Gil, Tadeu, Mauro e Rafael batem bola com Romário

Vereadores e pré-candidatos a prefeito “independentes” Gil Vianna e Alexandre Tadeu, o “Tô Contigo” (montagem de Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)
Vereadores e pré-candidatos a prefeito “independentes” Gil Vianna e Alexandre Tadeu, o “Tô Contigo” (montagem de Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)

 

 

“Gil não é vaidoso, nem eu. Lá na frente, quem estiver melhor nas pesquisas, pode encabeçar a chapa. O que importa é nosso compromisso de oposição ao governo Rosinha”. Foi a deixa dada pelo vereador Alexandre Tadeu (PRB), na esteira repercussão da entrevista publicada (aqui) na Folha do último domingo (06/09), na qual o senador Romário (PSB) não só anunciou que virá a Campos prestigiar pessoalmente a filiação de Gil Vianna (atual PR) ao seu partido, como bancou o vereador como pré-candidato a prefeito de Campos.

Ouvido após a declaração de Tadeu, Gil confirmou que o PSB tem conversado com o PRB, partido do colega vereador e também pré-candidato a prefeito, mas assim como tem sido feito com outros partidos de oposição aos Garotinho, como PTC, PT e PMDB, com vistas à sucessão da prefeita Rosinha (PR) em 2016. Já em nível estadual, segundo informou o jornal carioca O Dia (aqui), na última quinta-feira (03/09), conversas estariam sendo mantidas entre os senadores Romário e Marcelo Crivella (PRB), para que este se filiasse ao PSB e apoiasse o ex-craque a prefeito no Rio de Janeiro, em 2016.

Em troca do apoio, Romário apoiaria o sobrinho de Edir Macedo (da Igreja Universal) numa nova disputa ao Palácio Guanabara em 2018. Em 2014, com o apoio de um Anthony Garotinho (PR) derrotado ainda no primeiro turno da disputa ao Palácio Guanabara, Crivella perdeu o segundo para o governador Luiz Fernando Pezão (PMDB).

Tadeu confirmou que as negociações na esfera estadual para 2016 ainda podem trazer muitas surpresas, mas disse que o PRB tem opção para disputar a sucessão de Rosinha:

— Meu nome está bem avaliado nas pesquisas. Na última pesquisa do Pappel (aqui), por exemplo, eu fiquei em primeiro lugar (na verdade, com 13%, ele liderou a pesquisa induzida sem o nome do ex-prefeito Arnaldo Vianna, do PDT). Em Campos, se tornou moda entre os governistas questionar pesquisas. Mas seja do Pappel, seja do Pro4 (institutos sediados em Campos), elas só retratam o desgaste do governo Rosinha que a gente vê nas ruas.

Com 4% na mesma pesquisa, Gil também disse que as pesquisas devem ser critério de escolha na hora da composição de chapas, mas ressalvou que não chegou o momento:

— Os nomes estão se lançando e se tornando mais conhecidos do eleitor agora. Daqui a seis meses, a gente define. Na hora de compor a chapa, se um tem 30% nas pesquisas, e o outro tem 5%, é lógico que quem tem 30% deve encabeçar. Mas ainda é cedo.

 

Vereadores e pré-candidatos a prefeito, respectivamente, de situação e oposição, Mauro Silva e Rafael Diniz (montagem de Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)
Vereadores e pré-candidatos a prefeito, respectivamente, de situação e oposição, Mauro Silva e Rafael Diniz (montagem de Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)

 

Para Mauro e Rafael, declaração é “natural”

 

“Natural”. Foi com esse adjetivo comum que os vereadores Rafael Diniz (PPS) e Mauro Silva (PT do B) reagiram à atitude do senador Romário (PSB), ao bancar, em entrevista à Folha, a pré-candidatura de Gil Vianna (atual PR) à Prefeitura de Campos. Também pré-candidatos à sucessão de Rosinha Garotinho (PR) em 2016, o governista Mauro e o oposicionista Rafael só tomaram caminhos distintos ao aprofundar suas análises:

— Romário lançou seu candidato. Picciani (presidente da Alerj) lançou seu candidato (o deputado estadual Geraldo Pudim). Nós vamos lançar o nosso. Romário está tentando crescer seu partido no Estado. Mas quanto à sua capacidade de transferência (fez 106.953 votos em Campos ao Senado), só o tempo dirá. Em 2014, se votou no ex-craque. Só agora, em 2016, com a votação de Gil, teremos a densidade eleitoral de Romário em Campos — projetou Mauro.

