As respostas à declaração do deputado estadual e candidato ao Senado, Jorge Picciani (PMDB), de que a aliança de 16 partidos em torno de Dilma Rosseff (PT) para presidente e Sérgio Cabral (PMDB) para governador, teria que ser repetida pelo menos no segundo turno de uma eventual eleição suplementar à Prefeitura de Campos (aqui), repercutiram no município, entre alguns políticos envolvidos.
Citada pelo próprio Picciani, como possível nome do PCdoB numa nova eleição a prefeito, a candidata (por enquanto) a deputada estadual pela legenda, Odete Rocha, disse que a fala do político carioca vai de encontro ao que se pode observar em Campos: “a necessidade de uma nova perspectiva, um novo caminho, diferente do que vimos até aqui”. Ela classificou como positiva a promessa de “força total”, feita pelo candidato ao Senado, para uma chapa que conseguisse reunir em Campos a oposição ao casal Garotinho, sobretudo se as vitórias de Dilma e Cabral forem confirmadas nas urnas:
— É certo o que a Ana Rocha (presidente estadual do PCdoB) falou com Picciani. Independente da disputa à Alerj, meu nome estará novamente posto como opção na eleição suplementar — confirmou Odete.
Citada pelo blogueiro na entrevista com Picciani, a partir da sua revelação (aqui) de que o PT também terá candidatura próprio num novo pleito à Prefeitura, a vereadora Odisséia Carvalho foi outra que viu com bons olhos o apoio prometido por Picciani, muito embora entenda que o nome capaz de aglutinar a oposição só deve mesmo ser conhecido num eventual segundo turno:
— Aqui, temos sete partidos reunidos na Frente Democrática formada por PT, PMDB, PDT, PCdoB, PCB, PV e PPS (os três últimos não estão entre os 16 que apóiam Cabral e Dilma). Discutimos uma agenda conjunta, mas a proximidade com as eleições de outubro esfriou os encontros. É possível que o PT (onde Odisséia pôs seu nome à disposição), o PCdoB, com Odete; o PV, com Andral (Tavares Filho); o PCB, com Graciete (Santana); ou o PPS, com Sérgio Diniz, lancem cada qual seu nome. Isso sem contar o PTdoB, com Marcos Bacellar. Mas, com certeza, estaremos juntos no segundo turno. Aí, com o apoio de Dilma e Cabral, serão todos contra o casal Garotinho — pregou a petista.
Por sua vez, apontado pelo deputado federal candidato a estadual do PR, Geraldo Pudim, como postulante natural da legenda numa eleição suplementar para prefeito (aqui), o atual ocupante do cargo, Nelson Nahim, procurou não dar maior importância às declarações de Picciani em (e sobre os destinos de) Campos:
— Ele está fazendo o seu papel — se limitou a dizer.
O blogueiro recebeu telefonema e, sem seguida, um e-mail da vereadora Ilsan Vianna (PDT), no qual ela detalhou sua atuação contrária à proposta de criação de um Fundo de Equalização no Fundo de Desenvolvimento de Campos (Fundecam), na sessão de hoje na Câmara, onde acabou aprovada por 11 votos a dois — além de Ilsan, a petista Odisséia Carvalho também se opôs. Na verdade, Ilsan manteve a posição já adotada desde quando analisou o projeto pela Comissão de Justiça da Casa (aqui), mas foi vencida pelas posições favoráveis dos colegas governistas (de Rosinha) Kelinho (PR) e Albertinho (PP).
Abaixo, a íntegra do e-mail, com todos os questionamentos técnicos feitos pela vereadora, na sessão de hoje, ao presidente do Fundecam, Eduardo Crespo, por quem julgou não ter sido devidamente respondida…
O presidente do Fundecam, Eduardo Crespo, e a vereador Ilsan Vianna, na sessão de hoje da Câmara (foto de Leonardo Berenger)
Boa noite, Aluysio!
Como é de seu conhecimento a sessão da Câmara hoje teve entre as pautas do dia, o Fundo de Desenvolvimento de Campos (Fundecam). O Presidente Eduardo Crespo esteve presente para falar sobre o assunto e eu fiz algumas perguntas sobre o andamento dos projetos de investimentos no município, além dos benefícios do programa de crédito para Campos. Diante das perguntas, o presidente foi evasivo , demonstrando não ter conhecimento sobre o assunto, pois não soube responder os questionamentos. Segue abaixo minha fala “Fundecam x Fundo de Equalização”.
