Brasil 2 x 2 Paraguai — Sorte para manter uma escrita de equilíbrio

Se, desde 2000, o Brasil havia vencido o Paraguai quatro vezes, perdido quatro e empatado uma, a segunda rodada do time de Mano Menezes, hoje, pela Copa América, reafirmou o equilíbrio da última década entre os tradicionais rivais continentais. Mas como o gol de Fred que empatou o jogo em 2 a 2, saiu só aos 44 do segundo tempo, o alívio final foi brasileiro.

Se Mano surpreendeu, ao entrar em campo com  Jobson no lugar de Robinho, o domínio adversário nos primeiros 20 minutos, quando marcou sob pressão no campo brasileiro, só pôde causar espanto a quem se esqueceu que o Paraguai mantém a mesma base do time que caiu apenas nas quartas-de-final da Copa da África do Sul, numa suada vitória de 1 a 0 da campeã Espanha.

Logo aos 24 segundos, o hábil Estigarribia, jogando aberto na esquerda, mostrou seu cartão de visitas ao testar Júlio César em chute de fora da área. Aos dois minutos, num bom passe por elevação de Barrios, Santa Cruz chutou por cima do gol. 

Passada a pressão inicial, a resposta só veio aos 19 minutos, quando Ganso passou a Jadson, que achou Pato na área. Ele chegou a driblar o goleiro, que esticou a mão para impedir o chute. A partir dali, os brasileiros conseguiram reter mais a bola, enfeiando o jogo para poder equilibrá-lo. Cientes ou não da tática dos marmanjos, a pequena torcida brasileira, aos 26, passou a ensaiar o coro: “Olê, olê, olê, olá! Marta! Marta!”

Do único outro lance de perigo no primeiro tempo saiu o gol brasileiro. Na raça, Rami-res ganhou a bola no campo paraguaio, aos 38, e tocou para Ganso iniciar a única tabela que os dois armadores brasileiros conseguiram criar. O meia do Santos passou a Jadson, que colocou de canhota, da entrada da área, no canto direito de Villar.

Ao voltar ao segundo tempo, com Elano no lugar de Jadson, o Brasil deixou claro a tática para tentar segurar a vitória: ceder a bola e jogar nos contra-ataques. Mas quem encaixou um, aos 10 minutos, foi o Paraguai: Estigarribia cruzou da esquerda, nas costas de Thiago Silva, para Santa Cruz empatar.

Aos 22, em falha de Daniel Alves dentro da área, a bola sobrou para Santa Cruz cruzar da direita à entrada de Valdez. O chute ainda bateu em Lúcio e voltou no próprio Valdez antes de entrar. Mano, que já preparava Lucas substituir Ganso, acabou colocando a promessa do São Paulo no lugar de Ramires. Depois, mandou a campo também Fred, no lugar de Neymar, que saiu vaiado.

A insistência com Ganso, assim como a opção pessoal do treinador por Fred, desde a convocação, salvou o Brasil no final. Aos 44, mesmo marcado, Ganso tocou de primeira para servir a Fred, que fez o giro sobre dois marcadores e chutou para garantir o empate.

Ainda no intervalo, com a vitória parcial de 1 a 0, gol de uma aposta pessoal sua, Mano brincou ao se dizer um “burro com sorte”. E com o gol de Fred, a sorte continou a sorrir para o lado do técnico, ao apito final. Na próxima quarta, diante do Equador, que ontem perdeu por 1 a 0 da Venezuela, a sorte pode ainda bastar. Mas a partir das quartas-de-final, a necessidade de inteligência deve demandar algo além do que um lampejo de Ganso.

 

 

Como a torcida, Fred agradece aos ceús o gol de empate, aos 44 do segundo tempo (Foto: CBF)
Como a torcida, Fred agradece aos ceús o gol de empate, aos 44 do segundo tempo (Foto: CBF)

 

 

BRASIL

 

JÚLIO CÉSAR — Duas defesas sem grande dificuldade. Nos gols, nada pode fazer. NOTA 5.

DANIEL ALVES — Tomou um passeio do habilidoso meia esquerda Estigarribia e falhou clamorosamente, dentro da área, no lance do segundo gol paraguaio. NOTA 3.

