Gabriel Garcia Márquez — Que fizesse milagres

Heleno de Freitas

 

 

Jornalista e escritor Gabriel Garcia Márquez
Jornalista e escritor Gabriel Garcia Márquez

O Doutor De Freitas

Por Gabriel Garcia Márquez

No primeiro dia do mês em curso escreveu-se nesta seção uma crônica sobre abril. Esperava este jornalista que no transcurso desses trinta dias acontecessem algumas coisas interessantes, entre elas, que Pafúncio se fartasse com um pratarraz de feijão com arroz no boteco do Perico; que Clark conseguisse seduzir a Srta. Lane sem necessidade de transformar-se em Super-Homem e que Tarzan deixasse de praticar suas bobagens atleticamente selvagens.

Parece que no que já transcorreu do mês nada disso aconteceu, como não acontecerá no que falta dele, segundo se pode suspeitar. Quanto ao casamento de Ingrid Bergman, as últimas notícias dão a entender que o diretor Rosselini ainda espera saber com quem se pareça a criança antes de lançar ao pescoço a coleira conjugal. Em síntese, a única coisa que parece ter dado certo naquela crônica de saudação aprilina foi a comprovada reivindicação do Dr. Heleno de Freitas no gramado do campeonato nacional. Um acordo que poderia encher de orgulho o próprio dr. Gallup, não tanto por sua precisão, mas pela circunstância especial de que quem revelou a notícia a respeito do jogador brasileiro jamais se sentou nas gerais de um estádio.

Tenho o costume — e isso pode ser uma das formas da inclinação pelo esporte — de observar, nas tardes dos domingos, o rosto daqueles que deixam o estádio. A tarde em que o dr. De Freitas apresentou-se pela primeira vez, é muito possível que, se ele tivesse a capacidade de entender certas interjeições castelhanas, teria regressado ao Brasil no primeiro avião. O tempo passou e no domingo seguinte, depois de treinar incansavelmente com os companheiros de seu time, o dr. De Freitas deve ter chegado à conclusão de que, mais do que tais práticas esportivas, lhe seria melhor uma prática metódica e consciente da gramática castelhana. Foi assim que pôde realizar bem melhor sua segunda apresentação, mostrando-se já capaz de compreender que a gritaria vinda das tribunas não era de aprovação, mas de descontentamento.

E já em sua nova apresentação em Barranquilla, de volta de Cáli, o dr. De Freitas mostrava-se capaz de conjugar perfeitamente os tempos simples do verbo “fazer”.“Farei milagres”, declarou à imprensa, ao dar-se conta de que o público queria exatamente isso. Que fizesse milagres. E, segundo me contam alguns que estiveram nesse dia no Estádio Municipal, o que o brasileiro fez foi uma milagrosa atuação. Praticamente, disseram, o dr. De Freitas — que deve ser um bom advogado — redigiu nesta tarde, com os pés, memoriais e sentenças judiciais não apenas em português e espanhol alternadamente, mas também citações de Justiniano no mais puro latim clássico.

Agora ninguém mais discute que abril foi o mês definitivo para o dr. De Freitas, e isso porque ele aprendeu a traduzir para o espanhol toda essa gíria esportiva que tanto prestígio lhe deu em seu país de origem. Como diz um grande contista nosso: “O importante é a gramática”.

 

El Heraldo, 1950

 

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Favoritos: Brasil, Colômbia, França, Alemanha, Holanda, Costa Rica, Argentina e Bélgica

 

Acabou a festa! O encerramento dos jogos da fase de grupo foi ontem. Hoje o dia é de folga. Amanhã com o início dos jogos eliminatórios, nas oitavas de final, finalmente a Copa do Mundo começa para valer. Ganhou? Joga mais uma! Perdeu? Arruma as malas!

