Reconstruindo
- Autor do post:Aluysio Abreu Barbosa
- Post publicado:15 de setembro de 2010 - 20:35
- Categoria do post:Sem categoria
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Em conversa agora há pouco, por telefone, com este blogueiro, o prefeito Nelson Nahim (PR) confirmou aquilo que o Alexandre Bastos noticiou aqui e a também jornalista e blogueira Jane Nunes já havia previsto há oito dias (aqui): o Programa Saúde da Família (PSF) vai voltar, com a convocação dos aprovados no concurso público realizado no apagar das luzes do governo Mocaiber. Acertada na reunião de ontem, de Nahim com o presidente interino da Câmara, Rogério Matoso (PPS), e uma comissão dos aprovados, a maneira jurídica para a convocação está sendo definida pela Procuradoria do Município. Embora ainda não exista data, fonte muito próxima ao prefeito garante: a coisa não deve passar de duas semanas.
Graças à ação do vereador Edson Batista (PTB), homem de confiança de Anthony Garotinho (PR), a convocação estava não só barrada até agora na Justiça, como sequer o nome dos aprovados foi ainda divulgado, num concurso que oferecia 740 vagas e teve 35.036 inscritos. De qualquer maneira, o empenho de Nahim em fazer valer uma convocação que Rosinha assumidamente empurrava com a barriga, foi comemorada pelos diretores dos hospitais conveniados, todos inchados com a suspensão do serviço, desde março de 2008, que permitia assistência médica em 49 pólos e na residência dos doentes.
Conforme apurou a repórter da Folha, Juliana Mérida:
— O PSF qualifica a atenção básica. Se isso de fato acontecer, veremos resultados importantes na Saúde da cidade — apostou o provedor da Santa Casa, Benedito Marques.
— É comprovado por dados estatísticos que o PSF é um dos melhores programas para prevenção de doenças — destacou o diretor do Hospital Abrigo Manoel Cartucho, Pedro Otávio Barreto.
— Se o PSF realmente voltar, vão melhorar e muito os problemas no sistema de Saúde — ressaltou Jair Araújo, diretor do Hospital Escola Álvaro Alvim.
— É uma das ações mais importantes que podem ser tomadas na cidade — endossou Luiz Maurício Crespo, diretor do Hospital Plantadores de Cana.

Se sairá do PMDB ou de um dos outros 15 partidos (PT, PTB, PP, PCdoB, PSB, PTC, PDT, PMN, PHS, PSC, PSL, PSDC, PTN, PRTB, PRP) que integram a coligação que tenta eleger Sérgio Cabral ao governo do Estado e Jorge Picciani e Lindenberg Farias ao Senado, uma coisa é certa: a aliança estadual vai disputar, com “força total”, a eleição suplementar à Prefeitura de Campos. A afirmação foi feita a este blogueiro, agora há pouco, pelo próprio Picciani, que está visitando Campos em campanha ao Senado, mas sem perder de vista sua condição de presidente estadual do PMDB.
Contraposto à informação de que o vereador Abdu Neme (do PSB, um dos 16 partidos) e o prefeito interino Nelson Nahim (PR) revelaram ao blog (aqui e aqui) as conversações para composição de uma chapa em que o primeiro seria vice do segundo na eleição a prefeito, Picciani não quis comentar o caso isoladamente. Em vez disso, lembrou que quando alguém visita, por exemplo, Rio das Ostras, vê claramente no município a aplicação dos royalties do petróleo, “e, em Campos, isso infelizmente não acontece”. Caso consiga se eleger ao Senado, ele reafirmou sua bandeira tanto na luta pela manutenção dos royalties aos Estados e municípios produtores, como por uma rigorosa fiscalização da aplicação dos bilionários recursos do petróleo.
Informado também que o PT, por meio da vereadora Odisséia Carvalho, já revelou ao blog (aqui) a decisão do partido de lançar candidatura no pleito suplementar, Picciani lembrou que a presidente estadual do PCdoB, Ana Costa, também já havia falado com ele também sobre a possibilidade de lançar novamente Odete Rocha, que disputou a última eleição a prefeito e agora concorre a uma vaga na Alerj. “Se não conseguirmos alcançar a unidade no primeiro turno, uma coisa é certa, faremos isso no segundo, e com força total”, afirmou para fechar a posição de enfrentamento dos 16 partidos contra qualquer candidato que for lançado pelo PR com a chancela do casal Garotinho.
Exibido ontem no Folha no Ar (aqui) segue abaixo, dividida em seis partes, a íntegra da entrevista feita pelo blogueiro no último dia 3, na sede do CFZ, no Rio de Janeiro, com Zico, diretor de futebol e maior craque da história do Flamengo. Transcrita desde sábado no blog (aqui e aqui) e domingo na edição impressa da Folha, a entrevista será reexibida pela Plena TV (canal 21da ViaCabo) a partir do próximo domingo (dia 19, às 10h e 17h), segue diariamente da segunda a sexta (sempre às 12h, 20h e 23h), até o sábado (dia 25, novamente às 10h e 17h).
Geraldo Pudim preferiu responder em seu blog (aqui) à revelação feita por este Opiniões, baseado em informação divulgada pelo jornalista Ricardo André Vasconcelos (aqui), de que o deputado federal candidato a estadual havia sido escolhido por Garotinho para ser candidato do PR também numa eleição suplementar a prefeito. Enquanto isso, o ocupante do cargo, Nelson Nahim, preferiu ligar diretamente ao blogueiro para esclarecer o assunto.
