Censura, nos outros, é refresco…

Da série “recordar é viver”, segue abaixo post esclarecedor para debate de agora, assim como os comentários por ele gerados à época, que mantêm utilidade presente para quem ainda finge não saber exatamente onde reside a dignidade dos autoritários que imaginam controlar tudo e todo$… 

 

Democracia — Atos x discurso

Por Aluysio, em 21-09-2010 – 20h51

Dizem que uma foto vale mais do que mil palavras. Independente da mídia em que são veiculadas, impressa ou virtual, o importante é não perder de vista a contraposição dos atos com o discurso de quem pretende posar como defensor da democracia. Não por outro motivo, seguem abaixo duas fotos…

 

25/02/10 - Manifestação dos alunos do IFF, em defesa da democracia na escola (foto de Rodrigo Silveira) 25/02/10 – Manifestação dos alunos do IFF, em defesa da democracia na escola (foto de Rodrigo Silveira) 
24/08/10 - Debate no IFF sobre o regimento interno da escola, com protesto dos estudantes contra as mudanças impostas pela reitoria (foto de Antonio Cruz) 24/08/10 – Debate no IFF sobre o regimento interno da escola, com protesto dos estudantes contra as mudanças impostas pela reitoria (foto de Antonio Cruz) 

 

4 comentários paraDemocracia — Atos x discurso

  • André Lacerda

    Eu como ex-aluno do Cefet e ex-integrante do grêmio daquela escola fico muito feliz ao ver o movimento estudantil atuante, organizado e consciente de seu papel. Mas ao mesmo tempo, fico triste por ver que certas pessoas que estão a frente da instituição adotam práticas que nos remetem à tempos passados e que não condizem com a postura de uma escola que deveria educar, fomentar a cidadania e dar bons exemplos.

  • Gustavo Viana

    Sou estudante do IFF e também sou ex-integrante do grêmio. Entrei no Instituto quando ainda era CEFET e nunca imaginei que teria uma participação tão forte no movimento estudantil, mas, por conta de pessoas q se intitulam educadores, me vi na obrigação de me unir aos bons lutadores que lá já existia para lutar pelas eleições diretas para Diretor e agora mais uma vez para o Regimento Geral. Hoje fico muito feliz por ter contribuído na conquista dessas vitórias, e vejo com isso um exemplo que comprova que o movimento da massa organizada, nos faz colher bons furtos.

  • gabriela ribeiro

    ATOS X DIRCURSOS de roberto moraes: adora defender a democracia em seu blog mas no iff não pratica. adora defender a liberdade de expressão mas no iff os estudantes precisam protestar para ter voz. adora debater mas foje de debate com estudante. adora dizer que é de esquerda mas quando foi diretor do cefet foi embaixador de fhc implantando todas as suas políticas neolibeirais.

  • Françoar

    em uma históra de luats que tem o nosso país e a nossa cidade, tem gente que acha que pode fazer tudo o que quer por conta do poder que tem, mais não é assim, quando a maioria esta insatisfeita as coisas desandão, e assim vem acontecendo, e os estudantes aprendem isso na propria escola, pois isso faz parte da cidadania, e se tem alguma coisa errada temos que lutar para consertar.
    sou estudante do iff, e sei bem a realidade em que eu vivo e vivi dentro desta instituição, que enche os olhos de quem não faz parte dela, mais que as vezes deixa de desejar diante dos proprios alunos, hj temos uma instotuição mais forte, mais existe a reitoria, quem vem dizendo que é democratica e etc, mais que na realidade só sabem dizer meia duzia de palavras boniatas e só fazer coisas que desagradam e prejudicam os alunos e servidores desta instituição.
    vivemos em uma democracia e se não querem os ouvir por bem, vão nos ouvir por mal.
    uma abraço a todos os leitores, e não vamos desistir da luta…

O dia nasceu feliz pra quem, companheiro?

Abaixo, luminoso como o sol que Cazuza cantava nos anos 80 para o dia nascer feliz, artigo publicado hoje, na página de Opinião da edição impressa de O Globo

 

Velha novela, novos atores

Por Nelson Motta (*)

 

Há 22 anos, nos estertores do governo Sarney, fazia espetacular sucesso a novela “Vale Tudo”, de Gilberto Braga, que expressava os sentimentos mais profundos do país naquele momento, com a inflação desenfreada, a fraude do Plano Cruzado, a moratória humilhante, o desastre administrativo, a corrupção generalizada e impune. Maria de Fátima e Odete Roitman eram odiadas como símbolos nacionais da arrogância, da mentira, do cinismo e da maldade.

