Homofobia — Outras opiniões

Dentro da polêmica discussão sobre homofobia, suscitada pelas recentes declarações do deputado federal Anthony Garotinho (PR), em sua reincidente e sempre explosiva combinação entre fundamentalismo religioso e política laica, este “Opiniões” cumpre seu papel de tribuna para para democraticamente divulgar outras opiniões, neste e nos três posts subsequentes — duas delas externadas em comentários neste blog e as duas demais publicadas originalmente  em outros espaços virtuais…

  • Caríssimos, Aluysio e José Renato, Bom Dia, como eu disse, em um post anterior, não sou da turma do Garotinho e desejo que ele e seus asseclas, sofram todo o rigor da lei e sejam banidos da vida pública. No entanto, a fala de Garotinho sobre o homossexualismo, comunga com o pensamento da grande maioria dos cristãos no Brasil e em todo mundo. A questão é que vários integrantes da chamada Imprensa Secular vive querendo induzir os leitores ao erro.É muito habitual, entre eles, dizerem que Jesus era e é amor e, por isso, não tinha acepção de ninguém e acolhia a todos. De fato, Jesus não fazia distinção de pessoas e acolhia a todos, mas também repreendia, corrigia e, sobretudo, formava as pessoas. Cristo repreendeu aqueles que queria fazer do seu templo um comércio; questionava seus discípulos quando perdiam a fé, brigou até com o diabo quando este O queria tentá-lo, dentre outras coisas. Outra curiosidade em seu texto, caro Aluysio é restringir a Bíblia, como só existisse o Novo Testamento, mais exatamente os 4 evangelhos, mas não é por aí.Á Bíblia é formada por 73 livros que vão do Gênesis ao Apocalipse. Logo de cara, no Livro do Genesis 1, 27, diz que “Deus criou o HOMEM e a MULHER”, não dois HOMENS ou duas MULHERES ou algo diferente disso.E os criou a Sua imagem e semelhança.Depois tem os textos de Genesis 19,1-29, Rm 1,24-27 que consideram uma depravação grave. Sou jornalista e milito há quase 10 anos, na chamada imprensa religiosa aqui em Campos, e como tal, sou obrigado a estudar doutrina, ler, ser autodidata em alguns momentos, ou seja, tenho que ter base. Na imprensa secular tem-se de quase tudo, gente que fala de esporte, economia, política, análise de conjuntura internacional, questões agrárias, mas quando se chega a temática da religiosidade cristã, é uma tristeza. Mas tem exceções, como o Carlos Ramalhete, do Correio do Povo, em Curitiba e o Blog Ancoradouro, do Jornal “O Povo”, de Fortaleza. Eu li sua resposta ao leitor, mas a ela mostra que infelizmente, tem aqueles que querem propagar um formato herético de cristianismo “light” que adapte ao mundo moderno ou como você mesmo diz “no século XXI”. Mas é preciso que se aprenda que o verdadeiro cristianismo é o da contradição desse mundo, da perseguição, de muitas vezes serem assassinados, ser ultrajado em nome da palavra. O sermão da Montanha ou do monte mesmo disse isso em Mateus 5,11.Sim, Aluysio, Jesus é o mesmo ontem, hoje e sempre. Ela é atemporal, não muda, queiram ou não. Quanto a vitória nos tribunais, é só assim, que eles sabem ganhar, no tapetão, sem debate com a sociedade (onde a maioria não quer), ou seja, não foi democrático. Dá mesma forma, a questão do aborto de anencéfalos, das células tronco embrionárias, da liberação das marchas da maconha, etc. Podem até me chamar de conservador, retrógrado, da idade das trevas, mas o artigo 5º da CF garante a liberdade de crença, de culto e de expressão, o que quer dizer que o Estado não tem uma religião oficial, mas tem um povo religioso. Que Deus abençoe você e sua família.

Publicado originalmente aqui, como comentário deste blog.

