Morreu hoje a bibliotecária Cláudia Arenari, mais conhecida como Claudinha. Ela tinha 62 anos e estava em Atafona, onde era uma tradicional veranista. No domingo, começou a passar mal, com quadro de vômito, ficando de cama o resto da semana. Nesta madrugada, sem apresentar melhora, deu entrada na Santa Casa de São João da Barra e passou à UTI, onde foram dignosticados insuficiência renal, anemia profunda e queda de pressão. Foi tentada uma tranferência ao Hospital Dr. Beda, em Campos, mas havia risco na remoção, mesmo numa UTI Móvel. Na tarde de hoje, ela não resistiu e morreu.
Claudinha foi casada com o professor de história Augusto Soffiati, o Tata, com quem teve dois filhos: Bernardo e Bárbara. Filho desta, deixa também um neto: Noah. Aposentou-se como bibliotecária da Bilblioteca Municipal Nilo Peçanha. Nos anos 1970 teve destaque em Campos como bailarina. E, desde então, era figura frequente da vida artística da cidade. Sua morte inesperada deixa saudades nos parentes e muitos amigos que colecionou numa vida breve, mas intensa.
O velório ocorrerá ainda hoje no Campo da Paz. Familiares e amigos tentam depois levar o corpo para ser cremado fora da cidade.
Em toda a cidade, ontem não houve outro assunto. A prisão e o envolvimento confesso do empreiteiro José Maurício dos Santos Ferreira Júnior no sequestro do amigo e também empreiteiro Cristiano Tinoco, em 3 de dezembro. Zé Maurício, como é mais conhecido, foi preso por volta das 6h30 em sua casa, no luxuoso condomínio Sonho Dourado, atrás do Shopping Estrada. Ele foi apontado por outros dois participantes da ação criminosa como seu mentor. Um deles, o vigilante Junio dos Santos Costa, também foi preso ontem e confessou ter sido o elo de ligação entre Zé Maurício e os três autores do sequestro.
Todas as instruções
Quem também apontou Zé Maurício como mentor do sequestro foi outro vigilante, Marven Chagas Batista. Ele foi preso em 17 de janeiro, próximo à Feira de Santana, na Bahia. Na Delegacia de Homicídios de lá, deu a confissão mais detalhada sobre o caso. Ele conhecia Junio, que ajudou Zé Maurício a planejar o sequestro, desde que ambos trabalharam juntos como seguranças da boate Vip Night, em Guarus. Segundo Marven: “Zé Maurício ligou certa vez e disse: ‘Junio lhe passou todas as instruções? Quando você pode agir?’ (…) todas as instruções eram repassadas por Junio, que recebia as ordens de Zé Maurício”.
A preparação
Municiado pelas informações de Zé Maurício, Marven detalhou o preparo antes da ação: “durante quatro meses, ia à casa de Cristiano Tinoco, onde ficava esperando o mesmo sair e o seguia, para ver os locais que ia”. Com o roteiro e hábitos de Cristiano mapeados, Marven contou: “um dia Junio ligou para o declarante, informando que estaria embarcado no dia do sequestro, mas que Zé Maurício já teria dado ‘sinal verde’ para cometerem o crime”. Só a partir daí entraram os outros dois bandidos que, junto com Marven, executaram a ação: Carlos José Gonçalves do Espírito Santo, o “Cacá”, e André Ângelo Monteiro, o “Cabeça”.
A ação
Como foi o único que participou da elaboração do plano e sua execução, o depoimento de Marven foi o mais completo. Foi ele quem abordou Cristiano no dia 3, que saía da secretaria municipal de Obras. Ele o chamou pelo nome, levantou a blusa, exibiu o revólver e assumiu a direção do seu carro, sendo seguido em outro veículo por Cacá e Cabeça. Pararam no Posto do Contorno e depois seguiram à residência de Cristiano. Como o empresário não tinha dinheiro em casa, ele lhe deu algumas joias e negociou com os três bandidos. Ligou para um amigo, que lhe levou R$ 192 mil. Antes de saírem, a esposa de Cristiano chegou e foi também rendida.
Contradição
Após ser preso ontem, Junio também admitiu sua participação no sequestro e apontou Zé Maurício como seu mentor: “por volta do mês de julho, do ano de 2018, foi procurado por José Maurício para planejarem e o declarante executar um roubo a um empresário chamado Cristiano Tinoco”. Zé Maurício confessou ter participado do crime. Ele disse que “incialmente receberia uma parte do proveito obtido com o crime, mas posteriormente avisou a Junio que não queria mais nada do que fosse obtido”. Junio, no entanto, o desmentiu: “Marven havia fugido com o dinheiro do resgate” e “José Maurício se revoltou com o desfecho”.
Detalhe do Rolex
Em parte, a versão de Junio foi confirmada pelo próprio Zé Maurício: “Junio contou que Marven, após o assalto, teria fugido com todo o dinheiro, dando ‘banho’ em todo mundo”. Foram de Marven as afirmações mais fortes sobre a autoria intelectual: “Zé Maurício não participou no dia do crime, mas foi o mentor do sequestro”. A atenção policial ao empresário surgiu por um detalhe. Uma pergunta dele sobre um relógio Rolex de Cristiano, no convívio de ambos como amigos, foi repetida durante o sequestro. As suspeitas sobre Zé Maurício foram confirmadas pela investigação. E reforçadas ontem pela confissão da sua participação.
Eficiência policial
Como os depoimentos confirmam a versão inicial do resgate de R$ 192 mil, caíram por terra as especulações feitas por um perfil nas redes sociais ligado ao ex-governador Anthony Garotinho (PRP). Nele foi dito que os bandidos teriam encontrado R$ 1,8 milhão na casa do empresário. A intenção era tentar explorar politicamente o caso, já que Cristiano é irmão do também empresário Cesinha Tinoco, chefe de gabinete do prefeito Rafael Diniz (PPS). Mais do que o envolvimento de um amigo no caso, só outra coisa ontem foi tão comentada: a eficiência da investigação da Polícia Civil de Campos, comandada pelo jovem delegado Pedro Emílio Braga.
