Lula está de “saco cheio” com denúncias de corrupção. E você?

 

 

Jornalista Ricardo Noblat
Jornalista Ricardo Noblat

Lula está de saco cheio. Eu, também!

Por Ricardo Noblat

 

Cuidado! Nada de acreditar no que disseram à Polícia Federal e à Justiça Paulo Roberto Costa, ex-diretor de Abastecimento da Petrobras, e Alberto Youssef, doleiro, sobre o esquema de desvio de R$ 10 bilhões da empresa para beneficiar políticos em geral e alguns partidos em particular – PT, PMDB e PP.

Os dois podem estar mentindo.

Quando comprovada de fato, a verdade deverá ser muito pior. Duvida?

Gaba-se a presidente Dilma Rousseff – e Lula também – da liberdade com que atua a Polícia Federal.

Sempre que se descobre um novo escândalo envolvendo o PT e seus aliados mais fiéis, Dilma corre a exaltar as virtudes republicanas do seu governo e dá a entender que a Polícia Federal só procede assim porque ela deixa. Como se a Polícia Federal fosse um órgão de governo e não de Estado.

Aqui cabem pelo menos duas perguntas.

Se é marca da Era PT o empenho dos governos em colaborar nas investigações de malfeitos por que há sete meses a Polícia Federal tenta ouvir Lula em um processo sobre restos do mensalão e simplesmente não consegue?

Lula está para ser interrogado na condição de eventual testemunha – jamais de réu. Como ex-presidente, escolherá hora e local para depor. Não o faz.

A segunda pergunta: se Dilma repele com veemência a insinuação de que possa não se interessar pelo combate à roubalheira por que então barra qualquer iniciativa das duas CPIs da Petrobras de apurar o que se passou na empresa nos últimos 12 anos?

Só a Polícia Federal pode ser livre? “Eu sou a favor de, doa a quem doer, as pessoas têm que responder pelo que fazem, seja de que partido for”, prega Dilma. Não convence.

Arrisco-me a ser impiedoso com a presidente por entender que o jornalismo não cobra piedade de quem o exerce, mas senso de justiça.

Dilma posa de incorruptível, e deve ser. Nada se conhece que indique o contrário. Quanto a ser conivente com a corrupção…

Ela o é, assim como a maioria dos governantes por toda parte.

Paulo Roberto roubou desde que foi nomeado por Lula diretor da Petrobras. Lula ignorava o que Paulo Roberto fazia por lá a serviço do PP?

O que fazia meia dúzia de diretores nomeados também por ele a pedido do PP, PT e PMDB?

Dois anos antes de se eleger presidente, Dilma convidou Paulo Roberto para o casamento de sua filha. Não sabia que ele era ladrão?

Demitiu-o “a pedido” em 2012. Paulo Roberto deixou a Petrobras cercado de elogios. Dilma desconhecia seu prontuário?

Ora, faça-me o favor!

Na semana passada, Dilma cogitou demitir Sérgio Machado, um economista cearense que há mais de 10 anos preside a Transpetro, subsidiária da Petrobras. Paulo Roberto contou à Justiça que recebeu de Sérgio R$ 500 mil em espécie.

O padrinho de Sérgio é Renan Calheiros (PMDB-AL), presidente do Senado, citado por Paulo Roberto como envolvido com a corrupção na Petrobras. Além de cogitar, o que mais fez Dilma?

De volta de um comício em Maceió, onde ao lado do senador Fernando Collor segurou no microfone para que discursasse Renan Filho, governador de Alagoas, Dilma esbarrou na oposição de Renan, o pai, à demissão de Sérgio. E deixou de cogitá-la.

Para demitir Sérgio seria preciso que Dilma conseguisse o afastamento de João Vaccari Neto do cargo de tesoureiro do PT, argumentou Renan. Vaccari é outro emporcalhado pela lama da Petrobras.

Lula disse que está de “saco cheio” com denúncias de corrupção contra o PT feitas às vésperas de eleições.

Eu também estou.

E você?

 

Publicado aqui, no Blog do Noblat

 

0

Dilma vai esticar mentiras ao máximo. Ou dá certo, ou arrebentam

Dilma e Paulo Roberto Costa

 

 

Jornalista Mary Zaidan
Jornalista Mary Zaidan

Dilma e o PT insistem na mentira

Por Mary Zaidan

 

Não há dinheiro desviado, partido algum recebeu um centavo sequer dos contratos da Petrobras, muito menos o PT. Tudo não passa de ação eleitoreira, da qual o ex Lula está de “saco cheio” e Dilma classifica como “golpe”.

A ordem unida no petismo é bater e rebater esse discurso, acrescido de duras críticas à mídia, responsável pelo “vazamento” das denúncias. Sobre a gravidade delas, nenhum pio.

Diante dos previsíveis danos dos depoimentos do ex-diretor da Petrobras Paulo Roberto Costa e do doleiro Alberto Youssef à campanha da reeleição, o PT e a candidata Dilma Rousseff não tinham saída: usar e abusar da inversão da culpa, tática que eles tão bem dominam – Lula à frente.

Quem conseguiu transformar compradores de um dossiê falso contra José Serra (PSDB-SP) em “aloprados”, mensalão em caixa dois, mensaleiros em “guerreiros do povo brasileiro”, tudo pode.

