O pessoal do Sesi-Campos — que levou a cultura goitacá nas costas nos tristes idos do governo Rosinha Garotinho (PR), com Patrícia Cordeiro à frente da Fundação Cultural Jornalista Oswaldo Lima (FCJOL) — divulga sua programação de junho. Como principal atração do mês, o espetáculo “Caravana Tonteria” trará a Campos, às 20h do próximo dia 9, a atriz Leticia Sabatella. Famosa também pela polêmica das suas posições políticas, ela integra o elenco dirigido por Arrigo Barnabé, que interpreta parte do repertório de grandes referências da música universal, como Chico Buarque, Colle Porter, Duke Ellington e Carlos Gardel.
Os ingressos para “Caravana Tonteria”, no valor individual de R$ 34, estarão à venda no Sesi a partir das 14h da próxima segunda, dia 5. Já para as demais atrações de junho, os ingressos poderão ser adquiridos a partir das 8h do dia 1º, na próxima quinta.
Confira abaixo toda a programação do próximo mês do Sesi:
Felipe Ábido, o Bilibit, disse, há dois meses, que seria uma pequena roda de choro… Mas cerca de mil pessoas foram presenteadas com um show de altíssimo nível neste último sábado (dia 03).
Aconteceu, na Villa Maria, a segunda edição do Choro na Villa, que homenageou o singular compositor campista Juventino Maciel e reuniu ilustres convidados, como o músico Ricardo Maciel, bandolinista filho do compositor homenageado; o flautista Antônio Rocha, discípulo do grande Altamiro Carrilho; e Mailton Gonçalves, luthier, grande músico campista e integrante do grupo Reminiscências (décadas de60 e 70) — grupo esse que acompanhava o Juventino.
Felipe, com seu violão sete cordas, idealizador, diretor artístico e organizador do evento, integra o grupo Pé de Pitanga, que conta também com os músicos Vitor Vieira (bateria e percussão) e Joel Monção (cavaquinho). O grupo, que reuniu Rio e Bahia ao convidar a flautista Giselle Mascarenhase o acordeonista Marcone Cruz na primeira edição, conquistou o público ao homenagear os compositores Pixinguinha, Waldir Azevedo e Jacob do Bandolim, em abril. Incansáveis, emocionaram a todos, executando com brilhantismo as composições do conterrâneo Juventino Maciel, em junho.
Bilibit conta, emocionado, que existe uma conexão entre as edições do evento, uma vez que Juventino foi lançado no mercado fonográfico através da música “Cadência”, do LP “Vibrações” (1968), de Jacob do Bandolim; disco considerado pela crítica especializada como dos mais importantes da história do chorinho. Além disso, o homenageado foi amigo pessoal do grande Pixinguinha.
Pergunto a Felipe como foi a organização do evento. Ele, como músico excepcional, sincero e apaixonado, não responde à minha pergunta e me conta empolgado: “Ricardo utilizou, no show, o bandolim do próprio Juventino. E Antônio, não por acaso, tocou com o flautim do próprio Altamiro Carrilho. Ou seja, é uma tradição que está sendo passada de geração para geração”. E por falar em tradição, a centenária Lira Guarany fez uma maravilhosa intervenção surpresa, o que abrilhantou ainda mais a noite.
O organizador, além de músico, é estudante de mestrado em Cognição e Linguagem na Uenf, a quem agradece pelo apoio junto a demais parceiros. Seu estudo intitula-se “A formação da linguagem musical do chorão Juventino Maciel”. Seu talento, simplicidade e conhecimento podem, então, ser aguardados e desfrutados nas próximas edições do evento, que já é absoluto sucesso e marco importantíssimo para o cenário artístico-cultural de Campos.
Certa vez, numa varanda de Atafona, a psicóloga e amiga Leda Lyzandro disse que eu escrevia bem. Pois após ler como ela se desabriu ontem aqui, na comunhão das suas memórias com o advogado e músico Rodrigo Magalhães, o Magalha, é a minha vez de dizer: Ledinha, você escreve muito bem!
Na dúvida, leitor, confira na transcrição abaixo:
Rodrigo Magalha (Foto: Facebook de Leda Lyzandro)
A sua partida precoce e repentina me deixa várias reflexões. A mais importante delas é algo que eu já sabia na teoria, mas que ainda não havia sentido tão intensamente na prática. De que é necessário reservar tempo, criar tempo, fabricar tempo para encontrar quem amamos. O virtual está muito longe de substituir isso.