Mas o que a fase de grupos pode determinar no que será o mata-mata daqui até à final de 13 de julho, no Maracanã? Tivemos 48 jogos, com 136 gols marcados e média de 2,8 por partida. Foram apenas cinco 0 a 0: Irã x Nigéria, Brasil x México, Japão x Grécia, Costa Rica x Inglaterra e Equador x França. A maior goleada foi registrada no França 5 x 2 Suíça, duas seleções que se classificariam no Grupo E. Mas o grupo que mais vezes teve a rede balançada foi o B, com 22 gols e no qual passariam Holanda e Chile. Junto com a Colômbia, primeiro lugar no Grupo C, a Holanda apresentou o melhor equilíbrio coletivo entre defesa e ataque. Ambas acumularam saldo de 7 gols: os colombianos marcaram 9 e levaram 2, enquanto os holandeses fizeram 10 e tomaram 3.

Quem foi o melhor time? Holanda, Colômbia, Argentina e Bélgica foram as únicas seleções a conseguirem aproveitamento de 100%, com três vitórias em três jogos. Mas os grupos dos três últimos foram fracos para dar qualquer profundidade a esse julgamento. Entre todos os oito grupos, apenas a Costa Rica pode se gabar por ter vencido dois ex-campeões mundiais (3 a 1 no Uruguai e 1 a o na Itália), empatando de 0 a 0 seu último jogo contra outra ex-campeã, a Inglaterra, no “Grupo da Morte” (o D).

Analisados os resultados e o nível dos adversários enfrentados, os dois melhores times da primeira fase foram Holanda e Costa Rica. A primeira mostrou o time mais competitivo desta Copa. É capaz de enganar os leigos com o brilho dos seus atacantes Arjen Robben e Robin van Persie, quando na verdade é uma equipe que cede a posse de bola ao adversário, confiando na sua sólida defesa e na rapidez e eficiência do seu contra-ataque, mais ou menos como o Brasil Tetracampeão de 1994. Quanto a Costa Rica, se qualquer seleção considerada grande, ou mesmo média, tivesse feito a mesma campanha até aqui, seria apontada sem favor entre os favoritos ao título. Como é a Costa Rica, não é ou será o caso, mas já mostrou ter um time também competitivo, capaz de encarar qualquer um de igual para igual.

Todavia, a questão da falta de tradição, que sempre conta em Mundiais, pode não impedir a Costa Rica de avançar ainda mais na Copa, mas dificilmente permitirá ganhá-la, da mesma maneira que Colômbia ou Bélgica. A Holanda, pelo contrário,  tem chances reais, assim como Argentina, França, Alemanha e Brasil, demais favoritos ao título que não foram tão bem na fase de grupos. Os argentinos venceram os três jogos, mas ainda não convenceram. Já o Brasil empatou sem gols com o México, assim como a França com o Equador, enquanto a Alemanha não passou do 2 a 2 com Gana. Todavia, a Holanda (no 5 a 1 diante da Espanha), a Alemanha (no 4 a 0 contra Portugal) e a França (no 5 a 2 sobre a Suíça) alcançaram um nível de futebol que brasileiros e argentinos ainda estão devendo, apesar das atuações individuais brilhantes dos seus respectivos craques, Neymar e Messi.

Mas, pelos motivos expostos, os favoritos para passar das oitavas às quartas de final são Brasil, Colômbia, França, Alemanha, Holanda, Costa Rica, Argentina e Bélgica. Só falta, por óbvio, combinar respectivamente com Chile, Uruguai, Nigéria, Argélia, México, Grécia, Suíça e EUA. No total, são oito seleções americanas (cinco do Sul, duas do Norte e uma da Central), seis europeias e duas africanas.

Seja nas nossas peladas de criança, ou nos jogos mais decisivos desta e de todas as Copas, o futebol será sempre definido pela lógica do seu mais velho chavão: “Quem não faz, leva!”

 

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Van Persie: “Ótimo conhecer o Zico! Lenda!”

