Presidente da OAB-Campos a favor do impeachment da presidente Dilma

Presidente da OAB-Campos, Humberto Nobre (foto de Tércio Teixeira - Folha da Manhã)
Presidente da OAB-Campos, Humberto Nobre (foto de Tércio Teixeira – Folha da Manhã)

 

“No caso presente do impeachment (da presidente Dilma), houve procedimento interno no Conselho Federal da OAB, com ampla análise das provas, com exposição dos motivos jurídicos para deflagração do processo de impeachment. Diante disso não tenho como pessoalmente me posicionar em sentido diferente. Entendendo, inclusive, que se houve a votação pela presença dos elementos autorizadores do impeachment, a cada minuto que se passe sem o ajuizamento da respectiva ação, a OAB Nacional se demonstra omissa no seu dever institucional”.

Foi o que disse hoje o presidente da OAB-Campos, Humberto Nobre, que é favorável à abertura do pedido de impeachment da presidente Dilma Rousseff (PT). Embora respeite a posição contrária do presidente da OAB-RJ, Felipe Santa Cruz, que foi candidato a vereador pelo PT (e perdeu) em 2004, Humberto não apenas concorda com decisão de apoiar o impeachment de Dilma, tomada por 26 votos a 2 pela OAB nacional, como cobra que esta endosse formalmente o pedido já em apreciação na Câmara Federal, ou faça um por conta própria. Ao questionar a criação de “heróis nacionais”, o presidente da OAB Campos criticou arbitrariedades que estariam sendo cometidas pelo juiz federal Sérgio Moro, na condução da operação Lava-Jato.

 

Confira amanhã a íntegra da entrevista na Folha da Manhã

 

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Edson Batista: governar para todos, com mais atenção aos excluídos

Brizolista antes de Anthony Garotinho (PR), Edson Batista (PTB) não disfarça a dureza que lhe é atribuída, ao negar ser contraposto por questões colocadas por aliados em entrevista anteriores, mas demonstrou na sua um conhecimento histórico superior à média dos políticos locais. Presidente da Câmara Municipal e pré-candidato a prefeito, ele defende o governo Rosinha Garotinho (PR) e a manutenção do projeto social que não vê na oposição: “governar para todos, mas com mais atenção aos excluídos”.

 

(Foto de Rodrigo Silveira - Folha da Manhã)
(Foto de Rodrigo Silveira – Folha da Manhã)

 

PTB, não PR – Nos formamos uma frente ampla e popular. Todos os partidos colaboraram na sustentação do governo Rosinha. O êxodo da sua administração se deve a essa frente. Não tenho, nem podemos ter, restrição a nenhum desses partidos.

Ferrugem prega candidatura do PR – Não vou me pautar pela entrevista (aqui) de ninguém. Eu vim falar de Edson Batista.

Dois candidatos governistas – Não sei como vai se desenrolar o processo. Em princípio, a prévia entre nossos militantes é que vai definir o candidato. Temos que ouvir a base, afinal ninguém é candidato de si mesmo. Respeito meus colegas (cinco outros pré-candidatos governistas), todos têm uma folha exemplar de serviços prestados à cidade. A aspiração de cada um deles é legítima. Mas temos que ter desapego pessoal. Temos um projeto que se sobrepõe aos nomes: governar para todos, mas com mais atenção aos excluídos. Historicamente, todos sabemos que a base da colonização de Campos foi a escravidão. Acabou a escravidão, mas prevaleceu sua mais valia (conceito de Karl Marx, pelo qual o esforço do trabalhador excede o pagamento do patrão). Quando a prefeita Rosinha assumiu em seu primeiro mandato, herdamos um déficit de 40 mil excluídos, na linha do trem (antiga Comunidade da Linha), em áreas à margem do rio. Não falo só de renda, mas cidadania: educação, esgoto, água potável, saúde, segurança. Hoje, com 6,5 mil casas populares reunidas, se você multiplicar por quatro, temos uma média de 26 mil pessoas resgatadas. Esse é o nosso maior patrimônio. O IDH (Índice de Desenvolvimento Humano) de Campos (apresenta gráficos) era de 0,505 em 1991, passou a 0,618 em 2000 e chegou a 0,716, em 2010. É inegável a evolução social do município. E o que mais cresceu foi a educação.

