Saúde de Campos: Secretário de Rosinha devolve cobranças a Pudim e Marcão

Secretário Geraldo Venâncio devolveu cobranças na Saúde de Campos ao deputado Pudim e ao vereador Marcão (montagem de Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)
Secretário Geraldo Venâncio devolveu cobranças na Saúde de Campos ao deputado Pudim e ao vereador Marcão (montagem de Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)

 

“Antes da secretaria estadual de Saúde fazer um interferência na Sáude Pública de Campos, como propôs ontem Geraldo Pudim (PMDB), seria interessante que o deputado pressionasse o governo Luiz Fernando Pezão (PMDB) para enviar a Campos os remédios que está devendo aos doentes do município, alguns desde junho”. Foi o que disse o secretário municipal de Saúde, Geraldo Venâncio (PR), que hoje procurou a redação da Folha para apresentar uma lista de medicamentos que seriam de responsabilidade estadual, mas estariam em atraso.

Novo secretário de Saúde da prefeita Rosinha Garotinho (PR), que reassumiu o cargo após já tê-lo ocupado antes do vice-prefeito Chicão Oliveira (PP), Geraldo buscou reagir ao ex-companheiro de grupo político e partido. Depois de ter saído recentemente do PR, para ser candidato a prefeito pelo PMDB, Pudim ontem disparou (aqui) da tribuna da Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro (Alerj), com base em reportagens da Folha:

—  A população de Campos está assistindo a uma disputa que envolve promotores, juízes, Prefeitura, hospital filantrópico e empresa privada. A secretaria estadual precisa entrar em ação para intermediar os mais variados conflitos. O que não podemos é continuar vendo pacientes sofrendo. São vidas que estão em jogo.

Por outro lado, segunda a lista apresentada por Geraldo, 534 pacientes atendidos no sistema público de Saúde de Campos estariam à espera de nove medicamentos, cujo repasse seria de responsabilidade da secretaria estadual.

Confira:

 

lista estadual 1
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lista estadual 2
(Clique na imagem para ampliá-la)

 

O secretário de Saúde de Rosinha aproveitou para estender a cobrança que fez a Pudim, também ao vereador Marcão Gomes (PT):

— Em seus pronunciamentos na Câmara e seus artigos na Folha, Marcão costuma fazer (aqui) muitas cobranças à Saúde Pública de Campos. Como o vereador é do PT, partido do governo federal, ele poderia cobrar o envio de seis tipos de vacinas, dois de soros, além de imunoglobulinas, cujo envio é de responsabilidade do ministério da Saúde, mas que vêm faltando para os doentes do município.

Confira:

Lista federal 1
(Clique na imagem para ampliá-la)

 

Lista federal 2
(Clique na imagem para ampliá-la)

 

Lista federal 3
(Clique na imagem para ampliá-la)

 

 

Confira a reportagem completa amanhã, na Folha da Manhã, bem cedo nas bancas e nas casas dos assinantes

 

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Quando os idiotas reais do mundo virtual atrapalham de verdade

 

Patolino e Pernalonga

 

 

Após um dia de problemas no acesso a este “Opiniões”, foi finalmente detectado o motivo pelo qual o blog passou por dificuldades técnicas (relembre aqui). Ao postar às 23h53 da última segunda (16/11) uma animação do Pernalonga e do Patolino tirando e colocando cartazes “Pray for Paris” (“Ore por Paris”) e “Pray for Mariana” (“Ore por Mariana”), no sentido de satirizar a mesquinhez humana condensada na comparação entre mortos e tragédias, que tanto sucesso fez entre os imbecis reais do mundo virtual, o fato é que arquivo do vídeo veio tão corrompido quanto o objeto da analogia. Não por outro motivo, o blog teve que retirar a postagem do ar.

Mas como rir dos idiotas sempre deixa a alma mais leve, quem quiser se divertir mais uma vez à custa da boçalidade alheia, basta conferir aqui.

 

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Pudim quer interferência na Saúde de Campos e Jair dispara: “Garotinho foi covarde!”

Geraldo Pudim e Jair Bittencourt (montagem de Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)
Geraldo Pudim e Jair Bittencourt (montagem de Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)

 

Esquentou a chapa para os Garotinho na sessão de hoje da Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro (Alerj). Usando matérias da Folha da Manhã, o ex-aliado garotista Geraldo Pudim, hoje deputado estadual e pré-candidato a prefeito de Campos pelo PMDB, não só usou a tribuna da Alerj para denunciar o caos da Saúde do município, como cobrou a interferência do governo estadual Luiz Fernando Pezão (PMDB):

— Solicito uma interferência da secretaria estadual de Saúde para que possamos buscar uma solução. Existem muitas vidas em jogo e não podemos ficar de braços cruzados.

