pode agir?’ (…)

Que todas as instruções eram repassadas por Junio, que recebia as ordens de Zé Maurício; Que Zé Maurício passou para Junio que repassou ao declarante que o sequestro de Cristiano deveria ocorrer em um momento oportuno e que iria avisar quando fazer, mas que ainda não havia data prevista, Que um dia Junio ligou para o declarante, informando que estaria embarcado no dia do sequestro, mas que Zé Maurício já teria dado ‘sinal verde’ para cometerem o crime (…)

Que Cristiano perguntou se a quantia de R$ 200.000,00 estaria bom para eles; Que Cristiano pediu que decidissem rápido, pois sua esposa e filhos estariam para chegar; Que disseram para Cristiano que poderia ser o valor, e que de imediato Cristiano  ligou para um amigo, que o declarante não sabe quem é, e Cristiano pediu a quantia de R$ 192.000,00 emprestada; Que após desligar, cerca de vinte minutos depois, o amigo de Cristiano chegou com um pacote e, quando iam saindo, a esposa de Cristiano entrou na casa e os flagrou, sem esboçar nenhuma reação (…)

Que o declarante esclarece que Zé Maurício não participou no dia do crime, mas foi o mentor do sequestro; Que o declarante esclarece que tinha mais contato com Junio, pois trabalharam juntos em uma boate de Campos, e que os demais conheceu durante a articulação do sequestro (…) Que o declarante afirma que quem idealizou o sequestro de Cristiano Tinoco e Thais Dinelli foi José Maurício Santos Ferreira Júnior, o qual reconhece por fotos neste ato.”

Esses são trechos de depoimento de Marven Chagas Batista, dado em 17 de janeiro, na Delegacia de Homicídios de Feira de Santana, na Bahia. Ele foi preso lá pelo sequestro do empreiteiro Cristiano Tinoco, praticado em Campos, em 3 de dezembro. Cristiano foi pego na rua, feito refém e conduzido à sua casa por Marven, Carlos José Gonçalves do Espírito Santo, o “Cacá”, e André Ângelo Monteiro, o “Cabeça”. Sem dinheiro em casa, o empresário negociou sua libertação e da esposa com os bandidos por R$ 192 mil, levados por um amigo.

Também empreiteiro e amigo pessoal de Cristiano, José Maurício dos Santos Ferreira Júnior, o Zé Maurício, foi apontado por Marven como autor intelectual do crime. Ele foi preso hoje (aqui), em sua residência, no condomínio de luxo Sonho Dourado, atrás do Shopping Estrada. Zé Maurício confessou sua participação no sequestro em depoimento na 134ª DP. Mas disse que “incialmente receberia uma parte do proveito obtido com o crime, mas posteriormente avisou a Junio que não queria mais nada do que fosse obtido”.

Também preso hoje, Junio dos Santos Costa ajudou Zé Maurício a planejar o sequestro. Junio e Marven se conheciam por terem atuado juntos como seguranças da boate Vip Night, em Guarus. Seu proprietário, Jean Carlos Caetano Guimarães foi assassinado a tiros (aqui) no último dia 9. Em depoimento à Polícia Civil, Junio admitiu sua participação no sequestro de Cristiano e apontou Zé Maurício como mentor do crime: “por volta do mês de julho, do ano de 2018, foi procurado por José Maurício para planejarem e o declarante executar um roubo a um empresário chamado Cristiano Tinoco”.

Pelos depoimentos, fica claro que Junio serviu como elo de ligação entre Zé Maurício e Marven. Este executou o sequestro junto com Cacá e Cabeça, que só entraram na ação perto da sua realização. Junio também desmentiu que Zé Maurício tenha desistido de receber sua parte do resgate pago por Cristiano Tinoco: “Marven havia fugido com o dinheiro do resgate; que o declarante passou essa versão a José Maurício, que se revoltou com o desfecho”. Junio foi em parte confirmado pelo depoimento do próprio Zé Maurício: “Júnio contou que Marven, após o assalto, teria fugido com todo o dinheiro, dando ‘banho’ em todo mundo”.