Zico recebe a camisa da Holanda de presente de Van Persie (foto de Guilherme Pinto - Agência O Globo)
Zico recebe a camisa da Holanda de presente de Van Persie (foto de Guilherme Pinto – Agência O Globo)

Quem tem usando camisa rubro-negra nesta Copa, inclusive na vitória ontem de 1 a 0 sobre os EUA, é a Alemanha, mas quem vem treinando na Gávea é a seleção da Holanda, que no treino de ontem recebeu a visita do verdadeiro dono da casa. Zico apareceu a pedido dos netos Felipe, de 6 anos, e Gabriel, de 4, que são fãs do centroavante Robin Van Persie. Mas diante do visitante ilustre, os craques holandeses é que viraram tietes, fazendo selfies com seus celulares e posando para as máquinas profissionais dos fotógrafos ao lado do ídolo do Flamengo e da Seleção Brasileira. Até o técnico Louis van Gaal, conhecido pela cara quase sempre de poucos amigos, posou sorridente ao lado do ex-craque, que ganhou uma camisa laranja da Holanda com o número 10 e seu nome inscrito nas costas.

A boa acolhida no último treinamento da Holanda no Rio, antes do embarque para Fortaleza, onde a seleção europeia disputa as oitavas de final contra o México, no próximo domingo, já era esperada por Zico: “O Seedorf já tinha me dito que os holandeses desta geração são apaixonados pela Seleção Brasileira de 1982”.  O maior craque daquele time também disse, ao lado de van Persie, que o plástico gol de cabeça marcado pelo holandês na goleada de 5 a 1 sobre a Espanha, foi o mais bonito feito até agora na Copa: “pela visão dele, pela plasticidade e dificuldade do lance”.

Depois da entrevista, o craque holandês postou a selfie dele com o eterno craque brasileiro e escreveu no Instagram: “Ótimo conhecer o Zico hoje! Lenda!”

Reveja abaixo o gol de Van Persie elogiado por Zico:

 

 

 

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Herói do Maracanazzo cobrou punição a Suárez e agora projeta Uruguai sem ele

Herói da Copa do 1950, quando esbanjava habilidade pelos campos, Ghiggia continua esbanjando lucidez fora deles
Herói da Copa do 1950, quando esbanjava habilidade pelos campos, Ghiggia continua esbanjando lucidez fora deles

 

Na entrevista coletiva de ontem, em Natal, o zagueiro e capitão uruguaio Diego Lugano atacou frontalmente um jornalista inglês da BBC que queria uma posição oficial sobre o episódio da mordida de Luis Suárez em Giorgio Chiellini, flagrada por uma câmara da SporTV, da Rede Globo. Ainda mais patético, Lugano seria endossado em suas teorias conspiratórias pelos próprios jornalistas uruguaios presentes à coletiva. Como o caso aconteceu no Brasil, parecia até um dos muitos ataques petistas à imprensa pelos fatos que esta noticia, sendo muitas vezes ignorados e até ecoados por jornalistas, blogueiros e associações de classe chapa branca. A hipocrisia foi tanta, que até o elogiado presidente uruguaio José Mujica, de Montevidéu, resolver se meter na discussão, tentando vender como argumento o óbvio: “Não o escolhemos [Suárez] para ser filósofo”.

Até que a Fifa aplicasse hoje sobre Suárez a maior punição já dada a um jogador em Copas do Mundo, suspendendo o atacante por nove jogos oficias da seleção do Uruguai, além de impedir que ele participe de qualquer atividade ligada a futebol [mesmo ir a um estádio assistir a uma partida] nos próximos quatro meses (confira aqui), a única voz uruguaia coerente com a realidade coube foi justamente ao grande herói da grande maior do país no futebol. Autor do gol da vitória de 2 a 1 da Celeste sobre a Seleção Brasileira, na final da Copa de 1950 que calou mais de 200 mil pessoas dentro Maracanã, no episódio histórico por isso chamado pelos uruguaios de “Maracanazzo”, o ex-craque Alcides Ghiggia demonstrou, mesmo aos 87 anos, mais lucidez do que quase todos os seus compatriotas. Ontem, ao ser indagado pela agência de notícias Reuters sobre o caso de Suárez, o ex-craque mandou de bate pronto:

— Creio que uma punição poderia ser [aplicada] porque é absurdo, não é a primeira vez que isso acontece. Não sei o que este rapaz pensa, o que tem na cabeça.

