Pesquisa Datafolha divulgada nesta quarta-feira mostra que 62% dos brasileiros consideram a gestão da presidente Dilma Rousseff como ruim ou péssima. A impopularidade de Dilma subiu 18 pontos comparada ao levantamento anterior do instituto em fevereiro.
É a mais alta taxa de reprovação de um mandatário desde setembro de 1992, véspera do impeachment do então presidente Fernando Collor de Mello, que era de 68%.
Apenas 13% classificam o governo de Dilma como ótimo ou bom, uma queda de de dez pontos em relação à pesquisa anterior.
A pesquisa foi feita com 2.842 eleitores logo após as manifestações contra Dilma no domingo. O levantamento, que tem dois pontos percentuais de margem de erro, mostra a deterioração da popularidade de Dilma em todos os segmentos sociais e em todos as regiões do país.
As taxas mais altas de rejeição da presidente estão nas regiões Centro-oeste (75%) e Sudeste (66%), nos municípios com mais de 200 mil habitantes (66%), entre os eleitores com escolaridade média (66%) e no grupo dos que têm renda mensal familiar de 2 a 5 salários mínimos (66%). A maior taxa de aprovação está na região Norte, com 21%. No Nordeste, 16% dos seus habitantes aprovam o governo de Dilma.
A presidente obteve nota 3,7, a pior desde a chegada de Dilma à Presidência, em 2011. Em fevereiro a nota média era 4,8. No primeiro mandato, a pior média foi 5,6, em junho e julho de 2014.
A pesquisa também mostra que somente 9% consideram ótimo ou bom o desempenho do Congresso. Para 50% a atuação dos deputados e senadores é ruim ou péssima.
Para 60%, a economia vai piorar
O pessimismo econômico também foi abordado pela pesquisa e a expectativa com a situação do país é a pior desde 1997. Para 60%, a situação da economia vai piorar. Em fevereiro, a percepção de que a situação econômica iria piorar nos próximos meses chegava a 55%.Segundo o Datafolha, 69% acreditam que o desemprego deve aumentar, mas 61% pensam não correr risco de demissão.
A expectativa para a maioria, 77%, é que a inflação aumentará
Principado de Mônaco, paraíso mediterrâneo famoso pelos cassinos, pela prova de Fórmula 1 e agora também como destino do dinheiro público brasileiro roubado no Petrolão
Jorge Zelada, sucessor de Nestor Cerveró como diretor internacional da Petrobras
Por Renato Onofre
As autoridades do Principado de Mônaco bloquearam 10 milhões de euros (R$ 34,7 milhões) do ex-diretor da área Internacional da Petrobras, Jorge Zelada. De acordo com o Ministério Público Federal (MPF), há a suspeita de que o ex-diretor, que substituiu Nestor Cerveró, possa estar envolvido no esquema de corrupção.
Para o procurador federal da República Deltan Dallagnol, coordenador da força-tarefa da Operação Lava-Jato, o acúmulo de recursos no exterior é incompatível com a renda do ex-diretor que até o momento não foi denunciado pelo Ministério Público Federal (MPF).
— É estranho que esses recursos não são compatíveis com sua renda – afirmou o procurador, explicando que ainda não é possível oferecer denúncia contra Zelada porque ainda não há o rastro do pagamento de propina.
Zelada já era alvo de investigação da Controladoria Geral da União (CGU) junto com o ex-diretor de Serviços da Petrobras, Renato Duque, e o ex-diretor da Área Internacional, Nestor Cerveró. Eles respondem a processos administrativos que apuram suposta participação dos três no esquema de pagamento de propina pela empresa holandesa SBM Offshore.
A SBM é uma empresa que atua com construção de plataformas de petróleo e mantém contratos com a Petrobras. Diretores da companhia internacional já admitiram ter pago US$ 139 milhões a representantes no Brasil, mas ainda não detalharam o caminho final da propina na estatal brasileira.
A CGU instaurou 13 processos administrativos sancionadores e três sindicâncias patrimoniais para investigar a suposta participação de empregados e ex-empregados da Petrobras no esquema da holandesa SBM. Em dezembro, o GLOBO mostrou que os ex-diretores são Duque, Cerveró e Zelada e o ex-gerente de Serviços, Pedro Barusco terão o patrimônio avaliado pelos auditores do órgão federal.
O PMDB apresentou na manhã desta terça-feira, 17, uma proposta de reforma política que será apresentada ao Congresso Nacional. Entre os pontos defendidos, está a garantia do financiamento privado de campanha eleitoral e o fim da reeleição.