Quem tem parceiros como Fernando Collor e Renan Calheiros, com os quais a presidente desfilou em campanha em Alagoas, quem se aliou ao clã dos Sarneys e a Paulo Maluf, pode mesmo afirmar que é o maior combatente contra a corrupção, algo que Dilma passou a enfiar em todos os discursos.

Na sexta-feira, em Porto Alegre, ela repisou na tecla: “Somos aqueles que combateram a corrupção doa a quem doer. Um combate duríssimo. Por isso que nós não concordamos com o uso eleitoreiro de processos de investigação que nós começamos.” Referia-se à Polícia Federal, que ela insiste em dizer que ganhou autonomia para investigar a partir dos governos petistas. Ao mesmo tempo, só investiga a seu mando. Algo difícil de destrinchar.

Mas a maior pérola sobre as revelações da roubalheira na Petrobras veio do líder do governo na Câmara, Henrique Fontana (PT-RS), para quem Paulo Roberto Costa, ungido por Lula à Diretoria de Abastecimento e que durante seis anos operou a distribuição farta da propina para o PT e aliados (PMDB e PP), é cabo eleitoral tucano. “Esse diretor é apoiador do Aécio, a delação deixou de ser premiada para se transformar em delação eleitoral”, afirmou, sem corar a face.

Com semelhante desfaçatez, Dilma disse que os adversários “destilam ódio e mentiras”, aos quais assegura que responderá com “esperança e verdade”.

Para tal, teria de iniciar outra campanha. De purgar o ódio.

Teria de pedir perdão pelos comerciais sórdidos veiculados para aniquilar Marina Silva; de parar de entoar a cantilena de que Aécio Neves vai acabar com o Bolsa Família, privatizar a Petrobras, o Banco do Brasil e a Caixa.

Mentira tem pernas curtas, diz o ditado. A campanha de Dilma vai continuar a esticá-las no limite máximo. Ou dá certo, ou arrebentam.

 

Publicado aqui, no Blog do Noblat

 

0

Atribuir grandes votações à ingenuidade é ignorar que sua agenda não é a do povo

fora de foco

 

Jornalista Elio Gaspari
Jornalista Elio Gaspari

Uma agenda fora de foco

Por Elio Gaspari

 

Serão necessários alguns meses para uma melhor análise da eleição parlamentar da semana passada. Mesmo assim, pode-se arriscar o palpite de que, enquanto discutem-se questões do século XXI naquele que seria um Brasil moderno como a Holanda, o eleitorado foi noutra direção, aparentemente conservadora, mas apenas latino-americana.

O deputado mais votado em São Paulo foi Celso Russomanno (PRB, com 1,5 milhão de votos). No Rio de Janeiro, Jair Bolsonaro (PP, com 464 mil votos). No Paraná, Christine Yared (PTN, 200 mil votos). No Rio Grande do Sul, Luiz Carlos Heinze (PP, 162 mil votos). Em Brasília, o coronel da PM Alberto Fraga (DEM, 155 mil votos). Salvo Yared, que não se definiu em relação ao tema, todos condenam o casamento de homossexuais. Bolsonaro e Fraga não são apenas conservadores, refletem um autoritarismo que vem de outras cepas. O rótulo, contudo, é curto para Russomanno. Yared, por exemplo, notabilizou-se lutando pelas vítimas do trânsito. Seu filho foi morto por um motorista.

Um recuo de Marina Silva em relação à união civil de homossexuais tisnou-lhe o encanto da “nova política”. Num país em que os principais candidatos a presidente fogem da discussão sobre o direito das mulheres de abortar (um tema do século XX), fica-se com a impressão de que a legalização da maconha e o reconhecimento dos direitos dos homossexuais estão no topo da agenda nacional. A demarcação das terras indígenas é sem dúvida um tema relevante, mas aceita-se com certa naturalidade que nas terras da periferia das grandes cidades a polícia mate um cidadão e diga que ele era um “suspeito”. A agenda holandesa num país latino-americano provoca uma dissonância: discute-se uma coisa, e o eleitor vota em outra.

No Brasil latino-americano, o cidadão paga impostos e não tem Saúde Pública. Compra o plano privado, não consegue marcar um procedimento contratado, e o Congresso aprova uma anistia para as multas aplicadas às operadoras. (Felizmente, a doutora Dilma vetou esse mimo.) As pessoas morrem no trânsito, e o ministro da Fazenda tenta aliviar a exigência legal de colocação de airbags nos carros novos. Fecha-se a maior faculdade de Medicina privada do país, e ninguém pergunta como a Gama Filho tornou-se um descalabro. Um bandido mata um pai de família, é posto em liberdade, mata outro, e do Judiciário ouve-se que a lei foi cumprida.

Pode-se flertar com uma explicação fácil: Russomanno tem o apoio da Igreja Universal, Yared e Heinze são evangélicos. A bancada dessa denominação cristã cresceu 14%, chegando a 70 deputados, empatando com a do PT. Quem olha para o Templo de Salomão, em São Paulo, e vê nele um monumento à manipulação da fé do andar de baixo converte ignorância em demofobia (frequentemente, são pessoas que dão preferência a evangélicos quando contratam empregados para trabalhar em suas casas.) Há dois anos, Celso Russomanno parecia uma barbada na eleição para a prefeitura de São Paulo. Tem um programa de televisão no qual defende os direitos dos consumidores. Propôs uma tarifa diferenciada para os ônibus (quanto mais tempo o sujeito ficasse no engarrafamento, maior a tarifa). Perdeu 270 mil votos em duas semanas e não chegou ao 2º turno.