Preso hoje em sua casa e apontado como autor intelectual do sequestro do empresário Cristiano Tinoco, José Maurício Ferreira Filho era seu amigo (Foto: Antonio Leudo – Folha da Manhã)
“Afirmativamente, que confessa ter participado do sequestro das duas vítimas, Cristiano Tinoco e Thais Dinelli, mas nega que tenha planejado o crime, apenas executou a ordem de outros elementos (…)
Junio dos Santos Costa, conhecido como Junio, que planejou o crime com José Maurício Santos Ferreira Júnior, conhecido como Zé Maurício (…)
Que o declarante durante esses quatro meses, ia à casa de Cristiano Tinoco, onde ficava esperando o mesmo sair e o seguia, para ver os locais que ia (…) Que o declarante informa que Zé Maurício ligou certa vez e disse ‘Junio lhe passou todas as instruções? Quando você pode agir?’ (…)
Que todas as instruções eram repassadas por Junio, que recebia as ordens de Zé Maurício; Que Zé Maurício passou para Junio que repassou ao declarante que o sequestro de Cristiano deveria ocorrer em um momento oportuno e que iria avisar quando fazer, mas que ainda não havia data prevista, Que um dia Junio ligou para o declarante, informando que estaria embarcado no dia do sequestro, mas que Zé Maurício já teria dado ‘sinal verde’ para cometerem o crime (…)
Que Cristiano perguntou se a quantia de R$ 200.000,00 estaria bom para eles; Que Cristiano pediu que decidissem rápido, pois sua esposa e filhos estariam para chegar; Que disseram para Cristiano que poderia ser o valor, e que de imediato Cristiano ligou para um amigo, que o declarante não sabe quem é, e Cristiano pediu a quantia de R$ 192.000,00 emprestada; Que após desligar, cerca de vinte minutos depois, o amigo de Cristiano chegou com um pacote e, quando iam saindo, a esposa de Cristiano entrou na casa e os flagrou, sem esboçar nenhuma reação (…)
Que o declarante esclarece que Zé Maurício não participou no dia do crime, mas foi o mentor do sequestro; Que o declarante esclarece que tinha mais contato com Junio, pois trabalharam juntos em uma boate de Campos, e que os demais conheceu durante a articulação do sequestro (…) Que o declarante afirma que quem idealizou o sequestro de Cristiano Tinoco e Thais Dinelli foi José Maurício Santos Ferreira Júnior, o qual reconhece por fotos neste ato.”
Esses são trechos de depoimento de Marven Chagas Batista, dado em 17 de janeiro, na Delegacia de Homicídios de Feira de Santana, na Bahia. Ele foi preso lá pelo sequestro do empreiteiro Cristiano Tinoco, praticado em Campos, em 3 de dezembro. Cristiano foi pego na rua, feito refém e conduzido à sua casa por Marven, Carlos José Gonçalves do Espírito Santo, o “Cacá”, e André Ângelo Monteiro, o “Cabeça”. Sem dinheiro em casa, o empresário negociou sua libertação e da esposa com os bandidos por R$ 192 mil, levados por um amigo.
Também empreiteiro e amigo pessoal de Cristiano, José Maurício dos Santos Ferreira Júnior, o Zé Maurício, foi apontado por Marven como autor intelectual do crime. Ele foi preso hoje (aqui), em sua residência, no condomínio de luxo Sonho Dourado, atrás do Shopping Estrada. Zé Maurício confessou sua participação no sequestro em depoimento na 134ª DP. Mas disse que “incialmente receberia uma parte do proveito obtido com o crime, mas posteriormente avisou a Junio que não queria mais nada do que fosse obtido”.
Também preso hoje, Junio dos Santos Costa ajudou Zé Maurício a planejar o sequestro. Junio e Marven se conheciam por terem atuado juntos como seguranças da boate Vip Night, em Guarus. Seu proprietário, Jean Carlos Caetano Guimarães foi assassinado a tiros (aqui) no último dia 9. Em depoimento à Polícia Civil, Junio admitiu sua participação no sequestro de Cristiano e apontou Zé Maurício como mentor do crime: “por volta do mês de julho, do ano de 2018, foi procurado por José Maurício para planejarem e o declarante executar um roubo a um empresário chamado Cristiano Tinoco”.
Pelos depoimentos, fica claro que Junio serviu como elo de ligação entre Zé Maurício e Marven. Este executou o sequestro junto com Cacá e Cabeça, que só entraram na ação perto da sua realização. Junio também desmentiu que Zé Maurício tenha desistido de receber sua parte do resgate pago por Cristiano Tinoco: “Marven havia fugido com o dinheiro do resgate; que o declarante passou essa versão a José Maurício, que se revoltou com o desfecho”. Junio foi em parte confirmado pelo depoimento do próprio Zé Maurício: “Júnio contou que Marven, após o assalto, teria fugido com todo o dinheiro, dando ‘banho’ em todo mundo”.
Delegado responsável pela investigação do caso pela 134ª DP, mesmo já tendo assumido a titularidade da 146ª DP de Guarus, Pedro Emílio Braga considerou o caso resolvido com as três prisões de hoje. Além de Zé Maurício e Junio, Cabeça também foi preso na operação Avaritia (cobiça em latim). Cacá havia sido preso em 3 de janeiro, enquanto Junio foi capturado na Bahia, 14 dias depois. Com os cinco presos, Pedro Emílio esclareceu:
Na coletiva após as três prisões de hoje, o delegado Pedro Emílio considerou o caso solucionado (Foto: Antonio Leudo – Folha da Manhã)
— Foram 45 dias de investigação, inclusive com escutas telefônicas, e, com as prisões de hoje, o crime foi elucidado, com todas as autorias identificadas e esclarecida a participação de cada um, com todas as condutas individualizadas. O mentor intelectual é uma pessoa de relação muito próxima, amigo das vítimas, que frequenta o mesmo círculo e, bem por isso, tinha acesso à rotina, ao modo de vida, aos bens que possuíam; informações que foram repassadas aos executores do crime e possibilitaram o sequestro e que o empresário e a esposa fossem feitos reféns até o pagamento de R$ 192 mil, a título de resgate.
Apontado por dois companheiros na ação criminosa como seu mentor, Zé Maurício teve a atenção policial incialmente atraída sobre si por um detalhe. Uma pergunta feita por ele sobre um relógio Rolex de Cristiano, no convívio de ambos como amigos, foi depois repetida por um dos bandidos durante o sequestro. As suspeitas sobre o empresário foram confirmadas pela investigação. E reforçadas hoje com sua prisão e confissão.
