Edson Batista: governar para todos, com mais atenção aos excluídos
Brizolista antes de Anthony Garotinho (PR), Edson Batista (PTB) não disfarça a dureza que lhe é atribuída, ao negar ser contraposto por questões colocadas por aliados em entrevista anteriores, mas demonstrou na sua um conhecimento histórico superior à média dos políticos locais. Presidente da Câmara Municipal e pré-candidato a prefeito, ele defende o governo Rosinha Garotinho (PR) e a manutenção do projeto social que não vê na oposição: “governar para todos, mas com mais atenção aos excluídos”.

PTB, não PR – Nos formamos uma frente ampla e popular. Todos os partidos colaboraram na sustentação do governo Rosinha. O êxodo da sua administração se deve a essa frente. Não tenho, nem podemos ter, restrição a nenhum desses partidos.
Ferrugem prega candidatura do PR – Não vou me pautar pela entrevista (aqui) de ninguém. Eu vim falar de Edson Batista.
Dois candidatos governistas – Não sei como vai se desenrolar o processo. Em princípio, a prévia entre nossos militantes é que vai definir o candidato. Temos que ouvir a base, afinal ninguém é candidato de si mesmo. Respeito meus colegas (cinco outros pré-candidatos governistas), todos têm uma folha exemplar de serviços prestados à cidade. A aspiração de cada um deles é legítima. Mas temos que ter desapego pessoal. Temos um projeto que se sobrepõe aos nomes: governar para todos, mas com mais atenção aos excluídos. Historicamente, todos sabemos que a base da colonização de Campos foi a escravidão. Acabou a escravidão, mas prevaleceu sua mais valia (conceito de Karl Marx, pelo qual o esforço do trabalhador excede o pagamento do patrão). Quando a prefeita Rosinha assumiu em seu primeiro mandato, herdamos um déficit de 40 mil excluídos, na linha do trem (antiga Comunidade da Linha), em áreas à margem do rio. Não falo só de renda, mas cidadania: educação, esgoto, água potável, saúde, segurança. Hoje, com 6,5 mil casas populares reunidas, se você multiplicar por quatro, temos uma média de 26 mil pessoas resgatadas. Esse é o nosso maior patrimônio. O IDH (Índice de Desenvolvimento Humano) de Campos (apresenta gráficos) era de 0,505 em 1991, passou a 0,618 em 2000 e chegou a 0,716, em 2010. É inegável a evolução social do município. E o que mais cresceu foi a educação.
Campos em antepenúltimo no Ideb – Essa avaliação do ministério da Educação (sobre os 92 municípios do Estado do Rio) é pontual. A projeção que apresentei antes fala sobre duas décadas, não apenas sobre o ano de 2013, que foi o analisado pelo Ideb. O município assumiu muitas escolas estaduais. No contexto de duas décadas do IDH, houve crescimento de renda, educação e saúde. O município está caminhando.
Fogueira das vaidades – Acho que não existe fogueira das vaidades. O mais importante é o projeto, não as pessoas. Ele está acima de todos nós. Todos os companheiros ajudam a colocá-lo em realidade no município. Somos todos subalternos ao nosso compromisso histórico.
Oposição – É dividida e desunida. Não é falácia. Basta ver seu grande número de pré-candidatos: João Peixoto (PSDC), Rafael Diniz (PPS), Nildo Cardoso (DEM), Gil Vianna (PSB), Tô Contigo (PRB), Caio Vianna (PDT), Rogério Matoso (PMB). Ela não verbaliza um caminho. É só a crítica. O que a caracteriza é a divisão. Não tem o projeto, a bússola que nós temos: governar para todos, mas com especial atenção aos excluídos. Críticas à competência serão sempre subjetivas, mas os dados do IDH mostram que os objetivos estão sendo alcançados. A crise afetou a todos, sobretudo com a queda do preço do barril de petróleo e, não quero dizer assalto, mas o desmantelamento da Petrobras, gerando uma reação em cadeia. Tivemos que fazer o ajuste no código tributário. Na crise, todos os setores da cidade têm que ajudar para tornar o cenário mais tranquilo. A crise política nacional se agrava a cada dia, levando consigo a crise econômica, e nós ainda não sabemos o desfecho disso.
Renovação – Renovação é avaliação crítica de resultado e correção, se necessário. Não é mera questão de idade. Renovação é não ter nenhuma postura estanque, num mundo dinâmico em constante mudança.

Publicado hoje (22/03) da Folha da Manhã













