Promotor responde a juiz em nova crise da Campos sob o garotismo

A assessoria do titular da 1ª Promotoria de Tutela Coletiva do Ministério Público Estadual (MPE) de Campos, Marcelo Lessa Bastos, pediu à redação da Folha um e-mail, ao qual enviou em seguida mensagem com nota em anexo. Nesta, a resposta do promotor à sua citação na sentença do juiz da 1ª Vara Cível de Campos, Ralph Manhães, divulgada aqui, no blog “Na curva do rio”, da jornalista Suzy Monteiro.

Sobre a polêmica invasão à Santa Casa de Misericórdia de Campos (aqui) pela prefeita Rosinha Garotinho (PR) e seu estafe, com a participação direta do promotor estadual Marcelo Lessa, em 20 de outubro, Ralph advertiu em sua decisão do último dia 6:

 

“Salienta-se que já há reconhecimento na jurisprudência que tal sanção pode ser aplicada também aos membros do MP, sendo certo que a edição do ato administrativo questionado nesta demanda não pode autorizar a invasão a uma entidade que está sob intervenção judicial, ainda mais da forma que se deu. Assim, todos aqueles que praticaram a conduta de invasão da Santa Casa, a senhora Prefeita, o representante do Ministério Público que ali atuou aparentemente sem atribuição e os demais ‘nomeados’ como interventores municipais, ficam advertidos de que a reiteração de condutas daquela natureza será rechaçada na forma do art. 14, do CPC, além da apuração de outras práticas, devendo, portanto, se absterem de praticar atos incompatíveis com a boa-fé e a lealdade processual, submetendo-se, desta forma, ao estado democrático de direito, no qual todos estão sujeitos à lei e às decisões judiciais”.

 

Por sua vez, Marcelo deu hoje sua resposta pública ao magistrado, solicitando à Folha a reprodução integral da sua nota. Na impossibilidade de fazê-lo no jornal impresso, pelo tamanho do texto, este blog enseja a “oportunidade do exercício do contraditório e do salutar esclarecimento à opinião pública” evocada no e-mail do Parquet. Confira abaixo, nessa querela assumida entre um juiz e um promotor de Justiça de Campos, a que nível chegou a contaminação das instituições do município após 26 anos sob domínio do garotismo:

 

Promotor Marcelo Lessa e o juiz Ralph Manhães
Promotor Marcelo Lessa e o juiz Ralph Manhães (montagem de Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)

 

NOTA:

Tendo em vista a menção feita a minha pessoa em decisão do juízo da 1ª Vara Cível de Campos, tomada nos autos de ação cautelar em que não atuo e da qual fui “intimado” através da imprensa oficial, em que S. Exª formulou veemente juízo de censura em relação a minha atuação no episódio relativo à requisição de bens e serviços da Santa Casa de Misericórdia por parte do Município de Campos, cunhando, no bojo da decisão, exótica “advertência” relativa a possíveis sanções em decorrência de suposto ato atentatório à dignidade da Justiça (art. 14 do Código de Processo Civil), tenho a esclarecer o seguinte:

1) O juízo partiu da equivocada premissa de que o decreto da Prefeita consistiria em afronta à decisão judicial que determinou a intervenção na Santa Casa, daí concluir que o signatário não teria atribuição para atuar em simples comparecimento ao hospital acompanhando a Prefeita quando da execução dos efeitos práticos de seu decreto. Sucede que, ao contrário do que afirmado na citada premissa, o referido decreto em absolutamente nada colide com a referida decisão judicial de intervenção, sendo a forma de sua execução consequência lógica de sua higidez.

2) Qualquer operador do Direito com um mínimo de conhecimento em Direito Administrativo sabe que o chefe do Executivo tem a prerrogativa de requisitar administrativamente bens e serviços, e o simples fato de estar uma unidade prestadora de serviços do SUS sob intervenção judicial, motivada por suposta má gestão de seus antigos diretores, não a torna, por si só, imune ao poder de polícia administrativo, como que envolta numa espécie de redoma capaz de blindar a junta nomeada pelo juízo e lhe servir de escudo para a tomada de uma decisão arbitrária como a de suspender a prestação de um serviço público essencial, como é o caso das internações pelo SUS, como forma de pressionar o Município a pagar suposta dívida, ainda que existente, exibindo, concomitantemente, através da imprensa, leitos vazios como se fossem troféus.

3) A legalidade do referido decreto, aliás, ainda que pendente de julgamento no agravo interposto, foi por ora reconhecida pelo Relator do referido recurso, que lhe conferiu efeito suspensivo. Aliás, têm sido comum as reformas de decisões equivocadas proferidas pelo juízo da 1ª Vara Cível de Campos neste processo!

