Fantasma de operação em Campos gera atenuantes prévias em ataques de desespero

“Cabral e Pezão podem ter o mandado cassado pelo TSE”. Como esta é a manchete de hoje de O Diário, improvável até mesmo ao jornal que a esmagadora maioria dos seus leitores e não leitores afirmam só existir para ecoar os interesses do deputado federal Anthony Matheus, o Garotinho (PR), só posso supor que o Gustavo Matheus pode ter mesmo razão, quando afirmou aqui que uma operação da Polícia Civil está prestes a desembarcar na cidade, atrás dos malfeitos do governo Rosinha, em moldes semelhantes ao que fez a Polícia Federal na “Telhado de Vidro” do governo Alexandre Mocaiber.

Segundo o raciocínio do Gustavo, externado aqui e não desprovido de lógica, Anthony Matheus, o Garotinho, ciente de todas as irregularidades que estariam sendo praticadas no governo da esposa, diante da queda por maturação dos frutos de uma temida investigação sobre elas, estaria antecipando sua “defesa” com ataques à Polícia Civil, como fez aqui, em seu blog, assim como tudo indica ser agora, nos ataques um tanto desesperados, típicos de qualquer animal quando acuado, contra o governador Sérgio Cabral (PMDB) e o vice Luiz Fernando Pezão (PMDB).

Ao fim e ao cabo, parece ser mesmo aquilo que antecipou aqui o jornalista Ricardo André Vasconcelos, ex-secretário de Comunicação de Anthony Matheus, o Garotinho, no primeiro governo municipal deste em Campos, e mesmo antes disso profundo conhecedor pessoal do modus operandi do político da Lapa:

— Na esteira das investigações das estripulias do fantasma da GAP, não será surpresa se outras materializações metafísicas baixarem no terreiro dos malfeitos da planície goitacá em forma de sócios de empreiteiras e fornecedores. Orações, velas e vibrações devem ser direcionadas ao antigo Cesec. Caixas de Rivotril também são bem-vindas.

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Prêmio Nobel da Paz: “Dar dinheiro aos pobres mascara a miséria”

Muhamammad Yunus: “Dar dinheiro para os pobres mascara a miséria”

Por Sérgio Mendes, 10-06-2013 – 16h27

Para o prêmio Nobel da Paz de 2006, o estímulo ao empreendedorismo é mais eficaz para resolver a pobreza do que programas assistencialistas, como o Bolsa Família

Inovador

O prêmio Nobel Muhammad Yunus, fotografado na semana passada em São Paulo. Ele tentou, mas não conseguiu trazer seu banco ao Brasil durante o governo Lula

(Foto: Marcelo Min/Fotogarrafa/ÉPOCA)

O economista Muhammad Yunus, prêmio Nobel da Paz em 2006, foi um visionário ao apostar na concessão de microcrédito e no empreendedorismo para reduzir a miséria em Bangladesh, onde ele nasceu e vive até hoje. Fundador do Grameen Bank, em 1976, e autor do livro O banqueiro dos pobres (Ed. Ática), Yunus contribuiu de forma decisiva para popularizar o microcrédito em todo o mundo. Segundo ele, o empreendedorismo é uma solução mais eficaz do que programas assistencialistas, como o Bolsa Família, para reduzir a pobreza. “Dar dinheiro para os pobres não é uma solução para a miséria”, diz. “É uma forma de mascarar o problema.”

Afastado do Grameen há dois anos, Yunus agora se dedica a outros negócios sociais, como uma companhia que vende painéis de energia solar de baixo custo, uma escola de enfermagem e um hospital oftalmológico. Na semana passada, ele esteve no Brasil para anunciar o lançamento de um fundo local de investimento em negócios sociais e participar da abertura do ciclo de eventos do Movimento Empreenda, promovido pela Editora Globo, que edita ÉPOCA. Nesta entrevista, ele fala sobre sua tentativa frustrada de abrir uma base do Grameen no Brasil durante o governo Lula, sobre a tentativa do governo de Bangladesh de desacreditá-lo e de estatizar o banco e sobre os empreendimentos em que está envolvido.

Muhammad Yunus: “Todos somos empreendedores”

ÉPOCA – O senhor foi o criador da ideia de que é possível resolver o problema da miséria por meio do microcrédito e do estímulo ao empreendedorismo. Em sua opinião, essa é uma solução mais eficaz do que o governo dar dinheiro às pessoas, como acontece no Brasil, com o Bolsa Família?

Muhammad Yunus – Dar dinheiro não é uma solução. É uma forma de mascarar o problema. Você deixa de ver o problema, porque as pessoas conseguem sobreviver, comer, se divertir. Parece que está tudo bem, mas não está, porque o dinheiro não é delas. Então, a doa­ção de dinheiro é uma solução temporária e não permanente. Para termos uma solução permanente, as pessoas têm de cuidar de si mesmas. Só assim elas podem se tornar agentes ativas de mudança. As crianças de uma família que depende de subsídios crescem acreditando que não precisam trabalhar, que podem sobreviver sem ter de se esforçar para melhorar de vida. Essa não é uma solução permanente para o problema da miséria.

ÉPOCA – Alguns anos atrás, o senhor esteve com o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva no Brasil, quando ele estava no governo, e falou sobre seus planos de trazer o Grameen ao país. Por que a ideia não avançou?

Yunus – Na época, ele demonstrou um grande entusiasmo pela ideia, mas não deu sequência. Seu pessoal, que deveria nos contatar depois, não deu continuidade ao projeto.

ÉPOCA – Talvez ele tenha imaginado que o Grameen pudesse fazer sombra ao Bolsa Família…

Yunus – Não sei a razão. Chegamos a ter um encontro com o Banco do Brasil, que também demonstrou interesse na ideia. Eles têm um programa de microcrédito, querem fazer algo, mas nada de concreto aconteceu até agora. Eles não fecharam questão em relação a isso. A gente continua a conversar, mas talvez eles estejam ocupados com outras coisas. “Não somos máquinas de fazer dinheiro. Temos outras dimensões, voltadas para o coletivo”

ÉPOCA – Hoje, o senhor não está mais à frente do Grameen. O que aconteceu?

Yunus – Aposentei-me e saí do banco há dois anos. Continuo envolvido em outros negócios sociais que criei, em paralelo ao Grameen Bank. O Grameen e o microcrédito se tornaram muito populares. Todo mundo queria conhecer o assunto, fazer críticas, procurar respostas. Então, não tinha oportunidade de falar sobre os demais negócios sociais. Agora, posso me dedicar mais a eles.

ÉPOCA – Como o senhor vê a tentativa do governo de Bangladesh de estatizar o Grameen Bank?

Yunus – Eles estão tentando assumir o controle, mas os tomadores de empréstimos, que são os controladores do banco, com 95% do capital, resistem. Até o momento, o governo não teve sucesso em sua iniciativa, mas há muito apoio internacional para mantê-lo sob o controle dos tomadores de empréstimos.