“Em primeiro lugar gostaria de registrar minha satisfação com a presença do presidente do Fundecam, Eduardo Crespo nesta Casa de Leis. Talvez, não fossem meus questionamentos em relação à criação de um Fundo de Equalização, não teríamos esta oportunidade para esclarecer alguns pontos que considero de extrema importância.
Por exemplo: ocorreram algumas alterações na Lei que criou o Fundecam, ou pelo menos foram aprovadas por esta Casa, mas não tenho informações se as mudanças estão sendo praticadas e de que forma elas estão acontecendo.
Dentre estas mudanças está a de que o Fundecam já dispõe de uma linha de financiamento para microempresas e para pequenos empreendedores, que é o Fundecam Solidário, um programa para incentivar o empreendedorismo com a facilitação do acesso ao crédito, que se subdivide no Fundecam Cidadão e Fundecam Microempresas. O primeiro destinado ao cidadão empreendedor, com financiamento de atividades formais ou informais, nos valores de R$ 200 até R$ 10 mil, em parceria com o agente financeiro. O segundo é destinado aos empresários já estabelecidos em atividades formais, inclusive as cooperativas e associações de produtores, que podem ter acesso a recursos da ordem de R$ 1 mil a R$ 400 mil. Pelo menos assim informou o presidente em matéria no site da Prefeitura.
Então eu gostaria de saber:
O Fundecam Solidário está sendo executado?
Qual é o agente financeiro parceiro? Qual o percentual investido com recursos do Fundecam e qual o percentual do agente financeiro? Como é feita esta parceria?
Existe período de carência para início do pagamento? Quantas pessoas já foram beneficiadas?
E o Fundecam Microempresas? Está sendo executado com recursos do Fundecam?
Quantas microempresas já foram beneficiadas? Qual é a taxa de juros praticada atualmente?
Se o Fundecam já tem uma linha de financiamento para microempresas se a taxa de juros do Fundecam é a menor do mercado, então insisto: porque um Fundo de Equalização? Por que o empréstimo não é feito com recursos do Fundecam? Está faltando recursos próprios para financiamento?
Ao poder público não cabe o lucro, mas nenhuma instituição financeira sobrevive sem lucro. Na medida em que os financiamentos deixam de ser efetuados de forma direta, pergunto mais uma vez é ou não uma “terceirização” do Fundecam?
Entendo a realização de parcerias com instituições oficiais, principalmente o BNDES ou mesmo a instituição de Fundo de Equalização em situação oposta, em grandes investimentos, quando estes ultrapassem a capacidade do Fundecam. Mas reafirmo: o município dispõe de recursos para arcar com estes financiamentos. Por que não o faz?”
Em seguida, o presidente do Fundecam disse que o Banco do Povo é ultrapassado e eu rebati dizendo que, “o Banco do Povo que o senhor disse estar ultrapassado, financiava direto, em parceria com o Banco do Brasil, que cobrava unicamente o custo do boleto e seu envio aos beneficiários. Tinha um orçamento de R$ 1 milhão. Era fiscalizado pela Comissão Municipal de Emprego, que era responsável pela avaliação e autorização para liberação dos empréstimos. Era a sociedade civil organizada eleita em fórum próprio para decidir junto do governo.
E foi elogiado pelo Banco Central, que através do responsável pelo departamento de micro-crédito do Banco Central do Brasil, levou uma equipe do nosso município para conhecer o modelo peruano que é inspirado no pioneiro modelo alemão. Lá eles já estavam utilizando desde 2004 o agente de empreendedorismo, portanto o Banco do Povo vinha acompanhando as necessidades do mercado.
O índice de inadimplência era inferior a 5%, o que foi corrigido com a conjugação da Lei de Doação em Pagamento, que permitia que o devedor quitasse sua dívida com serviços ou bens que produzisse. Não estou defedendo este modelo para todos os financiamentos, mas só para informar o que era o Banco do Povo na gestão de Arnaldo Vianna”.
Para deixar claro para os colegas e principalmente para o povo, li a minha justificativa do voto em separado:
“Ao que parece, os colegas preferem mais uma vez assinar um cheque em branco para o Executivo. Mesmo com emendas, o projeto permite que as mais significativas decisões sejam feitas através de decreto.
O ilustre presidente do Fundecam, sustentou, aqui, da tribuna, algumas questões difíceis de serem consideradas. Entre as quais, que nessa iniciativa do Fundo de Equalização não há risco do 0unicípio pagar pela inadimplência dos supostos beneficiários.
Ora, alguém já viu, em algum lugar do mundo, bancos arcarem com prejuízos? Isso, caro presidente do Fundecam, é contra a lógica do sistema financeiro. Só os muito ingênuos acreditariam nessa estória de carochinha.
