A empresária e atleta de futevôlei Bianca Inojosa e o radialista José Vitor Silva são os convidados para abrir a semana do Folha no Ar nesta segunda (5), ao vivo a partir das 7h da manhã, na Folha FM 98,3. Será algumas horas antes da Seleção Brasileira entrar em campo, no 974 Stadium do Qatar, na disputa das oitavas de final da Copa do Mundo contra a Coreia do Sul.
Bianca e José Vitor também avaliarão os principais favoritos e zebras até aqui da Copa do Mundo no Qatar, assim como os jogos das oitavas concluídos e ainda à frente. Também projetarão os confrontos da fase seguinte, nas quartas de final.
Quem quiser participar ao vivo do Folha no Ar desta segunda poderá fazê-lo com comentários em tempo real, no streaming do programa. Seu link será disponibilizado alguns minutos antes do início, na página da Folha FM 98,3 no Facebook.
Tite e Thiago Silva na coletiva do Qatar nesta manhã brasileira
Neymar de volta ao time nesta segunda, no jogo eliminatório das oitavas da Copa do Mundo contra a Coreia do Sul. Foi o que o técnico Tite adiantou agora, em coletiva no Qatar ao lado do zagueiro e capitão Thiago Silva. Ele também revelou que o lateral-direito titular Danilo retorna ao time. Ele e Neymar se contundiram na vitória de estreia de 2 a 0 contra a Sérvia. E ficaram de fora dos jogos seguintes: 1 a 0 contra a Suíça e a derrota por 0 a 1 para Camarões. O treinador brasileiro só ressalvou que Neymar terá que treinar na tarde hoje sem sentir nada, para entrar jogando na segunda.
Embora Tite não tenha dado a escalação, o Brasil deve entrar em campo nesta segunda com Alisson no gol, o zagueiro Éder Militão mais uma vez na lateral-direita, Thiago Silva e Marquinhos na zaga, e Danilo adaptado à lateral-esquerda; o titular indiscutível Casemiro como primeiro volante, Lucas Paquetá como segundo volante e Neymar como meia de ligação; com Raphinha como extrema na direita, Richarlison de centroavante e Vini Jr na esquerda ataque.
Além de Neymar e Danilo, aparentemente recuperados fisicamente, pelo menos de maneira parcial, outras contusões têm assombrado a Seleção Brasileira. Titular da lateral-esquerda, Alex Sandro ainda não voltará contra a Coreia do Sul, como Tite também adiantou hoje. Seu reserva, Alex Telles se machucou contra Camarões, assim como o atacante Gabriel Jesus. Os dois jogadores não voltarão a jogar nesta Copa do Mundo e já foram liberados a regressar aos seus clubes.
Aboubakar corre após vencer o goleiro Ederson, a quem deslocou cabeceando em seu contrapé, e a marcação de Militão para escrever a primeira vitória de uma seleção africana sobe o Brasil na história das Copas (Foto: Fifa/Divulgação)
“Fica a lição”. Foi o que disse o veterano lateral-direito Daniel Alves, o mais velho jogador a atuar pela Seleção Brasileira em um Mundial de futebol, aos 39 anos, ao final do jogo de ontem no Lusail Stadium, vencido por 1 a 0 por Camarões, gol do atacante Aboubakar nos acréscimos. Concluída a fase de grupos da Copa do Mundo do Qatar, apesar da derrota, o Brasil ficou em primeiro lugar no Grupo G. Agora na fase de matar ou morrer, tem encontro marcado às 16h de Brasília desta segunda (5). Encara nas oitavas a Coreia do Sul, segunda colocada do Grupo H, após vencer ontem de virada por 2 a 1 a Portugal. Que, como o time de Tite, a França na quarta (30) e a Espanha na quinta (1), escalaram reservas no último jogo da fase de grupos. A lição? Todos perderam para seleções consideradas tecnicamente inferiores.
PAREDÃO AFRICANO — No primeiro tempo do jogo de ontem, o Brasil teve duas claras chances de gol, ambas com o atacante Gabriel Martinelli. Aos 13 minutos, ele recebeu o bom cruzamento da direita do volante Fred, que cabeceou com perigo perto da trave oposta e obrigou o goleiro Epassy a fazer grande defesa. Seria a primeira de outras. Aos 45, após uma bola alta rebatida de cabeça pela zaga africana, Martinelli pegou a sobra, driblou um marcador e passou por outros dois, em linha horizontal diante da área, até achar ângulo para o chute forte de perna direita. Que parou em outra defesa salvadora do goleiro de Camarões.
PRIMEIRA DEFESA DE GOLEIRO DO BRASIL NO QATAR — Dois minutos depois, aos 47 da primeira etapa, o atacante Choupo-Moting driblou Daniel Alves e cruzou da esquerda uma bola que passou pela defesa brasileira, para encontrar o atacante Mbeumo na trave oposta. Sem marcação, ele cabeceou para o chão, como manda o figurino. Após ela quicar e subir, só não entrou por conta da intervenção de grande reflexo de Ederson. Coube ao reserva de um Alisson pouco acionado nas vitórias sobre a Sérvia e a Suíça fazer contra Camarões a primeira defesa difícil de um goleiro do Brasil na Copa do Mundo do Qatar. Mas ele também teria que fazer outras.
CARTÃO DE VISITAS — No segundo tempo, logo aos 5 minutos, Aboubakar apresentaria seu cartão de visitas. Numa bola cruzada da esquerda do ataque e rebatida pela zaga brasileira, ele recebeu o passe na direita da área e chutou cruzado. Ederson pulou, mas não tocou na bola, que saiu pela linha de fundo rente à trave oposta.
SEM LATERAL ESQUERDO CONTRA A COREIA — Dois minutos depois, aos 7, a maior preocupação do Brasil para o jogo contra a Coréia do Sul: o lateral esquerdo Alex Telles saiu de campo chorando. Ele havia caído em lance anterior de mau jeito e sentiu uma contusão no joelho direito. Como havia substituído o titular Alex Sandro, que teve lesão no quadril no jogo contra a Suíça, se nenhum dos dois tiver condições físicas de retornar até segunda, o Brasil terá que adaptar alguém na posição. Contra Camarões, a solução foi colocar o zagueiro Marquinhos, zagueiro titular que seria poupado.
