Hirano e Tadeu não projetam mudanças na Câmara de Campos… até outubro!

Peças do jogo com xeque-mate previsto para outubro: Garotinho, Crivella, Rosinha, Hirano e Tadeu (montagem de Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)
Peças do jogo com xeque-mate previsto para outubro: Garotinho, Crivella, Rosinha, Hirano e Tadeu (montagem de Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)

 

Líder da oposição na Câmara de Campos, além de pré-candidato a deputado federal, embora Nildo Cardoso (PMDB) aposte em deserções na bancada da prefeita Rosinha Garotinho (PR), as quais estaria de “braços abertos” para receber, como afirmou em entrevista recente (aqui), elas não devem acontecer antes do pleito de outubro. Pelo menos, esta é a expectativa tanto do líder governista no Legislativo goitacá, Paulo Hirano (PR), quanto do seu colega de bancada Alexandre Tadeu. Partido deste e do também do vereador Dayvison Miranda, embora apoie Rosinha em Campos, o PRB tem pré-candidatura própria e eleitoralmente forte à sucessão do governador Sérgio Cabral (PMDB), com o senador Marcelo Crivella, considerada uma das mais danosas à pretensão do deputado federal Anthony Garotinho de voltar ao Palácio Guanabara, pela divisão que causaria no eleitorado evangélico.

Hirano, que também é pré-candidato a deputado estadual, demonstra convicção de que a atual divisão na Câmara Municipal, com quatro na oposição contra 17 governistas, vá se manter até o resultado da próxima eleição. Muito embora endosse o raciocínio do líder de Rosinha, Tadeu abre uma ressalva: caso Garotinho e Crivella cheguem ao segundo turno da eleição a governador, pela polarização inevitável, mesmo antes da definição do pleito, a aliança do PRB em Campos com a prefeita teria que, no mínimo, passar por uma releitura. “Aí seria disputa de pênaltis, onde a tática pode não ser a mesma do jogo”, comparou o vereador e pré-candidato certo a deputado em outubro, embora ainda indefinido entre federal ou estadual.

“Na política, não apenas Nildo ou a oposição de Campos, todos estão de braços abertos para os apoios. Mas não acredito em nenhum tipo de migração na base da prefeita Rosinha. Até o PRB, que tudo indica lançará candidato próprio a governador, com Crivella, se mantém no apoio ao governo em Campos. Há também vereadores de partidos que também não apoiarão Garotinho para governador, mas que pessoalmente caminharão com ele na campanha. É o caso de José Carlos (PSDC), Genásio (PSC) e Thiago Virgílio (PTC), que já assumiram em plenário seus compromissos com o projeto de Garotinho. Tenho muita tranquilidade de que isso não muda até outubro. Depois disso, lógico, as urnas estaduais e federais podem desenhar um novo cenário, que possibilite tanto o crescimento da oposição, quanto da situação na Câmara de Campos”, avaliou Hirano.

“Estive há cerca de 15 dias com o senador Crivella, no Rio, e ouvi dele com muita segurança: ‘Não serei vice de ninguém. Serei candidato a governador, independente de alianças com outros partidos. E vou ganhar a eleição!’ Como se vê, Crivella é candidatíssimo, mesmo que isso por enquanto não interfira na aliança do PRB com o governo Rosinha em Campos. Até o primeiro turno, a tendência é manter esse acordo local, independente da disputa a governador. Mas política muda muito. Hoje, nas pesquisas, Garotinho está em primeiro e Crivella, em segundo. Não creio em nenhuma mudança no arranjo municpal até o primeiro turno. Mas lógico que se os dois disputarem segundo, essa aliança municipal precisaria, no mínimo, passar por uma releitura”, advertiu Tadeu.

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Deputado cobra promessa de receber artistas não cumprida por Patrícia Cordeiro

Aqui, no blog de Cláudio Andrade, foi reproduzido um trecho do programa do deputado estadual Roberto Henriques (PSD) na rádio Continental, no qual ele cobrou o compromisso que teria sido assumido, mas não cumprido pela presidente da Fundação Cultural Jornalista Oswaldo Lima (FCJOL), Patrícia Cordeiro, no sentido de receber artistas de Campos com críticas ao sistema de privilégios na contratação de shows pelo município, numa política que tem sido alvo de muitas críticas, que podem ser conferidas aqui em resumo, no blog “Eu penso que”, do jornalista Ricardo André Vasconcelos. Com a devida licença do Cláudio, assessor parlamentar do Roberto, o blog reproduz abaixo o vídeo…

 

 

 

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Goitacá de volta à tela da tribo

Cineclube Goitacá 2014

 

“Como você pode escolher o que semear, mas só colherá o que plantou, o Cineclube Goitacá divulga sua semeadura feita desde já num aluvião do Paraíba do Sul, planejando nova colheita em 2014, a partir da quarta-feira seguinte à das cinzas, num renascer cada vez mais coletivo de fênix”. Ainda em dezembro de 2013, assim foi anunciada (aqui) a programação do Cineclube Goitacá para este ano, que será aberta na próxima quarta, dia 12 de março, na sala 507 do edifício Medical Center, a partir das 19h30, com a exibição do documentário “Forró em Cambaíba”. O filme será apresentado e terá o debate mediado por seu próprio diretor, o jornalista Vitor Menezes.

Na sequência, sempre no mesmo local, dia da semana, horário e com entrada franca, o teatrólogo Antonio Roberto Kapi apresentará, em 19 de março, “Um passaporte húngaro”, dirigido por Sandra Kogut. Nas quartas seguintes, em 26 de março, caberá ao professor Marcelo Sampaio exibir “O mistério do samba”, dos cineastas Carolina Jabor e Lula Buarque de Hollanda; com a jornalista Talita Barros apresentando, em 2 de abril, o filme “A opinião pública”, do diretor e também jornalista Arnaldo Jabor.

Com o tema “Cinema Verdade”, conceito fundamentado pelo diretor e jornalista russo Dziga Vertov (1896/1954), a mostra terá seguimento com a exibição de outros longas de documentário, já escolhidos, mas que serão ainda anunciados. Abaixo, o que programam para o Cineclube Goitacá seus quatro primeiros apresentadores deste ano da Graça de 2014, sob o lema definido já de cara por outro dublê de jornalista e cineasta: “Assistir, discutir e produzir”…

 

Vitor Menezes
Vitor Menezes

Confesso que fiquei surpreso quando recebi o convite para exibir e comentar o documentário “Forró em Cambaíba” no Cineclube Goitacá. Vinha acompanhando a excelente lista de clássicos que o projeto reunia e me perguntei: o que poderia fazer uma modesta produção local neste lugar dedicado a um cinema de altíssimo nível?