Por sua vez, outro ex-aliado dos Garotinho convertido em opositor, o deputado Jair Bittencourt (PR) falou sobre o atentado a tiros sofrido (aqui) pelo ex-prefeito de São Fidélis David Loureiro, na última sexta-feira, dia 13. Citado nominalmente nas insinuações feitas (aqui) pelo secretário do Governo de Campos, Anthony Garotinho (PR), no blog deste, o ex-prefeito de Itaperuna usou a tribuna da Alerj para responder duramente:

— Garotinho foi covarde e leviano!

Com seu blog fora do ar (aqui) boa parte do dia, por problemas técnicos ainda mais graves que o deste “Opiniões”, todas as informações foram apuradas pelo jornalista Alexandre Bastos.

 

Amanhã, confira a cobertura completa dessa sessão do descarrego contra os Garotinho na Alerj

 

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Desculpas a quem não conseguiu comentar hoje no blog

problemas técnicos

 

Todos os leitores deste “Opiniões” que hoje tenham tentado fazer qualquer comentário sobre qualquer postagem, encontraram dificuldades inesperadas, incluindo o próprio blogueiro. O problema já foi devidamente encaminhado ao nosso setor técnico, do qual esperamos uma solução ainda hoje.

Ainda que alheio à nossa vontade, pedimos desculpas a você, leitor, pelo contratempo.

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Após fracasso de 2014, o que a eleição da OAB em 2015 deveria ensinar para 2016

Ponto final

 

 

Sabedoria latina

Pode ser que o presidente da OAB-Campos, Carlos Augusto Monteiro, o Guru (aqui), não tenha tornado sua instituição dependente dos interesses do governo Rosinha Garotinho (PR), exercido de fato pelo marido e secretário de Governo desta, Anthony Garotinho (PR). Mas numa categoria que tem todo seu alicerce teórico na Roma Antiga, a fracassada tentativa do presidente da OAB em se reeleger, ontem, por uma margem de votos bem mais larga que o esperado, prova um velho dito latino: “À mulher de César, não basta ser honesta, é preciso parecer”.

 

Há dúvida?

Não por ter sua esposa trabalhando como DAS da prefeita Rosinha, prática que não é isolada no meio jurídico de Campos. Talvez nem por escrever periodicamente no jornal do grupo de comunicação de Garotinho. Mas se prestar a defender publicamente (aqui) a “venda do futuro” tentada a ferro e fogo pelos governantes do município, a despeito da esmagadora maioria da população ser (aqui) frontalmente contrária à tentativa de antecipação das receitas dos royalties, sem contar a promoção de uma reunião oficial da OAB com o próprio Garotinho, na CDL, são decisões que certamente não ajudaram Guru em sua tentativa de reeleição. Na dúvida, leitor, pergunte você mesmo a qualquer advogado da cidade.

 

Pena de ressaca

Que a lição que Guru foi obrigado a aprender da maneira mais dura, sirva também de alerta ao seu sucessor, Humberto Nobre (aqui), que assume a OAB em janeiro e foi ׅ“acusado” publicamente pela situação, durante a campanha, de já ter sido subsecretário e secretário do governo Rosinha. Mas como o triunfo eleitoral de Humberto e sua vice, Marta Oliveira, foi coletivo, com o peso individual de ex-presidentes queridos na categoria, como Filipe Estefan (aqui) e Andral Tavares Filho (aqui), a promessa de independência feita já na festa de vitória deve ser mantida, sob pena de uma ressaca do Pontal de Atafona em maré alta de lua cheia.

 

Velhas novidades

Na verdade, o exemplo de ontem da OAB deveria abrir os olhos dos dirigentes de todas as entidades de classe e representativas de Campos, a maioria ainda subserviente a quem manda e desmanda nesta planície há 26 anos. São os mesmos olhos que já deveriam estar arregalados desde 26 de outubro de 2014, quando depois de não conseguir ir além do primeiro turno da eleição a governador do Rio, Garotinho foi derrotado (aqui) no segundo em nada menos do que cinco das sete zonas eleitorais do município, ao apoiar Marcelo Crivella (PRB) contra o governador Luiz Fernando Pezão (PMDB).

 

Homens e ratos

Como, peso da máquina da Prefeitura à parte, todas as pesquisas eleitorais feitas em 2015 apontam (aqui e aqui) uma clara vantagem da oposição no enfrentamento que promete ser figadal na eleição municipal de 2016, quem permanecer cego às projeções de agora pode fazer com que suas próprias instituições colidam de cara contra o muro do novo nas urnas do ano que vem. Afinal, reza a sabedoria popular, que os últimos a abandonar um barco naufragando são os ratos. Os homens costumam ser mais céleres.