O lateral esquerdo Alex Telles, que tinha substituído o titular Alex Sandro após contusão no quadril contra a Suíça, sai de campo chorando contra Camarões, sentindo contusão no joelho direito (Foto: Julian Finney/Getty Images)
EPASSY É O NOME — Dentro do campo, o jogo continuou. Aos 10 minutos, após receber uma bola enfiada pela esquerda, em contra-ataque, Martinelli entrou pela área, fintou o marcador e bateu de perna direita, obrigando Epassy a outra grande defesa, espalmando por cima do travessão. Um minuto depois, aos 11, após cobrança de escanteio da direita, a bola foi rebatida e novamente cruzada à área por Everton Ribeiro, que havia entrado na segunda etapa. E encontrou o volante Bruno Guimarães, outro que tinha entrado fresco, para chutar dentro da área à defesa em dois tempos de Epassy.
ABOUBAKAR É O NOME — Após o Brasil pôr o goleiro de Camarões para trabalhar, foi a vez de Ederson. Aos 32 minutos, ele caiu para defender um chute do meia Ntcham, de fora da área. No primeiro minuto dos descontos, num contra-ataque africano, em bola cruzada da direita para a área, Aboubakar apareceu em penetração pela área para marcar de cabeça. Se já tinha cartão amarelo e tomou outro por tirar a camisa na comemoração, sendo expulso, ele impôs o único gol tomado pela Seleção Brasileira e sua primeira derrota neste Mundial, primeira também para uma seleção africana na história das Copas.
A REGRA DO QATAR — Até a última rodada da fase de grupos, apenas França, Portugal e Brasil tinham vencido seus dois primeiros jogos na Copa do Mundo. E, após colocarem reservas no lugar dos titulares, todos perderam o terceiro confronto e ganharam de brinde a lição. Assim como Tite, que colocou em campo 25 dos 26 jogadores que levou ao Qatar. Incluído o centroavante Pedro, tão pedido pela torcida do Flamengo, que ontem entrou e não alterou o placar.
PAIXÃO, RAZÃO E JUSTIÇA — Numa partida em que a Seleção Brasileira concluiu 21 vezes a gol, contra sete de Camarões, o torcedor mais apaixonado pode alegar que a primeira mereceu vencer. Tanto que o goleiro Epassy foi eleito ontem o melhor em campo. Antes das oitavas na segunda, quando o Brasil encara a Coreia do Sul do habilidoso atacante Son (Tottenham), o torcedor mais pragmático só faria a ressalva: o futebol, como a vida, não é um ato de justiça. E por isso gera tanta paixão.
SALTO ALTO NO DESERTO DAS ZEBRAS — Com a Alemanha e Bélgica já a caminho de casa em 2022, após terem eliminado o Brasil, respectivamente, em 2014 e 2018, o único país pentacampeão mundial de futebol segue entre os favoritos ao título. Assim como França, Inglaterra, Espanha e Argentina. Mas para uma seleção que não vence uma europeia em jogo eliminatório de Copa do Mundo há 20 anos, a lição do Qatar é didática: o salto alto tende a afundar no deserto das zebras.
A nova Revista da Academia Campista de Letras (ACL) foi lançada em 8 de novembro na 11ª Bienal do Livro de Campos. Que traz o poema “atafona/convivência”, escolhido após convite do presidente da ACL, Christiano Freitas, para honrosamente colaborar na publicação. Impossibilitado de estar no lançamento, escrevo para convidar ao seu relançamento, às 17h deste sábado (3), na sede da ACL no Jardim São Benedito.
Como a mesma ACL terá às 19h desta terça (6) a posse do seu novo membro eleito, Adriano Moura, poeta, dramaturgo e professor de Língua Portuguesa e Literatura do IFF. A quem pedi uma análise do poema. Que segue abaixo, entre o testemunho da gênese de “atafona/convivência” e do próprio:
Homem e cães na ponto da antiga ilha da Convivência, na foz que sobrou ao rio Paraíba do Sul, em 6 de junho de 2020 (Foto: Ícaro Barbosa)
Atafona é a praia da minha primeira infância, nos anos 1970. Essa convivência se espraiaria por adolescência, juventude e idade madura. Nesta última transição, seria seu morador por uma década, entre meados dos anos 1990 e 2000, em tempos ainda pré-Porto do Açu. Aquela mutável faixa de areia entre o Paraíba do Sul e Atlântico, com mar castanho nos meus olhos e muxuangos de olhos azuis, de tempo regido por ventos e marés, foi lar após sair da casa dos pais. E, como esta, a primeira casa de suserania própria ninguém esquece.
Para quem vinha de vida urbana até os 22 anos, Atafona seria também escola empírica. De como o passar do tempo geológico, geralmente lento à brevidade de uma vida humana, pode ser acelerado à percepção do passar de meses. Em cada novo avanço do mar, casa derrubada, memória submersa, com a perda da força do rio e seus tendões cortados pela ação do homem. Transformada em cotidiano, a observação da natureza e seus sinais, para neles antever dias de sol ou chuva, passaria a ser tão acessível quanto o boletim meteorológico do IPhone — antes que este existisse.
Após voltar a morar em Campos, esse cordão umbilical com Atafona não foi cortado. Final de semana sim, final de semana não e às vezes também, o pouso ali permeneceu certo. Como as férias, que passaram a ser tiradas em março, mês ainda de sol forte e praia já estiada de veranistas. Foi assim naquele verão de 2021, quando a boca da barra do Paraíba fechada alongou a caminhada à beira-mar, até a antiga ilha da Convivência. E sua repetição diária, sempre à maré baixa e à companhia de um cão, gerou versos. Feitos para registrar visões e visagens de um cenário cuja metamorfose era a única certeza.
Um ano depois do poema, veio o convite para colaborar como confrade à Revista da ACL, na forma de livro, em comemoração aos 83 anos da instituição. Seu presidente, Christiano Freitas estava animado com a participação também do poeta carioca Antonio Carlos Secchin, membro da Academia Brasileira de Letras (ABL). E considerado grande especialista na obra de João Cabral de Melo Neto, poeta maior de Pernambuco. O que, de certa maneira, determinou a escolha de “atafona/convivência”.