Hoje, a mesma SporTV cuja câmera exclusiva flagrou Suárez mordendo Chiellini, ouviu Ghiggia, já após a Fifa ter anunciado a punição ao maior craque uruguaio desta Copa. Mais uma vez, o craque daquela outra Copa projetou com lucidez o futuro próximo:

— Existem coisas no futebol que são extras, não? Quando se entra em campos é para jogar futebol e não o que ele [Suárez] fez. Uma seleção representa um país, uma nação, e essa atitude que ele [Suárez] tomou, não é uma atitude para se tomar quando se joga em uma seleção. O Uruguai temjogadores que podem substituí-lo bem. E, nesse caso, no futebol. Nós temos jogadores que podem substituir o Suárez. Sei que vai ser uma partida jogo difícil para as duas seleções [Uruguai e Colômbia]. Temos que esperar para ver o que vai acontecer.

 

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Fernandinho é novo titular de Felipão, que testa Maicon no lugar de Daniel Alves

Volante do campeão inglês Manchester City, Fernandinho comemora seu gol pela Seleção que fechou os 4 a 1 sobre Camarões
Volante do campeão inglês Manchester City, Fernandinho comemora seu gol pela Seleção que fechou os 4 a 1 sobre Camarões

 

Na democracia irrefreável das redes sociais, logo após o Brasil 4 x 1 Camarões, tive aqui um pequeno debate com a Tânia Vasconcelos, que entende mais de futebol que muito marmanjo — apesar de tricolor. Seriamente, ela estava em dúvida se Felipão teria peito de barrar do time titular o segundo volante Paulinho, para o jogo eliminatório das oitavas de final contra o Chile, às 13 h do próximo sábado, no Mineirão. Argumentei que, apesar de turrão, o técnico do Brasil não é desinteligente. E como qualquer observador pôde constatar, a Seleção Brasileira foi um time bem mais equilibrado no segundo tempo, após Paulinho ser substituído no intervalo por Fernandinho, que ainda iniciou a jogada do terceiro gol e marcou ele mesmo o quarto. Por todos esses motivos, afirmei com convicção à minha interlocutora: “Entraremos com Fernandinho contra o Chile”

Pois agora há pouco, na Granja Comary, confirmando a leitura prévia pelo “jogo de búzios” da lógica, Felipão iniciou o coletivo da Seleção Brasileira com Fernandinho no time titular e Paulinho entre os reservas. Se isso se torna uma quase certeza, ainda há outra esperança aos que pedem mais mudanças no time, sobretudo na lateral-direita, por onde saíram os dois gols que sofremos nesta Copa (contra a Croácia e Camarões) e que na net já vem sendo chamada por alguns espíritos de porco de “avenida Daniel Alves”: no intervalo do coletivo, o lateral do Barcelona cedeu sua vaga de titular na Seleção para Maicon, do Roma e, durante a Copa de 2010, dono da posição também na Seleção.

 

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Tragédia real de Suárez repercute como comédia no mundo virtual

Lusito Suárez é um craque. Como atacante, embora de estilo diferente, não o coloco em nível inferior ao do português Cristiano Ronaldo, ou do sueco Zlatan Ibrahimovic, todos bem acima do nosso Fred, que ontem brincou com o drama do uruguaio, simulando durante os treinos uma mordida no braço de Marcelo, diante das câmeras dos jornalistas. Também não creio que os uruguaios estejam de todo errados ao se lembrarem da cotovelada dolosa que Neymar desferiu no rosto do croata Modric, que rendeu apenas um cartão amarelo ao brasileiro no jogo de abertura da Copa.