 

Publicado hoje na Folha da Manhã

 

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Poema do domingo — “Ser pedaço de flor e ainda ter seu perfume celebrado”

Manuela Cordeiro + Festival Drummond 2002
Manuela Cordeiro no Festival Drummond Cem Tempo, em 2002, no auditório do antigo Cefet-Campos, no qual conquistaria o primeiro lugar. Ao fundo, Drummond, que então fazia 100 anos de nascimento, abençoa a jovem de 16 (Facebbok – Manuela Cordeiro)

Conheço a Manuela Cordeiro, 29 anos, desde que ela era ainda uma adolescente. Trabalhava com seu pai, o jornalista Celso Cordeiro Filho, quando este disse que a filha também arriscava versos e me convidou a acompanhá-lo a um festival estudantil de poesia do Auxiliadora, do qual ela participaria. Curioso da produção das gerações posteriores, fui conferir e me impressionei de cara com a maturidade da sua poesia, pela já qual se via alguém precocemente esclarecido sobre a arte de versejar como fim em si mesma, além do narcisismo de quem não sabe projetar além de um confessionário de padre, ou divã de psicanalista, ao escrever um poema.

De fato, desde seu início, foi o outro que empurrou Manuela aos versos. Em sua prosa: “A poesia entrou na minha vida na infância para tentar expressar, em versos, o meu sentimento de perplexidade face às vidas perdidas de outras oito crianças, na chacina da Candelária de 1993”. Talvez antes mesmo de ler Walt Whitman (1819/92), sua colega campista estivesse precocemente ciente da lição encerrada no verso do vate estadunidense: “the other I am” (“eu sou o outro”).

Depois dos festivais estudantis, na transição da sua adolescência à juventude, cruzei sempre com Manuela nos FestCampos de Poesia Falada do início dos anos 2000, quando o Palácio da Cultura ainda abrigava cultura, diferente dos tristes dias atuais. Foi mais ou menos por essa época, na edição do Festival Drummond Cem Tempo, em 2002, numa homenagem organizada pelo também poeta Fernando Leite ao centenário de Carlos Drummond de Andrade (1902/87), realizado no auditório do antigo Centro Federal de Educação Tecnológica (Cefet) de Campos, hoje Instituto Federal Fluminense (IFF), que participei e vibrei muito com a conquista do primeiro lugar, em meio a tanta gente boa adulta, pela menina de apenas 16 anos. No mesmo ano, em Washington, ela participaria de um encontro internacional de jovens poetas na capital dos EUA.

Paralelamente à poesia, Manuela desenvolveu sua carreira acadêmica com brilho semelhante. Do Auxiliadora, ela se graduou em ciências sociais na Universidade Estadual do Norte Fluminense (Uenf), após um intercâmbio na Fairfield University, em Connecticut (EUA). Daí, a campista ganhou o Rio, onde fez mestrado na Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro (UFRRJ), e o Norte do Brasil. Sua primeira parada foi em Tocantins, onde passou oito meses trabalhando como consultora de uma ONG de Campinas (SP), no diagnóstico e fomento a conselhos comunitários em Araguaína e Xambioá, região próxima ao Bico do Papagaio, nas margens do rio Araguaia, famosa pela luta de guerrilha do PC do B, entre 1968 e 74, contra a Ditadura Militar no Brasil (1964/85).

Concluído o mestrado, a poeta investiu no doutorado em antropologia pelo Museu Nacional e Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) e foi morar outros seis meses em Rondônia, onde desenvolveu sua tese sobre o processo de ocupação da região de Ariquemes, em homenagem à tribo extinta dos índios arikeme, a partir das políticas do governo militar da década de 1970. Com doutorado concluído na academia e na paixão pelo Norte do Brasil, onde, segundo ela, “aprendi a comer pimenta, a saber o que é farinha de qualidade, a celebrar os rios, igarapés e outros corpos de água”, a opção foi o concurso para o magistério na Universidade Federal de Roraima (UFRR), em Boa Vista, única capital de estado brasileira no hemisfério norte do globo, onde a goitacá mora e trabalha desde 2013.

Na poesia, Manuela guarda como principais influências o pernambucano João Cabral de Melo Meto (1920/99), o matogrossense Manoel de Barros (1916/2014) e o amazonense Thiago de Mello, três autores cuja universalidade se fundamenta no regionalismo e no canto à natureza dos seus versos. Dos poemas que ela enviou a pedido do blog, todos de quando seus “espíritos vivos” ainda não faziam morada no Extremo Norte do país, a escolha recaiu sobre aquele cujas palavras comungam um pecado: “ser pedaço de flor e ainda ter seu perfume celebrado”.

Confira abaixo:

 

 

passarinho
“Pequena demais para ser tudo”, cambacica encara seu outro em Atafona, na manhã de 1º de março de 2015 (foto de Aluysio Abreu Barbosa)

 

 

Poema surdo

 

A minha casa é a morada dos meus espíritos vivos:

Minhas feridas e o tempo tecido.

Tempo tecido que é teia vã

E marca o trabalho de tecer a cicatriz de amanhã.

Rezo baixo a maculação dos meus passos

diretos, indiretos, esparsos.

Nessas palavras comungo o pecado:

de ser pedaço de flor e ainda ter seu perfume celebrado.

As mesmas mãos cansadas, em versos sintéticos debruçadas

são de repente uma estrofe incompleta.

