Conforme dito ontem nesta coluna (aqui), tudo indica que após um consistente crescimento eleitoral em setembro, no qual ultrapassou Anthony Garotinho (PR), Luiz Fernando Pezão (PMDB) finalmente bateu seu teto a poucos dias de 5 outubro. Se havia repetido os 31% no primeiro turno, nas últimas pesquisa Ibope e nas duas Datafolha, o governador teve uma baixa mínima, chegando aos 30% na mais nova pesquisa do segundo instituto, divulgada ontem (aqui) e primeira feita após o debate da Globo, de terça.
Como a margem de erro do Datafolha é de três pontos para mais ou menos, não se pode nem afirmar que Pezão teve uma queda. A lógica vale até para Garotinho, que alcançou o limite da margem de erro para configurar outro desabamento, no qual minguou suas intenções de voto de 24% a 21%. Em empate técnico com o político da Lapa, Marcelo Crivella (PRB) poderia ameaçá-lo mais se crescesse, mas manteve os mesmos 17% das duas Datafolha anteriores, enquanto Lindberg Farias (PT) cresceu de 11% para 13%, mas já não ameaça ninguém.
Na verdade, a grande surpresa dessa primeira pesquisa após o sucesso de audiência do debate da Globo, acusada de porta-voz dazelite pelo maniqueísmo petista, foi o candidato de um partido à esquerda do PT. Como o Christiano Abreu Barbosa adiantou na quarta em seu blog “Ponto de vista” (aqui), e ontem na Folha, o grande vencedor do debate foi Tarcísio Motta, do Psol. Se Christiano deu-lhe nota 9 pela atuação de terça, Tarcísio depois dela subiu de 3% para 6%, num impressionante crescimento de 100%.
Todavia, nada altera a projeção lógica do segundo turno entre Pezão e Garotinho. Nele, segundo o Datafolha, o governador cresceu dois pontos e ficaria com 52%, enquanto o deputado perdeu três, quedando aos 30%. E nem que a bandidagem carioca toda se assanhe contra a manutenção da política das UPPs, daqui até 26 de outubro, nada indica que essa diferença abissal de 22 pontos entre os dois candidatos possa ser revertida. Com 48%, a rejeição de Garotinho parece vestir colete à prova de bala.
Qualquer atleta de competição vai afirmar que, muito além do talento, está no planejamento de cada um a principal distinção entre os vencedores e os derrotados no final. Por melhor que qualquer um seja, em qualquer atividade, ninguém consegue permanecer no seu auge durante muito tempo. O segredo é se preparar para atingir o pico da curva ascendente justamente no momento da decisão, antes de se abrir a inevitável curva do descenso.
Desde que começou seu sprint na reta final do primeiro turno, antes mesmo de ultrapassar Anthony Garotinho (PR), o governador Luiz Fernando Pezão (PMDB) ainda não havia conhecido seu teto nas pesquisas. Ao que tudo indica, ele finalmente bateu a cabeça lá, ao repetir os 31% de intenções de voto tanto na última pesquisa Ibope, quanto nas duas últimas Datafolha, como evidencia a mais recente delas na capa e na página 2 desta edição (aqui), em matéria do jornalista Arnaldo Neto.
Ninguém deixa para alcançar seu auge eleitoral na semana da eleição por acaso. No lado oposto da moeda, como evidencia a necessária análise do Christiano Abreu Barbosa (aqui) também na página 2, sobre o sucesso de audiência do debate da Globo da noite de terça, último no primeiro turno entre os candidatos a governador do Rio, tampouco foi coincidência que Garotinho tenha chegado a ele bem pior nas pesquisas do que já esteve, isolado por todos os demais e falando quase sozinho.
Pesquisa Datafolha divulgada nesta quarta-feira mostra que o governador do Rio, Luiz Fernando Pezão (PMDB), mantém a liderança nas intenções de voto na disputa pelo governo do Estado do Rio. Segundo o levantamento, o peemedebista tem 31% da preferência dos eleitores, repetindo o mesmo índice registrado na semana passada.
Em relação à pesquisa anterior, realizada entre os dias 25 e 26 de setembro, Garotinho (PR) subiu um ponto e agora tem 24% das intenções de voto. Marcelo Crivella (PRB) manteve 17%, enquanto o petista Lindbergh Farias caiu um ponto, passando de 12% para 11%. Votos em branco e nulos somam 9%. Entre os entrevistados, 4% disseram que não sabem em quem vão votar.