4) Por conseguinte, como o decreto e seu efetivo cumprimento nada tinham a ver com a ação cautelar em comento, não se pode falar de atuação deste Promotor sematribuição, por acompanhar a Prefeita em suposto ato atentatório à autoridade do Poder Judiciário, simplesmente porque, afora possível questão de vaidade, o que se resolve dentro do foro íntimo de cada um, nem o decreto, nem sua execução, tinham nada de atentatório.  Não é preciso lembrar que os atos administrativos gozam do atributo da autoexecutoriedade, dada a trivialidade da lição que se aprende ainda nos bancos universitários. Daí ressalto que, fincadas essas premissas, não tenho nenhum tipo de satisfação a dar ao juízo em referência com relação ao ato que pratiquei ou aos que ainda possa vir a praticar, completamente desvinculados da ação cautelar sob comento, ou a quem resolvo acompanhar, posto que não preciso das bênçãos do juízo para exercer minhas prerrogativas institucionais.

5) Nesta linha de princípio, torno público que a esdrúxula advertência contida na referida decisão – aliás mais uma suspensa, ainda que temporariamente, pelo Tribunal – não irá intimidar este Promotor de exercer em toda a plenitude as suas prerrogativas, nas quais se compreende o amplo acesso a qualquer instituição hospitalar, pública ou privada, esteja ou não sob intervenção judicial, até porque, como bem destacado na decisão judicial em comento, todos nós estamos sujeitos ao império da Lei e à autoridade das decisões judiciais, inclusive os juízes, em especial com relação às decisões de seus superiores hierárquicos, sendo certo que, em decorrência do propalado império da Lei, todos são e serão responsabilizados civil, criminal e administrativamente por eventuais atos arbitrários que vierem a praticar, sem nenhuma exceção, sendo certo que este Promotor conhece como ninguém as vias próprias para buscar este tipo de responsabilização na hipótese de vir a ser vítima de um ato deste jaez.

 

Campos, 11 de novembro de 2015

 

Marcelo Lessa Bastos

Promotor de Justiça

 

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TJ rejeita por unanimidade a suspeição do juiz Ralph Manhães pedida por Rosinha

A tática da intimidação usada pelos Garotinho, ao arguir no Tribunal de Justiça do Estado do Rio de Janeiro (TJ-RJ) a suspeição de juízes de Campos que ousam cumprir a lei, em questões essenciais como Saúde Pública, mas em desacordo com os interesses do governo Rosinha Garotinho (PR), não tem surtido efeito. Hoje, por unanimidade, a 11ª Câmara Cível do TJ rejeitou a suspeição do juiz da 1ª Vara Cível de Campos, Ralph Manhães. A decisão deste, que obrigava Rosinha a repassar R$ 3 milhões à Santa Casa de Misericórdia de Campos, por serviços prestados pelo hospital no Sistema Único de Saúde (SUS), foi suspensa também hoje, no prazo de 48 horas, pelo presidente do TJ-RJ, desembargador Luiz Fernando Ribeiro de Carvalho, como informou aqui o Blog do Arnaldo Neto.

O prazo do pagamento foi estendido para que o presidente do TJ tome com Ralph as informações sobre a decisão deste. Enquanto isso, confira aqui, no site do TJ, e em sua reprodução abaixo, com os destaques do blog, a decisão unânime que negou a suspeição do magistrado de Campos pedida pelos donos do poder no município:

 

 

Suspeição de Ralph rejeitada no TJ
(Clique na imagem para ampliá-la)

 

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Ainda mal, governo Rosinha reage na aprovação popular

Info Pro4 11-11-15
(Infográfico de Eliabe de Souza, o Cássio Jr. — clique na imagem para ampliá-la)

 

 

Por Aluysio Abreu Barbosa

 

Só 3,1% dos campistas consideram o governo Rosinha Garotinho ótimo, enquanto exatos 16% o classificam como bom, e 40,9% a avaliaram com a neutralidade do regular. Mesmo somados, os 19,1% de bom e ótimo são inferiores só aos 24,2% que consideram a gestão municipal péssima. Tanto pior, quando este índice é acrescido de outro negativo: os 12,3% que acham o Executivo de Campos ruim. Mas, se pode não parecer, o fato é que houve uma reação rosácea junto ao eleitorado campista.

Ao comparar os números da mais recente pesquisa Pro4, feita entre 22 e 24 de outubro, ouvindo 981 eleitores, com a consulta anterior do mesmo instituto, as coisas ficaram menos piores para os rosáceos. Entre 18 a 22 de junho, apenas 1,4% dos 426 entrevistados considerou o governo ótimo, com 10,8% de bom, 34,3% de regular, 17,6% de ruim e impressionantes 35,7% de péssimo.

Ou seja, de junho a outubro, num espaço de três meses, embora ainda mantenham números ruins, o governo Rosinha caiu na avaliação negativa. Os 35,7% de péssimo em junho, passaram a ser 24,2% em outubro, queda considerável de dois dígitos. Já os 17,6% de ruim de junho, diminuíram cerca de cinco pontos percentuais, para 12,3%, três meses depois.

Somado por alguns como aprovação dos governos, quando os especialistas em pesquisas o consideram avaliação de neutralidade, o regular que correspondia a 34,3% em junho, cresceu mais de seis pontos percentuais, na última pesquisa de outubro. O que também subiram foram os índices reais de aprovação de Rosinha: se em junho, apenas 1,4% o considerava seu governo ótimo e 10,8%, bom, os dois números subiram, respectivamente, para 3,1% e 16%. A menos de um ano da eleição, pode ser pouco para quem pretende fazer seu sucessor, mas a verdade é que já foi pior.