No que diz respeito ao financiamento de campanha, o partido propõe que seja público e privado, com a condição de que as doações de pessoas jurídicas sejam feitas diretamente a um único partido político – hoje uma mesma empresa pode doar a quantos partidos e candidatos quiser. A proposta foi elaborada pela Fundação Ulysses Guimarães, braço de formulação política do PMDB, e apresentada pelo presidente da instituição, Moreira Franco, além do vice-presidente, Michel Temer, e o presidente do Congresso, Renan Calheiros.
Entre o presidente da Fundação Ulysses Guimarães, Moreira Franco, e o vice-presidente Michel Temer, o presidente do Senado listado no Petrolão, Renan Calheiros, foram as caras à frente da proposta de reforma política do PMDB (foto de Andre Dusek – Estadão)
O vice presidente Michel Temer, o presidente do Senado Renan Calheiros (PMDB-AL), o ministro Eliseu Padilha (Aviação Civil), o ex ministro Moreira Franco(presidente da Fundação Ulysses Guimarães) e senadores do PMDB, durante cerimônia de entrega ao vice-presidente de uma proposta de reforma política feita pelo PMDB, na câmara Câmara dos Deputados, em Brasília.
O fim da reeleição viria conjugado com a implementação de mandato de 5 anos e com a coincidência das eleições. A defesa do partido é que a proposta seja aprovada para valer já nas eleições municipais de 2016. Uma transição seria implementada para que a coincidência de todas as eleições seja alcançada em 2022.
Pela proposta, o sistema eleitoral deve ser o “distritão”, no qual cada Estado e o Distrito Federal seria um distrito. Pelo sistema, são eleitos para a Câmara, Senado, assembleias estaduais e Câmaras de vereadores os candidatos mais votados em ordem decrescente até atingir o número total de vagas. O modelo acaba com a figura do “puxador de voto” do atual sistema.
O texto prevê ainda a proibição de coligação nas eleições proporcionais e o estabelecimento da cláusula de desempenho para o funcionamento parlamentar de partidos, com exigência de no mínimo 5% dos votos em pelo menos um terço dos Estados.
Por fim, o texto propõe que o mandato pertence ao partido pelo qual o parlamentar foi eleito. Pelo texto, o parlamentar que deixar o partido perderá automaticamente o mandato, com exceção dos casos de fusão de partidos, mudança substancial do programa partidário e grave discriminação pessoal.
Congresso. O vice-presidente da República, Michel Temer (PMDB), ressaltou nesta manhã a importância do poder Legislativo na aprovação de uma reforma política. “O PMDB vem agora a público para revelar sua proposta de reforma política e o faz com a convicção de que se trata de uma colaboração com o Congresso Nacional. O Congresso é o senhor absoluto dessa matéria”, disse.
Temer afirmou que o partido vai tentar sustentar a proposta, que inclui o financiamento privado de campanha e o fim da reeleição. “Vamos manter contato com os mais variados partidos para discutir esse tema”, disse. “Temos a obrigação de não falharmos neste momento”, completou.
Segundo Temer, o País confia na aprovação da reforma, num momento em que o PMDB ocupa as presidências da Câmara e do Senado. “Como tivemos agora a responsabilidade de equacionar a revalorização do imposto sobre a renda. Deveu-se especialmente às ponderações feitas pelo PMDB”, exemplificou ao citar a negociação sobre a correção da tabela do IR.
Lula mandou Dilma ser humilde. O marqueteiro João Santana sugeriu que, por uma questão estratégica, Dilma fingisse que estava humilde. Até o Mercadante, depois de cofiar os bigodões aloprados, disse que achava que no momento uma dose de humildade seria bem-vinda
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Afinal de contas, no domingo dia 8, Dia Internacional da Mulher, tinha convocado uma rede nacional de rádio e TV — algo impensável em países sérios, mas o Brasil, a gente está cansado de saber, até o general De Gaulle estava cansado de saber, não é um país sério —, para pedir paciência ao povo.
A mulher literalmente arrasa a economia do país, com sua soberba, sua absoluta autoconfiança, sua crença empedernida de que é a maior economista que já pisou a casca deste planeta. Enquanto o esquema de roubalheira que é intrínseco a seu partido corroía a maior empresa nacional, Dilma Rousseff arruinou tudo, não deixou pedra sobre pedra: inflação alta, persistente, contas públicas em frangalhos, indústria arrasada, setor elétrico completamente alucinado, exportações decrescentes, estagnação.
Aí então, depois de tudo isso, é forçada a dar um cavalo de pau, mudar a direção, e aí vai à TV, com aquela cara simpática, agradável, pedir paciência!
Recebeu de volta vaia, berro, panelaço, buzinaço, acendapagaço de luz.
Uma semana depois do discurso vaiado, berrado, panelaçado, buzinado, acendapagaçado, dois milhões de pessoas vão às ruas berrar Fora Dilma, Fora PT.