Na simulação de um provável segundo turno entre Pezão e Garotinho, o peemedebista tem 50% das intenções de voto, contra 33% do candidato do PR, o que mostra uma queda de sete pontos percentuais entre os candidatos em relação à última pesquisa, quando os dois tinham 54% e 30%, respectivamente. Em um eventual segundo turno entre Pezão e Crivella, o governador teria 47% e o senador, 37%.
O instituto também apontou a rejeição dos candidatos. Garotinho continua com o maior índice (47%), seguido por Lindberg (20%), Pezão (19%) e Crivella (15%),
O Datafolha ouviu 1.522 eleitores entre os dias 29 e 30 de setembro em 36 municípios. A margem de erro é de três pontos percentuais, para mais ou para menos. A pesquisa, encomendada pelo jornal “Folha de S.Paulo” e pela TV Globo, está registrada registrada no TSE sob o nº RJ-00050/2014 e BR-00905/2014.
Para falar de intolerância, Millôr Fernandes usava o futebol e dizia que só haveria democracia verdadeira no dia em que os vascaínos pudessem torcer para seu time no meio dos flamenguistas, e vice-versa. Se tivesse tido tempo de assistir à atual campanha presidencial, não precisaria buscar exemplo no esporte. A diferença é que a política tem sempre o pretexto de uma causa nobre: o bem do país. Pode-se alegar que sempre foi assim e que há precedentes piores, com as disputas partidárias levando a atentados, crimes e até a suicídio de presidente. Mas acreditava-se que a situação inédita de agora, com duas damas dignas e ainda por cima ex-companheiras de partido e de governo, permitiria uma disputa de alto nível, mais civilizada, com mais respeito mútuo. Que nada. Os debates se transformaram em embates; as críticas em denúncias; as discordâncias em acusações.
Não por acaso têm estado tão presentes no noticiário e nos comentários políticos a linguagem bélica e as metáforas de guerra como “tiroteio”, “batalha”, “alvo”, “bombardeio”, “ataques”. E a previsão é que piore nessa reta final da propaganda gratuita, quando, segundo Ricardo Noblat, “Dilma, Lula e o PT continuarão com gosto de sangue na boca contra Marina”. Outro comentarista, Josias de Souza, para descrever o debate na TV Record, preferiu a comparação com uma violenta luta de boxe, “na qual Marina Silva entrou com a cara. Dilma esmurrou-a e Aécio Neves desfechou-lhe um par de jabs”. Isso lembra o que pensa João Santana sobre eleições: “São um combate quase sangrento”, onde, pode-se acrescentar, não há muito lugar para escrúpulos éticos. Consultor do PT, ele é considerado um gênio do marketing político. Já conseguiu comandar três vitoriosas campanhas ao mesmo tempo: de Danilo Medina, na República Dominicana; de Hugo Chávez, na Venezuela; e de José Eduardo dos Santos, em Angola. Pertence, portanto, ao rico time de craques que o Brasil hoje exporta e que são responsáveis pela construção e venda da imagem dos candidatos, que, às vezes, se limitam a interpretar papéis preestabelecidos por eles, os estrategistas, aos quais interessa mais a forma que o conteúdo.
A Santana é atribuída a virada radical, o endurecimento de estilo da candidata do PT. Nada de Dilminha paz e amor. Tratado como um deus marqueteiro, ele, no entanto, pode não ser infalível. Em abril, disse à revista “Época”: “A Dilma vai ganhar no primeiro turno porque ocorrerá uma antropofagia de anões. Eles vão se comer lá embaixo e ela, sobranceira, vai planar no Olimpo.” É possível que o mágico acerte mais uma vez, mas não como esperava. Pelo menos um anão, ou melhor, uma anã, está dando mais trabalho do que o previsto, sendo alvo dos dois gigantes.
Nenhuma análise das últimas pesquisas ao governo do Rio será capaz de projetar algo diferente da vitória de Luiz Fernando Pezão (PMDB) no primeiro e no segundo turno, provavelmente contra Anthony Garotinho (PR). Na nova consulta Ibope divulgada ontem, enquanto Pezão cresceu de 29% para 31%, Garotinho perdeu os mesmos dois pontos, caindo de 26% para 24%. Com dois pontos também na margem de erro para mais ou menos, o governador se isolou de vez na liderança, a quatro dias do pleito.