O que não muda é a constatação que quem estuda mais e ganha melhor, não vota nos Garotinho. Entre os entrevistados com ensino superior, se nenhum deles considerava a administração rosácea ótima em junho, o índice permaneceu de 0% em outubro. Quando a questão é renda, a resistência ao garotismo se repete: o maior índice (36,8%) dos que consideram o governo de Campos péssimo está entre quem ganha acima de cinco salários mínimos.

 

Publicado hoje na Folha da Manhã

 

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Poema do domingo — “Ai as almas dos poetas”

Florberla Espanca por Botelho
Florberla Espanca por Botelho

 

Há mais tempo do que gostaria de lembrar, uma mulher me ensinou muitas coisas, entre elas, a poeta portuguesa Florbela Espanca (1894/1930). Neo-romântica e alheia ao modernismo dos seus contemporâneos e conterrâneos Fernando Pessoa (1888/1935) e Mário de Sá-Carneiro (1890/1916), Florbela se notabilizou por versejar em soneto, numa herança do realista Antero de Quental (1842/91) e do épico Luís de Camões (1524/80), pedra fundamental da língua portuguesa. Sua poesia confessional, com seu inaugural eu poético a sangrar todo mês e desejar todo dia, reflexo de uma vida sentimental atribulada e finda pelas próprias mãos, marcou muito o jovem que fui.

Abaixo, na forma de quartetos, a tradução em flor e verso da alma que um dia reconheci semelhante:

 

Poetas

 

Ai as almas dos poetas

Não as entende ninguém;

São almas de violetas

Que são poetas também.

 

Andam perdidas na vida,

Como as estrelas no ar;

Sentem o vento gemer

Ouvem as rosas chorar!

 

Só quem embala no peito

Dores amargas e secretas

É que em noites de luar

Pode entender os poetas

 

E eu que arrasto amarguras

Que nunca arrastou ninguém

Tenho alma pra sentir

A dos poetas também!

 

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Artigo do domingo — Garotinho 0,1% à frente de Beto Cabeludo

Beto Cabeludo

 

 

Historicamente, não há como negar que Anthony Garotinho Matheus (PR) e Arnaldo França Vianna (PDT) foram os dois prefeitos mais populares de Campos, a partir do advento do garotismo, que domina a política de Campos desde 1989. Mas se é o nome do primeiro que batiza o movimento — com merecimento por ter governado o Estado do Rio e depois eleito a mulher governadora, enquanto fazia 15 milhões de votos à presidência da República —, haverá alguém em sã consciência capaz de negar que, hoje, em qualquer disputa eleitoral na cidade natal de ambos, Arnaldo faria com Garotinho mais ou menos o que a Alemanha fez com o Brasil (aqui) da malsinada “Pátria de Chuteiras” petista da última Copa?

Aliás, se alguma dúvida havia de que o ex-prefeito Arnaldo Vianna (PDT) é hoje, de longe, o dono do maior cacife eleitoral de Campos, ela está desfeita pelas duas últimas pesquisas à sucessão da prefeita Rosinha Garotinho (PR) — também muito popular em seu primeiro governo, mas perigando se ombrear ao seu antecessor Alexandre Mocaiber, no julgamento póstero, pelo desastre da sua segunda administração. Se na pesquisa do instituto Informa (aqui), feita entre 19 a 22 de setembro, ouvindo 404 eleitores campistas, Arnaldo apareceu na consulta estimulada com 43,3% das intenções de voto, naquela feita pelo instituto Pro4 entre 22 e 24 de outubro, com 981 entrevistas, o pedetista bateu 42,5% também na estimulada.

Se todos os detalhes da mais atual consulta a prefeito de Campos, constam (aqui) na reportagem da página 2 desta edição, seu resumo poderia ser: se a eleição fosse hoje, Arnaldo seria eleito prefeito de Campos em turno único, com 55,2% dos votos válidos. Para se ter uma ideia do massacre que talvez fosse capaz de transformar os 7 a 1 num bulling inocente do pré-escolar, os dois pré-candidatos dos Garotinho, o vice-prefeito e secretário de Saúde Dr. Chicão de Oliveira (PP) e o líder da bancada rosácea, vereador Mauro Silva (PT do B, de mudança para o PSDB), teriam irrisórios 6,1% nas intenções de votos válidos. Isto, se fossem somadas.

Todavia, tudo parece indicar que Arnaldo, mais uma vez, não poderá ser candidato. Depois da publicação da pesquisa nesta edição de domingo, não será surpresa se o jornal do grupo de comunicação de Garotinho, a mando do seu dono mal assumido, se prestar a noticiar as pendengas jurídicas do seu mais popular opositor.