— O senador Romário tem se mostrado uma das grandes revelações do cenário político brasileiro, ainda mais quando falamos de votação. Quanto à indicação dele do nome de Gil Viana como pré-candidato a prefeito, ela é mais que natural, tendo em vista que o vereador é a referência de momento no PSB de Campos. A união das forças de oposição será o diferencial nas próximas eleições e, pelo visto, o senador também pensa assim — concluiu Rafael.

 

Publicado hoje na Folha da Manhã

 

0

Pappel — Com ou sem Arnaldo, oposição lidera com folga a sucessão de Rosinha

O ex-prefeito Arnaldo Vianna (PDT) ainda é o campeão de votos em Campos. Mas se ele não puder ser candidato, como noticiam com fixação reveladora os meios de comunicação que servem aos Garotinho, ainda assim são da oposição os líderes nas intenções de voto do campista à sucessão da prefeita Rosinha (PR), em 2006.

Pesquisa feita na segunda quinzena de agosto pelo instituto Pappel não deixou dúvida da dificuldade que os governistas terão para tentar se manterem no poder. Na consulta espontânea, à exceção de qualquer candidato da família Garotinho, todos impedidos pela legislação eleitoral, dos 12 melhores colocados, são da oposição nada menos que os sete primeiros. E a liderança isolada de Arnaldo, com 17,21%, é quase o dobro de todos os 11 seguintes, cujas intenções de voto somadas são de 9,14%.

Confira abaixo:

 

Infográfico de Eliabe de Souza, o Cássio Jr.
Infográfico de Eliabe de Souza, o Cássio Jr.

 

Na pesquisa estimulada, quando o nome de Arnaldo é incluído, embora ele suba para 21,21%, sua diferença aos demais não é tão esmagadora. Alexandre Tadeu (PRB), o “Tô Contigo” sobe para segundo, com 10,21%; ultrapassando o também vereador Rafael Diniz (PPS), terceiro, com 8,21%; seguido pelos deputados estaduais João Peixoto (PSDC), em quarto, com 7,43%; e Geraldo Pudim (PR, de mudança ao PMDB), em quinto, com 6,93%; e pelo vereador Nildo Cardoso (PSD), com 5,86%. Com Arnaldo no páreo, o governista mais bem colocado, hoje, é o presidente da Câmara Municipal, Dr. Edson Batista (PTB), que surge apenas na sétima colocação, com 4,14%.

Confira abaixo:

 

Infográfico de Eliabe de Souza, o Cássio Jr.
Infográfico de Eliabe de Souza, o Cássio Jr.

 

Sem Arnaldo no páreo, Tadeu assume a liderança na pesquisa estimulada à sucessão de Rosinha, sendo seguido dos mesmos pré-candidatos nas cinco posições abaixo, com aumento relativamente parecido nos percentuais de cada um.

Confira abaixo:

 

Infográfico de Eliabe de Souza, o Cássio Jr.
Infográfico de Eliabe de Souza, o Cássio Jr.

 

 

0

Gil e Tadeu juntos à sucessão de Rosinha? Confira na Folha

Vereadores e pré-candidatos a prefeito de Campos, Gil Vianna e Alexandre Tadeu (montagem de Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)
Vereadores e pré-candidatos a prefeito de Campos, Gil Vianna e Alexandre Tadeu (montagem de Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)

 

 

O PSB, que o vereador Gil Vianna (PR) já anunciou como seu novo partido, e o PRB do vereador Alexandre Tadeu, caminharão juntos em 2016, na disputa da sucessão da prefeita Rosinha Garotinho (PR), numa chapa de oposição ao atual governo de Campos? Essa é uma das possibilidades abertas hoje, na repercussão da entrevista publicada (aqui) na Folha de domingo, na qual o senador Romário (PSB) confirmou não só a vinda de Gil o seu partido, como bancou a candidatura do vereador à Prefeitura de Campos.

Ouvido sobre a entrevista, Tadeu revelou que o seu PRB mantém com o PSB, em níveis estadual e municipal, conversas visando uma candidatura conjunta à sucessão de Rosinha. Embora tenha confirmado que PSB e PRB estejam mesmo debatendo o assunto, Gil disse que o mesmo vem ocorrendo com outros partidos de oposição, como PTC, PT e PMDB. Ele reafirmou sua pré-candidatura a prefeito de Campos, confirmada por Romário. Já Tadeu lembrou que, se fosse ouvido, o senador Marcelo Crivella (PRB) faria o mesmo por ele.