ÉPOCA – Como o senhor recebe as acusações de que cometeu irregularidades na gestão do banco?

Yunus – É muito triste. O governo queria me tirar de lá e buscava pretextos para isso. Essas acusações não foram provadas por ninguém. Eles fizeram uma auditoria no meu Imposto de Renda, para buscar irregularidades. Não acharam nada. Paguei cada centavo que tinha de pagar. Depois, disseram que tirei dinheiro do Grameen para financiar outros negócios sociais. Em toda a minha vida, e ainda hoje, nunca tive uma única ação de uma companhia criada por mim, em Bangladesh ou em outro lugar. Criei muitas empresas, mas todas foram criadas para resolver problemas sociais.

ÉPOCA – Qual sua avaliação dos resultados obtidos pelo Grameen Bank em Bangladesh?

Yunus – O Grameen foi muito bem. Hoje, 37 anos depois de sua criação, ele se espalhou por todo o país. Temos 8,5 milhões de tomadores de empréstimos, 97% dos quais são mulheres. O banco empresta cerca de US$ 1,5 bilhão, e a inadimplência é de apenas 3%. Tentamos garantir também que as crianças das famílias dos tomadores de crédito frequentem a escola e não sejam analfabetas como seus pais – e fomos bem-sucedidos nisso. Elas concluíram o ensino básico, seguiram no ensino médio e algumas foram para a faculdade. Além do microcrédito, o Grameen oferece também empréstimos para a educação, para cobrir os custos do ensino superior e evitar o abandono de cursos por falta de recursos para pagar as mensalidades. A taxa de juro do microcrédito é de 20% ao ano; e a de empréstimos para educação, de 5%. O estudante só começa a pagar depois de se formar e conseguir um emprego. Hoje, há centenas de milhares de crianças que estão na escola e na faculdade com o apoio do Grameen. Elas se tornam médicos, engenheiros e seguem outras carreiras.

ÉPOCA – O senhor disse que hoje está envolvido com outros negócios sociais. Que negócios são esses?

Yunus – Em 1997, criamos uma companhia de telefone que levou o celular a 260 mil pessoas de baixa renda, em mais de 50 mil comunidades da zona rural. Temos também uma empresa de eletricidade, que já levou a energia solar a mais de 1 milhão de casas. Esses são negócios sociais autossustentáveis. O governo tentou criar obstáculos para o desenvolvimento dessas empresas, mas elas se desenvolveram bem e começaram a investir em novos negócios sociais. Temos ainda uma escola para formar enfermeiras e um hospital de olhos, além de uma empresa criada em parceria com a Danone, em 2006. Essa empresa, a Grameen Danone, produz iogurtes com muitos nutrientes que faltavam à dieta das crianças da zona rural de Bangladesh. Eles são vendidos no varejo por um preço acessível de US$ 0,14 o copo de 60 gramas. Segundo o presidente executivo da Danone, Emmanuel Faber, o desenvolvimento desse iogurte vendido a preços populares foi o maior desafio de inovação que a companhia já teve.

ÉPOCA – O que distingue esses negócios de um negócio tradicional ou de uma ONG?

Yunus – A principal diferença é que, num empreendimento social, os donos criam o negócio para resolver um problema. O lucro é um meio, não o fim. Os donos decidem, desde o princípio, que nunca receberão dividendos. Ele recebe um pró-labore, como em qualquer empresa. Mas é um negócio sem fins lucrativos, criado para resolver problemas sociais, como se fosse uma organização não governamental (ONG). A diferença é que os negócios sociais são autossustentáveis e têm o dinamismo e a eficiência dos negócios tradicionais. Os negócios convencionais são feitos para gerar lucro aos acionistas, não para resolver o problema de alguém.

ÉPOCA – Mas eles não resolvem problemas com seus produtos e serviços?

Yunus – Talvez sim, talvez não. Há certos produtos, como o tabaco, que não resolvem problema algum. Eles criam um problema.

ÉPOCA – Uma rede de fast-food não resolve um problema ao vender um sanduíche por um preço acessível?

Yunus – Se o produto causa males à saúde, ela cria e não resolve um problema. Um negócio social não quer prejudicar ninguém. Os negócios tradicionais têm o objetivo de maximizar o lucro. São voltados para o ganho individual, para o acúmulo individual de riqueza. Não somos máquinas de fazer dinheiro. Somos mais que isso. Temos outras dimensões. Há uma dimensão que não é voltada para nós mesmos, mas para os outros, para o coletivo – e os negócios tradicionais não atendem essa outra dimensão. O modelo atual do capitalismo não é suficiente para nos satisfazer como seres humanos, porque não contempla todas as nossas dimensões.

Fonte: Época online

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GAP: mais uma pergunta ainda sem resposta

Gustavo Matheus

Reunião com os motoristas da GAP deixa uma interrogação no ar

Por Gustavo Matheus, em 10-06-2013 – 18h47

Foto de Edu Prudêncio - Folha da Manhã
Foto de Edu Prudêncio - Folha da Manhã

Agora pouco, no setor de entrega de remédios da secretaria de Saúde, ocorreu um encontro dos motoristas das ambulâncias que pertenciam à empresa GAP Comércio e Serviços Especiais. Os funcionários deveriam se encontrar com o secretário de Administração e Gestão de Pessoas, Fábio Ribeiro, que marcou a reunião na última sexta, mas ele não compareceu. Quem se encarregou de se comunicar com os motoristas, que clamam pelos seus direitos trabalhistas, foi a superintendente do RH (Recursos Humanos) da secretaria de Saúde, Etilena de Cássia Andrade.

Maxwell Gomes, representante dos motoristas, disse que não pode acontecer o que já houve no passado, quando todos os funcionários ficaram sem receber.

“Queremos nossos direitos! Prometeram com a Facility e não cumpriram, com a Pelúcio também não. Chega! Não podemos ter os nossos direitos simplesmente ignorados assim”, disse.

Na semana passada, Fábio Ribeiro havia dito aos trabalhadores que a Prefeitura assumiria todas as responsabilidades da GAP para com os motoristas, e Etilena reafirmou, hoje, tudo o que disse o secretário na última sexta, com um porém; ela disse que a Prefeitura iria “estar junto dos motoristas nas pendências jurídicas e trabalhistas”, o que deixou um dos presentes furioso, a ponto de levantar e se manifestar.

“Nós estamos ouvindo a mesma coisa de sempre. O que queremos é uma data. Afinal, quando tudo nos será pago? Eu tenho 4 anos de carteira assinada com a GAP e quero meus direitos. Com a Pelúcio foram as mesmas promessas e não vi um centavo, com a carteira aberta”, afirmou.

A Prefeitura irá ou não assumir todas as responsabilidades da empresa?

O secretário Fábio Ribeiro disse que sim. Vamos aguardar.