Foi então que me dei conta de que tanto o Cineclube quanto a ousadia quase irresponsável de fazer um longa metragem têm o mesmo embrião: a recusa em acreditar que não é possível ter uma vida cultural em uma cidade com cerca de 500 mil almas. Um cineclube é um manifesto de resistência. Fazer um filme em Campos, também. Este é o ponto de convergência que tornou possível o generoso convite.

“Forró em Cambaíba” é um documentário que não nega o seu ponto de vista afinado com os movimentos sociais, especialmente o MST, e busca suprir a carência de registro das lutas populares, notadamente em regiões marcadas pelo conservadorismo. Campos, que tem o sindicato de trabalhadores rurais mais antigo do Brasil, ainda possui uma dívida com a história dos que se insurgiram contra todas as formas de autoritarismo e servidão.

Adaptando o lema sem terra, trata-se então, no Cineclube e em outras frentes culturais, de assistir, discutir e produzir.

 

Antonio Roberto Kapi
Antonio Roberto Kapi

Desde quando fui convidado a integrar a equipe de apresentadores/debatedores, do então Cineclube José Amado Henriques que tenho curtido o alento de vivenciar experiências cinematográficas diversas, que só contribuíram para o meu crescimento enquanto ser humano e artista. Apesar de ter paixão pela sétima arte, não gosto de assistir filmes em telas de TV. E mesmo em telas grandes a oportunidade de ver bons filmes é rara em nossa taba. Durante muito tempo o Zé Amado, depois o Cinema no Palácio e o atual Cineclube Goitacá me amenizaram a sede de assistir a bons filmes.

Nesta retomada do Cineclube Goitacá, apresentarei o intrigante “Um passaporte húngaro”, em que a diretora Sandra Kogut é também a sua personagem principal e, pasmem, não aparece em nenhum momento do filme. Afinal, neste mundo globalizado, quem não possui um passaporte não existe. A história é narrada sob a sua ótica, mas ela não aparece em nenhum momento do emaranhado burocrático em que a narrativa se tece.

 

Marcelo Sampaio
Marcelo Sampaio

Quando soube que seria recriado um cineclube em Campos fiquei bastante animado, pois além dos cinemas existentes na cidade, para mim salas de projeção, quase não saírem de uma programação basicamente comercial, são muito raros por aqui os espaços para o debate de idéias em alto nível intelectual. Desde que assisti ao primeiro filme no Cineclube Goitacá, tive certeza que ir ao Oráculo nas noites de quarta-feira se tornaria um dos meus mais prazerosos hábitos. E o meu prazer foi maior ainda quando tive a oportunidade de apresentar no fim do ano passado “Noel, poeta da Vila”, filme de Ricardo Van Steen sobre o compositor Noel Rosa. Tanto que estou escalado para a primeira mostra de filmes de 2014 na qual apresentarei “O mistério do samba”, documentário de Carolina Jabor e Lula Buarque de Hollanda, que retrata a história da velha guarda da Portela. Estas duas escolhas têm tudo a ver com as experiências que possuo no samba e no carnaval e com as minhas pesquisas acadêmicas na área da cultura popular.

 

Talita Barros
Talita Barros

O documentário “Opinião Pública”, de Arnaldo Jabor, mostra a vida de pessoas da classe média carioca durante a década de 1960, desnudando seus sonhos e visões de mundo. Construindo-se a partir da voz de um narrador em off, o filme, em alguns trechos, pretende nos mostrar a vida como ela é. Muito além do conteúdo, o documentário me chamou a atenção, ainda no curso de Comunicação Social, em função da ideia de conduzir o espectador a um conhecimento puro da realidade, como se isso fosse possível. Sou jornalista e, por isso, preocupo-me com a construção de um ponto de vista diariamente. Com a apresentação do documentário, saio da pretensa neutralidade, imparcialidade e objetividade jornalística para entrar “em cena” na primeira pessoa do singular, assumindo minhas palavras e meus desvios discursivos. A conversa não nos levará A verdade, mas vamos pluralizar caminhos interpretativos, seguindo as pistas que a linguagem nos deixa.

 

 

Soffiati comandando o de bate após a exibição do filme “Desmundo”
Soffiati comandando o de bate após a exibição do filme “Desmundo”, em 6 de novembro de 2013

 

Cineclube em 2013

Fruto da parceria de alguns remanescentes dos cineclubes Zé Amado e Cinema no Palácio com a Oráculo Produções, cuja sala de audiovisual no edifício Medical Center serve de local para as exibições e debates dos filmes, o Cineclube Goitacá iniciou suas atividades com a mostra “Indianismo no Brasil”. Nela foram exibidos os filmes “Hans Staden”, de Luiz Alberto Pereira, em 23/10; “Como era gostoso o meu francês”, de Nelson Pereira dos Santos, em 30/10; “Desmundo”, de Alain Fresnot, em 6/11; “Brincando nos Campos do Senhor”, de Hector Babenco, em 13/11; e “Cannibal Ferox”, em 20/11.

A segunda mostra, com o tema “Memória”, foi aberta em 27/11, com o filme “Em busca da memória”, de Petra Seeger; seguido de “Noel – O poeta da Vila”, de Ricardo Van Steen, em 4/12; “Amnésia”, de Christopher Nolan, em 11/12; e “Crepúsculo dos deuses”, de Billy Wilder, fechando o ano em 18/12. Os apresentadores de 2013 foram os professores Aristides Soffiati, Paulo César Moura, Gustavo Soffiati e Marcelo Sampaio; os jornalistas Luciana Portinho e Aluysio Abreu Barbosa; o teatrólogo Antonio Roberto Kapi e o psicanalista Luiz Fernando Sardinha. Antes da exibição de alguns longas, o produtor cultural Antonio Luiz Baldan também apresentou curtas-metragens, como “Recife frio” (em 27/11), “Sambatown” e “No baque” (04/12), “Graffiti dança” (11/12) e “Farol” (18/12).

 

Publicado hoje na edição impressa da Folha.

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Artigo do domingo — Outros rios e homens

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  • Post publicado:9 de março de 2014 - 14:30
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Foz do Paraíba

 

Acordou como não se lembrara de tê-lo feito numa quarta-feira de cinzas. Eram seis e pouca da manhã. Calçou meias baixas e os tênis de corrida. Amarrou bem firme os laços aos cadarços, para evitar depois qualquer parada não planejada. Escovou os dentes, passou desodorante, vestiu a camisa, pegou os óculos escuros e foi alongar o corpo na garagem, em frente ao portão alto e branco da casa, em companhia das cadelas soltas para velar a segurança da última noite de carnaval que já não havia.