Com Marcelo Crivella (PRB) caindo de 17% a 16%, a amostragem indicou claramente o segundo turno entre Pezão e Garotinho, vencido pelo primeiro por 46% a 31%. Esta larga vantagem de 15 pontos se deve à grande rejeição do segundo, que impede a transferência de voto. Pelo Ibope, Garotinho tinha 39% e chegou aos 40% de eleitores que não votariam nele em nenhuma circunstância, depois de já ter batido incríveis 49% no índice pelo Datafolha. Pezão, nos dois institutos, tem apenas 16% de rejeição.
Vociferar contra os institutos de pesquisas, dizendo que estão comprados por Pezão, por Cabral, pela Globo, pelos poderosos, ou qualquer outro algoz imaginário, tem o mesmo valor de quem atira pedra no espelho pelo reflexo da própria imagem. Se muda alguma coisa, é para pior, ao aumentar a rejeição sempre natural ao mau perdedor. À luz da razão, a hora é de respirar e tentar conter os danos nas nominatas e a debandada antes da palavra final das urnas.
O que acontecerá com o Brasil se a Dilma for eleita?
Aqui vai a lista:
A catástrofe anunciada vai chegar pelo desejo teimoso de governar um país capitalista com métodos “socialistas”. Os “meios” errados nos levarão a “fins” errados. Como não haverá outra “reeleição”, o PT no governo vai adotar medidas bolivarianas tropicais, na “linha justa” de Venezuela, Argentina e outros.
Dilma já diz que vai controlar a mídia, economicamente, como faz a Cristina na Argentina. Quando o programa do PT diz: “Combater o monopólio dos meios eletrônicos de informação, cultura e entretenimento”, leia-se, como um velho petista deixou escapar: “Eliminar o esterco da cultura internacional e a “irresponsabilidade “da mídia conservadora”. Poderão enfim pôr em prática a velha frase de Stalin: “As ideias são mais poderosas do que as armas. Nós não permitimos que nossos inimigos tenham armas, por que deveríamos permitir que tenham ideias?”
As agências reguladoras serão mais esvaziadas do que já foram para o governo PT ter mais controle sobre a vida do país. Também para “controlar”, serão criados os “conselhos” de consulta direta à população, disfarce de “sovietes” como na Rússia de Stálin.
O inútil Mercosul continuará dominado pela ideologia bolivariana e “cristiniana”. Continuaremos a evitar acordos bilaterais, a não ser com países irrelevantes (do “terceiro mundo”) como tarefa para o emasculado Itamaraty, hoje controlado pelo assessor internacional de Dilma, Marco Aurélio Garcia. Ou seja, continuaremos a ser um “anão diplomático” irrelevante, como muito acertadamente nos apelidou o Ministério do Exterior de Israel.
Continuaremos a “defender” o Estado Islâmico e outros terroristas do “terceiro mundo”, porque afinal eles são contra os Estados Unidos, “inimigo principal” dos bolcheviques que amavam o Bush e tratam o grande Obama como um “neguinho pernóstico”.
Os governos estaduais de oposição serão boicotados sistematicamente, receberão poucas verbas, como aconteceu em São Paulo.
Junto ao “patrimonialismo de Estado”, os velhos caciques do “patrimonialismo privado” ficarão babando de felicidade, como Sarney, Renan “et caterva” voltarão de mãos dadas com Dilma e sua turminha de brizolistas e bolcheviques.
Os gastos públicos jamais serão cortados, e aumentarão muito, como já formulou a presidenta.
O Banco Central vai virar um tamborete usado pela Dilma, como ela também já declarou: “Como deixar independente o BC?”
A inflação vai continuar crescendo, pois eles não ligam para a “inflação neoliberal”.
Quanto aos crimes de corrupção e até a morte de Celso Daniel serão ignorados, pois, como afirma o PT, são “meias verdades e mentiras, sobre supostos crimes sem comprovação…”.
Em vez de necessárias privatizações ou “concessões”, a tendência é de reestatização do que puderem. A sociedade e os empresários que constroem o país continuarão a ser olhados como suspeitos.