Assim como Pudim, Nahim atribuiu o movimento à “especulação”, muito embora tanto este blog, quanto o Ricardo tenham se baseado em fontes próximas a Garotinho. Todavia, o prefeito interino concordou que, se o movimento não existia, não mudou em nada o quadro, mas caso existisse — e blog tem certeza que sim, sobretudo pela força, rapidez e número das reações — sua revelação acabou lhe sendo benéfica, no sentido de forçar Pudim a uma resposta. A que este deu, por exemplo, à também jornalista e blogueira Suzy Monteiro (aqui), foi até além da que havia postado antes em seu blog: “O candidato natural é o prefeito Nelson Nahim”.
Embora também tenha frisado que o clima de cisão entre ele e o irmão não é benéfico ao município, inevitável a conclusão de que, pelo menos por enquanto, Nahim saiu fortalecido com a revelação da manobra. Foi nesta condição que ele também confirmou outra informação divulgada aqui, em primeira mão pelo blog: não só procedem as conversas de aliança entre PR e PSB, caso Nahim confirme sua candidatura, como realmente partiu deste o convite para que o vereador Abdu Neme seja seu vice.
Um das causas de Anthony Garotinho ter definido Geraldo Pudim como seu candidato numa eleição suplementar à Prefeitura, pode estar na chapa aquecida a fogo brando por PR e PSB, que seria respectivamente composta por Nelson Nahim para prefeito e Abdu Neme a vice. O vereador confirmou ao blogueiro conversa mantida, há cerca de um mês, com o prefeito interino, onde este o teria convidado para compor a chapa.
Embora ressalve que o PSB ambiciona a Prefeitura e que qualquer decisão de aliança caberá ao partido (presidido em Campos pelo ex-prefeito Alexandre Mocaiber e no Rio pelo deputado federal Alexandre Cardoso), Abdu se mostrou aberto às conversas, dada a força que a chapa teria, mesmo com a entrada do pedetista Arnaldo Vianna na briga (como o Alexandre Bastos adiantou aqui) e com o revelação feita pela vereadora Odisséia Carvalho ao blog (aqui), de que o PT terá candidato próprio. Aliás, o que a petista disse ao telefone, para justificar seu compromisso de oposição, muito embora não tenha repetido na hora de responder por escrito, agora começa a fazer mais sentido: “Nelson Nahim não será o candidato de Garotinho”.
Em que pesem sua boa relação e confiança na palavra de Nahim, Abdu já havia ressaltado que o empecilho maior seria saber até onde Garotinho influiria nas condições do acordo e, sobretudo, no seu cumprimento. Ex-médico particular do ex-governador, inclusive assistindo-o na sua questionada greve de fome em 2006, Neme foi um dos mais aguerridos opositores da prefeita Rosinha, além de ser muito ligado aos deputado estadual Domingo Brazão e federal Eduardo Cunha (ambos do PMDB). E, pelos dois, entenda-se: governador Sérgio Cabral, alvo preferencial de Garotinho.
Alertado aqui pelo Ricardo André Vasconcelos, sobre a retirada da campanha de Clarissa de Campos, visando dar mais chance de também se eleger à Alerj um candidato local do PR, que já teria sido escolhido por Garotinho para representar o partido também na eleição suplementar a prefeito, o blog confirmou todas as informações. E, complemetando a dedução óbvia que o Ricardo apenas indicou, este seu colega jornalista e blogueiro vai além: o candidato a deputado estadual ungido por Garotinho para disputar também a Prefeitura é (mais uma vez) Geraldo Pudim.
O porém reside em outra informação correta da fonte de Ricardo junto a Garotinho, dando conta que a campanha de Pudim à Alerj não estaria bem. Dos três candidatos locais do partido — além dele, Roberto Henriques e David Loureiro —, Pudim seria, hoje, o que teria menos chances de se eleger. Segundo a mesma fonte, ele estaria razoavelmente atrás dos sete ou oito nomes que a legenda pode fazer no Estado, puxados pela votação de Clarissa.
E, confirmada a derrota de um deputado federal numa candidatura já “rebaixada” a deputado estadual, ficaria ainda mais difícil para Garotinho empurrar goela abaixo dos correligionários e da população, sobretudo num pleito mais importante, para prefeito de Campos, alguém nele já tão marcado como perdedor, após os insucessos colecionados por Pudim diante de Carlos Alberto Campista, em 2004, e Alexandre Mocaiber, em 2006.
Se Pudim irá se eleger ou não deputado estadual, caberá à vontade soberana das urnas de 3 de outubro determinar. Já se, eleito ou não, ele será o candidato do PR na eleição suplementar a prefeito que o Tribunal Regional Eleitoral quer ainda para 2010 (aqui), quem determina é a vontade soberana de Garotinho. Mas que o prefeito interino Nelson Nahim e todos que acreditavam ser natural sua candidatura não tenham dúvida: com seu irmão dando as cartas no partido, ele hoje corre o sério risco de ficar (mais uma vez) fora do baralho.
Atualização às 6h55: Depois do Ricardo André, mas antes deste Opiniões, o Aloisio Di Donato também já havia afirmado (aqui) que Garotinho definiu Pudim como candidato do PR numa eventual eleição suplementar à Prefeitura.

Folha – Batendo ainda na tecla da formação, até onde vale o paralelo entre você e Messi, cujas gênios foram notados muito meninos, apesar do físico pequeno e franzino, fazendo com que um grande clube investisse para prepará-los? Até onde hoje é possível que um Flamengo, no seu caso, não seja antecipado por um Barcelona, incubadora e hoje palco do craque argentino?