Atribuir grandes votações à ingenuidade popular livra a pessoa da necessidade de perceber que sua agenda não é a do povo. O Brasil Maravilha não existe, e a eleição de domingo passado mostrou isso num simples episódio. Em 2006, esse Brasil do futuro entrou na era espacial quando o tenente-coronel Marcos Pontes, da FAB, passou nove dias na órbita da Terra a bordo da nave russa Soyuz. Voltou, foi para a reserva e candidatou-se a deputado federal em São Paulo. Afinal, John Glenn, o primeiro americano a entrar em órbita, elegeu-se senador. O “Astronauta Marcos Pontes”, número 4077 pelo PSB, não se elegeu. Por quê? Porque o Brasil não tem programa espacial, e o povo sabe disso.

 

Publicado aqui, na globo.com
 

0

Marina defende a alternância de poder e declara apoio a Aécio Neves

Terceira colocada na disputa presidencial, Marina Silva (PSB) anunciou hoje seu voto e seu apoio, “como cidadã”, a Aécio Neves. Citada várias por Marina em seu discurso, a carta divulgada ontem, emblematicamente na Recife do falecido Eduardo Campos, na qual o candidato tucano assumiu seu compromisso com a inclusão social e com o desenvolvimento autossustentado, foi fundamental ao posicionamento de Marina, assumido agora há pouco. Ela comparou a necessidade de alternância de poder na presidência nesta eleição em 2014, com o mesmo processo ocorrido no país em 2002, quando Lula (PT) sucedeu dois governos de Fernando Henrique Cardoso (PSDB). Agora, para pôr fim a um “projeto patrimonialista de poder pelo poder”, na visão de Marina, essa alternância no comando do Brasil é novamente necessária, a partir da eleição de Aécio Neves no segundo turno do próximo dia 26.

 

0

Artigo do domingo — O voto pensante em Dilma Rousseff

FHC e Lula panfletando juntos no 1º de maio de 1978, em plena ditadura militar, a favor da democracia
FHC e Lula panfletando juntos no 1º de maio de 1978, em plena ditadura militar, a favor da democracia

 

 

Jornalista Júlia Maria Assis
Jornalista Júlia Maria Assis

O discurso radical da militância e a postura pragmática dos candidatos

Por Júlia Maria Assis

 

Quem acompanhou essa semana na Globo News o debate entre o ministro da Fazenda, Guido Mantega, e o ex-presidente do Banco Central no governo FHC, Armínio Fraga, chega a duas conclusões antagônicas: se por um lado é claro que há diferenças pontuais entre os projetos sociais e econômicos para o país defendidos pelo PT e pelo PSDB, por outro os caminhos a percorrer para manter a inflação sob controle e promover o desenvolvimento não são lá tão distintos assim. As divergências de cada um dos grupos que disputa a vaga no Planalto estão mais no passado recente de transição entre os dois partidos, em 2002, e na forma como encaram a suposta crise mundial do que nas conquistas e retrocessos do presente. Para ambos é preciso corrigir as falhas e seguir em frente. Cada um com seus projetos, ambos com discursos quase convergentes.

A impressão que fica que é esse climão pré-eleitoral cheio de ofensas, informações manipuladas e mentiras — por sinal, absurdamente potencializadas pelo escudo das redes sociais — é exagerado e desnecessário. Quem viveu e/ou tem o mínimo de informação sobre o período obscuro do regime de exceção que massacrou e envergonhou o Brasil sabe que de lá para cá a democracia — ainda cheia de falhas, com a devida mea culpa do eleitorado — foi de fato consolidada. Quem vota em Dilma Rousseff ou deixa de votar justificando seu perfil socialista está anos luz da realidade; o mesmo sobre quem vota ou deixa de votar em Aécio Neves colando nele a imagem da representação de um projeto de direita.

Não há nenhum extremista de esquerda ou de direita na disputa, nenhuma ameaça de fato à democracia, nenhum risco, ao menos severo, de retrocesso para algumas de nossas principais conquistas em relação aos avanços sociais e às liberdades individuais. Há diferenças sim entre PT e PSDB. Mas comparando os discursos, essas diferenças são mais sutis do que alguns defensores raivosos fazem parecer.

É desonesto deixar de creditar ao governo do PSDB a estabilização da economia com o real e o início dos programas de distribuição de renda, por iniciativa de Ruth Cardoso. Como o é negar que o governo do PT consolidou essas conquistas, atuou de forma muito mais positiva no cenário econômico, inclusive destacando internacionalmente o Brasil, e tirou milhões e milhões de brasileiros da linha da pobreza. Mais com Lula que com Dilma, pode até ser, mais ainda assim uma marca petista indiscutível.

É possível ficar ao lado do PT reconhecendo suas falhas. A militância cega e apaixonada é injusta não só com o adversário, mas com o país. Para muitos eleitores petistas o que pesa mais — ainda — é o princípio ideológico da esquerda — se é isso que isso ainda existe. Mas o modelo é de uma esquerda capitalista. Fato. Na outra ponta, o discurso elitista velado do PSDB, apesar de inegável, não é de forma alguma sinônimo de ameaça à democracia. Retrocesso sim, a volta do pesadelo definitivamente não.