Leia a cobertura completa, com os depoimentos de Zé Maurício, Junio e Marven na edição desta sexta (25) da Folha da Manhã
Suspeito de autor intelectual do sequestro de Cristiano Tinoco, seu amigo José Maurício Ferreira dos Santos foi preso hoje em sua residência (Foto: Verônica Nascimento – Folha da Manhã)
Com a operação Avaritia (em latim: cobiça) da Polícia Civil, que hoje amanheceu o dia (aqui) efetuando três prisões em Campos, parecem ter se encerrado as investigações do sequestro e cobrança de R$ 200 mil de resgate do empresário Cristiano Tinoco. Ele foi abordado na rua, chamado pelo nome por dois homens em um carro, em 3 de dezembro. Após pegarem outro homem na Estrada do Contorno, os quatro foram até à casa do empresário, onde sua esposa chegou e também foi feita como refém. Sem encontrarem nada na casa, os bandidos só soltaram o casal após Cristiano conseguir que um amigo levasse até eles a quantia de R$ 200 mil, exigida como resgate.
Dois suspeitos, que teriam participado da ação, já haviam sido presos anteriormente. Hoje foram presos mais três. Um deles, suspeito de ser o autor intelectual do sequestro, é o empresário José Maurício Ferreira dos Santos. Ele era amigo próximo de Cristiano. Preso hoje em sua residência, no condomínio Sonho Dourado, atrás do Shopping Estrada, José Maurício teria fornecido as informações pessoais usadas no sequestro. Uma pergunta feita por ele, no convívio com Cristiano e depois repetida por um dos bandidos na ação, sobre um relógio Rolex, levantaram as primeiras suspeitas, que teriam sido confirmadas pela investigação.
Como todas as informações, inclusive passadas pelos suspeitos presos, confirmam a versão inicial do resgate de R$ 200 mil levado à casa de Cristiano por um amigo, caem por terra as especulações feitas por um perfil ligado ao ex-governador Anthony Garotinho (PRP). Nas redes sociais, chegou a afirmar em 6 de dezembro que os bandidos teriam encontrado R$ 1,8 milhão na casa do empresário. Essas informações falsas tinham como objetivo tentar explorar politicamennte o caso, já que Cristiano é irmão do também empresário Cesinha Tinoco, chefe de gabinete do prefeito Rafael Diniz (PPS). Com a operação de hoje, todos os suspeitos do sequestro tiveram o mesmo destino do ex-governador, que já foi preso três vezes.
Assim que o inquério policial for concluído, poderá se passar à denúncia do Ministério Público e, se for o caso, ao julgamento. Até lá, vale a presunção da inocência e não se pode falar em culpados. Mas a operação de hoje, após investigações que levaram até Minas Gerais e Bahia, para a prisão de um dos suspeitos, parece ser um grande trabalho policial. Hoje titular da 146ª DP de Guarus, ficam os parabéns ao delegado Pedro Emílio Braga e sua equipe.
Leia a cobertura completa do caso na edição desta sexta (25) da Folha da Manhã
Charge do José Renato publicada hoje (24) na Folha
Fred é bolo de fubá
Desde que Edson Batista (PTB) sucedeu Nelson Nahim (PSD) na presidência da Câmara de Campos, ficou famosa em seus corredores a comparação entre bolo de fubá e bolo Amélia. Por cortar sua fatia e deixar farelos, Nahim era o bolo de fubá. Por cortar sua fatia e não deixar nada, Edson era o bolo Amélia. Novo presidente, Fred Machado (PPS) estreia como bolo de fubá. O contingenciamento de 30% nos salários dos assessores dos vereadores, chefes de gabinete e assessores das comissões permanentes, de outubro a dezembro de 2018, está suspenso. Os cerca de 150 assessores voltarão a receber integralmente a partir de janeiro.
Revolta
É difícil pensar em um crime mais revoltante do que a morte do pequeno Dione Valentim, com pouco menos de um mês de vida. Ele morreu no final da noite de terça (22) no Hospital Ferreira Machado (HFM) e seu corpo foi sepultado ontem no cemitério de São Sebastião, na Baixada Campista. O suspeito de ter matado a criança com cinco socos na cabeça é o próprio pai, Lucas do Espírito Santo Pereira, de 21 anos. No sábado (19) ele teria se irritado, jogado o filho recém-nascido na cama e o esmurrado. O motivo? O bebê golfou. A versão foi dada pela mãe de Dione. Os três veraneavam numa casa alugada no Farol de São Thomé.
O mais primitivo
Acreditar na inocência de qualquer suspeito, até que se prove em contrário, é o pilar de qualquer estado democrático de direito. A versão da mãe, que levou seu companheiro à prisão desde terça, não foi a primeira apresentada por ela. Quando os dois levaram o pequeno Dione, primeiro ao Posto de Saúde do Farol e depois ao HFM, a versão inicial foi de acidente doméstico. Inconsolável ontem no velório do seu filho, a mãe também pode ser processada por omissão de socorro, segundo informou o delegado titular da 134ª DP, Bruno Cleuder. Mas se a culpa de Lucas for provada, mexerá com o mais primitivo de qualquer ser humano.
Bolsonaros (I)
Um dos maiores beneficiados com a revolta pela sucessão de crimes bárbaros cometidos na sociedade brasileira, o presidente Jair Bolsonaro (PSL) ontem se pronunciou sobre as suspeitas sobre seu filho mais velho. Senador eleito, Flávio Bolsonaro (PSL) caiu na berlinda nacional com revelações do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf), levantando fortes suspeitas da prática da “rachadinha” — repasse criminoso de salários de assessores parlamentares. Isso além da sua ligação com a milícia carioca “Escritório do Crime”, cujo líder teve a mãe e a esposa empregadas por Flávio na Assembleia Legislativa do Rio (Alerj).
Bolsonaros (II)
Sobre as suspeitas que pairam sobre seu primogênito, o presidente disse ontem na Suíça: “Se, por acaso, ele errou e isso ficar provado, eu lamento como pai, mas ele vai ter que pagar o preço por essas ações que não podemos aceitar”. Pelo menos no plano retórico, foi uma atitude bem diferente da negação da realidade adotada pelo PT e seus eleitores sobre todos os escândalos de corrupção que envolveram o partido hoje presidido pela sua coveira, a deputada federal Gleisi Hoffmann. Agora, se quando voltar ao Brasil, Bolsonaro vai honrar o que disse, afastando Flávio e os outros dois filhos do governo, como querem os militares que o compõem, é para se conferir de perto. O diabo é quase sempre converter discurso em prática.