E mais, para quem trabalharão os agentes financeiros, recrutados, na Administração, pagos pelo dinheiro público? Para o Fundo ou para os bancos?
Reafirmo: aprovar este projeto é uma temeridade. O governo o apresenta como a melhor solução, a mais eficiente, a mais eficaz e como gosta de dizer o presidente do Fundecam, fundamentada no caráter e na moral. Até as pedras das ruas sabem que as relações de mercado, muito antes de se preocuparem em serem morais ou amorais, são, na verdade, PRAGMÁTICAS. Quem viver, verá…
No vizinho município de Quissamã, em projeto parecido, a Câmara tem que ser consultada a cada projeto aprovado e aqui a Câmara prefere lavar as mãos. Posso pecar pela ação, nunca pela omissão. Continuo discordando e não abro mão do papel que a população me conferiu de fiscalizar as ações do Executivo Municipal”.
E para finalizar, deixei claro aos desinformados, a importância do Fundecam que foi notícia no jornal Valor Econômico como segue abaixo:
“A propósito da discussão do Fundecam, hoje, neste plenário, quero sugerir que os interessados, especialmente, os atuais gestores do Fundo, que leiam, na edição de hoje, dia 15 de setembro, no prestigiado jornal Valor Econômico, na página D10, uma extensa matéria sobre a Schulz, que se instalou, em Campos, graças ao Fundecam. A filial brasileira, sediada em Campos, da empresa alemã, ganhou concorrência para vender para o Complexo Petroquímico do Rio de Janeiro (Comperj).
Querer modernizar op Fundecam, não pode significa negar os indiscutíveis avanços proporcionados pelo fundo. Eu sugiro a leitura da matéria para que os desinformados atualizem seus dados”.
Para finalizar propus um convite a Luiz Mário Concebida, que foi quem presidiu o Fundecam, assim que o Fundo foi criado por Arnaldo, para comparecer a sessão da próxima terça-feira, dia 21, para falar sobre desenvolvimento.
Em conversa agora há pouco, por telefone, com este blogueiro, o prefeito Nelson Nahim (PR) confirmou aquilo que o Alexandre Bastos noticiou aqui e a também jornalista e blogueira Jane Nunes já havia previsto há oito dias (aqui): o Programa Saúde da Família (PSF) vai voltar, com a convocação dos aprovados no concurso público realizado no apagar das luzes do governo Mocaiber. Acertada na reunião de ontem, de Nahim com o presidente interino da Câmara, Rogério Matoso (PPS), e uma comissão dos aprovados, a maneira jurídica para a convocação está sendo definida pela Procuradoria do Município. Embora ainda não exista data, fonte muito próxima ao prefeito garante: a coisa não deve passar de duas semanas.
Graças à ação do vereador Edson Batista (PTB), homem de confiança de Anthony Garotinho (PR), a convocação estava não só barrada até agora na Justiça, como sequer o nome dos aprovados foi ainda divulgado, num concurso que oferecia 740 vagas e teve 35.036 inscritos. De qualquer maneira, o empenho de Nahim em fazer valer uma convocação que Rosinha assumidamente empurrava com a barriga, foi comemorada pelos diretores dos hospitais conveniados, todos inchados com a suspensão do serviço, desde março de 2008, que permitia assistência médica em 49 pólos e na residência dos doentes.
Conforme apurou a repórter da Folha, Juliana Mérida:
— O PSF qualifica a atenção básica. Se isso de fato acontecer, veremos resultados importantes na Saúde da cidade — apostou o provedor da Santa Casa, Benedito Marques.
— É comprovado por dados estatísticos que o PSF é um dos melhores programas para prevenção de doenças — destacou o diretor do Hospital Abrigo Manoel Cartucho, Pedro Otávio Barreto.
— Se o PSF realmente voltar, vão melhorar e muito os problemas no sistema de Saúde — ressaltou Jair Araújo, diretor do Hospital Escola Álvaro Alvim.
— É uma das ações mais importantes que podem ser tomadas na cidade — endossou Luiz Maurício Crespo, diretor do Hospital Plantadores de Cana.
Se sairá do PMDB ou de um dos outros 15 partidos (PT, PTB, PP, PCdoB, PSB, PTC, PDT, PMN, PHS, PSC, PSL, PSDC, PTN, PRTB, PRP) que integram a coligação que tenta eleger Sérgio Cabral ao governo do Estado e Jorge Picciani e Lindenberg Farias ao Senado, uma coisa é certa: a aliança estadual vai disputar, com “força total”, a eleição suplementar à Prefeitura de Campos. A afirmação foi feita a este blogueiro, agora há pouco, pelo próprio Picciani, que está visitando Campos em campanha ao Senado, mas sem perder de vista sua condição de presidente estadual do PMDB.