A cada flexão dos músculos, notava que estes, duros, ainda pareciam dormir. Venceu calmamente a resistência das fibras do próprio corpo, se despediu das cadelas em suas faces de carranca, bateu o portão atrás de si, ganhou a rua larga do Clube de Atafona e se pôs em marcha acelerada, enquanto acionava o cronômetro do relógio.

Para fugir da areia das dunas invadindo o asfalto da av. Atlântica, entrou só na segunda transversal à esquerda, na rua do Armazém do Deodato. Hoje calçada sobre o que já foi rua de terra, antes era mangue, ressurreto em cada período de chuvas prolongadas. Mas, como em todo aquele verão, estava seco e quente. E o sol ainda baixo não dava nenhuma indicação de que seria diferente naquele primeira aurora da Quaresma.

Protegido pelas sombras ainda longas das casuarinas, seguiu em marcha forte pela Atlântica, ao lado do oceano que a batiza, até que o cronômetro anunciasse os 15 minutos necessários ao aquecimento do corpo, completos, como no hábito já firmado, entre o viveiro humano ainda vazio do Bar do Nelson e o 5º GBM, com seus bombeiros já em início de alvorada da vida militar. Paisano em opção de disciplina, a partir dali começou a correr do lado esquerdo do asfalto, contrário à mão dos carros, para poder enxergá-los de vinda.

Após alcançar a casa do disco, projeto arquitetônico ousado e referencial da orla, consultou mente, corpo e neles encontrou aprovação para ir além. Seguiu correndo e contando as ruas transversais de Chapéu de Sol, mais uma, mais uma, até chegar à primeira passarela na transversal oposta, feita em madeira para facilitar acesso à praia. Dali, atravessou o asfalto e ganhou outra passarela, mas paralela e de pedra, para retornar sem deixar de ver os carros de frente, agora encarados com a satisfação de quem se dedicou e soube exceder seus limites. E o sentimento de orgulho teve reforço quando a solidão daquela corrida em manhã de ressaca quase geral foi quebrada pelo aceno da mãe de um amigo antigo, a fumar seu primeiro cigarro da manhã, sentada na varanda da casa, que lhe gritou: “Estou gostando de ver!”

Inflado como criança, como se ainda fosse acelerou a corrida na combustão daquele novo sopro, suficiente para vencer o nordeste fraco que dificultava o caminho de volta. Chegou à mesma transversal da Atlântica de onde tinha saído. Eram agora um pouco mais de sete e meia. Dali, novamente em ritmo de marcha, para desacelerar gradativamente o corpo, chegou de novo à sua casa, onde o caseiro, avisado do dia anterior, já o aguardava no portão entreaberto. Precisava da ajuda dele para tentar exceder outro limite.

Na mesma garagem onde alongara o corpo antes de correr, com as cadelas já presas, sentou-se à mesa de supino, companheira antiga, reformada da maresia pelo filho do caseiro que agora o ajudaria. Mesa e corpo unidos para se livrarem de suas ferrugens. Primeiro, com o banco inclinado, atou suas mãos à barra de aço com duas anilhas de chumbo presas em cada lado, uma com 10 kg, outra de 5 kg. Ergueu os 40 kg no conjunto de chumbo e aço na primeira série de 12 repetições, respiração cadenciada, ar preso quando com a barra junto ao peito e solto no barulho das ondas com os braços estendidos.

Com as mãos amigas a ampará-lo, sobretudo no pequeno toque para ajudar o impulso inicial de elevação da barra, se sentiu seguro para trocar as duas anilhas de 5kg, por mais duas de 10 kg. E com a nova pesagem total de 50 kg, completou mais duas séries de 10 repetições, um minuto de intervalo entre cada, anotado no mesmo cronômetro ao pulso que já lhe marcara a corrida.

Deitado o banco do supino, na facilidade maior do ângulo reto, manteve o peso na primeira série de 10 repetições. Repetidos peso e sequência, sentiu-se seguro para arriscar mais, devolvendo as anilhas de 5 kg às quatro de 10 kg que já estavam distribuídas nos dois lados da barra. Erguendo aqueles 60 kg de metal, cumpriu mais duas séries, a primeira de oito, a segunda de seis repetições.

Não havia tempo para mais nada, pois havia marcado no dia anterior, como fizera com o caseiro, para remar até a ilha do Pessanha, acompanhado de alguns amigos. Pegou o jipe e nele guiou até o ponto de encontro, onde todos já estavam esperando. Jogaram caiaques, stand ups e seus remos sobre os bagageiros dos carros, e partiram todos, por terra, ao ponto de saída das águas do Paraíba do Sul sobre o Atlântico, naquele enclave espraiado em maré baixa entre o Mercado de Peixe, a igreja Nossa Senhora da Penha, o bar Cais do Porto e o tradicionalíssimo Restaurante do Ricardinho.

Entrou até a cintura no velho caiaque de fibra, cuja cor salmão embranquecera com o passar dos anos. Era mais rápido e por isto mais instável e perigoso do que os modernos caiaques abertos em plástico de alto impacto, como os dois que seguiam na expedição, completa por dois stand ups. Um a um, todos se reuniram em remadas lentas até o mole de pedra exposto pelas águas rasas, após contornarem à direita na ilhota fluvial em frente. Dali, ainda em águas sanjoanenses, era atravessar a largura da foz do Paraíba até ganhar a outra margem, já em São Francisco de Itabapoana.

Com o nordeste fraco do retorno na corrida agora querendo virar sudoeste, felizmente também sem força, o round de estudos entre os ventos agitava algumas marolas no leito do rio. Concentrado no peso do seu corpo sentado, em sua respiração, no ritmo e na força das remadas necessários ao equilíbrio do barco, não sentia mais a cintura encaixada nele, mas à própria foz. E foi assim, vendo crescer a margem oposta, sem desacelerar do início ao fim o remo girando com seus ombros e braços sobre o dorso do rio, que se viu de súbito na matéria dos versos escritos anos atrás:

 

“ao alcançar a outra margem, não era

mais o mesmo homem, nem mesmos

eram os rios atravessados, múltiplos

a desaguar no Um que a todos gera”

 

O carnaval, o rio, o homem, as cinzas e seus limites agora eram outros.

 

Publicado hoje na edição impressa da Folha.