Horas após as maiores manifestações populares desde as Diretas-Já, a mulher bota dois trapalhões para falar na TV em defesa do governo. Um dos trapalhões, tadinho, resolve toda a questão: ah, protestou quem não votou em nós!
Os dois trapalhões são recebidos com panelaço nas grandes cidades do país.
Aí, finalmente, entraram em campo os profissionais, os políticos bem preparados, os tarimbados, os com jogo de cintura. Lula, João Santana. Baiano por baiano, Jacques Wagner deve ter ido também falar com a patroa. O Berzo, claro, o inteligentíssimo Berzo, ele também deu um toque.
Todo mundo disse para a presidente: É hora de demonstrar humildade.
Aí Dilma foi participar de uma cerimônia qualquer no Palácio e, no discurso, pronunciou: – “Se cometemos algum erro de dosagem (da política econômica), é possível que a gente possa até ter cometido algum.”
Na cara com que ela falou isso estava escrito assim: — “Por#a, car*l&o, merda, nesta joça aqui mando eu e eu sei o que faço, tá bom proceis? E parem de me encher o saco, porque até agora eu tô aqui bancando a boazinha, mas tô quase perdendo a paciência.”
Malditos sejais, ó mentirosos, negadores, defraudadores, vigaristas, intrujões, chupistas, tartufos e embusteiros! Que a peste negra vos cubra de feridas pútridas, que vossas línguas mentirosas sequem e que água alguma vos dessedente, que vossas mentiras, patranhas, fraudes, lérias e marandubas se transformem em cobras peçonhentas que se enrosquem em vossos pescoços, que entrem por vossos rabos, rabiotes e fundilhos e lá depositem venenosos ovos que vos depauperem em diarreias torrenciais e devastadoras. Que vossas línguas se atrofiem em asquerosos sapos e bichos pustulentos que vos impedirão de beijar vossas amantes, barregãs e micheteiras que vos recebem nos lupanares de Brasília, nos prostíbulos mentais onde viveis, refocilando-se nas delícias da roubalheira.
Malditos sejais, ladrões, gatunos, ratoneiros, trabuqueiros dos dinheiros públicos, dos quais agadanhais, expropriais mais da metade de todos os orçamentos, deixando viadutos no ar, pontes no nada, esgotos a céu aberto e crianças mortas de fome, mortas de tudo.
Que a maldição de todas as pragas do Egito e do Deuteronômio vos impeça de comer os frutos de vossas fazendas escravistas, que não possais degustar o pão de vossos fornos, nem o milho de vossos campos, e que vossas amantes vos traiam e vos contaminem com escabrosas doenças e repugnantes furúnculos!
Malditos sejais, homúnculos dedicados a se infiltrar nas brechas, nas breubas do Estado para malversar, rapinar, larapiar desde pequenas gorjetas embolsadas, até essa doença nacional chamada petróleo, onde vos repastais no revezamento sinistro de negociarrões com empresas fantasmas em terrenos baldios, até a rapinagem dos mínimos picuás dos miseráveis.
Malditas sejam as caras de pau dos ladravazes, com seus ascorosos sorrisos, imunda honradez ostentada, gélido cinismo, baseado na crapulosa legislação que vos protege há quatro séculos, por compradiços juízes, repulsivos desembargadores, fariseus que vendilham sentenças por interesses políticos, ocultados por intrincados circunlóquios jurídicos, solenes lero-leros para compadrios e favores aos poderosos! Que vossas togas se virem em abutres famintos que vos devorem o fígado, acelerando vossas mortes que virão pela ridícula sisudez esclerosada com que justificais liminares e chicanas que liberam criminosos ricos e apodrecem pobres pretos na boca do boi de nossas prisões!
Malditos sejais, burocratas, sicofantas, enfiados na máquina pública, emperrando-a e sugando migalhas do Estado com voracidade e gula! Tomara que sejais devorados pelos carunchos que rastejam nos processos empoeirados da burocracia que impede o País de andar! Que a poeira dos arquivos mortos vos sufoque e envenene como o trigo roxo dos ratos!
Malditas sejam também as “consciências virginais”, as mentes “puras”; malditos os alienados e covardes, malditos os limpos, os não culpados, os indiferentes, que se acham superiores aos que sofrem e pecam; malditos intelectuais silenciosos que ficam agarrados em seus dogmas, que se “escandalizam” com os horrores, mas nada fazem, diante dos erros óbvios que clamam por condenações. Maldito aquele que culpou os “brancos de olhos azuis” pela crise econômica mundial. Malditos os que só pensam em dividir os brasileiros entre “nós” e “eles”. Maldita seja a técnica de vitimização que funciona bem para ditadores que se dizem sempre ‘defensores do povo’ — suas vítimas. Malditos os que condenam o passado, se eles são o passado.
