Empate sem gols pode bastar para chegar às oitavas, mas Brasil precisa de mais

E ficou no 0 a 0. Com grandes defesas do goleiro Ochoa, e sem nenhum erro capital do juiz, o México confirmou o equilíbrio do seu retrospecto recente com o Brasil e parou o dono da casa, hoje na Arena Castelão, em Fortaleza.  Após chamar o Brasil para o seu campo defensivo no primeiro tempo, os mexicanos voltaram ao segundo tentando pressionar, arriscando chutes perigosos de fora da área.  O volante Vásquez, aos 9 minutos; o meia Herrera, aos 11; e Guardado, aos 14, deram sustos em Júlio César, com bolas para fora, mas sempre próximos ao gol.

A pressão mexicana durou até uma falta dura, aos 16 minutos, que valeu o cartão amarelo a Vásquez, sobre Neymar. Ele mesmo cobrou, com a bola saindo após roçar o ângulo direito de Ochoa. A partir daí, quem partiu para o ataque foi o Brasil, com Jô como nova referência de frente, após substituir Fred, que saiu vaiado pela torcida aos 22. Um minuto depois, numa blitzen brasileira sobre a área mexicana, Bernard (que começou o segundo tempo no lugar de Ramires) cruzou da esquerda. Neymar matou no peito e chutou de canhota dentro da área, obrigando Ochoa a uma grande defesa.

Aos 30, com as tabelas do Atlético Mineiro ainda na memória, Bernard enfiou para Jô penetrar na área pela esquerda, mas o chute cruzado do atacante saiu pela linha de fundo no lado oposto. Aos 40, uma cobrança de falta de Neymar, também pela esquerda, achou Thiago Silva dentro da pequena área, que cabeceou à queima roupa em mais um milagre operado pelo goleiro mexicano.

Como a bola não entrava, o lateral Marcelo invadiu a área do México pela esquerda e, pressionado por Jimenez, se jogou na área, mesmo com a possibilidade de seguir no lance. Mas diferente do que ocorreu contra a Croácia no polêmico lance de Fred, o árbitro turco Çüneyt Çakir não entrou na encenação brasileira. Aos 45, o mesmo Jimenez bateu uma bomba na quina esquerda da área de Júlio César, colocando o goleiro brasileiro para também trabalhar.

No apito final do juiz, os mexicanos comemoram o empate, que os coloca iguais ao Brasil em números de pontos (4), na disputa pela liderança do Grupo A, mesmo que o técnico time da Croácia vença amanhã, em Manaus, no jogo que fecha a rodada, a desorganizada seleção de Camarões. Quanto ao time de Felipão, esse primeiro empate da Seleção sob seu comando num jogo de Copa (incluindo a campanha do Penta, no Japão e na Coréia do Sul, em 2002) pode ser suficiente para garantir a vaga às oitavas, mas a partir daí, as dificuldades certamente serão maiores do que a boa atuação de um goleiro.

 

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Primeiro tempo sem gols, mas com duas defesas difíceis do goleiro do México

Tecnicamente, foi um primeiro tempo bem abaixo do que contra a Croácia. Diferente desta, a seleção do México abriu mão de disputar o jogo no meio, preferindo se defender na sua metade do campo e explorar os contra-ataques, com apoio dos seus laterais, sobretudo o esquerdo Layun, na tentativa de explorar a velocidade e habilidade dos seus homens de frente: Giovanni dos Santos e Peralta. Também com apoio dos seus laterais, o Brasil aceitou o convite e tentou atacar, obrigando Ochoa a duas defesa difíceis. A primeira aos 25 minutos, numa forte cabeçada de Neymar, após cruzamento de Daniel Alves da direita, que o goleiro tirou rente à trave esquerda, em cima da linha do gol, como mostrou depois o tira teima eletrônico da Fifa. A outra, aos 43, num chute à queima roupa de Paulinho, dentro da área, após um passe de peito do zagueiro Thiago Silva.