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Nildo Cardoso espera de braços abertos os insatisfeitos com Garotinho

A mesma oposição que acredita poder ganhar mais cadeiras com deserções da bancada rosácea na Câmara Municipal, não se importa em caminhar unida em outubro quando o objetivo é uma cadeira na Câmara Federal. Líder desta oposição no Legislativo goitacá e vereador mais votado na eleição de 2012, o pemedebista Nildo Cardoso atribuiu a decisões partidárias diferentes o fato dele e o petista Makhoul Moussallem entrarem na mesma disputa a deputado federal, na qual, quem for eleito, se cacifa para disputar a Prefeitura de Campos em 2016. Antes de projetar a sucessão da prefeita Rosinha, a quem cobrou transparência na aplicação do orçamento bilionário, Nildo prefere esperar o resultado de outubro próximo e seguir o dito popular: “Não devemos colocar a carroça na frente dos bois”. Ele não disse se já conversou com os prefeitos de Macaé e SJB, respectivamente Dr. Aluizio e Neco, sobre a campanha de Luiz Fernando Pezão a governador, mas aposta na força regional do PMDB para pressionar os vereadores que preferiu não nomear, embora tenha citado os órgãos estaduais onde eles teriam benesses, mesmo ainda apoiando os Garotinho.

 

Nildo Cardoso

 

Folha da Manhã – Sua pré-candidatura a deputado federal, depois que o petista Makhoul Moussallem já havia anunciado a dele, não divide outra vez a oposição de Campos?

Nildo Cardoso – A decisão da pré-candidatura a deputado federal de Makhoul é uma decisão do PT e a de Nildo Cardoso é do PMDB. É uma eleição com candidaturas decididas em nível estadual.

 

Folha – Caso Makhoul consiga se eleger em outubro, a candidatura dele a prefeito em 2016 é tida como certa. Se você se eleger, vale a mesma lógica? E se ambos conquistarem um mandato em Brasília?

Nildo – Primeiramente, eu estou focado na pré-candidatura a deputado federal, e a eleição de 2016 é um processo para ser discutido após o pleito de 2014. A política é muito dinâmica e o tempo me ensinou, como diz o povo do interior: “Não devemos colocar a carroça na frente dos burros”.

 

Folha – Não poderia desistir da sua pré-candidatura para apoiar a tentativa de reeleição do deputado federal Leonardo Picciani (PMDB)?

Nildo – Não, porque a decisão da minha pré-candidatura foi tomada pela cúpula do PMDB, para que a região tenha um representante do PMDB na Câmara Federal.

 

Folha – Da Câmara Federal à Municipal, você já se pronunciou em plenário sobre vereadores da base de apoio à prefeita Rosinha (PR) que  usufruiriam também de benesses no governo Sérgio Cabral (PMDB). Quem são eles? Quais suas benesses? Quando e como poderiam ser obrigados a optar entre uma coisa ou outra?

Nildo – Usufruíram e continuam usufruindo, mas em respeito aos nobres vereadores, prefiro não mencionar nomes. Como conseguiram as benesses, eu não sei, mas eles estão presentes na secretaria estadual de Agricultura, no Detran, na Fundação para a Infância e Adolescência, no Detro e em outros municípios administrados pelo PMDB. Depois das definições das candidaturas, aí, sim, chegará a hora da verdade.

 

Folha – Com a pré-candidatura do senador Marcelo Crivella a governador, e o controle mais firme do PRB sobre seus filiados, podemos considerar que a Câmara de Campos hoje tem seis vereadores na oposição, com Alexandre Tadeu e Dayvison Miranda?

Nildo – Estamos de portas e janelas abertas para quem quiser se unir à oposição. Como líder da oposição não irei discriminar ninguém. Quem estiver insatisfeito, será bem vindo à base da oposição, mas desde que compartilhe da nossa principal missão, que é fiscalizar e cobrar transparência na aplicação dos recursos públicos, que chega a casa dos R$ 2,5 bilhões.

 

Folha – O vereador Marcão revelou (aqui) que, diante da possibilidade de perder para governador, Garotinho anteciparia a eleição da mesa diretora, para garantir o controle da Câmara no último biênio de Rosinha. O assunto ainda não entrou em pauta. Qual a sua avaliação?

Nildo – Está chegando agora ao meu conhecimento essa possibilidade de antecipação. Inicialmente, a lei permite que seja feita a eleição antecipada. Hoje, com o número de vereadores que dão sustentação à base do governo municipal, eles não teriam a dificuldades em eleger a próxima mesa. Mas, a política é muito dinâmica. A oposição poderá ter adesões importantes e, assim, uma disputa em igualdade de condições.

 

Folha – Quem acompanha a Câmara e tem acesso aos seus bastidores, sabe que você tem uma entrada com o presidente Edson Batista (PTB) da qual não gozam muitos vereadores governistas. Como mantêm essa relação?

Nildo – É uma relação de respeito, pois o presidente da Câmara não é presidente de situação ou da oposição, e sim o presidente da Câmara de Vereadores. Ele sabe o que é uma oposição, ele já pertenceu ao grupo de oposição G-8, onde eu fui o líder no meu primeiro mandato. Portanto, ele respeita a minha posição política.

 

Folha – Seus colegas de oposição admitem que você, entre eles, é o mais temido, pelo muito que sabe dos meandros da Câmara e suas relações nem sempre assumidas com a Prefeitura. Se esse temor existe, o que você sabe para causá-lo?

Nildo –F O respeito é a minha trajetória política e os 6.339 votos recebidos, após quatro anos afastados da Câmara Municipal, sendo o vereador mais votado no pleito de 2012 pelo partido da oposição PMDB. Eu não tenho nenhuma relação com o poder Executivo e nenhuma benesse. Eu não abro mão do meu papel de fiscalizador e de cobrar transparência nas ações do poder Executivo municipal e na aplicação dos recursos públicos, que têm que ser usados para o benefício da população campista

 

Folha – Vice-governador e pré-candidato à sucessão de Cabral, Luiz Fernando Pezão já teria fechado (aqui e aqui) a coordenação da sua campanha na região com os prefeitos Dr. Aluizio (PV), de Macaé, e Neco (PMDB), de São João da Barra. Já conversou com os dois?

Nildo – Estamos no mesmo projeto político e com certeza iremos fazer o melhor. Nós acreditamos ser o melhor para o Estado do Rio e principalmente para a região. Após o carnaval, intensificam-se as reuniões com os partidos aliados e todos com o mesmo objetivo.

 

Folha – Apesar de ter pré-candidatura própria a governador, com Lindbergh Farias, não é segredo que o PT federal também veria com bons olhos a eleição de Pezão ou Crivella, menos de Garotinho. Isso pode ser o fiel da balança?

