Citados nominalmente aqui, pelo deputado federal Anthony Garotinho (PR), como testemunhas do suposto Caixa 2 que teria sido feito na campanha do deputado estadual Roberto Henriques (PR), os blogueiros Frabrício Freitas e Charles Guerreiro, responsáveis pelo A Mosca Azul, preferiram não se pronunciar. Procurado a partir do celular disponível em seu blog, Fabrício entrou em contato com Charles e depois comunicou a este blogueiro a decisão de ambos: ficar de fora dessa troca de acusações entre Garotinho e Henriques.
Em carta enviada por e-mail ao blogueiro, cobrando à prefeita Rosinha várias explicações sobre seu governo, ou nas denúncias de caixa 2 na campanha à Alerj, com que Garotinho ameaçou aqui Roberto Henriques, esquenta a briga entre os dois ex-aliados.
Abaixo, após as fotos dos dois beligerantes deputados, a carta do estadual à prefeita…
(Fotos: Folha da Manhã/ Montagem: Sandro Ferreira)
ASSEMBLEIA LEGISLATIVA DO ESTADO DO RIO DE JANEIRO
GABINETE DO DEPUTADO ROBERTO HENRIQUES
Rio de Janeiro, 09 de agosto de 2011.
A
Exma. Sra. Prefeita
Rosinha Garotinho
Senhora Prefeita:
Na qualidade de Deputado Estadual e de acordo com o disposto no Art. 5º da Constituição Federal cumpre-me o dever de solicitar a V. Exa. esclarecimentos acerca de atos do Governo Municipal de Campos dos Goytacazes que são objetos de gravíssimas suspeitas de serem lesivos ao erário municipal.
Desta forma quero solicitar à Exma. Sra. Prefeita a apresentar dentro dos prazos formais de praxe os seguintes esclarecimentos:
– O Diário Oficial com a publicação da anulação do Pregão Presencial nº23/2011 publicado em 18 de julho do corrente ano;
– A relação das compras da Secretaria de Saúde no período de Janeiro de 2009 até a presente data, seus comprovantes de entrada no Almoxarifado Central e as saídas do mesmo para as unidades e Programas da Saúde Municipal;
– Marcar visita de Técnicos da comunidade, indicados pelas escolas de formação dos mesmos ou pelas Associações ou Sindicatos a que são filiados para verificação nas dependências da Secretaria de Saúde e suas unidades, o funcionamento do Software que custou milhões de reais ao erário público municipal;
– Relação dos motoristas e funcionários que atuaram nas ambulâncias terceirizadas com a comprovação dos devidos vínculos com empresa empregadora;
– Cópia da última medição de cada obra paralisada e provas dos cronogramas de pagamento das mesmas até a presente data;
– Declaração assinada pela Prefeita de que responderá a todos os pedidos de informações apresentados na Câmara Municipal e vetados pelo plenário da mesma.
– A planilha aberta, com dados completos, dos pagamentos efetuados à FETRANSPOR referentes ao custeio do diferencial tarifário da passagem de ônibus a 1 real, com as respectivos quantidades de passageiros transportados por seções tarifárias.
– Por fim se o Exmo. Sr. Deputado Federal Anthony Garotinho exerce alguma função ainda que oficiosa na Prefeitura de Campos dos Goytacazes e se o mesmo é legitimado a responder pelos atos da administração de V. Exa.
Se for candidato à Prefeitura de Campos em 2012, o médico Makhoul Moussalém irá optar mesmo pelo PMDB ou PT. Embora tenha confirmado convite nos mesmos moldes também por parte do PRP, ele considera que os outros dois partidos oferecem mais condições estruturais de enfrentamento ao favoritismo da prefeita Rosinha (ainda no PMDB) numa esperada candidatura à reeleição pelo PR.
Para Makhoul, difícil também seria a disputa de uma cadeira na Câmara de Campos, que ele não descarta como opção, tanto pelo PMDB, quanto pelo PT. Em sua visão, a campanha pelo Legislativo, além de facilitada pela perspectiva do aumento de cadeiras de 17 para 25, poderia ser mais viável para se tocar paralelamente a um ambicioso projeto na área hospitalar de Campos, no qual ele também se encontra em fase de entendimentos para assumir. De qualquer maneira, se vai ser candidato a prefeito, a vereador, ou a nada, Makhoul ressalva que tem até 30 de setembro para decidir.