Manipularão as contas públicas com o descaro de “revolucionários” — em 2015 as contas vão explodir. Mas ela vai nomear outro “pau-mandado” como o Mantega. Aguardem.
Nenhuma reforma será feita no Estado infestado de petistas, que criarão normas e macetes para continuar nas boquinhas para sempre.
A reforma da Previdência não existirá pois, segundo o PT, “ela não é necessária”, pois “exageram muito sobre sua crise”, não havendo nenhum “rombo” no orçamento. Só de R$ 52 bilhões.
A Lei de Responsabilidade Fiscal será desmoralizada por medidas atenuantes — prefeitos e governadores têm direito de gastar mais do que arrecadam, porque a corrupção não pode ficar à mercê de regras da época “neoliberal”. Da reforma política e tributária ninguém cogita.
Nossa maior doença — o Estado canceroso — será ignorada e terá uma recaída talvez fatal; mas, se voltar a inflação, tudo bem, pois, segundo eles, isso não é um grande problema na política de “desenvolvimento”.
Certas leis “chatas” serão ignoradas, como a lei que proíbe reforma agrária em terras invadidas ilegalmente, que já foi esquecida de propósito.
Aliás, a evidente tolerância com os ataques do MST (o Stédile ja declarou que se Dilma não vencer, “vamos fazer uma guerra”) mostra que, além de financiá-los, este governo quer mantê-los unidos e fiéis, como uma espécie de “guarda pretoriana”, como a guarda revolucionária dos “aiatolás “ do Irã.
A arrogância e cobiça do PT aumentarão. As trinta mil boquinhas de “militantes” dentro do Estado vão crescer, pois consideram a vitória uma “tomada de poder.” Se Dilma for eleita, teremos um governo de vingança contra a oposição, que ousou contestá-la. Haverá o triunfo “existencial” dos comunas livres para agir e, como eles não sabem fazer nada, tudo farão para avacalhar o sistema capitalista no país, em nome de uma revolução imaginária. As bestas ficarão inteligentes, os incompetentes ficarão mais autoconfiantes na fabricação de desastres. Os corruptos da Petrobras, do próprio TCU, das inúmeras ONGs falsas vão comemorar. Ninguém será punido — Joaquim Barbosa foi uma nuvem passageira.
Nesta eleição, não se trata apenas de substituir um nome por outro. Não é Fla x Flu. Não. O grave é que tramam uma mutação dentro do Estado democrático. Para isso, topam tudo: calúnias, números mentirosos, alianças com a direita mais maléfica.
E, claro, eles têm seus exércitos de eleitores: os homens e mulheres pobres do país que não puderam estudar, que não leem jornais, que não sabem nada. Parafraseando alguém (Stálin ou Hitler?) — “que sorte para os ditadores (ou populistas) que os homens não pensem”.
Toda sua propaganda até agora acomodou-se à compreensão dos menos inteligentes: “Quanto maior a mentira, maior é a chance de ela ser acreditada” — esta é do velho nazista.
O programa do PT é um plano de guerra. Essa gente não larga o osso. Eles odeiam a democracia e se consideram os “sujeitos”, os agentes heroicos da História. Nós somos, como eles falam, a “massa atrasada”.
É isso aí. Tenho vontade de registrar este texto em cartório, para depois mostrar aos eleitores da Dilma. Se ela for eleita.
“A vaca não foi para o brejo”. A afirmação do vereador e candidato a deputado federal Jorge Magal (PR) se refere à candidatura a governador do seu líder maior, Anthony Garotinho (PR). Segundo Magal, o clima nas ruas é diferente do que todas as últimas pesquisas eleitorais têm mostrado, com a vitória de Luiz Fernando Pezão (PMDB) sobre Garotinho tanto no primeiro (29% a 26% pelo Ibope e 31% a 23% no Datafolha) quanto no segundo turno (43% a 33% no Ibope e 54% a 30% no Datafolha).
Na matéria da página ao lado (aqui), dos jornalistas Alexandre Bastos e Arnaldo Neto, Magal usou como exemplo de aceitação popular os mais de 600 veículos que ele e o também vereador Gil Vianna (PR), candidato a deputado estadual, reuniram em carreata no domingo. Todavia, como observou também na página seguinte o blogueiro Christiano Abreu Barbosa (aqui), ao analisar a consulta Datafolha: “Com estes números de intenção de voto e rejeição (Garotinho tem 49%), só uma catástrofe tira a eleição de Pezão”.