Ficará em mim o lamento daquele show que não fui, daquele churrasco que não aconteceu e daquela gargalhada que não pude ouvir.
São muitas as lembranças. Os “Anjos da madrugada” no aniversário de Simone, onde o palco era a mesa de sinuca. Show no Auxiliadora. Intermináveis noites em Atafona no inverno bebendo e jogando dicionário e Imagem e Ação. A partida de nosso irmão Gilberto. Conversas, papos-cabeça, lamentos, incentivos… Mas principalmente risadas… Gargalhadas…
Seu sobrinho Carlos lembrou muito bem essa sua mania de colocar apelido nas pessoas. Isso nos fazia rir e sentir especiais. Lá pelos anos 90, numa roda, algum dos alucinados, não me lembro quem, disse que eu me parecia com Luiza Tomé. E eu, toda boba, só pude ouvir a gargalhada de Rodrigo dizendo: “eles tem Luiza Tomé e nós temos Ledinha Tomamé”, apelido que, diga-se de passagem, me caiu como uma luva. Desde então me chamava ora de Tomamé, ora de Babalu e eu amava os dois apelidos!
Sei que ele está cercado de luz, porque ele é luz. Sou grata a Deus por ter tido o privilégio de tê-lo como amigo! Digo até breve, porque todo tempo humano, mesmo longo, é sempre breve! Assim como é sempre breve e é sempre pouco o tempo que dividimos com quem amamos!
Não é a primeira vez que tomo a liberdade de republicar um texto escritos pelo jornalista Martinho Santafé na democracia irrefreável das redes sociais. E, dada a consonância no pensamento e admiração pelo estilo, tenho a forte impressão de que não será a última.
Num país que a esquizofrenia política pretende cindir entre coxinhas e mortadelas, em opostos comuns pelo raciocínio rançoso nos dois lados, confira aqui e na transcrição abaixo:
Nem coxinha, nem mortadela. O grande embate político brasileiro, hoje, não é ideológico, mas entre os que querem continuar roubando dinheiro público para se perpetuarem no poder e os que exigem um país menos corrupto e mais eficiente, onde os serviços públicos realmente funcionem, justificando os elevados impostos diretos e indiretos que pagamos.
Nesse momento tão conturbado, ideologia é um ato diversionista daqueles que querem manter seus privilégios. Basta observar o quadro atual. Parlamentares dos principais partidos estão se unindo nos bastidores para melar a Lava Jato e encontrar mecanismos que anistiem seus crimes, contando com a cumplicidade de empresários e até de juristas da mais alta Corte. O que não falta é “solidariedade” para esses bandidos.
Se os cidadãos não reagirem à altura dessa ofensiva descarada, teremos mais duzentos anos de atraso. E a culpa, aí sim, será nossa!
Magalha nos anos 1980, jovem e de cabelos compridos, no auge do BRock (Foto: Alcino – Facebook de Fred Landim)
Por Aluysio Abreu Barbosa
A semana que passou, como creio ter sido para vários amigos do advogado, professor e músico Rodrigo Magalhães, foi de reflexão. Sua morte precoce aos 47 anos, durante uma cirurgia de emergência entre o fim de noite de segunda (22) e o início da madrugada de terça (23), por conta de um aneurisma na artéria aorta, trouxe a público o que muita gente talvez sentisse cotidianamente, mas talvez nunca tenha se tocado de forma tão nítida: pela cultura associada à humildade, ao bom humor e jeito sempre afável com todos, Magalha era um dos sujeitos mais queridos da sua geração.
Depois que ele passou mal na manhã de segunda, enquanto dava aula na Universidade Cândido Mendes, soube ainda de tarde, por meio de familiares e amigos médicos, da gravidade da situação. Como escrevi no blog, pelo qual comecei a acompanhar a evolução do seu quadro, conhecia Magalha desde a adolescência, nos anos 1980. Vivíamos o auge do BRock, quando ele, ainda garoto e de cabelos compridos, já brilhava como músico nas bandas locais de rock.
Nosso maior convívio se deu a partir de uma excursão que saiu de Campos para o primeiro show de Paul McCartney no Brasil, no Maracanã, em 1990. Tinha passado os dois últimos anos ouvindo muito os Beatles e, conversando com Magalha durante a viagem, me surpreendi com seu conhecimento de rock inglês, de conjuntos que eu ainda sequer conhecia, mas viraria fã, como Yarbirds (depois Led Zeppelin), John Mayall & the Bluesbreakers e Cream — hoje, minha banda favorita.