Campos em antepenúltimo no Ideb – Essa avaliação do ministério da Educação (sobre os 92 municípios do Estado do Rio) é pontual. A projeção que apresentei antes fala sobre duas décadas, não apenas sobre o ano de 2013, que foi o analisado pelo Ideb. O município assumiu muitas escolas estaduais. No contexto de duas décadas do IDH, houve crescimento de renda, educação e saúde. O município está caminhando.

Fogueira das vaidades – Acho que não existe fogueira das vaidades. O mais importante é o projeto, não as pessoas. Ele está acima de todos nós. Todos os companheiros ajudam a colocá-lo em realidade no município. Somos todos subalternos ao nosso compromisso histórico.

Oposição – É dividida e desunida. Não é falácia. Basta ver seu grande número de pré-candidatos: João Peixoto (PSDC), Rafael Diniz (PPS), Nildo Cardoso (DEM), Gil Vianna (PSB), Tô Contigo (PRB), Caio Vianna (PDT), Rogério Matoso (PMB). Ela não verbaliza um caminho. É só a crítica. O que a caracteriza é a divisão. Não tem o projeto, a bússola que nós temos: governar para todos, mas com especial atenção aos excluídos. Críticas à competência serão sempre subjetivas, mas os dados do IDH mostram que os objetivos estão sendo alcançados. A crise afetou a todos, sobretudo com a queda do preço do barril de petróleo e, não quero dizer assalto, mas o desmantelamento da Petrobras, gerando uma reação em cadeia. Tivemos que fazer o ajuste no código tributário. Na crise, todos os setores da cidade têm que ajudar para tornar o cenário mais tranquilo. A crise política nacional se agrava a cada dia, levando consigo a crise econômica, e nós ainda não sabemos o desfecho disso.

Renovação – Renovação é avaliação crítica de resultado e correção, se necessário. Não é mera questão de idade. Renovação é não ter nenhuma postura estanque, num mundo dinâmico em constante mudança.

 

Página 2 da edição de hoje (22/03) da Folha
Página 2 da edição de hoje (22/03) da Folha

 

Publicado hoje (22/03) da Folha da Manhã

 

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De quando o Brasil se unia em vermelho, verde e amarelo

Uma das grandes vantagens das mídias sociais são as recordações que elas trazem às datas, como o barbante amarrado no dedo de tempos mais remotos. A partir de uma dessas lembranças virtuais fui lembrado que, se fosse vivo, Ayrton Senna da Silva (1960/94) estaria completando hoje 56 anos.

Vendo sua foto, com o macacão da McLaren e o capacete apoiado sobre o joelho esquerdo, tudo que pude sentir, refletido nos pelos arrepiados do corpo e olhos marejados, foi a saudade de quando o Brasil se unia em vermelho, verde e amarelo.

 

Senna

 

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Edson Batista: “Acabou a escravidão em Campos, mas prevaleceu sua mais valia”

Edson Batista (foto de Rodrigo Silveira  - Folha da Manhã)
Edson Batista (foto de Rodrigo Silveira – Folha da Manhã)

 

 

“Temos um projeto que se sobrepõe aos nomes: governar para todos, mas com mais atenção aos excluídos”.

“A base da colonização de Campos foi a escravidão. Acabou a escravidão, mas prevaleceu sua mais valia”

“Renovação é avaliação crítica de resultado e correção, se necessário. Não é mera questão de idade”

 

Estas foram algumas das citações mais fortes do presidente da Câmara de Campos e pré-candidato, vereador Edson Batista (PTB). Na condição de pré-candidato governista a prefeito, ele esteve hoje na Folha, onde deu uma entrevista e demonstrou conhecimento histórico acima da média dos políticos locais. Confira amanhã sua íntegra na Folha da Manhã.

 

 

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Não vai ter golpe!

Com o pingo no único “i” da sentença muito bem pontuado pelo historiador Leandro Karnal, entre os maiores intelectuais viventes do Brasil e dos raros imunes ao desvario das paixões políticas de lado a lado, é fato: Não vai ter golpe!

Entenda por quê:

 

 

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Para tentar entender a crise nacional

A gravidade da situação do país pode ser não só explicada, mas até atenuada por aqueles que se esforçam para tentar entendê-la junto aos seus leitores. Neste sentido, alguns textos de opinião publicados hoje, em mídia nacional e local, foram soberbos. Abaixo, este “Opiniões” toma a liberdade de reproduzir dois:

 

Jornalista José Casado
Jornalista José Casado

Em maio, dupla chance de solvência da crise

Por José Casado

 

Desde 1988 todas as crises no Brasil foram resolvidas dentro da Constituição. Vai continuar assim, sabem juízes e políticos. Pelos ritos constitucionais, começa em abril o desfecho do jogo de poder em que Dilma Rousseff e Lula se meteram.

