Neco: “Com a transposição do Paraíba, a situação de SJB pode ficar insustentável”

Neco

Neco — “A Foz do Rio Paraíba do Sul está localizada em São João da Barra. Caso a transposição seja executada, a situação do nosso município poderá ficar insustentável. Assoreamento, introdução da língua salina e o desabastecimento de água na região são algumas das preocupações. Além disso, o processo de erosão na praia de Atafona deve aumentar, trazendo mais transtornos para o município. Vamos aguardar a definição por parte dos órgãos técnicos”.

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Rosinha: “Querem tirar nossos royalties, agora querem tirar nossa água?”

Rosinha2Rosinha Garotinho — “Como ex-governadora do Rio e prefeita de Campos, não poderia jamais aceitar uma perda tão considerável para nosso Estado, região e município. As informações iniciais indicam que a proposta de integrar o rio Paraíba ao sistema Cantareira nos atingiria de forma agressiva e irreparável, comprometendo o futuro de todo o Estado. Não podemos admitir mais nenhuma perda. O Rio de Janeiro já foi prejudicado com a perda do ICMS do petróleo, o único produto taxado no destino e não na origem. Querem tirar os nossos royalties. O Rio já perdeu a capital do país. Agora querem tirar a nossa água? O rio Paraíba do Sul já sofreu com a represa de Guandu. A cada estiagem, de agosto a outubro, o nível fica menor. Com a transposição, a situação se agravaria neste período, podendo prejudicar o abastecimento de água para as pessoas e a agricultura. E o rio recebe esgoto não tratado desde a sua nascente, em São Paulo. Não podemos esquecer que há duas hidrelétricas projetadas para a região, o que diminuiria ainda mais o nível das águas. Fora indústrias que nem são de Campos, muitas vezes de outros Estados, que contaminam o rio Paraíba regularmente, como temos presenciado. Com menor vazão de água, a língua salina da foz iniciaria um processo de desertificação, que inviabilizaria as atividades agrícolas. O que aconteceria com a perda da força da água, por exemplo, com o mar avançando ainda mais sobre São João da Barra e salinizando a região? Eu não acredito em uma decisão da presidente Dilma Rousseff para beneficiar um Estado em detrimento de outro, porque a água é essencial à vida. Sou contra a proposta anunciada, e compreendo que São Paulo não pode resolver seus problemas prejudicando milhões de habitantes de outro Estado da Federação”.

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MPF de Campos reage e revela que SP estudava desviar o Paraíba desde 2008

Procurador da República Eduardo Santos de Oliveira
Procurador da República Eduardo Santos de Oliveira

 

A continuidade de um inquérito civil público federal aberto desde 2010, para apurar o risco de danos ao rio Paraíba do Sul; cobrar explicações ao governo estadual de São Paulo, à Agência Nacional da Águas (ANA) e aos ministérios do Meio Ambiente e do Planejamento;  solicitar à Universidade Estadual do Norte Fluminense (Uenf) um estudo sobre as vazões do rio, para comparar com os dados apresentados pelo governo paulista; e convocar uma audiência pública entre todas as entidades e instituições que tenham relação com a Bacia do Paraíba. Estas são as quatro iniciativas do Ministério Público Federal (MPF) de Campos, segundo informou o procurador da República Eduardo Santos de Oliveira, diante do pedido feito pelo governador de São Paulo, Geraldo Alckmin (PSDB), à presidente Dilma Rousseff (PT), para captação da água do rio Paraíba no sistema da Cantareira, para atender a 15 milhões de paulistas em tempos de estiagem, gerando repercussão nacional e reações negativas entre os fluminenses.