Com Suárez eliminado da Copa, certamente ficarão mais aliviados os colombianos nas oitavas de final, assim como os brasileiros ou chilenos que por acaso encarem o Uruguai na quarta de final. Numa prova de que a maioria é mais afeita ao sensacionalismo fora dos gramados do que à tragédia nele encenada, confira abaixo a repercussão virtual do caso em sua face oposta de comédia:

 

 

mordida 1

 

 

mordida 2

 

 

mordida 5

 

 

mordida 7

 

 

mordida 8

 

 

mordida 9

 

 

mordida 34

 

 

mordida 10

 

 

mordida 11

 

 

mordida 12

 

 

mordida 23

 

 

mordida 22

 

 

mordida 24

 

 

mordida 25

 

 

Dracula

 

 

mordida 27

 

 

 

mordida 28

 

 

mordida 29

 

 

mordida 14

 

 

mordida 31

 

 

mordida 15

 

 

mordida 17

 

 

mordida 33

 

 

mordida 13

 

 

mordida 20

 

 

mordida 18

 

 

mordida 19

 

 

mordida 4

 

 

mordida last

 

 

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Suspenso pela Fifa por nove jogos, Suárez está fora da Copa

Como adiantado ontem aqui, o Comitê Disciplinar da Fifa suspendeu hoje o atacante uruguaio Luisito Suárez, pela mordida no ombro do zagueiro italiano Giorgio Chiellini, durante o Itália 0 x 1 Uruguai de anteontem. Válida já para as oitavas de final entre Colômbia e Uruguai, às 17h do do próximo sábado, no Maracanã, que definirá o adversário nas quartas de final do vencedor de Brasil e Chile, leia abaixo a decisão do Comitê Disciplinar da Fifa, comunicada na manhã de hoje, no maior gancho dado a um jogador na história das Copas:

 

mordida

 

“O Comitê Disciplinar da Fifa tomou hoje (26) uma decisão relativa ao caso do jogador uruguaio Luis Suárez diante do incidente ocorrido durante a partida da Copa do Mundo Fifa Brasil 2014 no dia 24 de junho, entre Itália e Uruguai.

“O Comitê Disciplinar da Fifa decidiu o seguinte:

“ – Considera-se culpado o jogador Luis Suárez de ter violado o artigo 48 do Código Disciplinar da Fifa (CDF) ao agredir o outro jogador, e o artigo 57 do CDF por haver cometido uma ofensa à esportividade contra outro jogador.

“ – Suspende-se o jogador Luis Suárez por nove partidas oficiais. A primeira partida à qual se aplicará a sanção será no próximo encontro da Copa do Mundo da Fifa entre Colômbia e Uruguai, que será disputado no dia 28 de junho. Em virtude do artigo 38 do CDF, o restante da sanção será aplicada nas partidas seguintes do Uruguai no Mundial, caso esta seleção siga avançando no torneio, ou nas partidas seguintes da seleção uruguaia.

“ – De acordo com o artigo 22 do CDF, durante quatro meses, proíbe-se Luis Suárez de exercer qualquer tipo de atividade relacionada ao futebol (administrativa, esportiva ou de outra classe).

” – De acordo com o artigo 21 do CDF, proíbe-se Luis Suárez de entrar nos recintos de todos os estádios durante o período de duração da proibição (ver ponto 3). O jogador tampouco poderá entrar nos recintos do estádio em que a seleção uruguaia disputar um encontro enquanto estiver cumprindo as nove partidas de suspensão (ver ponto 2).

“ – Além disso, impõe-se uma multa de CHF 100 mil.

“A decisão já foi comunicada hoje ao jogador e à Associação Uruguaia de Futebol”.

 

Atualização às 11h44: A confirmação da suspensão oficial de Suárez já havia sido noticiada aqui, no blog do jornalista Alexandre Bastos.