Além de Gil, quem também é candidato a deputado estadual pelo grupo de Garotinho é Geraldo Pudim (PR). Aliás, como fartamente anunciado na campanha, ele é o candidato da família Garotinho. Ontem, em outro evento lotado, no Automóvel Clube, todos os oradores repetiram os ataques de Garotinho (aqui e aqui) às pesquisas que projetam a vitória de Pezão. Ironicamente, coube a quatro médicos não curar, mas disseminar a ideação persecutória do líder: Paulo Hirano, Edson Batista, Geraldo Venâncio e Wilson Cabral.
Como apesar da demonstração cega de lealdade, nenhum deles é da família Garotinho, a única voz nela a se manifestar ontem por Pudim foi Rosinha (PR), assim mesmo por telefone. Ao contrário dos presentes, que atacaram os institutos de pesquisa, a prefeita desceu a lenha nas empresas de ônibus, por conta da greve do setor no município. Em comum, Ibope, Datafolha e Setranspas, nos discursos garotistas, estariam todos a serviço de Pezão. Shakespeare ressalvaria: “Parece loucura, mas há método” (Hamlet, Ato II, cena 2).
Sobre o real destino da vaca, restam menos de cinco dias para sua revelação nas urnas. Até lá, Ibope (30/09 e 04/10) e Datafolha (30/09 e 03/10) devem divulgar mais quatro pesquisas a governador do Rio. Quem não acreditar nelas, pode até crer em Pudim como candidato da família Garotinho, ainda que esta família seja também a de Wladimir. Na dúvida, foi revelador como o locutor anunciou a chegada do mesmo Pudim, ontem, ao Automóvel Clube: “E agora o candidato líder em todas as pesquisas”…
O destino desta eleição presidencial — a sétima desde a redemocratização do país com o fim da ditadura de 64 — está nas mãos dos eleitores do PSDB. Dos que pretendem votar em Aécio porque o consideram o melhor candidato. Ou dos que votarão nele simplesmente porque querem pôr um fim a 12 anos de governos do PT.
É isso o que fica claro com a mais recente pesquisa de intenções de voto do Datafolha (aqui).
Em uma semana, a vantagem de Dilma sobre Marina quase dobrou. Passou de sete pontos percentuais para 13. Dilma está com 40% e Marina com 27%.
Mas quando o Datafolha simulou um eventual segundo turno entre as duas, elas apareceram empatadas dentro da margem de erro da pesquisa. Só há uma explicação para isso: foi o voto anti PT que empurrou Marina para cima de Dilma.
É por isso que nesta última semana de campanha, Dilma, Lula e o PT continuarão com gosto de sangue na boca contra Marina. Se ela pensa que apanhou o suficiente está enganada.
Daqui até a próxima quinta-feira, último dia de propaganda eleitoral no rádio e na televisão, apanhará ainda mais feio. E se passar para o segundo turno nem queira saber. A pancadaria derrubou Marina. A pancadaria poderá derrotá-la.
Tudo o que Marina diz está sendo usado contra ela. E o que não diz, também.
Para quem pretende governar, Marina seria refratária a acordos que não sejam à esquerda. Um dia desses, no entanto, ela pediu votos para Paulo Bornhausen, filho de um político conservador de Santa Catarina, candidato ao Senado pelo PSB.
Pois bem: Marina foi acusada de defender a “Nova Política”, mas de praticar a velha. É infernal!
Neca Setúbal, acionista do Banco Itaú, é apontada pela propaganda de Dilma como a banqueira de Marina. Ora, Kátia Rabello, ex-presidente do Banco Rural e banqueira do mensalão do PT, está presa. Menos mal para Marina.
Bancos e empreiteiras financiam o Instituto Lula. Não há, hoje, político lobista mais bem-sucedido do que Lula. Que enriqueceu em pouco tempo. A campanha de Dilma é campeã na arrecadação de dinheiro entre os banqueiros.
Ao se eleger presidente pela primeira vez, Lula decretou que a esperança vencera o medo. A esperança era ele. O medo, tudo o que os adversários usaram para evitar sua vitória.