Nildo – Eu, como presidente do diretório municipal, estou seguindo as orientações do presidente regional do PMDB Jorge Picciani. Estamos empenhados no projeto do PMDB. As articulações são em nível regional.

 

Folha – Quem disputará com você uma cadeira de deputado federal será o atual Paulo Feijó (PR). Passado aquele episódio de 2008, quando ambos estavam no PSDB e ele o impediu de tentar se reeleger vereador, ficou alguma mágoa? Como viu a migração dele para o grupo de Garotinho?

Nildo – Eu não acredito que seja só o referido deputado que disputará a próxima eleição para deputado federal. Eu ganhei muita maturidade e experiência política para retornar a Câmara como o vereador mais votado. Estou pronto para encarar qualquer desafio, preparado e mais atento aos aliados de momento, preservando sempre a minha família e os meus amigos, que permaneceram os quatro anos ao meu lado, me apoiando. Cada um escolhe o seu destino, sendo que o futuro dirá se o caminho escolhido foi o melhor. Em 2002, o deputado foi eleito pelo PSDB, com mais de 110 mil votos, sendo que teve o meu apoio. Já na ultima eleição, em 2010, teve 22 mil votos pelo PR. Espero ter respondido à sua pergunta.

 

Folha – Em entrevista recente, Feijó disse (aqui) que considerava Rosinha “a prefeita de melhores resultados na história de Campos”. Como líder da oposição na Câmara, que leitura fez dessa declaração?

Nildo – A leitura que eu faço é a seguinte: ela conseguiu se reeleger, mas no que diz respeito à gestão pública, deixa muito a desejar, porque não existe transparência. Qualquer pedido de informação para esclarecer a aplicação dos recursos públicos é negado pela base da prefeita. A saúde publica está péssima, a educação tem um dos piores índices do Estado do Rio, o transporte público está sucateado, com os repasses para as empresas congelados há cinco anos. Temos obras intermináveis, com aditivos duvidosos; 50% dos R$ 2,5 bilhões para gastar como desejar, sem precisar do aval dos vereadores, como foi aprovado na Câmara Municipal pela base rosácea para o orçamento de 2014.

 

Folha – Como um partido como o PMDB, um dos maiores do Brasil e detentor há quatro mandatos do governo fluminense, pode ter em Campos uma representação tão pequena, onde apenas você figura como quadro eleitoral forte?   

Nildo – Com a saída do grupo anterior, migrado para o PR, foi deixada uma dívida de R$ 480 mil, com parcelas não pagas, originadas da multa pela apreensão de R$ 350 mil na sede do partido, na eleição de 2004. Deixaram o partido sem receita e com dívidas, e o processo se encontra sobre a responsabilidade do jurídico do PMDB regional. Na véspera do período de filiação para a eleição de 2012, ou seja, setembro de 2011, vários pré-candidatos com potencial e ex-vereadores se desfiliaram do partido. Permaneci no PMDB, correndo o risco de não me eleger por falta de legenda, mas com a coligação com o PSD, conseguimos eleger dois vereadores. E por ter sido eu o mais votado e a única representação do PMDB, fui convidado para lançar a minha pré-candidatura a deputado federal para representar Campos e região.

 

Publicado hoje na edição impressa da Folha.

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Morre Karina Lucas, mãe de Bárbara

Karina e Bárbara

 

Após mais de 20 dias de luta pela vida, no Hospital Público de Macaé, faleceu hoje a fisioterapeuta Karina Vieira Ribeiro Gomes Lucas de Azevedo, de 33 anos. Ela estava internada lá desde 16 de fevereiro, após um acidente na BR 101, na altura de Silva Jardim, no qual morreram sua filha, Bárbara Ribeiro Gomes Lucas Aquino de Azevedo, de apenas 4 anos, e Alessandro Costa Rachid, de 38, condutor do Honda Civic preto de propriedade de Karina, que colidiu com um Focus Hatch prata, em sentido contrário. A morte da mãe foi o último capítulo de uma tragédia que comoveu a cidade, consternada desde a morte da filha. No último dia 18, ao se manifestar numa das incontáveis demonstrações de solidariedade recebidas nas redes sociais, o cirurgião plástico Victor Hugo Aquino de Azevedo, pai de Bárbara e marido de Karina, deu aqui seu testemunho: “Eram unidíssimas, como elas se amavam. Jamais uma sobreviveria sem a outra. Que amor de Mãe”.

Atualização às 12h19: O corpo de Karina está sendo encaminhado neste momento do Hospital Público ao Instituto Médico Legal (IML) de Macaé, para atestar o óbito e mandar o registro ao cartório daquele município, visando a liberação para o enterro. Como os cartórios, no sábado, fecham ao meio-dia, é certo que o traslado do corpo de Macaé a Campos só poderá ser feito amanhã. Ainda não confirmada, a previsão é que o velório e o sepultamento ocorram no cemitério Campo da Paz, onde Bárbara, filha de Karina, foi enterrada no último dia 19.

Atualização às 12h50: Desde o acidente do dia 16, que matou Bárbara e Alessandro, e ao qual Karina hoje não resistiu, a melhor cobertura de longe sobre o caso, em toda a mídia local, foi feita aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui e aqui pelo “Ponto de Vista” do Christiano Abreu Barbosa, que não é de hoje tem se destacado como um dos blogs de maior credibilidade e mais acessados de Campos. A cobertura do caso só foi assumida hoje por este “Opiniões”, com um desfecho contrário aos desejos e orações de toda uma comunidade, devido à ausência momentânea de Christiano, que aproveitou o período de carnaval para um merecido descanso fora da cidade, como ele próprio justificou aqui, na democracia irrefreável das redes sociais. Por meu irmão, por mim, minha família e toda a redação da Folha, nossos pêsames mais sinceros à família de Karina!

Atualização às 16h55: Diferente do que foi dito na primeira atualização, o corpo de Karina segue ainda esta noite para Campos. Seu corpo será mesmo velado no cemitério Campo da Paz, onde será enterrado às 17 h de amanhã na mesma sepultura da sua filha Bárbara. O início do velório ainda não foi definido pela família, mas pode ser tanto ainda hoje à noite, quanto amanhã de manhã.