Contraposto à informação de que o vereador Abdu Neme (do PSB, um dos 16 partidos) e o prefeito interino Nelson Nahim (PR) revelaram ao blog (aqui e aqui) as conversações para composição de uma chapa em que o primeiro seria vice do segundo na eleição a prefeito, Picciani não quis comentar o caso isoladamente. Em vez disso, lembrou que quando alguém visita, por exemplo, Rio das Ostras, vê claramente no município a aplicação dos royalties do petróleo, “e, em Campos, isso infelizmente não acontece”. Caso consiga se eleger ao Senado, ele reafirmou sua bandeira tanto na luta pela manutenção dos royalties aos Estados e municípios produtores, como por uma rigorosa fiscalização da aplicação dos bilionários recursos do petróleo.
Informado também que o PT, por meio da vereadora Odisséia Carvalho, já revelou ao blog (aqui) a decisão do partido de lançar candidatura no pleito suplementar, Picciani lembrou que a presidente estadual do PCdoB, Ana Costa, também já havia falado com ele também sobre a possibilidade de lançar novamente Odete Rocha, que disputou a última eleição a prefeito e agora concorre a uma vaga na Alerj. “Se não conseguirmos alcançar a unidade no primeiro turno, uma coisa é certa, faremos isso no segundo, e com força total”, afirmou para fechar a posição de enfrentamento dos 16 partidos contra qualquer candidato que for lançado pelo PR com a chancela do casal Garotinho.
Exibido ontem no Folha no Ar (aqui) segue abaixo, dividida em seis partes, a íntegra da entrevista feita pelo blogueiro no último dia 3, na sede do CFZ, no Rio de Janeiro, com Zico, diretor de futebol e maior craque da história do Flamengo. Transcrita desde sábado no blog (aqui e aqui) e domingo na edição impressa da Folha, a entrevista será reexibida pela Plena TV (canal 21da ViaCabo) a partir do próximo domingo (dia 19, às 10h e 17h), segue diariamente da segunda a sexta (sempre às 12h, 20h e 23h), até o sábado (dia 25, novamente às 10h e 17h).
Geraldo Pudim preferiu responder em seu blog (aqui) à revelação feita por este Opiniões, baseado em informação divulgada pelo jornalista Ricardo André Vasconcelos (aqui), de que o deputado federal candidato a estadual havia sido escolhido por Garotinho para ser candidato do PR também numa eleição suplementar a prefeito. Enquanto isso, o ocupante do cargo, Nelson Nahim, preferiu ligar diretamente ao blogueiro para esclarecer o assunto.
Assim como Pudim, Nahim atribuiu o movimento à “especulação”, muito embora tanto este blog, quanto o Ricardo tenham se baseado em fontes próximas a Garotinho. Todavia, o prefeito interino concordou que, se o movimento não existia, não mudou em nada o quadro, mas caso existisse — e blog tem certeza que sim, sobretudo pela força, rapidez e número das reações — sua revelação acabou lhe sendo benéfica, no sentido de forçar Pudim a uma resposta. A que este deu, por exemplo, à também jornalista e blogueira Suzy Monteiro (aqui), foi até além da que havia postado antes em seu blog: “O candidato natural é o prefeito Nelson Nahim”.
Embora também tenha frisado que o clima de cisão entre ele e o irmão não é benéfico ao município, inevitável a conclusão de que, pelo menos por enquanto, Nahim saiu fortalecido com a revelação da manobra. Foi nesta condição que ele também confirmou outra informação divulgada aqui, em primeira mão pelo blog: não só procedem as conversas de aliança entre PR e PSB, caso Nahim confirme sua candidatura, como realmente partiu deste o convite para que o vereador Abdu Neme seja seu vice.
Um das causas de Anthony Garotinho ter definido Geraldo Pudim como seu candidato numa eleição suplementar à Prefeitura, pode estar na chapa aquecida a fogo brando por PR e PSB, que seria respectivamente composta por Nelson Nahim para prefeito e Abdu Neme a vice. O vereador confirmou ao blogueiro conversa mantida, há cerca de um mês, com o prefeito interino, onde este o teria convidado para compor a chapa.
