Bola murcha
- Autor do post:Aluysio Abreu Barbosa
- Post publicado:14 de julho de 2015 - 19:41
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“Fico feliz de ver que o governador reconheça quem trabalhou para ele em sua campanha vitoriosa de 2014, inclusive em Campos (aqui). Ele citou os nomes todos, não esqueceu de ninguém. Se a oposição se unir, ganha a eleição”. Foi como reagiu, sem esconder o entusiasmo, o ex-prefeito de Campos Arnaldo Vianna (PDT), um dos quatro nomes citados ontem (aqui) pelo governador Luiz Fernando Pezão (PMDB), quando este garantiu seu compromisso com a sucessão da prefeita Rosinha Garotinho (PR), em 2016. Pezão garantiu que apoiará no ano que vem aqueles os que o apoiaram em 2014, citando, além de Arnaldo, o deputado estadual João Peixoto (PSDC), o vereador Nildo Cardoso (PMDB) e o também vereador Rafael Diniz (PPS), que agendou a reunião com o governador.
Confira amanhã a íntegra da reportagem na edição impressa da Folha.

“Acho que a oposição está totalmente dividida, está perdida. Acho que é até por isso que estão lançando tantos nomes para disputar a sucessão da prefeita Rosinha (PR). É para ver se algum consegue colar”, foi como ironizou o líder governista na Câmara Municipal, o vereador Mauro Silva (PT do B), procurado hoje pela reportagem da Folha. Também pré-candidato governista à sucessão de Rosinha Garotinho, Mauro reagiu às declarações dadas ontem pelo governador Luiz Fernando Pezão (PMDB), que garantiu (aqui) seu apoio na disputa pela Prefeitura de Campos aos nomes que o apoiaram em sua campanha ao governo do Estado.
Confira amanhã a íntegra da reportagem na edição impressa da Folha.

Por Aluysio Abreu Barbosa e Mário Sérgio Junior
“Tenho compromisso não só com a eleição do próximo prefeito de Campos, em 2016, como em apoiar nela aqueles que caminharam comigo em 2014, na campanha ao governo do Estado”. Foi o que garantiu ontem Luiz Fernando Pezão (PMDB) no Palácio Guanabara, no Rio de Janeiro, em encontro com o deputado estadual Comte Bittencourt, presidente estadual do PPS no qual está filiado o vereador campista Rafael Diniz, que levou à pauta do governador a política goitacá, em ebulição com as movimentações recentes à sucessão da prefeita Rosinha Garotinho (PR).
Rafael revelou que Pezão o aconselhou, assim como disse estar fazendo com os demais integrantes da oposição em Campos, a não se precipitar, buscando o diálogo com todas as correntes e quadros que enfrentam politicamente os Garotinho na cidade e região:
— O governador me pediu para seguir costurando junto ao ex-prefeito Arnaldo Vianna (PDT), ao deputado João Peixoto (PSDC), ao também vereador Nildo Cardoso (PMDB), entre outros importantes nomes da oposição, inclusive os que recentemente abandonaram o governo Rosinha, quando se negaram a vender o futuro de Campos a mando do casal Garotinho.
Apesar de aconselhar o jovem vereador a trabalhar para abrir o leque de apoios à oposição campista, Pezão deixou claro que seu apoio na sucessão de Rosinha será dado a quem caminhou junto dele em 2014. Isso deixaria de fora pré-candidatos a prefeito que escolheram outros rumos na última eleição a governador, como o deputado estadual Geraldo Pudim, que apoiou a candidatura de Anthony Garotinho, derrotada ainda no primeiro turno.
Ainda no PR, Pudim está de malas prontas para o PMDB, a convite do presidente da Assembléia Legislativa do Rio, Jorge Picciani (PMDB), com a perspectiva de lançá-lo outra vez candidato a prefeito de Campos (perdeu em 2006 e 2006), mas agora contra o grupo dos Garotinho — muito embora haja desconfiança de que o próprio secretário de Governo de Rosinha possa estar por trás desse movimento. Outro pré-candidato a prefeito de Campos em 2016, o vereador Alexandre Tadeu (PRB) também não apoiou Pezão em 2014, mas o senador Marcelo Crivella (PRB), batido pelo governador nos dois turnos eleitorais.
Conversas para todos os gostos
“O candidato que o governador colocar a mão será o prefeito de Campos”, declarou o deputado estadual João Peixoto (PSDC), que ontem participou do programa Folha no Ar, veiculado pela Plena TV e rádio Continental, e deixou uma incógnita no ar em relação às especulações de seu nome para a disputa no ano que vem. Já o ex-deputado estadual Roberto Henriques (PSD) declarou em seu Facebook que teve conversas com o deputado estadual Geraldo Pudim (PR), com o médico Érik Schunk (Psol) e o líder do governo na Câmara, vereador Mauro Silva (PTdoB).
Ao ser indagado sobre a possibilidade de uma candidatura em 2016, o deputado João Peixoto respondeu o seguinte: “Qual político que não gostaria de ser prefeito em sua cidade? Mas é como Deus disse que para tudo tem seu tempo. Se o tempo for agora, será”. Peixoto ressaltou ainda que está aberto a conversas, mas tem compromisso com o governador do Rio, Luiz Fernando Pezão (PMDB). “Estou aberto para receber e conversar, mas o compromisso do governador é com aqueles que estavam no palanque dele pedindo voto para ele. Não posso passar por cima”, complementou.
Peixoto aproveitou também para falar sobre os seis primeiros meses de seu quinto mandato na Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj). “Todo mundo sabe da dificuldade que o governo tem passado por conta da queda de arrecadação dos royalties, mas acredito que tudo vá melhorar nesse segundo semestre”, disse. Ele informou que no próximo dia 16 estará em Natividade, com Pezão, inaugurando uma obra.
Já Roberto Henriques revelou que o “prato principal” de sua conversa com Erik Schunk, com Geraldo Pudim e com Mauro Silva foi a sucessão municipal. “A todos, recebo com urbanidade e dever ético, que deve permear esse assunto e o relacionamento entre os políticos. Mais uma vez, digo: Continuo observando… vou par e passo analisando os movimentos de todos os lados. (…) Os novos e os velhos enamorados estão cortejando a PMCG. Todos se enfeitam para seduzi-la. Foi dada a largada!! A partir de agora a corrida vai ficando intensa. Continuo observando… Os cenários serão múltiplos… Mutantes… nenhum protagonista estará seguro… Um aviso : Os Pais da noiva estão exigentes… (o povo)”, escreveu.
Publicado hoje na Folha da Manhã
Atualização às 10h19 de 20/07/15 para correção do partido de Crivella, atendendo à correção feita aqui, em comentário do leitor Orestes Lobo.