Delegado responsável pela investigação do caso pela 134ª DP, mesmo já tendo assumido a titularidade da 146ª DP de Guarus, Pedro Emílio Braga considerou o caso resolvido com as três prisões de hoje. Além de Zé Maurício e Junio, Cabeça também foi preso na operação Avaritia (cobiça em latim). Cacá havia sido preso em 3 de janeiro, enquanto Junio foi capturado na Bahia, 14 dias depois. Com os cinco presos, Pedro Emílio esclareceu:

 

Na coletiva após as três prisões de hoje, o delegado Pedro Emílio considerou o caso solucionado (Foto: Antonio Leudo – Folha da Manhã)

 

— Foram 45 dias de investigação, inclusive com escutas telefônicas, e, com as prisões de hoje, o crime foi elucidado, com todas as autorias identificadas e esclarecida a participação de cada um, com todas as condutas individualizadas. O mentor intelectual é uma pessoa de relação muito próxima, amigo das vítimas, que frequenta o mesmo círculo e, bem por isso, tinha acesso à rotina, ao modo de vida, aos bens que possuíam; informações que foram repassadas aos executores do crime e possibilitaram o sequestro e que o empresário e a esposa fossem feitos reféns até o pagamento de R$ 192 mil, a título de resgate.

Apontado por dois companheiros na ação criminosa como seu mentor, Zé Maurício teve a atenção policial incialmente atraída sobre si por um detalhe. Uma pergunta feita por ele sobre um relógio Rolex de Cristiano, no convívio de ambos como amigos, foi depois repetida por um dos bandidos durante o sequestro. As suspeitas sobre o empresário foram confirmadas pela investigação. E reforçadas hoje com sua prisão e confissão.

 

Leia a cobertura completa, com os depoimentos de Zé Maurício, Junio e Marven na edição desta sexta (25) da Folha da Manhã

 

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Investigação do sequestro de empresário desmente boatos de Garotinho

 

Suspeito de autor intelectual do sequestro de Cristiano Tinoco, seu amigo José Maurício Ferreira dos Santos foi preso hoje em sua residência (Foto: Verônica Nascimento – Folha da Manhã)

 

 

Com a operação Avaritia (em latim: cobiça) da Polícia Civil, que hoje amanheceu o dia (aqui) efetuando três prisões em Campos, parecem ter se encerrado as investigações do sequestro e cobrança de R$ 200 mil de resgate do empresário Cristiano Tinoco. Ele foi abordado na rua, chamado pelo nome por dois homens em um carro, em 3 de dezembro. Após pegarem outro homem na Estrada do Contorno, os quatro foram até à casa do empresário, onde sua esposa chegou e também foi feita como refém. Sem encontrarem nada na casa, os bandidos só soltaram o casal após Cristiano conseguir que um amigo levasse até eles a quantia de R$ 200 mil, exigida como resgate.

Dois suspeitos, que teriam participado da ação, já haviam sido presos anteriormente. Hoje foram presos mais três. Um deles, suspeito de ser o autor intelectual do sequestro, é o empresário José Maurício Ferreira dos Santos. Ele era amigo próximo de Cristiano. Preso hoje em sua residência, no condomínio Sonho Dourado, atrás do Shopping Estrada, José Maurício teria fornecido as informações pessoais usadas no sequestro. Uma pergunta feita por ele, no convívio com Cristiano e depois repetida por um dos bandidos na ação, sobre um relógio Rolex, levantaram as primeiras suspeitas, que teriam sido confirmadas pela investigação.

Como todas as informações, inclusive passadas pelos suspeitos presos, confirmam a versão inicial do resgate de R$ 200 mil levado à casa de Cristiano por um amigo, caem por terra as especulações feitas por um perfil ligado ao ex-governador Anthony Garotinho (PRP). Nas redes sociais, chegou a afirmar em 6 de dezembro que os bandidos teriam encontrado R$ 1,8 milhão na casa do empresário. Essas informações falsas tinham como objetivo tentar explorar politicamennte o caso, já que Cristiano é irmão do também empresário Cesinha Tinoco, chefe de gabinete do prefeito Rafael Diniz (PPS). Com a operação de hoje, todos os suspeitos do sequestro tiveram o mesmo destino do ex-governador, que já foi preso três vezes.