 

Amanhã, confira a íntegra da matéria, com outros personagens, na edição impressa da Folha

 

0

Pixuleka e caixão rosa no desfile do 7 de Setembro

“Pixuleco” e a estreante “Pixuleka” o desfile de 7 de setembro, hoje, em Brasília (foto de André Borges - Estadão Conteúdo)
“Pixuleco” e a estreante “Pixuleka” no desfile de 7 de setembro, hoje, em Brasília (foto de André Borges – Estadão Conteúdo)

 

 

Após um hiato de meses, este signatário voltou ocupar ontem (aqui) o nobre espaço dominical de opinião na Folha da Manhã. No artigo, motivado pela estúpida morte do menino Aylan Kurdi, de três anos, cujo pequeno corpo apareceu na praia turca de Bodrum, após mais um naufrágio de refugiados sírios no Mar Mediterrâneo. Mas o texto também falava dos naufrágios econômicos nos quais campistas e brasileiros se afogam graças à incompetência administrativa e às políticas populistas muito semelhantes entre a prefeita Rosinha Garotinho (PR)  e a presidente Dilma Rousseff (PT), naquilo que o lulopetismo e o garotismo trazem de comum em seus DNAs.

Pois hoje, no dia do desfile da pátria amada, salve, salve, a prefeita e a presidente mereceram protestos da população que governam. Mesmo protegida por tapumes de metal, apelidados de “muro da vergonha”, e forte esquema de segurança para afastá-la do povo, incoerência democrática talvez comparável à de quem lutou contra uma ditadura para tentar implantar outra, Dilma pelo menos teve a coragem de aparecer em Brasília. Ela e o seu boneco inflável gigante, com nariz de Pinóquio pelas mentiras da campanha de reeleição, a estrela do PT rachada e o vestido vermelho e a faixa presidencial enlameados pelos escândalos de corrupção que envolvem seu partido e seu governo.

O boneco de Dilma foi chamado de “Pixuleka”, versão feminina do já popular “Pixuleco”, nome usado por João Vaccari Neto, ex-tesoureiro do PT, para designar as propinas que cobrava das empreiteiras no cartel das obras da Petrobras, reaproveitado para batizar  uma fase da operação Lava-Jato, assim como o boneco inflável gigante do ex-presidente Lula, vestindo roupa de presidiário e com os números 13 (do PT) e 171 (referente no Código Penal ao trambiqueiro) estampados no peito.

Em Campos, onde quem assistiu ao desfile das arquibancadas do Cepop não teve que passar por revista policial, como em Brasília, Rosinha não compareceu pelo terceiro ano seguido. A prefeita deixou de  ver, pelo menos pessoalmente, as faixas de protesto dos guardas civis municipais desligados desde 2008, mas que cobram direitos não pagos e liberação das suas carteiras de trabalho. Eles também levaram um caixão rosa, tão conhecido do público em Campos, quanto Pixuleco se tornou no Brasil.

 

 

Rosinha mais uma vez não apareceu para ver o tradicional desfile, nem os protestos contra seu governo, que também têm se tornado uma tradição para os campistas (foto de Tércio Teixeira - Folha da Manhã)
Rosinha mais uma vez não apareceu para ver o tradicional desfile, nem os protestos contra seu governo, que também têm se tornado tradição aos campistas (foto de Tércio Teixeira – Folha da Manhã)

 

 

Aqui e aqui, o jornalista Ricardo André Vasconcelos foi o primeiro na blogosfera local a noticiar os protestos contra Rosinha e Dilma.

 

0

Artigo do domingo — Os náufragos somos todos nós

(Foto de Nilufer Dermi / Dogan News Agency / AFP)
(Foto de Nilufer Dermi / Dogan News Agency / AFP)

 

 

Preenchido em dias de mais sorte pelos artigos semanais de Aluysio Barbosa, o Bom, andei dolosamente fora deste espaço dominical nos últimos meses, cedendo lugar para que outras pessoas publicassem aqui seus textos de opinião. Confesso na primeira pessoa assumida nos primeiros passos, que a gravidade das situações econômicas de Campos e do Brasil, em naufrágios muito semelhantes em origem, no lugar de me motivar a escrever, me afastou.

Afinal, se diante da montanha de fatos, quem ainda não se convenceu que o lulopetismo de Dilma e o garotismo de Rosinha puseram a pique, respectivamente, o país e o município, não será mais um artigo a falar sobre isso que terá o poder de transplante de cérebro. E não é nem preciso sair da seara local para observar os incautos que ainda se prestam a tentar defender um e outro governo, e duvidar que mesmo um cérebro novo fosse capaz de trazer luz ao pensamento e às intenções dessa gente. Afinal, como ensinar que a parede branca é branca a quem diz vê-la cor de abóbora?