Dilma tem dito que a verdade vencerá a mentira. Como se ela fosse o alvo preferencial de mentiras. Dilma abusa da mentira para aumentar a rejeição de Marina e – se possível – excluí-la do segundo turno. Morre de medo dela.
É natural que Aécio aspire a disputar o segundo turno contra Dilma. Se não for possível decidir a parada no primeiro, tudo o que Dilma deseja é enfrentar Aécio no segundo.
Nos mais importantes redutos eleitorais de Dilma, o Norte e o Nordeste, Aécio é fraco. Marina, não. O eleitor de Aécio votaria em Marina – ou está votando nas simulações de segundo turno. O de Marina se dividiria entre Aécio e Dilma.
Uma coisa será o PSDB anunciar seu apoio formal a Marina caso Aécio não vá para o segundo turno. É o jeito. Outra, suar a camisa para eleger Marina.
No final de 2005, quando Lula enchia a cara com receio de não chegar ao fim do mandato por causa do escândalo do mensalão, o PSDB desistiu de pedir o impeachment dele. Achou que Lula não se reelegeria. Lula se reelegeu. E elegeu Dilma em seguida.
Desta vez, o PSDB pode achar que um segundo governo Dilma, bem pior do que o primeiro, talvez seja melhor do que governar com Marina.
A capacidade do PSDB de fazer bobagem não deve ser subestimada.
Didi, gênio dos passes oblíquos e dissimulados, como os olhos de Capitu
Nos preparativos para a Copa de Suécia, em 1958, o meia direita reserva Moacir arrebentava nos treinos. Isto aliado ao fato de ser jogador do Flamengo, clube de maior torcida no Brasil, desde antes de lá até aqui, fazia com que parte da imprensa cobrasse a escalação do rubro-negro no lugar do craque campista Didi (1928/2001), então jogador do Botafogo e titular da posição no scratch nacional desde a Copa do Mundo anterior, em 1954, na Suíça, quando ainda atuava pelo Fluminense. Apelidado por Nelson Rodrigues (1912/80) de “príncipe etíope”, pela elegância em cada gesto dentro do campo e fora dele, Didi respondia laconicamente à cobrança por Moacir: “Treino é treino, jogo é jogo”.
É a frase que outro campista, Anthony Garotinho (PR), tem usado desde o início deste mês anterior às eleições de outubro, quando ainda liderava as pesquisas do primeiro turno ao governo fluminense, embora sua grande rejeição já indicasse que a vaca poderia ter o brejo por destino no segundo turno. Como nem tudo que começa bem, acaba da mesma maneira, na comparação com as três últimas consultas Ibope divulgadas em 2 (aqui), 9 (aqui) e 23 de setembro (aqui), Garotinho patinou, respectivamente, entre 27%, 25% e 26%, ao passo que Luiz Fernando Pezão (PMDB) saiu de 19% para 25%, até chegar aos atuais 29%, num impressionante crescimento de 10 pontos percentuais.
Considerado que, nas mesmas três consultas, Crivella ficou estático nos 17%, enquanto Lindberg Farias (PT) caiu progressivamente de 11% para 9%, até aos 8%, não é preciso ser grande leitor de pesquisas para concluir que, neste mês anterior à eleição, o único candidato que cresceu pelo Ibope foi Pezão. E dois dígitos de crescimento em apenas um mês é capaz de impressionar em qualquer campanha eleitoral do planeta.
Isso se formos falar de primeiro turno, pois no segundo as coisas se tornaram ainda mais dramáticas ao político da Lapa. No Ibope divulgado em 2 de setembro, mesmo ainda líder folgado no primeiro, Garotinho não conseguia ir além do empate exato com Pezão (35% cada) ou com Crivella (34% cada) no segundo turno. Na amostragem seguinte do instituto, ele já perdia o turno final para Pezão por 33% a 40%, enquanto empatava tecnicamente com Crivella, em 34% a 33%. Mas no último Ibope, já ultrapassado no primeiro turno, Garotinho viu aumentar assustadoramente suas chances de derrota no segundo, tanto para Pezão (33% a 43%), quanto para Crivella (36% a 34%).