Quem também estava naquela viagem era Gilberto Cruz Filho, outro que teria a vida precocemente abreviada, num acidente de carro, em 1993. Lembro após sugerir que, caso alguém se perdesse do grupo, que esperasse os demais na estátua do Bellini, em frente à entrada do estádio, Gilbertinho exclamou:
— Bellini, grande capitão de 50!
Ao que aleguei que Bellini só teria sido capitão da Seleção de futebol em 1950 no juvenil, já que o ex-zagueiro foi de fato capitão da Seleção em 1958, na conquista primeira Copa do Mundo pelo Brasil. Grande amigo de Gilbertinho, Magalha não deixou passar a oportunidade para cair em sua pele, indagando a todo momento, inclusive nos intervalos das músicas do ex-Beatle:
— E o Bellini?
Algum tempo depois, já na primeira década do novo milênio, sobretudo a partir de outro amigo comum, o também advogado Andral Tavares Filho, tive minha fase de maior convivência com Magalha. Não raro nos cruzávamos para dividir mesa, bebidas e papos nas noites campistas. Lembro do encontro com outro amigo comum, médico, gente boa, mas que já tinha bebido um pouco além da conta, no antigo Club, casa noturna que fez sucesso na Pelinca dos anos 2000.
Se não me falha a memória, o cardápio da casa oferecia um prato com palmito de pupunha. E como esse amigo comum começou a querer encher o saco de Magalha com lembranças do passado, “pupunha” virou uma espécie de código particular, montado naturalmente entre nós, para fazer referência velada a quem já bebeu demais e começou a ficar inconveniente. E sem que ninguém mais na mesa entendesse, inclusive o alvo eventual da ironia, ríamos a balde enquanto um indagava ao outro:
— Será que vai rolar pupunha?
Com a idade e mudanças de hábitos, nesses rumos diferentes que a vida segue sem que nem percebamos, nossa convivência foi se espaçando. Mas sempre que nos encontrávamos, demonstrávamos o mesmo carinho recíproco. Depois que se casou com Beatriz, Magalha se tornou um cara caseiro, sobretudo após o nascimento da sua Alice, hoje com 2 anos. Recolhimento que eu levei mais tempo — e casamentos — para finalmente adquirir.
Não pude ir ao seu velório na terça, pois tinha um compromisso prévio e inadiável agendado no Rio, coincidentemente em companhia de outro amigo comum de Magalha. Mas minha namorada, também advogada e sua ex-colega de turma no Auxiliadora, esteve no Caju e me contou do grande comparecimento de amigos, colegas do Direito, alunos e ex-alunos. E testemunhou como dava para se cortar com faca a densidade da consternação geral.
Na tarde de quarta (24), me ligou uma ex-namorada. Presente num dos últimos shows de Magalha, com sua banda Cross Time, há menos de um mês, no pub Republic, ela se reuniu com ele ao final e conversaram um pouco. E fiquei emocionado ao saber que, uma vez que me tornei o assunto, as palavras dele sobre mim foram paridas em três das suas grandes virtudes para com todos: gentileza, carinho e generosidade.
Na noite daquela mesma quarta, outro amigo comum, o biólogo e também professor Marcelo Cordeiro completou 45 anos — exatamente um mês antes de mim, como observamos desde que nos tornamos amigos, ainda aos 3 anos de idade. De volta recentemente a Campos, depois de mais de 10 anos morando na Bahia, ele chamou vários amigos de adolescência e juventude para comemorar a data no Mexicano.
Inevitavelmente, além dos brindes pelo reencontro e a felicidade do aniversariante, o fizemos também em homenagem ao companheiro de um mesmo lugar e tempo, que todos conheciam, gostaram durante boa parte da vida, mas já não estava mais entre nós.
Num solo de guitarra pelo coletivo da nossa geração, vá em paz, Magalha!
Diz o ilustre filósofo político Norberto Bobbio que a regra áurea da justiça social está encerrada na seguinte máxima: “Tratar os iguais de modo igual e os desiguais de modo desigual.” Pensando em justiça distributiva, me pus a pensar sobre como justiça relaciona-se ao ideal de igualdade, e como tal ideal é encarado, historicamente, pelos movimentos à direita e à esquerda do espectro político.