Eduardo revelou que a intenção agora formalizada por Alckmin com Dilma, não é nova. Desde 26 de fevereiro de 2008, no decreto nº 52.748, o governo de São Paulo determinou “a elaboração de estudo para identificar novos mananciais para abastecimento da macrometrópole nos próximos 30 anos, sendo o Paraíba do Sul uma das opções estudadas”.  Dois anos mais tarde, através do site do Inea, o procurador ficou sabendo de uma audiência pública realizada em 18 de maio de 2010, na Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro (Alerj), para “debater o projeto do governo do Estado de São Paulo, o qual estuda a viabilidade de uma transposição do rio Paraíba do Sul”. Informado sobre o projeto com fins de realizar uma segunda transposição do Paraíba, a partir da região de Jacareí/SP (represa do Jaguari, integrante do sistema Cantareira), com transferência de água para a região metropolitana de São Paulo, o MPF de Campos abriu o inquérito civil público nº 1.30.002.000054/2010-41, “instaurado com vistas a apurar elementos comprobatórios de danos ao rio Paraíba do Sul e de eventuais riscos ao meio ambiente, em rezão do precário estado de conservação e de uso”.

No ano seguinte, a partir da recomendação nº 09/2011, de 8 de agosto de 2011, o MPF de Campos advertiu ao governo de São Paulo: “que se abstenha de atos de contratação quanto a eventuais obras de transposição do rio Paraíba do Sul, enquanto não atendidos os princípios constitucionais (…) especialmente no que concerne a compatibilizar o desenvolvimento sócio-econômico com a qualidade ambiental, à redução das desigualdades regionais, a utilização racional e disponibilidade permanente do rio federal em questão e que os recursos hídricos não podem ser manejados sem o concurso de interesses da coletividade em sua máxima extensão”. Ao final da recomendação, após dar ao governo paulista 15 dias de prazo para “resposta por escrito e fundamentada”, Eduardo escreveu e assinou: “Esta recomendação dá ciência e constitui em mora o seu destinatário (governo paulista) quanto às providências solicitadas, podendo implicar na adoção de todas as providências administrativas e judiciais que se mostrem cabíveis, em sua máxima extensão”.

Segundo o procurador da República, a resposta do governo de São Paulo, por meio do procurador geral daquele Estado, Elival da Silva Ramos, informou em 1º de setembro de 2011 que “consoante a nota técnica elaborada na secretaria de Saneamento e Recursos Hídricos (que seguiu anexada), não há nenhuma obra de transposição do rio Paraíba do Sul contratada, e tampouco em vias de contratação, no Estado de São Paulo”. A resposta do governo paulista seguiu afirmando que “qualquer decisão que venha a ser tomada pelas autoridades estaduais, objetivando dar solução ao aproveitamento de recursos hídricos para atendimento da Macrometrópole de São Paulo, atenderá à legislação e aos princípios constitucionais que norteiam a matéria”.

Eduardo destacou outros dois pontos da resposta oficial do governo de São Paulo, que negaram a existência do projeto apresentado agora por Alckmin. Primeiro, quando o procurador paulista afirmou que “não há nenhuma ação federal ou parcerias contratadas com a finalidade de viabilizar eventual transposição do rio Paraíba do Sul simplesmente porque não há projetos em níveis de detalhe suficientes para essa suposta contratação”. Além disso, também assegurou: “não foi realizada nenhuma audiência pública sobre a transposição do rio Paraíba do Sul simplesmente porque não há projetos em níveis de detalhe suficientes para uma discussão pública”.

Como todas as negativas paulistas caíram por terra, diante da apresentação do projeto de desviar parte do rio Paraíba, que se estudava desde 2008, para o procurador da República em Campos, a verdadeira intenção não pode ser agora mascarada num jogo de palavras: “Depois de nos informar oficialmente que não havia nenhum projeto de transposição do Paraíba para atender aos interesses de São Paulo, agora seu governo revela que pretende fazer uma simples ‘captação’ de água do rio no sistema Cantareira. Querem fazer uma camuflagem semântica da sua real intenção, que é transpor as águas do Paraíba, para atender apenas aos seus interesses, mas que não são únicos perante à lei. Não é de hoje que o Ministério Público Federal de Campos está atento à questão, que não pode ser resolvida pela força política e econômica de São Paulo. Faremos tudo que estiver ao alcance da lei para não permitir que isso aconteça”.

Abaixo, a nota gentilmente enviada ao blog pelo procurador da República em Campos:

 

MPF Campos

 

INQUÉRITO CIVIL DANOS RIO PARAÍBA DO SUL

1. O Inquérito Civil Público nº 1.30.002.000054/2010-41, instaurado com vistas a apurar elementos comprobatórios de danos ao Rio Paraíba do Sul e de eventuais riscos ao meio ambiente, em razão de seu precário estado de conservação e de uso, e no qual foi expedida a recomendação ao governo de São Paulo, em 08/08/2011, permanece ativo.