E ainda que essa perseguição vá cumprir o efeito prático de aumentar a popularidade de Arnaldo, a partir de sua vitimização, a verdade é que o ex-prefeito não demonstra, nem de longe, a mesma “competência” jurídica do ex-líder. Pode ser, por exemplo, no caso da decisão do ministro do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), Marco Aurélio Mello (aqui e aqui), primo do senador e ex-presidente Fernando Collor de Mello (PTB), que liberou a candidatura de Rosinha e Chicão à reeleição em 2012, a apenas uma semana do pleito. Pode ser, em caso mais recente, a inesperada suspensão de efeito conseguida (aqui e aqui) numa dessas famosas Câmaras do Tribunal de Justiça do Estado do Rio de Janeiro (TJ-RJ), que revisou (aqui) a corajosa sentença do juiz da 1ª Vara Cível de Campos, Elias Pedro Sader Neto, no polêmico caso da Santa Casa.

Enquanto Elias, Moros e Joaquins não forem a regra do nosso Judiciário em todas as suas instâncias, a tendência é que a “competência” jurídica de Garotinho, a exemplo dos Lulas e seus Toffolis, tenda a continuar prevalecendo. Pelo menos na esfera local a qual o político da Lapa foi reduzido, depois de não conseguir passar do primeiro turno da eleição a governador de 2014, e de conseguir perder no segundo (aqui), ao apoiar Marcelo Crivella (PRB), em cinco das sete Zonas Eleitorais (ZE’s) de Campos.

São as mesmas ZE’s que, pesquisadas agora pelo Pro4 na disputa pela Prefeitura, deram a Garotinho 0,2% de intenção de voto na consulta espontânea para uma eleição a prefeito à qual ele não pode concorrer. Menos mal que, ainda assim, o ex-governador conseguiu ficar 0,1% à frente de Beto Cabeludo, que teve 1.664 votos para vereador em Campos, na última eleição municipal.

Talvez Arnaldo tenha menos chance de concorrer a prefeito, do que Garotinho de se aventurar na mesma tentativa de Beto Cabeludo, visando formar uma grande bancada no Legislativo, numa necessidade imperativa de sobrevivência para quem se vir na iminência de perder o Executivo. Quem trabalha sempre com pesquisas, sabe toda a verdade que elas contêm.

Não por outro motivo, depois de Murillo Dieguez anunciar (aqui) em sua coluna da última sexta a consulta divulgada no domingo de hoje, com repercussão (aqui) no Blog do Bastos, e sabendo a partir das suas próprias pesquisas a realidade que o Pro4 iria revelar, Garotinho ontem usou a rádio do seu grupo de comunicação para atacar Arnaldo. Sem nada de novo, tentou esquentar uma velha denúncia, sobre supostas contas do ex-prefeito no exterior, que segundo seu algoz estariam ainda mais gordas, em virtude do aumento do dólar em relação ao real — motivado pelo fracasso econômico do lulopetismo no Brasil, muito parecido em motivo e método à crise particular na qual o garotismo mergulhou Campos.

Enquanto fala na alta do dólar em relação ao real, Garotinho esquece, ou finge, diante aos “aleluia” do seu público pago com dinheiro público, que esse deveria ser mais um motivo para não tentar se vender o futuro do município em dólar, na Bolsa de Nova York, para receber em real. Menos mal que o adiamento mês a mês (aqui) dessa “tenebrosa transação” indique que a mesma, a despeito dos muitos credores, esteja perigando (aqui) ir pelo ralo.

Enquanto isso, numa pesquisa que pode ser feita por qualquer internauta, basta entrar sem pedir na democracia irrefreável das redes sociais para constatar que uma simples foto postada (aqui) por Caio Vianna ao lado o pai, em seu mural pessoal no Facebook, até o momento em que este artigo era escrito, teve 1.137 curtidas. Isto em três dias.

Enquanto isso, a fan page do programa “Fala Garotinho” (aqui) no mesmo Facebook, aditivado no escambo decadente de brinde por audição/curtida/voto, não tem excedido a média de 20 curtidas por postagem, como a da foto de Caio e Arnaldo que recebeu mais de mil. Na verdade, desde a sua primeira postagem em 11 de outubro, a tal fan page recebeu ao todo 1.669 curtidas em seus 27 dias de vida. É mais ou menos o número dos DAS do governo Rosinha.

 

Publicado hoje na Folha da Manhã

 

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Arnaldo levaria no primeiro turno, se sucessão de Rosinha fosse hoje

(Infográfico de Eliabe de Souza, o Cássio Jr. — clique na imagem para ampliá-la )
(Infográfico de Eliabe de Souza, o Cássio Jr. — clique na imagem para ampliá-la )

 

 

Pesquisa Pro4 outubro 2015 (2)
(Infográfico de Eliabe de Souza, o Cássio Jr. — clique na imagem para ampliá-la )

 

 

Pesquisa Pro4 outubro 2015 (3)
(Infográfico de Eliabe de Souza, o Cássio Jr. — clique na imagem para ampliá-la )

 

 

Por Aluysio Abreu Barbosa

 

Se a sucessão da prefeita Rosinha Garotinho (PR) fosse hoje e seu antecessor Arnaldo Vianna (PDT) tivesse condições jurídicas de concorrer, ele teria uma diferença na intenção dos votos válidos tão superior aos demais pré-candidatos, que levaria a eleição ainda no primeiro turno. Foi o que apontou a última pesquisa do Pro4, feita entre 22 e 24 de outubro, ouvindo 981 pessoas das sete zonas eleitorais do município, primeira consulta do instituto sobre a eleição de prefeito de Campos em 2016. A margem de erro é de 3,1 pontos percentuais para mais ou menos.