Emboda com menos trabalho, Júlio César também fez uma defesa difícil, aos 23, ao desviar com a ponta dos dedos o chute forte de fora da área do meia Herrera, ao 23. Ramires, que como previsto substituiu Hulk, não teve boa atuação e tomou um merecido cartão amarelo aos 44, após fazer falta dura. No seu lugar, o Brasil voltou ao segundo tempo com Bernard, na promessa de um time mais ofensivo.

 

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“Gentalha! Gentalha!” — Até o mexicano Quico se preocupa com a arbitragem

O comediante mexicano Carlos Villagrán, encarnando o Quico em 2013 (foto de Vanessa Carvalho - Ag. Estado)
O comediante mexicano Carlos Villagrán, encarnando o Quico em 2013 (foto de Vanessa Carvalho – Ag. Estado)

 

O ator mexicano Carlos Villagrán, que interpretou o personagem Quico na série “Chaves”, vai ver o jogo entre Brasil e México nesta terça-feira com o coração partido e preocupado com a arbitragem. Fã do Brasil, mas leal à sua terra natal, ele diz que vai torcer “0,0001%” a mais para o México. Seu medo são os juízes: “Quico” não foi com a cara dos árbitros de Brasil x Croácia e de México x Camarões.

Em entrevista por telefone ao G1, direto de Guadalajara, no México, de onde ele verá o jogo, o ator de 70 anos disse:

— Os árbitros estão falhando muito. Detesto injustiças. É uma festa grande de futebol. A honestidade e a justiça devem prevalecer. O árbitro apitou muito mal, anulou dois gols legítimos nossos — criticou Villagrán, sobre a estreia do México no grupo A, o mesmo do Brasil.

Melhor ver o Pelé

Villagrán viu Pelé jogar de pertinho na Copa de 1970. Um ano antes de estrear como Quico, ele era fotojornalista e registrou o tricampeonato brasileiro:

— Foi muito bonito. O Brasil era muito poderoso, a melhor seleção de todos os tempos. Só craque. Como fotógrafo, chegava muito perto de todos os jogadores do Brasil. Os mexicanos estavam loucos, aqui [o México] era como se fosse o Brasil, todos torciam por vocês”, lembra o ex-fotógrafo do jornal El Heraldo.

Naquele tempo, Villagrán se virava como fotógrafo, mas os sonhos eram diferentes:

— Sempre quis duas coisas. A primeira era ser jogador de futebol e a segunda, ser comediante. Na época, era mais fácil entrar na TV como comediante que no futebol, então fui.

“Quico” e “Chaves” disputavam o título de maiores fãs do futebol nos bastidores:

— Os mais fanáticos eram o Roberto Bolaños [criador e intérprete de Chaves]. Quando era época de Copa, parávamos sempre de gravar em dia de jogo. Só tinha trabalho depois da partida.

 

Fonte: G1

 

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Hulk deve dar vaga a Ramires na briga com o México pela liderança do grupo

Ramires deve ganhar a vaga de Hulk, cm dores, para manter a pegada do time contra o México
Ramires deve ganhar a vaga de Hulk, cm dores, para manter a pegada do time contra o México

 

Salvo uma surpresa, Hulk não deve jogar hoje, contra o México, a partir das 16h, na Arena Castelão, em Fortaleza (CE), pela liderança do Grupo A. Salvo outra surpresa, seu substituto não será Ramires. Apesar de ter feito uma ressonância magnética na manhã de ontem, já com a Seleção em Fortaleza, sem detectar nenhuma lesão, o atacante titular ainda sente o incômodo na parte posterior da coxa esquerda, que no último domingo (15/06) o tirou do coletivo na Granja Comary, em Teresópolis (relembre aqui). Por seu temperamento, se Felipão perguntá-lo, Hulk provavelmente escolherá jogar, mas escalá-lo seria correr o risco de perder um jogador fundamental no esquema tático do treinador. E priorizar uma partida de primeira fase que poderá causar desfalque para os jogos eliminatórios a partir das oitavas de final, não faz parte da cartilha pragmática de Felipão.