A presidente tem até 1º de abril para apresentar defesa no impeachment na Câmara. O processo vai ao plenário a partir do dia 20. Garantindo 171 aliados em votação aberta no plenário, Dilma resolve seu problema (o de Lula é com a Justiça, que ele julga “acovardada”). Se perder, passa à decisão do Senado.

Assim, maio começaria com a legitimidade de Dilma testada simultaneamente em duas instâncias — no Senado e na Justiça Eleitoral, onde avança o processo sobre suposta fraude na campanha de 2014, com dinheiro de empresas beneficiárias da corrupção na Petrobras.

No Congresso, o futuro de Dilma depende do PMDB de Eduardo Cunha, Renan Calheiros, José Sarney e Michel Temer, o vice que conspira em duas frentes: impeachment já, na parceria com a oposição, ou eleição indireta a partir de janeiro de 2018.

No TSE, Dilma e Temer estão abraçados. Sua sorte depende da desmontagem de provas colhidas nos inquéritos sobre corrupção. A relatora, juíza Maria Thereza Moura, deu celeridade ao processo para que possa ser julgado a partir de maio. Caso a presidente e o vice sejam cassados, novas eleições podem coincidir com as municipais, em outubro.

Sob a névoa desse fim de verão de fortes emoções políticas, maio se insinua como mês de possibilidades para solvência da crise, na rota constitucional. Até lá o horizonte deve ficar ainda muito mais turvo, antes de desanuviar.

 

 

Historiador Arthur Soffiati
Historiador Arthur Soffiati

O bote da jararaca

Por Arthur Soffiati

 

Confuso com as crise do Brasil, procurei um velho amigo que ajudou Lula a fundar o PT. Nossa conversa foi longa, mas saí dela mais tranquilo por concordar com ele em grande parte. Ele não rompeu com Lula. Apenas se afastou dele. Ambos seguiram caminhos diferentes. Hoje, ele não está filiado a nenhum partido. Suas opiniões estão sendo publicadas com seu consentimento.

“Lula e eu tínhamos os mesmos ideais, mas temperamentos diferentes. Ele era combativo, mas sabia negociar com os patrões. Ele acreditava numa política socializante sem romper com o capitalismo. Era pragmático. Eu mais teórico. Disse-lhe muitas vezes que Trotski achava inviável um país socialista num mundo capitalista. Stalin desejava consolidar o socialismo num só país. A União Soviética acabou engolida pelo contexto mundial capitalista.”

“Era esse seu projeto na fundação do PT e nas suas campanhas para a presidência da República. Creio que o governo dele só foi possível com a “Carta aos Brasileiros”, assegurando que não era tão perigoso quanto alardeavam. Quando ele ganhou, um amigo me disse que precisávamos de uma corda grossa para segurá-lo do nosso lado. Caso contrário, ele seria puxado pelos empresários.”

“A elite brasileira se divide em econômica, que só pensa em dinheiro, e a ideológica, que não gosta do povo, mesmo que ele tenha enriquecido. Lula apostou na elite econômica. Nos seus governos e nos de Dilma, os bancos enriqueceram e as grandes empreiteiras se agigantaram. Percebi claramente uma política de leniência com as elites econômicas, política esta anterior ao PT. Lula deu continuidade a ela. Não digo que os programas “Minha Casa, Minha Vida”, “Bolsa Família e PAC”, por exemplo, tenham sido criados para atender às empresas. Eles tiveram a intenção legítima de elevar o padrão de vida da população pobre. As empresas adoraram esses programas porque uma classe média emergente passou a ter poder aquisitivo e a consumir. Não houve educação adequada para o uso da renda.”

“Até aí, tudo bem. Sem combate à corrupção dentro do capitalismo, passa a ser inevitável o controle das empresas e dos bancos. O populismo do PT não freou a gula das empreiteiras. Pelo contrário, alimentou-a. Ao mesmo tempo, para agradar os manifestantes de 2013, que sabiam o que não queriam, Executivo e Legislativo Nacionais promoveram um arremedo de reforma política. Embora parcial, essa semirreforma permitiu que o Ministério Público e o Poder Judiciário ganhassem força. Mesmo com os protestos de 2013, a população elegeu um Congresso hoje desmoralizado. Que moral tem Eduardo Cunha para conduzir um processo de impeachment? As alianças que o PT fez para garantir sua governabilidade representam sua grande ameaça. O PT, hoje, dorme com o inimigo. Aliás, o PT é inimigo do PT. O próprio Lula reconheceu que Dilma ganhou com um discurso bem diferente da prática que ela tem agora. Houve maquiagem da marola, que arrebentou como vagalhão agora.”