O guarda da esquina
Único integrante do governo brasileiro a não assinar o Ato Institucional nº 5 em 1968, que suprimiu direitos e inaugurou a fase mais dura da última ditadura militar no Brasil (1964/1985), o então vice-presidente Pedro Aleixo observou: “O problema é o guarda da esquina”. Uma prova de como o discurso de força dos Bolsonaro pode influenciar negativamente a sociedade foi dado na tarde de ontem, por um guarda civil municipal, no Jardim São Benedito. Ele foi flagrado em vídeo (aqui) agredindo fisicamente um homem que, sem desrespeitar sua autoridade, não se dobrou ao seu autoritarismo.
Milionário
Um apostador de Teresópolis, na Região Serrana, acertou as seis dezenas da Mega-Sena e ganhou sozinho o prêmio de R$ 37,9 milhões. Esta foi a primeira vez em 2019 que alguém acertou a sena. A Mega estava acumulada desde o início do ano. As dezenas sorteadas foram 11, 12, 20, 40, 41 e 46. A quina teve 58 ganhadores, cada um com o prêmio de R$ 53,1 mil e a quadra, 4.135, com valor de R$ 1.064 por aposta. O próximo sorteio será no próximo sábado e o prêmio estimado é R$ 2,5 milhões.
Nesta tarde, no Jardim São Benedito, um guarda civil municipal foi flagrado em agressão física a um homem. Aparentando descontrole emocional e usando de palavras de baixo calão, o agente de segurança ficou contrariado porque o homem, identificado como Yann Maia, que afirmou ser morador de Brasília, não obedeceu sua ordem arbitrária de ficar “de boca fechada”.
Um estudante do IFF, que estava no local, filmou com o celular o ocorrido. Segundo ele, os guardas ameaçaram apreender seu celular se ele não apagasse o vídeo. O advogado do Grupo Folha, João Paula Granja, afirmou que isso seria inconstitucional. O caso chegou a ser encaminhado à 134ª DP, mas não houve registro.
Comandante da Guarda Civil Municipal de Campos, Fabiano Mariano retornou à tentativa de contato do blog. Ele afirmou que assitirá ao vídeo e, se constatar qualquer equívo na conduta do seu agente, será caso de averiguação. Para isso, se dispôs a receber pessoalmente o agredido ou as pessoas que testemunharam e filmaram a agressão, para formalização da denúncia na Guarda. “Mas posso garantir que qualquer atitude agressiva não é a orientação do comandante ou da insituição. A finalidade dos agentes da Guarda é atender aos munícipes”, disse Mariano.
Charge do José Renato publicado hoje (23) na Folha
“Petistas de sinal trocado”
Não se trata de perseguição da imprensa. Tampouco dos “esquerdistas”, como são chamados todos os que cobram explicações sobre as relações cada vez mais indefensáveis do senador eleito Flávio Bolsonaro (PSL), filho mais velho do presidente. Mesmo que quem agora cobre, jornalista ou cidadão, antes tenha feito a mesma coisa sobre os escândalos de corrupção nos governos do PT. A lógica dos fatos parece não importar aos bolsonaristas bem definidos como “petistas de sinal trocado” por Janaína Paschoal. Deputada estadual paulista pelo PSL, legenda do clã Bolsonaro, ela foi autora do pedido de impeachment da ex-presidente Dilma Rousseff.
O foro “porcaria”
Já estava muito difícil se defender das revelações do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf). Não só sobre as movimentações atípicas de R$ 7 milhões do PM Fabrício Queiroz, quando era assessor de Flávio na Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro (Alerj) — incluindo um repasse de R$ 24 mil para a atual primeira dama Michelle Bolsonaro. Ficou ainda pior com a tentativa de buscar foro privilegiado no Supremo Tribunal Federal (STF), antes chamado de “porcaria” em vídeo por Jair e Flávio. E sem razão, já que os fatos se deram quando o primogênito do presidente era deputado estadual, não senador.
Sonegação ou lavagem de dinheiro?
O Coaf também revelaria 48 depósitos em nome de Flávio, no valor de R$ 2 mil cada, entre junho e julho de 2017, totalizando R$ 96 mil. Em entrevista, o senador disse se tratar de parte da quitação de um imóvel, mas não explicou porque isso foi feito em dinheiro vivo. Os motivos podem ser dois: ou o vendedor quis ocultar ganho de capital para driblar o Imposto de Renda, ou não pôde declarar a origem dos valores. No primeiro caso, seria crime de sonegação fiscal. No segundo, de lavagem de dinheiro. Líder do MBL, deputado federal e ícone jovem da direita, Kim Kataguiri declarou sobre o caso: “Não existe defesa plausível para Flávio Bolsonaro”.
Elo com milícias
Não bastasse, ontem foi revelado que Flávio empregou em seu gabinete na Alerj, até novembro do ano passado, a mãe e a esposa do ex-capitão do Bope Adriano Magalhães da Nóbrega, apontado como líder da milícia “Escritório do Crime”. A organização criminosa é suspeita da execução da ex-vereadora carioca Marielle Franco (Psol) e do motorista Anderson Gomes, em 14 de março de 2018. Adriano, que está foragido, já foi homenageado por Flávio na Alerj. E Queiroz, após as primeiras revelações do Coaf, se escondeu por duas semanas na favela do Rio das Pedras, na Zona Oeste do Rio, área dominada pelo Escritório do Crime.
Na Suíça
Enquanto o cerco se apertava sobre seu filho, Jair Bolsonaro ontem fez o discurso de abertura no Fórum Econômico Mundial de Davos, na Suíça. Tinha 45 minutos, mas usou apenas oito. E foi bastante criticado pela imprensa internacional. Sua fala chegou a ser classificada como “enorme fiasco” pela jornalista Heather Long, do Washington Post. Mas teve um ponto positivo, ao marcar a prevalência do pragmatismo comercial do ministro da Economia Paulo Guedes sobre os delírios contra o “globalismo” do chanceler Ernesto Araújo. Foi o que o presidente fez ao defender o multilateralismo da Organização Mundial do Comércio (OMC).
Brasil ou o filho?
Quando voltar ao Brasil, Bolsonaro pode ter que optar entre o que prometeu ao país durante a campanha, ou tentar salvar seu filho. Se a opção for a primeira, ele terá que seguir o conselho do seu ministro-chefe do Gabinete de Segurança Institucional. Líder inconteste do núcleo militar da administração federal, o general Augusto Heleno já advertiu o capitão para afastar os seus três filhos do governo. Se a opção for tentar salvar o mais velho, que ninguém duvide: Renan Calheiros (MDB) será novamente presidente do Senado Federal. Em troca, ele tentará fazer por Flávio o que a Câmara Alta da República fez no passado por Aécio Neves (PSDB).