Reprisada no canal Viva, a novela repetiu o sucesso. As vilanias, as covardias, os roubos, os deboches — e a impunidade — continuam atuais. A diferença é que a festa pobre que Cazuza cantava na abertura de “Vale tudo” agora é rica, nouveau riche, deslumbrada, movida a jatinhos e resorts, com empresários e sindicalistas confraternizando alegremente, julgadores e julgados dividindo mesas e viagens, controladores e controlados sem qualquer controle.

Os políticos são os mesmos, só mudam de nome e de partido, mas agora são botoxados e trocaram o acaju dos cabelos pelo negro graúna. Os empresários só mudaram de cara e de ramo, agora são todos progressistas, preocupados com a comunidade e a sustentabilidade, e o seu objetivo principal é gerar empregos e impedir que os estrangeiros invadam nosso mercado (rs).

Diante da fúria e da revolta que me despertam a ladroeira e o cinismo dessa gentalha, faço um exame de consciência: será que, depois de 22 anos como um liberal radical e independente, fui dominado pela ira indignada e regredi a um moralismo pequeno burguês udenista?

O engraçado é que na época de “Vale tudo”, quando era oposição e o seu denuncismo implacável revelava falcatruas e maracutaias, o PT foi apelidado de “UDN de macacão”. Bons tempos, bom humor. Hoje a palavra de ordem é defender o companheiro a qualquer custo, e depois levá-lo num canto e dizer que ele estava errado.

A surpresa é ver o governo Dilma patinando na administração, logo onde se esperava dinamismo e eficiência, mas se mostrando muito mais comprometido com a ética e o combate à corrupção do que o anterior. Não é que seja tão difícil assim, mas já é um avanço.

(*) Jornalista

Câmara em 2013 com 25 vereadores e novo presidente???…

Arte de Eliabe de Souza, o Cássio Jr.
Arte de Eliabe de Souza, o Cássio Jr.

 

Ainda em relação à Câmara, algumas das coisas que Jorge Magal revelou ao blogueiro evidenciam não só a real possibilidade da Legislativo passar dos atuais 17 vereadores para o teto de 25 permitido pela legislação eleitoral, como o relacionamento aparentemente ruim entre o bloco governista e o atual presidente da Casa, Nelson Nahim. Indagado se o aumento de cadeiras para 25 era uma posição pessoal ou da bancada da situação, Magal afirmou:

— Todos os governistas são favoráveis ao aumento de cadeiras para 25, à exceção do atual presidente.

Ao notar a ênfase na exceção e sua não nomeação, o blogueiro insistiu:

— Só Nahim, então, é contra?

— Só o atual presidente; quer dizer, presidente, pelo menos, até 2013, né?! — ressalvou com desavexada ironia, novamente sem citar o nome de Nahim.

Embora tenha elencado vários motivos para justificar o aumento máximo do número de vereadores campistas, Magal disse que tinha razão também o blogueiro ao lembrar que, com 25 vagas, pelo menos em tese, ficaria mais fácil a reeleição dos atuais 17.

Em todo caso, a atitude do líder governista em relação a Nelson Nahim, parece endossar o racha entre Rosinha e seu cunhado, que veio a furo quando a prefeita se negou a repassar verbas municipais a 52ª ExpoAgro de Campos, com a justificativa de que o evento teria sido terceirizado pela empresa de Hélio Montezano, o “Alemão”, filho de Nahim, como o blogueiro e jornalista Luiz Costa revelou aqui.

Magal acende sinal amarelo aos secretários pré-candidatos à Câmara

Arte de Eliabe de Souza e José Renato
Arte de Eliabe de Souza e José Renato

 

Ontem, o jornalista e blogueiro Saulo Pessanha noticiou aqui serem nove os secretários de Rosinha que tentarão uma cadeira na Câmara Municipal em 2012: Mauro Silva (Comunicação Social), Paulo Hirano (Saúde), Fábio Ribeiro (Administração), Cecília Ribeiro Gomes (Renda e Trabalho), Edson Batista (Hospital Geral de Guarus), Henrique Oliveira (Defesa Civil), Luiz Eduardo Crespo (Fundecam), Auxiliadora Freitas (Fundação Teatro Trianon) e Orlando Portugal (Desenvolvimento Econômico e Petróleo). A estes, o blog ontem adicionou aqui o nome do vice-presidente da Fundação Municipal dos Esportes, Luiz Alberto Menezes, candidato com boas votações em 2004 e 2008. Fechada, a conta foi a manchete da edição impressa da Folha de hoje.