LÚCIO — Não comprometeu, mas também não brilhou. De qualquer maneira, esteve mais seguro que o companheiro de zaga. NOTA 5.

THIAGO SILVA — Foi em suas costas a bola cruzada por Estigarribia, que encontrou Santa Cruz na área para anotar o primeiro gol paraguaio. NOTA 4.

ANDRÉ SANTOS — Prova vida da carência de um lateral esquerdo de nível na Seleção. Até tenta apoiar, mas, definitivamente, não sabe cruzar. NOTA 4.

LUCAS LEIVA — Abaixo da atuação na estréia contra a Venezuela, quando foi o melhor brasileiro em campo. NOTA 5.

RAMIRES — Mantém a má fase técnica que o obriga, por vezes, a recorrer a violência. Mas demonstrou raça ao ganhar a bola que gerou o primeiro gol brasileiro. NOTA 5. Foi substituído, aos 24 da segunda etapa, por LUCAS, que entrou para jogar aberto pela direita, mas pouco produziu. NOTA 4.

JADSON — Grande surpresa de Mano, teve um primeiro tempo superior a Ganso, a quem entrou para ajudar na armação. Bom passe que achou Pato dentro da área, antes de abrir ele mesmo o placar, na entrada da área, com um chute consciente no canto direito do goleiro. NOTA 7. Saiu no intervalo para a entrada de ELANO, que entrou para tentar segurar o 1 a 0, mas teve que armar o jogo, após a virada paraguaia. Bela cobrança de falta, aos 40, que só não transformou em gol graças à defesa de Villar. NOTA 5,5.

GANSO — Teria outra atuação apagada, não tivesse dado os passes que geraram os dois gols brasileiros. Sobretudo no segundo, em que tocou de primeira, mesmo marcado, deu um lampejo do futebol que o levou à Seleção. NOTA 6.

PATO — Teve menos chances que contra a Venezuela, mas novamente as desperdiçou. Segundo tempo muito apagado. NOTA 4

NEYMAR — Se Ganso achou em pelo menos dois lances o futebol do Santos, o mesmo não se pode dizer do atacante em todos os 90 minutos de hoje. NOTA 3. Saiu vaiado, aos 37 do segundo tempo para a entrada de FRED, que mesmo com pouco tempo e fora da melhor forma, recebeu de Ganso e executou o giro dentro da área sobre dois marcadores para arrancar o empate. NOTA 7.

MANO MENEZES — No intervalo, quando ganhava de 1 a 0, com gol de Jadson, uma aposta pessoal, disse, brincando, ser um “burro com sorte”. Ao final do jogo empatado por Fred, outra aposta contestada, poderia repetir a sentença. NOTA 5.

 

PARAGUAI

 

VILLAR — Pelo menos três defesas salvadoras. NOTA 8.

VERÓN — Abusou das entradas maldosas em Neymar, mas o marcou bem. NOTA 6.

DA SILVA — Vinha tendo atuação segura, até o gol de Fred. NOTA 4.

ALCARAZ — Zagueiro grandalhão e viril. NOTA 5,5.

TORRES — Bem na marcação, tentou apoiar com Estigarribia. NOTA 6.

RIVEROS — Típico volante de contenção. NOTA 6. Deu lugar a CÁCERES, que manteve a forte marcação no meio. NOTA 6.

VERA — O primeiro gol paraguaio nasceu de seus pés. NOTA 6,5.

ORTIGOZA — Deu origem ao segundo gol do seu time. NOTA 6,5.

ESTIGARRIBIA — Melhor em campo. Infernizou a ala direita da defesa brasileira. NOTA 8,5.

SANTA CRUZ — Marcou um gol, deu passe a outro e ainda ajudou a marcar. NOTA 8.

BARRIOS — Embora mais habilidoso, teve atuação abaixo do colega de ataque. NOTA 6. Deu lugar a VALDEZ, que marcou o segundo gol. NOTA 7.   