Assim que o inquério policial for concluído, poderá se passar à denúncia do Ministério Público e, se for o caso, ao julgamento. Até lá, vale a presunção da inocência e não se pode falar em culpados. Mas a operação de hoje, após investigações que levaram até Minas Gerais e Bahia, para a prisão de um dos suspeitos, parece ser um grande trabalho policial. Hoje titular da 146ª DP de Guarus, ficam os parabéns ao delegado Pedro Emílio Braga e sua equipe.

 

Leia a cobertura completa do caso na edição desta sexta (25) da Folha da Manhã

 

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Fred Machado estreia como bolo de fubá na presidência da Câmara

 

 

Charge do José Renato publicada hoje (24) na Folha

 

Fred é bolo de fubá

Desde que Edson Batista (PTB) sucedeu Nelson Nahim (PSD) na presidência da Câmara de Campos, ficou famosa em seus corredores a comparação entre bolo de fubá e bolo Amélia. Por cortar sua fatia e deixar farelos, Nahim era o bolo de fubá. Por cortar sua fatia e não deixar nada, Edson era o bolo Amélia. Novo presidente, Fred Machado (PPS) estreia como bolo de fubá. O contingenciamento de 30% nos salários dos assessores dos vereadores, chefes de gabinete e assessores das comissões permanentes, de outubro a dezembro de 2018, está suspenso. Os cerca de 150 assessores voltarão a receber integralmente a partir de janeiro.

 

Revolta

É difícil pensar em um crime mais revoltante do que a morte do pequeno Dione Valentim, com pouco menos de um mês de vida. Ele morreu no final da noite de terça (22) no Hospital Ferreira Machado (HFM) e seu corpo foi sepultado ontem no cemitério de São Sebastião, na Baixada Campista. O suspeito de ter matado a criança com cinco socos na cabeça é o próprio pai, Lucas do Espírito Santo Pereira, de 21 anos. No sábado (19) ele teria se irritado, jogado o filho recém-nascido na cama e o esmurrado. O motivo? O bebê golfou. A versão foi dada pela mãe de Dione. Os três veraneavam numa casa alugada no Farol de São Thomé.

 

O mais primitivo

Acreditar na inocência de qualquer suspeito, até que se prove em contrário, é o pilar de qualquer estado democrático de direito. A versão da mãe, que levou seu companheiro à prisão desde terça, não foi a primeira apresentada por ela. Quando os dois levaram o pequeno Dione, primeiro ao Posto de Saúde do Farol e depois ao HFM, a versão inicial foi de acidente doméstico. Inconsolável ontem no velório do seu filho, a mãe também pode ser processada por omissão de socorro, segundo informou o delegado titular da 134ª DP, Bruno Cleuder. Mas se a culpa de Lucas for provada, mexerá com o mais primitivo de qualquer ser humano.

 

Bolsonaros (I)

Um dos maiores beneficiados com a revolta pela sucessão de crimes bárbaros cometidos na sociedade brasileira, o presidente Jair Bolsonaro (PSL) ontem se pronunciou sobre as suspeitas sobre seu filho mais velho. Senador eleito, Flávio Bolsonaro (PSL) caiu na berlinda nacional com revelações do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf), levantando fortes suspeitas da prática da “rachadinha” — repasse criminoso de salários de assessores parlamentares. Isso além da sua ligação com a milícia carioca “Escritório do Crime”, cujo líder teve a mãe e a esposa empregadas por Flávio na Assembleia Legislativa do Rio (Alerj).

 

Bolsonaros (II)

Sobre as suspeitas que pairam sobre seu primogênito, o presidente disse ontem na Suíça: “Se, por acaso, ele errou e isso ficar provado, eu lamento como pai, mas ele vai ter que pagar o preço por essas ações que não podemos aceitar”. Pelo menos no plano retórico, foi uma atitude bem diferente da negação da realidade adotada pelo PT e seus eleitores sobre todos os escândalos de corrupção que envolveram o partido hoje presidido pela sua coveira, a deputada federal Gleisi Hoffmann. Agora, se quando voltar ao Brasil, Bolsonaro vai honrar o que disse, afastando Flávio e os outros dois filhos do governo, como querem os militares que o compõem, é para se conferir de perto. O diabo é quase sempre converter discurso em prática.