Opinar pela brancura da parede publicamente pode desagradar a esse daltonismo da razão, cujas manifestações são paridas pelo mesmo radicalismo de quem trocou (ou vendeu) a lógica pela fé, a partir da negação da realidade. E, por certo, atrapalharia a diversão passiva do voyeur que gargalha às lágrimas ao observar quem critica Lula e Dilma e não tem coragem de fazê-lo pelos mesmos motivos com Garotinho e Rosinha, tanto quanto fazem rir os pretensos bem pensantes que descem a lenha nos governantes de Campos, enquanto mantêm acesa a vela no altar onde a estrela do PT permanece pregada no lugar da cruz.

O problema é que, além da parede branca continuar branca a despeito da negação da sua cor, é ser arrastado pelo braço, por quem nega, até a colisão coletiva das caras contra a mesma parede. Daí, em ato contínuo, é só aumentar a carga tributária brasileira, como quer uma presidente alienígena que se nega a cortar gastos, ou vender o futuro de Campos por sabe-se lá quantas gerações, como fizeram na cara dura os Garotinho, com a anuência de 16 vereadores bem atentos ao (laço do) presente.

Em outras palavras, quebraram o país e o município e querem que você e seus filhos paguem a conta. Pior, se julgam em seu legítimo direito, porque foram eleitos pelo voto, mesmo que este seja em sua maioria egresso de currais eleitorais custeados com dinheiro público. E, em nome dos pobres a serem assim mantidos ad aeternum, políticos e empreiteiros fazem fortunas pessoais, como a Lava-Jato demonstrou ocorrer no Brasil, enquanto em Campos se espera infrutiferamente, na Justiça e Ministério Público Estadual e Federal locais, alguém com competência, coragem e o compromisso público próximos aos de Sérgio Moro e Deltan Dallagnol.

Todavia, o que me trouxe de volta a este espaço não foi o que todos já sabem sobre o Brasil e Campos, sobretudo quem ainda finge ignorar. Mas o menino sírio Aylan Kurdi, de três anos, com o corpo inerte e o rosto pálido tombado junto ao cascalho da praia turca de Bodrum. Foi a fotografia que rodou o mundo para fazer valer a máxima: uma imagem vale mais do que mil palavras. Responsável pela viralização da foto no Twitter, a hashtag #naufragiodahumanidade conferiu às redes sociais a profundidade que elas raramente têm.

Chamado pelos antigos romanos de “Mare Nostrum” (“Mar Nosso”), foi no Mar Mediterrâneo que eles equilibraram seu império entre Europa, Ásia e África. E, no fluxo migratório dos dois últimos continentes ao primeiro, foram nas mesmas águas em que Aylan deu cara às mais de 2.300 mortes noticiadas só este ano, num total de dois seres humanos afogados por hora no Mediterrâneo.

Isso sem contar com o drama particular da Síria, vivendo uma guerra civil que já matou 250 mil pessoas, 12 mil crianças como Aylan, e provocando o êxodo de outros 11 milhões, metade da população do país. E para você que pensa estarmos falando sobre algo a um oceano e um mar de distância, bom lembrar que o Brasil já recebeu dois mil desses refugiados sírios, inclusive em Campos, onde alguns já se estabeleceram como comerciantes, evidenciando na planície goitacá a capacidade de reconstrução desse povo.

Neste mundo globalizado pelo fluxo de pessoas, mercadorias e informações, não há nenhuma ilha. E os náufragos somos todos nós.

 

Publicado hoje na Folha da Manhã

 

0

“Melhor nome para concorrer a prefeito de Campos é Gil Vianna”

Se, como gênio do futebol, Romário de Souza Faria sempre foi econômico nos toques, a coisa não parece ter mudado para o político, senador da República e presidente estadual do PSB. Pelo menos não nesta entrevista concedida, por e-mail, à Folha, onde Romário preferiu falar pouco para contornar assuntos polêmicos, como a “venda do futuro” de Campos pelo governo Rosinha Garotinho (PR). Mas se foi econômico nas palavras, o “Peixe” manteve a contundência em suas conhecidas tiradas, como ao afirmar que “político morto, para mim, é só no São João Batista ou no Caju”, reforçando sua descrença na decadência do grupo político que há 26 anos governa Campos. Ainda assim, ele aposta na pré-candidatura do vereador “independente” Gil Vianna (atual PR) à sucessão da prefeita Rosinha, em 2016, assim como do ex-prefeito Armando Carneiro (atual PSC) em Quissamã e do deputado estadual Chico Machado (atual PMDB), em Macaé, além da sua própria à Prefeitura do Rio de Janeiro.