(Foto: Folha da Manhã)
PMDB ou PT — Como já disse antes a você, recebi o convite do PMDB, por parte de Carla Machado, e do PT, num primeiro contato do Edinho Rangel, depois confirmado por Odisséia e Eduardo numa reunião. Acho que esses são os dois partidos de oposição, em Campos e no Estado, que reúnem condições estruturais e de tempo de propaganda para se enfrentar o inegável favoritismo que Rosinha teria numa candidatura à reeleição.
PRP — Depois dos contatos do PMDB e do PT, recebi o convite do PRP, por parte do seu presidente, Fabrício Lírio, para também me candidatar a prefeito. Agradeço e não descarto a aliança, mas acredito que o PMDB e o PT, partidos maiores e que estão no poder, respectivamente, no Estado e na União, reúnam mais condições para esse tipo de enfrentamento.
Candidatura a vereador — Não deixa de ser uma possibilidade. Acredito que meu perfil pessoal e político seja mais talhado ao Executivo, mas não descarto à candidatura ao Legislativo, tanto à Câmara Municipal (em 2012), como a deputado estadual ou federal (em 2014).
Projeto hospitalar — Estou estudando o convite de um grande hospital de Campos, estudando a proposta. Estamos conversando, ainda em fase de “namoro”, mas a coisa está bem encaminhada. Acredito que, à frente de uma insituição de saúde importante, possamos fazer tanto pela comunidade quanto um prefeito ou um vereador; às vezes até mais. Muito embora, no caso de mandato Legislativo, seja perfeitamente possível exercer função também na área de Saúde, como é o caso de tantos vereadores de Campos.
Nomes da oposição com residual eleitoral — Li (aqui) sua observação neste sentido, e concordo: Arnaldo, Odete e eu somos os únicos nomes que partem de uma lembrança já consolidada na mente do eleitor, pelas eleições majoritárias que disputamos no passado recente. Acho que a diferença tem que ser feita a partir das possibilidades de crescimento desses nomes, determinada a partir da rejeição de cada um.
Repetição da dobradinha Makhoul/Odete — Depende do interesse dela, do partido dela (o PCdoB) e do meu partido, se é que eu me filiarei ou candidaterei por algum. Pessoalmente, veria com bons olhos, pois tenho Odete em alta conta, tanto que, depois dela ser minha vice (na eleição suplementar de 2006), eu a apoiei publicamente quando ela foi cabeça de chapa em 2008.
Chances contra Rosinha — Ninguém em sã consciência pode achar que é fácil, mas acho que tudo depende de como você vai trabalhar essa candidatura, essa campanha de oposição, dos apoios que ela agregar. O impossível não existe, mas que é difícil, é.
Chances à Câmara — Também é muito difícil, mas menos se forem aprovados 25 vereadores na próxima Legislatura. Seriam mais oito vagas, gerando a demanda de 11 mil votos para um partido fazer um vereador. É menos difícil para qualquer legenda do que fazer os 17 mil votos antes necessários para se garantir uma das 17 cadeiras que temos hoje.
Chances no geral — Acho que qualquer candidato a cargo público eletivo tem que partir de três bases: serviços prestados à população no geral; ter um nicho territorial, como é o caso do pessoal da Baixada Canpista; ou de um nicho setorial, quando se pertence a uma categoria profissional cujos pares votam em você, na esperança de ter uma representação. Eu estou em dois destes viés: tenho serviços prestados e tenho um nicho profissional, composto não só de médicos, mas de auxiliares de enfermagem e outras categorias ligadas à Saúde. Isso, somado às duas eleições majoritárias que disputei (2004 e 2006), são um bom ponto de partida.
Em comentário feito aqui, na última quinta-feira, o presidente municipal do PRP, Frabrício Lírio, participante ativo da Frente Democrática de Oposição, revelou que além do PMDB e PT (aqui), também ele convidou o médico Makhoul Moussalém a se filiar em seu partido para concorrer à eleição pela Prefeitura de Campos em 2012. Se o blog demorou tanto tempo para publicar, na forma mais relevante de post, a informação do comentário, foi por não ter conseguido antes confirmá-la, o que acabou de fazer agora há pouco, por telefone, o próprio Makohul.