Dois foram os motivos. O primeiro, resumido numa das sentenças mais conhecidas de Tolstói véio de guerra — e paz: “Se queres ser universal, canta a tua aldeia”. O segundo? Por ser todo o poema composto em quadras e linguagem seca, como o rio da aldeia asfixiado com areia na boca, o contexto da assumida influência cabralina seria melhor traduzida em versos posteriores: “capibaribe ao paraíba do sul/ canavial de vidas/ severinas sob céu azul/ dois rios a caminho do mesmo mar”.
Abaixo, antes do poema, sua análise pelo Adriano Moura:
Rio Paraíba do Sul, que formou e abastace de água toda a planície goitacá, com sua foz fechada entre o Pontal de Atafona e a antiga ilha da Convivência (Foto: Divulgação)
Adriano Moura, poeta, dramaturgo, professor de Literatura do IFF e novo membro da ACL
Nos intertextos da memória em “atafona/convivência” de Aluysio Abreu Barbosa
Por Adriano Moura
Segundo a poética clássica, a literatura se dividia em três gêneros: lírico, dramático e épico, todos escritos em versos. O primeiro marcado por uma poesia na qual prevalecia a subjetividade de um eu cujos sentimentos e o mundo a sua volta fundiam-se. O segundo era o texto escrito para a encenação eternizando clássicos como Édipo Rei e Antígona; o terceiro, uma poesia narrativa, em torno da figura de um herói capaz de feitos extraordinários, sendo epopeias como Ilíada e Odisseia as principais representantes do gênero no Ocidente. O romance, no entanto, tirou das epopeias o protagonismo da arte de narrar, tornando-se o recurso principal dos que pretendiam, em prosa, contar histórias em vez de expressar sentimentos e visões pessoais acerca do mundo em versos. O conto, outro texto originário do épico, também se popularizou na propagação de pequenas narrativas. Porém a literatura contemporânea há muito desafia a fronteira dos gêneros e tipologias textuais, hibridizando estilos, formas e linguagens.
“atafona/convivência”, de Aluysio Abreu Barbosa, é um poema narrativo que, embora não se possa chamar de epopeia, assume em versos a arte narrar, levando o leitor a uma viagem entre a praia de Atafona e a ilha da Convivência (em São João da Barra, cidade litorânea do interior do Rio de Janeiro) sob o olhar de um narrador, “escravo da maré vazante”, poeta que, acompanhado de um cão, fotografa em palavras seu percurso em meio a memórias que emergem das imagens evocadas pelas ruínas de prédios, vítimas do mar, que avança sobre o território que sempre lhe pertencera, mas ocupado pelos seres humanos, desconhecedores da necessidade que a natureza tem de tomar o que é seu.
Leio o poema de Aluysio a partir de suas perspectivas intertextuais e memorialísticas. Alusivo, o texto remete a figuras da literatura, do cinema e de moradores conhecidos do cenário da praia, cujas ruas e construções mais próximas do mar foram reduzidas a ruínas. O poeta constrói sua pequena “epopeia” com uma sucessão de trinta e três quadras independentes entre si, mas integradas à unidade temática conferida pela habilidade do autor em tecer seu painel de imagens no decorrer da viagem:
“escravo da maré vazante
saía desta uma hora antes
de atafona à convivência
na areia entre rio e oceano
noite ainda quando partiu
negro como o dorso do cão
mar enrubescia a cada onda
sol que paria em contração
tijolos redivivos no caminho
não levavam ao mágico de oz
mas às visões hoje submersas
do paraíba caolho de foz”
O rio Paraíba do Sul é o poeta caolho, alusão a Luís de Camões, autor de Os lusíadas, epopeia que narra a viagem portuguesa a caminho das Índias liderada por Vasco da Gama. No poema épico, o oceano não assistiu impassível à aventura humana, assim como não o fizeram o rio e o mar na praia sanjoanense. O efeito madeleine, como se pode definir o elemento catalizador de signos escondidos nos escombros da memória, metáfora eternizada por Marcel Proust no primeiro volume de “Em busca do tempo perdido”, se manifesta no poema pelas carcaças de bichos e concretos que permitem ao narrador poeta pôr em desfile as imagens de uma Atafona cada vez mais sucumbida à memória. “No caminho de Swan”, do clássico francês, evoca-se a memória da infância do narrador, que percebe a inutilidade de recuperação do passado, sendo possível no máximo captá-lo nos vestígios de objetos do presente, como ocorre na estrofe seguinte do poema:
“dos fundos do clube demolido
fugiam os carnavais passados
mergulho sem tirar a fantasia
de cara na piscina partida”
A memória evoca, portanto, desde o prédio do clube que abrigou bailes de carnaval frequentados por veranistas à figura de Neivaldo, morador e dono de um bar que se situava à beira mar, tragado pelas ondas assim como talvez tenha sido, possivelmente, seu habitante, cujo desaparecimento é ainda um mistério, alçando-o à categoria de lenda contemporânea:
“refluxo natural dos destroços
ou entidade tentando contato?
com um pouco de sorte, iemanjá
menos, o lamparão do neivaldo”
O narrador poeta assume sua condição de testemunha do passado que vai se deslindando enquanto caminha pelos escombros, “na areia entre rio e oceano” e como ele se presentifica, já que o presente pode ser, às vezes, o futuro de um pretérito. O crítico literário e teórico Márcio Seligman-Silva nos escreve que “a memória é uma arte do presente, mas também a relação entre memória e a catástrofe, entre memória e morte, desabamento”, e que a arte da memória é também uma leitura de cicatrizes. Quase morador de Atafona, pode-se afirmar que Aluysio testemunhou as mudanças sofridas na paisagem natural e humana, desde os tempos em que a praia era referência para o turismo da região até o momento em que suas casas, bares e hotéis começaram a ser tragados pelos olhos de ressaca dessa Capitu oceânica que é o mar:
“testemunho dessas histórias
de atafona à convivência
na areia entre rio e oceano
onde homem deságua cão”
A natureza se manifesta no poema de forma viva, não moldura para as ações ou sentimentos humanos típicos de uma lírica romântica. O peso da barra fechada que, mesmo “sem ser cristo”, o poeta atravessa em “cruzada a pé”, o conduz ao vislumbre do anum galego que “levou o camaleão pelo gogó/suspenso no ar em rapina”, além de peixes pequenos que “exibiam vida aos passantes”, numa demonstração de como a existência dos seres não humanos pode prosseguir à revelia de suas emoções e pensamentos.