No final das contas, quem radicaliza a coisa toda são alguns eleitores do PT e do PSDB. Infinitamente mais que os próprios candidatos, tão pragmáticos e evasivos em seus discursos, porque o que interessa é conquistar os votos de gregos e troianos. Para eles, é o resultado das urnas que importa e pronto.

O fato é que nem Dilma nem Aécio e muito menos as estruturas políticas e econômicas distintas (ou não) que sustentam suas candidaturas estão por aí defendendo nada assustador. É manter o que está bom e melhorar o que não está. Não é uma disputa de Jean Wyllys contra Bolsonaro. Longe disso.

 

Publicado hoje na Folha

 

0

Cara a cara e à vera, porque votar em Aécio Neves

dilma-e-aécio-debate-da-globo

 

 

Escritora Rosiska Darcy de Oliveira
Escritora Rosiska Darcy de Oliveira

Cara a cara

Por Rosiska Darcy de Oliveira

 

Foi cara a cara, longe do país das maravilhas com que o PT bombardeou o Brasil na propaganda eleitoral, que Aécio Neves enfrentou Dilma Rousseff. É possível que esses poucos minutos do último debate na Globo tenham mudado a história do Brasil. A inesperada votação de Aécio não é alheia à maneira como ele quebrou o gesso dos marqueteiros e, descontraído, desestabilizou Dilma, que sobraçava um calhamaço de colas e procurava respostas nos manuais de João Santana.

Foi também no cara a cara que Luciana Genro pôde explicar a Levy Fidelix que a homofobia deveria ser crime pois, se já fosse, ele sairia dali algemado. O contraste entre a intensidade do debate e a propaganda pré-fabricada mostrou o quanto, sendo enganosa, ela distorce a democracia. Moral da história, quanto menos marqueteiro mais verdade, quanto mais verdade mais democracia. O debate cara a cara decidirá a eleição.

Marina não estará lá. Apesar de derrotada, é uma presença incontornável. Se não conseguiu, literalmente do dia para a noite, improvisar uma candidatura à Presidência, se teve que gastar seus parcos minutos na televisão apenas para se defender de ataques, nem por isso deixou de ter plantado suas sementes. Dilma não contará com o seu apoio. Está colhendo os frutos do veneno que sua campanha destilou.

Se Marina apoiar Aécio, levará consigo um pacote de compromissos que, metabolizados, trarão frescor e audácia à sua plataforma, a exemplo da escola de tempo integral e da diversificação das fontes energéticas. O voto de 22 milhões de brasileiros já inscreveu o ideário da sustentabilidade na agenda do país.

Aécio e Dilma estão, agora, cara a cara. A candidata do PT não poderá continuar a se referir a vagos malfeitos quando questionada sobre crimes como o assalto à Petrobras. Os depoimentos de Paulo Roberto Costa e do doleiro Youssef puxam o fio de uma meada que enreda e vai estrangular o projeto do PT de se eternizar no poder. A corrupção desvelou a face perversa de um partido que, infiltrado no Estado até a medula, confundiu-se com ele e instaurou a comunhão de bens. A candidatura petista continuará a ser assombrada pelo que sussurram os delatores, diretores de empresas e doleiros, nos gabinetes do Ministério Público.

Um partido que se quis exemplar jogou na roleta da corrupção seu capital ético, do qual nada sobrou. Vive dos dividendos de suas políticas sociais de transferência de renda, um capital político investido, muito justamente, nos mais pobres, que ainda são tantos e precisam do governo para progredir.

Há um contraste no país entre os polos mais avançados e escolarizados e aqueles mais dependentes de políticas assistenciais. Esses, concentrados nas regiões Norte e Nordeste, ou espalhados pelo país em bolsões de pobreza, graças às políticas que lhes trouxeram alento, deram um respeitável lastro de votos a Dilma. Os outros, com maior autonomia, exigem mais serviços e de melhor qualidade. São os 60% que votaram pela mudança. O mapa eleitoral conta a história desses Brasis diversos que, ambos, movem-se, felizmente, numa trajetória constante de melhoria que vem de duas décadas e que só tende a se acelerar.

É cara a cara que o PT deverá ouvir que mente quando só fala dos seus sucessos, não aceita críticas e desqualifica os adversários. A mentira está inscrita no autoritarismo dos que falam em nome do povo, arvoram-se em seus defensores enquanto se autoabsolvem de crimes comuns como o desvio de dinheiro público. A mentira foi, desde que o PT assumiu o poder, um instrumento de governo.

O PT mente quando quer controlar a mídia porque a teme — e a teme porque ela diz que ele mente — mas diz que o faz porque ela é “parcial” ou “vendida”. Parcial é o jornalista que discorda do seu modo de governar ou investiga suas transações.

Quer controlar a sociedade, porque a teme — e a teme porque ela aprendeu, por si mesma, a cobrar direitos — mas diz que quer “incentivá-la” a participar em conselhos que seu governo nomearia. Sabe o que é bom para a sociedade e quem deve representá-la. Não admite que a sociedade é múltipla, dinâmica e, exatamente porque mais informada, rebelde aos controles e censuras. Já é participativa, não precisa de “incentivos”, como mostraram as manifestações de rua e como mostra, nas esquinas virtuais, o efervescente interesse pelas eleições.