Critério chave para a definição do segundo turno, a grande rejeição de Garotinho parece ser sua maior dificuldade eleitoral. No Ibope, o número de eleitores que não votariam nele sob nenhuma circunstância era de 34% e subiu para 36%, onde se manteve. E qualquer especialista em pesquisa vai dizer que é muito difícil alguém acima dos 30% de rejeição conseguir se eleger num pleito em dois turnos.
Mas se o quadro é ruim para Garotinho em quaisquer números das últimas amostragens do Ibope, eles não parecem melhores nas três últimas consultas Datafolha, divulgadas em 4 (aqui), 10 (aqui) e 26 de setembro (aqui). Muito pelo contrário, comparando-as, Garotinho só fez cair suas intenções de voto, saindo de 28% para 25%, até chegar aos atuais 23%, oito pontos percentuais atrás de Pezão, que usou a mão oposta para sair dos 23%, passar aos 25%, até atingir os 31% divulgados anteontem. Ou seja, enquanto o primeiro perdeu cinco, o segundo ganhou oito pontos em menos de um mês, nas intenções de voto para daqui a menos de uma semana.
Ainda pela Datafolha, Crivella (18%, 19% e 17%) e Lindberg (11%, 12% e 12%) tiraram o mês de setembro para patinar no gelo das intenções de voto ao primeiro turno. Já em relação ao segundo, Garotinho sempre perdeu nas três pesquisas, tanto para Pezão, quanto para Crivella. Para este último, a derrota garotista de 33% a 45% inicialmente manteve seus índices, para subir aos atuais 30% a 49%. Se parece ser uma diferença insuperável neste menos de um mês até de 26 de outubro, o que dizer então da projeção entre Pezão e Garotinho, que começou em 45% a 36%, subiu para 47% a 35%, até chegar ao vareio eleitoral de 54% a 30%, quase o dobro na diferença de votos a favor do governador no turno final?
Assim como no Ibope, também pelo Datafolha é a rejeição que explica as projeções de desempenho tão desastrosas de Garotinho, caso ele consiga chegar ao segundo turno. Entre os eleitores fluminenses ouvidos pelo instituto paulista, inicialmente 44% não votariam em Garotinho de jeito nenhum, percentual que subiu para 46%, até atingir os atuais 49%, praticamente uma derrota imposta pela maioria desde o primeiro turno e apenas postergada ao segundo.
Na velha questão entre o ovo e a galinha, do cachorro perseguindo o próprio rabo a girar a roda da dúvida entre causa e consequência, nada indica que as reações sempre destemperadas, ressentidas e acusatórias de Garotinho vão mudar alguma coisa, pelo menos não para o melhor de si ou dos seus. De qualquer maneira, com quem padece de ideação persecutória, recomenda-se cuidado na hora de se lembrar que o mundo certamente tem coisas mais importantes para fazer do que pensar ou tentar ferrar um único indivíduo. Neste delírio do “eu contra o mundo”, responderia o mundo, acaso se importasse: “Inclua-me fora!”
O mundo foi o que o Brasil conquistou naquela Copa de 1958, contra a Suécia, com Didi como titular, líder e craque do início ao fim da campanha. Quando os suecos abriram o placar do último jogo e despencou sobre os ombros brasileiros todo complexo de vira-latas acumulado oito anos seguidos, desde a derrota dentro do Maracanã contra o Uruguai, na final da Copa de 1950, foi Didi quem buscou a bola no fundo das redes. Após colocá-la embaixo do braço, foi caminhando vagarosamente ao meio de campo, com toda a elegância que Deus lhe deu, enquanto serenava os ânimos dos demais jogadores, falando a todos de maneira calma, mas grave: “Acabou a brincadeira. Agora vamos enfiar bola nos ouvidos desses gringos”.
O placar final daquele jogo, do qual sairíamos, de virada, com nossa primeira Copa do Mundo de futebol: Brasil 5 x 2 Suécia.
E, a propósito, diferente do que Garotinho postou na sexta em seu blog, ao lembrar mais uma vez a frase “treino é treino, jogo é jogo” para descer a botina sobre a nova pesquisa Datafolha (aqui), Didi nunca foi conhecido como “folha seca”, apelido na verdade dado ao seu chute de perna direita, que fazia a bola descair como folha na última hora, num efeito criado por ele para enganar o goleiro. Pode até parecer detalhe prosaico, e é, mas quem confunde o jogador com a jogada sempre corre o risco de pisar na bola.