 

Romário senador

 

Folha da Manhã – Como foi seu convite (aqui) para o vereador Gil Vianna (atual PR) para ser seu candidato a prefeito de Campos? E por quê?

Romário de Souza Faria – Conheço o Gil desde sua primeira eleição para vereador e sempre estivemos unidos na defesa das mesmas causas. Diante disso, o melhor nome para concorrer à Prefeitura de Campos é o de Gil Vianna, que faz um trabalho que eu posso confiar.

 

Folha – Onde e quando será a filiação dele ao seu PSB? Você estará presente ao evento? 

Romário – Faremos um ato em Campos para marcar a filiação do Gil, no final de setembro ou início de outubro. E eu estarei presente.

 

Folha – Qual a importância de Sérgio Barcelos, secretário geral estadual do PSB, nessa costura? Como campista que já trabalhou com o ex-governador Anthony Garotinho (PR), que visão ele lhe passa da política no município e suas possibilidades para 2016?

Romário – Em função do meu trabalho e das minhas responsabilidades em Brasília. A experiência que o Serginho tem com política e no dia a dia do partido são fundamentais para a construção do partido no Estado.

 

Fol/ha – Em entrevista recente (aqui), Gil apostou no seu apoio para disputar a sucessão da prefeita Rosinha Garotinho. Com todo o respeito ao seu inegável carisma, mas isso basta? Se não, o que mais será necessário?

Romário – Não tenho nenhuma dúvida de que só isso não basta, como também não tenho dúvida de que outras forças irão se unir a favor dos projetos que temos para Campos.

 

Folha – Os pré-candidatos de oposição a prefeito de Campos apostam (aqui e aqui) no apoio do governador Luiz Fernando Pezão (PMDB) para 2016. Da mesma maneira, qualquer candidato governista terá o apoio dos Garotinho para tentar vencer a disputa. Gil terá o seu. Pezão tem a máquina estadual, e os Garotinho, a Prefeitura. Como equilibrar?

Romário – Vamos procurar fazer com o Gil em Campos uma campanha parecida com a minha, que não precisou de máquina, mas teve o que é fundamental, que é o apoio do povo.

 

Folha – Em Campos, você fez 106.953 votos (impressionantes 49,0%) para senador nas urnas de 5 de outubro, mais do que Garotinho e Pezão, que fizeram, respectivamente, 96.584 (39,78%) e 73.035 (30,08%) votos na eleição de primeiro turno a governador. Dá para vencer novamente os dois dentro de Campos?

Romário – Uma das coisas que eu e o Gil conversamos e concordamosé que o nosso projeto para Campos não é contra A, B ou C. Ele é a favor do povo de Campos, isso é o mínimo que eu posso fazer pela população que acreditou e acredita nas minhas propostas e no meu trabalho no Senado.

 

Folha – Se Pezão é evasivo (aqui) sobre seu apoio na sucessão de Rosinha, o presidente estadual do partido dele e da Assembleia Legislativa, Jorge Picciani, já definiu (aqui) que o candidato do PMDB a prefeito de Campos será o deputado estadual Geraldo Pudim (atual PR). É outro ex-aliado dos Garotinho, como Gil e Alexandre Tadeu (PRB), também vereador e pré-candidato a prefeito. Não são muitos ex contra o grupo original? A debandada indica decadência?

Romário – Não acredito em decadência. E essa história de político morto para mim, é só no São João Batista ou no Caju. Isso quem vai dizer e julgar será a população de Campos. O que eu posso garantir é que, com o Gil Vianna, nós iremos apresentar uma nova alternativa para a cidade.

 

Folha – Segundo Gil, o motivo pelo qual ele, Tadeu e outros vereadores abandonaram a bancada governista na Câmara foi a antecipação de receitas do município, na ordem de até R$ 1,2 bilhão, aprovada a mando dos Garotinho em sessão de 10 de junho, julgada ilegal pela Justiça, mas aprovada novamente no último dia 17. Chamada pelo povo de “venda do futuro”, a operação foi reprovada (aqui) por 88,7% dos campistas, em pesquisa do instituto Pro4, rejeição muito próxima à registrada em enquetes da Folha Online (85%) e da InterTV (90%). Qual sua opinião sobre o assunto?