Embora ressalve que o PSB ambiciona a Prefeitura e que qualquer decisão de aliança caberá ao partido (presidido em Campos pelo ex-prefeito Alexandre Mocaiber e no Rio pelo deputado federal Alexandre Cardoso), Abdu se mostrou aberto às conversas, dada a força que a chapa teria, mesmo com a entrada do pedetista Arnaldo Vianna na briga (como o Alexandre Bastos adiantou aqui) e com o revelação feita pela vereadora Odisséia Carvalho ao blog (aqui), de que o PT terá candidato próprio. Aliás, o que a petista disse ao telefone, para justificar seu compromisso de oposição, muito embora não tenha repetido na hora de responder por escrito, agora começa a fazer mais sentido: “Nelson Nahim não será o candidato de Garotinho”.
Em que pesem sua boa relação e confiança na palavra de Nahim, Abdu já havia ressaltado que o empecilho maior seria saber até onde Garotinho influiria nas condições do acordo e, sobretudo, no seu cumprimento. Ex-médico particular do ex-governador, inclusive assistindo-o na sua questionada greve de fome em 2006, Neme foi um dos mais aguerridos opositores da prefeita Rosinha, além de ser muito ligado aos deputado estadual Domingo Brazão e federal Eduardo Cunha (ambos do PMDB). E, pelos dois, entenda-se: governador Sérgio Cabral, alvo preferencial de Garotinho.
Alertado aqui pelo Ricardo André Vasconcelos, sobre a retirada da campanha de Clarissa de Campos, visando dar mais chance de também se eleger à Alerj um candidato local do PR, que já teria sido escolhido por Garotinho para representar o partido também na eleição suplementar a prefeito, o blog confirmou todas as informações. E, complemetando a dedução óbvia que o Ricardo apenas indicou, este seu colega jornalista e blogueiro vai além: o candidato a deputado estadual ungido por Garotinho para disputar também a Prefeitura é (mais uma vez) Geraldo Pudim.
O porém reside em outra informação correta da fonte de Ricardo junto a Garotinho, dando conta que a campanha de Pudim à Alerj não estaria bem. Dos três candidatos locais do partido — além dele, Roberto Henriques e David Loureiro —, Pudim seria, hoje, o que teria menos chances de se eleger. Segundo a mesma fonte, ele estaria razoavelmente atrás dos sete ou oito nomes que a legenda pode fazer no Estado, puxados pela votação de Clarissa.
E, confirmada a derrota de um deputado federal numa candidatura já “rebaixada” a deputado estadual, ficaria ainda mais difícil para Garotinho empurrar goela abaixo dos correligionários e da população, sobretudo num pleito mais importante, para prefeito de Campos, alguém nele já tão marcado como perdedor, após os insucessos colecionados por Pudim diante de Carlos Alberto Campista, em 2004, e Alexandre Mocaiber, em 2006.
Se Pudim irá se eleger ou não deputado estadual, caberá à vontade soberana das urnas de 3 de outubro determinar. Já se, eleito ou não, ele será o candidato do PR na eleição suplementar a prefeito que o Tribunal Regional Eleitoral quer ainda para 2010 (aqui), quem determina é a vontade soberana de Garotinho. Mas que o prefeito interino Nelson Nahim e todos que acreditavam ser natural sua candidatura não tenham dúvida: com seu irmão dando as cartas no partido, ele hoje corre o sério risco de ficar (mais uma vez) fora do baralho.
Atualização às 6h55: Depois do Ricardo André, mas antes deste Opiniões, o Aloisio Di Donato também já havia afirmado (aqui) que Garotinho definiu Pudim como candidato do PR numa eventual eleição suplementar à Prefeitura.
Folha – Batendo ainda na tecla da formação, até onde vale o paralelo entre você e Messi, cujas gênios foram notados muito meninos, apesar do físico pequeno e franzino, fazendo com que um grande clube investisse para prepará-los? Até onde hoje é possível que um Flamengo, no seu caso, não seja antecipado por um Barcelona, incubadora e hoje palco do craque argentino?
Zico – Pode, se você tiver um olho clínico e enxergar que esse garoto pode ter futuro, é você se juntar a uma empresa dessas patrocinadoras e tentar ajudar o Flamengo a bancar esse jovem. Porque o Flamengo é uma grande marca. Se o garoto puder explodir no Flamengo, ele vai querer explodir no Flamengo. Eu não vejo dificuldade nisso.
Folha – Por falar em Messi, acredita que ele hoje seja realmente o melhor do mundo? O que achou da sua atuação na África do Sul? Como foi com você, ele sofre a pressão para ser tão decisivo na seleção como é quando joga pelo clube?