Não por outro motivo, segue abaixo, antes tarde do que nunca, a notícia do convite de Lírio…
Boa Noite , Aluizio Abreu
Caro companheiro DR MAKHOUL deveria ir para o “PRP” la sim ele encontrará as condições necessárias para ganhar a eleição o povo de Campos quer mudança e nada melhor do que um partido livre , o convite eu ja fiz , cabe a ele ver com quem ele pode contar . Aqui ele esta seguro em todas as minhas propostas .
um abraço fraterno
FABRICIO LIRIO
Presidente Municipal do Partido Republicano Progressista
Passei o último final de semana em Atafona, entre amigos, peixe frito, fondue, churrasco, cerveja, cachaça, violão, rio, mar e vento nordeste. Ainda no final da manhã de sábado, soube, por telefone, dos ataques desferidos pelo deputado federal Anthony Garotinho (PR), em seu programa de rádio naquela manhã, contra os jornalistas e blogueiros Ricardo André Vasconcelos e Alexandre Bastos. Todavia, além de uma rápida releitura de “Meu Descobrimento da América”, na deliciosa prosa do poeta russo Vladímir Maiakóvski, não tive ou busquei nenhuma outra leitura, impressa ou virtual, durante todo sábado, domingo e manhã de hoje.
De volta a Campos e seus disse-me-disse apenas na tarde desta segunda-feira, pude enfim conferir aqui a resposta de Ricardo e aqui a de Bastos. A primeira usou Nelson Rodrigues, nosso dramaturgo maior, para ser sutil na abordagem e contundente no golpe, enquanto a segunda foi mais direta no uso da dialética para desvelar a ilogicidade óbvia de quem ataca para se defender de um golpe que sequer foi desferido.
De qualquer maneira, tanto numa resposta, quanto na outra, ambos deixaram bem evidenciado que não precisam de defesa alheia. Não pretendo, portanto, fazê-la, ao afirmar que Ricardo e Bastos, seja como blogueiros ou jornalistas, estão entre os mais sérios e competentes que conheço. Ao primeiro, jovem veterano, considero o de maior credibilidade na blogosfera local, enquanto o segundo trata-se de um promissor talento convertido em realidade no blog mais lido e comentado de Campos.
Como já afirmei aqui, seja nos jornais, nos blogs, na política, ou em qualquer outra área de atividade humana, os canalhas existem em todas. E nessa discussão absolutamente desnecessária, minha única certeza é que Ricardo e Bastos não estão entre eles.
“Também poderia fazer como Odisséia e dizer que, se Makhoul vier para o PT, eu abro mão da minha pré-candidatura à Prefeitura em 2012. Eu quero muito que Makhoul venha, porque enxergo nele qualidades pessoais, políticas e eleitorais de sobra para ser o candidato do PT e vencer a eleição. Mas, em primeiro lugar, ele tem que dizer que quer voltar. A definição da candidatura tem que se dar numa discussão seguinte”. Foi o que disse hoje ao blogueiro o sindicalista Hélio Anomal, não sem relembrar que ele foi o vice na chapa de Makhoul na eleição de 2004, ano em que convidou pessoalmente o médico para ingressar no partido.
Sobre o convite mais recente, Helinho (que também foi vice na chapa de Arnaldo, em 2008) confirmou, com mais detalhes, o que já havia dito aqui a vereadora Odisséia:
— Edinho Rangel, que deixou a presidência do PRB para ingressar no PT, também por um convite meu, esteve com Makhoul, numa visita de solidariedade, após o falecimento da sua esposa, Souad. Nesse contato, Edinho sondou Makhoul sobre a possibilidade de voltar ao PT para tentar novamente a Prefeitura. Depois, Edinho conversou comigo, a Odisséia, o Eduardo (Peixoto), o Marcão (do grupo político de Renato Barbosa), o Robinho (do Cicle), o Félix (Manhães), e todos nós fomos super-receptivos. Depois, houve outra conversa, de alguns de nos com Makhoul. O que falta, agora, é ele decidir e nos comunicar oficalmente seu retorno, ou pessoalmente, ou por alguém da sua confiança, como o próprio Edinho.