Romário – Dos outros vereadores eu não posso dizer, mas em relação ao Gil sei que ele votou com a sua consciência.

 

Folha – Sobre Pudim, Gil também observou que o maior desafio do deputado será convencer o eleitor não ser um plano B dos Garotinho. Como fazer o campista acreditar que o próprio Gil , dentro do mesmo raciocínio, não é um plano C?

Romário – O único plano que eu conheço é o de telefone, que na maioria das vezes é caro e não funciona. O que nós temos é um projeto com a pré-candidatura de Gil Vianna à Prefeitura de Campos.

 

Folha – Até que ponto essa imagem de Gil como “Cavalo de Tróia” é reforçada (aqui) pelos movimentos do senador Aécio Neves (PSDB/MG) de estímulo à sua candidatura a prefeito do Rio pelo PSB, com a deputada federal Clarissa Garotinho (atual PR) como vice, após migrar ao PSDB?

Romário – Já tenho mostrado para vocês que muitos veículos publicam o que querem… E isso não passa de mais uma simples nota de jornal. Ponto!

 

Folha – Essa aproximação com Clarissa já gerou reações do eleitor. E não só em Campos. Após postar em seu perfil do Facebook uma foto com a deputada, no início de julho, apesar das mais de 22 mil curtidas, você colheu (aqui) vários comentários como o do Pepê Cesarim: “Nãooooo!!!! Isso só pode ser montagem!! Qual foi Romário?? Vai perder todo o seu conceito e respeito comigo e com um monte de gente! Família Garotinho é…! Sai dessa!!”. Se valeu como teste para 2016, qual o resultado?

Romário – Sou um senador da República, meu gabinete está aberto não só para os parlamentares do Rio de Janeiro, como também de outros Estados. Estou te falando isso, porque a deputada Clarisse foi ao meu gabinete juntamente com o deputado Júlio Delgado (PSB/MG) me fazer uma visita para discutirmos alguns projetos, nos quais a minha participação poderia ser útil, tanto para o Rio de Janeiro, como para Minas Gerais.

 

Folha – Acha que saiu fortalecido do episódio com a revista Veja, que publicamente (aqui) desmentiu a notícia e lhe pediu desculpas, após noticiar em julho que você tinha uma conta não declarada no banco BSI, da Suíça, no valor de R$ 7,5 milhões? Se isso foi a 15 meses da eleição de prefeito do Rio, o que pode vir caso confirme a candidatura? O atacante nunca teve medo de catimba, cara feia e pontapé de adversário. E o político?

Romário – Você já terminou a pergunta respondendo por mim, realmente nunca tive medo de catimba, cara feia e pontapé. Em relação ao episódio da Veja, se o objetivo da matéria era me enfraquecer, não deu certo.

 

Folha – Em seu blog, o jornalista Ricardo Noblat foi bem explícito (aqui) ao colocar a denúncia da Veja na conta do prefeito carioca Eduardo Paes (PMDB), cujo candidato à sua sucessão é seu chefe da Casa Civil, o deputado federal Pedro Paulo (PMDB). Vê algum fundamento?

Romário – Isso quem vai dizer é a justiça, mas com certeza a verdade irá aparecer e os envolvidos irão pagar, e caro.

 

Folha – Em relação a Campos, é correto supor que você se empenharia mais numa candidatura a prefeito de Gil, caso decida não concorrer a prefeito do Rio, ou é indiferente? E em relação às sempre complicadas, mas necessárias montagens das nominatas, como estão as costuras aqui e aí?

Romário – Não só na de Gil, mas também na do Armando Carneiro, em Quissamã e Chico Machado, em Macaé. No que se refere a Campos, o vereador Gil Vianna está com total autonomia não apenas para montar a nominata, mas também para dar uma nova cara ao PSB. Assim como no Rio está sendo feita pela nossa presidente municipal, Aspásia Camargo.

 

Folha – Novamente no paralelo entre Rio e Campos, entre sua pré-candidatura e a de Gil, até onde uma e outra trabalham com a possibilidade de composição de chapa? Para você, que lidera todas as pesquisas internas dos partidos, seria a cabeça de chapa ou nada? E para Gil?