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Convocação de Clarissa a Magal em 2013 agora não está nas suas dobradas para 2014

(Montagem de Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)
(Montagem de Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)

 

Sempre atenta, sob comando do jornalista Antunis Clayton, a assessoria do vereador Jorge Magal (PR) lembrou que  aprovação pessoal da deputada estadual Clarissa Garotinho (PR) à pré-candidatura do edil à Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro (Alerj), em outubro próximo, não é de agora. Em 13 de julho de 2013, numa reunião em Campos com o grupo político de Magal, Clarissa afirmou:

— Então, nosso plano já está montado: Garotinho, governador. E eu quero ir para Brasília. Para quê? Para que a gente continue tendo a representação política que a gente tinha lá, para que a gente possa renovar, colocar gente jovem na Câmara dos Deputados, para que a gente possa fazer uma política com seriedade. Mas nós não podemos esquecer da Alerj. Eu estou saindo da Alerj, mas tem outros que precisam entrar. Então, Magal, você tem que ser candidato a deputado estadual.

Como se vê, o apoio da deputada ao vereador veio numa assertiva convocação ao seu lançamento à Alerj. O fato foi noticiado aqui, no blog “Na curva do rio”, da jornalista Suzy Monteiro, assim como aqui, na Folha Online, em matéria do jornalista Mário Sérgio Junior, além de aqui e aqui, no blog de Magal. De fato, quem visse e ouvisse Clarissa, em julho de 2013, como todos que noticiaram sua fala, teria a mesma impressão da proposta pública de dobrada para outubro de 2014, dela para federal, com o vereador para estadual — possibilidade que ela não abriu aqui, em seu comentário feito na noite de ontem neste “Opiniões”, reproduzido hoje aqui, na forma mais relevante de post. Agora, Clarissa só cogita casar chapa com os pré-candidatos à Alerj Bruno Dauaire (PR), Geraldo Pudim (PR) e Kitiely Freitas (PR), vereadora como Magal, mas em Quissamã.

Abaixo, à livre interpretação do leitor, o que disse Clarissa, ao lado de Magal:

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Clarissa: Não existe candidatura que “corre por fora”

Aqui, em comentário ao post abaixo, a deputada estadual e pré-candidata a federal Clarissa Matheus (PR), deu sua versão sobre as análises feitas antes por ela, aqui, em entrevista ao jornalista Alexandre Bastos, na Folha da Manhã, sobre as pré-candidaturas do PR na região, visando disputar a eleição de outubro próximo. Abaixo, na relevância maior de post, os esclarecimentos de Clarissa:

 

Clarissa (foto de Mariana Ricci - Folha da Manhã)Compareci à sede da Folha a convite do jornalista Alexandre Bastos, por quem tenho muito respeito, para conversar sobre a estratégia partidária de fortalecimento de candidaturas femininas. Essa foi a razão de estar acompanhada da vereadora Kitiely Freitas. Evidentemente, Bastos me fez muitas perguntas sobre o governo municipal, estadual, eleição presidencial e estratégias partidárias na região. Minhas palavras podem ter sido mal interpretadas, mas jamais tive a intenção de vetar o nome de qualquer companheiro na disputa, seja para a Alerj ou para a Câmara Federal. Não existe candidatura que “corre por fora”. Ou a pessoa tem a vaga, ou não tem. Funciona assim em todos os partidos políticos. Eu me referi às possíveis dobradinhas que já estavam se desenhando… Minha com Kitiely, Bruno e Pudim. E de Feijó com o Pastor Éber. Quanto aos demais, as conversas ainda não avançaram, embora existam claramente preferências pessoais. Fui inclusive indagada pelo repórter se não seriam candidatos demais da região, contando todos os nossos possíveis candidatos que só serão referendados na convenção e os nomes da oposição. Respondi que considerando os votos válidos Campos pode, sozinha, eleger 8 deputados de 30 mil votos. Ou 5 de 50 mil, e ainda sobrar. O grande problema não é o número de candidatos da região, mas sim o número de candidatos que não tem nenhuma identificação com a região, levam os votos e depois nem retornam aos nossos municípios. Se de alguma maneira minhas palavras não foram bem interpretadas ou expressas inadequadamente por mim, peço desculpa aos meus companheiros de partido. E aproveito o espaço do seu blog para publicamente fazê-lo.

Tenho respeito pelo vereador Gil Viana, tenho carinho pelo vereador Magal e tenho admiração pelo trabalho do vereador Paulo Hirano, a quem tive a honra de homenagear no ano passado na Assembleia Legislativa pela iniciativa pioneira de implantar a vacina do HPV gratuitamente nos postos de saúde de Campos.

Todos os nomes ouvidos por este blog tem plenas condições de disputar as eleições e serão definidos na convenção de Junho. Todos os pré-candidatos tem legitimidade para colocar seu nome à disposição da sociedade e todos tem contribuído de maneira significativa com o projeto da prefeita Rosinha de fazer de Campos uma cidade mais bonita, mais próspera e melhor para se viver.

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Na corrida por dentro à Alerj, Hirano, Magal e Gil respondem a Clarissa

Clarissa, quando esteve na Folha para garantir a candidatura à Alerj de Kitiely, vereadora de Quissamã

 

Não caíram bem na base de apoio à prefeita Rosinha Garotinho (PR), na Câmara de Campos, as declarações da deputada estadual e pré-candidata a federal Clarissa Garotinho (PR), sobre quem no seu partido já teria candidatura certa à disputa da Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro (Alerj), em outubro. Após procurar a redação da Folha, na manhã do último dia 24, a filha do casal Garotinho disse (aqui) ao jornalista Alexandre Bastos que estariam com as vagas asseguradas Geraldo Pudim, Éber Silva e Bruno Dauaire, além da vereadora quissamaense Kitiely Freitas, que a acompanhou na visita. Já sobre as chances dos vereadores campistas Paulo Hirano, Jorge Magal e Gil Vianna, Clarissa se limitou a dizer que os três “correm por fora”.

Confira abaixo o que cada um dos edis de Rosinha achou das considerações da deputada:

 

Hirano1Paulo Hirano — Não tem ninguém correndo por fora. Até que as convenções definam quem serão os candidatos do PR de Campos a deputado estadual, todos correm por dentro, inclusive quem tem serviços prestados na defesa do projeto que levou a prefeita Rosinha (PR) ao poder e nele o mantém com altos índices de aprovação. E têm direito de achar o mesmo quem está no PR de outros municípios, como é o caso de Kitiely, em Quissamã, ou de Bruno Dauaire, em São João da Barra. No meu caso, ciente de que política é uma prática de grupo, posso dizer que Garotinho, nossa liderança maior, está ciente de todos os nossos passos em direção a outubro, desde que se cogitou lançar meu nome a deputado federal, como chegamos a falar (aqui), até depois, quando Feijó questionou a divisão de votos que sua tentativa de reeleição poderia sofrer, e a ideia do grupo passou a ser minha pré-candidatura a deputado estadual. Foi uma decisão de grupo. Portanto, volto a repetir: não há ninguém correndo por fora. É no grupo, dentro dele, que vamos tomar as decisões para outubro, a reboque do projeto maior deste mesmo grupo, que é eleger Garotinho mais uma vez governador.