Malditos os radicais de cervejaria, os radicais de enfermaria e os radicais de estrebaria. Os frívolos, os loucos e os burros. Uns bebem e falam em revolução; outros alucinam e os terceiros zurram.
Maldita seja também a indiferença narcisista do déspota sindicalista que renegou a herança bendita que recebeu e que se esconde nas crises para voltar um dia como pai da pátria. Que gordos carrapatos infectem sua barba de estadista deslumbrado.
Malditos também os que desejam trazer de volta a irresponsabilidade fiscal, malditos anjos da cara suja, malditos os que inventaram as gorjetas de milhões, malditos espertos fugitivos da cassação, anatematizados e desgraçados sejam os que levam dólares na cueca e, mais que eles, os que levam dólares às Bahamas, malditos os que usam o “amor ao povo” para justificar suas ambições fracassadas, malditos bolchevistas que agora são arroz de festa de intelectuais mal informados; malditos sejam, pois neles há o desejo de fazer regredir o Brasil para o velho Atraso pustulento, em nome de suas ideologias infantis!
Se eles prevalecerem, voltará o dragão da Inflação, com sete cabeças e dez chifres e sete coroas em cada cabeça e a prostituta do Atraso virá montada nele, berrando todas as blasfêmias, vestida de vermelho, segurando uma taça cheia de abominações. E ela, a besta do Atraso, estará bêbada com o sangue dos pobres e em sua testa estará escrito: “Mãe de todas as meretrizes e Mãe de todos os ladrões que paralisam nosso país”.
Só nos resta isso: maldizer.
Portanto: que a peste negra vos devore a alma, políticos canalhas, que vossos cabelos com brilhantina vos cubram de uma gosma repulsiva, que vossas gravatas bregas vos enforquem, que os arcanjos vingadores vos exterminem para sempre!
(*) Não pude escrever o artigo da semana por doença (nada grave, inimigos meus), mas me lembrei de outro texto da época do “mensalão” e achei por bem republicá-lo, pois cabe perfeitamente nestes tempos de “petrolão”.
O presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), disse nesta segunda-feira, durante entrevista ao programa “Roda Viva”, da TV Cultura, que o escândalo de corrupção na Petrobras começou no governo de Fernando Henrique (1995-1998), que teria aberto “a porteira da corrupção ao ignorar a lei de licitação nº 8.666”, que teria facilitado a formação de cartel na petrolífera.
— A Petrobras passou a obedecer a um regulamento próprio, que permitia a licitação por carta-convite por empresas cadastradas previamente na própria Petrobras. É claro que é uma desculpa até palatável, pois a Petrobras precisa competir no mercado internacional, mas ao mesmo tempo abriu a porteira para a corrupção, pois o diretor podia escolher quem ele convidava e permitir que as empresas combinassem a quem se beneficiava, as empresas podiam combinar o seu preço — falou Cunha.
No primeiro mandato de Fernando Henrique, em 1988, foi publicado o decreto 2.745, que regulamentou o regime diferenciado simplificado de contratações da Petrobras.
O parlamentar negou ainda que seja adversário do Partido dos Trabalhadores (PT), mas disse que o partido o escolheu como adversário.
— O PT me escolheu como adversário, não fui eu que escolhi o PT como adversário. Também não escolhi a presidente Dilma como adversária. Estamos no meio de uma crise política e temos que resolver uma crise política — disse. Sobre o PT no poder, Cunha disparou:
— Eles fazem tudo aquilo que eles pensavam que nós fazíamos.
Cunha declarou ainda que é necessário que a presidente reveja o atual tipo de coalizão feita com os demais partidos para que manter a governabilidade.
— É preciso que ela retome a agenda do país e retome a coalizão. Eu falei coalizão, e não cooptação, mostrando para a sociedade o que precisa fazer no ajuste fiscal, o que tem hoje que vai trazer de benefícios depois.
Cunha quer Lula, “um animal político”, para poder “cooperar” com o governo Dilma
Cunha quer Lula para “cooperar” com Dilma
O atual presidente da Câmara também manifestou ser favorável a que o ex-presidente Lula participe de reuniões com Dilma para “cooperar” com o governo.
— O Lula é que é o grande líder do processo político que colocou o PT no poder. O Lula é um animal político de envergadura, de visão extraordinária. Eu não vejo nada demais. Acho até que ele poderia ter ajudado mais — declarou.
Ele também defendeu o fim do exame da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) para bacharéis de direito, obrigatório para o exercício da profissão de advogado no país. Cunha reforçou ainda que é “radicalmente” contra o aborto e considera a interrupção da gravidez um “crime hediondo”.
Durante entrevista ao jornalista Mário Sérgio Conti no programa “Diálogos”, da Globo News, nesta segunda-feira, Cunha rejeitou a ideia de um impeachment da presidente Dilma.