Minha pobre tinta aquecida na chama da linha solitária

mata a minha sede, mas não cura a minha cara.

A poeira da minha casa empoleirada

na janela da calçada, na porta aberta por esquecer.

Escrever por recorrer não é nada,

triste é quem vive a poeira de sua casa a esconder.

Minhas letras largadas, meu tempo alagado de sonhos,

minhas costas enlanguescidas.

O poema se larga de mim e se alaga, espaço, sufocado

que quando sai para ser lido, poema surdo

já é muito largo para ser título

e pequeno demais para ser tudo.

 

2006

 

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Artigo do domingo — Oração em árabe a um Deus de paz

 

O AFERIDOR

(Manoel de Barros)

 

Tenho um Aferidor de Encantamentos.

A uma açucena encostada no rosto de uma criança

O meu Aferidor deu nota dez.

Ao nomezinho de Deus no bico do sabiá

O Aferidor deu nota dez.

A uma fuga de Bach que vi nos olhos de uma criatura

O Aferidor deu nota vinte.

Mas a um homem sozinho no fim de uma estrada

sentado nas pedras de suas próprias ruínas

O meu Aferidor deu DESENCANTO.

(O mundo é sortido, Senhor, como dizia o meu pai)

 

 

França

 

 

Apesar da sexta-feira 13, tudo corria muito bem. Primeiro foi o Leonardo Moreira, motorista da Folha, quem me levou um exemplar do jornal Lance! do dia anterior, que trazia em suas páginas 6 e 7 uma excelente reportagem sobre os 120 anos de história do Flamengo e uma entrevista com Zico, ídolo maior do clube e do menino que fui.

Depois, numa dessas lembranças involuntárias, eis que o Facebook traz, na lembrança das postagens de 13 de novembro de 2014, alguns escritos sobre a morte naquele dia do poeta Manoel de Barros (1916/2014). Ao lado de João Cabral de Melo Neto (1920/99), Manoel esteve entre as maiores influências ainda contemporâneas e conterrâneas em brasilidade aos meus versos.

Pelo refinamento das suas artes, pela dedicação a elas devotada e pela generosidade pessoal que sempre demonstraram para além da obra, aprendi a gostar de Zico e Manoel como dois amigos chegados de data longa. Pensando nas alterações à órbita da minha vida pelo peso da gravidade de ambos, feliz e grato ao artesão da bola e do verso, cheguei a comentar com mais de uma pessoa próxima: “Hoje, apesar da sexta-feira 13, nada vai estragar meu dia”.

E vai daí que chegou, na vertigem de uma bofetada, a notícia do atentado em seis pontos de Paris, com tiroteios e explosões, matando 129 pessoas e ferindo 352, incluindo dois brasileiros, 90 delas em estado grave, depois assumido pelo Estado Islâmico (EI). A ação chocou um mundo politicamente repartido entre esquerda e direita na capital da França, a partir da posição das bancadas na Assembleia Nacional da Revolução Francesa (1789) — separando a defesa da Liberdade na destra e da Igualdade, na canhota, até os dias de hoje.

Por certo, para quem possui a Fraternidade hasteada dentro de si, não cabe nenhuma comparação mesquinha de tragédias, entre a parisiense com a ocorrida em Mariana (MG). Foi lá, na divisa com o também município histórico de Ouro Preto, que duas barragens de resíduos da mineradora Samarco se romperam, no último dia 5, ao saldo de oito pessoas mortas, 12 desaparecidas e 632 desabrigadas, além de comprometer toda a vida animal e vegetal do rio Doce, que corta a região.

Para além dos animais e plantas, uma vida humana é uma vida humana. Tem o mesmo valor em Paris, Minas ou Síria, na qual o Estado Islâmico reuniu muçulmanos sunitas radicais e vicejou numa guerra civil que já matou 250 mil pessoas, provocando o êxodo de outras 11 milhões, no vácuo da tentativa desastrosa das potências ocidentais de derrubar o ditador local Bashar al-Assad. Alinhado geopolítico da Rússia de Vladímir Putin, ele sucedeu ao pai, Hafez al-Assad, que governou a Síria por 30 anos, até morrer e deixar o país de herança.

Não creio que quem aproveita a noite de sexta-feira na Cidade Luz para, sem aviso prévio, ser abatido a tiros de fuzil disparados por um radical religioso, agonize menos do que alguém afogado na lama tóxica de Mariana ou nas belas águas azul turquesa do Mar Egeu. Ou será que, na sucessão (e banalização) das tragédias, você, leitor, já se esqueceu (aqui) do menino sírio Aylan Kurdi, de apenas três anos, cujo corpo pálido, inerte, com rosto enfiado no cascalho da praia de Bodrum, deu no balneário turístico da Turquia, há pouco mais de dois meses? Ou que aquela criança apenas deu cara aos mais de 2.300 afogados só neste ano, fugitivos da guerra e da fome, no Oriente Médio e na África, num total de duas mortes por hora no Mar Mediterrâneo — o “Mare Nostrum” (“Mar Nosso”) dos antigos romanos?