 

0

PMDB e Frente Democrática têm encontro marcado hoje na ExpoAgro

A convite do presidente regional do PMDB, Ivanildo Cordeiro, o partido promove encontro regional na noite de hoje, na 54ª ExpoAgro de Campos, entre seus prefeitos Carla Machado (São João da Barra), Riverton Mussi (Macaé) e Luiz Carlos Fenemê (São Fidélis), além do deputado federal Adrian Mussi. Segundo Cordeiro, também foram chamados e confirmaram presença, de outras legendas, o prefeito de Cardoso Moreira, Gilson Siqueira (PP), o deputado estadual João Peixoto (PSDC), os vereadores Rogério Matoso (PPS) e Odisséia Carvalho, o ex-deputado Claudeci (PSL), o ex-prefeito Sérgio Mendes (PPS), Odete Rocha (PCdoB), Andral Tavares Filho (PV) e Fabrício Lírio (PRP). 

O ponto de encontro será no estande da Prefeitura de São João da Barra, no Pavilhão Industrial, e de lá o grupo segue para jantar num restaurante. Além de consolidar o que Cordeiro chama de “cinturão regional” do PMDB, chamando seus detentores de mandatos na região para ajudar o partido a reconquistá-los em Campos, a intenção é também fortalecer a Frente Democrática. 

O deputado estadual Robeto Henriques (PR), também foi convidado, mas não poderá comparecer. A escolha do estande de São João da Barra como ponto de encontro, de acordo com Ivanildo, é uma forma de agradecer ao apoio que Carla tem dado à oposição local ao casal Garotinho, chegando a colocar seu nome à disposição para disputar a Prefeitura de Campos em 2012.

0

Nahim: secretários-candidatos, 25 vereadores e polêmica da ExpoAgro

Em conversa com o blogueiro, o presidente da Câmara Nelson Nahim (PR) respondeu a algumas questões levantadas no blog pelo “colega” governista Jorge Magal, em relação não só às pré-candidaturas ao Legislativo de 10 secretários municipais (aqui), como também o possível aumento do número de vereadores (aqui). Questão levantada pelo blog, o cunhado de Rosinha também sobre o envolvimento do seu filho, Hélio Montezano, na polêmica do não repasse de verbas municipais a 54ª ExpoAgro. Por partes, vamos às versões de Nahim…

 

(Foto de Leonardo Berenger)
(Foto de Leonardo Berenger)

 

Secretários candidatos a vereador — “Não vejo nenhum problema nisso. Todos têm o direito de concorrer. Rosinha, pelo que eu saiba, já estabeleceu que quem quiser se candidatar tem que sair do governo em dezembro. A própria prefeita já se antecipou para evitar qualquer uso eleitoral das secretarias”.

Aumento da Câmara para 25 veradores — “Não sei quem foi que delegou a Magal o direito de falar por mim. Eu não fui. Se ele não quis nem falar meu nome, como é que pode pretender falar em meu nome? O fato é que combinamos, não só entre os vereadores da situação, mas também de oposição, em só falar sobre a questão após a volta do recesso, em agosto. E Magal, agora, não sei por que, resolveu furar o acordo. De qualquer maneira, diferente do que ele disse, eu não sou contra o aumento para 25 vereadores. Acho até que, com mais representantes, a população tem maiores chances de ser atendida. Entretanto, como presidente da Câmara, eu tenho responsabilidades não só como político, mas também como gestor, como presidente de uma Casa que só pode gastar com pessoal, pela Lei de Responsabilidade Fiscal, até 70% do seu orçamento. Atualmente, temos 17 vereadores, que têm, cada um, um chefe e um sub-chefe de gabinete. Como já tivemos 21 vereadores, há até a previsão para retomarmos os cargos extintos, quando baixamos para 17, mas não de criar mais quatro cargos de chefe e quatro de sub-chefe, caso aumentemos agora para 25. Além disso, há a questão do aumento do vencimento dos vereadores, que é fixado, no máximo, em 60% do que ganham os deputados estaduais. E estes, a reboque dos novos deputados federais, se deram aumento no início do ano. Por orientação do procurador da Câmara de Campos, Helson Oliveira, resolvemos deixar essa questão para a próxima Legislatura, muito embora também caiba à atual fazer mais essa previsão de aumento de gasto com pessoal. Eu sou o presidente da Câmara e serei eu que terei que responder, no Judicário e no Tribunal de Contas, caso a previsão de gastos com pessoal ultrapasse os 70% limitados em lei”.