— Discussão de processo de impeachment, neste momento, com as circunstâncias que estão colocadas, beira a ilegalidade, a inconstitucionalidade, para não dizer o golpismo. Ela foi eleita legitimamente. Não há o que contestar. Se aqueles que votaram nela se arrependeram do voto, vão ter esperar quatro anos para consertar. Ela tem todo o direito de governar — argumentou.
No entanto, ao mesmo tempo em que defendeu o direito da presidente de cumprir o segundo mandato até o fim, Cunha afirmou que ela não soube perceber que não obteve “hegemonia” na disputa pela reeleição.
Ex-presidente responde a mais um “Foi FHC”, agora do presidente da Câmara listado no Petrolão, Eduardo Cunha
FHC reage a Cunha: “lei tinha propósito de dar competitividade à Petrobras”
Segundo Fernando Henrique, em nota divulgada nesta terça-feira, o decreto que dispensava a Petrobras das limitações impostas pela lei 8666 tinha o propósito de dar à empresa maior competitividade frente à concorrência com as gigantes petrolíferas, uma vez aprovada a flexibilização do monopólio estatal.
“Não seria concebível que se obrigasse a Petrobras a seguir normas burocráticas, saudáveis embora, mas que poderiam ser dispensadas, uma vez que a própria concorrência no mercado estabeleceria as margens possíveis de variação nos preços dos contratos de compras”, disse o ex-presidente.
Fernando Henrique declarou, ainda, que “não se imaginava que houvesse a frouxidão de critérios que aconteceu posteriormente, nos governos petistas, nem que a Petrobras voltasse a atuar como quase monopolista. Menos ainda se pensava possível a tácita conivência dos governos que nomearam, por intermédio do Conselho de Administração, diretores ligados a esquemas de financiamento partidário, tal como se está vendo com base nos dados levantados pela operação Lava-Jato”.
Para o ex-presidente, desviar do foco da corrupção para o passado é “manobra que não se sustenta”.
“Ele está na conduta delituosa de agentes públicos e privados, somado à leniência governamental. Até porque um mero decreto poderia ter sido revogado nos doze anos de petismo, fosse ele a causa real da corrupção e houvesse vontade no governo para combatê-la”, afirma a nota.
Dilma na comemoração da sua vitória eleitoral em 23 de outubro passado
Vereador e funcionário público federal Marcão Gomes
Viva a Democracia!
Por Marcão Gomes
“A persistência da Constituição é a sobrevivência da democracia. Quando, após tantos anos de luta e sacrifícios, promulgamos o estatuto do homem, da liberdade e da democracia, bradamos por imposição de sua honra: temos ódio à ditadura. Ódio e nojo! Amaldiçoamos a tirania onde quer que ela desgrace homens e nações, principalmente na América Latina”. Esse é um trecho do discurso de Ulysses Guimarães na promulgação da Constituição de 1988, extremamente atual neste momento em que algumas pessoas, que por ignorância ou oportunismo, falam em golpe contra o governo legitimado pelas urnas e intervenção militar.
Temos sim que reforçar a democracia, os empregos, a Petrobras, defender os direitos dos trabalhadores e trabalhadoras e clamar pela reforma política. Temos sim que apurar e punir os culpados pela corrupção, pela malversaçãode recursos públicos.
O Brasil que já passou pelo colonialismo, pela escravidão e pela ditadura, agora vive momentos de uma tentativa de golpe. A presidente Dilma Rousseff foi reeleita em 2014 e a vontade popular deve ser respeitada. Esse é o princípio básico da democracia. Temos que defender a democracia que, quando faltou, deixou não só marcas na pele, mas também na alma do povo brasileiro.
Não podemos permitir que a democracia conquistada com tanta luta seja questionada por interesses escusos. Golpistas que partem de um modelo patrimonialista que não admite repartir, como por exemplo, os bancos das universidades com a população de baixa renda. Para se ter uma ideia, a camada mais pobre da população brasileira está mais presente nos campus das universidades públicas do país. A participação aumentou quatro vezes entre 2004 e 2013. Tem gente que não aceita o Brasil para todos e todas. Temos que ter muito cuidado com aqueles políticos que se utilizam da grande mídia para propagar suas ideias e desestabilizar governos constituídos.Isso é muito perigoso e pode trazer consequências gravíssimas para a democracia brasileira.
Todos podem se manifestar, mas a legitimidade das manifestações não é e não pode ser maior do que a dos que foram eleitos pelo voto do povo nas urnas. Sabemos que atualmente não existem condições jurídicas para um pedido de impeachment da presidente Dilma. O próprio ministro do STF, Gilmar Mendes, já declarou que não existem bases sólidas para um impedimento. Insistir nessa ideia é apostar numa ruptura do atual estado democrático do Brasil, adquirido ao longo desses anos. As manifestações do último domingo (15) fizeram ressurgir simpatizantes da extrema-direita que vêem na volta do governo militar uma solução para desafios próprios dessa mesma democracia, ignorando o resultado de 23 de outubro passado (aqui), quando a presidenta Dilma Rousseff venceu no voto do povo Aécio Neves (PSDB) para mais quatro anos de mandato, como manda a Constituição do Brasil.