Samurai
Quem cobre o cenário político fica mais atento ao Diário Oficial no início de governo. Afinal, entre as nomeações podem aparecer indicativos de alianças políticas. No entanto, o que chamou atenção da imprensa no DO do Rio de Janeiro ontem não foi nenhuma atribuição para cargo público. O governador Wilson Witzel (PSC) sancionou a lei que estabelece 24 de abril como Dia Estadual do Samurai. O projeto é do deputado Wanderson Nogueira (Psol) e foi aprovado pela Alerj no dia 20 de dezembro. Nada contra samurai nenhum, mas o Estado do Rio tem muitos assuntos mais importantes para discutir.
Charge de José Renato publicada hoje (22) na Folha
Estado se impõe sobre o crime
Enquanto o Ceará sofre com ações terroristas do crime organizado, em Campos o poder do Estado prevaleceu sobre o terror da bandidagem. Apontado como chefe do tráfico no Parque Santa Rosa, em Guarus, Francio da Conceição Batista, o Nolita, foi condenado a 22 anos e oito meses de prisão, pelos crimes de tortura e corrupção de menor. Em 28 de fevereiro do ano passado, ele estava em casa, onde já cumpria prisão domiciliar. Ainda assim, por telefone, comandou uma sessão de tortura contra uma menor de 17 anos. Ela teve a cabeça raspada, foi agredida a pauladas e teve o cano de um arma apontado para sua boca e órgãos genitais.
Barbárie
Por terem cumprido as ordens de Nolita na tortura da menor, Jhony Cândido Barreto, Diego Alves da Iva, Fabiano da Silva dos Santos, Romário Soares Armando e Paulo Victor Fernandes também foram sentenciados. O acinte do poder dos bandidos sobre a comunidade era tanto que Jhony decidia quem poderia estudar ou não no Ciep do Santa Rosa. Condenado a 20 anos de prisão, ele agora só poderá dar ordens dentro da sua cela. Os outros quatro cumprirão 12 anos em regime fechado. O motivo para a barbárie contra a menor? Ela residia na comunidade conhecida como “Sovaco da Cobra”, dominada por uma facção rival dos seus torturadores.
Terror só aos seus
A violência em Guarus explodiu em 2018, quando Nolita recusou a união entre as duas facções. Em 8 de março do ano passado, ele foi preso. Ao entrar algemado na caçamba do camburão, o bandido se proclamou “o terror de Fiúza”. A referência foi a André Fiúza, apontado como chefe do tráfico da Tira Gosto, que já estava preso. Marra à parte, Nolita mentiu. Como os criminosos que infernizam o povo do Ceará, ele era o terror apenas da sua própria comunidade. Com suas forças de Segurança, mas também ações sociais, o Estado tem que se impor sobre essa gente. Se fosse na Pelinca, isso teria ocorrido há muito mais tempo.
Wladimir e Bruno
Dada como certa, a transferência do deputado federal Wladimir Garotinho e do estadual Bruno Dauaire, do PRP pelo qual foram eleitos ao PSC do governador Wilson Witzel, só espera a posse dos dois jovens parlamentares em 1º de fevereiro. Ambos formaram uma dobradinha vitoriosa na urnas de outubro. A parceria remonta 2014, quando Wladimir foi preterido pelo próprio pai, o ex-governador Anthony Garotinho, e em resposta elegeu Bruno pela primeira vez à Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro (Alerj). Garotinho, como de hábito, vai sair do PRP e trocar mais uma vez de legenda, mas disse que não será para o PSC.
E Genásio?
Outro que deve sair do PRP é o deputado estadual Renato Cozzolino, que como Bruno também se reelegeu ao cargo. Seu destino deve ser o PR do vereador Marcão Gomes, que fez mais votos que Wladimir a deputado federal, mas acabou não se elegendo. Com isso, o PRP perderia os dois parlamentares que elegeu à Alerj, cumprindo sua sina de legenda de aluguel. Após servir ao naufrágio da candidatura de Garotinho a governador, o partido pode acabar na base do prefeito Rafael Diniz (PPS). Líder da sua bancada na Câmara de Campos, o vereador Genásio é que ficaria em situação ruim. Ele é do PSC que espera Wladimir e Bruno.
Transporte
A confiança em um novo sistema de transporte em Campos, que seja eficiente, muitas vezes esbarra na realidade de antigos problemas. Na última semana a Viação MMM, que operava no município em caráter emergencial nas linhas de Morro do Coco, Santa Maria, Espírito Santinho e Santo Eduardo, abandonou o serviço. Atendendo a um pedido da Prefeitura, a Auto Viação São João voltou a circular nas linhas do norte do município. No entanto, espera uma reavaliação quanto às condições para operação, pois considera o prestação de serviço insustentável. A promessa da Prefeitura é de um novo sistema de transporte em abril.
Mobilidade
A cada dia se percebe o agravamento das sérias dificuldades na questão do trânsito em Campos. Na área central, a fluidez que já era difícil tornou-se péssima com a instalação de vagas para estacionamento em vários pontos. A mobilidade urbana é uma das principais preocupações do brasileiro, colocada atualmente como política pública tão importante quanto saúde, segurança e educação. Todavia, a cidade dormiu sobre os royalties do petróleo e não contou, nos últimos anos, com investimentos proporcionais à importância do problema.
Com os jornalistas Paulo Renato Porto e Arnaldo Neto
Recusado duas vezes em concurso público para juiz de primeira instância em São Paulo, o saber jurídico nunca foi o forte do atual presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), ministro Dias Toffoli. Não é novidade a ninguém que ele só chegou lá por ter sido advogado do PT e depois advogado geral da União no governo Luiz Inácio Lula da Silva, que em 2009 o indicou ao STF. De lá para cá, sempre foi visto como um ministro de decisões contrárias aos interesses da maioria da população brasileira, ao lado de Gilmar Mendes, Ricardo Lewandowski e Marco Aurélio Mello.
Dias Toffoli depois
A despeito das suas limitações, após chegar à presidência do STF em setembro de 2018, Dias Toffoli parece ter compreendido a gravidade do cargo, em momento delicado do país. E até aqui, parece estar agindo de acordo com a importância do novo papel. Foi o que fez em 19 de dezembro, ao suspender mais uma liminar açodada de Marco Aurélio, que contrariava decisão colegiada do próprio STF, na tentativa de soltar todos os presos após condenação em segunda instância. Entre eles Lula, encarcerado desde 7 de abril por corrupção passiva e lavagem de dinheiro. Pela decisão, Toffoli foi duramente criticado pelos petistas que o viam como aliado.