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Enquanto o novo Ibope não vem…

Enquanto a nova pesquisa Ibope, encomendada pela InterTV, do grupo Folha da Manhã, não é divulgada, vale a pena conferir as observações equilibradas entre os votos do eleitor campista, e os votos dos Tribunais Eleitorais, feitas pelo jornalista Roberto Barbosa aqui

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Contra o abestamento moral

Tudo bem, o post da Gianna Barcelos (aqui) já tem três dias, mas no reino das “santidades duvidosas” e dos “amorais de todas as ocasiões”, algumas constatações, por mais óbvias que possam parecer, têm o poder devastador das ofensas aos “dogmas” pré-queda do muro de Berlim (num hoje já distante 1989), paridos no maniqueísmo raso em torno do próprio umbigo fundo. Pecados (ou bizarrices?) tão imperdoáveis quanto arroubos de violência, de arma em punho, abafados em acordos no Judiciário, até os vexames pelo uso e abuso de álcool, entre outras cositas mais, abafados por colegas das forças de segurança, pagos com o dinheiro do contribuinte.

Mas como ainda ainda há quem creia na moralidade pública, mesmo nestes tempos de julgamento do Mensalão na mais alta corte do Planalto Central, como provam as iniciativas da sociedade civil desta Planície Goitacá, quer seja contra o aumento salarial máximo do seu Legislativo (aqui), quer seja pela necessidade do voto limpo na eleição do seu Executivo (aqui), vale a pena conferir a reflexão da blogueira…



A autora do Blog Reflexões não tem candidato a prefeito ainda, mas sabe em quem NÃO VAI VOTAR.

Não tenho motivos contra ROSINHA, [posso não gostar de determinados atos dela, mas não gostar dela é diferente] nem contra ARNALDO, [não gosto de continuar insistindo numa situação que sabe que é irreversível, goza de minha simpatia por ser extremamente humano e, pela grande superação que enfrentou diante de um aneurisma cerebral], mas eleições se disputam nas URNAS e não na JUSTIÇA.

Estamos a poucos dias das eleições e, ainda disputam na Justiça? Contratam advogados a quilates de ouro? De, onde vem este dinheiro?

Isto não é ELEIÇÃO gente.

Eleição se dá pelo voto espontâneo neste ou naquele candidato de acordo com o que ele se propõe a fazer.

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Denunciante de homofobia, Bacellar também foi denunciado

Dia desses, numa conversa pessoal com o blogueiro Gustavo Matheus, este observou que este “Opiniões”, se possuía uma virtude, era a de não ter critérios pautados por interesses pessoais e/ou políticos quanto às suas postagens. Não por outro motivo, no endosso ao julgamento talvez generoso do jovem sobrinho de Anthony Garotinho, segue abaixo, na forma mais relevante de post, o comentário do leitor Juca, feito aqui, sobre uma denúncia de homofobia, devidamente registrada no Judicário, contra o vereador Marcos Bacellar (PDT), que aqui, em aparente contradição, recentemente denunciou o presidente regional do PR pela mesma prática…

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Parecer do MP Eleitoral é pela inelegibilidade de Rosinha

A vice-procuradora-geral Eleitoral, Sandra Cureau, deu parecer nesta segunda-feira pedindo a rejeição do recurso da chapa de Rosinha Garotinho (PR)A vice-procuradora-geral Eleitoral, Sandra Cureau, emitiu parecer pedindo a rejeição do recurso da chapa de Rosinha Garotinho (PR)

Por Bruno Góes | Agência O Globo

A vice-procuradora-geral Eleitoral, Sandra Cureau, deu parecer nesta segunda-feira (17) pedindo a rejeição do recurso da chapa de Rosinha Garotinho (PR) para disputar a Prefeitura de Campos dos Goytacazes este ano. O caso ainda será será julgado pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE), sob a relatoria do ministro Marco Aurélio Mello. Com base na Lei da Ficha Limpa, o TRE-RJ barrou a candidatura de Rosinha no final de agosto, e a candidata recorreu.