Mas por que Ramires, que é volante de origem, e não os meia ofensivos Willian, que se cogitava para o lugar de Oscar, ou Bernard, que entrou bem no lugar de Hulk, na vitória brasileira de 3 a 1 sobre a Croácia? Além da força física, da velocidade e do chute perigoso, a maior virtude de Hulk é reunir todas essas características ofensivas sem deixar de cumprir eficazmente seu papel na marcação, dando combate desde o campo adversário a subida do lateral-esquerdo. Por isso, o escolhido deve ser mesmo Ramires, que além de volante, atua também no seu clube, o inglês Chelsea, como meia direita. Foi nesta posição que Felipão lhe entregou o colete de titular dos dois últimos treinos da Seleção.

Se o gaúcho sempre foi um treinador preocupado com a marcação, o poder de pegada dos seus times, as precauções talvez não sejam desnecessárias contra uma seleção que, nos últimos anos, tem se tornado uma pedra na chuteira brasileira, tão chata quanto uma banda de mariachis. Contabilizados só os jogos oficiais neste século 21, foram 10 confrontos, com quatro vitórias para cada lado e dois empates. Isso sem contar a final das Olimpíadas de Londres em 2012, em Wembley, quando o México derrotou o Brasil por 2 a 1, com dois gols do atacante Peralta, que estará em campo hoje. Por sua vez, aquela Seleção Brasileira, ainda treinada por Mano Menezes, já tinha Neymar, Thiago Silva, Marcelo e Hulk, que marcou o gol de honra brasileiro, mas dificilmente irá a jogo hoje.

Nosso último carrasco olímpico, Peralta também marcou o gol da vitória de 1 a 0 contra Camarões, na boa estreia do México na Copa. Único porque o juiz colombiano Wilmar Róldan anulou os outros dois gols absolutamente legais marcados pelo grande nome da partida, o meia atacante Giovanni dos Santos, filho do ex-jogador brasileiro Zizinho (apenas homônimo do grande craque do Flamengo, Bangu e São Paulo, além de craque da Seleção Brasileira de 1950), o que reforçou as suspeitas das arbitragens estarem favorecendo o Brasil, já que a disputa pelas duas vagas às oitavas, em caso de empate no número de pontos, será definido pelo saldo de gols. Por esse motivo, os olhos mexicanos e de toda a mídia mundial estarão bem atentos a qualquer eventual equívoco do árbitro turco Çüneyt Çakir.

Se o Brasil quiser vencer, necessário também estar atento, não só aos homens da frete, como também a quem inicia quase todas as jogadas do time, na passagem da defesa ao ataque: o veterano zagueiro Rafa Máquez, cuja habilidade e visão de jogo já o fizeram jogar como meia. Hoje, atua como líbero do México, ficando na sobra na hora do combate e armando o jogo desde o seu campo de defesa. Além disso, não faria nenhum mal se nossos laterais Daniel Alves e Marcelo se incomodasse com as cobranças de Maradona (aqui), Paulinho reencontrasse seu melhor futebol, Oscar mantivesse o mesmo nível da bela atuação contra a Croácia, Neymar elevasse o seu um pouco mais e Fred finalmente entrasse em campo nesta Copa para fazer algo além de se jogar para cavar pênaltis.

De qualquer maneira, se o retrospecto recente contra o México projeta um confronto sem favoritos, relevante por outro lado constatar que a Seleção Brasileira venceu todas as três partidas em que os dois se cruzaram em Copa do Mundo — a primeira, por 4 a 0, também dentro de casa, foi em 1950.