O que não está abordado na matéria do jornal, é a possibilidade de conflito interno no grupo de Rosinha, levantada aqui, desde ontem, pelo também jornalista e blogueiro Alexandre Bastos, já que são 13 os vereadores governistas que tentarão a reeleição: Nelson Nahim (PR), Altamir Bárbara (PSB), Jorge Rangel (PSB), Abdu Neme (PSB), Jorge Magal (sem partido), Kellinho (PR), Albertinho (PP), Papinha (PP), Vieira Reis (PRB), Dante (PDT), Gil Vianna (PSDC), Dona Penha (PPS) e Jorginho Pé no Chão (PTdoB).

Indagado agora há pouco pelo blog, se poderia realmente se configurar esse confronto entre os 10 secretários que buscam a vereança e os 13 vereadores que querem permanecer onde estão, o líder da bancada governista, Jorge Magal afirmou que não, mas fez uma importante ressalva:

— Não vai haver conflito na base. É direito legal de cada um colocar sua pré-candidatura, esteja ou não ocupando posição como secretário ou como vereador. O que não vai poder acontecer, e tenho certeza que Rosinha será rigorosa quanto a isso, é um candidato usar a máquina pública de uma secretaria em sua campanha. Pelo que eu sei, a prefeita está trabalhando com a perspectiva de desligar em dezembro os pré-candidatos da sua equipe de governo. Mas também tenho certeza de que, se a prefeita perceber que alguém já está usando a máquina para ajudar essa ou aquela candidatura, o desligamento pode até ser antes — advertiu Magal.

Ou seja: não vai haver sinal vermelho para nenhum secretário pré-candidato, mas o sinal amarelo para estes já está devidamente ligado pelos vereadores governistas em busca de reeleição.

Guia 4 Patas

No último dia 5, o Christiano Abreu Barbosa revelou aqui que o conceituado Guia 4 Rodas listou as “1001 praias no Brasil para conhecer antes de morrer”. Grande conhecedor de viagens no país e no exterior, o blogueiro destacou as praias da região apontadas pelo Guia: Farol de São Thomé, em Campos; Grussaí, em São João da Barra; Cavaleiros e do Pecado, em Macaé; e, em São Francisco de Itabapoana, Manguinhos e Lagoa Doce.

Respeito o Guia 4 Rodas e já me utilizei dele em viagens pelo Brasil, mas diante da opção regional por praias como Grussaí, Farol e Manguinhos, ignorando solenemente a existência do Pontal de Atafona, disparado o lugar mais belo e charmoso de todo nosso litoral, a vontade que vem à tona com a força da ressaca do mar é sugerir a mudança do nome do Guia: de 4 Rodas, para 4 Patas.

 

A beleza entre as ruínas, o mangue, o mar e o rio que a 4 Rodas ignorou
A beleza entre as ruínas, o mangue, o mar e o rio que a 4 Rodas ignorou

Democracia que se planta, dá

Presente desde sua primeira edição, em 8 janeiro de 1978, a página de Opinião da Folha sofreu mudanças nas últimas semanas, com a inclusão dos nomes de Betinho Dauaire (nas edições de segunda-feira), Carla Machado e Silvério Freitas (ambos às quartas), além de Odete Rocha e Roberto Henriques (às quintas, a primeira semanalmente, o segundo de 15 em 15 dias). Levado em consideração o antagonismo explícito entre o ex e atual prefeita sanjoanense, a continuidade do espaço à expressão da opinião do reitor da Uenf (cargo no qual Silvério substituiu Almy Júnior), e que a professora Odete e o deputado Henriques são franco opositores do governo de Rosinha, que também estreou há um mês e meio, escrevendo sempre aos sábados, chega-se à conclusão do quão democrático é esse espaço que se pretende herdeiro do conceito da ágora grega, a partir do qual a própria democracia foi inventada.

Prova desta livre convivência entre contrários, será a página de Opinião da Folha de amanhã, onde o presidente do PSDB, da seção regional da Firjan e do sindicato dos usineiros, Geraldo Coutinho, e a vereadora petista Odisséia Carvalho, externam visões bem diversas sobre o setor sucroalcooleiro e a polêmica das queimadas de cana. Quem quiser conferir desde já, basta dar uma olhada abaixo…

 

 

 

 

 

 

Odisséia Carvalho
Odisséia Carvalho

Terra para quem nela trabalha

 

 

 

 

Por Odisséia Carvalho

Em nosso município a luta pela terra está intimamente ligada ao arcaico modelo de exploração agrícola no cultivo da cana-de-açúcar. Não por acaso a primeira ocupação do Movimento dos Trabalhadores sem Terra (MST) na região aconteceu na propriedade de uma usina.