O poema constrói uma geografia e uma antropologia do espaço, que desafiam o leitor desconhecedor dos fenômenos que impactam a região com o avanço do mar sobre o continente e dos personagens que habitaram e habitam o imaginário regional de Campos dos Goytacazes e São João da Barra:
“diante da ilha do pessanha
após, o bracutaia em gargaú
o paraíba morria à míngua
para dar de beber no guandu”
“Bracutaia” é uma figura lendária de Gargaú, distrito de São Francisco, onde se pode chegar atravessando o rio, em alguns trechos moribundos. Outros nomes próprios permeiam o poema, demandando conhecimento biográfico para que suas significações sejam mais acessíveis, embora a escrita de Aluysio, construída de signos da localidade, se projete pra além das fronteiras do espaço em que se circunscreve. A leitura intertextual e memorialística do poema o enriquece, porém não o limita, permitindo inferências possibilitadas por outras imagens que o poeta cria.
O poema traz algumas marcas da poética do autor, como o uso exclusivo de letras minúsculas, inclusive em nomes próprios, o verso objetivo, seco, com adjetivação somente necessária, quase cabralino, como predomina nos demais poemas de sua autoria. O narrador poeta vive, nessa “pequena epopeia”, uma travessia testemunhada por fauna, flora e ruínas entre Atafona e Convivência, onde o “homem deságua cão”. “atafona/convivência” é, portanto, um condomínio de gentes, bichos, plantas, concretos e histórias editados nessa ilha que é a memória do poeta.
O técnico Tite e Daniel Alves, titular e capitão do Brasil nesta sexta, falaram em coletiva do jogo contra Camarões
Ederson; Daniel Alves, Militão, Bremer e Alex Telles; Fabinho, Fred e Rodrygo; Gabriel Martinelli, Antony e Gabriel Jesus. Este é o time que Tite levará a campo às 16h de Brasília nesta sexta (2) contra Camarões, no Lusail Stadium, pela terceira e última rodada do Grupo G. Já classificado para as oitavas de final, o Brasil repete a atual campeão, França, que também levou um time reserva a campo na quarta (30). E perdeu de 1 a 0 para sua ex-colônia Tunísia.
Também africano e colonizado pelos franceses, Camarões precisa ganhar para sobreviver no Qatar. Sua seleção vem do empate de 3 a 3 com a Sérvia e, na estreia, da derrota de 0 a 1 para a Suíça. Em situação oposta, o Brasil pode empatar a até perder — caso a Suíça não vença a Sérvia e, assim mesmo, a depender dos placares — para manter a liderança do grupo. Para pegar às 16h de segunda (5) o segundo colocado do Grupo H. Quando será matar ou morrer.
O veterano lateral-direito Daniel Alves, de 39 anos, será não só o capitão contra Camarões, como o mais velho jogador a atuar pelo Brasil numa Copa do Mundo. Até o Qatar, o mais velho tinha sido outro lateral-direito, o bicampeão Djalma Santos, que jogou na Copa de 1966, aos 37 anos. A marca foi superada nas vitórias brasileiras sobre a Sérvia e a Suíça, pelo zagueiro Thiago Silva. Aos 38 anos, ele será um dos muitos titulares poupados por Tite no último jogo da fase de grupos.
Os outros titulares da Seleção Brasileira que começarão assistindo ao jogo contra Camarões do banco são o goleiro Alisson, o zagueiro Marquinhos, o volante Casemiro, o meia Lucas Paquetá, e os atacantes Raphinha, Richarlison e Vini Jr. Contundidos, o atacante Neymar, o lateral-direito Danilo e o esquerdo, Alex Sandro, só são esperados para voltar a partir das oitavas. Ou, se o Brasil delas passar, nas quartas de final.
O volante Bruno Guimarães, que entrou e jogou bem contra a Suíça, será uma outra opção no banco. Já entre os que ainda não entraram em campo pelo Brasil no Qatar, também esperarão uma chance o goleiro Weverton, o meia de ligação Everton Ribeiro e o atacante Pedro. Coincidência ou não, os três são os únicos entre os 26 convocados que atuam no futebol de clubes do Brasil.
Camarões aposta na sua força ofensiva para tentar surpreender o Brasil. Do meio para frente, tem jogadores de bom nível, como os meias Pierre Kunde (Olympiakos) e Frank Anguissa (Napoli), e os atacantes Toko-Ekambi (Lyon), Bryan Mbeumo (Brentford) e Choupo-Moting (Bayern de Munique). Eles têm, ainda, o experiente atacante Vincent Aboubakar (Al-Nassr), que entrou e mudou jogo contra Sérvia. Mas o teste deles não será fácil. Entre as 32 seleções no Qatar, a do Brasil foi a única que até aqui não tomou nenhum gol.
O radialista Arnaldo Garcia e a jornalista Viviane Siqueira são os convidados para encerrar a semana do Folha no Ar nesta sexta (2), ao vivo a partir das 7h da manhã, na Folha FM 98,3. É o mesmo dia em que, às 16h de Brasília, o Brasil entrará em campo contra Camarões para encerrar a fase de grupos na Copa do Mundo do Qatar, com classificação já assegurada às oitavas de final.
Arnaldo e Viviane analisarão a opção de Tite em escalar um time reserva no Brasil para encarar a seleção africana, que precisa vencer para passar à próxima fase. Eles também apontarão os maiores favoritos e zebras, além de analisarem os cruzamentos das seleções classificadas à fase do mata/mata da primeira Copa do Mundo sediada em uma teocracia islâmica do Oriente Médio, considerada misógina e homofóbica pelos padrões ocidentais.
Quem quiser participar ao vivo do Folha no Ar desta sexta poderá fazê-lo com comentários em tempo real, no streaming do programa. Seu link será disponibilizado alguns minutos antes do início, na página da Folha FM 98,3 no Facebook.