Acabou agora há pouco, no Palácio Guanabara, uma reunião do vereador de Campos Rafael Diniz (PPS) e do deputado estadual Comte Bittencout (PPS) com o governador Luiz Fernando Pezão (PMDB). Na pauta do encontro, a eleição municipal de Campos em 2016, com a qual o governador renovou seu compromisso e sob quais termos.
Confira a íntegra da cobertura amanhã, na edição impressa da Folha.

Coincidência? Assinado por ele mesmo, não um dos seus famosos heterônimos, o português Fernando Pessoa (1888/1935) disse que “O menino da sua mãe”, poema publicado pela primeira vez em 1926, na revista Contemporânea, se baseou numa litografia que ele vira numa pensão onde teria ido jantar com um amigo.
Conheci Pessoa quando tinha uns 16 anos e começava a arriscar versos, numa indicação do saudoso advogado e político campista Manoel Luís Martins (1943/95). Por sorte, eu tinha em casa um exemplar da Obra Poética do grande modernista lusitano, em edição caprichada da editora Nova Aguilar, com capa de couro roxa e páginas em papel de seda, que meu pai herdara do seu único tio paterno, Marcial Barbosa (1909/85), o “Tenente”, e não tive o menor constrangimento paisano em roubar. Numa dessas coincidências que parece não sê-las, a edição era (como continua sendo) de 1972, ano no qual nasci.
Ainda assim, a expropriação da prateleira paterna, para atender à indicação paternal de um amigo mais velho, foi certamente menos incomum do que a entrada do francês Arthur Rimbaud (1854/91) em minha vida. Numa daquelas mudanças de quando temos 20 e poucos anos e saímos da casa dos nossos pais, uma edição bilíngue da Poesia Completa de Rimbaud, editada em 1994 pela Topbooks, em tradução referencial do brasileiro Ivo Barroso, simplesmente surgiu entre as minhas coisas. Nunca havia visto o livro antes de tirá-lo de uma caixa de mudança. E de lá para cá ninguém reclamou sua posse. Tampouco questionei essa origem meio mística, até porque bastou ler e constatar que nenhuma outra seria mais apropriada para qualquer jovem, sobretudo se poeta, cruzar seus caminhos aos de Rimbaud.
Pois logo assim que li seu “O adormecido do vale” (“Le dormeur de val”), me impressionou como um soneto tão elaborado, capaz de falar sobre morte da maneira mais pungente, mesmo sem nunca escrever a palavra morte, pudesse ter sido concebido por alguém de apenas 16 anos. Era o que Rimbaud tinha de idade ao vagar como andarilho entre sua Charleville natal e Paris, em plena Guerra Franco-Prussiana (1870/71), quando em seus caminhos colheu de um “recanto verde onde um regato canta” os horrores filtrados pela sensibilidade dos seus versos.