Em 1997, centenas de trabalhadores ocuparam o complexo de fazendas da falida Usina São João, que acumulava dívidas trabalhistas. A reação do setor canavieiro foi imediata, tentando criminalizar o movimento dos trabalhadores.

Depois de muita pressão junto ao Incra, as terras foram desapropriadas, ainda que muitos problemas ficassem por resolver como o financiamento agrícola e a infraestrutura básica do assentamento.

O assentamento Zumbi é um marco da luta pela terra em Campos e mesmo enfrentando muitas dificuldades é notável a melhoria nas condições sócio-econômicas dos assentados em relação à condição anterior de “bóias-frias”. A partir dessa ocupação muitas outras aconteceram na região, não só em Campos, mas também em municípios vizinhos.

No último dia 28 de junho trabalhadores do acampamento 17 de Abril, próximo a Guandu, foram surpreendidos com uma ordem judicial de desocupação expedida no dia 27 de maio, mas da qual só tomaram conhecimento com a chegada da polícia para a realização de reintegração de posse pedida pela Usina Açucareira Barcelos. Um dia antes, usineiros se manifestavam em praça pública em defesa da lei da queimada, alegando entre outras coisas, que queriam garantir o emprego de “milhares de trabalhadores”.

Os trabalhadores das lavouras de cana da região são submetidos a condições de trabalho insalubres, jornadas extenuantes e várias vezes o Ministério do Trabalho fez blitzen na região que constataram a existência de trabalho escravo. Em uma dessas operações foram resgatados quase 100 trabalhadores durante a ação conjunta do Ministério Público do Trabalho no Rio de Janeiro, Superintendência Regional do Trabalho e Polícia Rodoviária Federal em fazendas de cana-de-açúcar.

A questão fundiária é central para os trabalhadores rurais da região, ao contrário do que os patrões querem fazer crer, o rompimento com o modelo de produção de açúcar e álcool não trará o caos e o desemprego. Mais da metade desses trabalhadores são clandestinos e só trabalham durante seis meses por anos nas lavouras canavieiras.

Os pequenos produtores dos assentamentos, ainda que com apoio aquém do desejável por parte do governo conseguem sobreviver de maneira digna. A ação do Incra na região precisa ser efetiva para que trabalhadores como o do Acampamento 17 de Abril possam ter seus direitos garantidos e não vejam de uma hora para outra suas lavouras destruídas e a escola derrubada por tratores.

 

 

 

 

 

 

Geraldo Coutinho
Geraldo Coutinho

Acho que sei!!??

 

 

 

 

Por Geraldo Coutinho

Alguém já disse que o mundo seria diferente se as pessoas tivessem o cuidado de separar o que de fato conhecem daquilo que acham que sabem. É comum, e ninguém escapa disto, completarmos quadros ou concluirmos histórias tendo apenas informações parciais. É o trabalho que cabe à nossa imaginação, que soma os dados novos que nos chegam com aqueles armazenados em nossa memória, completando um raciocínio. Até aí não há nada demais, comumente é visto até como sinal de inteligência. O problema, grave, é quando essas conclusões são postas em debate e não temos o discernimento de segregarmos a parcela que achávamos conhecer e tentamos impor argumentos construídos em hipóteses. Tem pessoas que exacerbam nesta prática e, no popular, costuma-se dizer que, embora recorrentemente equivocadas, erram com uma certeza que chega a impressionar e até a inibir os interlocutores.

Acontece que a prerrogativa de fazermos uso desse mecanismo de imaginação é inversamente proporcional ao grau de responsabilidade que a nossa função impõe. Se considerarmos que nossa missão envolve responsabilidade com avida de terceiros, eu diria que o direito de agirmos a partir de versões parciais ou conclusões solitárias deveria ser reduzido a zero. Ouvi dizer, li em algum lugar ou acho que é assim, são inícios de conversas que, via de regra, fazem de vítimas os fatos e a verdade. O único antídoto para este mal é o diálogo, e o desprendimento para enxergar razões na argumentação alheia.

Nestas últimas semanas algumas medidas foram tentadas contra o segmento canavieiro desta região. Tenho absoluta convicção que foram motivadas imaginando-se seguir uma direção certa. Também, de que os princípios da imparcialidade e os bons propósitos de gerar resultados em proveito da população estavam a nortear estas ações. Entretanto, lamentamos o fato de não se ter buscado conhecer melhor a realidade de fato estabelecida. De não terem sido ouvidos os trabalhadores, para saber de suas dificuldades, do esforço e dos riscos que é colher cana crua. De não ter sido dada voz aos produtores, para ouvir da impossibilidade de mudar, em curto prazo essa prática de colheita. De se ter ignorado os pareceres da Academia. De ter sido desprezado o senso comum que regra a matéria nos demais estados produtores, inclusive respaldada em dezenas de decisões dos tribunais do Brasil a fora e do próprio STJ. O equilíbrio é o princípio determinante da boa regra, e a gradualidade sua sustentação maior.