Polêmica da ExpoAgro — “Acho que Rosinha foi mal informada nessa questão. Meu filho não fez nenhum convênio com a Prefeitura. Além de vereador, sou advogado e sei muito bem que isso seria ilegal. O convênio era entre a Prefeitura e a Fundação Rural de Campos. São, portanto, a prefeita e o presidente da Fundação que têm que falar sobre isso, não eu ou meu filho. Hélio faz eventos na Fundação. Ele não recebeu nada da Fundação. Muito pelo contrário, ele pagou à Fundação para promover os shows durante a Exposição. E isso não foi uma novidade deste ano, mas já vinha acontecendo nas edições anteriores da Exposição, desde o governo Mocaiber, passando por Rosinha e pelo meu período interino, sem nenhum impedimento legal”.

Racha com Rosinha —  “Isso não existe, tanto que quando ela anunciou que não iria repassar os recursos à Exposição, eu sequer me pronunciei sobre o assunto. Acho que a interpretação dela, em relação à justificativa alegada, não foi correta, mas respeitei e não questionei seu direito de decidir como achasse melhor. Em relação ao episódio da Exposição, como eu disse antes, quem tem que falar são mesmo a prefeita e o presidente da Fundação”.

0

Censura, nos outros, é refresco…

Da série “recordar é viver”, segue abaixo post esclarecedor para debate de agora, assim como os comentários por ele gerados à época, que mantêm utilidade presente para quem ainda finge não saber exatamente onde reside a dignidade dos autoritários que imaginam controlar tudo e todo$… 

 

Democracia — Atos x discurso

Por Aluysio, em 21-09-2010 – 20h51

Dizem que uma foto vale mais do que mil palavras. Independente da mídia em que são veiculadas, impressa ou virtual, o importante é não perder de vista a contraposição dos atos com o discurso de quem pretende posar como defensor da democracia. Não por outro motivo, seguem abaixo duas fotos…

 

25/02/10 - Manifestação dos alunos do IFF, em defesa da democracia na escola (foto de Rodrigo Silveira) 25/02/10 – Manifestação dos alunos do IFF, em defesa da democracia na escola (foto de Rodrigo Silveira) 
24/08/10 - Debate no IFF sobre o regimento interno da escola, com protesto dos estudantes contra as mudanças impostas pela reitoria (foto de Antonio Cruz) 24/08/10 – Debate no IFF sobre o regimento interno da escola, com protesto dos estudantes contra as mudanças impostas pela reitoria (foto de Antonio Cruz) 

 

4 comentários paraDemocracia — Atos x discurso

  • André Lacerda

    Eu como ex-aluno do Cefet e ex-integrante do grêmio daquela escola fico muito feliz ao ver o movimento estudantil atuante, organizado e consciente de seu papel. Mas ao mesmo tempo, fico triste por ver que certas pessoas que estão a frente da instituição adotam práticas que nos remetem à tempos passados e que não condizem com a postura de uma escola que deveria educar, fomentar a cidadania e dar bons exemplos.

  • Gustavo Viana

    Sou estudante do IFF e também sou ex-integrante do grêmio. Entrei no Instituto quando ainda era CEFET e nunca imaginei que teria uma participação tão forte no movimento estudantil, mas, por conta de pessoas q se intitulam educadores, me vi na obrigação de me unir aos bons lutadores que lá já existia para lutar pelas eleições diretas para Diretor e agora mais uma vez para o Regimento Geral. Hoje fico muito feliz por ter contribuído na conquista dessas vitórias, e vejo com isso um exemplo que comprova que o movimento da massa organizada, nos faz colher bons furtos.

  • gabriela ribeiro

    ATOS X DIRCURSOS de roberto moraes: adora defender a democracia em seu blog mas no iff não pratica. adora defender a liberdade de expressão mas no iff os estudantes precisam protestar para ter voz. adora debater mas foje de debate com estudante. adora dizer que é de esquerda mas quando foi diretor do cefet foi embaixador de fhc implantando todas as suas políticas neolibeirais.