2. A resposta do governo de São Paulo, por meio de do Procurador Geral do Estado (Elival da Silva Ramos, em 01/09/2011), foi no sentido de que “consoante a Nota Técnica elaborada na Secretaria de Saneamento e Recursos Hídricos, ora anexada, não há nenhuma obra de transposição do Rio Paraíba do Sul contratada, e tampouco em vias de contratação, no Estado de São Paulo”. Finalizou afirmando que “qualquer decisão que venha a ser tomada pelas autoridades estaduais, objetivando dar solução ao aproveitamento de recursos hídricos para atendimento da Macrometrópole de São Paulo, atenderá à legislação e aos princípios constitucionais que norteiam a matéria”.

A referida nota técnica informou ainda, em resposta a pontos específicos, de ofício requisitório da Procuradoria da República em Campos, que:

a) “não há nenhuma ação federal ou parcerias contratadas com a finalidade de viabilizar eventual transposição do Rio Paraíba do Sul simplesmente porque não há projetos em níveis de detalhe suficientes para essa suposta contratação”;

b) “não foi realizada nenhuma audiência pública sobre a transposição do Rio Paraíba do Sul simplesmente porque não há projetos em níveis de detalhe suficientes para uma discussão pública”.

 

AÇÕES

1.  Expedição, preliminarmente, de ofícios requisitórios:

a) ao governo de São Paulo, ao Ministério do Meio Ambiente, ao Ministério do Planejamento, Orçamento e Gestão, e à ANA, para informar eventuais estudos (de qualquer natureza) relativos ao tema.

b) à UENF, para elaborar um estudo comparativo entre as vazões do Rio Paraíba do Sul, em diversos trechos de seu itinerário, com as vazões informadas na Nota Técnica do governo de São Paulo, dado possível inconsistência na base de dados de governo.

2.  Convocação de audiência pública.

Atores a serem convidados: procuradores da República do Grupo de Trabalho do MPF – Sustentabilidade Rio Paraíba do Sul, da PRRJ; governos de São Paulo, Rio de Janeiro, Minas Gerais; câmaras legislativas de diversos municípios; IBAMA; União; ANA; prefeituras; órgãos ambientais e ambientalistas; cientistas que possam dar um parecer técnico do estado atual do Rio Paraíba do Sul;  Comitê da Bacia do Rio Paraíba do Sul – CEIVAP; Consórcio de Municípios e de Usuários da Bacia do Rio Paraíba do Sul para a gestão Ambiental da Unidade Foz; Associação de Usuários das Águas do Médio Paraíba do Sul – AMPAS-RJ; Consórcio Intermunicipal para Recuperação Ambiental do Rio Muriaé – MG/RJ; Consórcio Intermunicipal para Proteção e Recuperação Ambiental da Bacia do Rio Paraibuna – CONPAR; Comitê da Bacia Hidrográfica do Rio Piabanha e Sub-Bacias Hidrográficas dos Rios Paquequer e Preto; Comitê da Bacia Hidrográfica do Rio Paraíba do Sul – SP ou “Comitê Paulista” – CBH-PS, Comitê da Bacia Hidrográfica do Baixo Paraíba do Sul; LLX; outros organismos/pessoas a especificar.

 

Eduardo Santos de Oliveira

 

Procurador da República

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Desvio do Paraíba: ANA concluí esta semana parecer, mas técnicos acham “possível”

(Foto de Helen de Souza, da Folha da Manhã, publicada na capa de hoje do jornal)
(Foto de Helen Souza, da Folha da Manhã, publicada na capa de hoje do jornal)

 

BRASÍLIA – A Agência Nacional de Águas (ANA) deve concluir ainda esta semana um parecer técnico sobre a viabilidade da captação de água do Rio Paraíba do Sul, no Rio de Janeiro, para abastecer o Sistema Cantareira, em São Paulo, quando este estiver em baixa. Técnicos do setor hídrico do governo federal avaliam que é possível autorizar o governo paulista a fazer a captação. Como o Paraíba do Sul é um rio federal, ontem o governador de São Paulo, Geraldo Alckmin (PSDB), se reuniu com a presidente Dilma Rousseff para fazer o pedido.