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Queda de Dilma: PT e PSDB de Campos analisam pesquisa Datafolha

Infográfico da Folha de São Paulo da pesquisa Datafolha
Infográfico da Folha de São Paulo da pesquisa Datafolha (clique na imagem para ampliá-la)

A maior queda de popularidade da presidente Dilma Rousseff (PT), desde que assumiu há dois anos o comando do país, tanto na avaliação presente do seu governo, quanto nas atuais intenções de voto à disputa da sua reeleição em 2014, repercutiu também em Campos, entre os dois partidos que têm protagonizado a vida nacional há quase 20 anos: PT e PSDB. Na mais recente pesquisa do Datafolha, realizada em 6 e 7 de junho, o governo Dilma teve  57% de avaliação entre boa e ótima, numa queda de 8% em relação à consulta do mesmo instituto, feita em março. O principal motivo da queda foi a volta da inflação, que vai subir ainda mais para 51% dos 3.758 entrevistados em todas as regiões do Brasil, todas as faixas de renda e etárias. Todavia, o índice (51%) é o mesmo daqueles que votariam em Dilma se o pleito fosse hoje, ainda assegurando, pelo percentual mínimo, sua vitória em primeiro turno.

Abaixo da atual presidente, por ordem, apareceram na pesquisa a ex-senadora Marina Silva (Rede), com 16%; o senador Aécio Neves (PSDB), com 14%; e o governador pernambucano Eduardo Campos (PSB), com 6%. Entre os quatro, o único que teve crescimento foi Aécio, que recentemente apareceu em propaganda nacional, batendo duro justamente na volta da inflação. Na sequência, os números do Datafolha nas interpretações do presidente do PT em Campos, professor Eduardo Peixoto, e do vice local do PSDB e diretor de tecnologia do Centro de Informações e Dados de Campos (Cidac), Robson Colla:

Eduardo Peixoto
Eduardo Peixoto

Eduardo — Antes, em qualquer crise global, como a que estamos vivendo, desde 2008, o Brasil ia para o fundo do poço. Agora, mesmo que as metas de crescimento econômico estejam abaixo das projeções iniciais do governo, o fato é que nós estamos crescendo e, sobretudo, com a manutenção das taxas de emprego, principal interesse da maioria da população que vive de salário. Qualquer crescimento acima de 0%, no meio dessa crise mundial, é positivo. Além do que, não digo que os fatos noticiados pela mídia não existam, mas eles nos parecem claramente supervalorizados pela grande imprensa, não só na economia, como no problema recente envolvendo as disputas de terras entre índios e agricultores. Também é importante observar que, se a pesquisa do Datafolha apontou queda na popularidade de Dilma, ela ainda assim seria vitoriosa no primeiro turno, mesmo que pelo percentual mínimo, se a eleição fosse hoje. O PT sempre trabalhou na adversidade. Foi assim na eleição de Lula, na sua reeleição e na eleição de Dilma. E não tem porque ser diferente em 2014. Lula não vai ser o candidato; é Dilma, e vamos trabalhar para vencer mais uma vez. O importante é não perder o controle sobre a economia e as políticas públicas de caráter social. Talvez esse alerta sirva para chamar nossa atenção às questões de governo que possam estar morosas, para trabalharmos mais nelas. Não só o Estado, mas também a iniciativa privada, parceria necessária em questões fundamentais, como a infraestrutura do país.

Robson Colla
Robson Colla

Robson — Pesquisa reflete o momento. E o momento do governo federal não é bom, com a volta da inflação e o descontrole das contas públicas. Quanto ao crescimento de Aécio, não existe vácuo: se Dilma cai, alguém herda esse eleitorado. E o programa de Aécio, exibido em rede nacional um pouco antes dessa pesquisa do Datafolha, foi muito bem feito, com foco preciso no alerta nacional à volta da inflação. Este é o momento da economia no país, no qual o governo não consegue atingir suas metas inflacionárias, nem de crescimento econômico. A população parece estar finalmente enxergando que estamos vivendo, há alguns anos, de falácia e sonhos. Mas se o Brasil voltar a crescer, o que não julgo provável, lógico que a candidatura de Dilma também crescerá junto. Ainda é cedo, só a partir de janeiro e fevereiro do ano que vem, poderemos ter uma ideia mais precisa do quadro real  que teremos em outubro. Agora, se a economia continuar descontrolada, com crescimento pífio, com as obras obras do PAC sem avançar, com os gatos públicos desenfreados e desemprego, quem vai querer a manutenção do que aí está? Dentro dessa perspectiva, mesmo com o uso da máquina pública federal, além do limite da sua capacidade, como cabide de emprego para sindicalistas, Aécio, Marina e Eduardo Campos surgirão como opções naturais ao eleitor. Independente das pesquisas, é bom constatar que a oposição está finalmente despertando ao seu papel em relação ao futuro do país, caminhando para um acordo ainda no primeiro turno, no sentido de união em torno de quem for disputar com Dilma o segundo. Mas novos atores ainda vão surgir nesse cenário, que até por questão estratégica também pode ser definido com alianças já no primeiro turno, com uma chapa Aécio/Marina, ou Aécio/Eduardo Campos.

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Mau desempenho de Dilma e queda nas pesquisas porão Lula no jogo em 2014?

Acendeu a luz amarela no PT

“Par délicatesse J’ai perdu ma vie”, escreveu Jean-Nicolas Arthur Rimbaud, poeta francês que viveu e brilhou na segunda metade do século XIX. Aos 20 anos, encerrou sua produção literária. Morreu de câncer aos 37.“Por delicadeza eu perdi minha vida” são seus mais famosos versos, repetidos pelos que se valem deles para lamentar algo importante que perderam. Ou para reafirmar a disposição de não perder.

No último fim de semana, depois de examinar com preocupação os resultados da mais recente pesquisa de opinião do Instituto Datafolha, um petista erudito declamou os versos de Rimbaud para garantir que por elegância seu partido não perderá a vida. Ou melhor: o poder. Nem daqui a pouco nem a perder de vista. Afinal, que partido entregaria o poder sem oferecer severa resistência?

De março para cá, a aprovação do governo Dilma caiu oito pontos. Foi a primeira vez que isso aconteceu desde que ela se elegeu. Dilma perdeu popularidade entre homens e mulheres, em todas as regiões do país, em todas as faixas de renda e em todas as faixas etárias. A causa? A volta da dobradinha inflação em alta e crescimento econômico em baixa. O brasileiro está pessimista. Acendeu a luz amarela dentro do PT.

Os partidos existem para alcançar o poder — e uma vez que alcancem, lá se conservarem, empenhados em fazer o melhor por seus governados. Na democracia devem ao povo o que conquistaram. E somente o povo poderá retirá-los de onde estão.
Por delicadeza, há dois meses, Lula antecipou a campanha presidencial do próximo ano. Atendeu a um pedido da própria Dilma.

Era véspera de mais um aniversário do PT. Lula pretendia sair em caravana pelo país. E Dilma detectara movimentos favoráveis ao lançamento da candidatura dele à sua vaga. Para eleger Dilma em 2010, Lula inventara que ela era uma excelente gestora. Superior até mesmo a ele. Chegou ao ponto de sugerir que dividira com Dilma o comando do governo no seu segundo mandato. Um exagero compreensível.