 

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Brasileiro é espancado e tem ingressos da Copa roubados por argentinos no meio da rua

 

Antecipada pelo diário esportivo Olé, a invasão argentina de fato ocorreu hoje em Porto Alegre, que recebeu no Beira Rio o excelente jogo Argentina 3 x 2 Nigéria. Depois das cenas de enfrentamento entre argentinos e brasileiros registradas nas madrugadas ébrias de Belo Horizonte (relembre aqui), no último dia 21, alguns casos de violência, assalto e vandalismo também ocorreram fora de campo, hoje, na capital gaúcha.

Abaixo, confira o covarde arrastão promovido por torcedores argentinos contra um brasileiro, que foi espancado e teve seus ingressos roubados no entorno do Beira Rio:

 

 

 

 

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Suárez entre o céu e o inferno de Heleno a Zidane

Suárez

 

Em primeiro lugar, peço a você, leitor, que me perdoe pela falta de atualização de ontem. Mas nesta maratona diária de Copa do Mundo, desde antes dela estrear no último dia 12, tirei o dia de ontem de folga, por conta do meu aniversário. Idade nova passada, embora nada tenha escrito, não deixei de acompanhar a épica vitória de 1 a o do Uruguai sobre a Itália, marcada também pela tresloucada mordida (mais uma) do dentuço atacante Luizito Suárez sobre o ombro do zagueiro Giorgio Chiellini, que deve render punição do Comitê Disciplinar da Fifa ao principal jogador da Celeste.

O histórico da Fifa é de punição aos jogadores que agridem em campo seus colegas de profissão. Nesta Copa, além de ser expulso do jogo pela fase de grupo contra a Croácia, o zagueiro camaronês Alexandre Song ganhou suspensão de três jogos por ter dado uma cotovelada nas costas do atacante Mario Manduzkic. Mesmo quando não gerou expulsão durante a partida, o recurso de vídeo já fou usado para depois gerar punições ainda mais severas, como aconteceu com o zagueiro Mauro Tassotti, suspenso por oito jogos por uma cotovelada que quebrou o nariz do meia espanhol Luiz Enrique, em jogo pelas quartas de final da Copa de 1994.

Por sua vez, o histórico de Suárez é reincidente na prática de agredir seus adversários com o inusitado expediente das mordidas. Em 2010, disputando o campeonato  holandês pelo Ajax, o uruguaio foi punido com dois jogos de suspensão pelo próprio clube, após morder o pescoço do volante Otman Bakkal, do PSV. Em 2013, já atuando pelo Liverpool, Suárez ganhou um gancho de 10 jogos após ter mordido o braço do zagueiro sérvio Branislav Ivanovic, do Chelsea, em jogo válido pela Premier League. Também em 2013, segundo o jornal inglês Independent (aqui), o jogador já teria tentado morder o mesmo Chiellini, na Copa das Confederações no Brasil.

Como a punição parece certa, só resta lamentar que um jogador de tão alto nível, artilheiro e craque do último Campeonato Inglês, que se recuperou de uma astroscopia no joelho há menos de um mês, a tempo de ressuscitar a mística do Uruguai nesta Copa do Mundo no Brasil, com sua atuação decisiva e os dois gols marcados na vitória por 2 a 1 sobre a Inglaterra (relembre aqui), tenha sido vítima do próprio temperamento ou, mesmo, de um desvio de ordem psiquiátrica. Na dúvida se sem ele o Uruguai poderá vencer nas oitavas a Colômbia (que também perdeu, antes da Copa, seu craque Falcão Garcia), pela chance de encarar o vencedor de Brasil e Chile nas quartas de final, fica uma certeza: Suárez não é o primeiro, nem será o último, a oscilar entre o céu e o inferno nos quais já habitaram tantos gênios da bola do passado, do brasileiro Heleno de Freitas (1920/59) ao francês Zinédine Zidane.

Mais gregos e menos hebreus, o deuses da bola são tão falhos e dúbios quanto seus heróis humanos. E talvez por isso nos atraiam tanto.