A manifestação contra o governo Dilma Rousseff e o PT, pedindo o impeachment da presidente por crime de responsabilidade no caso do Petrolão, levou no último domingo cerca de 800 campistas à praça São Salvador (aqui), de onde saíram em passeata pacífica pela av. Alberto Torres, passando pela Beira Valão, até a av. Pelinca. O que leva a duas questões. A primeira: foi pouca gente?
Campos pró-Dilma
Bem, certamente foi mais do que as 1,5 mil pessoas que o PT de Campos e o Sindipetro-NF anunciaram (aqui) ter levado ao protesto pró-Dilma, no Centro do Rio, dois dias antes, quando a PM contabilizou em exatos 1,5 mil todos os manifestantes. E o ridículo exposto (aqui) pela aritmética simples ficou ainda pior quando as equipes de reportagem da Época e Folha de São Paulo revelaram que cada manifestante campista teria recebido R$ 80 para participar do evento. O fato foi confirmado pela própria assessoria do Sindipetro (aqui), a título de vale-alimentação, muito embora a revista e o jornal tenham apurado que a comida foi fornecida à parte o dinheiro.
O pró dos contra
Ou seja, a contribuição campista ao evento pró-Dilma fez justiça à classificação feita (aqui) no dia seguinte pelo jornalista Merval Pereira, acerca do que restou da base de apoio popular do PT: “são apenas movimentos de pelegos transportados em ônibus, com diária e comida”. Rigorosamente nenhuma das cerca de 800 pessoas que foi à praça São Salvador no domingo, por livre e espontânea vontade, com a paga apenas da consciência, poderia se encaixar na mesma descrição.
E contra a hipocrisia?
Isto posto, chegamos à segunda questão: como o campista que dedica sua manhã de domingo para sair à rua e protestar contra o governo Dilma Rousseff, marcado pela incompetência administrativa e denúncias de corrupção, cuja política econômica levou o Brasil à beira do abismo, pode não dedicar nenhum outro dia da semana para constatar que as mesmas características estão marcadas a ferro em brasa no couro do seu próprio município? CDL, Acic, maçonaria, cidadãos presentes no domingo ao evento contra Dilma, quando se trata das semelhanças desta com Rosinha, são cegos ou têm medo?
Rancho da Ilha (I)
O show com a cantora Danni Carlos, na noite de sábado foi muito bom. Além da cantora ainda manter sua voz em forma, embora o corpo nem tanto, o reinaugurado Rancho da Ilha, à beira do Paraíba, é um lugar mágico. Por isso mesmo deveria ser melhor cuidado. Marcado para às 23h, quem lá chegou às 22h30, visando ocupar melhores lugares, não pôde entrar, sendo deixado pelos seguranças com a opção de esperar à beira da RJ 158, num lugar escuro e ermo, ou então voltar para casa.
Rancho da Ilha (II)
Vencido o primeiro risco desinteligente e desnecessário à segurança dos espectadores, lá dentro a organização do evento, diferente da beleza do local, continuava deixando a desejar. Quem quisesse beber tequila, por exemplo, teria que ter trazido o limão de casa, assim como guardanapos de papel ou pano para limpar a mesa, todos ausentes dos bares ocupados por funcionários que respondiam despreocupados a qualquer eventual queixa: “reclama com o dono!”
Rancho da Ilha (III)
Por fim, os banheiros masculinos do Rancho só estavam preparados para atender ao número 1, não ao 2. Quem não conseguisse resistir ao chamado da natureza, teria que fazer suas necessidades num banheiro de porta com a divisória inferior quebrada, exposto publicamente da cintura para baixo. Na falta de uma simples esquadria para solucionar o óbvio e constrangedor problema, a única alternativa permanecia a mesma da chegada: voltar para casa.
Bob Esponja — Um herói fora d’água — Além de insólito, extraordinário, incomum, inusitado significa, em sua raiz, fora do lugar. Stephen Hillenburg, biólogo marinho, transportou para a animação o mundo que domina muito bem, mas de forma inusitada. Além de cientista, ele é artista, não se preocupando com a veracidade em suas criações, notadamente Bob Esponja Calça Quadrada. Sua criatividade é também inusitada na medida em que inverte e cria uma nova realidade.