 

 

 

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Chefe de estado é aplaudida e tem nome gritado pela torcida em jogo da Copa

Angela Merkel e Dilma Rousseff
Angela Merkel e Dilma Rousseff

 

 

 

 

Saudada pela torcida, a chanceler alemã acenou às arquibancadas da Fonte Nova (foto: Getty Images)
Saudada pela torcida, a chanceler alemã acenou às arquibancadas da Fonte Nova (foto: Getty Images)

 

A chefe de estado que tem sua seleção entre as principais favoritas para ganhar a Copa do Mundo, presente no jogo de estreia do seu time, sendo efusivamente aplaudida e tendo o nome gritado pela torcida. Bem, se esse era o sonho da presidente Dilma Rousseff e do PT, não deve ter sido fácil assistir à sua realização ontem, dentro do Brasil, por Angela Merkel (veja aqui). Anunciada oficialmente pelo sistema de som e com sua imagem transmitida ao vivo no telão da Fonte Nova, em Salvador, a chanceler alemã foi calorosamente saudada pela torcida de baianos, alemães e portugueses, antes de assistir à sua seleção, mesmo poupando o craque Bastian Schweinsteiger, aplicar uma goleada de 4 a 0 sobre Portugal de Cristiano Ronaldo.

Governador Jaques Vagner (PT) e sua esposa, antes do primeiro ser vaiado e da segunda responder com gestos obscenos, no carnaval de Salvador (foto de Fred Pontes)
Governador Jaques Vagner (PT) e sua esposa, antes do primeiro ser vaiado e da segunda responder com gestos obscenos, no carnaval de Salvador (foto de Fred Pontes)

Curiosamente, o contraponto com as vaias e xingamentos que Dilma recebeu da torcida paulista na abertura da Copa (relembre aqui), pode se tornar ainda mais constrangedor na comparação com a acolhida popular recebida por Merkel, se levado em consideração que a Bahia é governada pelo petista Jaques Wagner, também vaiado por uma multidão, por cerca de cinco minutos, no último carnaval de rua de Salvador (conheça o caso aqui). Ele estava num camarote, com sua esposa Fátima Mendonça, que reagiu aos apupos dos foliões e populares com o dedo erguido em gesto obsceno.

Mas os contrastes entre Merkel e Dilma não param aí. Em 2012, após visitar a Alemanha e publicamente dar conselhos aos europeus sobre como gerir sua crise econômica, além de criticar os países ricos de estarem causando um “tsunami monetário” com suas políticas expansionistas, a presidente brasileira foi respondida duramente (relembre aqui) pela chanceler da principal potência econômica da Europa, em entrevista à conceituada revista alemã Manager-Magazin:

— Essa senhora vem à Alemanha nos dizer o que temos que fazer? Ora, a Alemanha vai bem, obrigado, apesar de tudo. Mas eu vou aproveitar para dar um conselho a ela… antes de vir aqui reclamar das nossas políticas econômicas, por que ela não diminui os gastos do governo dela e diminui os juros que são exorbitantes no Brasil? Se eu posso emprestar dinheiro a juros baixos e o meu povo pode ganhar juros absurdos lá no país dela, não vou ser eu que direi ao meu povo para não fazer isso. Ela que torne a especulação no país dela menos atraente.

Bem, pelo menos na guerra de câmbio na popularidade com a torcida brasileira, Merkel parece ter dado sobre Dilma a mesma goleada que sua seleção aplicou ontem sobre Portugal. Após o jogo, a chanceler foi ao vestiário parabenizar os jogadores alemães pela vitória, sendo novamente recebida com entusiasmo. Alguns craques chegaram a aproveitar para fazer e divulgar nas redes sociais algumas selfies com sua governante, conhecida em seu país e na Europa como entusiasta do futebol.

 

Angela Merkel após o jogo, no vestiário com os jogadores da seleção alemã (fotografia © Twitter Steffen Seibert)
Angela Merkel após o jogo, no vestiário com os jogadores da seleção alemã (fotografia © Twitter Steffen Seibert)

 

Angela Merkel no selfie do atacante Lukas Podolski
Angela Merkel no selfie do atacante Lukas Podolski

 

 

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Maradona chama Thiago Silva e David Luiz de fenômenos, mas espera mais de Neymar


 

 