— Ao utilizar a vazão mínima do Paraíba do Sul, o estado do Rio já capta tudo o que precisa para abastecer a população fluminense. Não parece ser um problema tirar 5m³ de um rio cuja vazão mínima é 120m³ — avalia um técnico.

O plano de Alckmin já está sendo estudado pela ANA. A avaliação de técnicos que trabalham no assunto é que como metade da água que o Rio usa do Paraíba do Sul é utilizada no tratamento de esgoto, um desvio de uma pequena parte desse recurso para outro estado não teria potencial de causar prejuízos para o abastecimento da população fluminense.

Alckmin disse que conversou nesta quarta-feira com os governadores do Rio, Sérgio Cabral (PMDB), e de Minas, Antônio Anastasia, para explicar a proposta de retirada de água do Rio Paraíba do Sul, e afirmou ter obtido o apoio de ambos para a obra.

É possível que seja feito um acordo que inclua o estabelecimento de compensações de São Paulo com relação ao Rio. Uma compensação cabível seria uma contribuição para o tratamento de esgoto fluminense.

Presente à reunião entre Dilma e Alckmin, a ministra do Meio Ambiente, Izabella Teixeira, diz que o governo vai avaliar a proposta para buscar uma solução que resolva o problema de São Paulo, estado que concentra a maior parte do PIB brasileiro, sem prejudicar os outros estados que se beneficiam da Bacia do Rio Paraíba do Sul. Além de São Paulo e Rio, Minas Gerais também usufrui de parte dessa água.

— A postura do governo federal é buscar uma solução em que ninguém seja prejudicado, uma solução colaborativa e construtiva. Estamos discutindo segurança hídrica na região econômica mais importante do Brasil: São Paulo, Rio e Minas. Vamos buscar uma solução que garanta a segurança hídrica dos três estados — pontuou Izabella.

 

Publicado aqui no Globo.com.

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Cabral diz que desviar Paraíba para abastecer SP é “inviável” e “não será tolerado”

(Foto de Helen Souza - Folha da Manhã)
(Foto de Helen Souza – Folha da Manhã)

 

O governador Sérgio Cabral disse nesta quinta-feira (20) ser praticamente inviável o projeto do governo paulista que prevê bombear parte da água do Rio Paraíba do Sul para ajudar a conter a seca em São Paulo, como mostrou o RJTV. O rio é a principal fonte de abastecimento de água para o Rio e para a Baixada Fluminense.

“Meus técnicos adiantaram que é uma possibilidade remota, eu diria inviável, porque ela implica em atrapalhar o abastecimento da população do Rio. Isso não será tolerado”, disse Cabral, admitindo que ainda não sabe muitos detalhes do projeto.

A captação da água do Paraíba do Sul abre uma disputa entre São Paulo e o Rio. O governo paulista apresentou uma proposta pra usar o rio — que passa por três estados — em épocas de seca no Sistema Cantareira.

O Paraíba do Sul já atende a maior parte dos cariocas e a divisão poderia comprometer o abastecimento para 11 milhões de famílias.

A Agência Nacional de Águas (ANA) ainda não se pronunciou sobre o assunto. Enquanto isso, o Sistema Cantareira, que abastece oito milhões de pessoas na Grande São Paulo vai perdendo água. O sistema está com menos de 15 % da capacidade.

O governo do Rio diz que está fazendo estudos porque teme problemas de abastecimento. Nesta quinta, o secretário de Ambiente, Índio da Costa, disse: “Hoje, no Rio de Janeiro, já 8% do tempo não tem água suficiente pro nosso estado, do jeito que está o Paraíba do Sul. Se a gente for captar sem ter um estudo aprofundado, esse risco de aumentar de 8% por cento do tempo pra 10%, pra 15%, pra 30%, é muito grande”.

 

Projeto

O projeto do governo de São Paulo é interligar a Represa de Jaguari, abastecida pelo Paraíba do Sul, com a Represa de Atibainha, que faz parte do Sistema Cantareira, a principal fonte de abastecimento da Grande São Paulo. A ligação seria feita num trecho de quase 15 quilômetros, com estação de bombeamento e um túnel num trecho de serra.