“O adormecido do vale” foi composto pelo adolescente Rimbaud em 1870, mais de 55 anos antes que Pessoa, já na casa dos seus 38, desse vida (e morte) ao seu “O menino da sua mãe”. Sempre achei as coincidências entre um poema e outro tão ou mais espantosas do que aquelas que um dia me levaram aos seus dois autores. Mas sem nenhuma outra fonte que não minha impressão, sempre tive receio em atribuir as flagrantes semelhanças além da coincidência, até que, no trabalho de pesquisa para confeccionar esta postagem, me deparei com Amorim de Carvalho (1904/76), outro poeta português, cuja analogia em prosa soa inconteste:
“(…) afirmei que, contra o que F. Pessoa quis fazer crer, a fonte do poema ‘O menino da sua mãe’ em 6 quintilhas (estrofes de cinco versos), não está uma litografia entrevista na parede duma sala de pensão (…); a origem do poema de F. Pessoa está no soneto ‘Le dormeur du val’, de Rimbaud. Os contatos são por demais evidentes. Nas duas produções poéticas temos o soldado morto na guerra, abandonado a apodrecer no vale, ensanguentado, trespassado por duas balas, estendido no chão como um menino”.
Embora não se tenha notícia de que Pessoa, dado a mistificar as coisas sobre si, tenha em algum momento admitido o ponto de partida do seu poema em Rimbaud, ele se distinguiu do francês ao investir na humanização desse “menino”. Nos versos do português, o contexto dramático ganha profundidade nas relações desenvolvidas com a mãe e a criada velha, simbolizadas na cigarreira e no lenço presenteados por uma e outra, junto ao corpo “Tão jovem! que jovem era!/ (Agora que idade tem?)” que já não tem mais nenhum presente.
Abaixo, após deitar tanta prosa, os dois poemas. Entre eles, o vídeo de uma das sequências mais belas da história do cinema, dirigida pelo mestre italiano Sergio Leone (1929/89), poeta da sétima arte, no clássico “Três homens em conflito — O bom, o mau e o feio” (1966). Nele, os três personagens centrais disputam um tesouro escondido, enquanto os EUA disputam sua Guerra Civil (1861/65). Em meio à explosão de violência e à musica “La storia de un soldato” do maestro Ennio Morricone, um Clint Eastwood ainda trintão se depara com o mesmo “menino”, apenas um último trago de cigarro antes dos versos de Rimbaud e Pessoa. E sem nenhuma palavra, na fumaça lentamente saída da “boca aberta”, ecoa o grito calado pela mesma estupidez.
O adormecido do vale
Era um recanto onde um regato canta
Doidamente a enredar nas ervas seus pendões
De prata; e onde o sol, no monte que suplanta,
Brilha: um pequeno vale a espumejar clarões.
Jovem soldado, boca aberta, fronte ao vento,
E a refrescar a nuca entre os agriões azuis,
Dorme; estendido sobre as relvas, ao relento,
Branco em seu leito verde onde chovia luz.
Os pés nos juncos, dorme. E sorri no abandono
De uma criança que risse, enferma, no seu sono:
Tem frio, ó Natureza – aquece-o no teu leito.
Os perfumes não mais lhe fremem as narinas;
Dorme ao sol, suas mãos a repousar supinas
Sobre o corpo. E tem dois furos rubros no peito.
Outubro de 1870.
O menino da sua mãe
No plaino abandonado
Que a morna brisa aquece,
De balas trespassado —
Duas, de lado a lado —,
Jaz morto, e arrefece.
Raia-lhe a farda o sangue.
De braços estendidos,
Alvo, louro, exangue,
Fita com olhar langue
E cego os céus perdidos.
Tão jovem! Que jovem era!
(Agora que idade tem?)
Filho único, a mãe lhe dera
Um nome e o mantivera:
“O menino da sua mãe.”
Caiu-lhe da algibeira
A cigarreira breve.
Dera-lhe a mãe. Está inteira
E boa a cigarreira.
Ele é que já não serve.
De outra algibeira, alada
Ponta a roçar o solo,
A brancura embainhada
De um lenço… deu-lho a criada
Velha que o trouxe ao colo.
Lá longe, em casa, há a prece:
“Que volte cedo, e bem!”
(Malhas que o Império tece!)
Jaz morto e apodrece
O menino da sua mãe
Lisboa, 1926