A nova Mesa Diretora sob controle da oposição, com a eleição de Marquinho Bacellar (SD) como presidente e os 20% de remanejamento liberados na LDO e na LOA ao prefeito Wladimir Garotinho (sem partido). É o que será chancelado na sessão de daqui a pouco na Câmara de Campos, a partir das 17h. É fruto do acordo de pacificação da política goitacá fechado hoje entre Wladimir com o secretário estadual de Governo Rodrigo Bacellar (PL) e o governador Cláudio Castro (PL).
Dois destaques positivos do Brasil em seus dois primeiros jogos na Copa do Mundo no Qatar, o volante Casemiro comemora seu gol contra a Suíça, na segunda, seguido pelo atacante Vini Jr
Em coletiva no Qatar na manhã brasileira de ontem, o ex-goleiro tetracampeão em 1994 e hoje auxiliar técnico da CBF, Taffarel, deu a declaração mais lúcida a quem sonha com o Hexa com os pés no chão: “a nossa equipe defende muito bem (…) quando você não concede nada ao seu adversário, você mostra a sua força também (…) O Brasil não é só espetáculo, ir lá, fazer gols; a gente aprendeu a marcar também”. Nos dois primeiros jogos do time de Tite na Copa do Mundo, 2 a 0 na Sérvia e 1 a 0 na Suíça, o goleiro Alisson não fez nenhuma defesa digna de nota. E o ataque da Sérvia meteu três gols, enquanto o da Suíça marcou um na mesma defesa de Camarões, com quem a Seleção Brasileira fará seu terceiro e último jogo da fase de grupos, às 16h de Brasília desta sexta (2), no Lusail Stadium. Depois, será matar ou morrer. E, no futebol, só morre quem toma gol.
TIME MISTO CONTRA CAMARÕES — Em primeiro lugar no Grupo G, com 6 pontos, o Brasil entrará em campo já classificado às oitavas de final. Com os desfalques por contusão do atacante Neymar e do lateral direito Danilo, durante o jogo com a Sérvia, e do lateral esquerdo Alex Sandro contra a Suíça, Tite deve colocar em campo um time misto contra Camarões. Após já ter colocado em campo 19 dos 26 jogadores que levou, sete ainda esperam para jogar: os goleiros Ederson e Weverton, o lateral direito Daniel Alves, o zagueiro Bremer, o volante Fabinho, o meia Everton Ribeiro e o centroavante Pedro. Alguns podem ter a chance na sexta, para poupar titulares. Alison, os zagueiros Thiago Silva e Marquinhos, e o volante Casemiro, justamente a espinha dorsal da defesa, jogaram do início ao fim as duas primeiras partidas.
Espinha dorsal da defesa titular do Brasil no Qatar, com os zagueiros Thiago Silva e Marquinhos, e o volante Casemiro (Montagem: Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)
CASEMIRO — Autor do gol salvador contra a Suíça, após passe do atacante Rodrygo, que entrou bem no segundo tempo, Casemiro foi o melhor jogador na média dos dois primeiros jogos do Brasil. Considerado por muitos o melhor volante em atividade no mundo, ele foi revelado no São Paulo e hoje defende o Manchester United, após 9 anos no Real Madrid, com uma passagem pelo Porto. No clube madrilenho, seria efetivado como titular e considerado insubstituível no time tricampeão da Champions por um treinador que conhece um pouquinho de meio de campo: Zidane. Mesmo atuando na marcação, Casemiro ainda não levou cartão amarelo no Qatar. Mas na Copa de 2018, após tomar o segundo amarelo na vitória sobre o México nas oitavas, ele desfalcou o Brasil na derrota para a Bélgica nas quartas de final.
Casemiro e Zidane após uma das três Champions consecutivas que conquistaram juntos no Real Madrid
THIAGO SILVA — Mesmo jogando muito bem nas duas primeiras partidas no Qatar, Thiago Silva teve sua convocação e titularidade questionadas por conta dos seus 38 anos, com os quais se tornou o jogador mais velho a jogar pelo Brasil numa Copa do Mundo. Se calou boca dos críticos com seu futebol seguro e elegante, com técnica que não é comum a um zagueiro, é fato que está numa idade em que ser poupado contra Camarões não faria nenhum mal.
VINI JR, RICHARLISON E RAPHINHA — Entre os atacantes só um atuou bem nos dois primeiros jogos: Vini Jr. Com seu futebol de dribles e velocidade, caindo pela esquerda, todos os treinadores que a Seleção Brasileira enfrentar no Qatar sabem disso. Tanto que o da Suíça, Murat Yakin, o marcou sempre com um jogador no combate direto e outro, às vezes até dois, na sobra. Ele chegou a marcar um gol, bem anulado pelo VAR, pela participação na jogada em posição de impedimento de Richarlison. O centroavante não voltou a jogar bem como fez na estreia contra a Sérvia, quando marcou dois gols e encantou o mundo com o belo voleio do segundo. Atuando na direita do ataque, Raphinha teve duas atuações abaixo do esperado.
Sem Neymar, o quarteto de ataque titular do Brasil foi reduzido em número ao trio Vini Jr, Richarlison e Raphinha
FRED E PAQUETÁ — Titular do time até a Copa, quando saiu para dar lugar a Vini Jr, o volante Fred entrou jogando contra a Suíça, na vaga aberta pela contusão de Neymar. Mas não atuou bem e ainda levou um cartão amarelo, o único até agora recebido em uma Seleção Brasileira que tanto tem se destacado pela sua defesa. Após ter atuado como segundo volante contra a Sérvia, adiantado no jogo seguinte à função de meia de ligação, mais perto do ataque, Lucas Paquetá também não teve até agora uma boa apresentação. Tanto que foi sacado por Tite ainda no intervalo do jogo contra a Suíça, para a entrada de Rodrygo.