Ela foi enquadrada na Lei porque tem duas condenações no TRE-RJ, um órgão colegiado. As duas ações se referem ao mesmo caso: abuso de poder econômico nas eleições de 2008, decorrente do uso indevido de meios de comunicação. A corte condenou, no início de agosto deste ano, a ex-governadora pelo episódio e a declarou inelegível por três anos, a contar de 2008, quando ocorreu o abuso do poder econômico. Na condenação mais antiga, de 2010, a prefeita e o marido, o deputado federal e ex-governador, Anthony Garotinho (PR), ficaram inelegíveis também por três anos. A punição de Rosinha incluiu ainda a cassação do mandato, mas ela conseguiu liminar no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) para se manter à frente da prefeitura de Campos.

O MP eleitoral diz que a liminar do TSE que manteve Rosinha no cargo em 2010 não suspendeu a inelegibilidade. Apenas permitiu que ela continuasse como prefeita. “Conforme bem anotado no acórdão regional, em tal decisão, somente há referência à cassação dos diplomas dos pretensos candidatos, ‘não tendo havido qualquer discussão acerca da inelegibilidade ou dos fundamentos do acórdão recorrido’.”

Defesa — A defesa da candidata afirma que a condenação de inelegibilidade dada no início de agosto não pode tornar Rosinha inelegível, pois a decisão só foi dada após o registro de candidatura, fato este que viola a legislação eleitoral. Já em relação à primeira decisão de inelegibilidade, há o argumento de que houve a sua suspensão. “Nós estamos com a expectativa muito boa. E a jurisprudência é bem clara a nosso favor. A inelegibilidade só pode ocorrer antes do momento do registro”, diz o advogado de Rosinha, Jonas Lopes de Carvalho Neto, referindo-se à segunda decisão de inelegibilidade.


Transcrito do Blog do Bastos (aqui).

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Para tentar justificar homofobia, Garotinho põe palavras na boca de Jesus

“Muitos me dirão naquele dia: Senhor, Senhor, não pregamos nós em vosso nome e não foi em vosso nome que expulsamos demônios e fizemos muitos milagres?/ E no entanto eu lhes direi: Nunca vos conheci. Retirai-vos de mim, operários maus!”

(Mat 7:22-23)

Depois de questionadas aqui, aqui e aqui, respectivamente nos blogs do Gustavo Matheus, do vereador Marcos Bacellar (PDT) e neste “Opiniões”, as declarações homofóbicas, na mistura sempre temerária entre religião e política laica, feitas pelo deputado federal Anthony Garotinho (PR), mereceram resposta do próprio, conforme observou atentamente, aqui, o jornalista Alexandre Bastos. Não sem antes se declarar impressionado com “a capacidade de manipular a verdade de algumas pessoas e de setores da mídia”, Garotinho disse aqui: “Como cristão que conhece a palavra de Deus não posso assistir ao teatro do absurdo de mudarem o que disse Jesus. Amo o pecador, não o pecado”.

Homofobia à parte, e sem duvidar da fé do deputado pela qual ele garante ter sido motivado, não é sem algum constrangimento que o blog se vê obrigado a lembrar, no entanto, que o rabi galileu Yeshua Ben Youssef (Iesous em grego, Jesus em latim), entre outras algumas outras flagrantes diferenças com Garotinho, nunca disse: “Amo o pecador, não o pecado”. Bem, pelo menos não nos relatos da vida e pregação do messias cristão (considerado ainda como profeta pelos islâmicos, que o chamam Isa) registrados por Mateus, Marcos, Lucas e João. Comos são estes os quatro evangelistas aceitos pela cristandade, portanto alicerces do Novo Testamento às denominações católicas e às várias protestantes, recomenda-se a Garotinho que leia melhor a Bíblia, antes de pretender citá-la. Sobretudo, quando for para justificar declarações infelizes, tentando usar um fundamento religioso mal lido e interpretado de maneira ainda pior, visando angariar preconceitos e votos contra aquilo que no mundo laico, pouco sucetível a milagres, parece uma certeza: a chapa Rodrigo Maia/Clarissa Garotinho caminha para ser um dos maiores fiascos eleitorais na disputa à Prefeitura do Rio de Janeiro.