Ontem, um pouco antes de escrever este artigo, nas entrevistas com testemunhas dos atentados em Paris, li que os terroristas gritavam em árabe, enquanto matavam seus semelhantes ou antes de fazê-lo a si mesmos: “Allahu Akbar!” (“Deus é grande!”). Também ontem, acompanhando a repercussão do caso na democracia irrefreável das redes sociais, notei que o advogado, publicitário e crítico de cinema Gustavo Alejandro Oviedo, argentino caído em Campos, tinha postado em seu mural no dia 12, véspera da tragédia francesa, uma foto do interior da belíssima Mesquita Azul, em Istambul, construída por ordem do grande sultão Ahmed I (1590/1617) para ser maior que a bizantina e cristã Igreja de Santa Sofia, uma diante da outra.

Embora de criação católica na infância e alguma convivência evangélica na adolescência, não tenho religião. Mas creio, sinceramente, na ideia de Deus, em sua força aglutinadora e civilizatória para a humanidade ao longo da História. E, certamente, raras vezes estive num lugar criado pelo homem tão lindo quanto a Mesquita Azul. Fui lá em julho de 2009, com meu filho Ícaro, então com 10 anos, numa viagem de mais de um mês pela Grécia Antiga, hoje dividida entre os estados modernos da Grécia e da Turquia.

Segundo a tradição islâmica, nos descalçamos, lavamos pés, mãos e rostos numa das muitas fontes públicas ao lado do portal de entrada. Ganhamos o interior do templo e, sobre o imenso tapete persa que cobre todo o piso, inebriados pelas orações cantadas dos seis minaretes, naturalmente nos prostramos, até encostar nossas testas ao chão, como faziam os fiéis ao redor. Foi quando repetimos em oração a única frase em árabe que eu sabia e ensinei ao meu filho: “Allahu Akbar!”

Com felicidade e gratidão muito próximas às ensejadas pela arte de Zico e Manoel de Barros, tive a certeza de que estávamos curvados diante de um Deus de paz.

 

Publicado hoje na Folha da Manhã

 

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Para mais de sete entre cada 10 campistas, governo Rosinha é exemplo a não ser seguido

(Infográfico de Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)
(Infográfico de Eliabe de Souza, o Cássio Jr. — clique na imagem para ampliá-la)

 

Você quer ver mudanças na maneira de administrar Campos a partir de 1º de janeiro de 2017? Pois para 73,9%, ou mais de sete entre cada 10 campistas, o governo Rosinha Garotinho (PR) serve apenas como exemplo a não ser seguido pelo prefeito que será eleito em outubro de 2016.

De acordo com a pesquisa do instituto Pro4, realizada com 981 eleitores das sete Zonas Eleitorais (ZEs) do município, entre 22 e 24 de outubro, hoje 39,1% do eleitorado campista quer mudança total do sucessor de Rosinha. Foi a maior parcela, seguida dos 34,8% que querem mudar muita coisa. Apenas 14,3% quem poucas mudanças na maneira rosácea de governar, enquanto irrisórios 6,1% desejam total continuidade. Em outras palavras, em cada 10 campistas, menos de um quer manter as coisas como estão. A margem de erro da amostragem é de 3,1 pontos percentuais para mais, ou menos.

Esse sentimento de mudança já tinha sido revelado em outros índices da mesma pesquisa Pro4 divulgada desde a edição último domingo (08/11), na qual foi revelado (aqui) que se tivesse condições jurídicas e se a eleição fosse hoje, Arnaldo Vianna (PDT) seria eleito prefeito mais uma vez, e em turno único, com 55,2% dos votos válidos. Este foi o resultado da consulta estimulada, muito embora o pedetista tenha liderado com folga também a espontânea (19,2%), na qual Rosinha apareceu em segundo lugar (com distantes 3,8%), e seu marido e secretário de Governo, Anthony Garotinho (PR), teve a lembrança de apenas 0,2% dos campistas — exato 0,1 ponto percentual à frente de Beto Cabeludo (aqui), que disputou pelo PTB, mas não venceu a última eleição para vereador.

A liderança de Arnaldo na corrida à sucessão de Rosinha, embora não tão folgada, foi também registrada por uma pesquisa do instituto Pappel, que ouviu 1.400 eleitores entre 21 e 28 de outubro, para conferir ao ex-prefeito 29,43% das intenções de voto na consulta estimulada, seguido do vereador independente Alexandre Tadeu, o “Tô Contigo” (PRB), com 11,29%, e do vereador de oposição Rafael Diniz (PPS), com 8%. A pesquisa foi divulgada (aqui) pelo Blog do Bastos, na Folha Online, na última sexta-feira (13/11), e (aqui) na edição de ontem (14/11) da Folha da Manhã.