Segundo governador de São Paulo Geraldo Alckmin, quando o Sistema Cantareira estiver com menos de 35% da capacidade, a água será bombeada para lá. E quando o problema for na represa do Rio Paraíba do Sul é ela que poderá receber água do Cantareira.

“Falei hoje com o governador de Minas, o Antônio Anastasia, que é o grande contribuinte para a bacia porque ele mais colobora do que tira, falei com o governador Sérgio Cabral, que entendeu. Nós vamos aumentar a reservação do Paraíba, nós poderemos fazer inclusive novos reservatórios”, disse Alckmin.

Segundo o governo de São Paulo, a obra poderia ser iniciada daqui a quatro meses e levaria outros 14 meses para ficar pronta. A estimativa é de que sejam gastos R$ 500 milhões.

Por meio de nota, a Secretaria do Ambiente do Rio de Janeiro, informou que estudos ainda em elaboração, apontam que a disponibilidade hídrica atual já apresenta problemas no período de estiagem. E mesmo que São Paulo construa reservatórios, a proposta de captação de água pode agravar essa situação.

 

Ambientalistas analisam

No meio do caminho entre São Paulo e Rio, o Comitê da Bacia do Vale do Paraíba diz que vai estudar a questão. “É lógico que se houver uma retirada muito grande de água do Rio Paraíba poderá haver desabastecimento. Então, é isso que é discutido”, destacou Francisco Carlos, do Comitê.

Já a ambientalista Malu Ribeiro, coordenadora da ONG S.O.S. Mata Atlântica, recomenda cautela. “Sem ver os estudos, sem uma avaliação ambiental estratégica, sem o estudo de impacto ambiental, não dá para dizer se ele é viável ou inviável”, disse a ambientalista.

Para o jornal O Globo, a Cedae, companhia de água e esgoto do Rio, disse que a captação de água na Represa Jaguari pode afetar o Rio Jaguari, o que provocaria reflexos no abastecimento de cidades do Rio de Janeiro e comprometeria a irrigação das lavouras. A companhia alertou ainda que a medida pode aumentar a chamada língua salina, quando a água do mar invade o curso do rio e destrói as margens.

Estudiosos são unânimes em dizer que a Região Metropolitana de São Paulo, que fica num planalto é muito seca e que os poucos rios que há na região, como o Tietê, estão completamente poluídos.

 

Publicado aqui pelo G1.

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Cabral e Garotinho em confluência pela defesa do Paraíba

Saulo Pessanha

Cabral diz que jamais permitirá que se retire água que abastece o RJ

Por Saulo Pessanha, em 20-03-2014 – 16h38

 

Cabral

 

O governador Sérgio Cabral disse nesta quinta-feira, em sua conta numa rede social, que jamais permitirá mudanças no abastecimento de água do Rio que prejudique a população e as empresas do estado. Cabral se referia à proposta do governador de São Paulo, Geraldo Alckmin, de captar água do Rio Paraíba do Sul.

Na terça-feira, Alckmin pediu autorização à Presidência da República para fazer a captação no Rio Jaguari, um dos principais afluentes do Paraíba do Sul, que é federal. A Agência Nacional de Águas (ANA) deve concluir ainda esta semana um parecer técnico sobre a viabilidade do projeto.

— Jamais permitirei que se retire água que abastece o povo do estado do Rio de Janeiro (…) O governador Alckmin, com quem tenho excelente relação, me ligou para expor essa ideia. Disse a ele que formalizasse a proposta e que eu enviaria aos órgãos técnicos. Mas já adianto: nada que prejudique o abastecimento das residências e das empresas do estado do RJ será autorizado — disse Cabral.

Fonte: O Globo

 

 

Eu penso que

Garotinho pede estudo técnico antes da transposição

Por Ricardo André Vasconcelos, 20-03-2014 – 18h42

Hoje, da tribuna da Câmara, o deputado Anthony Garotinho (PR)registrou sua preocupação com a possibilidade de mais uma sangria nas águas do Rio Paraíba do Sul e pediu que o governador Sérgio Cabral exija na Agência Nacional das Águas um estudo técnico que garanta que não faltará água para o Estado do Rio.