  • Françoar

    em uma históra de luats que tem o nosso país e a nossa cidade, tem gente que acha que pode fazer tudo o que quer por conta do poder que tem, mais não é assim, quando a maioria esta insatisfeita as coisas desandão, e assim vem acontecendo, e os estudantes aprendem isso na propria escola, pois isso faz parte da cidadania, e se tem alguma coisa errada temos que lutar para consertar.
    sou estudante do iff, e sei bem a realidade em que eu vivo e vivi dentro desta instituição, que enche os olhos de quem não faz parte dela, mais que as vezes deixa de desejar diante dos proprios alunos, hj temos uma instotuição mais forte, mais existe a reitoria, quem vem dizendo que é democratica e etc, mais que na realidade só sabem dizer meia duzia de palavras boniatas e só fazer coisas que desagradam e prejudicam os alunos e servidores desta instituição.
    vivemos em uma democracia e se não querem os ouvir por bem, vão nos ouvir por mal.
    uma abraço a todos os leitores, e não vamos desistir da luta…

0

O dia nasceu feliz pra quem, companheiro?

Abaixo, luminoso como o sol que Cazuza cantava nos anos 80 para o dia nascer feliz, artigo publicado hoje, na página de Opinião da edição impressa de O Globo

 

Velha novela, novos atores

Por Nelson Motta (*)

 

Há 22 anos, nos estertores do governo Sarney, fazia espetacular sucesso a novela “Vale Tudo”, de Gilberto Braga, que expressava os sentimentos mais profundos do país naquele momento, com a inflação desenfreada, a fraude do Plano Cruzado, a moratória humilhante, o desastre administrativo, a corrupção generalizada e impune. Maria de Fátima e Odete Roitman eram odiadas como símbolos nacionais da arrogância, da mentira, do cinismo e da maldade.

Reprisada no canal Viva, a novela repetiu o sucesso. As vilanias, as covardias, os roubos, os deboches — e a impunidade — continuam atuais. A diferença é que a festa pobre que Cazuza cantava na abertura de “Vale tudo” agora é rica, nouveau riche, deslumbrada, movida a jatinhos e resorts, com empresários e sindicalistas confraternizando alegremente, julgadores e julgados dividindo mesas e viagens, controladores e controlados sem qualquer controle.

Os políticos são os mesmos, só mudam de nome e de partido, mas agora são botoxados e trocaram o acaju dos cabelos pelo negro graúna. Os empresários só mudaram de cara e de ramo, agora são todos progressistas, preocupados com a comunidade e a sustentabilidade, e o seu objetivo principal é gerar empregos e impedir que os estrangeiros invadam nosso mercado (rs).

Diante da fúria e da revolta que me despertam a ladroeira e o cinismo dessa gentalha, faço um exame de consciência: será que, depois de 22 anos como um liberal radical e independente, fui dominado pela ira indignada e regredi a um moralismo pequeno burguês udenista?

O engraçado é que na época de “Vale tudo”, quando era oposição e o seu denuncismo implacável revelava falcatruas e maracutaias, o PT foi apelidado de “UDN de macacão”. Bons tempos, bom humor. Hoje a palavra de ordem é defender o companheiro a qualquer custo, e depois levá-lo num canto e dizer que ele estava errado.

A surpresa é ver o governo Dilma patinando na administração, logo onde se esperava dinamismo e eficiência, mas se mostrando muito mais comprometido com a ética e o combate à corrupção do que o anterior. Não é que seja tão difícil assim, mas já é um avanço.

(*) Jornalista

0

Câmara em 2013 com 25 vereadores e novo presidente???…

Arte de Eliabe de Souza, o Cássio Jr.
Arte de Eliabe de Souza, o Cássio Jr.