Por maior que fosse seu prestígio, não bastaria a Lula pedir votos para Dilma. Era preciso fornecer um pretexto para que a maioria dos brasileiros elegesse presidente quem nunca disputara uma eleição. Quem já rejeitara disputar uma, argumentando que não tinha “perfil de candidata”. E quem por falta de sorte vira falir uma loja onde tudo que ali se vendia custava apenas R$ 1,99.

Dilma jamais foi uma gestora excepcional — a verdade é essa. Foi apenas uma aplicada gerente. E com um grave defeito que compromete o desempenho de qualquer gerente: o gosto pela centralização. Nada se faz em seu governo sem que ela seja ouvida antes. Em certas ocasiões, Dilma pede para ler antes discursos que seus ministros pronunciarão mais tarde. Ultimamente, deu de interferir até nas rotas do Boeing presidencial. Detesta turbulências. Passou a entender de aviação para poder evita-las.

A certa altura, o câncer que atingiu as cordas vocais de Lula ameaçou o sonho cultivado por ele de substituir Dilma — em 2014 ou em 2018. Curado, Lula acompanha as dificuldades de Dilma para governar o país. Nem gerente sintonizada com as exigências dos tempos modernos, muito menos gestora admirável. Atrapalhada na condução da economia. Um rotundo desastre no exercício cotidiano da política.

Por delicadeza, o PT se arriscará a ser desalojado do poder caso Dilma corra de fato o risco de vir a ser derrotada? Cresce entre os partidos aliados a torcida por enquanto silenciosa pela volta de Lula. Dilma é temida. Amada? Bem, só se for por Aloizio Mercadante, ministro da Educação.

Publicado aqui, no Blog do Noblat.

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“Controle social da mídia”, na máquina do tempo, de Nini a Lula

Jornalista Augusto Nunes
Jornalista Augusto Nunes

O general Newton Cruz mostrou há 30 anos como funciona o ‘controle social da mídia’ com que sonha a seita lulopetista

Por Augusto Nunes

De passagem pela Argentina, entre um e outro olhar 171 na direção da companheira Cristina Kirchner, Lula festejou a ofensiva liberticida concebida para sufocar financeiramente o Grupo Clarín. “Podem vir todos os jornais, todos os canais de televisão que quiserem que não poderão negar o apoio que este governo tem”, caprichou na bravata ao discursar na inauguração de uma universidade controlada por sindicalistas. Na continuação do palavrório, sonhou acordado com a ressurreição da censura à imprensa no Brasil, disfarçada de “controle social da mídia” ou “regulamentação dos meios de comunicação”.

“Faz dois anos e meio que deixei o governo”, choramingou o ex-presidente que ainda não desencarnou do Planalto. “Eu pensei que a nossa imprensa, no Brasil, fosse parar de falar mal de mim. Mas hoje falam mal de mim e da Dilma. Às vezes, eu tenho a impressão de que a imprensa está exilada dentro de nosso país. Está isolada. Quando nos criticam, dizem que é democracia, mas quando nós os criticamos dizem que estão sendo atacados”. (Segundo o Glossário da Novilíngua Lulopetista, “falar mal”  quer dizer divulgar, denunciar, investigar ou comentar escândalos protagonizados por militantes ou aliados do PT. Exemplo: “Faz 195 dias que alguns jornalistas falam mal de Lula e Rose”).

Dias depois da performance dedicada à viúva-de-tango, o palanque ambulante retomou no Peru o tema recorrente. Entre uma palestra de 100 mil dólares e uma conversa encomendada por benfeitores de campanhas eleitorais, o camelô de empreiteiro concedeu uma entrevista ao La Republica — e não perdeu a chance de reiterar a advertência: “Os companheiros da comunicação devem compreender que um canal de TV é concessão do Estado. E não se pode usar uma concessão para atuar como partido político. Não pode inventar fatos. Tem de contar a verdade”. (O alvo era o jornalismo independente. Ruim de mira, Lula acertou a testa da TV Brasil, o pé das emissoras do companheiro José Sarney e o fígado do jornal do parceiro Fernando Collor.)

Passados quase 30 anos, o ex-presidente — quem diria — invoca argumentos semelhantes aos utilizados pelo general Newton Cruz, então comandante militar do Planalto, para inaugurar em 17 de dezembro de 1983 o que o PT batizaria tempos depois de ‘controle social da mídia’. A estreia da censura com codinome ocorreu durante a entrevista coletiva convocada pelo general para prestar contas à nação sobre as medidas de emergência em vigor desde 19 de outubro daquele ano. Em tese, haviam sido decretadas “para preservar a ordem pública” em Brasília. Na prática, pretendiam inibir as manifestações populares que reivindicavam o restabelecimento das eleições diretas.

Já no começo da entrevista, o repórter Honório Dantas, da Rádio Planalto, fez a pergunta óbvia: o regime democrático sofrera um retrocesso? Como tem ensinado nos últimos anos o ex-jornalista Rui Falcão, o chefe militar achou que aquilo não era de interesse público. E partiu para o berreiro de botequim:

“Que retrocesso coisa nenhuma! Que retrocesso? É constitucional. O que é democracia? Democracia é a aplicação da lei! A lei foi aplicada! Então, não houve retrocesso. Que modifique a lei, então. Que retrocesso coisa nenhuma! Isso daí é reproduzido em centenas de jornais, atinge milhões de brasileiros, uma única fonte dizendo falsidades! Atinge milhões de brasileiros e mais ainda: cada jornal reproduz como se fosse uma notícia sua! Vale dizer, sai de uma maneira num jornal, sai de outra maneira em outro jornal! Isso aí fica espalhado no Brasil todo! Fonte? Uma única — e falsidade!”

Resumo da gritaria: a culpa era da imprensa. Que, além de espalhar mentiras, também se atrevia a afrontar um patriota fardado, atesta a continuação do incidente inverossímil. Parece ficção. A gravação prova que é tudo verdade. O militar que os colegas chamavam de “Nini” (e o presidente João Figueiredo promoveu a “nosso Mussolini”) mostrou como funciona a censura com que sonham os lulopetistas.

Para ensinar que jornalistas não devem perturbar autoridades com perguntas incômodas, muito menos discordar do que diz a voz do poder, o entrevistado primeiro ordenou que o radialista calasse a boca — e sublinhou a ordem com um empurrão. Como o entrevistador continuou a falar, o entrevistado enlaçou com um braço o pescoço do inimigo e exigiu aos berros que pedisse desculpas. Nada como uma boa gravata para deixar claro que imprensa séria é imprensa a favor.

Depois da exibição do vídeo histórico no Jornal Nacional, o ex-metalúrgico que comandava o PT oposicionista declarou-se inconformado com o “comportamento antidemocrático” do general. Hoje, bastaria meia hora de conversa para que Lula e Nini descobrissem que são amigos de infância. Os intolerantes — todos — nasceram uns para os outros.