 

O guarda da esquina

Único integrante do governo brasileiro a não assinar o Ato Institucional nº 5 em 1968, que suprimiu direitos e inaugurou a fase mais dura da última ditadura militar no Brasil (1964/1985), o então vice-presidente Pedro Aleixo observou: “O problema é o guarda da esquina”. Uma prova de como o discurso de força dos Bolsonaro pode influenciar negativamente a sociedade foi dado na tarde de ontem, por um guarda civil municipal, no Jardim São Benedito. Ele foi flagrado em vídeo (aqui) agredindo fisicamente um homem que, sem desrespeitar sua autoridade, não se dobrou ao seu autoritarismo.

 

Milionário

Um apostador de Teresópolis, na Região Serrana, acertou as seis dezenas da Mega-Sena e ganhou sozinho o prêmio de R$ 37,9 milhões. Esta foi a primeira vez em 2019 que alguém acertou a sena. A Mega estava acumulada desde o início do ano. As dezenas sorteadas foram 11, 12, 20, 40, 41 e 46. A quina teve 58 ganhadores, cada um com o prêmio de R$ 53,1 mil e a quadra, 4.135, com valor de R$ 1.064 por aposta. O próximo sorteio será no próximo sábado e o prêmio estimado é R$ 2,5 milhões.

 

Com o jornalista Paulo Renato Porto

 

Publicado hoje (24) na Folha da Manhã

 

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Guarda municipal flagrado em agressão no Jardim São Benedito

 

Nesta tarde, no Jardim São Benedito, um guarda civil municipal foi flagrado em agressão física a um homem. Aparentando descontrole emocional e usando de palavras de baixo calão, o agente de segurança ficou contrariado porque o homem, identificado como Yann Maia, que afirmou ser morador de Brasília, não obedeceu sua ordem arbitrária de ficar “de boca fechada”.

Um estudante do IFF, que estava no local, filmou com o celular o ocorrido. Segundo ele, os guardas ameaçaram apreender seu celular se ele não apagasse o vídeo. O advogado do Grupo Folha, João Paula Granja, afirmou que isso seria inconstitucional. O caso chegou a ser encaminhado à 134ª DP, mas não houve registro.

Comandante da Guarda Civil Municipal de Campos, Fabiano Mariano retornou à tentativa de contato do blog. Ele afirmou que assitirá ao vídeo e, se constatar qualquer equívo na conduta do seu agente, será caso de averiguação. Para isso, se dispôs a receber pessoalmente o agredido ou as pessoas que testemunharam e filmaram a agressão, para formalização da denúncia na Guarda. “Mas posso garantir que qualquer atitude agressiva não é a orientação do comandante ou da insituição. A finalidade dos agentes da Guarda é atender aos munícipes”, disse Mariano.

Confira abaixo o vídeo da discussão e agressão:

 

 

 

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Fatos fecham cerco sobre Flávio e forçam Jair a optar: Brasil ou o filho?

 

 

Charge do José Renato publicado hoje (23) na Folha

 

 

“Petistas de sinal trocado”

Não se trata de perseguição da imprensa. Tampouco dos “esquerdistas”, como são chamados todos os que cobram explicações sobre as relações cada vez mais indefensáveis do senador eleito Flávio Bolsonaro (PSL), filho mais velho do presidente. Mesmo que quem agora cobre, jornalista ou cidadão, antes tenha feito a mesma coisa sobre os escândalos de corrupção nos governos do PT. A lógica dos fatos parece não importar aos bolsonaristas bem definidos como “petistas de sinal trocado” por Janaína Paschoal. Deputada estadual paulista pelo PSL, legenda do clã Bolsonaro, ela foi autora do pedido de impeachment da ex-presidente Dilma Rousseff.

 

O foro “porcaria”

Já estava muito difícil se defender das revelações do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf). Não só sobre as movimentações atípicas de R$ 7 milhões do PM Fabrício Queiroz, quando era assessor de Flávio na Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro (Alerj) — incluindo um repasse de R$ 24 mil para a atual primeira dama Michelle Bolsonaro. Ficou ainda pior com a tentativa de buscar foro privilegiado no Supremo Tribunal Federal (STF), antes chamado de “porcaria” em vídeo por Jair e Flávio. E sem razão, já que os fatos se deram quando o primogênito do presidente era deputado estadual, não senador.

 

Sonegação ou lavagem de dinheiro?