Zico – Pode, se você tiver um olho clínico e enxergar que esse garoto pode ter futuro, é você se juntar a uma empresa dessas patrocinadoras e tentar ajudar o Flamengo a bancar esse jovem. Porque o Flamengo é uma grande marca. Se o garoto puder explodir no Flamengo, ele vai querer explodir no Flamengo. Eu não vejo dificuldade nisso.
Folha – Por falar em Messi, acredita que ele hoje seja realmente o melhor do mundo? O que achou da sua atuação na África do Sul? Como foi com você, ele sofre a pressão para ser tão decisivo na seleção como é quando joga pelo clube?
Zico – Lógico, mas todo cara que aparece bem num clube, quando vai para seleção, há a expectativa muito grande; isso é normal. Ele é um jogador fantástico, que não precisa se falar muito, é o grande gênio da atualidade, diferenciado, que faz uma coisa que você não espera. Ele é espetacular, decisivo, mas todo cara decisivo precisa também que as jogadas dele sejam definidas por outros, porque ele chama atenção, então abre espaço para os outros decidirem as jogadas que ele faz. Ele pode não ter feito gol, mas criou uma série de situações de gols da Argentina, e muitas vezes não eram transformadas em gols.
Folha – Como os gols de Nunes (dois) e Adílio, que nasceram dos seus pés, na final do Mundial de 81, contra o Liverpool?
Zico – Exatamente. Quando você tem a chance de fazer algumas jogadas e elas são concretizadas, o seu valor também aparece. Quando isso não acontece, parece que você não criou nada. Em 78 (na Copa da Argentina), eu criei um monte de oportunidades para uma série de jogadores, mas ninguém fez gol; parece que eu não joguei, que eu fui uma porcaria. Mas vai ver os lances dos jogos, veja quantas bolas eu deixei os caras de frente para o goleiro, só que não foram transformadas em gols. Aí, a sua parte individual também não aparece.
Folha – Em sua opinião, quais foram o melhor time e jogador da última Copa?
Zico – Olha, o melhor time foi a Espanha e o melhor jogador foi o Iniesta, mas disparado. Ele e o Xavi foram os dois jogadores que desequilibraram. Eu vi uma série de partidas da Espanha, jogos de Eliminatórias, quando eu estava na Europa. Tinha jogo da Espanha, eu conferia o horário para poder assistir, porque é um time que tem uma espinha dorsal, um grande goleiro (Casillas), uma ótima zaga (Puyol e Piqué), um meio-campo criativo, marcador, que desenvolve bem, e com um ataque que eu acho que se dois jogadores estivem bem, a Espanha ganharia com muito mais facilidade a Copa: o Torres e o Fabregas. O Fabregas, que vinha de uma fratura, ainda conseguiu jogar um pouco, e o Torres, que havia uma esperança muito grande, mas também vinha de uma contusão. Por causa da contusão do Fabregas, ele (o técnico Vicente Del Bosque) adiantou o Xavi, que jogava mais atrás, e botou um jogador, o Xabi Alonzo, na cabeça-de-área.
Folha – Como segundo homem. O primeiro homem era o Busquets…
Zico – Pois é, era o Busquets. Então era Busquets ou Xabi Alonzo, Xavi, Iniesta e o Fabregas. Então, com isso, ele teve que mexer um pouco nessa estrutura, apesar de não ter comprometido. Mas o Xavi, tem o Xabi Alonzo e o…
Folha – E o Xavi Hernández.
Zico – É, o Xavi Hernández, que é do Barcelona, ele joga um pouco mais atrás, ele é o segundo homem e estava jogando de terceiro, um pouco mais à frente…
Folha – Iniesta pela esquerda e ele pela direita.
Zico – Exatamente, exatamente. Então, eu acho que a Espanha mudou um pouquinho, mas mesmo assim joga um futebol lindo.
Folha – Seu ex-companheiro na inesquecível Seleção de 1982, Falcão chegou a citar seu nome ao traçar um paralelo nesse “futebol lindo”, que caracterizava tanto o time treinado por Telê Santana com os campeões do mundo sob comando de Vicente Del Bosque. Até onde vai esse paralelo na maneira de atuar dos dois times? Embora inegavelmente habilidosa, não faltava à linha média espanhola jogadores mais incisivos, como eram você e Sócrates?
Zico – Porque eu acho o Iniesta, ele até é um jogador decisivo…
Folha – Eu falei incisivo, não decisivo. Você e o Sócrates marcavam muitos gols.
Zico – É, mas a gente era jogador mais ofensivo, mais jogador de frente, os dois (Xavi e Iniesta) são jogadores de meio-campo.
Folha – Mas vocês vinham de trás.
Zico – O Sócrates vinha de trás, eu jogava mais na frente. Eu acho que dali, se você tem que comparar característica de posição, talvez o Fabregas fosse comigo; agora o Xavi e o Iniesta são com o Sócrates.
Folha – Mais armadores?
Zico – Mais armadores, chegavam e tal, mas mais armadores. Eu armava também, mas sempre estava um pouco mais à frente, mais homem de ataque.
Folha – Mas não vê esse paralelo do Falcão, no toque de bola das duas equipes?
Zico – Não, lógico. Quando você tem jogadores com essa qualidade, você tem que procurar adaptar o seu time a esta situação.