Evo antes e depois
Outro exemplo recente de adequação ao novo cenário foi dado pelo presidente boliviano Evo Morales. Apesar de se perpetuar no poder desde 2006, como um dos principais nomes do bolivarianismo na América do Sul, o índio uru-aimará foi à posse presidencial de Jair Bolsonaro (PSL). E para confirmar que prefere o jogo jogado ao jogo para a galera das ideologias, Evo ainda expulsaria da Bolívia o terrorista italiano Cesare Battisti, antes tratado como exilado político pelos governos do PT no Brasil, mesmo condenado por quatro assassinatos em seu país. Da esquerda à direita, a Itália inteira agradeceu pela chance de finalmente fazer justiça.
Ceciliano
Guardadas as proporções devidas, o mesmo pragmatismo de Toffoli e Morales pode ser observado também no deputado estadual André Ceciliano (PT). Presidente da Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro (Alerj) por força das circunstâncias, é agora o favorito a permanecer no cargo na eleição da nova mesa diretora da Casa. Nela, terá papel fundamental nos muitos desafios que aguardam os fluminenses sob a nova gestão do governador Wilson Witzel (PSC). Para ajudar a superá-los, Ceciliano aposta na retomada da produção de petróleo na Bacia de Campos, como revelou em entrevista (aqui) nas duas páginas anteriores desta edição.
Mundo real
Na entrevista à Folha, Ceciliano chegou a apostar na candidatura única à presidência da Alerj. Prefeito duas vezes de Paracambi e deputado estadual em quarto mandato, sempre foi filiado ao PT. Supor que alguém do partido de Lula pudesse estar à frente do Legislativo fluminense, seria impensável após as urnas de outubro revelarem o massacre promovido no Estado pelo bolsonarismo. Contra a maioria esmagadora de 12 deputados estaduais eleitos pelo PSL, tudo indica que o petista vencerá não pela radicalidade, mas na conciliação. Toffoli, Morales e Ceciliano podem não ser brilhantes, mas têm muito a ensinar à esquerda sobre o mundo real.
Em alta
A praia de Atafona, em São João da Barra, sempre foi um dos destinos mais procurados na alta temporada pelos campistas. E isso parece não ter mudado. O movimento é intenso no litoral, especialmente aos fins de semana. O comércio só tem a agradecer. Para se ter uma ideia, no tradicional restaurante do Ricardinho, por exemplo, tem cliente tentando reservar mesa, já que corre risco de chegar ao local, especialmente aos sábados e domingos, e não encontrar lugar disponível.
Faz sucesso
E não são só os bares e restaurantes que estão faturando. Os vendedores ambulantes aproveitam a oportunidade. Seja nos shows que acontecem no Balneário ou nos locais mais movimentados para vender de tudo: do tradicional picolé a artigos de artesanato, panelas, redes, entre outros produtos. No entorno da igreja e no trevo, além dos pescadores locais, alguns de Gargaú aproveitam para vender peixes e caranguejo. Aliás, o crustáceo faz sucesso na praia. É melhor acordar cedo, porque quem deixar para comprar depois das 11h dificilmente vai encontrar um produto de qualidade.
Um parlamentar nomeia assessores, muitas vezes “fantasmas”, que devolvem a ele grande parte dos seus salários no dia do pagamento, ou nos dias úteis seguintes. Isso é o que se chama de “rachadinha”.
Empreiteiras simulam concorrência com preços superfaturados para uma grande obra da Petrobras. Parte do sobrepreço é repassada pelas construtoras aos diretores da estatal indicados politicamente. Estes subtraem suas comissões e repassam o grosso do dinheiro ao partido do governo e aliados. Isso foi o que se chamou de “Petrolão”.
Entre os dois casos, o que muda são só os valores. Mas o esquema de desvio de dinheiro público para manutenção do poder político é basicamente o mesmo. E ambos são criminosos.
Pode parecer distante para quem começou a relativizar a lei e a moral a partir dos sucessivos escândalos de corrupção nos governos do PT. Mas para quem viveu antes deles e não padece de memória seletiva, é possível se lembrar do próprio Lula pregando no final dos anos 1980 uma maneira diferente de governar o Brasil:
— Primeiro, nós vamos provar que você pode colocar tranquilamente corrupto na cadeia. Lugar de ladrão é na cadeia. No Brasil, predomina a teoria de que é preciso levar vantagem em tudo. E nós precisamos mudar isso. E vamos mudar isso dando exemplo. E dar exemplo significa acabar com a impunidade. O pequeno, nós sabemos que às vezes rouba para comer, mas o grande rouba de sem vergonha. E esse nós precisamos colocar na cadeia. É assim que a gente vai mudar o Brasil.
Lula está preso por corrupção passiva e lavagem de dinheiro desde 7 de abril, condenado em segunda instância no caso do triplex do Guarujá. É réu em mais seis ações penais. Em uma delas, conhecida como “quadrilhão do PT”, foram divulgados no correr da semana trechos da delação do seu ex-ministro Antonio Palocci. Segundo ele, Lula recebia propina em dinheiro vivo da Odebrecht.
Antes da prática revelada no exercício do poder, o discurso do Lula dos anos 1980 não é muito diferente das propostas contra a corrupção apresentadas no programa de governo de Jair Bolsonaro em 2018:
— O Brasil passará por uma rápida transformação cultural, onde a impunidade, a corrupção, o crime, a “vantagem”, a esperteza, deixarão de ser aceitos como parte de nossa identidade nacional, POIS NÃO MAIS ENCONTRARÃO GUARIDA NO GOVERNO.
Depois de eleito e de Sérgio Moro, responsável pela prisão de Lula como juiz federal, ser escalado como novo ministro da Justiça e Segurança do seu governo, Bolsonaro mandou recado:
— Ele (Moro) vai ter toda a liberdade para combater a corrupção e o crime organizado. Combate como? Seguindo o dinheiro. Vamos ter um braço da Coaf (Conselho de Controle de Atividades Financeiras) dentro do ministério da Justiça.
Curiosamente, antes mesmo de passar à tutela de Moro, o Coaf revelou em dezembro que, quando era assessor do então deputado estadual Flávio Bolsonaro (PSL), hoje senador, Fabrício Queiroz teve a movimentação atípica de R$ 1,2 milhão. Entre eles, um cheque de R$ 24 mil destinado à atual primeira dama, Michelle Bolsonaro.