Atualmente, é comum ouvir por aí, nos cafezinhos bebericados inocentemente em padarias, que já não existe mais esse negócio de direita e esquerda. Para estes que o afirmam enfaticamente, a única divisão existente na política é aquela que separa os honestos dos desonestos (o segundo grupo, obviamente, sobrepujando o primeiro, quando existente). Para o filósofo político trazido à cena, os atores políticos ainda se orientam segundo as clássicas definições “direita” e “esquerda” e, portanto, a distinção entre os polos continua bastante viva entre nós. “Num universo conflitual como o da política, que exige continuamente a ideia do jogo das partes e do empenho para derrotar o adversário, a divisão do universo em dois hemisférios não é uma simplificação, mas uma fiel representação da realidade”, afirma Bobbio.
O filósofo italiano explica que a queda do muro de Berlim e o desmantelamento da União Soviética foram o estopim do discurso que busca negar o fim da distinção entre direita e esquerda como categorias-chave para a interpretação dos sentidos das ações políticas; enquanto que os termos antitéticos direita e esquerda ganharam o mundo e os escritos políticos a partir da Revolução Francesa, há mais de dois séculos, dada a oposição entre jacobinos e girondinos.
No Brasil, paralelo ao discurso que nega a importância da distinção “destra/sinistra” no cenário político nacional, crescem também os discursos que reivindicam tais categorias. Cada vez mais torna-se imperativo o posicionamento dos indivíduos atrelando-se a um ou outro lado. A velha dupla também pode ser substituída pelos termos “progressista” e “conservador”. E ainda subdivide-se o progressismo e o conservadorismo por área, tal como se faz em relação à área dos costumes e à área da economia. Desta forma, “conservador de esquerda” seria aquele sujeito que defende uma maior justiça distributiva entre as classes, mas que rejeita ou considera irrelevantes bandeiras típicas dos movimentos sociais “identitários”, tais como o feminismo e o movimento LGBT. Já o “progressista de direita” seria aquele que tende a se opor a intervenções estatais na economia, mas defende as tais bandeiras “identitárias”, apoiando o casamento homoafetivo, o combate ao machismo e mesmo a liberação de drogas ilícitas.
Na época das manifestações que defendiam o afastamento da ex-presidente Dilma, não era incomum que portais de notícias realizassem entrevistas com os manifestantes que se reuniam na Av. Paulista ou em Copacabana. Nessas entrevistas, perguntava-se às pessoas o que elas entendiam sobre direita e esquerda e como elas se definiam segundo esta oposição. A partir das respostas, era possível perceber como esses termos são utilizados com certa imprecisão.
No Brasil, também não é incomum relacionar à esquerda a defesa de temas como direitos humanos, feminismo e programas de distribuição de renda, como o Bolsa Família. Ao analisar a gênese desses movimentos e bandeiras no contexto europeu, é possível notar como os direitos humanos e o feminismo são atrelados a partidos liberais. Da mesma forma, programas de mitigação da pobreza como o Bolsa Família, na Europa, são entendidos como liberais porque apenas provém uma renda mínima às famílias pobres, enquanto mantém intocadas as estruturas de distribuição de renda e riquezas. Neste sentido, esses programas estariam na direção oposta de ideais socialistas/comunistas. Mas por aqui não surpreende que se chame de “comuna” quem defende o programa formulado na gestão do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso.
Finalizo retornando a Bobbio, que traz uma clássica definição de direita e esquerda, talvez a mais aceita no escopo da teoria política: a segunda seria mais igualitária que a primeira. A esquerda tende a perceber grande parte das desigualdades presentes no mundo social como injustas, enquanto que a direita entenderia muitas dessas desigualdades como aceitáveis e até mesmo positivas para a sociedade. A direita, segundo o autor, tende a salientar as diferenças existentes entre os indivíduos e a exortá-las. A esquerda, por sua vez, tenderia a atribuir motivações arbitrárias e socialmente construídas a desigualdades presentes na sociedade, ao passo que a direita tenderia a perceber essas desigualdades como parte de uma “natureza” ou de uma “segunda natureza”, ou seja, de tradições e costumes sociais que adquiriram a solidez de uma rocha ao longo do tempo e que, portanto, devem permanecer firmes.