Ainda em relação às mudanças na Saúde, a partir da posse do vice-prefeito Chicão de Oliveira na recém-criada Fundação Municipal de Saúde, segue abaixo a transcrição de um excelente e didático artigo que o jornalista Ricardo André Vasconcelos publicou aqui e o blog pediu licença para transcrever.
Diferente de muito blogueiro local que bate no peito para proclamar uma independência tão desprovida de senso de ridículo quanto à do Brasil pelas mãos do princípe herdeiro de Portugal, Ricardo não precisa de nenhum brado de afirmação, às margens do Ipiranga ou do Paraíba do Sul, daquilo que de fato é. E tanto numa característica, quanto na outra, é um dos poucos, muito poucos, que este blogueiro conhece.
Abaixo, seu texto…
O desafio do vice
Nunca na história deste município um vice-prefeito teve tanto poder quanto o atual, Dr. Chicão, que hoje foi empossado na poderosa (e ainda nebulosa) Fundação Municipal de Saúde, que é formada a partir da fusão das fundações João Barcelos Martins e Geraldo da Silva Venâncio, mantenedoras dos hospitais Ferreira Machado e Geral de Guarus, respectivamente.
A FMS será responsável, também, pela gestão de mais 6 unidades de saúde da rede de urgência e emergência 24h do município e pelo Hemocentro Regional. Somando ao poder, que está sendo esvaziado, da Secretaria de Saúde, onde está um afilhado do vice-prefeito, Paulo Hirano, tem-se, pela primeira vez o comando de uma área tão grande e tão importante nas mãos de um vice-prefeito.
Antes dele, nos últimos 30 anos, apenas Wilson Paes foi tão bem tratado assim pelo chefe do executivo. Vice de Raul Linhares, Wilson Paes ganhou um ano de mandato (1982), com a renúncia do titular um ano antes do fim do mandato. Depois de Raul veio uma sucessão de vices na geladeira. Zezé Barbosa (1983-1988) não deixou o vice, Waldebrando Silva, governar nem um dia e nem lhe deu função no governo.
Adilson Sarmet, vice no primeiro governo Garotinho, parecia ter destino diferente. Afinal, como médico respeitado, foi o grande avalista para eleição do radialista que era visto com muita desconfiança pela classe média e elites da época. No início do governo, Sarmet foi nomeado diretor do Hospital Ferreira Machado, ainda em fase de reabertura. A lua de mel durou pouco e uma crise, justamente na Saúde, fez o prefeito demitir o vice do cargo para o qual o nomeara. A partir daí azedaram para sempre as relações entre ambos. O rompimento, no entanto, não impediu Adilson Sarmet de assumir o governo, por uma semana, durante uma viagem de Garotinho ao Japão.
O sucessor de Garotinho, Sérgio Mendes (1993/1996), até que tentou dar uma boa fatia de governo ao vice, Amaro Gimenes, e criou a Secretaria de Infraestrutura, agregando as pastas de Obras, Serviços Públicos e Transportes. Durou pouco pela falta de operacionalidade e o vice passou o resto do governo discretamente.
No segundo governo Garotinho (que durou um ano e cinco meses), o vice, Arnaldo Viana, ocupou as secretarias de Saúde e Governo. Uma relação sem sobressaltos, até mesmo porque foi um governo que começou já em campanha pelo Governo do Estado. A prioridade era, portanto, outra…
Eleito em 2000, Arnaldo Vianna teve Geraldo Pudim como vice e a convivência durou até 2002, quando o prefeito rompeu com o antigo chefe. Pudim chegou a assumir o governo durante um período em que Arnaldo afastou-se para tratamento de saúde.
Quanto a Carlos Alberto Campista e Toninho Viana, eleitos prefeito e vice em 2004, não há registro do relacionamento porque foram cassados cinco meses após a posse.
Alexandre Mocaiber, eleito nas eleições suplementares de 2006, praticamente não conviveu com o vice, Roberto Henriques, por incompatibilidade surgida nos primeiros meses de governo. Afastado por decisão da Justiça Federal em 11 de março de 2008, Mocaiber foi substituído por Henriques por 43 dias. Foi, então, o vice-prefeito que mais tempo governou, desde Wilson Paes.