 

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Garotinhos não poderão usar “venda do futuro” para pagar dívidas

Charge de José Renato publicada na Folha da Manhã em 15/08/15
Charge de José Renato publicada na Folha da Manhã em 15/08/15

 

 

Se não conseguiu impedir a “venda do futuro”, depois da decisão de hoje do juiz titular da 5ª Vara Cível de Campos, Rodrigo Pinheiro Rebouças, a ação popular  0039697-59.201, dos cinco vereadores de oposição, conseguiu impor os critérios da lei ao governo Rosinha Garotinho (PR) sobre a operação autorizada pelos vereadores governistas na Câmara Municipal de Campos.  Muito embora não tenha proibido a realização da operação que os Garotinho pretendiam realizar, a decisão na prática a inviabiliza, na medida em que impõe uma série de condições e restrições. Entre elas:

 

  1. Realização de licitação — “Some-se a isso o fato de que a alienação de créditos de entes públicos – como, aliás, qualquer venda de bens de sua propriedade – exige a realização de prévia avaliação e submissão a procedimento de licitação. Assim, mesmo se o município buscar contratar com algum banco oficial, deverá se submeter aos ditames do procedimento licitatório. Não se aplica, no caso, a regra prevista no art. 24, VIII da Lei 8.666/93, porque, para a realização deste tipo de operação financeira, estes bancos devem concorrer em igualdade de condições com as instituições privadas, com o objetivo de se alcançar o maior deságio em favor do Município, não havendo qualquer monopólio ou banco público criado para este fim específico que justifique eventual dispensa licitatória.”  (Trecho da decisão)

 

  1. Vedação da utilização das receitas eventualmente arrecadas com despesas correntes (pagamento de pessoal, manutenção e adaptação de prédios, pagamento de fornecedores e conveniados) — “DEFIRO PARCIALMENTE a Tutela Antecipada para que eventual operação realizada pelo Município de Campos dos Goytacazes/RJ, durante o mandato da atual Chefe do Executivo, respeite os ditames da Lei de Responsabilidade Fiscal, especialmente a previsão do seu art. 44, pois a verba objeto desta ´antecipação´ não poderá ser utilizada em despesas correntes, salvo as da Previdência Social, como acima explicado. Ou seja, a utilização da verba decorrente da ´antecipação dos royalties´ não poderá ser utilizada: a) em dotações orçamentárias para a manutenção de serviços anteriormente criados, inclusive as destinadas a atender a obras de conservação e adaptação de bens imóveis; b) em dotações orçamentárias para despesas às quais não corresponda contraprestação direta em bens ou serviços, inclusive para contribuições e subvenções destinadas a atender à manifestação de outras entidades de direito público ou privado. Caso a operação tenha por objetivo ceder direitos relativos a período posterior ao do mandato da atual Chefe do Poder Executivo, o numerário arrecadado poderá ser utilizado EXCLUSIVAMENTE para capitalização de Fundos de Previdência ou para amortização extraordinária de dívidas com a União”

 

  1. As eventuais receitas arrecadadas não poderão ser consideradas para fins do cálculo com despesas de pessoal — “Em ambas as hipóteses, o numerário arrecadado não poderá compor a Receita Corrente Líquida do Ente Municipal, a qual serve de base de cálculo para os percentuais previstos no artigo 19 da Lei de Responsabilidade Fiscal, referentes ao limite para aplicação de receita para gasto com pessoal”.

 

  1. Caso opte por realizar a operação no exterior, deverá cumprir todas as regras previstas na Resolução 43/2001 do Senado, o que não vinha ocorrendo. Em síntese, terá que pedir nova autorização do Senado, específica para a operação, que deverá ser chancelada pelo Tesouro Nacional.

 

Embora não represente os vereadores Rafael Diniz (PPS), Marcão (PT), Fred Machado (PPS), Nildo Cardoso (PSD) e José Carlos (PSDC) na ação, o advogado e blogueiro José Paes Neto analisou a decisão:

— O Judiciário mais uma vez colocou ordem na casa. Não impediu por completo a venda futuro mas colocou condicionantes com o objetivo de moralizar a operação e garantir que a as receitas atendam ao interesse público e não apenas de um grupo político decadente.

Confira abaixo a a reprodução da matéria (aqui) no site do Tribunal de Justiça do Estado do Rio de Janeiro (TJ-RJ) sobre a decisão, seguida da sua íntegra:

 

TJ copy
(Clique na imagem para ampliá-la)

 

 

Liminar venda do futuro 1
(Clique na imagem para ampliá-la)

 

 

Liminar venda do futuro 2
(Clique na imagem para ampliá-la)

 

Liminar venda do futuro 3
(Clique na imagem para ampliá-la)

 

Liminar venda do futuro 4
(Clique na imagem para ampliá-la)

 

Leia a reportagem completa amanhã, na edição impressa da Folha, bem cedo nas bancas e na casa dos assinantes.