 

 

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Alerj marca ato público em protesto contra projeto de Alckmin para o rio Paraíba

Ato público foi marcado para a próxima terça, dia 25, às 13h, na escadaria do Palácio Tiradentes, sede da Alerj
Ato público foi marcado para a próxima terça, dia 25, às 13h, na escadaria do Palácio Tiradentes, sede da Alerj

 

Presidente da Frente Parlamentar de Defesa da Bacia do Rio Paraíba do Sul, a deputada Inês Pandeló (PT) convocou a Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj), nesta quinta-feira (20/03), para um ato público contra o projeto do governo paulista de transposição das águas do principal rio fluminense. O protesto será na próxima terça-feira (25/03), às 13h, na escadaria do Palácio Tiradentes.

Pela proposta defendida pelo governador de São Paulo, Geraldo Alckmin, o Paraíba do Sul seria interligado ao sistema Cantareira, que abastece a região metropolitana daquele estado. Segundo Inês Pandeló, o estudo encomendado pelo Governo paulista distorce a realidade ao considerar dados desde 1951 — e não apenas informações do atual cenário de estiagens que atinge o Rio de Janeiro. “Eu venho falando disso há muito tempo. Parecia alarmismo e não era. O Comitê da Bacia do Paraíba do Sul, que reúne órgãos governamentais e ONGs, tem um estudo recente que alerta para o risco que corremos no cenário atual. O estudo paulista puxa uma série histórica desde 1951, de tempos de cheias, diminuindo o risco de desabastecimento aqui. O perigo existe e é real”, disse a deputada.

Além disso, a Frente promoverá uma audiência pública no próximo dia 31 para tratar do assunto. A petista, no entanto, não foi a única a protestar contra o projeto do governo do estado vizinho. Roberto Henriques (PR) classificou a proposta como descabida: “Quando percebemos que São Paulo pretendia rasgar o pacto federativo, a deputada Inês Pandeló propôs a Frente para que não se permita qualquer prejuízo ao Rio de Janeiro por causa dessa medida insana”.

Henriques criticou, ainda, o pedido feito pelo Palácio dos Bandeirantes à presidente Dilma Rousseff, para que autorize a transposição do rio — que corta também São Paulo e Minas Gerais. “Numa medida descabida, o governo de São Paulo mostra desfaçatez de pedir apoio a esse projeto à Presidência da República. Isso é uma afronta à soberania da população do Rio de Janeiro. Sem qualquer cerimônia, querem barrar o Rio Paraíba do Sul”, disse o deputado.

Já Nelson Gonçalves (PMDB) lembrou dos prejuízos que a medida provocaria à economia das regiões Sul e Norte Fluminense: “Prefeitos já falam em ir à Justiça porque esse projeto prejudicaria a captação de investimentos e a agricultura, por conta da irrigação. O dia 31 de março é o dia de defesa do Paraíba do Sul e vamos chamar a população e os deputados para evitar isso”.

Comte Bittencourt (PPS), por sua vez, pediu calma no debate. “Não é possível tratar dessa polêmica como uma briga de torcidas. Se a Agência Nacional de Águas entender que essa é a saída para se minimizar os problemas de São Paulo, dou meu apoio como brasileiro e deputado deste estado. Precisamos manter os princípios federativos e da compreensão, porque somos todos brasileiros e o espírito fluminense é o da solidariedade. Se São Paulo precisar, vamos ajudá-los. Se um dia o Rio precisar, eles terão que nos ajudar. Mas não pode haver uma luta bairrista”, disse o deputado.

 

Da assessoria da Alerj.

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Ibope: Com 40%, Dilma venceria no 1º turno

Ibope presidente (20-03-14)1

 

Ibope presidente (20-03-14)2

 

Pesquisa Ibope divulgada nesta quinta-feira (20) atribui 40% das intenções de voto para a presidente Dilma Rousseff se a eleição presidencial fosse hoje. O segundo colocado é o senador Aécio Neves (PSDB-MG), que aparece com 13%, e o terceiro, o governador de Pernambuco, Eduardo Campos (PSB), com 6%. Pastor Everaldo (PSC) registrou 3% e o senador Randolfe Rodrigues (PSOL), 1%. Os demais possíveis postulantes – Eymael (PSDC), Levy Fidelix (PRTB) e Mauro Iasi (PCB) – não pontuaram.