Fred e Lucas Paquetá, que não convenceu como volante, nem como meia de ligação (Montagem: Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)
ALEX TELLES E DANIEL ALVES — É certo que Tite poupará titulares na sexta. Mas, por enquanto, o único reserva com escalação certa é o lateral esquerdo Alex Telles, que entrou contra a Suíça após Alex Sandro sentir a contusão muscular no quadril. Questionado por sua convocação aos 39 anos e atuando no futebol do México, Daniel Alves também deve ter uma chance, como lateral direito ou meia, contra Camarões. Que, na única vez que cruzou com o Brasil em Mundial, foi também em fase de grupos, no segundo jogo de ambos na Copa de 1994. Que terminou com a vitória brasileira por 3 a 0, sem que o hoje auxiliar técnico Taffarel tivesse sido exigido no gol. Mas como os camaroneses ainda têm chance de classificação em 2022, caso vençam, a ideia de jogo-treino tem seus limites de prudência.
Lateral esquerdo Alex Telles, substituto de Alex Sandro contundido, e o questionado Daniel Alves, que pode ter chance de jogar na sexta (Montagem: Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)
GANA NAS OITAVAS? — Se, como tudo indica, o Brasil confirmar a primeira colocação no Grupo G — a única que tem chance matemática de ultrapassá-lo é a Suíça, que encara na sexta a Sérvia —, pegará nas oitavas de final, às 16h de segunda, o segundo colocado do Grupo H. Hoje, a posição é ocupada por Gana, que tem 3 pontos, atrás dos 6 pontos do líder Portugal. É uma seleção africana da mesma escola de técnica e força física de Camarões. A Seleção Brasileira já bateu a ganesa em oitavas de Copa do Mundo, em 2006, por outros 3 a 0.
URUGUAI? — Gana fará sua última partida da primeira fase também na sexta, ao meio-dia, contra o Uruguai. Que tem apenas 1 ponto e precisa vencer de qualquer maneira para passar à fase seguinte no Qatar. As chances estão mais para os africanos, que podem jogar pelo empate. Mas se conseguirem vencê-los, não será a primeira história de superação dos uruguaios no futebol. Nem só o segundo jogo que fariam numa Copa do Mundo contra o Brasil. Que entrará em campo contra Camarões já sabendo quem será seu próximo adversário.
O jornalista Antunis Clayton, ex-editor-geral da Folha da Manhã, e a professora de educação física Heloísa Landim, técnica de handebol, são os convidados para abrir a semana do Folha no Ar nesta segunda (28), ao vivo a partir das 7h da manhã, na Folha FM 98,3. Algumas horas antes de o Brasil entrar em campo no Qatar, para encarar a Suíça pela segunda rodada da Copa do Mundo, eles projetarão as possibilidades do time do técnico Tite, desfalcado do atacante Neymar e do lateral direito Danilo, na competição.
Antunis e Heloísa também analisarão os principais favoritos e zebras, até aqui, da primeira Copa do Mundo sediada em uma teocracia islâmica do Oriente Médio, considerada misógina e homofóbica pelos padrões ocidentais. Quem quiser participar ao vivo do Folha no Ar desta segunda poderá fazê-lo com comentários em tempo real, no streaming do programa. Seu link será disponibilizado alguns minutos antes do início, na página da Folha FM 98,3 no Facebook.
Voleio de Richarlison deu números finais ao Brasil 2 a 0 Sérvia, em movimento que reproduziu a espiral de Leonardo Finobacci formulada no século 12, composta de uma sequência de números que cresce pela soma dos dois números anteriores da sequência
Titulares do Brasil na convincente estreia de 2 a 0 sobre a Sérvia na Copa do Mundo do Qatar, na última quinta (24), o atacante Neymar e o lateral direito Danilo se contundiram na partida e estão fora dos outros dois jogos da fase de grupos. O próximo será às 13h (de Brasília) desta segunda (28) no Stadium 974, contra a Suíça, que venceu Camarões por 1 a 0 também na quinta, pelo Grupo G. A seleção africana enfrentará agora a Sérvia, às 7 da manhã de segunda, antes de pegar o time de Tite às 16h desta sexta (2), novamente no Lusail Stadium. Foi onde o centroavante Richarlison inflou o peito brasileiro de orgulho, como pombo, apelido do jogador. Não só pelos dois gols que marcou, mas pela obra de arte que esculpiu diante do mundo no belo voleio do segundo.
O lateral direito Danilo e o atacante Neymar sofreram contusões no tornozelo contra a Sérvia e desfalcam o Brasil pelo menos nos dois próximos jogos da Copa
NO LUGAR DE NEYMAR? — Neymar e Danilo tiveram lesões nos ligamentos do tornozelo, o atacante no direito e o lateral no esquerdo, reveladas em exames feitos na manhã de ontem. Para substituir Neymar, há duas opções. A primeira é entrar com Fred como segundo volante, adiantando Lucas Paquetá da posição à de meia de ligação. Fred perdeu a titularidade para o atacante Vini Jr, outro que jogou bem na estreia do Brasil, dando passe aos dois gols de Richarlison. Para manter a escalação ofensiva com quatro atacantes, a alternativa à vaga de Neymar seria Rodrygo, de apenas 21 anos, em grande fase no Real Madrid e melhor dos cinco que saíram do banco ao campo contra a Sérvia. Mas o mais provável é que Tite opte por Fred, em busca de equilíbrio à equipe. E deixe Rodrygo como opção para tornar o time mais incisivo no decorrer das partidas. Uma terceira alternativa, que corre por fora, é Everton Ribeiro, meia de ligação do Flamengo.
O volante Fred, o atacante Rodrygo e o meia ofensivo Everton Ribeiro são as opções de Tite para substituir Neymar (Montagem: Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)
NO LUGAR DE DANILO? — O maior dilema de Tite é o substituto de Danilo. Seu reserva imediato na lateral direita é o veterano Daniel Alves, convocação mais contestada da Seleção Brasileira à Copa, por torcida e imprensa. Com passagem brilhante no grande Barcelona de Messi, Xavi e Iniesta, entre 2008 e 2016, clube ao qual voltou em rápida passagem entre 2021 e junho deste ano, após passagem frustrante pelo São Paulo, o jogador atua hoje no Pumas, do México. Presente nas Copas do Mundo de 2010 (reserva), 2014 (titular), ficou fora de 2018 por lesão. Aos 39 anos, muitos consideravam seu ciclo na Seleção encerrado, até ser convocado ao Qatar por Tite. Que pode também adaptar o zagueiro reserva Eder Militão, numa formação mais defensiva. Mas, se fizer isso, justificará as críticas que recebeu por convocar Dani Alves.