Escolher entre Dilma e Aécio não é uma escolha entre pessoas. É uma escolha da sociedade em que queremos viver. Ao autoritarismo retrógrado do PT, prefiro os desafios e o ar fresco de uma sociedade aberta.

 

Publicado aqui, na globo.com

 

 

0

Dilma diz que revelação de denúncias de corrupção na Petrobras é golpe

Info Petrobras

Por Estêvão Pires

A presidente Dilma Roussef, candidata do PT à reeleição, afirmou nesta sexta-feira (10) durante discurso em Canoas, na região metropolitana de Porto Alegre, que existe uma tentativa da oposição de “dar um golpe” às vésperas da eleição. A declaração foi dada um dia após o ex-diretor das Petrobras Paulo Roberto Costa informar à Justiça sobre suposto esquema de propina repassada a PT, PMDB e PP por meio de contratos da Petrobras.

Ao se referir aos governos anteriores ao do PT, a presidente disse ter havido um “aparelhamento” da Polícia Federal, responsável por investigações em âmbito federal. “Eles  jamais investigaram, jamais puniram, jamais procuraram acabar com esse crime horrível, que é o crime da corrupção. Agora, na véspera eleitoral , sempre querem dar um golpe. Estão dando um golpe. [Com] Esse golpe, nós não podemos concordar”, disse.

“Eles aparelharam a Política Federal, por isso a Polícia Federal investigou pouco [em governos anteriores], descobriu pouco, prendeu pouco, e julgou pouco o Judiciário em relação a políticos corruptos e corruptores”, declarou. “A  Polícia Federal, ela passou a ser o órgão de investigação a  partir dos nossos governos”, completou.

Nesta quarta-feira (8), o ex-diretor de Refino e Abastecimento da Petrobras Paulo Roberto Costa, preso em regime domiciliar no Rio, afirmou em depoimento à Justiça Federal do Paraná, que parte da propina cobrada de fornecedores da estatal era direcionada para atender a PT, PMDB e PP, e foi usada na campanha eleitoral de 2010. O doleiro Alberto Youssef também deu depoimento à Justiça na quarta e disse que o ex-presidente Lula teve de ceder à pressão de agentes políticos para nomear Paulo Roberto Costa.

O presidente nacional do PT, Rui Falcão, divulgou nota na quinta-feira na qual diz repudiar “com veemência e indignação” as declarações “caluniosas” do ex-diretor da Petrobras Paulo Roberto Costa. “O PT desmente a totalidade das ilações de que o partido teria recebido repasses financeiros originados de contratos com a Petrobras”, diz a nota.

O PMDB e o PP informaram que não vão se manifestar. Em nota, a Petrobras  afirmou ser “vítima” do processo que investiga o suposto esquema de pagamento de propina que envolve áreas da estatal.

 

Aécio Neves

Mais cedo, em entrevista coletiva no Palácio do Alvorada, Dilma Rousseff classificou de “muito estranho e muito estarrecedor” o fato de o teor dos depoimentos de Costa e Youssef terem sido divulgados para a imprensa durante o processo eleitoral. Ela disse considerar “incorreto divulgar parcialmente” o conteúdo dos depoimentos em plena campanha.

O candidato do PSDB à Presidência, Aécio Neves, criticou nesta sexta o posicionamento de Dilma sobre o fato de o teor dos depoimentos à Justiça Federal  terem sido divulgados para a imprensa durante o processo eleitoral.

“Nesta sexta ficou clara a diferença de posição entre a candidata e a presidente, que disse ser estarrecedor o vazamento dos depoimentos dos envolvidos do petrolão. Considero estarrecedor os depoimentos, esses crimes que foram cometidos de forma contínua. Assaltaram a maior empresa brasileira nas barbas desse governo, sem reação desse governo”, disse Aécio.

 

“Engavetador”

Em Canoas, sem se referir diretamente às denúncias relacionadas à Petrobras, Dilma afirmou fazer “combate durríssimo” à corrupção. “Nós somos aqueles  que combateram a corrupção, doa a quem doer. Um combate  duríssimo. Por isso que nós não concordamos  com o uso eleitoreiro do processo de investigação que nós começamos, que nós fizemos e nos envolvemos”, disse

Dilma também voltou a criticar o papel da Procuradoria-Geral da República no governo do PSDB. “Tem uma pessoa que é o procurador-geral da República. Ele é quem tem o poder de mandar investigar, mandar o processo pra frente e fazer com que os crimes sejam punidos. O que acontecia com este senhor que apelidaram de engavetador? Ele engavetava”, disse.

 

Publicado aqui, no G1

 

0

Política, a mais nefasta das paixões

desencontro

 

 

Jornalista Nelson Motta
Jornalista Nelson Motta

A arte do desencontro

Por Nelson Motta

 

Comecei no jornalismo em 1967, com 22 anos, sem diploma, como estagiário do “Jornal do Brasil”, onde trabalhei por um ano como repórter de arte e cultura, até ser chamado por Samuel Wainer para assinar uma coluna diária sobre juventude na “Ultima Hora”. Era muito poder para um jovem apaixonado por música, cinema e política, mas desde o início, por meu temperamento tolerante e contrariando o espírito jornalístico tradicional, decidi que nunca perderia um amigo para não perder uma notícia.