Quanto à utilização da Bíblia para tentar justificar a homofobia, em pleno séc. 21, num paralelo pertinente com o que faziam no séc. 19 os defensores da escravidão (regulamentada por Deus no Velho Testamento), transcrevo abaixo um texto que publiquei em debate com um leitor, aqui, neste mesmo blog, há mais de dois anos, acerca de outra manifestação homofóbica de Garotinho:

Sou radicalmente a favor da união de vida entre duas pessoas que assim desejam, sejam ou não do mesmo sexo. Não vejo como a coletividade, aprovando por princípios pessoais ou não esta união, tenha direito a arbitrar sobre isso. O que vc diria se o Estado (ou seu vizinho) se negasse a reconhecer, por exemplo, a sua união, ou considerá-la, digamos, de segunda classe em relação ao Direito Civil, mesmo sendo montada no respeito aos direitos alheios e, sobretudo, em desejo e sentimento recíprocos? A liberdade de expressão só é um direito intocável enquanto respeita limites como este. Não é onipotente, como não deve ser, por exemplo, para um nazista, um racista, ou qualquer outro preconceituoso, incluindo seu vizinho e o Estado, independente da ideologia ou fé. Tanto pior quando o preconceituoso pretende usar como base a vida e pregação libertárias de certo rabi da Galiléia, que desfez os preconceitos do seu tempo diante de uma prostituta, de um coletor de impostos, de um homem de outra fé, de todos os doentes, dos miseráveis, da face de César estampada numa moeda e dos dois ladrões que o acompanharam em sua morte.
E a coisa ainda é muito pior quando, como os homens do Templo de ontem e hoje, o uso do divino é feito com desavexado objetivo de política terrena. Há dois mil anos, por exemplo, foi o que gerou a crucificação daqueles mesmo rabi.
Da teologia ao estado laico, como é o nosso, a união entre duas pessoas, independente de sexo, já é uma conquista de vários tribunais brasileiros. Nosso Judiciário, graças a Deus, não tem esperado a morosidade do Legislativo nessa questão, impondo a regulação social da jurisprudência à omissão da lei. Seja por decisão judicial ou humanidade de base, é um direito que precisa ser preservardo. E quem se coloca contra ele, é, sim, um preconceituoso; pois tem, sim, preconceito. Moralmente, está próximo de quem se nega a dar uma vida digna aos aposentados ou o direito de acesso à medicina a todos, sonegado em vários lugares do Brasil, como têm sido caso destacado, por exemplo, da saúde pública de Campos.

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Pesquisas e interrogações

Aqui, o jornalista e blogueiro Roberto Barbosa divulgou que uma pesquisa interna do PT, não registrada, “gerou uma onda de entusiasmo”. Quem viu os números finais da consulta, garante que o crescimento da candidatura a prefeito de Makhoul Moussallem, já registrada entre as pesquisas do Precisão (4%)  e a posterior do Ibope (9%), é uma tendência inequívoca e ainda sem teto. Em contrapartida, da mesma maneira permaneceria a larga dianteira de Rosinha Garotinho (57% no Precisão e 63% no Ibope), ainda suficiente para garantir sua vitória em turno único, independente dos números. Mesmo atentos às restrições feitas aqui pelo presidente municipal do PPS e blogueiro Sérgio Mendes, vamos ver o que nos diz a nova pesquisa Ibope, feita este mês, devidamente registrada e que será divulgada amanhã pela InterTV, do grupo Folha da Manhã.