Folha – Acredita que vitória do jogo lúdico da Espanha, sobre a Holanda mais pragmática dos últimos tempos, será capaz de influenciar na mesma proporção que a derrota brasileira em 82, diante da Itália, que mergulhou o mundo da bola por quase 30 anos no chamado futebol de resultados, em detrimento do futebol-arte?
Zico – É, mas eu acho que há uma diferença: a Holanda não joga o futebol de resultados como jogava a Itália. A Itália, apesar de ter bons jogadores, sabia das suas dificuldades e jogava daquela forma mesmo. Agora, a Holanda, não. A Holanda é um time que sempre teve jogadores de muita habilidade, de muita qualidade técnica, mas não conseguia chegar.
Folha – Mas com De Jong e Van Bommel também apelou para os cães de guarda no meio de campo.
Zico – É, o cão de guarda, mas você tem o Sneijder, o Van Persie, o Kuit, jogadores de muita qualidade técnica, mas que não conseguia. A Holanda, por causa disso, quando teve o Cruijff, Neeskens; depois teve o Gullit, Van Basten, Rijkaard; mas essa Holanda não conseguiu ganhar. Então ele (o técnico Bert Van Marwijk) procurou adotar que esses jogadores, apesar de qualidade técnica, ele pudessem também ser um pouco mais operários. O time da Holanda era também um time operário, mais do que os outros anteriores. Foi uma maneira que ele encontrou para chegar à final.
Folha – Mas voltando à pergunta inicial, acha que essa vitória do futebol vistoso da Espanha vai marcar tanto quanto o triunfo do futebol de resultados da Itália, em 82?
Zico – Não, hoje em dia não vai tanto. Vai marcar, mas eu acho que…
Folha – Porque aquela vitória da Itália sobre vocês definiu o futebol de uma maneira…
Zico – É, de uma maneira impressionante! Agora, eu acho que dessa vez, não. Porque todo mundo sabe que com o futebol vistoso, a possibilidade de ganhar é muito grande. Agora, do pragmático, de resultado, pode acontecer. Isso deu mais ênfase porque essa situação faz com que você, mesmo com o futebol feio, possa ganhar. E o futebol é assim, o futebol é o único esporte em que o mais fraco pode ganhar do mais forte.
Folha – Diferente do basquete e do vôlei, por exemplo?
Zico – Não tem zebra. Tênis não tem zebra, vôlei não tem zebra, basquete não tem zebra (risos). O futebol atrai tanta gente por causa disso: porque a zebra pode acontecer.
Folha – Falamos há pouco do Dr. Sócrates. Ele afirmou, numa entrevista antes da Copa, que a Seleção de 82 foi melhor que a de 70 e que, depois de Pelé, você foi o maior jogador na história do futebol brasileiro. Concorda?
Zico – (Risos) Agradeço lisonjeado pelo carinho do Sócrates. Eu acho que uma Seleção que tem Pelé e Garrincha; para mim a maior foi a de 58: Pelé e Garrincha, para mim, foram os dois maiores jogadores de todos os tempos. Então, uma Seleção que tem esses dois, foi a melhor.
Folha – Você, então, se coloca abaixo desses dois?
Zico – Totalmente, e abaixo de muitos outros. Então eu acho que são jogadores que, estando no auge, e Garrincha estava no auge, Pelé começando de uma forma espantosa, não tinha como. Para mim, foi a melhor Seleção, apesar de não ter visto, mas pelas imagens que eu vi, pelos jogadores que tinha, para mim a melhor Seleção foi a de 58. Garrincha, Didi, Pelé, Vavá, Zito, Nilton San-tos, Djalma Santos, Orlando; Orlando foi um grande zagueiro. Então eu acho que foi uma Seleção, a meu ver, mais completa que a de 70.
Folha – Mas e entre as Seleções de 70 e 82, qual foi a melhor?
Zico – A de 70, que ganhou (risos).
Folha – Em clubes e seleções, quais fo-ram os melhores times que você viu jogar, como jogador e espectador?
Zico – Bom, de seleções, que eu vi jogar, tirando as brasileiras, a seleção da Holanda de 74. Aquela seleção era muito boa, era gostoso de se ver jogar. O time do Barcelona, agora, destes últimos tempos. O time do Ajax que foi campeão naquele ano (1995) que ganhou do Palmeiras, no Mundial; ganhou nos pênaltis. Aquele time, eu acompanhei na Europa, tinha como um dos melhores jogadores o Litmanen; está até hoje na seleção da Finlândia. Este time do Ajax era formidável de se ver jogar. Se não me engano estava o Kluivert, acho que tinham aqueles dois irmãos… de Boer…
Folha – Frank e Ronald de Boer.
Zico – É, acho que tinha esses dois. Do Brasil, aquele time do Palmeiras, que o Vanderley (Luxemburgo) dirigiu (Bi-Campeão Brasileiro 1993/94), que tinha Muller, Roberto Carlos, Rivaldo, Djalminha, César Sampaio, Cafu. Era um timaço, era gostoso de ver, davam de quatro, cinco, seis, se divertiam. Gostei de ver, lógico, o time do Santos na época do Pelé…
Folha – Foi o melhor?
Zico – É difícil você dizer o melhor, você pode botar o melhor por causa do Pelé, a mesma coisa do Garrincha.
Folha – O Botafogo de Garrincha?