Na espontânea, Arnaldo lidera com 19,2%, seguido de longe pela própria Rosinha, com 3,2%, que não pode ser candidata pela terceira vez, nem ter nenhum parente concorrendo à sua sucessão. Em terceiro lugar, aparece o vereador de oposição Rafael Diniz (PPS), com 1,8%; acompanhado do vereador “independente”Alexandre Tadeu (PRB), o “Tô Contigo”, com 1,6%. Pré-candidato governista a prefeito mais bem colocado, o atual vice, além de secretário municipal de Saúde, Dr. Chicão de Oliveira (PP), surge em quinto, com 1,2%. Ex-governista, o deputado estadual Geraldo Pudim (PMDB) vem em sexto, com 1,1%, à frente do vereador “independente” Gil Vianna (PSB), do deputado estadual João Peixoto (PSDC) e do vereador de oposição Nildo Cardoso (PMDB), os três com 0,9%.

Marido da prefeita e seu secretário de Governo, Anthony Garotinho (PR) também foi citado na espontânea, mesmo que como ela não possa concorrer. O ex-governador, ex-prefeito e ex-deputado federal e estadual ficou com 0,2% das intenções de voto em sua cidade natal, exato 0,1 ponto percentual à frente de Beto Cabeludo, candidato a vereador derrotado no último pleito municipal, e da presidente Dilma Rousseff (PT), que enfrenta muitas dificuldades para continuar no comando do Brasil, mas ainda assim lembrada para governar Campos. Fungando no cangote de Garotinho, Cabeludo e Dilma tiveram 0,1%.

Mas é na pesquisa estimulada que a vantagem de Arnaldo permite apontar sua vitória em primeiro turno único, caso a eleição fosse hoje. Com 42% de intenções de voto, se excetuados os 9,3% de brancos e nulos e os 13,8% que não souberam ou não responderam, o ex-prefeito de Campos chegaria a impressionantes 55,2% dos votos válidos, liquidando a fatura sem necessidade de segundo turno.

Quando Arnaldo está no páreo, com menos votos, assim como menos problemas na Justiça Eleitoral, o segundo colocado no primeiro cenário da consulta estimulada foi Tadeu Tô Contigo, com 8,3%; seguido de Pudim (5,7%), Rafael (4,5%), Peixoto (4,1%), Chicão (4%), Gil (3%), o deputado estadual Papinha (2,2%), Nildo (1,9%) e do líder da bancada rosácea, vereador Mauro Silva (1%). A soma de 5% dos dois principais pré-candidatos governistas, além de Arnaldo, é também inferior aos percentuais de intenção de voto individuais de Tô Contigo e Pudim.

Sem Arnaldo na disputa, foi montado um cenário B da pesquisa estimulada. Nele, além do vereador do PRB e do novo deputado estadual do PMDB, Rafael Diniz também aparece puxando a disputa. Líder da corrida sucessória com boa vantagem, Tô Contigo surge com 14,6%, seguido por Pudim e Rafael, juntos no empate exato de 8,2%. Depois deles, surgem João Peixoto (7,1%), Gil Vianna (6,3%), Dr. Chicão (4,9%), Papinha (3,7%), Nildo Cardoso (3,5%) e Mauro Silva (1,5%). Sem Arnaldo, a soma das intenções de voto de Chicão e Mauro (6,4%) é inferior ao alcançado individualmente não só por Tô Contigo e Pudim, como também por Rafael e João Peixoto.

Se Arnaldo não puder participar e a sucessão de Rosinha não for definida em turno único, a rejeição é sempre considerada fator principal para quem chegar ao segundo com chances de vencê-lo. Neste quesito negativo, quem lidera com folga é Pudim (24,7%), seguido do próprio Arnaldo (10,3%), Chicão (8,6%), Papinha (6%), Clodomir Crespo (4,8%), Peixoto (4,5%), Gil (4%), Tô Contigo (3,1%), Nildo (2,5%) e Mauro (2,2%). Entre os citados, a menor rejeição e consequente maior possibilidade de vitória num eventual segundo turno é de Rafael Diniz. Apenas 0,9% dos campistas não votariam nele.

 

Pesquisa Pro4 outubro 2015 (4)
(Infográfico de Eliabe de Souza, o Cássio Jr. — clique na imagem para ampliá-la )

 

 

Rafael Diniz e Papinha são os menos conhecidos

 

Além da rejeição, que impede o crescimento do candidato durante a campanha, podendo definir sua sorte, como foi o caso de Anthony Garotinho na eleição a governador de 2014, quando não conseguiu nem chegar ao segundo turno, outro fator fundamental à conquista de novos eleitores é o conhecimento que o eleitorado tem do candidato. Em tese, quanto menos conhecido, maior a chance de crescimento durante o processo eleitoral, à medida em que a campanha for massificando a imagem de cada político, suas ideias e propostas junto ao eleitor.