Chicão, primo-irmão do marido da prefeita, com o comando da saúde nas mãos, pode se credenciar à sucessão de Rosinha em 2012, caso consiga equacionar os difíceis problemas da área de saúde. No entanto, também pode ser “queimado” se não conseguir fazer nada que mude o atual quadro, como por exemplo, a falta de tratamento oncológico no município. Uma vergonha para uma cidade com um orçamento anual de R$ 2 bilhões.
Centenas de campistas são obrigados a se deslocar para o Rio, Itaperuna e Vitória em busca de um tratamento que Campos inexplicavelmente (talvez a incompetência explique) não oferece aos seus contribuintes. Muitos já morreram, inclusive, vítimas das estradas assassinas.
Se Chicão ganhou um presente ou uma armadilha, logo veremos.
Após o artigo ter sido publicado no “Eu penso que…”, este blogueiro lembrou e o Ricardo corrigiu a informação relativa à aludida ausência de tratamento oncológico no município, posto que, desde o dia 11, o IMNE retomou em Campos seu atendimento de radioterapia pelo SUS.
(Fotos: Silésio Corrêa e Valmir Oliveira / Infografia: Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)
Ao conversar hoje, pela manhã, com um profundo conhecedor da Saúde de Campos e região, impossível deixar de registrar sua revolta com os dois fatos ligados ao setor, ocrridos ontem e reunidos hoje na primeira dobra da capa da edição impressa da Folha.
O primeiro, dando conta da atitute do secretário de Saúde Paulo Hirano, não só ao negar um atraso no repasse aos cinco hospitais conveniados da cidade (Santa Casa, Beneficiência, Plantadores, Álvaro Alvim, João Viana), como na afirmação de que não seria uma obrigação da municipalidade manter os pagamentos por serviços prestados e acordados em contrato.
O segundo assunto, fartamente noticiado na mídia há três dias, foi a assunção ontem do vice-prefeito, Chicão de Oliveira, da Fundação Municipal de Saúde (FMS), criada para unificar o controle das fundação João Barcelos Martins (antes responsável pelo hospitais Ferreira Machado, São José, de Travessão, de Ururaí, de Santo Eduardo e dos PUs da Saldanha Marinho e de Guarus) e Geraldo Venâncio (do Hospital Geral de Guarus).
Em relação às declarações de Hirano, a fonte da Saúde fez a analogia do inadimplente que não salda em dia suas dívidas e ainda ameaça ao contestar sua obrigação de continuar pagando o previamente acordado.
Já em relação à escolha de Chicão, o questionamentos se dá pela fusão das duas Fundações para legar a uma só pessoa, intimamente ligada ao casal Garotinho, o controle orçamentário — e, por conseguinte, do bolso dos servidores das oito unidades de saúde municipais— que antes cabia a Ricardo Madeira e Edson Batista, agora, respetivamente, apenas diretores do HFM e do HGG.
E, em relação tanto a uma impressão, quanto à outra, a fonte garantiu que são ambas correntes no meio de quem milita com Saúde em Campos.
Mas o que isso tudo quer dizer à nível prático? O blogueiro foi buscar no orçamento aprovado para 2011 e encontrou as previsões de R$ 44,563 milhões à secretaria de Saúde, de R$ 209 milhões à Fundação Municipal de Saúde, de R$ 149,724 milhões à Fundação Barcelos Martins e de R$ 93,067 milhões à Fundação Geraldo Venâncio.
Com base apenas nessas cifras previstas para 2011, sem contar os milionários recursos repassados pelo Sistema Único de Saúde (SUS), as suplementações aprovadas e a aprovar pela Câmara Municipal e os eventuais remanejamentos orçamentários, significa dizer que, a partir de agora, fica assim: Paulo Hirano controla anualmente R$ 253,563 milhões (secretaria mais Fundo de Saúde), cabendo a Chicão, R$ 242,791 milhões (ou o que restou disso para o resto do ano) pela união das duas Fundações.
Por mais redundante que possa parecer, não custa lembrar que essa divisão quase exata, tirando milhão pra cá, milhão pra lá, é de dinheiro público.
