“Melhor nome para concorrer a prefeito de Campos é Gil Vianna”
Se, como gênio do futebol, Romário de Souza Faria sempre foi econômico nos toques, a coisa não parece ter mudado para o político, senador da República e presidente estadual do PSB. Pelo menos não nesta entrevista concedida, por e-mail, à Folha, onde Romário preferiu falar pouco para contornar assuntos polêmicos, como a “venda do futuro” de Campos pelo governo Rosinha Garotinho (PR). Mas se foi econômico nas palavras, o “Peixe” manteve a contundência em suas conhecidas tiradas, como ao afirmar que “político morto, para mim, é só no São João Batista ou no Caju”, reforçando sua descrença na decadência do grupo político que há 26 anos governa Campos. Ainda assim, ele aposta na pré-candidatura do vereador “independente” Gil Vianna (atual PR) à sucessão da prefeita Rosinha, em 2016, assim como do ex-prefeito Armando Carneiro (atual PSC) em Quissamã e do deputado estadual Chico Machado (atual PMDB), em Macaé, além da sua própria à Prefeitura do Rio de Janeiro.
Folha da Manhã – Como foi seu convite (aqui) para o vereador Gil Vianna (atual PR) para ser seu candidato a prefeito de Campos? E por quê?
Romário de Souza Faria – Conheço o Gil desde sua primeira eleição para vereador e sempre estivemos unidos na defesa das mesmas causas. Diante disso, o melhor nome para concorrer à Prefeitura de Campos é o de Gil Vianna, que faz um trabalho que eu posso confiar.
Folha – Onde e quando será a filiação dele ao seu PSB? Você estará presente ao evento?
Romário – Faremos um ato em Campos para marcar a filiação do Gil, no final de setembro ou início de outubro. E eu estarei presente.
Folha – Qual a importância de Sérgio Barcelos, secretário geral estadual do PSB, nessa costura? Como campista que já trabalhou com o ex-governador Anthony Garotinho (PR), que visão ele lhe passa da política no município e suas possibilidades para 2016?
Romário – Em função do meu trabalho e das minhas responsabilidades em Brasília. A experiência que o Serginho tem com política e no dia a dia do partido são fundamentais para a construção do partido no Estado.
Fol/ha – Em entrevista recente (aqui), Gil apostou no seu apoio para disputar a sucessão da prefeita Rosinha Garotinho. Com todo o respeito ao seu inegável carisma, mas isso basta? Se não, o que mais será necessário?
Romário – Não tenho nenhuma dúvida de que só isso não basta, como também não tenho dúvida de que outras forças irão se unir a favor dos projetos que temos para Campos.
Folha – Os pré-candidatos de oposição a prefeito de Campos apostam (aqui e aqui) no apoio do governador Luiz Fernando Pezão (PMDB) para 2016. Da mesma maneira, qualquer candidato governista terá o apoio dos Garotinho para tentar vencer a disputa. Gil terá o seu. Pezão tem a máquina estadual, e os Garotinho, a Prefeitura. Como equilibrar?
Romário – Vamos procurar fazer com o Gil em Campos uma campanha parecida com a minha, que não precisou de máquina, mas teve o que é fundamental, que é o apoio do povo.
Folha – Em Campos, você fez 106.953 votos (impressionantes 49,0%) para senador nas urnas de 5 de outubro, mais do que Garotinho e Pezão, que fizeram, respectivamente, 96.584 (39,78%) e 73.035 (30,08%) votos na eleição de primeiro turno a governador. Dá para vencer novamente os dois dentro de Campos?
Romário – Uma das coisas que eu e o Gil conversamos e concordamosé que o nosso projeto para Campos não é contra A, B ou C. Ele é a favor do povo de Campos, isso é o mínimo que eu posso fazer pela população que acreditou e acredita nas minhas propostas e no meu trabalho no Senado.
Folha – Se Pezão é evasivo (aqui) sobre seu apoio na sucessão de Rosinha, o presidente estadual do partido dele e da Assembleia Legislativa, Jorge Picciani, já definiu (aqui) que o candidato do PMDB a prefeito de Campos será o deputado estadual Geraldo Pudim (atual PR). É outro ex-aliado dos Garotinho, como Gil e Alexandre Tadeu (PRB), também vereador e pré-candidato a prefeito. Não são muitos ex contra o grupo original? A debandada indica decadência?
Romário – Não acredito em decadência. E essa história de político morto para mim, é só no São João Batista ou no Caju. Isso quem vai dizer e julgar será a população de Campos. O que eu posso garantir é que, com o Gil Vianna, nós iremos apresentar uma nova alternativa para a cidade.
Folha – Segundo Gil, o motivo pelo qual ele, Tadeu e outros vereadores abandonaram a bancada governista na Câmara foi a antecipação de receitas do município, na ordem de até R$ 1,2 bilhão, aprovada a mando dos Garotinho em sessão de 10 de junho, julgada ilegal pela Justiça, mas aprovada novamente no último dia 17. Chamada pelo povo de “venda do futuro”, a operação foi reprovada (aqui) por 88,7% dos campistas, em pesquisa do instituto Pro4, rejeição muito próxima à registrada em enquetes da Folha Online (85%) e da InterTV (90%). Qual sua opinião sobre o assunto?