No fundo do mar que ele concebe, Bob Esponja é a personagem central de sua turma, com Lula Molusco, uma lula irritadiça, Patrick, uma estrela do mar afeminada, Sr. Siriguejo, um siri dono de um Fastfood, uma esquila que vive embaixo do mar com um escafandro. A Fenda Biquini é o lugar fora de lugar onde Bob Esponja vive com sua exótica turma.
O que Hillenburg faz é colocar sob as águas do mar o mundo continental, em que os personagens tomam banho de sol e contam com outros meios típicos da superfície da terra. E, nesse contexto esdrúxulo, o autor parodia e ironiza filmes.
Agora, com “Bob Esponja: um herói fora d’água”, Hillenburg, em seu segundo longa, inverte a inversão: o ambiente continental no fundo do mar vem para a superfície continental. Quem depende do oxigênio dissolvido da água, vive em atmosfera livre, como os animais pulmonados. Hillenburg está consciente dessa inversão por sua formação acadêmica. Esse mundo seco pode ser visto em 3D pelos espectadores.
Como sempre, Plakton, o vilão, tenta novamente subtrair a receita de hambúrguer. Ele é o vilão. Até nesse ponto existe humor. Parodiando os filmes apocalípticos, Hillenburg transforma a Fenda de Biquini num mundo futuro e desolado, como em “Mad Max”. A natureza se apodera da casa de Bob Esponja, como em “Eu sou a lenda”. Sandy pira com os cálculos sobre documentos deixados por alguém, como em “Presságio”. Mas, no final, o bem triunfa sobre o mal e toda a turma do nosso herói se confraterniza.
A segunda animação do inteligente criador de Bob Esponja é repleta de referências e metalinguagem, arrancando gargalhadas do público infantil e adolescente, mas se dirigindo aos adultos conhecedores de cinema.
Aqui, a leitora Carla Souza, que não conheço, me pergunta em comentário à postagem da necessária análise da jornalista Cora Rónai (aqui) sobre o 15 de março, se o vídeo da UOL com link enviado por ela representa a lição democrática deixada pela histórica manifestação popular. Não, Carla, certamente não é! Infelizmente, o fascismo espreita dos dois lados. E por todos os lados tem que ser combatido. Ele já havia escoiceado do lado de fora da ABI, no último dia 25 de fevereiro, quando militantes do PT, CUT e MST agrediram a socos e pontapés pedestres críticos ao governo Dilma Rousseff, enquanto do lado de dentro o ex-presidente Lula ameaçava colocar o “exército do Stédile” na rua (aqui). E não é porque a reação a essa ameaça acabou tomando às ruas, que os mesmos desvios de conduta (e caráter) podem ser admitidos, só porque mudaram a cor da camisa.
E logo Dilma, sempre tão atenta a tudo, não percebeu a companhia da Velha Senhora, a corrupção
Por Ricardo Noblat
A corrupção, esta velha senhora que circula por toda parte como disse a presidente Dilma Rousseff…
Não importa que Dilma tenha se limitado a repetir o que ouviu de um assessor inteligente – a imagem da corrupção como uma velha senhora.
Fez bem em usá-la. É uma imagem feliz.
Só não sei por que os coleguinhas não aproveitaram para perguntar a Dilma, em sua versão o mais próxima possível da humildade, se ela, desde que ligou sua vida à Petrobras, nunca se deu conta da presença por ali da velha senhora.
Sim, porque na versão “dona da verdade” ou “a última palavra é minha”, Dilma jamais deixou que alguém se aproximasse da Petrobras sem a sua licença.
Foi assim como ministra das Minas e Energia. Como chefe da Casa Civil da presidência da República. Como presidente do Conselho de Administração da Petrobras. E como presidente da República.
Dilma nomeou Graça Foster presidente da Petrobras para que nem uma folha de papel mudasse de lugar, ali, sem que ela soubesse.
A “velha senhora” fez da Petrobras a sua morada preferencial. Roubou algo como 2 bilhões de reais. E Dilma não se deu conta da presença dela em seus domínios.
É possível?
Possível, é. Mas isso caracteriza negligência, desleixo, irresponsabilidade.
Depenaram uma das maiores empresas do mundo, a maior do Brasil, e dois presidentes da República de um mesmo partido, aliados, portanto, não perceberam.
Contem-me outra!
Por que Dilma não confessa pelo menos que errou?
Está bem: ela não gosta de confissões como disse ontem. Troquemos a palavra.
Por que Dilma não admite pelo menos que errou?
Isso não lhe arrancará nenhum pedaço.
Quantos aos coleguinhas que se deslumbram com o Poder e que temem perder informações se parecerem incômodos…
Jornalista que não incomoda não é jornalista – é assessor.