Zico – Vi jogar com o Garrincha, ainda peguei aquele momento de tristeza. Eu vi aquela final de 62, que Garrincha estraçalhou o Flamengo (3 a 0), eu estava no Maracanã naquele jogo. Era um timaço. Mesmo eu jogando, aquele time do Flamengo de 81 era um timaço também (risos). Eu acho que o Brasil teve grandes times, o São Paulo, com Telê (Bi-Campeão Mundial em 1992/93), também era gostoso de se ver jogar. Foram times fantásticos. O futebol, quando apresentou estes times, foi sempre um prazer para todo o torcedor.
Folha – Depois que você parou, quem foi o grande jogador brasileiro? Romário, Ronaldo, Ronaldinho Gaúcho, Kaká?
Zico – Todos eles foram, cada um na sua época, o melhor.
Folha – Depois de você, não apontaria um?
Zico – Maior continuidade de todos, acho que foi o Ronaldo; maior número de títulos, de conquistas coletivas, individuais. Eu acho que o Ronaldo superou a todos nós.
Folha – Você, inclusive?
Zico – Eu acho, acho.
Folha – Do que você viu, dentro e fora do campo, seria capaz de escalar seu time de todos os tempos? Telê seria o treinador?
Zico – Seria, seria, mas seria muito difícil dizer, porque passei por três gerações; seria injusto. A (revista) Placar até me pediu isso, eu disse o seguinte: eu vou fazer o time do Flamengo de 81, boto o Pelé no meu lugar e eu fico de auxiliar do Carpegiani (campeão brasileiro pelo Fla em 1980, como jogador, e mundial em 81, como técnico), para fazer treinamento de finalização com Pelé, para ensinar ele a fazer gol (risos). Isso é uma brincadeira com ele (risos)…
Folha – O Flamengo de 81 com Pelé no seu lugar?
Zico – No meu lugar, eu e o Carpegiani de técnico. Mas é muito difícil você fazer uma seleção…
Folha – Garrincha não estaria nesta seleção?
Zico – É mais com quem eu joguei. Pelé eu ainda joguei contra, Garrincha não.
Folha – Qual sua avaliação do trabalho de Mano Menezes na Seleção, sobretudo no objetivo de se reaproximar daquele padrão de jogo com o qual você e sua geração encantaram o mundo?
Zico – Eu acho muito legal isso, resgatar a história do futebol brasileiro, num momento em que ele conta com jogadores capazes para isso. É preciso também ter jogadores com essas características. O Brasil está com uma nova geração muito boa, fruto do trabalho de base do Santos, um time que tem uma estrutura com mais de 200 lugares para receber novos jogadores…
Folha – Como você deseja fazer no Flamengo?
Zico – Exatamente. Então, eu acho que o Santos está fazendo um trabalho brilhante, demorou um pouco, mas está colhendo os frutos disso. Não são jogadores lá de São Paulo, no Santos: o Ganso vem de Belém, o André saiu do Rio. Essa captação é que falta ao Flamengo, o Santos tem estrutura para alojar esses garotos desde cedo. O Flamengo precisa fazer isso, essa é uma das coisas que a gente está correndo para fazer. O Mano está sabendo aproveitar isso, tem bons jogadores, alguns da fase do Dunga, que são ainda jovens. Então, eu acho que ele conhece bem o futebol brasileiro e os jogadores, é um cara que tem demonstrado muita serenidade para comandar a Seleção. No que depender da gente poder ajudá-lo a apresentar esse futebol que todos estão ansiosos para voltar a ver, a gente vai ajudar.

Em qualquer escola de jornalismo, seja na academia ou nas redações, se aprende que o jornalista tem que ser narrador impessoal dos fatos, com os quais deve se evitar envolvimento emocional, em busca da verdade. E é em nome dela que a negação desta regra é o preâmbulo desta entrevista, feita na manhã da penúltima sexta, dia 3, na sede do CFZ, no Recreio dos Bandeirantes, na cidade do Rio de Janeiro. Amarrada em Campos e no Rio, respectivamente pelos jornalistas Antunis Clayton e Eraldo Leite, o repórter se pôs diante de um ídolo não apenas seu, mas da maior torcida do planeta: Arthur Antunes Coimbra, que passou à história do futebol mundial como Zico. Entrevista dividida em duas partes, na primeira coube ao maior jogador da história do Flamengo falar da difícil missão que ora exerce como diretor de futebol do clube, que segue próximo à zona de rebaixamento no Brasileiro, após tantos escândalos nas páginas policiais. Na segunda, o ex-gênio da bola falou dos times, jogadores e técnicos que, como ele, transformaram um esporte em arte. Em ambas as partes, Zico demonstrou a mesma humildade e determinação que marcaram uma carreira de craque generoso dos campos. No futebol que imita a vida para ser arte, o segredo para se receber a bola no futuro é saber de onde parte e quem lança a bola do passado.

Folha – À parte o trabalho na direção de futebol no Flamengo, acha que sua condição de ídolo maior da torcida rubro-negra, com aceitação positiva em todas as outras, sem contar sua grande influência no mercado japonês, tem sido devidamente explorada pelo clube ?
Zico – Olha, é uma área que não me diz respeito, porque o Flamengo tem uma área de marketing e tem os seus compromissos, pessoas ligadas que devem saber o que pode ser bom ou pode ser ruim para o Flamengo. Eu não me envolvo nessa área, minha área diz respeito somente ao futebol. Eu não tenho a autonomia de orçamento, de decisões em relação ao que eu posso fazer para o time de futebol. Eu apenas tenho reuniões com quem de direito, que é o vice de Finanças (Michel Levy), com a presidente (Patrícia Amorim), com quem eu passo aquilo que deveria ser feito, mas se eles não derem autorização, eu não posso fazer nada. A instituição é assim, o Flamengo é assim, e, naturalmente, que enquanto não existir o Fla Futebol, que possa ter uma autonomia, qualquer dirigente que for para lá fica atrelado ao orçamento.