“E não é só. Do PT, tem vindo a delação de Delcídio do Amaral. Do PMDB, vieram Temer e Cunha. Quem tem aliados assim não precisa de oposição, que só colhe as sujeiras que vazam para usá-las como chicote. As grandes empreiteiras formaram um cartel para roubar a Petrobras. Mesmo que Lula e Dilma não tenham qualquer envolvimento com elas, foi no governo de ambos que elas cresceram. Viu-se, então, a judicialização da política. Até mesmo o Executivo e o Legislativo recorrem ao Judiciário para dirimir suas dúvidas.”

“Novos escândalos vieram à tona, levando a sucessivas manifestações. A do dia 13 foi monstruosa. Sei bem que novamente a classe média é sua promotora. Mas é preciso reconhecer que o Brasil tem classes sociais, e a classe média tem peso. Sei que suas reivindicações são simplistas e até perigosas, como o apelo a um novo golpe militar. São pessoas despolitizadas. Mas as manifestações, como um todo, são um solavanco no governo. É preciso lidar com elas de frente. Não adianta recorrer a escapismos, como fazem os despolitizados nas redes sociais. Inclusive, fico assustado com os intelectuais de ambos os lados, que, irresponsavelmente, só colocam lenha na fogueira. Nessa altura dos acontecimentos, fica difícil uma solução. Se Dilma sair, quem entra no lugar dela e resolve a crise econômica num passe de mágica? De fato, enfrentamos uma crise política alimentada pela crise econômica que o PT negou existir.”

“Por isso, não fui às manifestações do dia 13. Não quis acirrar ainda mais os ânimos já exaltados. Espero que não marchemos para um golpe político, mas lamento que Lula volte ao governo na situação delicada e que está. Seria melhor que ele se calasse. Ele foi e continua sendo um boquirroto. Ele nunca teve autocrítica. E Dilma, cheia de problemas, convida-o para um ministério. Sua missão é aquietar as formigas, mas, seus telefonemas só assanham essa formigas. Enfim, os petistas estão metendo os pés pelas mãos. Pelas conversas gravadas e divulgadas (não entro no mérito da legalidade da difusão), nota-se o esforço para arranjos nada éticos, que repudiávamos quando fundamos o PT. Não sei se Lula, como um superministro será a solução, pois as manifestações demonstraram sua insatisfação com ele. O governo não governa mais. Apenas manobra para ficar no poder.”

 

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Pense rápido (II)

O que é mais patético?

 

Garotinho e Arnaldo em tempos de aliados (foto: arquivo de Ricardo André Vasconcelos)
Garotinho e Arnaldo em tempos de aliados (arquivo de Ricardo André Vasconcelos)

 

1 – Arnaldo Vianna dizer que pode ser candidato a prefeito?

2 – Garotinho pagar recibo e mandar seu jornal perseguir Arnaldo?

 

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Pense rápido (I)

Qual a principal diferença entre Collor e Dilma?

 

Capa do Estadão Online
Capa do Estadão Online (clique na reprodução para ler a matéria)

 

Pelo menos com elle, Renan foi até o final.

 

Então presidente Fernando Collor de Mello desejando feliz natal com um dos seus mais fieis aliados (reprodução)
Então presidente Fernando Collor de Mello desejando feliz natal com um dos seus mais fieis aliados (reprodução)

 

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Alemão confirma saída do DEM e vai definir novo partido pelo apoio a prefeito

Alemão, em foto tirada hoje e postada em seu mural de Facebook, à direita do do ex-sócio, primo e amigo Wladimir Garotinho (PR)
Alemão, em foto tirada hoje e postada em seu mural de Facebook, à direita do do ex-sócio, primo e amigo Wladimir Garotinho (PR)

 

 

Presidente do diretório municipal do DEM, o empresário e pré-candidato a vereador Hélio Montezano, o “Alemão”, está fora do partido. E garante que levará junto a nominata que já vinha montando com o auxílio do pai, o ex-presidente da Câmara de Campos Nelson Nahim (PMDB). O motivo, antecipado aqui, é a entrada do vereador Nildo Cardoso no DEM (aqui e aqui), onde agora vai tentar ser candidato à sucessão da prefeita Rosinha Garotinho (PR).