Na estreia do Brasil diante da Croácia, Neymar foi um dos destaques da equipe de Luiz Felipe Scolari. O atacante do Barcelona fez um belo gol de esquerda quando a seleção brasileira passava por apuros, empatando o duelo. Depois, Neymar converteu um pênalti e virou a partida, encaminhando a primeira vitória do time anfitrião do Mundial. Mas a atuação do ex-santista ainda não convenceu Diego Armando Maradona. Em entrevista exclusiva concedida a Juan Pablo Sorín, repórter dos canais ESPN, El Pibe analisou a estreia do Brasil na Copa. Além disso, Maradona classificou David Luiz e Thiago Silva como ‘dois fenômenos’ do futebol mundial:

— Contra a Croácia, me parece que Marcelo e Daniel Alves não estavam nos seus melhores dias. Creio que Thiago Silva e David Luiz são dois fenômenos. Dos últimos jogadores brasileiros que saíram, eles parecem dois jogadores sensacionais, me encantam, eu gostaria de treiná-los. Me parece que o Brasil pode melhorar. Acredito que o Neymar pode jogar muito melhor. Oxalá que o Brasil possa jogar a final contra nós.

Diego Maradona também comentou a estreia da Argentina na Copa do Mundo. A eterna rival brasileira encontrou dificuldades neste domingo, mas passou pela Bósnia por 2 a 1, no Maracanã. Maradona apontou os pontos nos quais a equipe pode melhorar, e falou sobre a atuação de Lionel Messi, autor do gol do triunfo:

— Os passes (da Argentina) não eram os característicos…mas ganhar é bom. Creio que a Argentina melhorando a saída (de bola)…melhorar a saída é fundamental para dar um respiro a Lionel Messi. Hoje a Argentina não teve a velocidade e a precisão que necessita Leo para encarar (os adversários), ser muito mais pulsante e chegar muito mais lúcido. Mas a Argentina, seguramente, melhorará.

O astro do futebol mundial também comentou o nível até agora da Copa do Mundo do Brasil. Diego Armando Maradona se mostrou surpreso e satisfeito com a competição:

— O Mundial até agora está me encantando. Estamos vendo um Mundial onde as equipes nos surpreendem, atacando, como demonstrou a Croácia, a Costa Rica contra o Uruguai. Um Mundial com muitos gols.

 

Fonte: ESPN

 

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Hitler e a torcida brasileira

Favoritos ao primeiro lugar de seus grupos, assim como ao título, caso confirmem as previsões, Brasil e Alemanha só se cruzariam nas semifinais da Copa do Mundo, mais precisamente em 8 de julho, às 17h, em Belo Horizonte, no Mineirão. Quer isso aconteça ou não, desde que Hans Staden caiu prisioneiros dos tupinambás no séc. 16 (veja aqui), já se deram muitos outros cruzamentos entre tupiniquins e germânicos. Na tribo goitacá, por exemplo, não tem muito tempo, fez sucesso na taba virtual a montagem de um vídeo de Adolf Hitler, encarnado visceralmente pelo ator Bruno Ganz, no necessário filme “A Queda — As Últimas Horas de Hitler” (2004), do diretor Oliver Hirschbiegel. Aproveitando algumas cenas em que Hitler perde o contato com a realidade em acessos de fúria e depressão, diante da iminência da derrota (a)final, as legendas em português ao áudio em alemão foram alteradas para colocar o deputado federal Anthony Garotinho (PR) falando pela boca do ditador da Alemanha Nazista.

Assim como foi feita aquela analogia entre alguns aspectos de Hitler e Garotinho, não é necessário esforço para fazê-lo também entre o último e outro conhecido político. A prioridade às ações assistenciais (ou assistencialistas?) como alicerce de uma política popular (ou populista?), o inchaço e a ocupação desavexados da máquina do estado, as constantes denúncias de superfaturamento nas obras públicas, os pífios desempenhos em saúde e educação, a promiscuidade entre público e privado, os indícios de manipulação dos instrumentos da Justiça, a pretensão messiânica da liderança, a catequese fundamentalista dos liderados, a incapacidade de conviver pacificamente com qualquer mídia que não seja chapa branca, a demonização do contradito e do contraditor, o maniqueísmo fascista que só admite o “conosco” ou o “contra nós”, são algumas das características que o ex-governador do Rio comunga, por exemplo, com um certo ex-presidente do Brasil.