Deu certo, em quase 50 anos de jornalismo só fui ganhando amigos, e eles sempre me deram em primeira mão as melhores notícias… rsrs

Depois da redemocratização também decidi que jamais perderia um amigo por causa de política. Nem os que apoiaram Collor quando fiz campanha para Mário Covas. Acho que a vida é tecida por relações entre pessoas, indivíduos diferentes, e, como dizia Vinicius de Moraes, “é a arte do encontro — embora haja tanto desencontro pela vida”.

As próximas semanas serão de sangue, suor e lágrimas entre os candidatos e seus partidos, num vale-tudo no rádio, televisão, jornais e internet, que pode ter consequências desastrosas para vencedores e vencidos, rachando o país. Com essa ameaça, é preciso ser muito burro para chegar a romper amizades por paixão política — a mais nefasta de todas as paixões, que faz heróis de ontem vilões de amanhã, e do “nós” de hoje o “eles” de ontem.

A menos que alguém esteja defendendo um candidato ou partido em causa própria, porque depende deles — quando qualquer discussão é inútil — todas as outras são possíveis, desde que não se atribua ao outro falhas de caráter, intenções malignas ou interesses escusos por defender seu candidato. Isso não é política, é estupidez.

Pode até parecer ingenuidade, mas é só o óbvio ululante: se o PT reconhecesse as conquistas econômicas dos governos FH, e o PSDB o resultado de programas sociais petistas, e seguissem adiante, já seria uma grande economia de tempo (e de lama ) para começar a discutir o que realmente interessa: como crescer e distribuir renda, com melhores serviços públicos e menos impostos.

 

Publicado aqui, na globo.com

 

0

Entra eleição, sai eleição, e o PT permanece na berlinda mergulhado em lama

Dilma e Lula1

 

Jornalista Ricardo Noblat
Jornalista Ricardo Noblat

Mais um escândalo abala a República e, como no caso do mensalão, Lula nada sabia. Nem Dilma

Por Ricardo Noblat

 

No caso do mensalão, nenhum dos acusados disse à Justiça que Lula sabia da existência do esquema de pagamento de propinas a deputados federais para que votassem no Congresso como o governo mandava.

Com o processo adiantado, e tendo perdido a esperança de ser salvo pelo PT, o ex-publicitário Marcos Valério, um dos operadores do mensalão, afirmou que Lula sabia, sim, da existência do esquema.

Mas já era tarde. De resto, Valério não apresentou sequer indícios convincentes para sustentar o que dizia. A Justiça também não se mostrou interessada em investigar a participação de Lula no escândalo.

No caso da roubalheira na Petrobras para financiar políticos e partidos, Paulo Roberto Costa, ex-diretor de Abastecimento da empresa, e o doleiro Alberto Youssef revelaram indiretamente que Lula sabia de tudo. Ou de quase tudo.

Lula cedeu à pressão de políticos para entregar-lhes diretorias da Petrobras, segundo Paulo Roberto. Foi assim que ele, por indicação do PP, acabou na diretoria de Abastecimento. Lula chamava Paulo Roberto de Paulinho.

Algum ingênuo poderá alegar que Lula jamais imaginou que Paulo Roberto ou qualquer outro diretor patrocinado por partidos teria como uma de suas missões roubar e deixar que roubassem. Santa ingenuidade.

O que ambiciona um partido ao emplacar um ocupante de cargo na administração pública? Conseguir por meio de ele colaborar com o presidente da República? Provar que dispõe de bons quadrados? Empregar alguém?

Na melhor das hipóteses, na mais sadia das hipóteses, contar com alguém no governo para arrancar de fornecedores doações capazes de fazer face a despesas de campanhas. O famoso Caixa 2.

É possível que Paulo Roberto e Yousseff tenham mentido à Justiça. Provável, porém, não é. Os dois querem escapar de condenações pesadas. Sabem que se mentirem, a delação premiada irá para o buraco. Não são suicidas.

Quanto a Lula… Preferiu não comentar nada. Apenas se disse de “saco cheio” com esse tipo de denúncia. Compreensível. Entra eleição, sai eleição, e o PT permanece na berlinda mergulhado em lama.

Quanto a Dilma… Ela não sabe de nada. Ela nunca soube de nada. Como gestora, a se acreditar em Lula, sempre foi uma gestora exemplar. Nem por isso bem informada sobre o que acontecia ao seu redor.

 

Publicado aqui, no Blog do Noblat

 

0

Segundo turno naquilo que o Planalto mais temia: corrupção e economia

Vaca da corrupção

 

Economista Rogério Furquim Werneck
Economista Rogério Furquim Werneck

Embate em torno da corrupção e da economia

Por Rogério Furquim Werneck

 

Era o que PT mais temia. O embate do segundo turno da eleição presidencial deverá ser travado em torno de dois temas espinhosos, que o Planalto vinha tentando evitar a todo custo: a corrupção e o desempenho da economia. No domingo, mal finda a apuração, o ex-presidente Lula foi o primeiro a reconhecer que essa será a temática dominante do segundo turno. Quanto a isso, o PT já não alimenta ilusões.

