Artigo do domingo — Princípios ao próximo prefeito de Campos

Proposta

 

 

Economistas e analistas políticos Wilson Diniz e Ranulfo Vidial
Economistas e analistas políticos Wilson Diniz e Ranulfo Vidial

Por Wilson Diniz e Ranulfo Vidigal

 

Tony Blair, no seu livro “Minha Visão da Inglaterra”, em “assistência social de segunda geração” diz que “as políticas compensatórias de rendas deveria servir como trampolim para o sucesso, e não como uma rede de segurança social para amortecer o fracasso”. Frei Beto, na ultima entrevista na Folha de São Paulo, faz crítica ao Bolsa Família, comparando com o Fome Zero, enquanto o senador Cristovam Buarque foi o grande idealizador do Bolsa Escola como modelo de inclusão social com visão de futuro, sem gerar dependência social dos beneficiados dos programas de transferências de renda para os mais pobres sem fins eleitoreiros.

O modelo venezuelano implantado em Campos pelos Garotinhos, que há 30 comanda a cidade, gerou um tecido social de pobres dependente dos repasses de recursos da Prefeitura, que são usados como escada para manter o grupo político da família em rotatividade no poder.

O secretário de Governo com técnica de comunicador sofista engana a população mais pobre e até a oposição, quando cita os números do Cheque Cidadão. Prega a mentira como o marqueteiro de Hitler, Goebbels, que afirmava que a “mentira repetida mil vezes torna-se verdade”. Esquece ele de citar que o Governo Federal com o Programa Bolsa Família, em 2015, já distribuiu R$ 30 milhões para 30 mil beneficiados, contra apenas 10 mil beneficiados pelo seu cartão. Omite para ludibriar a população.

A oposição nas eleições de 2016 tem oportunidade única de tirar os Garotinhos do comando da cidade. A Prefeitura com receitas médias de R$ 2.5 bilhões nos últimos cinco anos não gerou um único emprego no setor industrial. Assim, no próximo pleito a oposição unida pode propor vinte políticas estruturantes para salvar a cidade da falência.

1 – Implantar o Orçamento Participativo para ser aprovado em votação pelas comunidades ou distritos da cidade;

2 – Estabelecer como meta administrativa a criação de 12 secretarias;

3 – Criar a função do agente comunitário;

4 – Estabelecer a Educação como meta prioritária de cinco anos de governo;

5 – Criar e priorizar o programa “Educação da creche à alfabetização do adulto na terceira idade”;

6 – Universalizar o ensino básico, integrando família com a escola e os professores;

7 – Criar amplo programa de treinamento remunerado para os professores com carga horária de 120 horas anuais, em módulos multidisciplinares;

8 – Implantar sistema de banda larga na Rede de Ensino;

9 – Financiar Notebooks para os professores com taxas de juros negativa;

10 – Distribuir um tablet para os alunos dentro programa do Governo Federal;

11 – Transformar o Cheque Cidadão em Bolsa Escola;

12 – Transferir os beneficiados que não tem criança matriculada na rede de ensino municipal para o programa Bolsa Família;

13 – Fazer convênio com as universidades, substituindo terceirizados por alunos universitários alocados em áreas afins ao seus cursos;

14 – Na área administrativa, estabelecer como meta gastos-teto de R$ 300 milhões;

15 – Cortar todas as mordomias de secretários e de funcionários com cargos gratificados;

16 – Cancelar contrato de frota de automóveis utilizado pelos secretários e executivos de governo e distribuir vale-combustível para abastecer seu próprio carro;

17 – Rever todos os gastos na área de Saúde, principalmente, de contratos terceirizados de ambulâncias e de mão-de-obra, estabelecendo gasto de R$ 450 milhões anuais;

18 – Rever toda a política do Vale Transporte de R$ 1,00 e criar novo modelo seletivo;

19 – Estabelecer como meta nas contas Habitação, Meio Ambiente e Saneamento gasto-teto de R$ 350 milhões;

20 – E estabelecer como meta de governo 30% de todo orçamento para Educação.