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Garotinho usa homofobia para angariar votos (e preconceitos)

Da juventude hippie à conversão evangélica, muitos foram os caminhos trilhados por Anthony Garotinho, na política e na sua vida a ela quase integralmente dedicada. Muitas também foram as críticas recebidas, mas, talvez, poucas tenham sido tão justas quanto aquelas geradas pela retórica de desrespeito que o deputado federal passou a alimentar contra os homossexuais, num uso perigoso de fundamentalismo religioso para tentar angariar votos (e preconceitos) em busca de poder. Não por outro motivo, a pregação homofóbica (portanto, criminosa) de Garotinho foi alvo de contestações, nos últimos dias, do seu próprio sobrinho Gustavo Matheus (aqui) e do vereador Marcos Bacellar (aqui).

Abaixo, com a licença devida dos dois combativos blogueiros, seguem as transcrições da necessária reação contra o preconceito, de onde quer que ele venha e seja lá por quais motivos, mas tanto pior quando estes são tão claramente oportunistas e torpes…

Garotinho e seus claros preconceitos.

Publicado em setembro 14, 2012

Retirado do Blog : http://www.blogdogarotinho.com.br/lartigo.aspx?id=11846

“Haddad e Paes defendem o aborto, o casamento gay, no caso do Rio, o prefeito “cachorrinho de madame” ainda faz coro pela liberação das drogas, paradas gays, kits de apologia ao homossexualismo. Tudo o que católicos e evangélicos são contra.

Mas na maior desfaçatez de olho nos votos dos cristãos, mentem descaradamente, são lobos em pele de cordeiro que só querem enganar e depois vão dar as costas para católicos e evangélicos. Aliás, aqui no Rio, o senador Lindberg Farias (PT) de olho em 2014 já está fazendo a mesma coisa, enganando os evangélicos. Como diz Reinaldo Azevedo são trapaceiros, que contam com a blindagem da imprensa. Não se deixem enganar! “

Como sempre o “ex-alguma coisa” e futuro nada Anthony Garotinho, usa de preconceitos e influência religiosa para apelar para a população em busca de votos.

Vale lembrar, que vivemos em um País Laico, onde os conceitos religiosos não devem influenciar as diretrizes de um governo, até porque possuímos por aqui também, pessoas não cristãs e sem religião.

Não podemos entender, por exemplo, se um pai ameaça um filho com uma faca, mesmo que a mando de Deus. Ligaríamos de pronto para a polícia se fosse o caso, pois este é um mundo palpável, assim como suas leis e regras, por isso deve ser constituído como tal.

Pare com esses apelos baixos, cansamos de palavras maldosas daqueles que distorcem a Bíblia e suas passagens para benefício próprio.

sábado, 15 de setembro de 2012

CHUCKY E A HOMOFOBIA

Quem conhece o Chucky sabe que suas opiniões sobre homossexuais são polêmicas. Agora, em período eleitoral, seu preconceito resultou até em um racha na campanha de Rodrigo Maia e Clarissa Garotinho, no Rio de Janeiro. Vendo que a sua Garotinha não está fazendo nem cosquinha em Eduardo Paes, o Chucky resolveu ir para a televisão criticar as políticas de apoio aos homossexuais na gestão do prefeito Eduardo Paes (PMDB). Por conta disso, o coordenador da campanha de Rodrigo Maia, Marcelo Garcia, abandonou a campanha e considerou a declaração do Bolinha como “oportunismo político” (AQUI).

É bom lembrar que em 2010 o Chucky andou pelos quatro cantos do Estado do Rio espalhando discursos homofóbicos. Cantava músicas contra homossexuais e debochava de todo mundo. Em um vídeo disponível no YouTube, ele diz: “A coroação da boiolagem é junho (referindo-se a Parada Gay). Em outubro tem eleição. Vamos ver o que o povo vai fazer. Se o povo estiver satisfeito com tudo isso, vota na boiolagem (…) Dá o voto pra eles”, disse Garotinho. Veja o vídeo:

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Opostos unidos pela mesma falta de ética