Nas denúncias de corrupção, o foco da oposição deverá estar centrado nas irregularidades que vêm aflorando na Petrobras. Os primeiros resultados das investigações em curso já causaram sérios danos ao projeto da reeleição. Mas o pior é que tudo indica que ainda há muito mais por aflorar, na esteira dos depoimentos do ex-diretor da Petrobras Paulo Roberto Costa, feitos no quadro de um acordo de delação premiada.

Ao asseverar que, como presidente do Conselho de Administração da Petrobras, jamais tomou conhecimento de qualquer irregularidade, durante a longa permanência de Paulo Roberto Costa na diretoria da empresa, a presidente Dilma teve de incorrer em grande desgaste adicional da sua já erodida imagem de administradora competente e diligente, tão habilmente vendida ao eleitorado na campanha de 2010.

A apreensão do governo com os depoimentos de Paulo Roberto Costa aumentou muito, desde que o ministro Teori Zavascki os considerou suficientemente plausíveis e promissores para que fosse homologado o acordo de delação premiada oferecido ao ex-diretor da empresa. Especialmente importante para a homologação foi o fato de tais depoimentos mencionarem nada menos que 32 parlamentares potencialmente envolvidos, com direito a foro especial no Supremo Tribunal Federal. Na quarta-feira, Paulo Roberto Costa revelou que parte dos recursos desviados bancou gastos de campanha em 2010.

Há indagações básicas sobre o faraônico projeto da Refinaria Abreu e Lima que, dificilmente, poderão continuar sem resposta no segundo turno. Uma questão crucial, que precisa ser elucidada, é como exatamente a decisão de ir em frente com o projeto da refinaria foi imposta pelo Planalto à Petrobras, mesmo depois de ter seu corpo técnico alertado que o estudo de viabilidade econômico-financeira indicava que a decisão seria lesiva à empresa, como mostra matéria publicada no GLOBO em 23 de junho.

Dilma tem plena consciência de que está fadada a enfrentar sérias dificuldades no embate em torno das irregularidades que afloraram na Petrobras. Mas também sabe que o outro tema que deverá dominar o segundo turno tampouco lhe será fácil.

No embate sobre o desastroso desempenho da economia nos últimos quatro anos, Dilma entra de mãos vazias. Afora o desemprego ainda baixo, tem pouco ou nada a mostrar, como bem ilustram os dados deste final de mandato: taxa de juros mais alta do que no início do governo, preços de energia represados, inflação de 6,75%, bem acima do teto de tolerância da meta, resultado primário tendendo a zero, contas externas seriamente desequilibradas e economia estagnada.

Diante dessa penúria de resultados apresentáveis, o melhor que a campanha de Dilma conseguiu urdir foi uma mistificação e um truque. De um lado, a candidata insiste em atribuir o fiasco a um suposto agravamento da crise econômica mundial. De outro, tenta camuflar o desastre dos últimos quatro anos, diluindo-o nos oito anos do período Lula. A ideia é vender ao eleitor um pacote fechado de “12 anos de governo petista”, ainda que, da perspectiva da condução da política macroeconômica, esse “três em um” encerre mandatos presidenciais muito distintos.

No primeiro mandato, Lula seguiu de perto a política que vinha sendo adotada por FH. No segundo, coadjuvado por Dilma Rousseff, embarcou na aventura charlatanesca da “nova matriz macroeconômica”, cujos frutos amargos estão sendo agora colhidos nesse terceiro mandato. Não obstante todo o esforço de camuflagem do desastroso desempenho da economia dos últimos quatro anos, é na denúncia dessa colheita amarga que a oposição deverá centrar fogo no segundo turno.

 

Publicado aqui, na globo.com

 

0

Ponto final — Aécio larga na frente em pesquisas que o deixaram para trás

Ponto final

 

Aécio sai na frente

Se a primeira consulta ao segundo turno presidencial, divulgada (aqui) na quinta pela revista Época, foi muito questionado por ter sido encomendada ao desconhecido instituto Paraná Pesquisas, a dianteira de Aécio Neves (PSDB) nela revelada acabou confirmada ontem, nas amostragens do Datafolha e Ibope (aqui). Bem verdade que a vantagem isolada do tucano sobre a presidente na primeira pesquisa, com 54% a 46% dos votos úteis, se revelou um empate técnico nas duas amostragens de ontem, com ligeira vantagem de 51% a 49% a favor de Aécio.

 

Erros nas pesquisas

Por certo, as últimas pesquisas cometeram erros grosseiros. Na disputa do primeiro turno ao governo do Rio, a consulta na boca de urna do Ibope (aqui) deu 34% para Luiz Fernando Pezão (PMDB), 28% para Anthony Garotinho (PR) e 18%, para Marcelo Crivella (PRB). Depois dos votos computados, Pezão teve 40,57%, quase seis pontos percentuais a mais, enquanto Garotinho, com 19,3%, ficou quase 10 pontos abaixo da projeção. O único dentro da margem de erro foi Crivella, que ganhou acesso ao segundo turno com 20,26%, além do político da Lapa como seu novo cabo eleitoral.