Zico – Lógico, mas todo cara que aparece bem num clube, quando vai para seleção, há a expectativa muito grande; isso é normal. Ele é um jogador fantástico, que não precisa se falar muito, é o grande gênio da atualidade, diferenciado, que faz uma coisa que você não espera. Ele é espetacular, decisivo, mas todo cara decisivo precisa também que as jogadas dele sejam definidas por outros, porque ele chama atenção, então abre espaço para os outros decidirem as jogadas que ele faz. Ele pode não ter feito gol, mas criou uma série de situações de gols da Argentina, e muitas vezes não eram transformadas em gols.
Folha – Como os gols de Nunes (dois) e Adílio, que nasceram dos seus pés, na final do Mundial de 81, contra o Liverpool?
Zico – Exatamente. Quando você tem a chance de fazer algumas jogadas e elas são concretizadas, o seu valor também aparece. Quando isso não acontece, parece que você não criou nada. Em 78 (na Copa da Argentina), eu criei um monte de oportunidades para uma série de jogadores, mas ninguém fez gol; parece que eu não joguei, que eu fui uma porcaria. Mas vai ver os lances dos jogos, veja quantas bolas eu deixei os caras de frente para o goleiro, só que não foram transformadas em gols. Aí, a sua parte individual também não aparece.
Folha – Em sua opinião, quais foram o melhor time e jogador da última Copa?
Zico – Olha, o melhor time foi a Espanha e o melhor jogador foi o Iniesta, mas disparado. Ele e o Xavi foram os dois jogadores que desequilibraram. Eu vi uma série de partidas da Espanha, jogos de Eliminatórias, quando eu estava na Europa. Tinha jogo da Espanha, eu conferia o horário para poder assistir, porque é um time que tem uma espinha dorsal, um grande goleiro (Casillas), uma ótima zaga (Puyol e Piqué), um meio-campo criativo, marcador, que desenvolve bem, e com um ataque que eu acho que se dois jogadores estivem bem, a Espanha ganharia com muito mais facilidade a Copa: o Torres e o Fabregas. O Fabregas, que vinha de uma fratura, ainda conseguiu jogar um pouco, e o Torres, que havia uma esperança muito grande, mas também vinha de uma contusão. Por causa da contusão do Fabregas, ele (o técnico Vicente Del Bosque) adiantou o Xavi, que jogava mais atrás, e botou um jogador, o Xabi Alonzo, na cabeça-de-área.
Folha – Como segundo homem. O primeiro homem era o Busquets…
Zico – Pois é, era o Busquets. Então era Busquets ou Xabi Alonzo, Xavi, Iniesta e o Fabregas. Então, com isso, ele teve que mexer um pouco nessa estrutura, apesar de não ter comprometido. Mas o Xavi, tem o Xabi Alonzo e o…
Folha – E o Xavi Hernández.
Zico – É, o Xavi Hernández, que é do Barcelona, ele joga um pouco mais atrás, ele é o segundo homem e estava jogando de terceiro, um pouco mais à frente…
Folha – Iniesta pela esquerda e ele pela direita.
Zico – Exatamente, exatamente. Então, eu acho que a Espanha mudou um pouquinho, mas mesmo assim joga um futebol lindo.
Folha – Seu ex-companheiro na inesquecível Seleção de 1982, Falcão chegou a citar seu nome ao traçar um paralelo nesse “futebol lindo”, que caracterizava tanto o time treinado por Telê Santana com os campeões do mundo sob comando de Vicente Del Bosque. Até onde vai esse paralelo na maneira de atuar dos dois times? Embora inegavelmente habilidosa, não faltava à linha média espanhola jogadores mais incisivos, como eram você e Sócrates?
Zico – Porque eu acho o Iniesta, ele até é um jogador decisivo…
Folha – Eu falei incisivo, não decisivo. Você e o Sócrates marcavam muitos gols.
Zico – É, mas a gente era jogador mais ofensivo, mais jogador de frente, os dois (Xavi e Iniesta) são jogadores de meio-campo.
Folha – Mas vocês vinham de trás.
Zico – O Sócrates vinha de trás, eu jogava mais na frente. Eu acho que dali, se você tem que comparar característica de posição, talvez o Fabregas fosse comigo; agora o Xavi e o Iniesta são com o Sócrates.
Folha – Mais armadores?
Zico – Mais armadores, chegavam e tal, mas mais armadores. Eu armava também, mas sempre estava um pouco mais à frente, mais homem de ataque.