O ex-prefeito de Campos, Sérgio Mendes, venceu o pleito municipal em 1993 aos 32 anos e saiu do governo em 96, enfrentando duas CPIs capitaneadas pelo ex-aliado Anthony Garotinho. Na época, os dois eram do PDT e caminharam juntos na campanha. Agora, aos 50 anos, Sérgio é presidente do Diretório Municipal do PPS e um dos nomes que fortalecem a Frente Democrática de Oposição na tentativa de impedir que o grupo do atual deputado federal Anthony Garotinho (PR) consiga a sucessão na Prefeitura de Campos. Sérgio define a administração da prefeita Rosinha Garotinho como vazia, de improviso e sem planejamento para o futuro. “Eles não têm prioridades na administração, estão apenas interessados em esculhambar governos alheios para tomar as Prefeituras da região. Com isso, praticam a política do isolacionismo e fazem de Campos um município cada vez mais atrasado”.
(Foto de Phillipe Moacyr)
Folha — Você foi prefeito de Campos de 1993 a 96. Como foi sua administração e qual sua opinião sobre a administração atual?
Sérgio Mendes — Comecei na política ainda nos movimentos estudantis, na década de 80. Participei do primeiro governo do Garotinho, de 89 a 92, como secretário de Governo, presidente da Empresa de Habitação e secretário de Governo. Depois, aos 32 anos, fui eleito prefeito. A arrecadação anual naquela época era de R$ 75 milhões, nos quatro anos foi de mandato foi de R$ 350 milhões. Atualmente, por mês, são R$ 166 milhões, o que dá R$ 5,5 milhões por dia. Tínhamos o ideal, e fizemos, políticas concretas e estruturantes para Campos. Fizemos um movimento para que as empresas que exploravam o petróleo deixassem o ISS em Campos. Elas atuavam aqui, mas o escritório de muitas ficava em outras cidades. Deixamos isso encaminhado, mas os prefeitos que vieram depois não deram continuidade. Além de lutar para que a Petrobras trouxesse o gás para Campos. Outro ponto também foi a implantação da Uenf, em 1993 e rompemos o contrato com a Cedae (Companhia Estadual de Águas e Esgotos), que abastecia muito mal a cidade, com água de péssima qualidade. Abrimos a concorrência pública e a Águas do Paraíba entrou, com planos e metas para resolver a questão do saneamento. Não tem sentido o que está sendo feito: Campos é o maior município do Rio e não tem planejamento. A cidade cresce verticalmente e no Centro, isso estrangula o município, acaba com a ventilação e com a parte histórica da cidade.
Folha — A falta de planejamento seria então a principal diferença entre os governos?
Sérgio Mendes — Falta muito planejamento. Por dia, o município recebe mais de R$ 5 milhões. É claro que não tem foco ou visão de futuro. Essa é a verdade. É um governo de improviso e consegue ser assim mesmo com toda experiência que o casal possui. As casas populares têm uma tomada de preço de R$ 357 milhões arredondados. Desse número, foram pagos R$ 235 milhões no ano passado à empresa e só pouco mais de 700 casas entregues, de um total de 5.100. No início da Frente Democrática, no fim do ano passado, apertamos com cobranças e eles entregaram mais algumas. Agora acho que está em torno de 1.100. A alegação é que a infra-estrutura era mais cara, por isso pagaram mais, agora é a parte de alvenaria e seria mais barata, o que não é verdade. O Ministério Público pode entrar em ação. Afirmo, vai chegar na campanha e não entregam todas. Por falta de planejamento financeiro. É inominável o que fazem com a educação de Campos. Ficamos em penúltimo lugar do estado no Ideb (Índice de Desenvolvimento da Educação Base) no ano passado. O município é rico, mas não adianta reformar prédios se não investirmos na alma da educação e no corpo docente. Os professores estão nas ruas com movimentos pedindo melhorias. Todo mundo sabe dessa situação. Não há determinação nem vontade política. O governo não tem prioridades. O programa Navegar é Preciso, que levaria internet para a população, está parado por que não interessa que o povo tenha acesso à internet. O líder deles sabe que a rede virtual é uma arma na mão do povo e ele quer frear isso. A internet tem força pra fiscalizar os governos, até mais do que os poderes instituídos. Pra quem tem vocação para Hugo Chávez isso não interessa, por isso pararam. Não estão preocupados com o povo, mas sim apenas com obras suntuosas como o sambódromo. Vão dizer que Sérgio Mendes é contra a felicidade do povo, mas temos que ter prioridades como saúde educação em dia.