Na medição desse quesito, o instituo Pro4 saiu mais uma vez na frente nas pesquisas em Campos. Líder inconteste da consulta, tanto espontânea, quanto estimulada, e prefeito duas vezes de Campos, Arnaldo Vianna é bem conhecido por 79,3% do eleitorado goitacá, não muito por 0,7%, dele ouviram falar 17,4%, enquanto apenas 2,5% afirmaram não conhecê-lo.

Por sua vez, Tadeu Tô Contigo, popular apresentador de TV, além de vereador, é bem conhecido por 54,6% da população. Candidato a prefeito de Campos duas vezes, 47,3% dos eleitores conhecem bem Gerado Pudim, percentual que cai para 35,9% em relação a João Peixoto, mesmo deputado estadual cinco vezes; e para 30,9% quanto a Gil Vianna, vereador em segundo mandato.

Entre os governistas, Dr. Chicão de Oliveira, que compôs por duas vezes a chapa vencedora com a prefeita Rosinha, é bem conhecido por 31,1% dos campistas. Já quanto a Mauro Silva, vereador de primeiro mandato, só 20,2% do eleitorado disseram conhecê-lo bem.

Se o baixo percentual de conhecimento de Mauro dá chance ao crescimento de sua eventual candidatura, as possibilidades neste sentido são ainda maiores para Rafael Diniz e Papinha. Apenas 17,3% do eleitorado afirmaram conhecem bem o jovem vereador de oposição em primeiro mandato, percentual que cai para 15,6% quanto ao ex-vereador rosáceo, mas atual deputado estadual do bloco antigarotista.

 

Publicado hoje na Folha da Manhã

 

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Se sucessão de Rosinha fosse hoje, Arnaldo venceria no primeiro turno

Arnaldo Vianna
Apesar dos problemas na Justiça Eleitoral, Arnaldo Vianna continua o campeão de votos no município de Campos

 

Se a sucessão da prefeita Rosinha Garotinho (PR) fosse hoje e seu antecessor Arnaldo Vianna (PDT) pudesse ser candidato, ele teria uma diferença nos votos válidos tão superior aos demais pré-candidatos, que levaria a eleição ainda no primeiro turno. Este e muitos outros claros indicativos do eleitorado de Campos, ouvidos em todos suas sete Zonas Eleitorais (ZE’s), começarão a ser levados a público a partir da edição de amanhã da Folha, seguida de uma série de matérias durante a semana. Na pauta, a mais recente pesquisa do Pro4, feita entre 22 e 24 de outubro, com universitários/IBGE no trabalho de campos, sob coordenação do empresário e colunista Murillo Dieguez, ouvindo 981 pessoas, com margem de erro de 3,1 pontos percentuais para mais ou menos.

É a primeira pesquisa do instituto que aborda as intenções de voto a eleição a prefeito de Campos em 2016.

 

Confira a matéria completa amanhã, na edição da Folha da Manhã, bem cedo nas bancas e na casa dos assinantes.

 

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Cabral a Peixoto: “A Prefeitura de Campos vai cair no seu colo”

 

Deputado João Peixoto e seu “padrinho” a prefeito de Campos, o ex-governador Sérgio Cabral
Deputado João Peixoto e seu “padrinho” a prefeito de Campos, o ex-governador Sérgio Cabral

 

 

 

“O que eu fiz com (o governador Luiz Fernando) Pezão (PMDB), vou fazer por você. A Prefeitura de Campos vai cair no seu colo”. Foi o que Sérgio Cabral (PMDB) disse ao deputado estadual João Peixoto (PSDC), que respondeu ao ex-governador:

— Entrei nessa porque você pediu. Mas agora, sobretudo depois dessa pesquisa Informa (aqui) para prefeito de Campos, eu entrei de cabeça. E não entro em eleição para perder — disse o ex-vereador de Campos e cinco vezes deputado estadual, em seu terceiro mandato consecutivo.

 

Leia a íntegra da matéria amanhã na edição impressa da Folha

 

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Ofício de Cristo em exposição de Edinho Black nessa sexta no Sesc

Edinho Black - exposição Sesc

 

 

Edinho Black 2
(Foto de Alexandre Ribeiro – divulgação)

 

 

Da profissão de Cristo, Edson de Souza Ribeiro, o Edinho Black, fez da carpintaria uma arte. E a vida e a obra desse desse refinado designer de móveis de madeira, no ofício que aprendeu desde os 15 anos com um tio marceneiro, estarão expostos na mostra “Contrastes — Vida e obra de Edinho Black”, que será aberta nessa sexta-feira (06/11), no Sesc-Campos, com coquetel a partir das 19h. Os “contrastes” do título se dão entre a plasticidade dos objetos de peroba, vinhático e imbuia que o artista é capaz de produzir, com a forma rústica com a qual ele imprime sua arte à madeira.

Parte da vida e da obra de Edinho, bem como o processo de criação de suas obras, seguem na exposição do Sesc até o final deste 2015, em 31 de dezembro. O horário de visitação é de 9h às 21h nas terças às sextas, e de 9h às 18h, aos sábados, domingos e segundas.