Romário – Hoje a minha prioridade é construir o PSB em todo estado. Essa discussão se dará mesmo, creio eu, a partir do ano que vem. Mas não posso negar que desde já o meu nome, no Rio, e o de Gil, em Campos, estão à disposição do partido para a disputa das eleições de 2016. Queria agradecer ao jornal Folha da Manhã pela oportunidade da entrevista e aproveitar para agradecer ao povo de Campos pela confiança depositada em mim, que honrarei até o último dia do meu mandato.

 

Página 3 da edição de hoje da Folha
Página 3 da edição de hoje da Folha

 

Publicado hoje na Folha da Manhã

 

0

Poema do domingo — O camaleão e o pugilista

Atafona, agosto de 2014
Atafona, agosto de 2014 (foto de Aluysio Abreu Barbosa)

 

Era o final de uma manhã de sol em Atafona, já no outono, com temperatura ainda de verão. Por volta de meio-dia, ele já havia corrido, pulado corda, levantado pesos, feito abdominais e treinado pêndulo (esquivas e contragolpes de boxe), antes de encerrar mais de duas horas de atividade física tirando o saco de areia para dançar. Enquanto alternava jogo de pernas e sequências de socos na garagem, guarda sempre alta com os braços já pesados, rufava no último volume da TV da sala a faixa “São Gonça” do DVD de Seu Jorge e Ana Carolina. Na consonância do ritmo da música, dos movimentos do corpo e do saco de areia indo e voltando ao impacto de cada murro, à beira do esgotamento por todo o esforço feito até ali, permitiu-se um clinch com seu oponente passivo.

Foi abraçado ao saco de areia, desidratado e tentando recuperar o fôlego durante preciosos segundos, que avistou o camaleão no chão da entrada da garagem, ao sol a pino do meio-dia. Diferente dele, o bicho apreciava o calor com seu corpo imóvel, mexendo apenas a cabeça em convulsão, como se num orgasmo múltiplo e intermitente. Ao notar a sombra do crânio arrefecendo o cimento quente do chão, o homem quis mais que tudo se abrigar sob o seu frescor, em inveja e comunhão com o animal de sangue frio. Olharam-se nos olhos por um instante, pupilas redondas e elípticas, antes que o dono destas partisse para sempre, na explosão muscular súbita dos répteis. Depois, como membro perdido de um lagarto, brotaram versos, pontuados ao final na pretensão cabralina:

 

 

 

 

o pugilista e o camaleão

 

(i)

seco dos socos flechados

no saco,

 

banhado pelo que mina dos poros

em sal,

 

o pugilista lagarteia a sombra

de seta,

 

da cabeça convulsa do camaleão.

 

 

(ii)

da temperatura do réptil, o sangue frio

a ritmar todo seu corpo em instinto,

 

seu dilema entre predador e presa,

mais a condição do movimento medido,

desmedida à demanda de improviso,

 

lagarteia no camaleão o pugilista.

 

 

(iii)

cada golpe na ponta da língua,

dois punhos no lugar de um rabo,

sua investida em dissimulação,

 

mais a fervura do sangue de bicho

já desmamado de seio e de sol,

 

lagarteia no pugilista o camaleão.

 

campos, 08/04/09

 

0

Sete balas, 32 contos — Paula Vigneron lança livro hoje no Sinasefe

Aos 22 anos, Paula Vigneron lança hoje seu primeiro livro, com contos que escreve desde os 15 (foto de Tércio Teixeira - Folha da Manhã)
Aos 22 anos, Paula Vigneron lança hoje seu primeiro livro, com contos que escreve desde os 15 (foto de Tércio Teixeira – Folha da Manhã)

 

 

Sete balas ao luarPor Aluysio Abreu Barbosa

 

“Compartilhando segredos, aventuras, paixões tão passageiras quanto um sopro de vento”. Desde o seu primeiro conto, “Solidão”, escrito por uma adolescente de 15 anos, Paula Vigneron impressiona pela maturidade da prosa ao compor o prefácio que não há para o seu livro de estreia, cujo lançamento com noite de autógrafos acontece hoje, às 20h, no Espaço Cultural Fulinaíma do Sinasefe, na rua Álvaro Tâmega, nº 132, Centro. Reunidos em ordem não cronológica pela editora carioca Autografia, são 32 contos escritos entre 2008 e 2015, fechados com aquele que, pela força do título, a autora escolheu para batizar também seu livro: “Sete balas ao luar”.

Jornalista e crítica de cinema, lidas desenvolvidas como ramos da mesma raiz de escritora em semeadura precoce, Paula apresenta muitas influências em seus contos; e não só literárias. Do cinema, por exemplo, a jovem escritora assumidamente ecoa do sueco Ingmar Bergman (1918/2007) e do estadunidense Woody Allen — o diretor de drama, não o comediante — alguns questionamentos existenciais primários da humanidade: Quem sou? De onde vim? Para onde vou? Quanto tempo tenho? Que diabos estou fazendo aqui?