Publicado aqui, na coluna “Direto ao ponto”, do Augusto Nunes.

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Na rede e nas grades, o sucesso do “lamparão” Léo Santos e do “Campista Cabrunco”

Com humor e inteligência, “Campista Cabrunco” é um grande sucesso no face
Com humor e inteligência, “Campista Cabrunco” é um grande sucesso no face (reprodução de Elaina Galdino - clique na imagem para ampliá-la)

“Quer ser universal, canta a sua aldeia”. A máxima do russo Leon Tolstói (1828/1910) certamente foi um dos ingredientes do sucesso do “Campista Cabrunco” no facebook (aqui), onde seu mural alcançou enorme popularidade ao misturar cotidiano, neologismos da terra de José Cândido de Carvalho (1914/1989) e Alberto Lamego (1896/1985), e sobretudo muito humor, sendo curtido e acompanhado por nada menos que 15.583 pessoas, até o presente momento. Diante de tamanha aceitação, até natural que a iniciativa desse o próximo passo, lançando também seu próprio blog,  que começou com pé quente, anunciando a vitória do lutador Léo Santos, ontem à noite, no TUF-Brasil 2, que dá acesso ao Ultimate Fighting Championship (UFC), maior evento de MMA do planeta.

Carioca radicado em Campos, Léo fez questão de frisar para o Brasil e o mundo sua “cidadania” do coração, logo após a vitória sobre William Patolino, com um katagatame, no segundo assalto:

— Campos, vocês têm um lamparão bom de briga!

Após a vitória de ontem, Léo teve o braço erguido pelo árbitro Mário Yamazaki
Após a vitória de ontem, Léo teve o braço erguido pelo árbitro gente boa Mário Yamazaki

Ao “lamparão” Léo e ao “Campista Cabrunco”, toda a sorte deste mundo! Talento e amor a esta planície cortada pelo Paraíba do Sul, os dois já provaram ter de sobra.

Da força dos punhos e chaves de Léo, você pode saber aqui, pelo jornalista e fã de MMA Alexandre Bastos, primeiro na blogosfera goitacá a noticiar a vitória histórica do campista por adoção mútua.

Já do mais novo blog da cidade, prova inconteste da força regional nestes tempos de informação global, cada vez mais latente na democracia irrefreável das redes sociais, vale a pena a conferida aqui

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Nahim dá razão a Anthony: “Somos irmãos, mas somos muito diferentes”

“Garotinho me conhece muito bem, como eu também o conheço”. Se a constatação não impediu que o deputado federal e pré-candidato a governador Anthony Matheus (PR) atacasse publicamente seu próprio irmão, o ex-vereador Nelson Nahim (atual PPL), depois que este foi nomeado pelo governador Sérgio Cabral (PMDB) à presidência da Fenorte, aparentemente bastou ao primogênito de dona Samira, que confirma ter seus trunfos guardados no convívio íntimo de mais de 20 anos no grupo político do irmão, mas os guardará em nome do que julga seu maior trunfo, creditando-o à criação recebida dos mesmos pais: “caráter”. Com muitos planos para a Fenorte, Nahim também os tem ainda na política, confirmando que deve mesmo deixar o PPL pelo PSD do ex-prefeito paulistano Gilberto Kassab, com quem já se reuniu pessoalmente, assim como aceitar disputar pelo novo partido a eleição para deputado federal, como sugeriu pessoalmente o vice-governador e pré-candidato a governador Luiz Fernando Pezão (PMDB). Neste sentido, ele respondeu à sobrinha e deputada estadual Clarissa Matheus (PR), crítica quanto às chances eleitorais do tio, lembrando que ela, por exemplo, teve menos votos como candidata à vice-prefeita carioca do que quando concorreu à Assembleia Legislativa. Admitindo que ainda mantém o sonho de chegar pelo voto à Prefeitura de Campos, que ocupou interinamente durante seis meses em 2010, na primeiro cassação da prefeita Rosinha (PR), de quem garante nada ter a se queixar, Nahim deu razão ao que disse Anthony: “Somos irmãos, mas somos muito diferentes”.

Folha da Manhã — Quais são suas principais metas administrativas nesse retorno à presidência da Fernorte?

Nelson Nahim — A Fundação Estadual do Norte Fluminense (Fenorte) é a única fundação instalada no interior do Estado. Sua criação se deu junto com a Tecnorte e a Uenf, para ser sua mantenedora. Porém, com a sua separação da Uenf, ficou sem uma função definida, passando ao longo dos anos por um processo de autodestruição. Quando assumi a Fenorte, há 7 anos, a convite da então governadora Rosinha (então no PMDB), realizei uma série de projetos. Todos hoje, infelizmente, paralisados. Além disso, pude regularizar naquela ocasião a questão do plano de cargos e salários dos funcionários da Fundação. Na área da ciência e tecnologia tenho como metas retomar o diálogo junto à secretaria estadual de Ciência e Tecnologia e implantar definitivamente, colocando para funcionar, a Biofábrica que deixei pronta e equipada, mas tomei conhecimento que jamais funcionou desde que saí, bem como voltar a ativar o laboratório de cerâmica, além de novamente implantar, com recurso da Faperj (Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado do Rio de Janeiro), o programa de bolsas. Na área agrícola, estou elaborando projeto para atender aos produtores rurais e assentamentos nos mesmo moldes de quando assumi a Prefeitura de Campos, na minha interinidade como prefeito para atender aos produtores rurais não só de Campos, mas também de todos os municípios na abrangência da Fenorte, que são mais de 30. Na área da cultura, a meta é levar cinema aos alunos da rede estadual e municipal de ensino, nas cidades de abrangência da Fenorte que não possuem salas de cinema, complementando assim o projeto do governo do Estado “Cinema para Todos”. Na área social, um grande projeto que irá beneficiar milhares de crianças, a ser realizado em conjunto com as escolas estaduais, aplicando aulas de reforço escolar, educação física, com aulas de diversas modalidades de esportes, como futebol,vôlei, judô, música. Retomar a parceria com a Policlínica dos Bombeiros e reativar o setor de fisioterapia, que há 7 anos, na minha gestão, se tornou referência no tratamento dessa especialidade, atendendo não só aos Bombeiros e familiares, mas aberto também à comunidade. Retomar também a parceria que tínhamos com o IFF (Instituto Federal Fluminense), onde tínhamos projetos que iam da área do esporte à formação de detentos no curso de informática. Viabilizar cursos de qualificação profissional gratuitos preparando para as áreas fortemente instaladas não só no nosso município, como também no município de São João da Barra com a instalação do Superporto do Açu. Retomar ainda várias parcerias com a Uenf. Tudo isso só pode ser realizado se tiver vontade politica, e o governador Cabral me garantiu que dará condições para essas realizações. Disse a ele que não permaneceria na Fenorte para ocupar um cargo público apenas para receber salário. Se as coisas não andarem, saio da mesma maneira que entrei, tranquilo e sereno. Tem mais, mas o resto é segredo por enquanto.