 

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“O tempo só anda de ida” — Um ano de saudade do poeta

Manoel de Barros
Manoel de Barros

 

 

Dia desses, estava conversando sobre o Facebook com o Alexandre Bastos. Após elogiar a peneira atenta que ele faz, para o seu blog, de postagens interessantes em meio ao oceano de irrelevâncias da democracia irrefreável das redes sociais, confidenciei ao jornalista e amigo que raramente leio mural alheio de Facebook, ou confiro o feed de notícias. Por ficar quase sempre circunscrito à minha própria linha do tempo, que utilizo no mais das vezes só para reproduzir as postagens deste blog, Bastos sentenciou, não sem ironia: “Você usa o Facebook como Orkut”.

Até porque nunca tive Orkut, não pude discordar.

O fato é que  em meio ao desfile um tanto nauseante de egos e futilidades, o Facebook tem coisas muito interessantes. Foi o caso da surpresa benfazeja que tive hoje, ao receber notificações automáticas das minhas publicações de 13 de novembro de 2014. Assim, fui lembrado involuntariamente que hoje faz exatamente um ano que morreu o poeta Manoel de Barros (1916/2014), ao reler um texto que postei inicialmente aqui, no Face, e ampliei para publicação aqui, no blog.

Mas, além dos dois textos em prosa sobre o poeta, em seu dia de sua morte, postei também aqui, só no Face, uma foto que tirei no interior da Catedral de Lima, capital do Peru, que havia acabado de visitar, junto a um soneto de Gregório de Matos (1636/95) em forma de oração, numa despedida ao poeta que partia. Neste um ano de saudade de Manoel, que também prezava muito suas lembranças do Peru, tomando chincha, cerveja de milho de origem pré-hispânica, em companhia dos índios quechuas (incas) e aymaras (tiahuanacos), a certeza do seu verso: “o tempo só anda de ida”.

Abaixo, o barroco da foto e do soneto de Gregório, o “Boca do Inferno”:

 

Oratório da Capela de São João Batista, na Catedral de Lima (PE), com o entalhe de Cristo considerado o mais belo das Américas (foto de Aluysio Abreu Barbosa)
Oratório da Capela de São João Batista, na Catedral de Lima, no Peru, com o entalhe de Cristo considerado mais belo das Américas (foto de Aluysio Abreu Barbosa)

 

 

Buscando a Cristo

 

A vós correndo vou, braços sagrados,

Nessa cruz sacrossanta descobertos

Que, para receber-me, estais abertos,

E, por não castigar-me, estais cravados.

 

A vós, divinos olhos, eclipsados

De tanto sangue e lágrimas abertos,

Pois, para perdoar-me, estais despertos,

E, por não condenar-me, estais fechados.

 

A vós, pregados pés, por não deixar-me,

A vós, sangue vertido, para ungir-me,

A vós, cabeça baixa, p’ra chamar-me

 

A vós, lado patente, quero unir-me,

A vós, cravos preciosos, quero atar-me,

Para ficar unido, atado e firme.

 

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Menos de três entre cada 10 campistas confiam em Rosinha Garotinho

Info Pro4 13-11-15

 

 

Por Aluysio Abreu Barbosa

 

Você confia na prefeita Rosinha Garotinho (PR)? Se a resposta é sim, você representa menos de três entre cada 10 campistas. Este foi o resultado da pesquisa do instituto Pro4, realizada com 981 eleitores das sete Zonas Eleitorais (ZEs) de Campos, entre 22 e 24 de outubro, segundo a qual 60,3% da população não confiam em sua governante, ao contrário dos 26,7% que disseram ainda confiar, enquanto 13,1% não souberam ou quiseram responder. A margem de erro da amostragem é de 3,1 pontos percentuais para mais, ou menos.

A pesquisa do Pro4 começou a ser divulgada pela Folha (aqui) desde sua edição do último domingo (08/12), na qual foi revelado que se tivesse condições jurídicas e se a eleição fosse hoje, Arnaldo Vianna (PDT) seria eleito prefeito mais uma vez, e em turno único, com 55,2% dos votos válidos. Este foi o resultado da consulta estimulada, muito embora o ex-prefeito pedetista tenha liderado com folga também a espontânea (19,2%), na qual Rosinha apareceu em segundo lugar (com distantes 3,8%), e seu marido e secretário de Governo, Anthony Garotinho (PR), teve a lembrança de apenas 0,2% dos campistas — exato 0,1 ponto percentual à frente de Beto Cabeludo (aqui), que disputou pelo PTB, mas não venceu a última eleição para vereador.

Relativo à confiança na prefeita, em sua edição de ontem (12/11), a Folha revelou (aqui) outro dado esclarecedor da mesma amostragem: 74,9% do eleitorado disseram que não votarão em nenhum candidato apoiado por Rosinha à sua sucessão, numa rejeição que excede sete entre cada 10 campistas. Apenas 18,2% disseram que votarão em quem se aventurar a disputar a Prefeitura de Campos com o apoio da sua atual titular.