Folha – Já virou lugar comum dizer que o Flamengo é a maior marca do futebol brasileiro e até mundial. Como fazer para explorá-la em sua totalidade? E, em contrapartida, como o Flamengo pode tirar da marca Zico o devido proveito?
Zico – Essas pessoas é que tem que estudar. Eu, por exemplo, quando assumi o Flamengo, disse bem claro que não gostaria que saisse um tostão do Flamengo.
Folha – Você disse que tudo que tinha que ganhar do Flamengo, ja havia recebido como jogador.
Zico – É, agora, utilizando a minha marca, o meu nome, dessa forma eu assinei contrato com a Sky, com a Locant e agora deve estar saindo com a BMG. São três empresas a que eu ofereço a minha imagem, elas utilizam e dessa forma eu posso permanecer aqui no Brasil e estar de diretores do Flamengo. Se eu sair, eles também saem. Então, isso eu procurei deixar bem claro e lógico que existem outras formas de utilização do meu nome, se o Flamengo quiser utilizar…
Folha – Está aberto a isso?
Zico – Eu estou aberto, claro que estou aberto.
Folha – Você jogou com Silas pela Seleção, na Copa do Mundo de 1986. Agora, no Flamengo, mas do lado de fora do campo, a tabela entre vocês ficou mais fácil ou mais difícil?
Zico – A tabela do treinador e dirigente é sempre mais difícil. Você, dentro do campo, a coisa depende de você; é mais fácil sempre. Agora, tabela fora do campo, depende de uma série de gente. Em termos de diálogo, não vai ter influência nenhuma, a gente vai continuar da mesma forma, pelo que eu conheço dele, já de bastante tempo, pelo carinho que a gente tem um pelo outro. Ele é o tipo do cara que se sentir também que a coisa não está funcionando, ele vai ser o primeiro a dizer: “Olha, não deu!” A contratação dele não tem nada a ver com a amizade que a gente tem, com esse fato da gente ter jogado junto; tem sim com o fato dele ter uma carreira em ascensão. É um treinador que tem conhecimento de futebol, tem obtido resultado por onde tem passado, e a gente está dando essa oportunidade. Tomara que ele acerte.
Folha – Quais são as reais expectativas para a campanha do Flamengo no Brasileirão? Ainda dá para pensar no G-4, ou escapar do rebaixamento já estará de bom tamanho?
Zico – Eu acho que o Flamengo tem que pautar: primeiro, o título. Se distanciou, mas a diferença para o quinto colocado é de três pontos (antes da rodada de hoje, já era de nove). Se você pega duas, três vitórias, você já encosta no G-4. A meta é sempre o título, mas se não dá, você tem Libertadores, você tem Sul-Americana. O Flamengo não pode no rebaixamento, pelo plantel que tem…
Folha – Por ser o atual campeão brasileiro?
Zico – Não é por isso. O Corínthians foi campeão (brasileiro em 2005) e foi rebaixado logo depois (em 2007). O título, às vezes, ele traz uma certa acomodação, ele se torna perigoso. Então, para alguns, o título não faz bem.
Folha – Para você sempre fez bem. Ganhou quatro Brasileiros como jogador.
Zico – A gente quer ganhar mais, mas tem uns que se acomodam, acham que já fizeram o que tinham que fazer, salário ótimo, este é que é o perigo. Mas ele esquece que como fica marcado por um título, também fica marcado por uma queda, e às vezes até mais forte. Pegar trem andando é sempre muito complicado, quando você não planeja nada. O Flamengo não teve nenhum planejamento para este ano, empurraram com a barriga os problemas, pensaram que era só botar aquele time (campeão brasileiro em 2010) e iria ganhar a Libertadores. Não pensaram na possibilidade de uma eliminação, como é que iria ficar o time. Então, pegamos esse trem andando e, no meio do caminho, às vezes é difícil você encontrar soluções, sem planejar. Se não der certo este ano, se a gente conseguir pelo menos ficar ali no meio do bolo, a gente começa agora, já em outubro, a planejar para o ano que vem, mas para não deixar nenhum sufoco para ninguém. Tenho procurado fazer uma planejamento até dezembro de 2012, que é quando termina o mandato da Patrícia. É isso que eu quero, para que ninguém tenha os problemas que eu tive quando cheguei agora.
Folha – Na história do futebol brasileiro, poucos jogadores tiveram comportamento profissional e pessoal mais regrado que o seu. Como fazer que este exemplo volte a ser referência no Flamengo, após os escândalos de Adriano, Wagner Love e, sobretudo, Bruno?
Zico – São casos bem isolados. Os casos do Adriano e do Wagner Love não foram propriamente por estar no Flamengo; eles têm caso em outros lugares por onde passaram. O do Bruno é um caso totalmente pessoal. Então eu acho que a consequência maior, a maior repercussão acabou sendo do Bruno, mas dos outros também e do próprio Flamengo. Eu acho que isso foi muito ruim para a imagem do clube, mas você não pode pegar, por conta de dois, três de maior idolatria, você colocar todo mundo no mesmo barco. Esses dois, três, às vezes levavam cinco, seis que agora já entraram nos eixos. Então, o Flamengo não é um time de santo, não é um time de padre, mas todos têm tido um ótimo comportamento profissional, mas dentro do campo a coisa não está funcionando.