Difícil crer, portanto, em coincidência quando um gaiato teve uma ideia muito parecida, mesmo sem provavelmente conhecer nada de Campos, ao decidir usar o polêmico episódio do “Ei, Dilma, vai tomar no c(…)!” e a democracia irrefreável das redes sociais para divulgar uma outra montagem, com as mesmas cenas do filme “A Queda”. Por anacronismo ideológico, talvez não faça o mesmo sucesso por aqui do que a montagem anterior, mas enquanto não se cumpre a previsão de violência eleitoral feita aqui por Lula, da Copa até as eleições de outubro (e novembro), e ainda dá para rir mais do que chorar, confira abaixo o resultado hilário da nova montagem:

 

 

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“Ei, Dilma, vai tomar no c(…)!” — Foi constrangedor? Foi. Mas era para ser

Jornalista Renato Maurício Prado
Jornalista Renato Maurício Prado

A voz da arquibancada sempre foi chula

Por Renato Maurício Prado

Vou mexer num vespeiro, mas não consigo mais ficar lendo e ouvindo tanta bobagem calado. Após os já famosos coros grosseiros contra a presidenta (como ela gosta de ser chamada) Dilma Rousseff, no jogo de abertura da Copa do Mundo, no Itaquerão, vozes puritanas começam a surgir de todos os lados, defendendo uma utopia. Em resumo, dizem o seguinte: protestar, tudo bem, mas não com ofensas tão pesadas contra uma mãe, avó e principal mandatária política do país.

Ora bolas, quando a voz da arquibancada foi educada ou preocupada em não ferir susceptibilidades? Desde que me entendo por gente (e bota tempo nisso) os coros cantados nos estádios (ou arenas, como preferem os “modernos”) sempre rugiram os mais ofensivos e obscenos cânticos de provocação ou louvação — sim, até para elogiar e exaltar, palavrões são usados e bem-vindos. Exemplo: “PQP, é o melhor goleiro do Brasil”, como a torcida do Flamengo saudava o seu, hoje em dia encarcerado, ídolo Bruno.

Por que com Dilma seria diferente? Foi constrangedor? Foi. Eu mesmo me senti assim. Mas era pra ser. Esse é o intuito do torcedor quando reunido em massa e coro numa arquibancada.

Nesses momentos, em que há séculos as mães dos árbitros são chamadas de putas sem que ninguém (nem os próprios juízes) se ofenda, não há decoro, cuidados ou piedade.

Dias após à trágica morte do talentoso atacante Denner, do Vasco da Gama (num acidente de carro, na Lagoa), disputou-se um clássico com o Flamengo e, com o Maracanã entupido de tanta gente, a torcida rubro-negra entoava, simplesmente, o seguinte:

“Ei, você aí, o Denner já morreu, só falta o Valdir”!

Valdir Bigode era o centroavante do time da colina. Mas não pensem que a crueldade e a grosseria são exclusivas dos fãs do Mais Querido. Nos tempos em que o atual goleiro da seleção Júlio César atuava no Flamengo, as torcidas rivais o saudavam com duas musiquinhas alusivas ao fato de Suzana Werner, sua esposa, ter sido antes namorada de Ronaldo Fenômeno:

1) “Ô Júlio César, como é que é, o Ronaldinho já … sua mulher”!

2) “Ô Júlio César, seu veadinho, sua mulher já deu o … pro Ronaldinho”!

Edificante, não? Mas, infelizmente, é assim que a banda toca nos campos de futebol. Que o digam as poucas mulheres que se aventuram na arbitragem. São sempre chamadas em coro de gostosas, piranhas etc. Perguntem a bandeirinha Ana Paula Oliveira como a tratava a torcida do Botafogo, após cometer dois erros graves contra o Glorioso…

Duvido que qualquer um dos agora indignados já não tenha disparado impropérios dos mais vulgares, num jogo de futebol, pouco se importando se ao seu lado havia senhoras ou crianças.