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Paratodos — Chico Buarque tem Sarau nesse sábado, no Sinasefe

Chico Buarque - Sarau 07-11-15

 

 

Você gosta de Chico Buarque de Hollanda? Posições políticas à parte, é possível ser brasileiro e não gostar? Pois para quem quer tomar mais um pouco de intimidade com a obra desse tradutor da alma tupiniquim, sob a leitura goitacá, uma oportunidade imperdível se dará nesse sábado, dia 7, às 19h, no espaço Fulinaíma, na sede do Sindicato dos Servidores Federais da Educação Básica e Profissional (Sinasefe), na rua Álvaro Tâmega, nº 132. O já tradicional Sarau Baião de Dois, promovido pelo poeta, professor e artista multimídia Artur Gomes, terá uma edição especial dedicada ao, talvez, maior compositor brasileiro entre os viventes.

Não só a poesia da sua música, mas a prosa do também dramaturgo e romancista carioca, filho de paulista, neto de pernambucano, bisneto de mineiro e tataraneto de baiano, ganharão o sotaque da terra de José Cândido de Carvalho. Na voz e no violão de Vânia Navarro, Ivan Lee, Eros Rafael e Lolô Gusmão, bem como na bateria e na percussão de Bruno Moraes, ecoarão o compositor. Entremeados com a música, trechos das peças “Gota d’água” (1975) e “Ópera do malandro” (1978), e dos romances “Leite derramado” (2009) e “O irmão alemão” (2014), serão interpretados por Diogo Uhl, pelo próprio Artur e o Adriano Moura, que dirige o Sarau. Dividindo as funções de cantora e atriz, Adriana Medeiros e Carol Poesia completam o vasto e multifacetado bloco das mulheres de Chico. Ao professor e pesquisador Marcelo Sampaio caberá uma apresentação da obra e da vida do grande artista.

Em meio à campistada, vêm da terra do homenageado dois reforços de peso para o Sarau: os cariocas Jotamoura (violão e voz) e Hélio Prata (baixo). Será também exibido um vídeo sobre a canção “Beatriz”, de Chico e Edu Lobo. Adriano e Artur destacam que os artistas que aparecerem e quiserem fazer alguma intervenção poética ou musical, terão o microfone aberto. A todos que foram prestigiar, a organização do evento pede a doação de 1 kg de alimento não perecível, que será doado ao Hospital Psiquiátrico João Viana.

Enquanto o sábado não chega, como todo brasileiro tem sua ligação particular com Chico, segue abaixo a preferida de quem escreveu:

 

 

 

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Quem deita para fingir de morto, levanta para fingir de vivo, ou já morreu, mas não deitou

Com as merecidas férias do José Renato (aqui), meu parceiro neste “Opiniões”, para começar bem o dia e a semana de fato depois do feriado de Finados, o blog reproduz as charges de hoje do mestres Chico Caruso e Amarildo, sobre quem deita para fingir de morto, quem tenta levantar para fingir de vivo e quem morreu, mas esqueceu de deitar…

 

 

Chico Caruso 03-11-15

 

 

Amarildo 02-11-15

 

 

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Poema (e prosa) do domingo — “Recebe sua carta de alforria e se perde na correnteza”

Pontal Sesi 31-10-15 (2)
Yve, Saullo e Sidney na pele de pescadores de Atafona, ontem, na apresentação de “Pontal”, no teatro do Sesi, à beira do rio Paraíba do Sul (foto de Tércio Teixeira – Folha da Manhã)

 

Para ser sincero, acordei tarde, um pouco depois das 13h, o que não fazia há muito mais tempo do que precisava. Como no domingo passado (aqui), também não me sobrou tempo durante a semana para pensar previamente no que postar hoje, dia em que você, leitor, já se acostumou a buscar e encontrar poesia neste “Opiniões”. Pois poesia foi o que subiu ontem (31/10) à noite ao palco do teatro do Sesi-Campos, em Guarus, à beira do Paraíba do Sul, onde a peça “Pontal” foi apresentada após subir o rio desde a sua foz no oceano Atlântico.

Após a apresentação, os atores Yve Carvalho, Sidney Navarro e Saullo de Oliveira, como de hábito, sentaram no palco e abriram um bate papo com a plateia, majoritariamente formada por estudantes da Universidade Estadual do Norte Fluminense (Uenf) e Universidade Federal Fluminense (UFF) em Campos que organizaram o Encontro Universitário de Cultura (Enuc), da qual “Pontal” foi parte e cuja programação ainda se estende por hoje e amanhã (confira aqui). Embora o tema da peça enseje mais que nunca o debate, com a crise hídrica sem fim do Paraíba cansado de guerra, falando para uma maioria de jovens vindos de outras cidades para buscar sua formação em Campos, o apelo que mais calou, pelo menos a mim, foi o feito pelo Sidney: “Conheçam o Pontal!”