O Coaf também revelaria 48 depósitos em nome de Flávio, no valor de R$ 2 mil cada, entre junho e julho de 2017, totalizando R$ 96 mil. Em entrevista, o senador disse se tratar de parte da quitação de um imóvel, mas não explicou porque isso foi feito em dinheiro vivo. Os motivos podem ser dois: ou o vendedor quis ocultar ganho de capital para driblar o Imposto de Renda, ou não pôde declarar a origem dos valores. No primeiro caso, seria crime de sonegação fiscal. No segundo, de lavagem de dinheiro. Líder do MBL, deputado federal e ícone jovem da direita, Kim Kataguiri declarou sobre o caso: “Não existe defesa plausível para Flávio Bolsonaro”.

 

Elo com milícias

Não bastasse, ontem foi revelado que Flávio empregou em seu gabinete na Alerj, até novembro do ano passado, a mãe e a esposa do ex-capitão do Bope Adriano Magalhães da Nóbrega, apontado como líder da milícia “Escritório do Crime”. A organização criminosa é suspeita da execução da ex-vereadora carioca Marielle Franco (Psol) e do motorista Anderson Gomes, em 14 de março de 2018. Adriano, que está foragido, já foi homenageado por Flávio na Alerj. E Queiroz, após as primeiras revelações do Coaf, se escondeu por duas semanas na favela do Rio das Pedras, na Zona Oeste do Rio, área dominada pelo Escritório do Crime.

 

Na Suíça

Enquanto o cerco se apertava sobre seu filho, Jair Bolsonaro ontem fez o discurso de abertura no Fórum Econômico Mundial de Davos, na Suíça. Tinha 45 minutos, mas usou apenas oito. E foi bastante criticado pela imprensa internacional. Sua fala chegou a ser classificada como “enorme fiasco” pela jornalista Heather Long, do Washington Post. Mas teve um ponto positivo, ao marcar a prevalência do pragmatismo comercial do ministro da Economia Paulo Guedes sobre os delírios contra o “globalismo” do chanceler Ernesto Araújo. Foi o que o presidente fez ao defender o multilateralismo da Organização Mundial do Comércio (OMC).

 

Brasil ou o filho?

Quando voltar ao Brasil, Bolsonaro pode ter que optar entre o que prometeu ao país durante a campanha, ou tentar salvar seu filho. Se a opção for a primeira, ele terá que seguir o conselho do seu ministro-chefe do Gabinete de Segurança Institucional. Líder inconteste do núcleo militar da administração federal, o general Augusto Heleno já advertiu o capitão para afastar os seus três filhos do governo. Se a opção for tentar salvar o mais velho, que ninguém duvide: Renan Calheiros (MDB) será novamente presidente do Senado Federal. Em troca, ele tentará fazer por Flávio o que a Câmara Alta da República fez no passado por Aécio Neves (PSDB).

 

Samurai

Quem cobre o cenário político fica mais atento ao Diário Oficial no início de governo. Afinal, entre as nomeações podem aparecer indicativos de alianças políticas. No entanto, o que chamou atenção da imprensa no DO do Rio de Janeiro ontem não foi nenhuma atribuição para cargo público. O governador Wilson Witzel (PSC) sancionou a lei que estabelece 24 de abril como Dia Estadual do Samurai. O projeto é do deputado Wanderson Nogueira (Psol) e foi aprovado pela Alerj no dia 20 de dezembro. Nada contra samurai nenhum, mas o Estado do Rio tem muitos assuntos mais importantes para discutir.

 

Com o jornalista Arnaldo Neto

 

Publicado hoje (23) na Folha da Manhã

 

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Com condenação de Nolita e outros torturadores, Estado se impõe ao crime

 

 

Charge de José Renato publicada hoje (22) na Folha

 

Estado se impõe sobre o crime

Enquanto o Ceará sofre com ações terroristas do crime organizado, em Campos o poder do Estado prevaleceu sobre o terror da bandidagem. Apontado como chefe do tráfico no Parque Santa Rosa, em Guarus, Francio da Conceição Batista, o Nolita, foi condenado a 22 anos e oito meses de prisão, pelos crimes de tortura e corrupção de menor. Em 28 de fevereiro do ano passado, ele estava em casa, onde já cumpria prisão domiciliar. Ainda assim, por telefone, comandou uma sessão de tortura contra uma menor de 17 anos. Ela teve a cabeça raspada, foi agredida a pauladas e teve o cano de um arma apontado para sua boca e órgãos genitais.