 

MagalJorge Magal —  Confio naquilo que o jornalista Alexandre Bastos e a Folha publicaram. E sendo assim, não tenho como não questionar a deputada Clarissa quando ela diz que eu e os colegas vereadores Paulo Hirano e Gil Vianna estamos “correndo por fora”, na luta pela candidatura a deputado estadual. Não entendi a fala dela neste sentido. Ou eu estou dentro, ou não estou. Quem corre por fora é porque está fora do grupo. E este não é, nem nunca foi, o meu caso. Nós somos do partido em Campos, como a Kitiely é do partido em Quissamã, e Bruno Dauaire, do partido em São João da Barra. Não esperamos que Clarissa possa definir tudo numa frase, pela sua vontade. Nós estamos esperando a definição de Garotinho. Lá atrás, numa reunião no final do ano passado, quando oito eram os nomes postos pelo PR em Campos para se lançarem a deputado estadual, Garotinho definiu numa reunião que seriam quatro: Pudim, Éber, Gil e eu. Depois, quando ficou decidido que Hirano não viria mais a federal, mas a estadual, ele também entrou nessa disputa. E quem vai defini-la é o próprio Garotinho, mais ninguém.

 

Gil ViannaGil Vianna — Como sempre, reagi à declaração de Clarissa com muita tranquilidade, muita objetividade. O partido tem um presidente regional, que é o deputado federal e nosso futuro governador Anthony Garotinho. É ele, portanto, que eu e todos os demais correligionários, de Campos e outros municípios, temos que ouvir. Clarissa é filha dele, faz parte do partido, mas quem decide é Garotinho. Quando ele disser, quando ele definir, se o meu nome não for escolhido, se ele entender que é melhor assim, tudo bem. Faço parte de um grupo e trabalharei pelos nomes que forem escolhidos para representar o grupo. Mas, até lá, eu não estou correndo por fora, estou por dentro, na briga, tanto quanto qualquer outro. Até porque, Bruno é de São João da Barra, e Kitiely, de Quissamã. Em Campos, assim como os companheiros Paulo Hirano e Magal, eu tenho consciência de que meu trabalho está sendo feito na Câmara. Até Garotinho definir os nomes, o que deve acontecer no final ainda deste mês, tudo mais que se disser sobre isso será só especulação. E não se pode perder de vista que quem especula, o faz de acordo com seus interesses.

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Aluizio Siqueira defende Neco e diz: “Se há Judas nessa história, não somos nós”

Sem citar uma única vez o nome de Carla Machado, ex-prefeita de São João da Barra e pré-candidata a deputada estadual, o presidente reeleito do Legislativo municipal Aluizio Siqueira entoou como mantra sua fidelidade ao prefeito Neco, ao PMDB e à pré-candidatura a governador de Luiz Fernando Pezão. O vereador só demonstrou irritação com a insistência em se saber mais sobre a aproximação do seu grupo político e de Neco, a quem considera “a maior liderança política da região”, com Garotinho. Sobre a explosão da violência nas praias sanjoanenses neste verão (aqui), apontou como solução a instalação de uma Companhia Independente da PM no município. Quanto ao racha de Neco, e por tabela seu, com Carla, ressalvou: “Se tem Judas nessa história, não somos nós”.

 

Aluizio Siqueira

 

Folha da Manhã – Você ressaltou (aqui) a unanimidade na sua reeleição à presidência da Câmara. Tirar a vice-presidência da Soninha Pereira (PT), vereadora sabidamente ligada à ex-prefeita Carla Machado (PT), fez parte desta unanimidade?

Aluizio Siqueira – Na reunião após definido a composição da mesa na primeira eleição, surgiu a pergunta sobre a próxima eleição. E a resposta foi: “Vocês se entendam entre vocês”. A partir daí, a liberdade para cada um se articular e demonstrar aos outros o seu interesse. A vereadora Sônia, em uma conversa no gabinete da Câmara, declarou que votaria com o que o grupo decidisse, estando ela na mesa ou não. Daí a unanimidade.

 

Folha – Mesmo ressaltando que sua reeleição foi desejo dos vereadores, você também admitiu que Neco (PMDB) sabia de todos os passos na definição da nova mesa diretora. Como não atribuir ao prefeito a condução desse processo, assim como Carla fez na sua primeira eleição a presidente do Legislativo?

Aluizio – Pelo  simples fato do prefeito não ter telefonado, ou conversado com os vereadores para reconduzir ou colocar alguém na mesa. Mas, volto a dizer, de cada passo, de cada conversa para a eleição que aconteceu, ele era informado.

 

Folha – Embora tenha ressalvado que caberia aos dois responderem, você admitiu que há indícios do rompimento entre Neco e Carla. Quais são?

Aluizio – O posicionamento político, a mudança de partido, o apoio a pré-candidatos ao governo do Estado diferentes, ataques a membros do governo em redes sociais, etc. Algo mais, cabe aos dois responder.

 

Folha – Até que ponto o fato de Carla ter se desligado do PMDB, no qual você e Neco se mantém, para migrar ao PT do pré-candidato a governador Lindbergh Farias, deu a vocês carta branca com o comando estadual do partido para romper com a ex-prefeita?

Aluizio – Estou no PMDB desde setembro de 2011, me reelegi vereador em 2012 para meu segundo mandato, com 1.300 votos. O prefeito Neco entrou no PMDB em 2003,se reelegeu vereador em 2004 e 2008, sendo o mais votado no pleito, e em 2012 elegeu-se prefeito. Nós continuamos no PMDB, acreditamos no PMDB e vamos trabalhar para o pré-candidato a governador do PMDB, Pezão. Quanto à carta branca, nosso pré-candidato Pezão deu ao prefeito Neco, para que São João da Barra seja o QG da sua campanha no Norte Fluminense.

 

Folha – Em comentários em blogs (aqui e aqui), que parecem reproduzir o pensamento de parte do eleitorado sanjoanense, você e Neco são tratados de “Judas”, pelo afastamento e possível rompimento com Carla, fundamental na eleição de um e outro. Como mudar essa imagem?

Aluizio – Se tem Judas nessa história, não somos nós. Estamos no PMDB, onde fomos eleitos. Sobre comentários, principalmente em blogs, e você como blogueiro, diga-se de passagem de um blog sério, sabe que nem todos tem o cuidado de manter o nível de seus comentários e se prevenir de fakes. Nosso objetivo é trabalhar por São João da Barra.