 

Ainda em relação à Câmara, algumas das coisas que Jorge Magal revelou ao blogueiro evidenciam não só a real possibilidade da Legislativo passar dos atuais 17 vereadores para o teto de 25 permitido pela legislação eleitoral, como o relacionamento aparentemente ruim entre o bloco governista e o atual presidente da Casa, Nelson Nahim. Indagado se o aumento de cadeiras para 25 era uma posição pessoal ou da bancada da situação, Magal afirmou:

— Todos os governistas são favoráveis ao aumento de cadeiras para 25, à exceção do atual presidente.

Ao notar a ênfase na exceção e sua não nomeação, o blogueiro insistiu:

— Só Nahim, então, é contra?

— Só o atual presidente; quer dizer, presidente, pelo menos, até 2013, né?! — ressalvou com desavexada ironia, novamente sem citar o nome de Nahim.

Embora tenha elencado vários motivos para justificar o aumento máximo do número de vereadores campistas, Magal disse que tinha razão também o blogueiro ao lembrar que, com 25 vagas, pelo menos em tese, ficaria mais fácil a reeleição dos atuais 17.

Em todo caso, a atitude do líder governista em relação a Nelson Nahim, parece endossar o racha entre Rosinha e seu cunhado, que veio a furo quando a prefeita se negou a repassar verbas municipais a 52ª ExpoAgro de Campos, com a justificativa de que o evento teria sido terceirizado pela empresa de Hélio Montezano, o “Alemão”, filho de Nahim, como o blogueiro e jornalista Luiz Costa revelou aqui.

0

Magal acende sinal amarelo aos secretários pré-candidatos à Câmara

Arte de Eliabe de Souza e José Renato
Arte de Eliabe de Souza e José Renato

 

Ontem, o jornalista e blogueiro Saulo Pessanha noticiou aqui serem nove os secretários de Rosinha que tentarão uma cadeira na Câmara Municipal em 2012: Mauro Silva (Comunicação Social), Paulo Hirano (Saúde), Fábio Ribeiro (Administração), Cecília Ribeiro Gomes (Renda e Trabalho), Edson Batista (Hospital Geral de Guarus), Henrique Oliveira (Defesa Civil), Luiz Eduardo Crespo (Fundecam), Auxiliadora Freitas (Fundação Teatro Trianon) e Orlando Portugal (Desenvolvimento Econômico e Petróleo). A estes, o blog ontem adicionou aqui o nome do vice-presidente da Fundação Municipal dos Esportes, Luiz Alberto Menezes, candidato com boas votações em 2004 e 2008. Fechada, a conta foi a manchete da edição impressa da Folha de hoje.

O que não está abordado na matéria do jornal, é a possibilidade de conflito interno no grupo de Rosinha, levantada aqui, desde ontem, pelo também jornalista e blogueiro Alexandre Bastos, já que são 13 os vereadores governistas que tentarão a reeleição: Nelson Nahim (PR), Altamir Bárbara (PSB), Jorge Rangel (PSB), Abdu Neme (PSB), Jorge Magal (sem partido), Kellinho (PR), Albertinho (PP), Papinha (PP), Vieira Reis (PRB), Dante (PDT), Gil Vianna (PSDC), Dona Penha (PPS) e Jorginho Pé no Chão (PTdoB).

Indagado agora há pouco pelo blog, se poderia realmente se configurar esse confronto entre os 10 secretários que buscam a vereança e os 13 vereadores que querem permanecer onde estão, o líder da bancada governista, Jorge Magal afirmou que não, mas fez uma importante ressalva:

— Não vai haver conflito na base. É direito legal de cada um colocar sua pré-candidatura, esteja ou não ocupando posição como secretário ou como vereador. O que não vai poder acontecer, e tenho certeza que Rosinha será rigorosa quanto a isso, é um candidato usar a máquina pública de uma secretaria em sua campanha. Pelo que eu sei, a prefeita está trabalhando com a perspectiva de desligar em dezembro os pré-candidatos da sua equipe de governo. Mas também tenho certeza de que, se a prefeita perceber que alguém já está usando a máquina para ajudar essa ou aquela candidatura, o desligamento pode até ser antes — advertiu Magal.

Ou seja: não vai haver sinal vermelho para nenhum secretário pré-candidato, mas o sinal amarelo para estes já está devidamente ligado pelos vereadores governistas em busca de reeleição.