A atividade canavieira não gera o efeito poluidor que apregoam e muito menos causa dano à saúde pública, como insiste a imaginação de alguns. É até natural que algumas pessoas não tenham conhecimento amplo deste tema. Mas não consigo compreender a superficialidade com que é tratado por alguns na imprensa, em partido político e autoridades constituídas.

Campos volta a ofertar radioterapia pelo SUS

A partir da próxima segunda, dia 11, Campos voltará a poder oferecer o tratamento de radioterapia aos seus pacientes oncológicos pelo Sistema Único de Saúde (SUS). Segundo informou ao blogueiro o diretor médico do Instituto de Medicina Nuclear e Endocrinologia (IMNE), Diogo Neves, a bomba de cobalto que ficou um tempo inativa para a troca de pastilhas, única no município para realização do serviço, recebeu esta semana a aprovação dos técnicos do  do Conselho Nacional de Energia para voltar a funcionar.

Assim, todos os pacientes oncológicos que vinham sendo obrigados a se deslocar a Itaperuna, para realizarem radioterapia no Hospital São José do Avaí, poderão voltar a ser tratados integralmente em Campos. Retomada em sua plena capacidade, a bomba de cobalto pode atender 80 pacientes/dia. E o IMNE espera dobrar essa oferta, a partir da aquisição de um novo acelerador linear, cuja estimativa para entrar em operação é entre três e quatro meses.

Opiniões de poesia — Homero

Antes de começar as atividades neste “Opiniões”, em parceria com o Zé Renato, minha estréia como blogueiro se deu no “Cantos” (aqui), destinado exclusivamente à publicação e discussão de poesia, em conjunto com o professor Adriano Moura e a antropóloga Fernanda Huguenin, ambos também poetas. Como o acúmulo de funções dos seus três autores acabou lançando aquele primeiro blog à inatividade, pecado capital em qualquer mídia interativa, optei por resgatar aqui alguns textos que publiquei lá, neste retorno presente à blogosfera. Até porque, quando da estréia do “Opiniões”, a cultura foi um dos temas anunciados para debate, mas sonegado no decorrer das suas atividades.

E, para iniciar esse transplante de textos do “Cantos” ao “Opiniões”, nada melhor que começarmos com o pai de todos os poetas…

 

Homem entre mulheres

Por aluysio, em 26-10-2009 – 15h23

Busto de Homero
Busto de Homero

Em qualquer língua, em qualquer canto da Terra, o que escrever sobre Homero que já não tenha sido dito?

Para falar dele, melhor falar da história da própria Grécia, cuja Civilização Micênica — assim chamada pelo poder centrado na cidade de Micenas — alcançou o apogeu com a Guerra de Tróia, entre 1.300 a 1.200 a.C., no fim da Idade do Bronze. Pouco depois, ou por invasões de povos dóricos vindos do norte, ou por um período de seca prolongada, ou por ambos os motivos, os gregos entraram num período de profunda decadência, com abandono de cidades, incêndio de palácios e, pior de todos os males, a perda da palavra escrita — o linear A e linear B legados aos micênicos pela Civilização Minóica, anterior e batizada com o nome de Minos, rei da cidade de Cnosso, que centralizava o poder grego na ilha de Creta. Essa “Idade das Trevas” se estendeu por meio milênio, até o séc. VIII a.C., quando ocorreu o fenômeno que o historiador francês Fernand Braudel definiu como “milagre grego”, gênese de tudo aquilo que se convencionou chamar de Civilização Ocidental: Nós!

Produto humano ou divino, o fato é que esse “milagre” foi operado na união de ambos os planos em duas epopéias, que fundaram não só a poesia, como a própria Literatura: a “Ilíada”, que narra os 10 anos da Guerra de Tróia (ou Ílio, daí Ilíada); e a “Odisséia”, que conta os 10 anos da penosa viagem de regresso de Odisseu (o Ulisses da tradução latina), da planície de Tróia à sua montanhosa ilha de Ítaca. Divididas cada uma em 24 cantos, as duas obras são atribuídas a Homero, poeta descrito pela tradição como cego e pobre, que teria adaptado a invenção fenícia do alfabeto fonético para transcrever dos sons aos signos aquilo que fora conservado 500 anos pela tradição oral dos rapsodos — misto de poetas e músicos que iam de cidade em cidade, tocando suas liras e cantando em rimas os feitos passados de suas gentes, a exemplo do que fariam, em tempos e lugares distintos, os trovadores, repentistas e rappers de depois.