Como costumava dizer o saudoso, genial (e genioso) colunista Zózimo Barroso do Amaral, “o mais refinado gentleman se transforma no mais sórdido canalha, ao sentar a bunda numa arquibancada”.

Num estádio, até criancinhas se divertem, dizendo “nomes feios”, na maioria das vezes sem nem saber direito o que eles significam.

Eu e minha mulher mesmo fomos surpreendidos quando levamos pela primeira vez ao Maracanã a nossa filha Luiza, então com oito anos.

Bastou um momento de distração e a pequerrucha, com sua vozinha inocente, desandou a acompanhar, a plenos pulmões, o coro que vinha da arquibancada. E era o seguinte:

“Por…, Car…, VTNC, quem manda nessa M… é a torcida do Urubu”!

Pois é… Por isso, cara presidenta, não dá pra chiar. Quem está na chuva é pra se molhar, diriam os mais velhos. Ou, “não sabe brincar, não desce pro play”, como preferem os mais jovens.

Com a onda de insatisfação popular — e não apenas de “riquinhos”, como tentam distorcer (que o digam as manifestações, onde o palavreado é tão chulo quanto no futebol) — é melhor evitar aglomerações. Nas ruas e nos campos.

Qual a diferença?

Quando jogam sapatos, tortas, ovos etc piores nos políticos lá de fora, aplaudimos, dizendo: se fizessem isso aqui, não haveria tanta sem-vergonhice…

 

Fonte: Blog do Renato Maurício Prado

 

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Copa do Mundo até Irã 0 x 0 Nigéria: “Mas estava indo tão bem!!!…”

Inesquecível personagem de Brandão Filho, Seu Sandoval Quaresma, após prometer sair-se bem, mas estragar tudo ao final de cada resposta, ouvia do professor Raimundo, do mestre dos mestres Chico Anysio: “Mas estava indo tão bem!!!...”
Inesquecível personagem de Brandão Filho, Seu Sandoval Quaresma, após prometer sair-se bem, mas estragar tudo ao final de cada resposta, ouvia do professor Raimundo, criação do mestre dos mestres Chico Anysio: “Mas estava indo tão bem!!!…”

 

Estava tudo muito bom, tudo muito bem. Doze jogos disputados, dois excelentes (Holanda 5 x 1 Espanha e Itália 2 x 1 Inglaterra), nenhum deles ruins, algumas atuações individuais e lances de antologia, e 40 gols marcados, numa média de 3,3 por partida. Até a sempre conservadora Fifa chegou a dizer que estava sendo a “Copa do ataque”. Até que veio o Irã e Nigéria, encerrado agora há pouco, sem gols, em Curitiba — primeiro 0 a 0 desta Copa, baixando sua média de gols para 3,1.

Do futebol iraniano, pouco se pode dizer. Quanto a Nigéria, triste ver um futebol que nos anos 1990 encantou o mundo com a brilhante geração de Okocha, Kanu e Amokachi, campeã olímpica em Atlanta 1996, após bater o Brasil na semifinal e a Argentina na disputa do ouro, chegar a essa indigência técnica de hoje.

Sobre a Copa do Mundo, fica a torcida para que outra seleção africana, a Gana de Muntari e Asamoah Gyan, faça contra os EUA de Dempsey e Bradley um jogo capaz de retomar o bom nível  que o torneio vinha mantendo no Brasil. Afinal, depois do Irã e Nigéria, quem estava acompanhando o Mundial ficou com a sensação presa na garganta daquele famoso bordão do Chico Anysio, na saudosa “Escolinha do Professor Raimundo”, cujo personagem Sandoval Quaresma, interpretado por Brandão Filho, sempre se saía bem no início das respostas e deixava uma má impressão no final, ouvia do mestre: “Mas estava indo tão bem!!!…”

 

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Sem seu craque, Alemanha goleia Portugal na melhor estreia de um favorito à Copa

Abraçado com sua equipe após balançar as redes portuguesas, Müller foi o nome do jogo (foto de Odd Andersen - AFP)
Abraçado com sua equipe após balançar as redes portuguesas, Müller foi o nome do jogo (foto de Odd Andersen – AFP)

 

Bem, Cristiano Ronaldo jogou, mas Schweinsteiger, não. E não fez a menos diferença para que o segundo observasse do banco sua Alemanha golear Portugal por 4 a 0. O motivo? Simples: Portugal tem um time nada mais que mediano, que depende do taleto de um craque. E o melhor do mundo em 2013, como já ocorreu com todos os melhores do mundo anteriores, hoje não brilhou.