Folha — E suas metas políticas a partir da sua gestão na Fundação estadual?

Nahim — Trabalho é trabalho e política é política. Não estou indo à Fenorte para fazer política barata, que infelizmente muitos fazem. Aquela do toma lá, da cá. É claro que um bom trabalho, feito sem segundas ou terceiras intenções, traz reconhecimento da população, e claro pode haver ganho politico sim. Mas repito: a minha ida para a Fenorte é no sentindo de realização profissional.

Folha — Vice-governador e pré-candidato à sucessão de Sérgio Cabral, Luiz Fernando Pezão disse aqui, em sua última visita a Campos, em 15 de maio: “Nelson Nahim é importantíssimo para o nosso grupo. Inclusive, queremos que ele seja nosso candidato a deputado federal”. Disputará a Câmara Federal?

Nahim — Não estava nos meus planos, até acontecer o convite do vice-governador Pezão, participar mais da vida pública, pois esse não é o desejo de minha família, mulher e filhos. A decepção com alguns políticos foi grande durante esses 16 anos de mandato como vereador e mais uns 10 exercendo funções diversas nas prefeituras de Campos e São João da Barra. Porém, é muito bom quando você é reconhecido, primeiro pela população nas ruas, e depois por políticos que você não esteve ao lado, mas te dão valor, e a partir daí resolvi aceitar mais esse desafio.A candidatura a deputado federal virá no momento oportuno, como consequência e decisão politica do grupo que hoje participo. Se for escalado para ser soldado ou deputado, estarei pronto para participar do pleito. Eu sou uma pessoa agregadora, e não um criador de casos.

Folha — Você hoje está no PPL, mas é dada como certa sua ida ao PSD, partido do líder da situação na Alerj, deputado estadual André Corrêa (PSD), que participou da reunião com você, Cabral e Pezão, em 27 de maio, quando ficou acertada sua volta à Fenorte. Que participação o deputado teve em sua nomeação? O PSD será mesmo seu destino?

Nahim — Na próxima semana terei uma conversa com a direção estadual do PPL, na figura do nosso presidente Irapuã, pois sou muito grato a esse partido que me acolheu em um momento difícil. Tenho certeza que tudo será resolvido adequadamente. O deputado André Corrêa foi o interlocutor do vice-governador Pezão e do governador Cabral, não com o objetivo de qualquer nomeação, pois nunca tratamos desse assunto. Apenas tivemos conversas anteriores para falarmos sobre política e acertarmos uma agenda com ambos, acerca da minha ida para seu grupo politico, já que ele é o líder do governo na Alerj e é uma pessoa a quem respeito e admiro por sua postura e educação. Inclusive, já tivemos um encontro no Rio com o ex prefeito de São Paulo e presidente do PSD, Gilberto Kassab, que me convidou para ir para o seu partido, e acredito que esse será o meu caminho.

Folha – No PSD, como seria sua convivência com o deputado estadual Roberto Henriques, eleito em 2010, segundo consta, graças ao seu apoio, já que era prefeito à época, nos seis meses que duraram a primeira cassação de Rosinha?

Nahim — A melhor possível. Pois além de ter uma boa relação pessoal com Roberto, muito de seus colaboradores são meus amigos, o que vai fortalecer não só a ele, mas o partido como um todo. Eu sei que o Roberto disse a muitas pessoas que eu o ajudei bastante em sua campanha para deputado estadual. Mas ele não tem que me agradecer por nada,o que fiz com Roberto e os outros candidatos do grupo politico que fazia parte, foi cumprir o papel que todo homem, público ou não tem que ter: palavra.

Folha — Em contrapartida ao que disse Pezão, sua sobrinha e deputada estadual Clarissa Matheus, que também deve vir a federal, disse em entrevista à Folha (confira aqui), sobre a possibilidade de você concorrer contra ela em 2014: “Com relação à candidatura de Nahim, prefiro não comentar. As urnas falam, a gente ouve se quiser”. Como responde à alfinetada e como alguém que não se elegeu vereador, em 2012, pode se eleger deputado federal dois anos depois?

Nahim — A Clarissa é uma moça inteligente, capaz, uma boa deputada estadual, atuante e tem tudo para ser uma deputada federal brilhante, mas só o tempo lhe dará uma coisa que ainda lhe falta: maturidade. Nem sempre uma derrota eleitoral significa uma derrota politica. A repercussão da minha derrota eleitoral foi maior do que se tivesse ganho a eleição. Se quiser conferir, ande comigo pelas ruas de nossa cidade e verá o que fala o povo de Campos. Do cerco que foi feito a mim, por me desligar do seu grupo politico; do massacre que sofri durante o processo eleitoral. Cada eleição é uma eleição diferente. Na Câmara de Campos tem oito vereadores eleitos que fizeram menos votos do que eu. Paciência, essa é a regra do jogo. Ela mesmo sofreu recentemente um fracasso eleitoral retumbante, quando concorreu à eleição de vice-prefeita do Rio, na chapa com o (deputado federal ) Rodrigo Maia (DEM) e fizeram juntos menos votos do que ela sozinha conseguiu para deputada estadual, concorrendo com centenas de candidatos.Volto a repetir, cada eleição é uma eleição diferente. A maturidade e a humildade são coisas que, com certas pessoas, só o tempo é capaz de ensinar, com os nossos erros e acertos. Faz parte da vida de cada um de nós.

Folha — O tal “plano Nahim”, que teria sido urdido no bloco governista da atual Legislatura de Campos, com o objetivo de pressioná-lo a não ingressar no grupo governista de Cabral, foi aparentemente deixado de lado, após um contato telefônico entre você e seu irmão e deputado federal Anthony Matheus, no início do ano (relembre aqui). Afinal, qual foi o contexto e o que foi dito nessa conversa entre você e ele? Ele realmente chegou a propor um encontro pessoal?

Nahim — Não quis comentar na época e não vou fazê-lo agora. Não foi um telefonema de um político para o outro. Foi um telefone de um irmão para o outro. O assunto só a nós pertence e a mais ninguém. Mesmo sendo homens públicos, os assuntos tratados em família, temos o direito de manter a privacidade.

Folha — Segundo consta, Thiago Virgílio (PTC), assim como Miguelito (PP), contaram com apoio particular de Anthony Matheus, na campanha de 2012, já que os dois, como você, eram fortes na 249ª Zona Eleitoral. Depois de eleito, Virgílio publicamente assumiu a vanguarda das investidas contra você, chegando a anunciar para 11 de março último a apresentação de um relatório com as investigações da sua gestão na presidência na Câmara, o que não aconteceu (recorde aqui). Com sua entrada no governo Cabral, acredita que essas ações serão retomadas? Teme-as?