Folha – E se continuar não funcionando? Ninguém talvez tenha tanta lenha para queimar com a torcida rubro-negra quanto você. Mas pode dimensionar até onde vai esse crédito, na sua proposta de trabalho a médio e longo prazo, se os resultados imediatos permanecerem insatisfatórios?
Zico – Não sei, é difícil. A gente sempre espera e acredita que a torcida pode confiar, porque conhece o passado, conhece o meu passado. Então, sabe que eu vou trabalhar para o futuro do Flamengo. Posso não ganhar nada agora, mas tenho certeza que se o Flamengo se estruturar, pode ganhar muito depois. O futebol é imediato. Então, se realmente eu achar que não estou conseguindo fazer isso que a torcida quer, só tem uma coisa: tirar o meu chapéu, dizer “muito obrigado, desculpe se não acertei”. E que entre outro para fazer o trabalho. No futebol, está mais do que provado que todas aquelas equipes que se estruturaram, obtêm benefícios em todos os sentidos, de conquistas, de venda de atletas, de formação de atletas. E aqueles que não se estruturam, podem ganhar: o Flamengo passou por um momento, ganhou um título, mas passou 17 anos na fila, sem ganhar quase nada.
Folha – Embora tenha sido a estrela maior, você foi fruto de uma geração igualmente brilhante, com Júnior, Leandro, Mozer, Andrade, Adílio, Tita, Nunes, todos formados na Gávea. Seu objetivo seria reviver o lema: craque o Flamengo faz em casa? Até onde é possível hoje formar um time competitivo sem apelar aos empresários?
Zico – Se reestruturando com um orçamento, se planejando. Porque hoje, todo jogador que quer ir para o Flamengo, sabe que o clube vai ter um percentual maior. Então, na base, quando nós chegamos, a maioria o Flamengo tinha zero por cento, não tinha nada, e muito jovens. Agora, se o garoto quiser vir, a gente paga, mas 70%, 80% são do Flamengo. Só o fato de vir, o Flamengo já tem que ter um percentual. Mais à frente, você pode até vender, em caso de dificuldade, mas quando chega, o Flamengo já tem que ser dono do atleta. E com muitos garotos, isso não estava acontecendo, colocavam o Flamengo para servir vitrine já nas categorias de base.
Folha – Líder do Brasileirão, o Fluminense parece ter investido no imediatismo, abrindo mão de jovens talentos para pagar Conca e contratando jogadores consagrados, como Deco. O próprio Emerson, sondado para voltar ao Fla, acabou nas Laranjeiras. Se a fórmula garantir o título, isso não irá na contramão da filosofia que você tenta implantar na Gávea?
Zico – Não, isso aí pode acontecer, é basicamente o que o Flamengo fez ano passado e conseguiu. Mas não é sempre que você pode adotar essa fórmula e vai encontrar jogadores disponíveis. O Fluminense está bom agora, mas vamos ver se vai aguentar até o final nesse ritmo. O Flamengo já fez isso uma vez (em 2000) e não deu certo, trouxe Alex, Denilson, Gamarra, Edilson, Petkocic; estava todo mundo lá e não deu certo. Têm umas vezes que dá, têm outras que não. Agora, quando você se estrutura, você pode contar. Aí, não é sorte.
Folha – Com o êxodo dos jogadores mais promissores ainda muito jovens à Europa, acredita que seria possível para um clube sul-americano formar e manter um time como aquele inesquecível Flamengo campeão do mundo de 1981, que começou a ser formado ainda nos anos 70? Se jogassem hoje, por quanto tempo permaneceriam no Brasil um Zico, um Leandro, um Júnior, um Mozer ou um Adílio?
Zico – Eu acho que a gente teve um período de derrotas e o Flamengo soube segurar. Nós não chegamos e fomos campeões. Eu, por exemplo, ganhei um título em 74 e só fui ganhar outro em 78 (Campeonatos Cariocas). O Flamengo acreditou no grupo e a coisa funcionou. Então, tudo é questão de se acreditar quando se tem resultados embaixo. O Flamengo teve três gerações que poderiam ser bem melhor aproveitadas…
Folha – Marcelinho, Djalminha, Paulo Nunes…
Zico – Essa foi a terceira. A segunda foi quando eu estava terminando, que veio Leonardo, Zinho Aldair, Zé Carlos, Jorginho. Depois, esses jogadores foram embora. Depois veio a do Marcelinho, Marquinhos, Paulo Nunes, Djalminha. Imagina se fosse juntada a essa de cima, de Bebeto. Na Copa do Mundo de 94, foram cinco daquele time: Jorginho, Leonardo, Zinho, Bebeto e Aldair, metade do time campeão (brasileiro pelo Flamengo) de 87. Então, eu acho que se juntasse com essa turma que veio campeã na base, em todos as categorias, que profissional o Júnior ainda pegou em 92 (no Penta do Brasileiro), mas depois saiu todo mundo. Daí em diante…
Folha – Perdeu o fio da meada?
Zico – O Flamengo perdeu o fio da meada de equipe. Aí, foi surgindo um ou outro, veio o Ibson, Júlio César, Renato Augusto, Juan. Mas é muito pouco em comparação ao que era. O Flamengo é um time que o treinador do profissional tem que olhar para a base e ter cinco, seis para subir. Eu vi um time de juniores jogar e não vi ninguém que pudesse pegar e botar no time titular, com tranquilidade, exceto o Galhardo e o Diego Mauríco, que o Rogério já tinha observado e já estavam treinando com os profissionais.