0

Guia 4 Patas

No último dia 5, o Christiano Abreu Barbosa revelou aqui que o conceituado Guia 4 Rodas listou as “1001 praias no Brasil para conhecer antes de morrer”. Grande conhecedor de viagens no país e no exterior, o blogueiro destacou as praias da região apontadas pelo Guia: Farol de São Thomé, em Campos; Grussaí, em São João da Barra; Cavaleiros e do Pecado, em Macaé; e, em São Francisco de Itabapoana, Manguinhos e Lagoa Doce.

Respeito o Guia 4 Rodas e já me utilizei dele em viagens pelo Brasil, mas diante da opção regional por praias como Grussaí, Farol e Manguinhos, ignorando solenemente a existência do Pontal de Atafona, disparado o lugar mais belo e charmoso de todo nosso litoral, a vontade que vem à tona com a força da ressaca do mar é sugerir a mudança do nome do Guia: de 4 Rodas, para 4 Patas.

 

A beleza entre as ruínas, o mangue, o mar e o rio que a 4 Rodas ignorou
A beleza entre as ruínas, o mangue, o mar e o rio que a 4 Rodas ignorou
0

Democracia que se planta, dá

Presente desde sua primeira edição, em 8 janeiro de 1978, a página de Opinião da Folha sofreu mudanças nas últimas semanas, com a inclusão dos nomes de Betinho Dauaire (nas edições de segunda-feira), Carla Machado e Silvério Freitas (ambos às quartas), além de Odete Rocha e Roberto Henriques (às quintas, a primeira semanalmente, o segundo de 15 em 15 dias). Levado em consideração o antagonismo explícito entre o ex e atual prefeita sanjoanense, a continuidade do espaço à expressão da opinião do reitor da Uenf (cargo no qual Silvério substituiu Almy Júnior), e que a professora Odete e o deputado Henriques são franco opositores do governo de Rosinha, que também estreou há um mês e meio, escrevendo sempre aos sábados, chega-se à conclusão do quão democrático é esse espaço que se pretende herdeiro do conceito da ágora grega, a partir do qual a própria democracia foi inventada.

Prova desta livre convivência entre contrários, será a página de Opinião da Folha de amanhã, onde o presidente do PSDB, da seção regional da Firjan e do sindicato dos usineiros, Geraldo Coutinho, e a vereadora petista Odisséia Carvalho, externam visões bem diversas sobre o setor sucroalcooleiro e a polêmica das queimadas de cana. Quem quiser conferir desde já, basta dar uma olhada abaixo…

 

 

 

 

 

 

Odisséia Carvalho
Odisséia Carvalho

Terra para quem nela trabalha

 

 

 

 

Por Odisséia Carvalho

Em nosso município a luta pela terra está intimamente ligada ao arcaico modelo de exploração agrícola no cultivo da cana-de-açúcar. Não por acaso a primeira ocupação do Movimento dos Trabalhadores sem Terra (MST) na região aconteceu na propriedade de uma usina.

Em 1997, centenas de trabalhadores ocuparam o complexo de fazendas da falida Usina São João, que acumulava dívidas trabalhistas. A reação do setor canavieiro foi imediata, tentando criminalizar o movimento dos trabalhadores.

Depois de muita pressão junto ao Incra, as terras foram desapropriadas, ainda que muitos problemas ficassem por resolver como o financiamento agrícola e a infraestrutura básica do assentamento.

O assentamento Zumbi é um marco da luta pela terra em Campos e mesmo enfrentando muitas dificuldades é notável a melhoria nas condições sócio-econômicas dos assentados em relação à condição anterior de “bóias-frias”. A partir dessa ocupação muitas outras aconteceram na região, não só em Campos, mas também em municípios vizinhos.

No último dia 28 de junho trabalhadores do acampamento 17 de Abril, próximo a Guandu, foram surpreendidos com uma ordem judicial de desocupação expedida no dia 27 de maio, mas da qual só tomaram conhecimento com a chegada da polícia para a realização de reintegração de posse pedida pela Usina Açucareira Barcelos. Um dia antes, usineiros se manifestavam em praça pública em defesa da lei da queimada, alegando entre outras coisas, que queriam garantir o emprego de “milhares de trabalhadores”.