Folha — Você falou em falta de metas e prioridades políticas. Quais os problemas que um governo desse tipo pode acarretar para o município?
Sérgio Mendes — A forma como esse grupo faz política está provocando o isolacionismo da nossa cidade. Não estou aqui defendendo A ou B, mas o casal esculhamba o governo de Carla Machado (prefeita de São João da Barra), mas querem só tomar a cadeira dela. Fazem isso com Quissamã, Macaé, com o governador, mas não estão preocupados com nenhum desses municípios ou com o Rio de Janeiro, querem apenas tomar as cadeiras desses prefeitos e do governador. Uma coisa é a campanha, você tem adversários e quer mostrar para a população as diferenças e o que você pode fazer de bom pela cidade. Acabou a campanha, temos que agir republicanamente, sentar à mesa com todos e discutir parcerias. O Porto do Açu vai ser uma explosão de crescimento para toda a região. Campos poderia liderar um movimento unindo todos, sem política belicosa, baixa, mesquinha. A estrada vai sair de lá e passar pelos municípios, temos que pensar na macro-região que será criada. Falta equilíbrio e serenidade. Isso atravanca nossa cidade, traz prejuízos enormes para nós.
Folha — Sobre a Frente Democrática, acha que seu nome pode ser um dos escolhidos para disputar a eleição? Como está a coligação neste momento: fortalecida e coesa ou acha que muita coisa pode acontecer, como um racha, até o ano que vem?
Sérgio Mendes — É importante ressaltar que os partidos políticos constituídos têm obrigação de representar e atuar como a vanguarda da cidade. Longe de mim ter a pretensão de que nós somos os donos da verdade. O que temos é a obrigação histórica de fiscalizar e denunciar os desmandos que estão acontecendo e, paralelamente, temos que ser agentes provocadores de novas discussões sobre: onde estamos, porque estamos caminhando desta forma e para onde queremos levar Campos dos Goytacazes? Muitas vezes, sem querer usurpar o poder de fiscalização da Câmara Municipal, dos Ministérios Públicos Federal e Estadual, temos contribuído para que as irregularidades e/ou ilegalidades administrativas não sejam varridas para debaixo do tapete. O convívio semanal, permanente, com os membros da Frente tem nos fortalecido enquanto grupo, sobretudo, de uma forma democrática, tem nos apontado rumos para caminharmos na mesma direção, em virtude do bem comum, da coletividade.
Folha — Alguma idéia do por que o seu nome não está na lista do Precisão? Acha que pode ser uma surpresa nas eleições de 2012 e aparecer como um nome forte contra o casal Garotinho?
Sérgio Mendes — Eu rompi com este grupo que está no poder há 16 anos, ao contrário do que disseram na minha sucessão, na eleição de1996, eu anulei o meu voto porque não acreditava mais em quem estava me sucedendo. Já tinha a convicção, de que aquele pseudo-líder, que estava subindo meteoricamente, tinha um projeto muito mais pessoal do que coletivo. Fui incompreendido, execrado publicamente. Abriram ao longo destes anos, duas CPIs contra nosso governo, e nada, absolutamente nada, ficou provado contra mim. Porém, ele atingiu seu objetivo politicamente, que foi me desgastar perante a opinião pública. Pois bem, feito isto, a vontade dele, era que eu me acovardasse, e saísse da cidade. Mas, sempre tive minhas convicções, e sabia que “a justiça tarda, mas não falha”. Hoje, talvez eu não esteja figurando nesta pesquisa, feita pelo instituto Preci$ão, porque o menino da Lapa, no seu subconsciente, quer ainda me riscar do mapa municipal. Eu, com certeza, sou um dos poucos que rompi e nunca mais voltei a recompor com este grupo. Olha que não foi por falta de convites. Agora, muito mais importante do que ser esse nome forte para a sucessão do casal, é participar da promoção de um debate altivo, discutir idéias, tentar elevar o tom político do nosso município. Precisamos dar uma demonstração de civilidade, de respeito aos adversários.