O veterano lateral direito Daniel Alves e o zagueiro Eder Militão são as opções de Tite para substituir Danilo (Montagem: Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)
THIAGO SILVA E CASEMIRO — Por suas convicções, o treinador gaúcho pode empilhar suas fichas sobre o veterano lateral. Embora possa se expor a críticas severas, se Dani Alves for batido por atacantes suíços como Shakiri ou Embolo na segunda, Tite teve motivos sobre a Sérvia para apostar na experiência. Também contestado pela idade, o zagueiro Thiago Silva, aos 38 anos, teve atuação irretocável. Quando se tornou o jogador mais velho a jogar pelo Brasil numa Copa, superando o lateral direito bicampeão mundial Djalma Santos, que atuou aos 37 na Copa de 1966. Cinquenta e seis anos depois, além de Thiago e o companheiro de zaga Marquinhos, outro destaque na estreia da Seleção no Qatar foi o primeiro volante Casemiro. Hoje no Manchester United, ele teve passagem marcante no Real Madrid, onde foi feito titular por um técnico que entende um pouquinho de meio de campo: Zidane.
Os zagueiros Thiago Silva e Marquinhos e o volante Casemiro deram a espinha dorsal da consistência defensiva que foi a maior virtude coletiva do Brasil em sua estreia na Copa do Mundo do Qatar (Montagem: Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)
ESTREIAS DE FAVORITO — Além do Brasil, três outras seleções tiveram estreias de favorita na primeira rodada da Copa. A Inglaterra, que meteu 6 a 2 no Irã na segunda (21), pelo Grupo B; a França, que virou de 4 a 1 sobre a Austrália na terça (22), pelo Grupo D; e a Espanha, que sapecou 7 a 0 na Costa Rica na quarta (23), pelo Grupo E. Mas, herdeira do futebol clássico da antiga Iugoslávia e classificada nas eliminatórias europeias à frente de Portugal, a Sérvia é um time muito mais qualificado que Irã, Austrália e Costa Rica. Tem bons jogadores de frente como Tadic e Mitrovic, pressionou a saída de bola brasileira nos 30 primeiros minutos, mas não ameaçou o gol de Alisson em nenhum momento da partida. Mais até do que o voleio com que o “Pombo” voou no Qatar, ou das várias oportunidades de gol criadas no segundo tempo, a consistência defensiva foi a grande virtude coletiva do time de Tite.
Todos com estrelas de campeões mundiais em seus escudos, o Brasil, a Inglaterra, a França e a Espanha fizeram as estreias mais convincentes na Copa do Mundo do Qatar (Montagem: Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)
INGLATERRA, FRANÇA E ESPANHA x ALEMANHA — Ontem, pela segunda rodada, a Inglaterra foi pressionada e tomou bola na trave no empate de 0 a 0 com uma sua ex-colônia: os EUA. Que tem um time talvez à altura da Sérvia, batida com tranquilidade pelo Brasil. A quem a França pode ensinar como superar ausências, após perder por contusão meias da qualidade de Kanté e Pogba, além do centroavante Benzema, parceiro de Vini Jr no ataque do Real Madrid e hoje considerado o melhor jogador do mundo. Os franceses encaram às 13h de hoje a Dinamarca, outra seleção de bom nível, como Sérvia e EUA. Por sua vez, a Espanha terá às 16h deste domingo o jogo que mais promete nesta fase de grupos, contra a Alemanha. Que, após ser derrotada de virada por 1 a 2 pelo Japão na primeira rodada, precisa da vitória para se manter viva no Qatar. Tanto quanto os espanhóis, para não perderem o primeiro lugar do grupo, caso os aguerridos japoneses vençam a fraca Costa Rica às 7h da manhã do mesmo dia.
NEYMARDEPENDÊNCIA? — Só após a definição dos confrontos dos demais “cachorros grandes”, um Brasil aparentemente sem a coleira da “neymardependência” que o marcou em 2014 e 2018 encara a Suíça em 2022. Contra quem, com Neymar, mas sem Richarlison e Vini Jr, empatou de 1 a 1 na estreia das duas seleções na Copa do Mundo de quatro anos atrás.
Os jornalistas Sebastião Carlos Freitas, ex-editor-geral da Folha da Manhã, e Silvana Venâncio são os convidados do Folha no Ar desta quinta (24), ao vivo a partir das 7h da manhã, na Folha FM 98,3. Eles analisarão o que se esperar da estreia do Brasil na Copa do Mundo no Qatar. Que pode escalar um quarteto ofensivo contra a Sérvia, se o atacante Vini Jr ganhar a vaga de titular do volante Fred, no time que entrará em campo às 16h de Brasília.
Sebastião e Silvana também analisarão, até o Folha no Ar de amanhã de manhã, os destaques e zebras do primeiro Mundial de futebol masculino sediado em uma teocracia islâmica do Oriente Médio, considerada misógina e homofóbica pelos padrões ocidentais. Quem quiser participar ao vivo do Folha no Ar desta quinta poderá fazê-lo com comentários em tempo real, no streaming do programa. Seu link será disponibilizado alguns minutos antes do início, na página da Folha FM 98,3 no Facebook.
Dois grande nomes do ataque do Brasil no futebol mundial: Vini Jr, novo titular do time de Tite, e Neymar
O atacante Vini Junior ou o volante Fred? Até ontem (22), essa era a dúvida do time com que o técnico Tite contra a Sérvia, na estreia da Seleção Brasileira na Copa do Mundo do Qatar, às 16h de Brasília desta quinta (24). A cobrança da torcida e da imprensa, no Brasil e no mundo, pela condição de titular do jovem atacante do Real Madrid, parece ter funcionado. Se nada mudar até o início do jogo no Lusail Stadium, o time que busca o Hexa entrará em campo com Alisson, Danilo, Thiago Silva, Marquinhos e Alex Sandro; Casemiro e Lucas Paquetá; Raphinha, Richarlison, Neymar e Vini Junior. Com quatro nos nove atacantes convocados por Tite, é a escalação mais ofensiva do Brasil em Copa desde o “quadrado mágico” de 2006, composto de Kaká, Adriano, Ronaldo Fenômeno e Ronaldinho Gaúcho.