Desde o período alexandrino — do domínio macedônio de Alexandre Magno até a transformação da Grécia em província romana — os estudiosos têm se debruçado sobre a chamada “questão homérica”:  Os dois poemas são de um mesmo autor? São realmente dois ou se subdividem em outros, compilados em épocas diferentes? Quem escreveu o quê? Quando? — questionamentos acrescidos, no séc. 19, de uma indagação nunca ousada pelos gregos: Homero realmente existiu?

Certo como a negação de Homero ter sido produto de um Romantismo que buscava creditar as grandes obras literárias menos aos autores do que aos povos que os produziram, é a impossibilidade de se extrair resposta definitiva acerca da existência histórica do pai de todos os poetas. Quem aceita Homero, guardadas as proporções devidas, o faz como aquele que, incapaz de encontrar comprovação fática de Deus, após refletir sobre essas mesmas dúvidas, prefere seguir sua vida crendo. Quem nega sua existência, geralmente o faz por não acreditar que tanto gênio possa ter habitado a mente de um único homem.

Como independente do seu gênio, o homem (ou os homens) sempre importa menos que sua obra, a opção pela análise aqui adotada, recairá sobre dois pontos. O primeiro, baseado nas distinções entre as personagens centrais dos poemas. 

Protagonista da “Ilíada”, Aquiles era o herói impossível, não só pela incomparável habilidade de guerreiro, como por sua busca de glória e conceitos de honra inalcançáveis aos seus semelhantes. Este, aliás, era o dilema: diante de Aquiles, não era possível se sentir semelhante. Ele era aquele tipo de homem que todos fingem admirar, mas na verdade invejam e até odeiam, pelo reflexo nítido e impiedoso que se contrapõe à toda mediocridade alheia.

Recentemente, uma adaptação da “Ilíada” foi levada às telas pelo cineasta alemão Wolfgang Petersen. Para saber a quem coube o papel de Aquiles em “Tróia” (“Troy”, EUA, 2004, 162 min.), não é nem preciso ter assistido ao filme. Sem necessidade de concordância, basta constatar que, em nossos dias, a beleza física e o sucesso financeiro são os valores que fazem um homem ser considerado superior a outros. Quem, então, se não Brad Pitt, considerado um dos atores mais belos e certamente um dos mais bem pagos de Hollywood? Qual celebridade maior neste mundo vazio de celebridades?

Independente dos valores de uma sociedade, Aquiles sempre será encarnado no mais alto pico que elas possam alcançar.

Mas quem também está no filme é Odisseu, corretamente relegado ao papel de coadjuvante que desempenha na “Ilíada”. Muito embora tenha sido dele a idéia do Cavalo de Tróia, do cinema à Literatura, isso só é revelado no Canto IV da “Odisséia”, quando Menelau e Helena já se encontram reinando novamente em Esparta e recebem em sua corte o jovem Telêmaco — filho de Odisseu e Penélope, que parte de Ítaca em busca do pai —, a quem contam como foi concluída a Guerra de Tróia, com a queda da cidade, e o destino das principais personagens. Tal epílogo narrativo é sonegado na “Ilíada”, que se encerra com os funerais de Heitor, príncipe de Tróia morto em combate por Aquiles.

De qualquer maneira, o fato do conflito ter se definido pela astúcia, não pelas inúmeras demonstrações de bravura de lado a lado, evidencia claramente a superioridade prática das virtudes do protagonista da “Odisséia” sobre aquelas que brilhavam na personalidade esfuziante que domina o primeiro poema. Diferente de Aquiles, Odisseu não foi à Tróia em busca de glória, mas de riqueza para sua casa. Ao ver o conflito se arrastar por 10 anos, separando-o idefinidamente da mulher e do filho, ele o definiu com um artifício talvez pouco honrado, mas eficaz, ocultando um punhado de guerreiros no “presente” aceito pela cidade sitiada.  Herói possível, o rei de Ítaca só queria voltar para casa.

Concluída a Guerra de Tróia, o retorno pelo dorso das ondas se complica diante da vingança jurada por Posido, deus dos mares. Seu filho, o ciclope Polifemo, fora cegado com uma lança por Odisseu, para que ele e seus homens pudessem fugir ao cativeiro do monstro antropófago. Seguindo o conselho da feiticeira Circe, o rei de Ítaca navega até o Hades — destino de todos os mortos na crença pagã dos gregos — para tentar achar o caminho de casa junto ao fantasma do adivinho tebano Tirésias.