 

Delírio de olhos abertos

Dados a teorias da conspiração, na qual enxergam tentativa de golpe numa imprensa que cumpre seu direito constitucional de noticiar os casos de corrupção nos governos Lula e Dilma, como o Mensalão ou os mais recentes desvios bilionários da Petrobras, muitos petistas certamente enxergarão manipulação nessas primeiras pesquisas do segundo turno. Pode ser da imprensa golpista, dazelite, do mercado financeiro, da CIA, ou da soma de todos. Afinal, como não se deve acordar sonâmbulo, tampouco é aconselhável se chamar bruscamente à realidade quem delira de olhos abertos.

 

Erros a favor de Dilma

Entretanto, para quem é capaz de somar dois mais dois e achar o quatro ao final, a verdade é que Datafolha e Ibope realmente erraram em suas últimas pesquisas no primeiro turno (aqui). Só que a favor de Dilma e em gritante desfavor a Aécio. Entre os dois, o Datafolha deu  44% a 26% a para a presidente, enquanto o Ibope deu a ela a vantagem de 46% a 27%. Já as urnas deram a Dilma 41,59%, menos do que as duas pesquisas, mas dentro da margem de erro de dois pontos para mais ou menos. Por sua vez, Aécio ficou com 33,35%, sete pontos a mais do que lhe deu o Datafolha e seis acima do Ibope.

 

Os tiros e a culatra

Envolvido até o pescoço no escândalo da Petrobras (aqui), com o que foi revelado no depoimento do seu ex-diretor Paulo Roberto Costa e do doleiro Alberto Youssef, o PT, assim como PMDB e PP, foi diretamente acusado de usar dinheiro desviado da estatal para financiar a campanha eleitoral de 2010, quando Dilma se elegeu presidente. Insistir em responder a isso com a tentativa de dividir o Brasil entre ricos e pobres, esquerda e direita, sulistas e nordestinos, depois do massacre covarde perpetrado contra a ex-petista Marina Silva (PSB), pode acelerar ainda mais a corrosão da culatra na hora do tiro.

 

Publicado hoje da Folha

 

0

Ibope e Datafolha: Aécio lidera em empate técnico de 46% a 44% com Dilma

Ibope Aécio x Dilma

 

Pesquisa Ibope divulgada nesta quinta-feira (9) aponta os seguintes percentuais de intenção de voto no segundo turno da corrida para a Presidência da República:
– Aécio Neves (PSDB): 46%
– Dilma Rousseff (PT): 44%
– Branco/nulo/nenhum: 6%
– Não sabe: 4%

A pesquisa foi encomendada pela TV Globo e pelo jornal “O Estado de S. Paulo”.

Na margem de erro, os candidatos estão empatados tecnicamente. É o primeiro levantamento divulgado pelo instituto no segundo turno da eleição presidencial.

Votos válidos

Se forem excluídos os votos brancos e nulos e dos eleitores que se declaram indecisos, mesmo procedimento utilizado pela Justiça Eleitoral para divulgar o resultado oficial da eleição, os índices são:
Aécio – 51%
Dilma – 49%

Na margem de erro, os candidatos estão empatados tecnicamente.

O Ibope ouviu 3.010 eleitores em 205 municípios de 7 e 8 de outubro. A margem de erro é de dois pontos percentuais, para mais ou para menos. O nível de confiança é de 95%, o que quer dizer que, se levarmos em conta a margem de erro de dois pontos, a probabilidade de o resultado retratar a realidade é de 95%. A pesquisa foi registrada no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) sob o protocolo BR-01071/014.

1º turno
No primeiro turno, Dilma teve 41,59% dos votos válidos e Aécio, 33,55% (veja os números completos da apuração no país).

 

Info Aécio x Dilma Datafolha

 

Pesquisa Datafolha divulgada nesta quinta-feira (9) aponta os seguintes percentuais de intenção de voto no segundo turno da corrida para a Presidência da República:

– Aécio Neves (PSDB): 46%
– Dilma Rousseff (PT): 44%
– Branco/nulo: 4%
– Não sabe/não respondeu: 6%

A pesquisa foi encomendada pela TV Globo e pelo jornal “Folha de S.Paulo”.

Na margem de erro, os candidatos estão empatados tecnicamente. É o primeiro levantamento divulgado pelo instituto no segundo turno da eleição presidencial.

Votos válidos
Se forem excluídos os votos brancos e nulos e dos eleitores que se declaram indecisos, mesmo procedimento utilizado pela Justiça Eleitoral para divulgar o resultado oficial da eleição, os índices são:
Aécio – 51%
Dilma – 49%

Na margem de erro, os candidatos estão empatados tecnicamente.

Datafolha ouviu 2.879 eleitores nos dias 8 e 9 de outubro. A margem de erro é de dois pontos percentuais para mais ou para menos. O nível de confiança é de 95%. Isso significa que, se forem realizados 100 levantamentos, em 95 deles os resultados estariam dentro da margem de erro de dois pontos prevista. A pesquisa está registrada no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) sob o número BR-01068/2014.

1º turno
No primeiro turno, Dilma teve 41,59% dos votos válidos e Aécio, 33,55% (veja os números completos da apuração no país).

 

Publicado aqui, no G1

 

Atualização às 20h57: a Folha Online, em resumo do jornalista Arnaldo Neto, foi a primeira na planície goitacá virtual a publicar aqui as duas novas pesquisas, depois resumidas nesta mesmo postagem.

 

0