SÉRVIA — Herdeira da escola de futebol clássico da antiga Iugoslávia, como a Croácia vice-campeã do Mundial de 2018, a Sérvia é considerada o adversário teoricamente mais difícil do Brasil no Grupo G. No qual Suíça e Camarões farão o jogo de estreia na mesma quinta, às 7h da manhã de Brasília. Como curiosidade, a Seleção Brasileira também enfrentou Sérvia e Suíça na fase de grupos da Copa de 2018, na Rússia. Foi quando bateu a primeira por 2 a 0 e empatou com a segunda, em 1 a 1. Quatro anos depois, os sérvios não são os mesmos. E devem entrar em campo com V. Milinkovic-Savic; Veljkovic, Milenkovi e, Pavlovic; Zivkovic, Lukic, S. Milinkovic-Savic, Kostic; Tadic; Mitrovic e Vlahovic. Que têm como treinador Dragan Stojokovic. O ex-craque comandou dentro de campo a Iugoslávia nas Copas de 1990 (5º lugar) e 1998 (10º lugar). Hoje, na Sérvia, sua camisa 10 é envergada pelo habilidoso Tadic.
Vini Jr é observado à beirada do campo pelo técnico Tite, que escalou o jovem atacante do Real Madrid como titular após muita pressão da torcida e da imprensa, no Brasil e no mundo
BRASIL DO MEIO À FRENTE — Como um vencedor entre Brasil e Sérvia pode definir já na primeira das três rodadas o líder do Grupo G, até ontem Fred era mais cotado para entrar jogando. Com o atleta do Manchester United, mais o titular indiscutível Casemiro, Tite teria dois volantes de origem no meio de campo. Que seria complementado por Paquetá como meia de ligação. Seria uma formação mais defensiva que traria no ataque Neymar, caindo mais à esquerda, Richarlison como referência central e Raphinha à direita. Com a confirmação de Vini Jr como titular, ele cairá à esquerda e Paquetá recuará a segundo volante, mantendo função de criação. O que dará mais liberdade para Neymar flutuar no ataque e fazer a ligação com o meio de campo. As referências serão essas, sem ninguém guardar posição fixa. Com jogadores rápidos, leves e criativos, a tática é o movimento.
MAIORES CRAQUES BRASILEIROS — Embora os olhos da torcida e até da crítica especializada costumem se focar nos jogadores do meio para frente, os maiores craques do Brasil talvez estejam na defesa. O goleiro Alisson, do Liverpool, e o experiente zagueiro Thiago Silva, capitão do Chelsea e do time de Tite, são os dois jogadores do presente que mais teriam condições de brigar por posição em qualquer grande Seleção Brasileira do passado.
O experiente zagueiro Thiago Silva e o goleiro Alisson, dois maiores craques da Seleção Brasileira
OS LATERAIS — Pela evolução tática do futebol mundial e necessidade de equilíbrio, a defesa de Tite deve apresentar uma diferença ao passado. Com quatro atacantes à frente — Raphinha caindo mais à direita e Vini Jr mais à esquerda — foi-se o tempo dos laterais apoiadores que tanto marcaram o Brasil nas Copas. É assim desde que o lateral-esquerdo Nilton Santos, “Enciclopédia do Futebol”, subiu para marcar um gol contra a Áustria na Copa de 1958, na Suécia, primeiro Mundial do Brasil. Hoje, 64 anos depois, o lateral-direito Danilo, da Juventus, deve subir menos do que seu antecessor mais recente Cafu (Copas de 1994, 1998, 2002 e 2006). Como, na lateral-esquerda, Alex Sandro, também da Juventus, não deve apoiar como Roberto Carlos (1998, 2002 e 2006) na esteira de Nilton. Tanto quanto ao ataque, é regra sem rigidez. Mas, para não desguarnecer os lados da defesa, é recomendado.
ARGENTINA, INGLATERRA E FRANÇA — O Brasil chegou ao Qatar considerado um favorito ao título. Seu mais tradicional rival, a Argentina, também era. Los hermanos chegaram à ultima Copa do gênio Lionel Messi invictos há 36 jogos. E perderam ontem o da estreia, por 1 a 2, na virada da pouco temida Arábia Saudita, que hoje decretou feriado em seu país pelo feito. No cartão de visitas, que pode ser reescrito, apenas a Inglaterra e a França confirmaram até aqui o favoritismo. Completos, os ingleses golearam o Irã por 6 a 2 na segunda (21). Já os atuais campeões franceses, mesmo desfalcados de Kante, Pogba e Benzema, golearam a Austrália, de virada, por 4 a 1. Em tese, Arábia Saudita, Irã e Austrália são times inferiores à Sérvia.
OUTROS COTADOS — Outras seleções cotadas nas casas de aposta ao título, a Holanda venceu o Senegal na segunda por 2 a 0, mas não convenceu diante do campeão africano desfalcado do seu craque Mané. Hoje, a Alemanha estreia contra o Japão, a Espanha pega a Costa Rica e a decantada geração da Bélgica, ainda à caça de taça, encara o Canadá. Menos cotados, mas ainda assim presentes nas apostas, a atual vice-campeã Croácia do maestro Modric estreia hoje contra o Marrocos. Amanhã, será a vez do Uruguai de Cavani, Suárez e o rubro-negro De Arrascaeta encarar a Coréia do Sul. Quando o Portugal do envelhecido craque Cristiano Ronaldo e algumas jovens boas promessas terá Gana pela frente.
O VERADEIRO DESAFIO — Com Vini Jr titular, o Brasil tem na quinta a Sérvia, tem a Sérvia na quinta. A confirmar contra ela seu favoritismo, terá depois a Suíça na segunda do dia 28, e Camarões na sexta seguinte de 2 de dezembro. Se deles passar, como a teoria indica, terá só depois seu verdadeiro desafio ao Hexa, quando será matar ou morrer: quebrar o jejum de não vencer uma seleção europeia em jogo eliminatório de Copa do Mundo desde a final em que bateu a Alemanha por 2 a 0 em 2002. O que fez, e até aqui não repetiu, há exatos 20 anos.
No ano da Graça de 2022, os deuses do futebol tecem o destino nos campos do Islã.