No Hades, ao fazer o sacrifício para que os mortos pudessem beber do sangue e só assim enxergar os vivos, Odisseu não apenas consulta Tirésias, como percorre todos os mitos gregos depois explorados pelo teatro de Sófocles, Ésquilo e Eurípedes, além de reencontrar as almas dos companheiros mortos. Entre eles Agamenón — rei de Micenas, irmão de Menelau e comandante dos gregos em Tróia, morto pela mulher e o amante ao voltar para casa — e Aquiles, abatido pela flecha de Páris, irmão de Heitor e também príncipe troiano. 

Embora a vida de maior dos guerreiros tenha lhe conferido a posição de rei entre os mortos, o fantasma de Aquiles revela ao amigo que sua existência em busca de glória não valeu a pena:  “pois preferia viver empregado em trabalhos no campo / sob um senhor sem recursos, ou mesmo de parcos haveres, / a dominar deste modo nos mortos aqui consumidos”. 

Mas é com sua mãe, Anticléia, o encontro mais impressionante, posto que ele a  havia deixado viva e com saúde em Ítaca, e só a descobre morta ao divisar seu espectro vagando em busca de sangue no Hades. O diálogo que se segue entre o filho de vida sofrida e o fantasma da mãe, base do segundo ponto de análise, sempre foi a passagem que mais me marcou, desde a primeira leitura da obra de Homero. Ao tentar sintetizar esta, o trecho destacado não poderia obedecer a escolha pessoal diversa.

Confesso, no entanto, que só após as diversas releituras recentes do texto, para confeccionar este post, fui atentar à missão que um inconsolável Odisseu recebe de Anticléia:  relatar à esposa, Penélope, tudo que ouvira da mãe, quando finalmente regressase à Ítaca.

Em relação à “Ilíada”, não há novidade em situar o eixo da ação em Helena, rainha de Esparta raptada por Páris para Tróia, em resgate da qual partem todos os príncipes da Grécia. E aqui, na analogia com o segundo poema, no lugar das distinções entre os homens, o que há é comum nas mulheres que os moveram. O herói da maior obra literária já produzida (a “Odisséia”), quem diria, nada mais era do que um mensageiro, um menino de recado entre duas mulheres: sua mãe e sua esposa.

Tanto a Odisseu, quanto a Homero, admiro ainda mais por isso.

Ao fim e ao cabo, recorramos novamente a Braudel, outro dos tantos marcados por um encontro entre mãe e filho que nos define há três mil anos: “a Grécia antiga permanece viva, o homem grego testemunha uma humanidade de base que variou pouco ao longo dos tempos. E o pensamento voa até nós, reencarna-se obstinadamente como as almas que o sacrifício de Odisseu chamava à vida”…

 

 

“No mesmo ponto fiquei, até vir minha mãe para perto,

o negro sangue beber. Conheceu-me no mesmo momento,

e, com sentidos queixumes, me diz as palavras aladas:

‘Como vieste, meu filho, até às trevas espessas debaixo,

ainda com vida? É difícil aos vivos olhar estes quadros.

Há, de permeio, cachoeiras enormes e caminhos violentos,

a começar pelo Oceano, que nunca jamais ninguém pôde

a vau transpor, mas somente provido de nau bem construída.

Ora, depois de vagar muito tempo com teus companheiros,

vieste de Tróia até aqui? Às paragens ainda não foste

de Ítaca, nem te avistaste em teus passos com tua consorte?’

 Isso me disse; em resposta lhe torno as seguintes palavras:

“Foi, minha mãe, necessário descer até ao de Hades Palácio,

para consulta fazer ao Tebano adivinho Tirésias.

Ainda ao país dos Aqueus não fui ter, nem à pátria querida,

mas sem cessar hei vagado, sofrendo aflições incontáveis

desde o momento em que o Atrida preclaro segui como sócio

para guerrear os Troianos em Ílio, de belos cavalos.

Vamos! Agora me fala e responde conforme a verdade:

Como domou-te o destino, inflingindo-te Morte implacável?

Foi demorada doença? A ti veio, talvez, a frecheira

Ártemis, que te privaste da vida com dardos suaves?

Do pai me conta e do filho, que em casa, ao partir, me ficaram,

se as regalias do mando ambos eles desfrutam, ou se outrem

as usurpou, por julgar que não hei de rever o palácio?

O pensamento e a vontade, também, me revela da esposa,

se junto ao filho ainda se acha e conserva os haveres intactos,

se o mais insigne dos chefes Aqueus a tomou por consorte?’

Disse-me, então, minha mãe veneranda a essas minhas palavras:

 ‘O coração paciente, em verdade, tua esposa ainda se acha

onde a deixaste, em tua casa. Aflição permanente a consome

todas as noites e dias, sem nunca pôr termo ao seu pranto.