Charge de Jean Galvão da Folha de São Paulo de ontem (16/03)
Por Antonio Jiménez Barca
Em uma charge publicada nesta segunda-feira na Folha de São Paulo, o cartunista Jean Galvão apresenta a presidenta Dilma Rousseff em um canto escuro do palácio, esmagadoramente sozinha, olhando para uma ampla janela onde se veem as multidões que no domingo protestaram nas ruas contra ela. A presidenta, vestida de vermelho, com expressão de enfado, se limita, impotente, a contar, apontando com o dedo: “Um, dois, três, quatro…” A ilustração reflete razoavelmente bem a atual situação política da presidenta: isolada, só, protegida em sua residência de Brasília e a cada dia com menos apoios com os quais contar.
As centenas de milhares de pessoas que saíram no domingo para protestar em São Paulo e outras cidades brasileiras (alguns estimam um milhão, outros elevam a cifra para dois milhões) entoaram, sobretudo, um slogan claro e categórico (aqui, aqui e aqui): “Fora Dilma”. Indo além dos números, a resposta da população, em sua imensa maioria pertencente à classe média e urbana, foi maciça, contundente e inesperada. Daí que a presidenta brasileira atravesse hoje seu pior momento, com uma popularidade (aqui) que já ia a pique (segundo uma recente pesquisa feita antes do protesto, só 23% consideravam que a gestão de Dilma é boa). Tudo isso, em um tempo recorde de dois meses e meio depois de ter tomado posse de seu segundo mandato.
Os analistas e especialistas observam agora a cada vez mais escassa margem de manobra da presidenta e sua cada vez mais exígua lista de aliados, com exceção do círculo mais próximo de colaboradores e ministros fiéis.
No Partido dos Trabalhadores (PT), ao qual ela pertence, ouvem-se vozes críticas diariamente. O senador Walter Pinheiro, personagem histórico do partido, condenou o Governo por não saber reconhecer os erros e escutar a sociedade.
Não é só ele. Uma parte do partido de Dilma e de Lula critica, de modo geral e já há algum tempo, o fato de a presidenta ter assumido desde o princípio as teorias econômicas do ministro da Fazenda, Joaquim Levy, favoráveis a um ajuste fiscal, à elevação de impostos e à contenção de gastos. Nesta segunda-feira mesmo, Levy insistiu em que não há como recuar: “Se ficarmos com medo, teremos problemas, porque nos paralisamos”.
O PMDB, seu aliado e de ideologia pouco clara, tampouco é um aliado confiável. É verdade que vários de seus membros estão no Governo, incluindo o vice-presidente do país, Michel Temer. Mas a lista divulgada há duas semanas dos implicados na corrupção da Petrobras, na qual constam os nomes dos presidentes da Câmara e do Senado, ambos desse partido, envenenou (aqui) essa relação e semeou minas que podem explodir a qualquer momento (aqui).
O próprio Lula, mentor de Dilma, referência do PT (e da esquerda brasileira), a pessoa que a elegeu para o cargo e que na última e decisiva parte da campanha eleitoral pôs seu carisma e seu cacife eleitoral ao lado da candidatura de Dilma, permanece neste momento ou, por ora, calado e ausente. Desvendar como estão se dando Dilma e Lula é um capítulo interminável da política brasileira contemporânea, já que as relações entre o fundador do PT e a presidenta podem se complicar o tempo todo: personalidades distintas, dois egos poderosos frente a frente, interesses às vezes opostos, falta de confiança em algumas ocasiões, de ambas as partes…
Até agora o PT ganhava nas ruas. Não mais (aqui). O multitudinário protesto do domingo, o mais numeroso na recente democracia brasileira, segundo alguns, com 1 milhão, no mínimo, de manifestantes por todo o Brasil, faz empalidecer a marcha de apoio a Dilma realizada na sexta-feira, com 40.000 participantes (e com o adendo de insultos ao ministro da Fazenda)
Ela falou nesta segunda (aqui), no ‘day after’ aos protestos, mas não parecia falar para todos, como queria fazer supor. Procurou mudar parte dessa fama em entrevista coletiva nesta segunda, quando falou que poderia ter cometido um erro de dosagem na política econômica empregada até o ano passado. “É possível até que a gente possa ter cometido algum”, disse ela, para explicar em seguida que o foco era a melhoria econômica de emprego e de renda. A resposta não parece suficiente para um país em polvorosa, mas para Dilma foi um avanço depois de uma reunião ministerial, em que ouviu dos interlocutores que precisava passar uma mensagem de humildade depois dos protestos. Seus ministros mais próximos, incluindo José Eduardo Cardozo, da Justiça, Aloizio Mercadante, da Casa Civil, e Jacques Wagner, da Defesa, talvez sejam seus únicos companheiros fieis neste momento. Mas, com tantas pontes que ela já desfez até aqui fica a dúvida se a Dilma Rousseff de verdade não se parece cada vez mais com a Dilma Rousseff da charge.