Dentro desse espírito e antes que esta tarde dominical, mesmo esticada pelo horário de verão, cumpra sua metamorfose de noite, segue abaixo um dos 17 poemas meus que integram o espetáculo, o mais antigo em tempo entre eles, escrito por um jovem de 23 anos, de quando as sereias pouco ainda haviam lhe contado. E, para provar que mesmo mesmo em rio de prosa pode afluir a poesia, abaixo do poema corre uma crônica bem mais recente, publicada aqui, no site “Notícia Urbana”, da lavra de uma jovem ainda mais jovem, aos 22. Mais ou menos com a idade dominante da plateia de ontem, ambos, poeta e prosista, desvelam em palavras suas descobertas de si no Pontal de Atafona, onde até ilhas deixam de sê-las no baixio das marés, enquanto um rio deságua no oceano dentro de nós.

 

 

No debate após a peça, Sidney (último à direita) fez o apelo aos estudantes da Uenf e UFF que compuseram a maior parte da plateia: “Conheçam o Pontal!” (foto de Tércio Teixeira - Folha da Manhã)
No debate após a peça, Sidney (último à direita) fez o apelo aos estudantes da Uenf e UFF que compuseram a maior parte da plateia: “Conheçam o Pontal!” (foto de Tércio Teixeira – Folha da Manhã)

 

 

deriva

 

o navegador diz que liberdade

é diferente de estar à deriva

como sereia nunca me contou

se navegar é necessário

ou só demanda precisão

sigo a corrente

sem ver nisso prioridade

sentindo, roendo unha

pondo de lado as latitudes

ainda que as perceba

 

atafona, 14/11/95

 

 

Paula Vigneron, na manhã de 26 de outubro, na foz do rio Paraíba do Sul, sobre o istmo de areia que se forma na maré baixa entre as ilhas da Convivência e do Peçanha, com esta ao fundo, mais os cataventos da usina eólica de Gargaú (foto de Aluysio Abreu Barbosa)
Manhã de 26 de outubro, na foz do rio Paraíba do Sul, sobre o istmo de areia que se forma na maré baixa entre as ilhas da Convivência e do Peçanha, com esta ao fundo, mais os cataventos da usina eólica de Gargaú (foto de Aluysio Abreu Barbosa)

 

 

Encontro nas águas

Por Paula Vigneron

 

Manhã fria. O céu nublado aponta a possibilidade de chuvas ao longo do dia. As casuarinas à beira-mar, envergadas, potencializam a previsão. Os homens não sabem, mas não podem sempre identificar as vontades da natureza. O itinerário previamente planejado: caminhar sobre a areia, com toques da água de Iemanjá. No percurso, uma ligação transforma o dia, levando-os para outro destino: o encontro entre rio e mar; entre vidas que se cruzaram casualmente.

Pensamentos invadem o espaço antes ocupado por resquícios de uma noite de suspiros, sonhos e realidade. Incertezas que permeiam o dia que acabara de ser iniciado. Seria difícil a travessia? Os pés enterrados na areia, ora por vontade própria, ora pelos passos mal ajustados à nova superfície. Olhos que percorrem o ambiente, ainda pouco conhecido. A seu lado, o rosto familiar carrega sentimentos que se tornam sorrisos espaçados e sinceros.

A canoa, pintada de branco, traz histórias compartilhadas pelos ocupantes. Os olhos castanhos claros analisam movimentos diferentes: correnteza, conversas, suores, garças. Vegetação desconhecida que esbarra em corpo intacto. Estranheza causada a cada novo desvio. Distante, a terra se divide em duas ilhas, separadas pela vontade das águas. Pedaços de mesma construção natural. “Siamesas”, conforme afirma o homem de olhos infantis “como os olhos de um bandido”.

Em lugar próximo, um barquinho desliza no macio azul do mar, tal como previram, na época da Bossa Nova, os compositores Ronaldo Bôscoli e Roberto Menescal. “Tudo isso é paz. Tudo isso traz uma calma de verão.” À medida que avançam rio adentro, serenidade atípica domina a respiração dela. Buscas incessantes apaziguadas por barulhos da natureza e primeiros raios de sol, contrariando a previsão das primeiras horas da manhã. Os olhos dos dois se cruzam ocasionalmente. Mensagens são trocadas em silêncio.

Chegada à ilha. Primeiro contato mais íntimo com a natureza. Encontro com insetos incomuns. Picadas rápidas, dolorosas e aliviadas pelo contato com ar. Bancos de areia separados pelo fluxo das águas. Corpos levemente molhados atravessam o rio. Dedos brancos e morenos entrelaçados. Cabelos ao vento. A curiosidade infantil ressalta no olhar.

Sob o sol, ela observa o mundo que desponta ao seu redor. A realidade embalada pelas leves ondas. O fruto do beijo entre rio e mar. As águas frias que tocam os pés. Os pés que remexem a areia. Reconhecimento. Rotinas e horários foram sufocados pelos toques da brisa suave, que brinca com seu corpo e cabelos, arrepiando-os. Carinho mútuo abençoado por Oxum. Em canto esquecido, a criança, outrora presa à realidade exaustiva junto à adulta, recebe sua carta de alforria e se perde na correnteza. Desprende-se da mulher que a observa, sedenta pelo reencontro com a infância que lhe fora cruelmente subtraída.

 

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