Folha – Mas não vê esse paralelo do Falcão, no toque de bola das duas equipes?
Zico – Não, lógico. Quando você tem jogadores com essa qualidade, você tem que procurar adaptar o seu time a esta situação.
Folha – Acredita que vitória do jogo lúdico da Espanha, sobre a Holanda mais pragmática dos últimos tempos, será capaz de influenciar na mesma proporção que a derrota brasileira em 82, diante da Itália, que mergulhou o mundo da bola por quase 30 anos no chamado futebol de resultados, em detrimento do futebol-arte?
Zico – É, mas eu acho que há uma diferença: a Holanda não joga o futebol de resultados como jogava a Itália. A Itália, apesar de ter bons jogadores, sabia das suas dificuldades e jogava daquela forma mesmo. Agora, a Holanda, não. A Holanda é um time que sempre teve jogadores de muita habilidade, de muita qualidade técnica, mas não conseguia chegar.
Folha – Mas com De Jong e Van Bommel também apelou para os cães de guarda no meio de campo.
Zico – É, o cão de guarda, mas você tem o Sneijder, o Van Persie, o Kuit, jogadores de muita qualidade técnica, mas que não conseguia. A Holanda, por causa disso, quando teve o Cruijff, Neeskens; depois teve o Gullit, Van Basten, Rijkaard; mas essa Holanda não conseguiu ganhar. Então ele (o técnico Bert Van Marwijk) procurou adotar que esses jogadores, apesar de qualidade técnica, ele pudessem também ser um pouco mais operários. O time da Holanda era também um time operário, mais do que os outros anteriores. Foi uma maneira que ele encontrou para chegar à final.
Folha – Mas voltando à pergunta inicial, acha que essa vitória do futebol vistoso da Espanha vai marcar tanto quanto o triunfo do futebol de resultados da Itália, em 82?
Zico – Não, hoje em dia não vai tanto. Vai marcar, mas eu acho que…
Folha – Porque aquela vitória da Itália sobre vocês definiu o futebol de uma maneira…
Zico – É, de uma maneira impressionante! Agora, eu acho que dessa vez, não. Porque todo mundo sabe que com o futebol vistoso, a possibilidade de ganhar é muito grande. Agora, do pragmático, de resultado, pode acontecer. Isso deu mais ênfase porque essa situação faz com que você, mesmo com o futebol feio, possa ganhar. E o futebol é assim, o futebol é o único esporte em que o mais fraco pode ganhar do mais forte.
Folha – Diferente do basquete e do vôlei, por exemplo?
Zico – Não tem zebra. Tênis não tem zebra, vôlei não tem zebra, basquete não tem zebra (risos). O futebol atrai tanta gente por causa disso: porque a zebra pode acontecer.
Folha – Falamos há pouco do Dr. Sócrates. Ele afirmou, numa entrevista antes da Copa, que a Seleção de 82 foi melhor que a de 70 e que, depois de Pelé, você foi o maior jogador na história do futebol brasileiro. Concorda?
Zico – (Risos) Agradeço lisonjeado pelo carinho do Sócrates. Eu acho que uma Seleção que tem Pelé e Garrincha; para mim a maior foi a de 58: Pelé e Garrincha, para mim, foram os dois maiores jogadores de todos os tempos. Então, uma Seleção que tem esses dois, foi a melhor.
Folha – Você, então, se coloca abaixo desses dois?
Zico – Totalmente, e abaixo de muitos outros. Então eu acho que são jogadores que, estando no auge, e Garrincha estava no auge, Pelé começando de uma forma espantosa, não tinha como. Para mim, foi a melhor Seleção, apesar de não ter visto, mas pelas imagens que eu vi, pelos jogadores que tinha, para mim a melhor Seleção foi a de 58. Garrincha, Didi, Pelé, Vavá, Zito, Nilton San-tos, Djalma Santos, Orlando; Orlando foi um grande zagueiro. Então eu acho que foi uma Seleção, a meu ver, mais completa que a de 70.
Folha – Mas e entre as Seleções de 70 e 82, qual foi a melhor?
Zico – A de 70, que ganhou (risos).
Folha – Em clubes e seleções, quais fo-ram os melhores times que você viu jogar, como jogador e espectador?
Zico – Bom, de seleções, que eu vi jogar, tirando as brasileiras, a seleção da Holanda de 74. Aquela seleção era muito boa, era gostoso de se ver jogar. O time do Barcelona, agora, destes últimos tempos. O time do Ajax que foi campeão naquele ano (1995) que ganhou do Palmeiras, no Mundial; ganhou nos pênaltis. Aquele time, eu acompanhei na Europa, tinha como um dos melhores jogadores o Litmanen; está até hoje na seleção da Finlândia. Este time do Ajax era formidável de se ver jogar. Se não me engano estava o Kluivert, acho que tinham aqueles dois irmãos… de Boer…
Folha – Frank e Ronald de Boer.