A vereadora Ilsan Vianna (PDT) enviou e-mail ao blog, justificando o seu voto na comissão de Justiça da Câmara, que compõe com os colegas Kelinho (PR) e Albertinho (PP). A ex-primeira-dama foi a única contrária à aprovação de proposta do governo Nahim, que visa criar o Fundo de Equalzação das Taxas de Juros nos empréstimos do Fundo de Desenvolvimento de Campos (Fundecam) para pequenas e micro-empresas. Na visão da vereadora, se o projeto passar também no plenário, significará a terceirização do Fundecam.
Abaixo a íntegra do e-mail com a (grave) denúncia de Ilsan, tema também por ela abordado em seu artigo semanal, que será publicado amanhã, na edição impressa da Folha:
Boa tarde, Aluysio!
Sei que o nosso tempo é muito corrido, por isso estou lhe enviando um release do porquê do meu voto em separado na Comissão de Justiça em relação ao projeto de equalização proposto para o Fundecam.
Vejo como grande desperdício do “dinheiro público”. Este entendimento não é só meu, mas também de técnicos que elaboraram esta ferramenta que hoje serve de modelo para outros municípios.
Release
Prefeitura quer terceirizar o Fundecam
A vereadora Ilsan Viana (PDT) mantém-se contrária a criação de um Fundo de Equalização de Taxas de Juros, proposto pelo Executivo Municipal para financiamentos a microempresas e empresas de pequeno porte. Segundo ela “estão terceirizando o Fundecam, um projeto pioneiro e eficiente criado no governo Arnaldo Vianna para fomentar o desenvolvimento e não para alimentar instituições financeiras. Por que não concedem o empréstimo diretamente?”, questionou a vereadora.
Ilsan explicou que não faz sentido a Prefeitura criar um mecanismo para subsidiar taxas de juros de instituições financeiras particulares que deverão ser licitadas, se o Fundecam já oferece a mais baixa taxa de juro do mercado, neste caso o próprio Fundo deveria ser o financiador. Para ela é um absurdo, um desperdício do recurso público, que será repassado a uma instituição, que de acordo com a proposta do Executivo poderá operacionalizar o Fundo de Equalização de taxas atuando como agente financeiro e depositários dos recursos.
Segundo a vereadora, o governo municipal extinguiu o Banco do Povo, cuja lei foi aprovada em 2004 e que consistia na concessão de empréstimos a pessoas de baixa renda para montar ou ampliar seu próprio negócio. “O que deve ser feito é a incorporação do projeto social Banco do Povo ao Fundecam, que passaria a ter uma linha de crédito para micro e pequenos empresários e atender também aos que desejarem iniciar uma atividade econômica”.
Ilsan Viana acrescentou que um Fundo de Equalização de Taxas seria aceitável exatamente em situação oposta, “em grandes investimentos, onde o Fundecam não dispusesse de capital suficiente para concessão do empréstimo e neste caso uma das contrapartidas do município poderia ser a equalização das taxas, mas isso em grandes empreendimentos, como uma montadora de automóveis. Aliás, a idéia surgiu exatamente num período em que houve a possibilidade da instalação de um investimento desta envergadura no município”, disse.
— Temos um dos maiores orçamentos do país! Dinheiro não falta! Onde estão sendo aplicados os recursos do Fundecam que deve ser o financiador direto, não vejo justificativa para tal iniciativa da municipalidade. Quantos empréstimos foram concedidos nos últimos 20 meses pelo Fundecam? Já terceirizaram a merenda, o projeto pedagógico da educação, os servidores, e agora o Fundecam?
Parecer contrário.
A vereadora que é membro da Comissão de Legislação, Justiça e Redação Final já havia emitido parecer contrário ao projeto do Executivo. Na última quarta-feira houve uma reunião com representantes do Executivo e os integrantes das Comissões de Legislação, Justiça e Redação Final e da Comissão de Financiamento e Orçamento no centro Administrativo José Alves de Azevedo, mas para a vereadora os esclarecimentos não alteraram o seu posicionamento.
Comissão de Legislação, Justiça e Redação Final
Parecer ao Projeto de Lei Nº0052 de autoria do Executivo que dispõe sobre a criação do Fundo de Equalização de Taxas de Juros.
O projeto encaminhado pelo executivo apresenta em princípio os mesmos objetivos do Fundo de Desenvolvimento de Campos (Fundecam).
Se o Fundecam apresenta taxa mais baixa que as que oferecidas pelas instituições financeiras, se a receita do Fundo de Equalização que se pretende criar é oriunda de recurso da própria municipalidade, tal iniciativa se constituiu na terceirização de mais uma atividade municipal onerando ainda mais os cofres públicos.
E ainda o projeto em seu artigo. 2º não define claramente quais serão as receitas que irão compor o Fundo, conforme determina a da Lei 4.320/64.
Assim como carece esclarecimento à forma de controle do Fundo, uma vez que no artigo 5º, o Executivo autoriza instituições financeiras operacionalizarem os recursos do fundo. O fundo especial, em regra, é administrado por algum ente público. No entanto, os recursos do fundo não pertencem ao administrador. Trata-se, em verdade, de um patrimônio especial.
Assim sendo emito parecer contrário ao projeto em tela.