Os trabalhadores das lavouras de cana da região são submetidos a condições de trabalho insalubres, jornadas extenuantes e várias vezes o Ministério do Trabalho fez blitzen na região que constataram a existência de trabalho escravo. Em uma dessas operações foram resgatados quase 100 trabalhadores durante a ação conjunta do Ministério Público do Trabalho no Rio de Janeiro, Superintendência Regional do Trabalho e Polícia Rodoviária Federal em fazendas de cana-de-açúcar.

A questão fundiária é central para os trabalhadores rurais da região, ao contrário do que os patrões querem fazer crer, o rompimento com o modelo de produção de açúcar e álcool não trará o caos e o desemprego. Mais da metade desses trabalhadores são clandestinos e só trabalham durante seis meses por anos nas lavouras canavieiras.

Os pequenos produtores dos assentamentos, ainda que com apoio aquém do desejável por parte do governo conseguem sobreviver de maneira digna. A ação do Incra na região precisa ser efetiva para que trabalhadores como o do Acampamento 17 de Abril possam ter seus direitos garantidos e não vejam de uma hora para outra suas lavouras destruídas e a escola derrubada por tratores.

 

 

 

 

 

 

Geraldo Coutinho
Geraldo Coutinho

Acho que sei!!??

 

 

 

 

Por Geraldo Coutinho

Alguém já disse que o mundo seria diferente se as pessoas tivessem o cuidado de separar o que de fato conhecem daquilo que acham que sabem. É comum, e ninguém escapa disto, completarmos quadros ou concluirmos histórias tendo apenas informações parciais. É o trabalho que cabe à nossa imaginação, que soma os dados novos que nos chegam com aqueles armazenados em nossa memória, completando um raciocínio. Até aí não há nada demais, comumente é visto até como sinal de inteligência. O problema, grave, é quando essas conclusões são postas em debate e não temos o discernimento de segregarmos a parcela que achávamos conhecer e tentamos impor argumentos construídos em hipóteses. Tem pessoas que exacerbam nesta prática e, no popular, costuma-se dizer que, embora recorrentemente equivocadas, erram com uma certeza que chega a impressionar e até a inibir os interlocutores.

Acontece que a prerrogativa de fazermos uso desse mecanismo de imaginação é inversamente proporcional ao grau de responsabilidade que a nossa função impõe. Se considerarmos que nossa missão envolve responsabilidade com avida de terceiros, eu diria que o direito de agirmos a partir de versões parciais ou conclusões solitárias deveria ser reduzido a zero. Ouvi dizer, li em algum lugar ou acho que é assim, são inícios de conversas que, via de regra, fazem de vítimas os fatos e a verdade. O único antídoto para este mal é o diálogo, e o desprendimento para enxergar razões na argumentação alheia.

Nestas últimas semanas algumas medidas foram tentadas contra o segmento canavieiro desta região. Tenho absoluta convicção que foram motivadas imaginando-se seguir uma direção certa. Também, de que os princípios da imparcialidade e os bons propósitos de gerar resultados em proveito da população estavam a nortear estas ações. Entretanto, lamentamos o fato de não se ter buscado conhecer melhor a realidade de fato estabelecida. De não terem sido ouvidos os trabalhadores, para saber de suas dificuldades, do esforço e dos riscos que é colher cana crua. De não ter sido dada voz aos produtores, para ouvir da impossibilidade de mudar, em curto prazo essa prática de colheita. De se ter ignorado os pareceres da Academia. De ter sido desprezado o senso comum que regra a matéria nos demais estados produtores, inclusive respaldada em dezenas de decisões dos tribunais do Brasil a fora e do próprio STJ. O equilíbrio é o princípio determinante da boa regra, e a gradualidade sua sustentação maior.

A atividade canavieira não gera o efeito poluidor que apregoam e muito menos causa dano à saúde pública, como insiste a imaginação de alguns. É até natural que algumas pessoas não tenham conhecimento amplo deste tema. Mas não consigo compreender a superficialidade com que é tratado por alguns na imprensa, em partido político e autoridades constituídas.

0