Com a cara de Woody Allen impressa às máscaras opostas (e complementares) da comédia e da tragédia, é esta segunda o alvo dos disparos de “Sete balas ao luar” — inclusive no conto que dá nome ao livro, ambientado no sertão de Sergipe, com as bênçãos de “São Lampião”. Quase sempre ácido, algumas vezes mórbido, há humor aqui e ali. Mas é a realidade na qual Virgulino Ferreira da Silva foi executado a tiros que prevalece na ficção de vida e morte de Zé do Cangaço:

— Segurou, novamente, as munições que trazia em seu bolso. Pediu a Lampião que não precisasse usá-las contra si na tentativa desesperada de calar os gritos interiores (…) Ao seu lado, colocaram a sua carabina e sete balas, em forma de cruz, para protegê-lo nas noites de luar.

E mesmo “lá para as terras do Sudeste”, onde “a forte estiagem havia atingido a todos, independente de classe e cor”, a coisa não parece não independer tanto assim. Algumas páginas antes, em cenário talvez familiar aos campistas, um menino de rua se levanta e deita no papelão, “seu companheiro de dias e noites assustadoras”, para encarnar o “Invisível” dentro de uma sociedade que desfila sua ânsia de consumo no “calçadão do Centro da cidade” — qual seria?

Se o final feliz passa longe das histórias de fôlego curto e pegadas fundas de Paula Vigneron, a leveza bate ponto em seu processo de criação, quase sempre emprenhado de música. Da MPB de Chico Buarque, Elis Regina e Milton Nascimento ao suingue jazzístico de Frank Sinatra. Este, aliás, conhecido como “A Voz”, tem a sua vencendo o limite entre realidade e ficção ao entoar “The way you look tonight”, no conto “A primeira dança”.

Além de inspiração, quem também dá as caras como personagem é Woody Allen. O cineasta novaiorquino faz uma ponta no conto “1975”, quando pisca à protagonista atônita. Vinda de uma viagem no tempo e no espaço para uma Manhattan imaginária, ela baila sem respostas ao som de “Cause I was Born to the blue”, após ser convencida pelo conselho do seu par:

— Pare de se questionar, querida. Você pensa muito. Sinta mais e reflita menos.

Recurso utilizado desde o primeiro conto adolescente, a narrativa retroativa em flashback bate ponto em boa parte do livro. A partir dela, um passado geralmente mais feliz é contraposto ao presente de desencanto, causado por alguma perda ou traição, algum tipo de tragédia humana quase sempre fadada a gerar outra, tão grave ou mais, ao final. E, única certeza da vida, a morte parece estar à espreita nas esquinas dos parágrafos.

Todavia, no lugar de ponto final, é posta a possibilidade de (re)começo. Em “Condenados”, terror e humor negro se misturam numa história deliciosa de voyeurismo e vendeta:

— Sem dúvida, a vingança é um prato que se come frio. Frio, assim como meu corpo inerte que, agora, apodrecia sob a terra (…) Permaneceríamos juntos como juráramos diante do padre quando nos casamos. Na alegria e na tristeza. Na saúde e na doença. Na riqueza e na pobreza. Mas nem a morte nos separa.

Em alguns contos, personagens e autora parecem unidos por laços semelhantes. Em “Ilhas”, difícil não pescar algo de autobiográfico na Marina, em quem Fábio acaba por fim acreditando ter “deixado marcas nas terras quase intocáveis em que a doce garota estava escondida e isolada pelas águas furiosas que a atormentavam”.

Neste istmo capaz de transformar qualquer ilha em península, ligando-o a outra ilha ou ao continente, também é possível avistar a prosista real refletida no fictício escritor Daniel, na maré baixa do conto “Comunhão literária”:

— As palavras eram suas companheiras. Refugiava-se nelas para encontrar o destino que lhe cabia (…) acreditava na independência delas e suas ações. O rapaz, no fundo, era guiado pelas letras (…) Comovia-se com a dor do outro, que passava a ser sua até conseguir transformá-la em palavras.

Do lado de cá das páginas, a moça também!

 

Folha Letras de hoje, na contracapa da Folha Dois
Folha Letras de hoje, na contracapa da Folha Dois

 

Publicado hoje na Folha Dois

 

0