A análise da movimentação de Queiroz revelou que funcionários do gabinete de Flávio repassavam até 99% dos seus salários. Cerca de 57% dos depósitos na conta de Queiroz ocorriam no dia do pagamento da Alerj, ou até três dias úteis depois.
Apesar da gravidade, Queiroz faltou a dois depoimentos no Ministério Público do Rio de Janeiro (MP-RJ), em 19 e 21 de dezembro. No dia 30 do mesmo mês, ele se internou no Hospital Albert Einstein, em São Paulo, para retirada de um câncer no intestino. Um vídeo dele dançando alegremente no hospital, que teria sido filmado no dia 31, viralizou nas redes sociais. Por sua vez, Flávio também faltou ao seu depoimento no MP sobre o caso, em 10 de janeiro.
Diante do estranho silêncio, o procurador-geral de Justiça do Rio, Eduardo Gussem, disse no dia 12 que pode oferecer denúncia contra Queiroz sem ouvi-lo. Segundo ele, “as provas são consistentes”. Ao não comparecer no MP-RJ, Flávio alegou corretamente que ele não é investigado. Mas foi um pedido seu ao Supremo Tribunal Federal (STF), concedido na quarta (16) pelo ministro Luiz Fux, que suspendeu as investigações. A justificativa foi esperar que o relator do caso no STF, ministro Marco Aurélio Mello, se pronuncie.
Na sexta (18), antes mesmo de julgar o pedido de Flávio, Marco Aurélio adiantou: “Tenho negado seguimento a reclamações assim, remetendo ao lixo”. Na noite do mesmo dia, o que era feio ficou pior depois que o Jornal Nacional revelou que o Coaf também identificou 48 depósitos em nome de Flávio, todos no valor padronizado de R$ 2 mil cada, entre junho e julho de 2017, totalizando R$ 96 mil.
Antes da nova revelação do Coaf, o filósofo Olavo de Carvalho, responsável pela indicação de uma figura como Ernesto Araújo ao ministério das Relações Exteriores, soltou uma nota em defesa de Flávio:
Em anúncio no Estado de São Paulo, nos anos 1980, Olavo de Carvalho oferece curso de astrólogo
— Façam as contas. 27 mil reais por mês são quantia anormal na conta de um vendedor de carros? Puta merda, até quando a malícia pueril será o supremo juiz da moralidade nacional? O caso do Queiroz é um factoide ridículo, forçado, artificioso; inventado só para queimar a reputação do Flávio Bolsonaro. Não merece dois minutos de atenção numa rádio do interior. O que merece atenção e merece ser denunciado, isto sim, é a operação midiática que o criou.
Antes de ganhar fama como filósofo e de se tornar o caminho, a verdade e a vida para parte da direita brasileira, Olavão militou como astrólogo profissional. Talvez por isso sua “defesa” do filho mais velho do presidente seja endossada por Raul Seixas, na música “Al Capone”. Na letra, após aconselhar personagens históricas a escaparem do destino trágico, o rockeiro baiano canta ao final: “Eu sou astrólogo/ Eu sou astrólogo/ Vocês precisam acreditar em mim/ Eu sou astrólogo/ Eu sou astrólogo/ E conheço a história do princípio ao fim”.
Era 2015 quando o semiólogo e escritor italiano Umberto Eco advertiu: “As redes sociais deram voz aos idiotas”. No Brasil, o fenômeno explodiu de vez nas eleições presidenciais de 2018, quando amigos e familiares romperam relações reais pelas posições políticas opostas no mundo virtual. Norte e Noroeste Fluminense não são exceções nessa disseminação de ódio. Mas poucas coisas revelaram a banalização da barbárie humana quanto os vídeos gravados na zona rural de Itaperuna, que ontem viralizaram nas redes sociais. Neles, Antônio Paulo Castilho Cardoso, de 38 anos, tortura sua esposa, Priscila Gonçalves, de 35, por infidelidade conjugal.
Vaidade de quê?
Desde o início da história, e antes dela, os crimes passionais sempre estiveram entre os mais cruéis. A traição em qualquer sociedade monogâmica é tabu e traumatiza quem se descobre traído. Mas expor isso abertamente, sem vergonha pela própria condição ou respeito à humanidade de quem traiu, extrapola qualquer exagero de quem costuma se exibir em selfies e vídeos nas redes sociais, em mendicância de curtidas. O Lúcifer encarnado por Al Pacino lembra na última fala do filme “Advogado do Diabo” (1997): “De todos os pecados que eu inventei, a vaidade sempre foi o meu preferido”. Mas qual a vaidade em se exibir como traído?
Sadismo
Num dos vídeos, Antônio Paulo extrai de Priscila uma confissão de infidelidade. No outro vídeo, ele filma a esposa em prantos, jogada no meio do mato, na escuridão da noite iluminada pelos faróis do carro. Ele expõe a face da mulher, revela-lhe o nome e a acusa de tê-lo traído. A esbofeteia no rosto já marcado e diz: “Mas eu amo ela”. Depois, expõe as nádegas da esposa e a golpeia 13 vezes, aparentemente com uma vara. Os vídeos teriam sido gravados na segunda (14) e viralizaram nas redes sociais da região. Pelo crime bárbaro contra a companheira de 16 anos, mãe de seus dois filhos, o agressor sádico foi preso na quinta (17).
Quem?
As feministas são criticadas por quem é contrário ao que se chama “politicamente correto”. E pregar, por exemplo, que homens não têm direito a opinar sobre questões como o aborto, só contribui para segregar os dois gêneros da mesma espécie, igualmente necessários à sua reprodução. Mas ver no Brasil a preocupante sucessão de casos em que homens tratam suas companheiras, ou ex, como posse, afronta tudo aquilo que deveria nos separar dos demais animais. Esse patriarcado irracional já era arcaico há dois mil anos, quando Cristo desafiou os que investiam contra uma adúltera: “quem não tiver pecado, atire a primeira pedra”.
Tiro no pé
Como advertiu ontem a coluna, se fecha o cerco sobre o senador Flávio Bolsonaro (PSL). O filho mais velho do presidente é cada vez mais suspeito da prática da “rachadinha” — recebimento criminoso dos salários de assessores parlamentares — quando era deputado estadual do Rio. E sua tentativa de recorrer ao Supremo Tribunal Federal (STF), na busca do foro privilegiado por ter sido eleito ao Senado, se revelou um tiro no pé. Pareceu confissão de culpa. Impressão reforçada pelo relator do caso no STF, ministro Marco Aurélio Mello, que ontem declarou: “Tenho negado seguimento a reclamações assim, remetendo ao lixo”.