Quanto a Alemão, seu novo destino pode também definir seu apoio e do pai na disputa pela Prefeitura de Campos. Se for para o PPS, o apoio será ao vereador Rafael Diniz. Se for o PMDB de Nahim, o deputado estadual Pudim será o apoiado. O PSDC de outro pré-candidato a prefeito, deputado estadual João Peixoto, e o PSD deixado por Nildo e oferecido (aqui e aqui) ao deputado federal Paulo Feijó (PR), correm por fora.

Abaixo, o que disse Alemão:

 

“Fui convidado a permanecer no DEM, contudo teria que aceitar a pré-candidatura do vereador Nildo Cardoso a prefeito. Nada pessoal contra o vereador Nildo, mas temos ideias bem diferentes e tão pouco pretendo fazer política igual a dele. O fato de ser apenas um estreante na política, concordo plenamente com ele, pois estou mesmo iniciando minha vida pública, e essa é mais uma razão para a saída do partido, pois pretendo fazer as escolhas certas e apoiar quem acredito. Da mesma forma desejo ao vereador boa sorte e, em breve, eu e os outros pré candidatos a vereador do nosso grupo anunciaremos a nova legenda onde disputaremos as eleições”.

 

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Artigo do domingo — De quando a luta termina

 

Charge do Miguel de 12/03/16
Charge do Miguel de 12/03/16

 

 

“A queda do governo Dilma é uma questão de dias”. Foi o que disse ontem (aqui) em Vitória (ES), durante a Convenção Nacional de Cidades do PPS, o senador pelo partido Cristovam Buarque. Primeiro reitor eleito da Universidade Federal de Brasília (UNB), ele foi também governador do PT no Distrito Federal, quando criou o bolsa-escola mais tarde transformado em bolsa-família, além de ministro da Educação do governo Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Seu currículo, portanto, não é receita de “coxinha”.

Desde a condução de Lula sob ameaça de força coercitiva, por determinação do juiz federal Sérgio Moro, no dia 4 deste mês, o desespero do ex-presidente passou a ser traduzido por quem ainda se presta a tentar defendê-lo. Não é preciso ir longe. Do Planalto Central à planície goitacá, poderíamos ficar no exemplo de um presidente de associação de imprensa que bravateia duvidar que a Globo News dará à coletiva de Lula o mesmo espaço conferido à cobertura da sua condução pela Polícia Federal. E, desmentido alguns minutos depois, no lugar de assumir a parcialidade companheira, diz ter sido a emissora que evitou ser parcial demais.

O que falar do educador que, sem vergonha da apologia ao crime lecionada, bate no peito para dizer: “Prefiro Lula roubando do que qualquer outro político honesto do Brasil”?  Ou da cronista que escreve contra a demanda de uma nação por heróis, com a mira no calcanhar de Moro, para tentar defender o peito aberto de Lula? Ou da feminista em apoio a um líder patriarcal cobrando macheza de “mulheres de grelo duro”, saudando a consciência masculina do clitóris? Ou do jornalista que defende a manutenção de Dilma para não sermos governados por Temer, na amnésia seletiva de quem votou na chapa composta por ambos à presidência? Ou de quem, independente do ofício, perdeu o emprego por conta do desastre econômico do lulopetismo, mas continua a defendê-lo, purgado pelo bolso vazio, em aparente questão de fé?

Seria menos pior se fossem realmente “petralhas”, na associação de petistas com os Irmãos Metralhas, bandidos dos quadrinhos da Disney. Mas se tratam de pessoas reais, a maioria dotada de cultura, sensibilidade e índole acima da média. Bem verdade que, embora ainda ruidosa, representam uma parcela hoje ínfima da população. Na contabilidade das manifestações nacionais dos últimos domingo (13) e sexta (18), a cada 100 brasileiros que saíram às ruas pelo fim do governo Dilma, a prisão de Lula e em defesa da atuação de Moro, apenas sete marcharam pelos motivos opostos. E a diferença foi ainda maior em Campos (aqui), onde diante de cada 100 manifestantes contra o PT, somente quatro se apresentaram à defesa do partido.