Para quem quiser conferir parte da obras de três bons poetas contemporâneos de Campos, o fim de semana traz duas oportunidades igualmente boas. A primeira será hoje, no Sesc-Campos, às 20h, quando a atriz e poeta Adriana Medeiros interpreta textos seus e da antropóloga e também poeta Fernanda Huguenin, no espetáculo “Um dedo de prosa e uma alma de poesias musicais”. A segunda oportunidade se dará amanhã e domingo, também a partir das 20h, na companhia de teatro Persona, onde se encerrará a primeira temporada da peça “A matrioska ou o jogo da verdade”, texto do poeta, professor e dramaturgo Adriano Moura. Com direção de Fernando Rossi, a peça é encenada por Caio Paes de Freitas, Daniel Azeredo, Katiana Rodrigues, Liana Velasco e Mayko Gente Boa.
(Ainda) não conheço nenhum dos dois espetáculos, mas pelo que já me foi dado a conhecer dos versos de Adriana, Fernanda e Adriano, o blog recomenda por antecipação.


Hoje (08/07) é dia de um clássico de humor no Cineclube Goitacá, com “Meu tio”, Oscar de melhor filme estrangeiro de 1958, dirigido e estrelado por Jacques Tati (1907/82), espécie de Charles Chaplin (1889/1977) do cinema francês. Quem apresenta o filme e depois media seu debate é o historiador, professor, ambientalista, escritor e crítico de cinema Aristides Soffiati. Com entrada e participação nas discussões inteiramente livres, a sessão começa às 19h30, na sala 507 do edifício Medical Center, no cruzamento da rua Conselheiro Otaviano com av. 13 de maio, sempre aberta com a exibição de um curta metragem pelo incansável produtor cultural e também crítico de cinema Tonico Baldan.

Na próxima quarta, dia 15 de julho, será a vez da produtora cultural e blogueira Luciana Portinho apresentar “Lope”, filme do diretor brasileiro Andrucha Waddington falado em castelhano, sobre a vida, a obra e os amores do poeta espanhol Lope de Vega (1562/1635). Na quarta seguinte, dia 22 de julho, será a vez do historiador João Monteiro Pessôa exibir e mediar o debate do filme “Dien Bien Phu”, nome do planalto do Vietnã e da famosa batalha que em 1954 selou a expulsão dos franceses da sua antiga colônia na Indochina, no sudeste da Ásia, nas origens daquilo que depois seria a Guerra do Vietnã (1955/75). O filme de 1992 é escrito e dirigido pelo francês Pierre Schoendoerffer, veterano da batalha real.

Como já disse mais de uma vez, não tenho tempo ou paciência para ser leitor de Facebook, garimpando ali o que há de relevante no meio de tanto exercício fútil de quem confunde opinião com fato e carência com vaidade. Por isso, vez em quando, acabo perdendo alguma coisa boa, mas que um amigo providente acaba por me chamar à devida atenção, como foi o caso da professora Cristina Lima à croniquinha (no tamanho, não em seu oceano de significados) sobre um amigo comum publicada pelo mestre escriba José Cunha Filho, aqui, na democracia irrefreável das redes sociais, que o blog pede licença para transcrever abaixo:


O Guardião
Por José Cunha Filho
Ah, o Neivaldo! Não tinha o hábito de frequentar o seu bar em terras além do Pontal, tinha não. Visitei, várias vezes, o antigo botequim que agora é ponto de parada de sereias e outros viventes do mar. Da última vez que o vi, alegre estava e disputamos três partidas de xadrez enquanto degustávamos uma cervejinha.
Aonde você foi, menino levado?
A gente se conhecia desde os idos em que ele frequentava a Folha da Manhã, sempre prestativo, sem função definida, mas querido por todos, sempre sorridente e jovial. Gente boa, gente boa! Bom caráter nato! Agora, saiu para passear e não voltou. O seu barco a motor, leso de saudades, ficou a rodopiar a meio caminho entre o Pontal e Convivência.
Como pião sem guia, girando sem parar, sem mão segura no leme que o conduzisse aos portos da aurora.
Saiu a navegar o Neivaldo, mal saída a noite e cadê?
Nós, amigos e amigas, torcemos para que retorne de sua viagem por mares nunca dantes navegados como queria o Camões que recitava por desfastio, noites de plenilúnio.
É possível, contudo, que o guardião da Árvore Que Anda esteja adormecido nos braços de Iemanjá, que a encantada elege os seus preferidos, mantém em sua corte aventureiros e gente do bem.
Não, não cessem as buscas!
Quem sabe ainda nos encontremos, Neivaldo, para mover aquela torre e deixar órfão o rei?