Nesse cenário, o mais provável, Dilma venceria no primeiro turno porque a soma das intenções de voto dos adversários não supera o percentual que ela obteve. A pesquisa indica que 12% dos entrevistados não responderam ou não sabem em quem vão votar. Os que disseram que votarão em branco ou nulo somaram 24%.

Os candidatos que disputarão a eleição serão oficialmente conhecidos em junho, quando os partidos terão de realizar convenções para definição dos nomes.

O Ibope ouviu 2.002 eleitores entre 13 e 17 de março. A margem de erro da pesquisa é de dois pontos percentuais para mais ou para menos. O levantamento está registrado no Tribunal Regional Eleitoral (TSE) sob o protocolo nº BR-00031/2014 – as normas eleitorais determinam que todas as pesquisas realizadas no ano da eleição sejam registradas no TSE.

Marina Silva
O Ibope também simulou um cenário em que o candidato do PSB é a ex-senadora Marina Silva, atualmente cotada para ocupar a posição de vice na chapa de Eduardo Campos.

Nessa hipótese, Dilma teria os mesmos 40% e também venceria no primeiro turno; Aécio soma 13%; Marina, 9%; Pastor Everaldo, 2%; Randolfe, 1%; e Eymael, Levy Fidelix e Mauro Iasi, 0%. Brancos e nulos somariam 23% e os que não sabem ou não responderam, 11%.

Com três candidatos
Outro cenário experimentado pelo Ibope reúne como candidatos somente Dilma, Aécio e Campos. Nesse caso, o resultado apurado pelo instituto foi: Dilma, 43%; Aécio, 15%; Eduardo Campos, 7%; brancos e nulos, 25%; não sabem/não responderam: 11%.

Na situação em que o Ibope usou Marina Silva no lugar de Eduardo Campos, o resultado é: Dilma, 41%; Aécio, 14%, Marina, 12%; brancos e nulos, 22%; não sabem/não responderam: 10%.

Em ambos os cenários, a presidente seria reeleita no primeiro turno.

Segundo turno
Na hipótese de segundo turno, Dilma venceria Aécio por 47% a 20% (25% de brancos e nulos e 9% não sabem/não responderam), segundo o Ibope.

Se a adversária for Marina Silva, a atual presidente ganharia por 45% a 21% (brancos e nulos, 24%; não sabem/não responderam, 10%), apurou o instituto.

Contra Eduardo Campos, Dilma teria 47% e o governador, 16% (brancos e nulos, 26%; não sabem/não responderam, 11%).

Espontânea
Na modalidade espontânea da pesquisa (em que o pesquisador simplesmente pergunta ao eleitor em quem ele pretende votar, sem apresentar uma lista de possíveis candidatos), o nome mais mencionado foi o de Dilma Rousseff (23%), seguido de Lula (7%), Aécio Neves (6%), Eduardo Campos (3%), José Serra (2%), Marina Silva (2%), outros (1%), brancos e nulos (18%) e não sabem/não responderam (37%).

 

Publicado aqui, no G1.

 

Atualização à 0h41: Aqui, exatos cinco minutos antes deste “Opiniões”, o confrade Ricardo André Vasconcelos foi o primeiro na blogosfera goitacá a divulgar a nova pesquisa presidencial do Ibope.

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Paraíba do Sul — Soffiati alerta a todos que dependem do rio sobre projeto de Alckmin

Infográfico que ilustra o projeto de Alckmin para o rio Paraíba, publicado na capa de hoje da Folha (Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)

 

A pedido do blog, o historiador e ambientalista Aristides Soffiati escreveu um artigo sobre o projeto do governador de São Paulo, Geraldo Alckmin (PSDB), apresentado à presidente Dilma Rousseff (PT), no sentido de desviar mais água do rio Paraíba do Sul, em períodos de estiagem prolongada como o atual, para abastecer o Sistema da Cantareira, que atende a 15 milhões de paulistas. Aqui, na matéria das jornalistas da Folha Suzy Monteiro e Carolina Barbosa, você pode conhecer melhor a intenção de Alckmin e suas repercussões negativas em território fluminense. Abaixo, como alerta imprescindível a todos cujas vidas dependem do rio que formou a planície goitacá, o que Soffiati pensa sobre mais essa tentativa de sangrá-lo:

 

Sem o novo desvio proposto por Alckmin, o Paraíba em Campos, perto da sua foz em Atafona, já dá claros sinais de esgotamento (foto de Helen de Souza, da Folha da Manhã, publicado hoje na capa de O Globo)
Sem o novo desvio proposto por Alckmin, o Paraíba em Campos, perto da sua foz em Atafona, já dá claros sinais de esgotamento (foto de Helen Souza, da Folha da Manhã, publicada hoje na capa de O Globo)

 

 

Soffiati3De novo, a ave agourenta sobrevoa o Paraíba

Por Aristides Soffiati

A cidade de São Paulo cresceu de forma exageradamente desordenada a partir de 1950, suprimindo as várzeas dos rios da Bacia do Tietê e poluindo suas águas. Com a destruição das áreas de amortecimento de enchentes, as frequentes chuvas torrenciais alagam a zona urbana rapidamente. Ao mesmo tempo, a cidade contamina as águas do Tietê e afluentes urbanizados. Resultado: água demais ou água de menos. Havendo água disponível em quantidade, sua qualidade não se presta mais ao abastecimento público.

Então, o governo de São Paulo lança seu olho gordo para a Bacia do Paraíba do Sul. Desde 2008, o Estado manifesta intenção de transpor água da bacia para atender ao abastecimento da megalópole de São Paulo, incluindo Campinas. O intento só não foi adiante ainda pela resistência dos governos estaduais e municipais do Rio de Janeiro e de Minas Gerais, além das advertências do Ministério Público Federal. Em 2010, o Procurador da República em Campos enviou um ultimato ao governo de São Paulo recomendando que se abstivesse de transpor água do Paraíba para São Paulo a fim de não ser acionado judicialmente.

Agora, uma nova oportunidade surge para levar adiante a intenção. A prolongada estiagem que afeta a Região Sudeste provocou redução inédita nos reservatórios que abastecem a grande São Paulo, sobretudo no da Cantareira, o principal deles. O governador Geraldo Alckmin explica que a captação na Bacia do Paraíba do Sul será feita na represa do Rio Jaguari, seu afluente. Um canal de 30 quilômetros será construído para conduzir a água até uma elevatória, que a transporá para o sistema Cantareira.

No esforço de minimizar os danos à Bacia do Paraíba do Sul, Alckmin explica que não haverá transposição, mas transferência de água para o reservatório da Cantareira. Quando este encher em demasia, o excesso hídrico será transportado para o Paraíba, num sistema de mão dupla. A obra está orçada em R$ 500 milhões e só entrará em funcionamento no segundo semestre de 2015, no mínimo, o que contradiz o argumento da urgência.

Há problemas objetivos, sem dúvida. O consumo de água e de hidroeletricidade pela grande São Paulo ultrapassou os limites estabelecidos pela natureza. Houve, inclusive, encolhimento desses limites por falta de planejamento e destruição do ambiente. Mas esses problemas estão afetando também toda a Região Sudeste e grande parte do Brasil. Os reservatórios que atendem à região metropolitana de São Paulo e a Bacia do Paraíba do Sul estão na mesma região. Raramente, a Cantareira contará com excedente hídrico a ser transposto para o Paraíba e vice-versa.

Assim, a questão reveste-se de um caráter político-eleitoral notório. Alckmin divide o problema com Dilma Roussef. Se não autorizar a obra de transposição, ela poderá ser acusada de inimiga dos paulistanos. Se autorizar, sua popularidade de candidata num reduto historicamente dominado pelo PSDB pode crescer. No entanto, uma decisão como esta não pode ser tomada por meio de um mero ato legal. É preciso um consistente parecer técnico. Ele pode ser encomendado pela Presidência da República à Agência Nacional de Águas. Invocando o princípio da precaução, o Ministério Público Federal deve agir imediatamente.

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