Todas estas medidas básicas têm como objetivo resgatar os princípios básicos de um governo que, ao ser eleito, pense no futuro da cidade e de seus adolescentes, que serão jogados no mercado de trabalho a partir dos 16 anos de idade.

O modelo Venezuelano implantado há mais de 30 anos na cidade pelos Garotinhos é cruel, desumano e sem conteúdo de políticas públicas estruturantes voltadas para criação do emprego e do regaste social. Campos tem jeito se a imprensa que não serve aos Garotinhos e a sociedade acreditarem que podem mudar marchando unida. Simples assim…

 

Publicado hoje na Folha da Manhã

 

0

Poema do domingo — As meninas de Adriana

Conheci Adriana Medeiros, se não me falha a memória, no FestCampos de Poesia Falada de 2004. Eu era jurado e ela concorria com dois poemas, defendendo-os com brilho como intérprete. Nunca lhe disse, mas me impressionei à primeira vista com sua intensidade dramática, com aquele desabrir uterino com jeito de coisa casual, oximoro refletido também em seus versos. Se foi eleita, com endosso do meu voto, a melhor intérprete daquele festival, ela perpetraria a façanha de vencer como poeta outras duas edições: de 2006, com “Descobrimento de mim”, e de 2009, com “Imagens e versos”.

Falando aqui sobre Castro Alves (1847/71), nosso maior romântico e para quem o ritmo era o “talismã da verdadeira poesia”, disse que via em Campos dois poetas reverberados ao eco da mesma oralidade, tão egressa dos palcos quanto Apolo e Dionísio: Antonio Roberto Kapi e Artur Gomes. E tenho dito!

 

“La hamaca” (1956), óleo e têmpera sobre tela de Diego Rivera (1886/1957)
“La hamaca” (1956), óleo e têmpera sobre tela de Diego Rivera (1886/1957) – foto de Aluysio Abreu Barbosa

 

“La hamaca” (1956), óleo e têmpera sobre tela de Diego Rivera (1886/1957)
“La hamaca” (1956), óleo e têmpera sobre tela de Diego Rivera (1886/1957) – foto de Aluysio Abreu Barbosa

 

As Meninas

 

Como quem

Convém a dois

Estavam as duas

Quase nuas

Em primícias

De carícias

Estavam elas

Duas e uma

Completamente

Ausentes

Pareciam únicas

As meninas

Douradas

Escancaradas

Sem vergonha

De serem

Inocentes

Como convém

A Deus.

Era um recreio

Meninos empinavam

Suas pipas

Como quem só queria

o céu

E elas estão… lá

Elas… como nuvens

Que no céu flutuam

Estacionando

Nos desejos do meu

Emblema

O que significa

Farme em Ipanema

As meninas juntas

Eram a minha

Incapacidade

De lhes escrever

Um digno poema.

 

0

“Pudim não é problema nosso. É dele, do Picciani e de Garotinho”

Pudim de abacaxi

 

 

Médico, articulista da Folha, ex-candidato a prefeito de Campos e a deputado federal, Makhoul Moussallem
Médico, articulista da Folha, ex-candidato a prefeito de Campos e a deputado federal, Makhoul Moussallem

Sucessão Municipal

Por Makhoul Moussallem

 

De pronto vou deixar bem claro: não sou candidato a nada no pleito municipal de 2016. Ganhando os candidatos que apoiarei a vereadores e prefeito, não quero nem cargo de aspone. Participo, mas não entro. Portanto o que eu falar ou escrever, posturas e atitudes que tomar, não estarei pleiteando nada para mim e nem para os meus. Nunca legislei e não legislo em causa própria. Pelo que já realizei em prol da população de Campos na área da saúde (implantação do primeiro Pronto Socorro de Campos, fundação e viabilização da Unimed-Campos, implantação do Hospital Escola Álvaro Alvim, representação da medicina de Campos no Conselho Regional e Federal de Medicina, entre outras ações), e por ter me colocado como candidato a prefeito e a deputado federal — não ficando só no na zona de conforto daqueles que apenas discursam, mas não põem a cara na reta — estou a cavaleiro para opinar e participar como cidadão da política municipal, regional e nacional.