 

Barbárie

Por terem cumprido as ordens de Nolita na tortura da menor, Jhony Cândido Barreto, Diego Alves da Iva, Fabiano da Silva dos Santos, Romário Soares Armando e Paulo Victor Fernandes também foram sentenciados. O acinte do poder dos bandidos sobre a comunidade era tanto que Jhony decidia quem poderia estudar ou não no Ciep do Santa Rosa. Condenado a 20 anos de prisão, ele agora só poderá dar ordens dentro da sua cela. Os outros quatro cumprirão 12 anos em regime fechado. O motivo para a barbárie contra a menor? Ela residia na comunidade conhecida como “Sovaco da Cobra”, dominada por uma facção rival dos seus torturadores.

 

Terror só aos seus

A violência em Guarus explodiu em 2018, quando Nolita recusou a união entre as duas facções. Em 8 de março do ano passado, ele foi preso. Ao entrar algemado na caçamba do camburão, o bandido se proclamou “o terror de Fiúza”.  A referência foi a André Fiúza, apontado como chefe do tráfico da Tira Gosto, que já estava preso. Marra à parte, Nolita mentiu. Como os criminosos que infernizam o povo do Ceará, ele era o terror apenas da sua própria comunidade. Com suas forças de Segurança, mas também ações sociais, o Estado tem que se impor sobre essa gente. Se fosse na Pelinca, isso teria ocorrido há muito mais tempo.

 

Wladimir e Bruno

Dada como certa, a transferência do deputado federal Wladimir Garotinho e do estadual Bruno Dauaire, do PRP pelo qual foram eleitos ao PSC do governador Wilson Witzel, só espera a posse dos dois jovens parlamentares em 1º de fevereiro. Ambos formaram uma dobradinha vitoriosa na urnas de outubro. A parceria remonta 2014, quando Wladimir foi preterido pelo próprio pai, o ex-governador Anthony Garotinho, e em resposta elegeu Bruno pela primeira vez à Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro (Alerj). Garotinho, como de hábito, vai sair do PRP e trocar mais uma vez de legenda, mas disse que não será para o PSC.

 

E Genásio?

Outro que deve sair do PRP é o deputado estadual Renato Cozzolino, que como Bruno também se reelegeu ao cargo. Seu destino deve ser o PR do vereador Marcão Gomes, que fez mais votos que Wladimir a deputado federal, mas acabou não se elegendo. Com isso, o PRP perderia os dois parlamentares que elegeu à Alerj, cumprindo sua sina de legenda de aluguel. Após servir ao naufrágio da candidatura de Garotinho a governador, o partido pode acabar na base do prefeito Rafael Diniz (PPS). Líder da sua bancada na Câmara de Campos, o vereador Genásio é que ficaria em situação ruim. Ele é do PSC que espera Wladimir e Bruno.

 

Transporte

A confiança em um novo sistema de transporte em Campos, que seja eficiente, muitas vezes esbarra na realidade de antigos problemas. Na última semana a Viação MMM, que operava no município em caráter emergencial nas linhas de Morro do Coco, Santa Maria, Espírito Santinho e Santo Eduardo, abandonou o serviço. Atendendo a um pedido da Prefeitura, a Auto Viação São João voltou a circular nas linhas do norte do município. No entanto, espera uma reavaliação quanto às condições para operação, pois considera o prestação de serviço insustentável. A promessa da Prefeitura é de um novo sistema de transporte em abril.

 

Mobilidade

A cada dia se percebe o agravamento das sérias dificuldades na questão do trânsito em Campos. Na área central, a fluidez que já era difícil tornou-se péssima com a instalação de vagas para estacionamento em vários pontos.  A mobilidade urbana é uma das principais preocupações do brasileiro, colocada atualmente como política pública tão importante quanto saúde, segurança e educação. Todavia, a cidade dormiu sobre os royalties do petróleo e não contou, nos últimos anos, com investimentos proporcionais à importância do problema.

 

Com os jornalistas Paulo Renato Porto e Arnaldo Neto

 

Publicado hoje (22) na Folha da Manhã

 

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