Folha — Já fez ou pretende fazer algum tipo de pesquisa de opinião para saber a aceitação do seu nome entre a população de Campos? Teme algum tipo de rejeição que possa derrubar sua candidatura antes mesmo dela nascer?
Sérgio Mendes — Esta não pode ser efetivamente a nossa preocupação, nem a tônica do nosso comportamento. Temos que entrar neste jogo democrático, conforme afirmei na resposta anterior, com espírito público, com vontade de contribuir para políticas públicas de qualidade. De uma forma, ou de outra, vamos olhar nos olhos dos nossos adversários, do nosso povo, e afirmar que é possível andar por um caminho de desenvolvimento econômico, social, sobretudo com sustentabilidade, de uma forma absolutamente responsável. Feito isto, já estaremos cumprindo o nosso papel histórico. Por último, devo afiançar que qualquer pesquisa quantitativa, hoje, é muito prematura. O importante neste momento é uma pesquisa qualitativa, que vai nos dar uma idéia do sentimento de todas as camadas sociais da população. Ela sim poderá nortear os nossos rumos. No mais, o que se divulgou recentemente, no meu ponto de vista, é marketing dos desesperados.
Folha — O deputado federal Anthony Garotinho disse que “a Frente cabe toda dentro de uma van”. O senhor acredita que a coligação pode levar a melhor sobre o casal Garotinho? E quanto aos vereadores? Garotinho disse que a oposição vai fazer “apenas quatro ou cinco”.
Sérgio Mendes — A sabedoria popular me encanta muito, e ela diz: “Ninguém atira pedras em árvores que não dá bons frutos”. Dito isto, devo aconselhar ao menino da Lapa, sem querer ser pretensioso, que aprendi com as lições da vida, que a arrogância, a soberba, a presunção, cegam os homens, de bem, é claro. Todos têm o direito de arriscar palpites, faltando um ano e três meses para as eleições, porém política não é matemática exata. Talvez serenidade e bom senso não sejam o forte desse pseudo-líder tupiniquim.
Folha — Garotinho disse que sua administração foi a pior dos últimos tempos em Campos. Qual sua relação com o deputado e qual a opinião sobre as administrações dele na município?
Sérgio Mendes — Respeito profundamente a opinião dele. Como dizia o saudoso Nelson Rodrigues: “toda unanimidade é burra”. Mas, no meu ponto de vista, ele deveria estar mais preocupado com o governo da prefeita cantora. Temos acompanhado a falta de planejamento estratégico e financeiro deste governo. Estratégico, porque da forma que eles se comportam, geram o isolamento total da nossa cidade. Infelizmente, seu “sonho de consumo” é mesmo ser o Hugo Chávez regional. Até porque a ambientação é muito propícia, na medida em que os municípios produtores de petróleo poderiam, com certeza, figurar hoje, na Opep (Organização dos Países Produtores de Petróleo). Só que devo lembrar a este cidadão, que Hosni Mubarak (ex-ditador do Egito) já está no banco dos réus, Pinochet no Chile já teve o mesmo caminho, Sadam Husseim teve um final mais trágico, enfim, todos os ditadores foram para a lata de lixo da história. Financeiro, porque é inadmissível que uma cidade que arrecada quase R$ 2 bilhões esteja experimentando amargamente atraso nos pagamentos de entidades sociais. Da mesma forma, empreiteiras parando obras porque não recebem suas medições, inclusive com a afirmação do Presidente do Sindicato da Construção Civil, de demissão de mais de 2.000 trabalhadores. Onde está esse dinheiro? Com a palavra a prefeita cantora. Ela nos deve esta satisfação pública, sincera, sem tergiversar. Ou talvez os Ministérios Públicos Estadual e Federal possam dirimir nossas indagações. Gostaria de deixar para nossa reflexão, uma estrofe da “Marcha da Quarta-Feira”, composta pelo poetinha Vinícius de Moraes e Carlos Lira: “E no entanto é preciso cantar, mais que nunca é preciso cantar, é preciso cantar e alegrar a cidade”. Talvez seja este o pensamento da prefeita cantora.