 

Folha – Você também declarou que, caso se confirme o racha com Carla, ficaria com Neco. Faria o contrário se ela fosse a prefeita?

Aluizio – Acredito que na política só alcançaremos vitórias trabalhando em grupo. Fui eleito junto com o prefeito Neco para trabalhar pelo município. Sei da sua sensibilidade com os problemas da população, confio nas suas boas intenções e capacidade de administrar. Assim como, quando fui eleito no palanque do governo passado, do qual fui líder, o defendi arduamente nos momentos mais difíceis.

 

Folha – SJB tem duas pré-candidaturas fortes à deputado estadual: Carla e Bruno Dauaire (PR), que tem o apoio dos irmãos Clarissa e Wladimir Garotinho (aqui). Isso sem contar o vereador Kaká (PT do B). Com quem vocês caminharão?

Aluizio – Convenções partidárias ainda não foram realizadas, nenhum nome foi ainda confirmado como candidato. Quando essa questão for resolvida, sentaremos com nosso prefeito Neco, atualmente a maior liderança política da região, e com o PMDB, para definirmos com quem caminharemos. Como pré-candidato forte no município o mais presente e atuante na comunidade é o vereador Kaká, que pode surpreender em outubro.

 

Folha – A relação próxima de Neco com o presidente da Alerj, Paulo Melo (PMDB), pode fazer com que o partido em SJB apoie um candidato de fora? Como isso se explicaria, diante de três opções locais, a um eleitor tão bairrista quanto o sanjoanense?

Aluizio – Não temos nomes definidos. A relação do prefeito com o presidente da Alerj é institucional e de amizade. Essa boa relação tem trazido bons frutos para o município. Após essa definição, conversaremos com o prefeito, com nosso grupo político e a direção do PMDB, para juntos decidimos com quem caminharemos. Vale lembrar a fidelidade partidária.

 

Folha – Acha que o rompimento entre Neco e Carla prejudica mais a ela, pela perda de apoio da máquina municipal na corrida à Alerj, ou a ele, pelo trabalho que a ex-prefeita poderia dar se, independente de outubro, assumir a oposição local?

Aluizio – Acho que com o rompimento todos perdem, pois política se faz em grupo e “um reino divido não prospera”. Sobre quem assumirá a oposição ou não, sinceramente, estou preocupado em continuar trabalhando pela população sanjoanense, como sempre fiz.

 

Folha – Consta que você comentaria a boca pequena que Neco lhe deve o fato da Câmara, na prática, hoje ser integralmente governista. Essa dívida, se existe, estaria paga com sua reeleição à presidência? Como teve êxito nesse trabalho de pacificação, após a oposição no Legislativo ter criado tantos danos no último governo Carla?

Aluizio – O prefeito Neco não me deve nada. Eu que na questão pessoal devo a ele. Como todos sabem, estou com um filho passando por tratamento de saúde na cidade do Rio de Janeiro, e o prefeito Neco  tem sido de uma amizade e companheirismo que só pratica quem gosta da gente de verdade. Já a pacificação veio naturalmente, pelo  estilo democrático e de respeito em lidar com os oito vereadores. Desde que assumi a presidência, todos os vereadores são tratados igualmente, tendo condições e estrutura para trabalharem.Vale ressaltar a habilidade do prefeito em tratar e ouvir os nove vereadores. Prova disso foi a visita histórica de todo legislativo junto com o prefeito a Brasília.

 

Folha – Além de Kaká, o outro edil teoricamente de oposição é Franquis Areas (PR), eleito na nova mesa como segundo secretário. Você disse ter sido para honrar os 1.409 eleitores que fizeram dele o vereador mais votado de SJB. Além do jogo para a galera, ter Franquis próximo não é também manter a boca do túnel aberta com o deputado federal Anthony Garotinho (PR), no caso deste vencer o jogo para governador?

Aluizio – Sou vereador e não jogador, que faz graça na ânsia de aparecer. Tenho trabalhado com seriedade para o bem comum e para que o Legislativo desempenhe suas funções da melhor maneira possível em prol da sociedade sanjoanense. O vereador Franquis manifestou o desejo de ocupar um lugar na mesa, para contribuir com o trabalho e o clima de paz que se instalou na Câmara, tendo sido eleito por unanimidade. Não preciso abrir boca de túnel nenhuma, pois a luz no fim do túnel que pretendo atravessar é o pré-candidato do PMDB Pezão.

 

Folha – Até que ponto a participação rápida de Ranulfo Vidigal no governo Neco endossaria, ou não, essa comentada aproximação do seu grupo com Garotinho?

Aluizio – Achei que esta especulação já havia se perdido. O próprio ex-secretário, quando entrou e saiu do governo, deixou claro que não tinha mais ligação com o grupo do PR.

 

Folha – Fechado com Pezão (PMDB) a governador, sem fechar as portas com Garotinho, o pior dos mundos para o seu grupo seria a eleição de Lindbergh? Assim como Campos, SJB só define seu quadro após outubro?

Aluizio – Sobre a pré-candidatura de Pezão, o grupo está fechado. Quanto a não fechar portas para o PR é uma análise sua. Sobre outros pré-candidatos, não houve convenção e não tem candidatura definida. Já a eleição de 2016, vamos aguardar passar a 2014.

 

Folha – Como vê a escalada da violência nas praias de SJB, nas quais já foram registrados 11 homicídios neste verão (aqui)? Neco teve uma reunião na quarta com representantes da Polícias Civil, Militar e Rodoviária Federal, além da Guarda Civil, para tratar da segurança no Carnaval. De prático, como estancar a violência que acompanha os royalties e o Porto do Açu? 

Aluizio – Junto com o Executivo, a Câmara vem trabalhando muito esse problema nacional que se chama violência. Fizemos requerimento solicitando ao governador a implantação de uma Companhia Independente da PM, realizamos audiência pública na Câmara com a Policia Civil, a PM, a PRF e a Guarda Municipal. No início deste ano, encaminhamos ofícios às autoridades de segurança pública, solicitando aumento de efetivo, trabalho em conjunto e operações que visam à redução da violência, o que vem ocorrendo. Ressalto o sucesso nas soluções dos crimes por parte da Polícia Civil, e as apreensões da PM e PRF. Por último, acreditamos que a implantação da Companhia Independente da PM em SJB aumentará o efetivo e as condições dos policiais enfrentarem a criminalidade, consequentemente, aumentando a segurança da população. No mais, agradeço a oportunidade e que Deus abençoe nossa São João da Barra.

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