Isto posto, entremos na análise da sucessão que o Fernando Leite (aqui) no domingo, o Ricardo André (aqui) a seguir e  Geraldo Machado, na quarta feira, colocaram em discussão. Permito-me discordar do Leite, quando coloca que o Pudim é o mais preparado para a tarefa de governar Campos após a atual gestão. Pergunto: baseado em qual histórico de atividades dele? Acho louvável a lealdade e a fidelidade que este devotava ou devota ao grupo político do qual fazia ou ainda faz parte. O fato de ele querer sair do PR e ir para o PMDB não o torna desleal, nem tampouco infiel às suas origens. Pode ser que seja uma simples estratégia de enfrentamento do grupo para a dura batalha que vem pela frente. Parece-me que também a deputada federal Clarissa sairá do PR, se já não saiu, e vai para outro partido, e nem por isso está sendo taxada de traidora da própria família.

Diz o provérbio libanês “Não durmas entre as sepulturas e não tenhas pesadelos”. Por que vamos ficar perdendo nosso precioso tempo e discutindo se Pudim saiu ou não saiu do grupo e dormimos preocupados com esta questão? Não precisamos ter essa dúvida; não é problema nosso. É dele, do Picciani e do Garotinho. Além do mais, mesmo que tenha saído, sabemos que o uso do cachimbo faz a boca torta; daí conclui-se que as suas práticas e visão da gestão pública deve ser a mesma do Garotinho e do Picciani, o que em definitivo não nos serve. Portanto, não durmamos no cemitério e não tenhamos pesadelo. Nada tenho de pessoal contra o Pudim, até porque gosto muito de pudim. Tenho é contra a maneira de se fazer a política e a gestão pública do grupo do qual fazia ou faz parte.

 

Publicado hoje na Folha da Manhã

 

0

Quais são os princípios para se mudar Campos, senhores?

Princípios

 

Ricardo André Vasconcelos, jornalista e editor do blog “Eu penso que...”
Ricardo André Vasconcelos, jornalista e editor do blog “Eu penso que…”

Princípios, senhores, princípios!

Por Ricardo André Vasconcelos

 

A eleição de 2016 não pode ser resumida a uma disputa do garotismo contra os filhotes do garotismo — sejam eles traidores, arrependidos ou meros oportunistas. Ao contrário, é necessário preparar a cidade para o pós-garotismo, agregando homens e mulheres de boa vontade, mesmo os que comungaram do ideário que se pretende mandar para o lixo da história, desde que atendam às premissas expressas numa Carta de Princípios. Não se dá um primeiro passo rumo à transformação dessa magnitude com lançamentos extemporâneos desse ou daquele nome. Antes dos nomes devem vir os princípios a que esses personagens estão dispostos a comprometer-se. O que vimos até aqui é se quer substituir um chefete por outro, mantendo os esquemas suspeitos de financiamento de campanha e sem qualquer compromisso assumido com a transformação.

Para mudar de verdade é preciso derrubar os paradigmas que norteiam o comportamento do qual discordamos. E Campos está numa situação tão ruim, mas tão ruim, que não basta mudar. E melhorar não é suficiente. É preciso transformar. E para fazer diferente, precisamos ser diferentes. Tanto no discurso quanto na prática. Mudança só de personagens não transforma o estado de coisas que repudiamos. Neste momento em que o município sofre uma queda significativa de arrecadação é justamente a oportunidade de rever as prioridades e implantar mecanismos de gestão adequados à nova realidade. E isso se faz com políticas públicas consequentes e não com o conhecido e repugnante clientelismo que é marca dos últimos governos.

Não basta trocar os gestores, mas os métodos de gestão definidos a partir de princípios pré-estabelecidos, objetivos definidos: Honestidade e transparência na gestão dos recursos públicos para promoção da cidadania. Simples assim.