Não foi só na oposição local que dublês de políticos e blogueiros adotam o Ctrl+C/Ctrl+V sem o devido crédito das informações noticiadas em primeira mão neste blog. Além do reincidente caso revelado aqui, quatro posts abaixo, quem também usou a notícia do cancelamento da vinda de Sérgio Cabral (PMDB) a Campos, hoje, onde era esperado para participar de ato de campanha de Makhoul Moussallem (PT) a prefeito, foi o mais figadal desafeto do governador, seu ex-aliado e deputado federal Anthony Matheus, o Garotinho (PR). Em seu blog, ele usou a informação aqui, às 17h55 de ontem, mais de 11 horas depois do fato ter sido primeiro noticiado aqui, neste “Opiniões”, em postagem evidenciada pelo link direto em chamada de destaque da Folha Online, de longe o espaço virtual de produção local mais acessado entre os campistas.

Quem não só apóia o governo do estado, como dele sobrevive, preferiu copiar, colar e sonegar o crédito para fazer média com a vinda do vice-governador Luiz Fernando Pezão (PMDB). Já quem quer voltar ao governo do estado, mesmo condenado à inelegibilidade por oito anos, junto com a esposa e prefeita Rosinha (PR), preferiu copiar, colar e sonegar o crédito para destacar a não vinda de Cabral, comparando o governador ao falecido cantor Tim Maia, famoso tanto pela voz potente, quanto por não comparecer aos eventos agendados.

Embora francamente opostos, os interesses políticos de ambos os blogueiros são claros e, desde que observados os limites da lei, até legítimos. Só poderiam ter só um pouquinho mais de cuidado ao se unirem na mesma falta de ética enquanto comunicadores, para atender aos seus interesses, sobretudo com quem não milita em política partidária, nem tem a pretensão de fazê-lo. De qualquer maneira, talvez não seja à toa que, apesar da contraposição radical de hoje, os dois já tenham sido tantas vezes aliados, sempre com o mesmo grau de passionalismo.

Possa que seja, como disse um sábio filósofo, aquela velha estória que Elis cantou como ninguém: “Porque o amor e o ódio se irmanam na fogueira das paixões”. Se for o caso, por favor, só respeitem meu trabalho e meu direito de ficar de fora!

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Arthur Soffiati — Mínima de muitas faces

Evidenciado como professor de História e ecologista, Arthur Soffiati ficará mais conhecido a partir de amanhã pela sua face de poeta, uma das muitas que inundam sua alma e sua mente pré-socráticas, renascentistas, nas quais conhecimento e sensibilidade afluem livres, sem o compartimento das margens ou represas. Às 19h de amanhã, “Mínima poética”, seu terceiro livro de poemas, será lançado na Academia Campista de Letras, fruto de uma fase que o poeta identifica sua produção como “mais enxuta e formal, inspirada no cotidiano e na leitura de poesia”, reunindo versos construídos a partir de 1998. Dos cânones ou seus contemporâneos, no mundo, no Brasil e na sua cidade, entre as muitas influências assumidas por Soffiati está o português Fernando Pessoa, dividido em tantas faces quanto um daqueles que sua semeadura alcançou além do Bojador.

Folha Dois – Quando e por que começou a se interessar por poesia?

Arthur Soffiati – Meu pai tinha uma biblioteca especializada em literatura de prosa brasileira, com poucos livros de literatura estrangeira e de poesia. Ele não gostava de poesia. Acho que havia lido apenas “A Divina Comédia”, de Dante, e “O Paraíso Perdido”, de Milton, livros que hoje passaram para a minha biblioteca, mas que vim a ler muito tempo mais tarde. Meu interesse por poesia nasceu na escola, nos livros didáticos. Só despontei mesmo para a poesia nos anos 60. O primeiro livro que me marcou profundamente foi “A Educação pela Pedra”, de João Cabral de Melo Neto, do qual tenho a primeira edição com dedicatória do autor e lido muitas vezes. Não sei explicar a razão do meu interesse por poesia. Foi paixão à primeira vista, uma atração amorosa irresistível.

Folha Dois – O que você buscava e que mudanças sofreu ao longo do tempo?