 

Da esquerda à direita, os flagrantes das mordidas de Suárez em 2010, 2014 e 2013
Da esquerda à direita, os flagrantes das mordidas de Suárez em 2010, 2014 e 2013

 

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Fernandinho muda o jogo, Brasil goleia de 4 a 1 e pega o Chile no sábado

Se Neymar, com dois gols, foi o nome do primeiro tempo, o volante Fernandinho foi o destaque brasileiro na etapa final. Escalado no lugar de Paulinho já no intervalo, ele começou a jogada do terceiro gol, logo aos 4 minutos, além de ter iniciado e concluído a jogada que fecharia o placar em 4 a 1, aos 38 minutos.

O time inteiro cresceu com a entrada de Fernandinho, incluindo Fred, que finalmente desencantou nesta Copa ao marcar seu primeiro gol, o terceiro do Brasil. Numa cobrança de escanteio com a bola rebatida, Fernandinho dominou e mesmo de costas lançou o zagueiro David Luiz na esquerda, que cruzou para Fred marcar de cabeça. O centroavante diria após a partida que bola bateu no bigode que deixou crescer para a partida, em homenagem ao seu pai e para espantar o azar.

Com a entrada de Fernandinho, o Brasil dominou o meio de campo, passando a criar mais e deixando de perder bolas na disputa com a irregular seleção de Camarões, cuja disposição também abrandou após tomar o terceiro gol no início do segundo tempo. Mas viria ainda o último, numa aparição de Fernandinho como homem surpresa no ataque, que tanto se cobrou a Paulinho. Numa saída de bola camaronesa, perto do fim do jogo, Oscar pressionou o meia Mbia e a bola acabou sobrando para Fernandinho. Ele tocou em Fred, que executou o papel de pivô numa bela tabela com Oscar, complementada pela devolução a Fernandinho em penetração pela área esquerda. Após driblar o bom zagueiro Nkoulou, o volante bateu no canto oposto do goleiro Itandje.

Fora do oba-oba do “já ganhou” da torcida, resta agora corrigir os erros do primeiro tempo e melhorar os acertos do segundo nesse último jogo da fase de grupos. Às 13h do próximo sábado (28), no Mineirão, contra uma seleção  chilena considerada como a sua melhor em todos os tempos, quem errar mais, ou acertar menos, dá adeus à Copa.

 

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Com atuação irregular no 1º tempo, Brasil vence Camarões por 2 a 1

Antes de começar a Copa, quem entende algo de futebol sabia que Neymar e  Thiago Silva eram tecnicamente os dois maiores nomes desta Seleção Brasileira. E nos primeiros 45 minutos contra Camarões, os dois foram os destaques positivos numa apresentação confusa  e irregular do time de Felipão. Ainda assim, o Brasil saiu vencendo por 2 a 1. Num erro na saída de bola do meia Moukndjo pela direita, aos 16 minutos, o sempre combativo volante Luiz Gustavo roubou a bola, avançou pela esquerda e cruzou para Neymar bater de chapa dentro da área e deslocar o goleiro Itandje. Com uma capacidade de reação que ainda não tinha apresentado nesta Copa, Camarões empatou, aos 26, após o meia Moting fazer uma boa jogada pela esquerda, driblando Daniel Alves e cruzando para o zagueiro Matip completar. Em lance individual, aos 34, Neymar dominou uma bola rebatida por Marcelo, partiu para cima da marcação, deixando dois marcadores para trás, antes de bater no canto direito do goleiro camaronês.

Jogadores mais questionados do Brasil, Paulinho e Fred mal mais uma vez atuaram abaixo das expectativas. O primeiro não retornou ao segundo tempo, dando lugar ao também volante Fernandinho. Vejamos se Fred e o resto do time conseguem confirmar a vitória  contra seu adversário mais fácil nesta Copa, mas sem dar tantos sustos na torcida.

 

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