O que assistimos nos últimos 25 anos foi uma crescente apropriação dos recursos públicos para irrigar projetos pessoais e que redundou na banalização da corrupção, degradação das instituições públicas, escravização das entidades privadas e sequestro do cidadão-eleitor com políticas ilusionistas de distribuição de renda que, na verdade, nunca passaram de compra de voto disfarçada de “promoção social”.

À sombra de lideranças autoritárias vicejam seguidores, uns fiéis por devoção, outros por interesses ocasionais, mas nunca surgem lideranças para a saudável, necessária e benfazeja oxigenação do exercício do poder. O grupo que comanda Campos dos Goytacazes nas últimas décadas chegou a tal grau de personalismo, que a administração da Prefeitura está passando da fase de ação entre amigos para espólio familiar.

Aliás, o primeiro pré-candidato a se lançar à sucessão de Rosinha, o deputado Geraldo Pudim, chega ao cenário da sucessão já com a marca do pecado original do apadrinhamento político. Preterido no grupo que o acolhe e elege há 30 anos, trocou Garotinho por Picciani porque descobriu que no PR, a partir de agora, só há espaço político relevante para quem foi batizado com o sobrenome do chefe. E prole é o que não falta!

O esquema eleitoral de Picciani é diferente do de Garotinho? Então Pudim não mudou de lado. Mudou de dono. Picciani, que teve 34 votos em Campos na última eleição, tem prestígio ou dinheiro para alavancar a campanha do ex-garotista?

Do outro lado, personagens com alguma possibilidade de vestir o figurino transformador, como os vereadores Marcão (PT) e Rafael Diniz (PPS) igualmente caem no mesmo vício de, primeiro buscar patrocinadores, depois definir os princípios, as armas com que pretendem implantar um tempo novo. Apresentam-se como eventuais candidatos da máquina comandada pelo governador Pezão. Mau começo!

A escolha do candidato (a) deve ser precedida de compromissos definidos por uma carta de princípios que poderá ser redigida pelo que sobrou da sociedade civil independente, mas que não pode deixar de fora alguns compromissos, sendo o primeiro deles estimular o financiamento de pessoas físicas através de campanhas de arrecadação junto aos que acreditam que é possível disputar e ganhar uma eleição para administrar uma cidade sem a tutela de empreiteiros e fornecedores. Mas, dentro dos limites da lei, aceitar doações de pessoas jurídicas, porém sem qualquer compromisso de contrapartida e com absoluta transparência para despesas e receitas de campanha.

Fora disso, perdoem o fatalismo, sem princípios o fim é o mesmo!

 

Publicado hoje na Folha da Manhã

 

0

Cineclube Goitacá define programação das próximas cinco quartas-feiras

Já estão fechadas as cinco próximas exibições e debates do Cineclube Goitacá, sempre a partir das 19h de quartas-feira, no cruzamento das ruas Conselheiro Otaviano e 13 de Maio, na sala 507 do edifício Medical Center, onde funciona a produtora Oráculo. Depois de amanhã, dia 12 de agosto, será a vez do advogado, publicitário e crítico de cinema Gustavo Alejandro Oviedo apresentar o filme “Conspiração” (2001), do estadunidense Frank Pierson (1925/2012), que se baseia em fatos reais para retratar a reunião entre lideranças nazistas que formularam a “Solução final” para exterminar os milhões judeus da Europa durante a II Guerra Mundial (1939/45).

 

“Conspiração” traz Kenneth Branagh e Stanley Tucci no elenco
“Conspiração” traz Kenneth Branagh e Stanley Tucci no elenco

 

Na quarta seguinte, 19 de agosto, será a vez do clássico “O tesouro de Sierra Madre” (1948), do mestre estadunidense John Huston (1906/87), que será apresentado pelo jornalista, poeta e crítico de cinema Aluysio Abreu Barbosa. Na tela, no México dos anos 1920, dois desocupados vindos dos EUA se unem a um terceiro, mais velho e experiente minerador, para juntos se embrenharem em busca de fortuna pelo interior inexplorado do país, antes de tropeçarem na conhecida ganância humana.