A professora Simonne Teixeira, diligente diretora da Villa Maria, Casa de Cultura da Universidade Estadual do Norte Fluminense (Uenf), enviou convite pela democracia irrefreável das redes sociais e o blog republica. Em meio à crise na Uenf, sem receber verbas de manutenção do governo estadual desde outubro de 2015, a Villa convoca a comunidade para se unir em mais um exemplo de resistência. E o que é melhor: com música de qualidade e entrada franca.
Neste sábado (27), a partir das 16h, ocorre mais uma edição do Choro na Villa. O grupo “Pé de Pitanga” vai fazer uma homenagem ao compositor campista de choro Joventino Maciel (1926/93), que também era torneiro mecânico, além de músico. A programação nos jardins do prédio histórico deve se estender pelo sábado até às 22h.
“O vereador Thiago Virgilio (PTC), ainda não diplomado por decisão do Poder Judiciário, não deve conhecer muito bem o regimento interno da Casa de Leis da qual ele já fez parte, inclusive sendo membro da mesa diretora na legislatura anterior. Todas as decisões tomadas pela presidência da casa se dão por força regimental e legal. Cabe ainda esclarecer que nos casos de Thiago, Ozéias (PSDB), Kellinho (PR), Jorge Rangel (PTB), Linda Mara (PTC) e Miguelito (PSL), pelo que é de meu conhecimento, até a data de ontem, eles ainda não tinham sido diplomados. E se não possuem ainda o diploma não podem tomar posse. E não sou eu quem digo que há uma pendência cível-eleitoral para não dar posse, é uma decisão judicial quem diz. Se os vereadores conseguirem se livrar dos impedimentos judiciais, encaminharem a documentação necessária à Câmara, irei dar posse como já fiz anteriormente em outros casos. Quanto aos demais comentários do Thiago, ele deve desconhecer ou ignorar que os vereadores são agentes políticos investidos de mandato legislativo municipal e eleitos para participar de todas as discussões políticas, apresentar proposições e sugerir medidas que visem o interesse coletivo, desempenhar fielmente o mandato político, atendendo ao interesse público e às diretrizes partidárias. Eu estou vereador e presidente da câmara, e me manifestarei sobre qualquer matéria que entender ser de minha atribuição por força da lei. Ele precisa aprender a distinguir as decisões do presidente da câmara que são imparciais no estrito cumprimento de suas funções regimentais, das manifestações políticas do vereador Marcão Gomes que não foge ao enfrentamento e aos debates”.
Foi o que o presidente da Câmara de Campos, Marcão Gomes (Rede), enviou por e-mail hoje à tarde ao blog. Ele reagiu ao que disse ontem aqui, também neste “Opiniões”, o vereador eleito, mas ainda não empossado, Thiago Virgílio, que criticou abertamente a postura de Marcão à frente do Legilsativo goitacá, em relação às atitudes diante dos problemas jurídicos com os vereadores condenados na Justiça Eleitoral pela troca de Cheque Cidadão por voto, naquilo que ficou conhecido como “escandaloso esquema”, durante as eleições municipais de 2016.
Numa entrevista publicada aqui na Folha, na edição do último domingo (21), Marcão também já tinha falado sobre o caso.
O Brasil, desde o início das manifestações de 2013, sem dúvida vive um momento de efervescência política única. De lá para cá um número incontável de manifestações da vindas das diferentes correntes políticas, nas quais vimos, inclusive, o levante de pautas que remontam regimes totalitários de esteio popular como fascismo e nazismo.
O nacionalismo oco dos integralistas foi exaltado por vezes na Avenida Paulista e na Avenida Presidente Vargas. O Brasil virou uma panela de pressão. A culminância deste processo multifacetado se desenrola em duas situações traumáticos para a vida política do país: o impeachment do segundo presidente da história da democracia brasileira pós-ditadura, concomitantemente ao desenrolar das etapas da operação Lava Jato.
De certo que este cenário coloca o Brasil em uma mesa de cirurgia na qual, a Lava Jato, em sua condução e espetáculo midiático, parecia querer dissecar as entranhas da política brasileira a todo e qualquer custo. Um processo jurídico nunca antes visto na história tupiniquim, que acirrou ainda mais os ânimos dos dois grandes pólos políticos brasileiros representados aqui nas figuras do PT e do PSDB.
O fato que me parece inegável se arvora na tese de que, seja lá qual for o desfecho da Lava-Jato sob condução de seu “líder carismático” Sérgio Moro, haverá profundas repercussões no modus operandi de judiciário brasileiro. É como se o fim da Lava Jato riscasse no chão uma linha na qual poderia se dizer “até aqui foi assim”, “daqui pra frente vai ser desse jeito”.