Soffiati – Eu buscava o prazer que a poesia me proporcionava e que me proporciona até hoje. Li e gostei dos românticos, dos simbolistas, dos modernistas da primeira, segunda e terceira gerações, algo do poema concreto e do poema processo. Não gostei dos parnasianos. Minha poesia inicial foi marcada pelos poetas discursivos, como Mário de Andrade, Manuel Bandeira, Drummond, Manoel de Barros. De outros países, a bela poesia de Walt Whitman, que reli. Guardo muitos poemas dessa fase inicial e vejo claramente que são muito imaturos. Mais poesia para amores platônicos. De qualquer maneira, era necessário passar por ela. Atualmente, os poetas sintéticos na forma e nas dimensões do poema estão me influenciando.

Folha Dois – Que influências sofreu?

Soffiati – Li e leio muita poesia. Creio que seria difícil arrolar todos os poetas que me influenciaram. Deixo de fora Homero e os latinos. Gosto muito de Horácio e de Lucrécio, que filosofaram com a poesia. Os provençais são notáveis. Tenho paixão por Villon e Shakespeare. Disse que os deixo de lado como influência porque minha poesia é muito humilde diante de autores que tanto admiro. Atualmente, escrevo mais na linha de José Paulo Paes, que compôs poemas curtos e incisivos, às vezes mais curtos que o título do poema.

Folha Dois – Como vê a poesia hoje no mundo, no Brasil e na região?

Soffiati – Com relação à poesia estrangeira, não sei dizer se Portugal produziu um grande poeta depois de Fernando Pessoa. Borges, Pound, Eliot, Poe, Goethe, Hölderlin, Rimbaud e Maiakóski continuam sendo referências para mim. No Brasil, os grandes poetas vivos são Manoel de Barros e Ferreira Gullar. Deste segundo, reli recentemente “Poema Sujo” numa edição de luxo restrita a colecionadores. Foi um livro fundamental na nossa poesia por retomar a poesia discursiva.  Um poeta novo que muito me agrada é Paulo Henriques Britto. Vejo nele ecos de João Cabral de mistura com fina ironia e uma atitude pós-moderna. Sei que existe muito escritor produzindo poesia no Brasil, mas não me é possível acompanhar o estado da poesia. Tenho lido coletâneas, que são insuficientes. Na região, menciono os nomes de Joel Mello, Vilmar Rangel, Artur Gomes e o seu, Aluysio Abreu Barbosa. Sei que há outros também, mas a falta de uma política pública municipal de divulgação de poetas dificulta conhecê-los.

Folha Dois – E quanto a sua poesia, você participou de algum festival, obteve algum prêmio?

Soffiati – Nunca inscrevi um poema ou um livro meu em festivais por me considerar um poeta menor. Minha motivação maior sempre foi me expressar, não tanto me comunicar. Creio que só uma vez um poema meu foi selecionado para uma coletânea. Em 1990, publiquei “Depois do Princípio e antes do Fim”. O poeta Walmir Ayala o leu e o considerou engajado. Não era essa a proposta do livro. Ele reúne poemas em grande parte melancólicos e líricos. Gosto do lirismo. Não cabe mais repudiar um livro por abordar temática ambiental. A questão ambiental já se impôs como um tema ao lado do amor e da crítica social. Em 1999, foi a vez de “O Direito de o Avesso do Mangue”, um livro de transição entre minha poesia discursiva e minha fase atual, mais enxuta e formal. Lanço agora “Mínima Poética”, livro que comecei a organizar em 1998, mas tive de engavetar em função de compromissos profissionais. Há mais poemas no meu arquivo, mas não sei se merecerão livros. “Mínima Poética” nasceu de poemas inspirados no cotidiano e pela leitura de poesia. Antônio Cícero revelou, em recente entrevista, que ler poesia o inspira a escrever poesia. O livro reúne poemas curtos. Alguns são filosóficos, outros não passam de piadas, como fazia Oswald de Andrade. Por fim, há alguns flertes com poemas visuais.


Publicado na edição de hoje da Folha da Manhã, na capa da Folha Dois.

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