 

“O tesouro de Sierra Madre” tem um dos melhores desempenhos da carreira do astro Humphrey  Bogart, além de ter rendido Oscar de ator coadjuvante a Walter Huston, pai de Jonh Huston, que levou o Oscar de melhor diretor
“O tesouro de Sierra Madre” tem um dos melhores desempenhos da carreira do astro Humphrey Bogart, além de ter rendido Oscar de ator coadjuvante a Walter Huston, pai de Jonh Huston, que levou o Oscar de melhor diretor

 

Na última quarta-feira deste mês, dia 27, será a vez do universitário Pedro Henrique Guzzo apresentar e mediar o debate de “Ondas do destino” (1996), do cult dinamarquês Lars von Trier. Na tela, no norte da Escócia, cujo litoral é rico em petróleo como a Bacia de Campos, um trabalhador dinamarquês de plataforma, casado com uma escocesa, sofre um acidente e fica tetraplégico. A partir daí, ele estimula a esposa a ter encontros extraconjugais para lhe contar os detalhes dessas relações.

 

“Ondas do destino” é protagonizado por Stellan Skarsgard e Emily Watson
“Ondas do destino” é protagonizado por Stellan Skarsgard e Emily Watson

 

Na primeira quarta do próximo mês, dia 2 de setembro, caberá a Philipe Netto, outro estudante universitário, comandar a sessão e o debate de “Cronicamente inviável” (2000), do brasileiro Sérgio Bianchi. O filme retrata através das histórias de seis personagens, de classes sociais, formações, opiniões e lugares distintos, a inviabilidade da sociedade brasileira, onde ninguém tem culpa e ninguém se salva.

 

Cecil Thiré é um dos muitos protagonistas de “Cronicamente inviável”
Cecil Thiré é um dos muitos protagonistas de “Cronicamente inviável”

 

Já no dia 9 de setembro, é a vez do dono da casa assumir seu papel de anfitrião. Proprietário da Oráculo, além de psicanalista e ator, Luiz Fernando Sardinha apresentar uma visão cinematográfica da maior tragédia do teatro ocidental: “Hamlet” (1990), de William Shakespeare, dirigida pelo italiano Franco Zeffirelli. Num papel icônico da dramaturgia, que já foi desempenhado por atores shakespearianos por excelência, como os britânicos Lawrence Olivier (1907/89) e Kenneth Branagh, o destaque do filme acaba sendo a atuação do astro de ação Mel Gibson como o atormentado príncipe da Dinamarca em busca de vingança pela morte do pai.

 

 

No papel título de “Hamlet”, Mel Gibson surpreendeu positivamente com sua composição
No papel título de “Hamlet”, Mel Gibson surpreendeu positivamente com sua composição

 

0

Crítica de cinema — Tão chato, quanto politicamente correto

Caixa de luzes

 

Quarteto fantástico

 

Mateusinho 2QUARTETO FANTÁSTICO — A partir das possibilidades quase ilimitadas da computação gráfica, na última passagem de século, o universo dos super-heróis pôde ser transposto às telas de cinema com a mesma dose de fantástico das páginas das HQs. Se a DC Comics saiu na frente com a franquia do Batman, aberta pelo diretor Tim Burton ainda em 1989, foi com outra exitosa série, aberta por Brian Singer com “X-men — O filme” (2000), que a Marvel Comics passou à frente da concorrente dos quadrinhos também no cinema.

No bojo desse sucesso, outras franquias foram abertas. Entre elas, “Quarteto fantástico” (2005), de Tim Story, que também dirigiu a sequência “Quarteto fantástico e o Surfista Prateado” (2007). O resultado de público não foi de todo ruim, mas ficou aquém de outras séries de super-heróis.

Assim, o Homem Elástico, a Mulher Invisível, o Tocha Humama e o Coisa tiveram que se contentar em observar outras franquias arrebentarem nas bilheterias. Além dos já citados “Batman” e “X-men”, “Homem-Aranha”, “Super-Homem”, “Homem de Ferro”, “Thor”, “Capitão América” e “Vingadores” também foram mais rentáveis.