Ainda ninguém do comando real se apossou, mas Telêmaco

todos os bens te administra tranqüilo, e freqüenta os banquetes,

tal como cumpre a pessoa que sói distribuir a justiça.

É convidado por muitos. No campo teu pai ainda se acha,

sem baixar nunca à cidade. Jamais dorme em leito macio,

por não ter mantos em casa, nem cópia de bons cobertores.

Dorme, de inverno, na casa onde os servos encontram repouso,

na cinza, junto à lareira, com roupa andrajosa por cima.

Mas quando chega o verão e a estação luxuriante de frutos,

pelo monstruoso terreno em que tem sua vinha plantada

no chão a cama prepera, formada de folhas caídas.

Acabrunhado ali fica, sentindo a tristeza indizível

de tua ausência. Sobre ele carrega a velhice funesta.

Esse o motivo, também, de me ver pelo Fado colhida.

Não me matou no interior do palácio a frecheira veloce,

que, com seus dardos suaves, da vida, afinal, me privasse;

nem foi, tampouco, doença que sói produzir nos humanos

definhamento terrível, e a força dos membros apaga;

mas os cuidados, ilustre Odisseu, por tua casa, e a saudade,

como a ternura que a mim dedicavas, tiraram-me a vida.’

Profundamente abalado deixaram-me suas palavras;

e, desejoso de o espírito ao peito apertar com ternura,

arremeti por três vezes, levando-me ao peito a abraçá-la;

por outras tantas dos braços fugiu-me, qual sombra fugace,

ou mesmo sonho, deixando-me dor mais acerba no espírito.

Volto-me, então, e lhe digo as seguintes palavras aladas:

‘Mãe, por que evitas o abraço em que tanto desejo estreitar-se?

Não poderíamos nós, até mesmo aqui no Hades, os braços

entrelaçar e atenuar, desse modo, a tristeza indizível?

Ou porventura, Perséfone ilustre, um fantasma ilusório

somente a mim deixou vir, porque dores mais fundas sentisse?’

Disse-me, então, minha mãe veneranda a essas minhas palavras:

‘Pobre de mim, caro filho, dos homens o mais desgraçado!

Não, não te engana Perséfone, a filha de Zeus poderoso:

esse o destino fatal dos mortais, quando a vida se acaba,

pois os tendões de prender já deixaram as carnes e os ossos.

Tudo foi presa da força indomável das chamas ardentes

logo que o espírito vivo a ossatura deixou alvacenta.

A alma, depois de evolar-se, esvoaça qual sombra de sonho.

Mas cuida logo de à luz retornar; grava na alma isso tudo,

para que possas, depois do retorno, à tua esposa contá-lo.’”

 

Homero, em Odisséia, Canto XI, versos 152 a 224, tradução de Carlos Alberto Nunes, Ediouro, 5ª Edição (2001), págs. 194 a 196

 

Aluysio Abreu Barbosa ao lado do busto de Odisseu, na praça central da pequena aldeia de Stavrós, na ilha de Ítaca (foto de Ícaro Abreu Barbosa)
Aluysio Abreu Barbosa ao lado do busto de Odisseu, na praça central da pequena aldeia de Stavrós, na ilha de Ítaca (foto de Ícaro Abreu Barbosa)

Neném também sairá da Prefeitura para tentar a Câmara

Luiz Alberto Menezes
Luiz Alberto Menezes

Mauro Silva (Comunicação Social), Paulo Hirano (Saúde), Fábio Ribeiro (Administração), Cecília Ribeiro Gomes (Renda e Trabalho), Edson Batista (Hospital Geral de Guarus), Henrique Oliveira (Defesa Civil), Luiz Eduardo Crespo (Fundecam), Auxiliadora Freitas (Fundação Teatro Trianon) e Orlando Portugal (Desenvolvimento Econômico e Petróleo). A estes nove integrantes do governo municipal que, segundo o jornalista e blogueiro Saulo Pessanha anunciou aqui, se lançarão candidatos a vereador em 2012, deve ser somado mais um: Luiz Alberto Menezes, o Neném, vice-presidente da Fundação Municipal dos Esportes.

Neném já concorreu ao cargo duas vezes, em 2004, quando foi o 1º suplente do PSDB, com 1.985 votos; e em 2008, pelo PPS, com votação de 1.845, conquistando a 2ª suplência da legenda. Atualmente sem partido, ele já recebeu convites de Wladimir Garotinho, Edson Batista e Mauro Silva para integrar, respectivamente, o PR, PTB e PTdoB.