Anabolizada de “coxinha” a “pernil” pela disparidade, verdade que essa maioria antipetista, na planície ou no planalto, guarda no discurso tanta hipocrisia quanto os casos “petralhas” tipificados acima. Afinal, como levar a sério quem sai para protestar contra Dilma e Lula e se cala, em sua própria cidade, sobre Rosinha e Garotinho? Na extensão institucional mais grave desta contradição, como entender a Justiça Federal da comarca goitacá promover um ato público de apoio a Moro, enquanto (aqui) ajusta a venda da cegueira diante ao desperdício, por uma Prefeitura inexplicavelmente quebrada, dos recursos federais dos royalties do petróleo e do Sistema Único de Saúde (SUS) — apontado em inspeções midiáticas, mas inócuas (aqui), do Ministério Público Federal (MPF) local?

Clássico do cinema, “Os intocáveis” (1987), do mestre estadunidense Brian De Palma, recria com brilho a Chicago dos anos 1920 para contar a história real do agente federal Eliot Ness (vivido por Kevin Costner) na tentativa de prender o criminoso Al Capone (Robert De Niro, no auge). No julgamento, após descobrir no bolso do capanga do mafioso uma lista com os nomes dos jurados, Ness leva o caso ao juiz, no escritório deste, na presença do promotor e advogado de defesa. Respondido que o papel não era prova de nada, o agente pede licença aos demais para falar em particular com o magistrado, conversa não revelada pelo corte da cena.

Na tomada seguinte, já no salão do júri, o juiz reflete acabrunhado antes de pedir ao meirinho que trocasse o júri de Capone pelo do julgamento ao lado. Exultante, mas surpreso, o promotor se vira para Ness e pergunta: “Mas o que você disse a ele?”. Ao que o agente federal responde: “Que o nome dele também estava na lista”.

Foi mais ou menos assim que Moro enquadrou o Supremo Tribunal Federal (STF), tanto nas gravações que geraram a prisão do então líder de Dilma no Senado, Delcídio do Amaral, quanto nas mais recentes, nas quais Lula cobra ao telefone (aqui) subserviências e “gratidões” tão republicanas quanto o nível do seu linguajar. No caso de dúvida, a entrevista de Delcídio (aqui) convertido em delator da Lava-Jato, publicada ontem na revista Veja, impressiona pelo detalhamento do bilionário esquema de corrupção, seus beneficiários e mandantes, bem como pelas cascas de banana mesquinhamente deixadas um para o outro, entre presidente e ex.

Foi nelas que ambos escorregaram, ao acharem que Lula poderia assumir (e salvar) o governo de Dilma e, de quebra, se salvar da ameaça de prisão pelo foro privilegiado. Três dias depois da maior manifestação política da História do Brasil sair às ruas contra uma mandatária e o antecessor que a inventou como poste de esquentar lugar.

Com a OAB endossando o pedido de impeachment de Dilma, a devolução do inquérito de Lula pelo STF para Moro e a legalidade dos grampos sobre o ex-presidente atestada pelo procurador geral Rogrigo Janot, pertinente a última fala de Ness a Capone, perto do final do filme: “Never stop fighting until the fight is done” (“Nunca pare de lutar, até que a luta termine”).

 

Publicado hoje (20/03) na Folha da Manhã

 

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Rafael Diniz na Conferência Nacional de Cidades do PPS

Senador Cristovam Buarque e vereador Rafael Diniz (foto: divulgação)
Senador Cristovam Buarque e vereador Rafael Diniz (foto: divulgação)

 

Desde ontem, o vereador e pré-candidato a prefeito de Campos Rafael Diniz (PPS) está com sua equipe em Vitória, participando da Conferência Nacional de Cidades promovida por seu partido. Governada por um prefeito do PPS, Luciano Resende, a capital capixaba recebe no evento os nomes de maior peso nacional da legenda, como seus presidentes nacional e estadual, deputado federal Roberto Freire (SP) e estadual Comte Bittencourt (RJ), o líder da bancada federal, deputado federal Rubens Bueno (PR), além do senador Cristovam Buarque (DF).

Ex-ministro da Educação do primeiro governo Luiz Inácio Lula da Silva, além de governador de Brasília pelo PT, quando criou o bolsa-família, Cristovam falou aos presentes sobre o quadro nacional de tensão e incerteza. Para o senador e ex-petista, “a queda do governo Dilma Rousseff é uma questão de dias”.

Sobre a questão municipal, objeto do encontro, Rafael disse estar “recolhendo experiências valiosas do partido em várias cidades brasileiras”, como na própria Vitória, para tentar aplicá-las em Campos, num seu eventual governo.

 

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