Nahim — A questão da 249ª Zona Eleitoral não foi primordial para que eu não ganhasse a eleição, pois a diferença dessa última eleição para a anterior ficou na casa de 100 votos. Isto, somente, não alteraria o resultado final. Um conjunto de fatores, como citei anteriormente, é que decidiu o pleito. Quanto a qualquer vereador, seja Thiago Virgílio ou não, apurar ou investigar ações minhas, durante a minha gestão à frente da Câmara, faz parte da função de vereador. Quem está na vida publica como eu, há mais de 25 anos, não deve temer qualquer investigação. Porém, ninguém é criança para saber como isso funciona, quando se tem, como líder político, Anthony Garotinho. O que não lhe falta são puxa saco e bajuladores. Eu sou um homem de paz e Garotinho sabe e me conhece muito bem, como eu também o conheço.

Folha — Embora ressalvando ter “apreço pessoal” por você, seu irmão reagiu mal à sua nomeação, no blog dele (leia aqui). Entre outros ataques, disse que você “conspirou para que Rosinha ficasse afastada da Prefeitura” para assumir o cargo dela. A referência parece ser à tumultuada sessão da Câmara de 30 de setembro de 2011, quando você foi impedido fisicamente de cumprir uma decisão judicial para tomar posse como prefeito (reveja aqui), na segunda cassação de Rosinha. Qual a sua versão dos fatos?

Nahim — Toda a cidade sabe, e Garotinho também, que jamais conspiraria contra ninguém, primeiro, por conta da formação, do meu caráter que herdei de nossos pais, muito menos contra a prefeita do meu grupo político e minha cunhada. O que aconteceu na Câmara foi uma vergonha não para mim, mas para toda a cidade. Eu estava ali cumprindo uma decisão da Justiça. Como advogado, sei que decisão judicial só se tem duas alternativas: ou se cumpre ou se recorre dela. O que aconteceu na Câmara foi um verdadeiro vandalismo comandado por pessoas ligadas a Garotinho. Ser leal é diferente de ser subserviente.

Folha — Seu irmão também afirmou que você foi nomeado porque se voltou contra ele e Rosinha, ganhando a Fenorte de presente para participar da campanha de Pezão ao governo do Estado, ao qual ele também é pré-candidato. Como responde a essas acusações?

Nahim — Como afirmei anteriormente, nunca me voltei contra o Garotinho e muito menos contra a Rosinha, da qual eu não tenho nada a me queixar. Se essa é a sua opinião, o que eu posso fazer? Cada um tem o direito de seguir o seu caminho, mesmo politicamente em lados opostos, mas com respeito um pelo outro. É o que eu espero que ele faça, pois eu sempre fui assim, não vou permitir por causa da politica, os nossos irmãos e nossa mãe vivam sofrendo com isso. Ele tem razão quando disse: “Somos irmãos, mas somos muito diferentes”.

Folha — Da maneira mais franca possível, seu irmão tem algo a temer em sua participação na campanha de Pezão, além do mero apoio político do irmão a um concorrente? Como alguém que participou durante anos do primeiro escalão do grupo político dele, como vereador, presidente da Câmara e até prefeito interino, você  não tem trunfos guardados na manga?

Nahim — Sinceramente, eu acho que o Garotinho gostaria que eu estivesse do seu lado, pois ele sabe que contribuí muito em todas as funções exercidas por mim, para ele e seu grupo político. Eu realmente tenho vários trunfos na manga, mas posso resumi-los a um: caráter. Eu jamais farei parte do rol dos traidores ou canalhas.

Folha — Em outra entrevista, há alguns anos, você admitiu que seu sonho era ser prefeito de Campos, que acabaria realizando de maneira interina, naqueles seis meses da primeira cassação de Rosinha? Mantém o sonho de chegar lá pelo voto do eleitor? Em 2016, será possível derrotar o candidato que seu irmão escolher à sucessão de Rosinha?

Nahim — Este é um sonho que não acabou. Ser prefeito da cidade em que se vive e à qual se ama, deveria ser o sonho de todo político. Mas veja como a vida é engraçada, mesmo que queira não poderei ser candidato a qualquer cargo na eleição de 2016 (prefeito ou vereador), pois a legislação eleitoral é clara, a prefeita Rosinha é minha cunhada, consequentemente parente afim de 2° grau. Isso caracterizaria um terceiro mandato consecutivo,mesmo estando em partidos e palanques diferentes. Paciência, tudo tem o seu tempo. Nós não sabemos, mas Deus sabe de todas as coisas.

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Inflação começa a causar estragos na aprovação (e reeleição) de Dilma

Folha de São Paulo


Governo Dilma tem 57% de aprovação após queda de 8 pontos, diz Datafolha

A popularidade da presidente Dilma Rousseff caiu pela primeira vez desde o início de seu mandato, há dois anos.

Pesquisa feita pelo Datafolha na quinta e na sexta-feira mostra que 57% da população avalia seu governo como bom ou ótimo. São 8 pontos a menos que no levantamento anterior, feito em março.

A presidente perdeu popularidade entre homens e mulheres, em todas as regiões do país, em todas as faixas de renda e em todas as faixas etárias, segundo o Datafolha.

Os números do Datafolha indicam que a deterioração da imagem de Dilma é um reflexo do aumento do pessimismo dos brasileiros com a situação econômica do país e mostram que a população está mais preocupada com a inflação e o desemprego.

Para 51%, a inflação vai subir. Em março, esse índice era de 45%. A mesma tendência pode ser observada em questões sobre desemprego, poder de compra do salário, situação econômica do país e do próprio entrevistado.

Apesar da queda de popularidade, a presidente Dilma Rousseff continua sendo a favorita para vencer a eleição presidencial do ano que vem.

No cenário mais provável da disputa, em que teria como adversários a ex-senadora Marina Silva (Rede), o senador Aécio Neves (PSDB) e o governador de Pernambuco, Eduardo Campos (PSB), Dilma teria 51% das intenções de voto, segundo o Datafolha.

São sete pontos a menos que o verificado no levantamento anterior, de março. Mas ainda assim é o suficiente para liquidar a eleição já no primeiro turno.

Em segundo lugar, com os mesmos 16% da última pesquisa, aparece Marina, atualmente engajada na criação de um novo partido político, a Rede Sustentabilidade.

Aécio foi o único que cresceu em relação ao levantamento de março. Ele tem agora 14% das intenções de voto, quatro pontos a mais que na pesquisa anterior.

Nessas oportunidades, Aécio criticou o governo com muita ênfase na inflação, objeto de crescente preocupação da população, conforme a mesma pesquisa.

Em quarto lugar na pesquisa, com 6% das intenções de voto, aparece o governador de Pernambuco, Eduardo Campos (PSB). O índice é mesmo obtido por ele no último levantamento.

A pesquisa foi realizada nos dias 6 e 7 de junho. Foram feitas 3.758 entrevistas. A margem de erro é de 2 pontos percentuais para mais ou para menos.

Atualização à 1h54: Aqui, o jornalista Saulo Pessanha já havia repercutido na Folha Online a pesquisa do Datafolha com a queda da popularidade e intenções de voto da presidente Dilma.