Romário – Dos outros vereadores eu não posso dizer, mas em relação ao Gil sei que ele votou com a sua consciência.
Folha – Sobre Pudim, Gil também observou que o maior desafio do deputado será convencer o eleitor não ser um plano B dos Garotinho. Como fazer o campista acreditar que o próprio Gil , dentro do mesmo raciocínio, não é um plano C?
Romário – O único plano que eu conheço é o de telefone, que na maioria das vezes é caro e não funciona. O que nós temos é um projeto com a pré-candidatura de Gil Vianna à Prefeitura de Campos.
Folha – Até que ponto essa imagem de Gil como “Cavalo de Tróia” é reforçada (aqui) pelos movimentos do senador Aécio Neves (PSDB/MG) de estímulo à sua candidatura a prefeito do Rio pelo PSB, com a deputada federal Clarissa Garotinho (atual PR) como vice, após migrar ao PSDB?
Romário – Já tenho mostrado para vocês que muitos veículos publicam o que querem… E isso não passa de mais uma simples nota de jornal. Ponto!
Folha – Essa aproximação com Clarissa já gerou reações do eleitor. E não só em Campos. Após postar em seu perfil do Facebook uma foto com a deputada, no início de julho, apesar das mais de 22 mil curtidas, você colheu (aqui) vários comentários como o do Pepê Cesarim: “Nãooooo!!!! Isso só pode ser montagem!! Qual foi Romário?? Vai perder todo o seu conceito e respeito comigo e com um monte de gente! Família Garotinho é…! Sai dessa!!”. Se valeu como teste para 2016, qual o resultado?
Romário – Sou um senador da República, meu gabinete está aberto não só para os parlamentares do Rio de Janeiro, como também de outros Estados. Estou te falando isso, porque a deputada Clarisse foi ao meu gabinete juntamente com o deputado Júlio Delgado (PSB/MG) me fazer uma visita para discutirmos alguns projetos, nos quais a minha participação poderia ser útil, tanto para o Rio de Janeiro, como para Minas Gerais.
Folha – Acha que saiu fortalecido do episódio com a revista Veja, que publicamente (aqui) desmentiu a notícia e lhe pediu desculpas, após noticiar em julho que você tinha uma conta não declarada no banco BSI, da Suíça, no valor de R$ 7,5 milhões? Se isso foi a 15 meses da eleição de prefeito do Rio, o que pode vir caso confirme a candidatura? O atacante nunca teve medo de catimba, cara feia e pontapé de adversário. E o político?
Romário – Você já terminou a pergunta respondendo por mim, realmente nunca tive medo de catimba, cara feia e pontapé. Em relação ao episódio da Veja, se o objetivo da matéria era me enfraquecer, não deu certo.
Folha – Em seu blog, o jornalista Ricardo Noblat foi bem explícito (aqui) ao colocar a denúncia da Veja na conta do prefeito carioca Eduardo Paes (PMDB), cujo candidato à sua sucessão é seu chefe da Casa Civil, o deputado federal Pedro Paulo (PMDB). Vê algum fundamento?
Romário – Isso quem vai dizer é a justiça, mas com certeza a verdade irá aparecer e os envolvidos irão pagar, e caro.
Folha – Em relação a Campos, é correto supor que você se empenharia mais numa candidatura a prefeito de Gil, caso decida não concorrer a prefeito do Rio, ou é indiferente? E em relação às sempre complicadas, mas necessárias montagens das nominatas, como estão as costuras aqui e aí?
Romário – Não só na de Gil, mas também na do Armando Carneiro, em Quissamã e Chico Machado, em Macaé. No que se refere a Campos, o vereador Gil Vianna está com total autonomia não apenas para montar a nominata, mas também para dar uma nova cara ao PSB. Assim como no Rio está sendo feita pela nossa presidente municipal, Aspásia Camargo.
Folha – Novamente no paralelo entre Rio e Campos, entre sua pré-candidatura e a de Gil, até onde uma e outra trabalham com a possibilidade de composição de chapa? Para você, que lidera todas as pesquisas internas dos partidos, seria a cabeça de chapa ou nada? E para Gil?
Romário – Hoje a minha prioridade é construir o PSB em todo estado. Essa discussão se dará mesmo, creio eu, a partir do ano que vem. Mas não posso negar que desde já o meu nome, no Rio, e o de Gil, em Campos, estão à disposição do partido para a disputa das eleições de 2016. Queria agradecer ao jornal Folha da Manhã pela oportunidade da entrevista e aproveitar para agradecer ao povo de Campos pela confiança depositada em mim, que honrarei até o último dia do meu mandato.

Publicado hoje na Folha da Manhã










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