Zico – É, acho que tinha esses dois. Do Brasil, aquele time do Palmeiras, que o Vanderley (Luxemburgo) dirigiu (Bi-Campeão Brasileiro 1993/94), que tinha Muller, Roberto Carlos, Rivaldo, Djalminha, César Sampaio, Cafu. Era um timaço, era gostoso de ver, davam de quatro, cinco, seis, se divertiam. Gostei de ver, lógico, o time do Santos na época do Pelé…
Folha – Foi o melhor?
Zico – É difícil você dizer o melhor, você pode botar o melhor por causa do Pelé, a mesma coisa do Garrincha.
Folha – O Botafogo de Garrincha?
Zico – Vi jogar com o Garrincha, ainda peguei aquele momento de tristeza. Eu vi aquela final de 62, que Garrincha estraçalhou o Flamengo (3 a 0), eu estava no Maracanã naquele jogo. Era um timaço. Mesmo eu jogando, aquele time do Flamengo de 81 era um timaço também (risos). Eu acho que o Brasil teve grandes times, o São Paulo, com Telê (Bi-Campeão Mundial em 1992/93), também era gostoso de se ver jogar. Foram times fantásticos. O futebol, quando apresentou estes times, foi sempre um prazer para todo o torcedor.
Folha – Depois que você parou, quem foi o grande jogador brasileiro? Romário, Ronaldo, Ronaldinho Gaúcho, Kaká?
Zico – Todos eles foram, cada um na sua época, o melhor.
Folha – Depois de você, não apontaria um?
Zico – Maior continuidade de todos, acho que foi o Ronaldo; maior número de títulos, de conquistas coletivas, individuais. Eu acho que o Ronaldo superou a todos nós.
Folha – Você, inclusive?
Zico – Eu acho, acho.
Folha – Do que você viu, dentro e fora do campo, seria capaz de escalar seu time de todos os tempos? Telê seria o treinador?
Zico – Seria, seria, mas seria muito difícil dizer, porque passei por três gerações; seria injusto. A (revista) Placar até me pediu isso, eu disse o seguinte: eu vou fazer o time do Flamengo de 81, boto o Pelé no meu lugar e eu fico de auxiliar do Carpegiani (campeão brasileiro pelo Fla em 1980, como jogador, e mundial em 81, como técnico), para fazer treinamento de finalização com Pelé, para ensinar ele a fazer gol (risos). Isso é uma brincadeira com ele (risos)…
Folha – O Flamengo de 81 com Pelé no seu lugar?
Zico – No meu lugar, eu e o Carpegiani de técnico. Mas é muito difícil você fazer uma seleção…
Folha – Garrincha não estaria nesta seleção?
Zico – É mais com quem eu joguei. Pelé eu ainda joguei contra, Garrincha não.
Folha – Qual sua avaliação do trabalho de Mano Menezes na Seleção, sobretudo no objetivo de se reaproximar daquele padrão de jogo com o qual você e sua geração encantaram o mundo?
Zico – Eu acho muito legal isso, resgatar a história do futebol brasileiro, num momento em que ele conta com jogadores capazes para isso. É preciso também ter jogadores com essas características. O Brasil está com uma nova geração muito boa, fruto do trabalho de base do Santos, um time que tem uma estrutura com mais de 200 lugares para receber novos jogadores…
Folha – Como você deseja fazer no Flamengo?
Zico – Exatamente. Então, eu acho que o Santos está fazendo um trabalho brilhante, demorou um pouco, mas está colhendo os frutos disso. Não são jogadores lá de São Paulo, no Santos: o Ganso vem de Belém, o André saiu do Rio. Essa captação é que falta ao Flamengo, o Santos tem estrutura para alojar esses garotos desde cedo. O Flamengo precisa fazer isso, essa é uma das coisas que a gente está correndo para fazer. O Mano está sabendo aproveitar isso, tem bons jogadores, alguns da fase do Dunga, que são ainda jovens. Então, eu acho que ele conhece bem o futebol brasileiro e os jogadores, é um cara que tem demonstrado muita serenidade para comandar a Seleção. No que depender da gente poder ajudá-lo a apresentar esse futebol que todos estão ansiosos para voltar a ver, a gente vai ajudar.