A amálgama entre os componentes jurídicos e políticos intrínsecos à operação, faz dela um produto totalmente novo que, ao ser digerido pelas diversas esferas do poder e de representações políticas e civis, provocará reações das mais diversas em nossa sociedade. Se Moro conseguir provar as acusações contra Lula e por conseguinte condená-lo, será herói de parcela da população que enxerga no ex-presidente a encarnação do espírito da corrupção e dos malfeitos, e se, pro fim, não conseguir juntar as provas necessárias à condenação de Lula, sofrerá, como previu o ex-presidente, o mais vil dos açoitamentos públicos que possamos prever em nossa nação e levará consigo, toda fé que está sendo depositada no Judiciário, através do carisma que lhe foi investido.
Em todo caso, a Lava Jato provocará rupturas e tremores, pois trata em seu bojo com elementos de proporções politicamente tectônicas.
Amigo em comum do advogado, professor e músico Rodrigo Magalhães, o Magalha, precocemente falecido (aqui) numa cirurgia de emergência entre a noite de segunda (22) e a madrugada de terça (23), o sociólogo e também professor e músico George Gomes Coutinho enviou o convite para a missa de sétimo dia, às 16h do próximo domingo (28), na Igreja Sagrado Coração de Jesus, no Pq. Riachuelo (confiraaqui a localização). O chamamento à oração coletiva pela alma de Magalha é feito pela Cross Time, sua última banda.
Gustavo Machado, tecladista da Cross Time, também informou que uma outra homenagem está sendo organziado pela Universidade Cândido Mendes, onde Magalha era professor do curso de Direito. Ele estava em sala de aula, quando começou a passar mal e teve que ser internado. O evento no será no auditório da universidade, às 19h da próxima segunda (29).
Depois de estrear com grande sucesso, no Sesc, em dezembro de 2015, será encenada a partir das 20h de hoje (26) no palco mais tradiconal do teatro de Campos: o Teatro de Bolso (TB) Procópio Ferreira. O espetáculo será reencenado no TB de sábado (27) e domingo (28), sempre às 20h.
Montada com base nos poemas do poeta português Fernando Pessoa (1888/1935), em versos assinados pelo próprio, além de seus heterônimos Álvaro de Campos, Ricardo Reis e Alberto Caeiro, a coletânea foi selecionada pelo poeta, dramaturgo, ator e professor Adriano Moura, em parceria com o músico Matheus Nicolau, a quem coube a musicalização de alguns poemas. Além de Adriano, que também dirige o espetáculo, e Matheus, completam o elenco o ator Tim Carvalho e o músico Renato Arpoador.
Para quem não é tão íntimo do vasto universo pessoano, o espetáculo é uma maneira de se tornar mais próximo da obra daquele considerado, não sem razão, como o maior poeta modernista da língua portuguesa. E mesmo para quem conhece de cor alguns dos versos de Pessoa, a peça é também capaz de causar grande impacto, pela sensibilidade com que os poemas são encenados, ofertando novas possibilidades de interpretação a partir da musicalização, como ocorre em “Mar Português”, cujos versos geraram um fado, no blues de “O cão que veio do abismo”, ou no lamento sertanejo de “Carro de bois”.
A maioria dos poemas escolhidos, no entanto, não depende de versões musicais, sustentados apenas na interpretação cênica dos quatro atores. Como explica Adriano:
— Queria muito revisitar a obra do Pessoa. Eu e Matheus fizemos encontros para ler os textos, escolher o que seria música e o que seria recitado. Queríamos algo que não se parecesse com um recital, mas que também não se aproximasse de um musical biográfico.
Pessoa poderia estar certo ao versejar pela pena quase sempre debochada de Álvaro de Campos: “Todas as cartas de amor são/ Ridículas”. Talvez não por outro motivo, seja de Ophélia Queiroz, infeliz noiva do poeta, o retrato que funciona como eixo em boa parte das cenas. Apesar de amar Fernando, a homônima portuguesa da noiva de Hamlet não tinha pudor ao afirmar: “Detesto Álvaro de Campos!”. No amor de Adriano, Matheus, Tim e Renato expresso no palco pelas “Pessoas” em Pessoa, ridículo é não comparecer.