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PR — Fidelidade imposta aos eleitos revela falta de fé na eleição a governador

(Fotos de Gerson Gomes)
(Fotos de Gerson Gomes)

Lendo aqui o sempre atualizado Blog do Bastos, soube que um dos principais motivos para o Congresso Estadual do PR, realizado hoje em São João de Meriti, com a presença de mais de 8 mil pessoas, foi a aprovação de uma resolução visando à manutenção do mandato no partido de todos os candidatos eleitos em 2014. Embora sem força de lei, a resolução partidária é amparada em decisão do Supremo Tribunal Federal (STF), mas não se trata de nenhuma novidade no PR, já que em entrevista dada à Folha e publicada em 19 de maio último, seu deputado estadual e pré-candidato a federal Geraldo Pudim já havia adiantado aqui:

— Nossa meta é fazer de 10 a 12 deputados estaduais. Em 2010, elegemos nove e ficamos com apenas quatro: Clarissa, Altineu, Samuquinha e eu. As coisas ficam difíceis por conta da hegemonia do PMDB, que hoje tem o vice-presidente da República, os presidentes do Senado e Câmara federais, o governador e o vice do Estado do Rio, o presidente da Alerj, o prefeito da cidade do Rio e o presidente da Câmara de vereadores da capital. Diante dessa hegemonia, além de recuperarmos o governo fluminense com Garotinho, o que ele tem preconizado é primar mais pela qualidade do que pela quantidade, em relação dos nossos demais candidatos.

Tomando por base o controle do governo estadual como força capital de cooptação de candidatos eleitos por partidos de oposição, na analogia tecida pelo próprio Pudim, alguém que seja capaz de somar dois mais dois e encontrar o quatro como resultado, poderia supor que a apresentação e aprovação pública da resolução de fidelidade partidária é um claro indicativo de nem que o presidente fluminense do PR, o deputado federal e pré-candidato a governador Anthony Matheus, o Garotinho, tem muita certeza ou fé em sua eleição à sucessão de Cabral. Até porque, por suposto lógico, um candidato certo da sua eleição estaria mais preocupado em usar o poder da máquina para seduzir deputados de outros partidos, do que em ter os seus cooptados.

Ademais, para alguém que hoje está no PR, depois de passar por PC do B, PT, PDT, PSB e PMDB, sem deixar saudades em ninguém que permaneceu nestas legendas, venhamos e convenhamos que Anthony Matheus, o Garotinho, não é o político mais indicado para pregar nenhum tipo de fidelidade partidária.

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Que tipo de gente reduz gente a isso?

Pode ser para rir, pode ser para chorar, mas porque os neofascistas da Planície Goitacá ao Planalto Central, unindo o garotismo e o lulo-petismo pelos mesmos interesses inconfessáveis na MP dos Portos, pelos ataques comuns e cada vez mais desavergonhados à liberdade de imprensa e, sobretudo, pelo mesmo assistencialismo populista bancado com dinheiro público, visando arrebanhar gente como gado em seus currais eleitorais, felizmente não resistem nem por um segundo à exposição das suas aberrantes contradições na democracia irrefreável das redes sociais…

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O que só idiotas e quengas cafetinadas pelo próprio caráter não veem

Tempos estranhos

Ainda não estamos nos “tempos interessantes” da maldição atribuída a Confúcio, tempos em que os riscos e os sofrimentos não cessam, impedindo a tranquilidade. Mas, pelo andar da carruagem, chegaremos lá.

Bastaria o caso da controvérsia causada pela declaração do ministro Gilberto Carvalho a um grupo de índios, revelando que a presidente havia dito que a ordem judicial de reintegração de posse da fazenda Buriti, em Mato Grosso do Sul, não deveria ter sido cumprida, para exemplificar os tempos estranhos que vivemos.

Dilma, evidentemente, garantiu em público que o governo brasileiro cumpre as leis. Carvalho soltou uma nota dizendo que fora um equívoco dele, que queria apenas demonstrar o sentimento da presidente pela morte de um índio no conflito.

Das duas, uma: ou Carvalho disse a verdade inconveniente, que não podia ser revelada, ou mentiu para os índios na tentativa de acalmá-los. Nas duas hipóteses, seria um auxiliar ineficiente, mas em Brasília acredita-se mais na primeira, o que desvenda mais uma vez a alma autoritária da presidente Dilma.

E é essa índole autoritária que vem sendo posta à prova nestes tempos conturbados que vivemos. Quando afirmou, por exemplo, que não sacrificaria o desenvolvimento para conter a inflação, deixou no mercado a certeza de que aceitaria um pouquinho de inflação para aumentar o PIB, o que colocou todo mundo em alerta, com efeitos óbvios.

Mais adiante, disse que o país não tinha meios de controlar a subida do dólar, e mais uma vez o mercado se alterou.

A confusão em torno dos saques antecipados do Bolsa Família é mais um exemplo de como um governo descoordenado pode se machucar por conta própria. Diante do tumulto provocado por um suposto boato de que o programa iria acabar, Dilma disse que aquele era um ato “desumano”.

O ex-presidente Lula lamentou a existência de pessoas “capazes de fazer tanto mal” aos mais pobres. E a ministra Maria do Rosário apressou-se pelo Twitter a insinuar que a origem dos boatos era a oposição.

Logo ficou claro que o erro fora cometido pela própria Caixa Econômica Federal, que liberou o pagamento do Bolsa Família sem obedecer ao calendário que ela própria estabelecera desde sempre.

Com isso, pessoas que foram ao banco fazer outras transações descobriram que o dinheiro já estava lá, e começou o boca a boca sobre a liberação antecipada.

Muitos entenderam que aquele era um sinal de que o programa iria acabar, outros acharam que era um bônus pelo Dia das Mães, o que marca bem o maternalismo que domina nossa política.

Não se fala mais do tal call center do Rio de Janeiro que supostamente espalhara o boato. O presidente da Caixa teve de admitir o erro depois de tentar escondê-lo, e só o fez porque a “Folha de S. Paulo” denunciou que os pagamentos haviam sido antecipados.

Junto a essas trapalhadas, vêm as notícias ruins da economia, que resultam em advertência da agência Standard & Poor’s de que o grau de investimento que o Brasil ganhou no governo Lula pode ser cassado se nos próximos dois anos a economia continuar demonstrando tamanha fraqueza e, sobretudo, problemas de inconsistência como inflação alta e déficits.

Já há quem mais uma vez sugira tirar o B do acrônimo Brics.

Nenhum dos programas oficiais está com seu cronograma em dia, seja o PAC, seja o Telefone Para Todos, seja o Minha Casa Minha Vida, ou as obras para a Copa do Mundo. Ou a queda forçada dos juros, que agora está tendo que ser revertida, ou a redução do custo da energia elétrica, que não chega aos 20% prometidos na televisão.

Todos têm a mesma característica: saem mais caro do que o anunciado e atingem menos pessoas. Simplesmente porque não correspondem a nenhum planejamento, são fruto de um voluntarismo que não se baseia na realidade.

Algo assim como querer tirar da rota do avião presidencial as nuvens turbulentas.

Publicado hoje, na edição impressa de O Globo.

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