Por outro lado, embora a desconfiança do eleitor campista em sua governante seja alta, o sentimento diminuiu na comparação com a última consulta do Pro4, feita entre 18 a 22 de junho, com base em 426 entrevistas, na qual 77,2% declararam não confiar na prefeita. Ou seja, a desconfiança da população caiu relevantes 16,9 pontos percentuais, até os 60,3% de outubro. Entre os que declararam confiar em Rosinha, também houve aumento, embora mais tímido: os 17,8% de junho aumentaram 8,9 pontos percentuais, até os 26,7% de três meses depois.

De fato, a reação de Rosinha, embora ainda muito longe da popularidade do primeiro mandato, foi registrada por outros dados da pesquisa. Como a Folha revelou (aqui) na última quarta-feira (11/11), comparando as consultas de junho e outubro do Pro4, a avaliação popular do governo de Campos cresceu de 1,4% para 3,1% em ótimo, de 10,8% para 16% em bom, e de 34,3% para 40,9%, na neutralidade do regular. Na ponta oposta, caíram os índices de avaliação de ruim (de 17,6% a 12,3%) e péssimo (de 35,7% a 24,2%).

 

Publicado hoje na Folha da Manhã

 

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Mais de sete entre cada 10 campistas não votarão no candidato a prefeito dos Garotinho

Info Pro4 12-11-15
(Infográfico de Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)

 

 

Por Aluysio Abreu Barbosa

Se ainda não se sabe quem será o candidato governista ao comando de Campos em 2016, uma projeção incômoda ao eventual escolhido: mais de sete entre cada 10 campistas não vai votar nele(a). Segundo a nova pesquisa do instituto Pro4, realizada nas sete Zonas Eleitorais (ZEs) do município, a partir da entrevista de 981 eleitores, entre 22 e 24 de outubro, apenas 18,2% dos eleitores estão dispostos a votar no escolhido pela prefeita Rosinha Garotinho (PR) para sucedê-la. Sem se importar com nomes, impressionantes 74,9% da população declararam que votarão em outro candidato, ao passo que 6,8% não souberam ou quiseram responder. A margem de erro da pesquisa é de 3,1 pontos percentuais para mais, ou para menos.

Se na comparação das duas últimas pesquisas Pro4  em Campos, feitas em junho e outubro deste ano, o governo Rosinha melhorou (aqui) suas avaliações de ótimo (1,4% para 3,1%), bom (10,8% para 16%) e regular (34,3% para 40,9%), enquanto diminui o péssimo (35,7% para 24,2%) e ruim (17,6% para 12,3%), curiosamente aumentaram o número de pessoas que não votarão em nenhum candidato apoiado pela prefeita em sua sucessão. Enquanto na pesquisa de junho, feita entre os dias 18 e 22, com 426 entrevistas, 70,2% do eleitorado disse que não votaria em nenhum nome governista para prefeito de Campos. Se este número subiu 4,7 pontos percentuais nos últimos três meses, no mesmo espaço de tempo também diminuíram exatos 5 pontos os 23,2% que estavam dispostos a votar no candidato governista em 2016.

A pesquisa Pro4 de outubro começou a ser divulgada na edição da Folha do último domingo (08), com a primeira consulta do instituto com as intenções de voto nos pré-candidatos a prefeito (relembre aqui). Em dois cenários estimulados, o vice-prefeito Dr. Chicão de Oliveira (PP) e o líder da bancada governista, vereador Mauro Silva (PT do B) não mostraram desempenhos muito animadores. Com o ex-prefeito Arnaldo Vianna (PDT) na disputa, Chicão ficou em 6º lugar, com 4%, e Mauro em 10º, com 0,7%. Sem o pedetista no páreo, o vice-prefeito aumentou para 4,9%, mas manteve a 6ª colocação, enquanto o vereador rosáceo subiu para 9º , com 1,5%.

 

Antigarotismo não só entre quem estuda mais e ganha melhor

 

Quem estuda mais e ganha melhor não vota nos Garotinho? Pois esta certeza tem se expandido. Quando o assunto é escolaridade, se é entre quem tem curso superior o maior percentual de eleitores (87,2%) que não votará em nenhum candidato governista a prefeito de Campos, esta opção é majoritária em todas as demais faixas: 80,7% de quem tem ensino médio, 68,3% de quem cursou da 5ª à 8ª séries do fundamental, e 58,4% até entre quem só foi até a 4ª série, antigo eleitorado preferencial do garotismo.

Por outro lado, se também é majoritário em todas as faixas de renda aqueles que não votarão em qualquer candidato de Rosinha para sucedê-la, o maior percentual destes não se dá nos mais ricos. Acima dos 78,9% antigarotistas que ganham acima de cinco salários mínimos, ficaram os 84,9% que ganham de dois a cinco salários e não votam em ninguém que a prefeita apoiar.

 

Publicado hoje na Folha da Manhã

 

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