Já a Alemanha tem um time acima da média, fruto de uma geração muito talentosa, cujos líderes em Campos, como Schweinsteiger, vem sendo preparados desde a Copa de 2006, sediada naquele país. Talvez o único senão dessa seleção seja seus inexplicáveis titubeios nos momentos cruciais, como demonstrou nas Copas do Mundo em 2006 e 2010, além da Eurocopas de 2008 e 2012, em contraste à principal característica do ethos germânico desde a Antiguidade, em quaisquer atividades humanas: sua determinação.

Contra uma seleção de Portugal estupidamente desfalcada pela expulsão do brasileiro naturalizado Pepe, quem vacilou hoje não foi a Alemanha. Com boas atuações de Özil, Gotze, Khedira, Hummels e Kroos, o destaque acabou sendo o atacante Tomas Müller. Além de não se intimidar fisicamente com as habituais panes mentais de Pepe, expulso após dar-lhe uma cabeçada, Müller se movimentou o tempo inteiro na função de falso centroavante, saindo de campo como autêntico goleador. Balançou as redes portuguesas três vezes e empatou com o francês Karim Benzema (relembre aqui) como artilheiro, até aqui, da Copa do Mundo. Candidato a superar o recorde de Ronaldo como maior goleador de todos as Copas, o veterano Klose se limitou, como Schweinsteiger, a observar e aplaudir do banco sua equipe confirmar em campo a condição de forte candidata ao título.

Das quatro seleções apontadas como favoritas pela maioria da crônica esportiva, antes da Copa começar, essa primeira atuação da Alemanha foi bem mais convincente do que a do Brasil (3 a 1 sobre a Croácia), da Argentina (2 a 1 contra a Bósnia) e, certamente, do que a da Espanha — esta, ainda mais humilhada pelos 5 a 1 impostos pela Holanda, do que foi hoje o time de Cristiano Ronaldo. E, não custa lembrar, poupado mesmo que já tivesse condição de jogar (confira aqui), Schweinsteiger ainda não estreou.

 

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Messi ontem teve um lance de gênio. O que farão hoje Schweinsteiger e Cristiano Ronaldo?

Se não se pode dizer que Lionel Messi tenha jogado bem ontem, no Argentina 2 x 1 Bósnia em pleno Maracanã, pelo menos no gol da vitória, o argentino deu uma pequena mostra da sua genialidade. Num dos seus típicos lances, driblando em penetração diagonal rumo a à área adversária, até a conclusão precisa de perna esquerda. Foi o suficiente para os argentinos que lotavam o Maraca transformá-lo numa versão Monumental da Bombonera, até que a Bósnia descontasse com Ibesevic, já perto do fim da partida.

Bem, mas ainda que se esperasse mais, Messi nos brindou com um lance de gênio. Veremos o que o alemão Bastian Schweinsteiger e o português Cristiano Ronaldo, também jogadores de exceção, nos reservam para o embate entre suas seleções, na Fonte Nova, em Salvador, no jogo válido pelo Grupo G, que se incia daqui a apenas três minutos.

Para inspirar alemães, portugueses e todas as demais nacionalidade de jogadores reunidos no Brasil, em tantas cruzadas pessoais pelo Graal do futebol, acompanhemos em resumo abaixo, numa bela edição em vídeo, tudo que Messi tentou e errou ontem, até condensar todo acerto com o qual os deuses da bola bafejaram de nascença sua perna canhota, num único lance capital:

 

 

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