Tiro de misericórdia?
Não bastasse o desespero de se apelar ao foro privilegiado que o clã Bolsonaro sempre criticou, o plenário do STF já havia definido que o recurso só cabe a crimes cometidos no cargo ou relativos a ele. Já não era o caso da movimentação atípica de R$ 1,2 milhão do ex-assessor de Flávio, o PM Fabrício Queiroz, revelada em dezembro pelo Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf). Mas o que era feio ficou ainda pior depois que o Jornal Nacional revelou na noite de ontem: o Coaf também identificou 48 depósitos em nome de Flávio, todos no valor padronizado de R$ 2 mil cada, entre junho e julho de 2017, totalizando R$ 98 mil.
Questão de fé
Também ontem foram revelados trechos do depoimento do ex-ministro Antonio Palocci à Lava Jato. Nele, o outrora medalhão do PT piorou a situação dos dois ex-presidentes eleitos pelo partido. Sobre Luiz Inácio Lula da Silva, preso desde 7 de abril por corrupção passiva e lavagem de dinheiro, revelou que recebia propina em dinheiro vivo da Odebrecht. Sobre Dilma, ré desde novembro no caso conhecido como “quadrilhão do PT”, Palocci afirmou que ela “deu corda” para que Lava Jato implicasse Lula. O objetivo era enfraquecê-lo na tentativa de voltar a concorrer à presidência em 2014. Crer na inocência de ambos é acreditar na de Flávio.
Até para confirmar a honestidade do clã Bolsonaro, como apregoam com entusiasmo seus muitos defensores, a investigação sobre o PM Fabrício Queiroz deve ir até o fim. Foi isso que pregou o ex-juiz federal e atual ministro da Justiça e Segurança, Sérgio Moro, em entrevista à Globo News na última terça (15). Em dezembro, o Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) revelou que, quando era assessor do então deputado estadual Flávio Bolsonaro (PSL), hoje senador, Queiroz teve a movimentação atípica de R$ 1,2 milhão. Entre eles, um cheque de R$ 24 mil destinado à atual primeira dama, Michelle Bolsonaro.
Furna da Onça
Chamado pelo pai de 01, o filho mais velho do presidente não é o único envolvido nas investigações do Ministério Público do Estado do Rio (MP-RJ). Órgão que Moro exigiu sob seu controle para fortalecer o combate ao crime como ministro de Bolsonaro, o Coaf trouxe em seu relatório movimentações financeiras estranhas de pelo menos 28 funcionários da Alerj. Os documentos foram anexados pelo MP-RJ à investigação que originou a operação Furna da Onça, que também em dezembro levou à prisão 10 deputados estaduais fluminenses.
“Rachadinha”?
Como Bolsonaro baseou sua campanha eleitoral na oposição aos escândalos de corrupção do PT, o nome do seu filho e sua esposa na investigação criminal sobre o ex-assessor do primeiro, chamou a atenção nacional ao assunto. A análise da movimentação de Queiroz revelou que funcionários do gabinete de Flávio repassavam até 99% dos seus salários. Cerca de 57% dos depósitos na conta de Queiroz ocorriam no dia do pagamento da Alerj, ou até três dias úteis depois. A Polícia Federal suspeita da “rachadinha”, prática criminosa na qual assessores muitas vezes “fantasmas” repassam parte de seus vencimentos ao parlamentar que os contratou.
Jogos diferentes
No jogo para a galera, Bolsonaro apelou à ligação direta das redes sociais que o elegeram para afirmar em vídeo: “Se algo estiver errado, que seja comigo, com meu filho, com o Queiroz, que paguemos a conta desse erro”. No jogo jogado, Queiroz já faltou a dois depoimentos no MP-RJ, em 19 e 21 de dezembro. No dia 30 do mesmo mês, ele se internou no Hospital Albert Einstein, em São Paulo, para retirada de um câncer no intestino. Um vídeo dele dançando alegremente no hospital, que teria sido filmado no dia 31, viralizou nas redes sociais. Por sua vez, Flávio também faltou ao seu depoimento sobre o caso, em 10 de janeiro.
STF atende Flávio
Diante do estranho silêncio sobre o caso, o procurador-geral de Justiça do Rio, Eduardo Gussem, disse no dia 12 que pode oferecer denúncia contra Queiroz sem ouvi-lo. Segundo ele, “as provas são consistentes”. Ao não comparecer no MP-RJ, Flávio alegou corretamente que ele não é investigado. Mas foi um pedido seu ao Supremo Tribunal Federal (STF), concedido na quarta (16) pelo ministro Luiz Fux, que suspendeu as investigações. A justificativa foi esperar que o relator do caso no STF, ministro Marco Aurélio Mello, se pronuncie. O mesmo que, antes das férias, tentou soltar o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) da cadeia.
Diálogo
O prefeito Rafael Diniz (PPS) recebeu ontem o presidente da Câmara dos Dirigentes Lojistas (CDL) de Campos, Orlando Portugal, e demais membros da diretoria. No encontro foi garantindo o constante diálogo entre a Prefeitura e a entidade, na busca de soluções conjuntas neste momento de crise. Portugal também apresentou ao governo uma pauta de vários serviços e Rafael afirmou que estará buscando atender as demandas: “Dentro das nossas possibilidades, tentaremos resolver. Mas a principal mensagem do encontro é manter o diálogo constante na busca de soluções, promovendo o desenvolvimento econômico de nossa cidade e, mais do que isso, o fortalecimento do comércio local”.
Prioridade
Primeiro foi a visita do secretário estadual de Desenvolvimento Econômico e Geração de Emprego e Renda, Lucas Tristão, depois a afirmação do governador Wilson Witzel (PSC), em Campos, sobre a necessidade de conclusão da obra da ponte da Integração, entre São João da Barra e São Francisco de Itabapoana. Agora, o novo presidente do Departamento de Estradas de Rodagem (DER) informou que vai fiscalizar a obra de perto, nas próximas semanas, e assegurou que não haverá paralisação. Contudo, não adianta elencar a obra como prioritária se não houver a liberação, logo, de R$ 6 milhões. Este é o mínimo, segundo representantes da empresa, para que não ocorra a paralisação total do serviço, inclusive com a desmobilização do canteiro.