Neste ínterim, após interpretar Johnny Storm, nome civil do Tocha Humana, nos dois primeiros “Quarteto Fantástico”, o ator Chris Evans depois emplacaria como protagonista de “Capitão América” e, na pele dele, também de “Vingadores”, gerando o problema da duplicidade. Assim, no lugar de louro, como o ator Evans é, e o personagem Storm sempre foi nos quadrinhos, a grande mudança do novo “Quarteto fantástico”, que estreou esta semana nos cinemas de Campos, foi ter o negro Michael B. Jordan na pele “politicamente correta” do Tocha Humana.

Como ele continua irmão de Sue Storm, a Mulher Invisível interpretada por Kate Mara, mantida tão loura quanto nas HQs, a solução foi colocá-la como filha adotada do Dr. Storm. Personagem inexistente nos quadrinhos, no novo filme ele surge interpretado por Reg E. Cathey. Além de adotar Sue, que passou a ser uma refugiada de Kosovo, em outra pitada politicamente correta, Storm pai reuniu dois jovens gênios da ciência: Reed Richards (Miles Teller), mais conhecido como Homem Elástico, e Victor Von Doom (Toby Kebbell), O Dr. Destino, que está para o Quarteto Fantástico como o Coringa ao Batman.

No lugar da nave espacial dos quadrinhos, repetido no filme original de 2005, o que confere os poderes aos quatro super-heróis é uma máquina de teletransporte, na qual todos trabalham em conjunto. Junto com Doom e Storm filho, Reed chama seu amigo e parceiro de projetos de infância, Ben Grimm (Jamie Bell), o Coisa, para uma viagem a outra dimensão. Lá, eles acabam deixando Doom para trás, sendo resgatados por Sue. A viagem de retorno acaba numa explosão, a partir da qual os quatro desenvolvem seus poderes.

O governo dos EUA se interessa pelo projeto e tenta recriá-lo, enquanto mantém sob custódia os quatro jovens, ajudando-os a controlarem seus poderes, visando utilizá-los em missões militares. Reed foge, mas acaba recapturado com a ajuda do Coisa, ressentido por sua nova aparência e por ter sido deixado para trás pelo amigo. Novamente juntos, eles reconstroem a máquina, a partir da qual Doom, agora transformado no Dr. Destino, volta à Terra só para tentar destruí-la. E a única esperança do planeta, lógico, passa a ser encarnada pelo Quarteto Fantástico.

Embora assine como produtor executivo, esse foi o primeiro filme baseado na mitologia da Marvel no qual seu criador, Stan Lee, não fez uma ponta como ator. E o veterano editor de 92 anos, que protestou contra muitas alterações, não deixa de ter razão. Efeitos especiais sempre impactantes à parte, o filme do jovem diretor Josh Trank consegue ser tão chato quanto o politicamente correto que adulterou a história dos quadrinhos às telas.

 

Mateusinho viu

 

Publicado hoje na Folha Dois

 

Confira abaixo o trailer do filme:

 

 

0

Artigo do domingo — A equação de Geraldo Pudim

Pudim doce

 

 

Fernando Leite Fernandes, jornalista, radialista, poeta e editor do blog “Fernando Leite & Outros quintais”
Fernando Leite Fernandes, jornalista, radialista, poeta e editor do blog “Fernando Leite & Outros quintais”

Por Fernando Leite Fernandes

 

Geraldo Pudim é o quadro mais bem preparado para governar esta Capitania de São Tomé, depois da passagem do exército do pequeno Átila, que nem gramínea deixou sobre o chão. Se não é o mais preparado, é um dos raros que ocupa a cena política local. O que há contra Pudim é o estigma por sua longeva lealdade ao líder espiritual dos povos. O que, invariavelmente, deveria ser visto como virtude, diante das atuais circunstâncias, se transformou em pesado fardo político.

Sem querer faltar com respeito ao Garotinho — já disse que um dia a história lhe fará justiça — ele, no tempo presente, encarna a metáfora cruel do lixo atômico, aquele que contamina os que estão à sua volta a anos luz de distância. As consultas dos institutos de pesquisa de opinião não deixam dúvidas. Escolha qualquer um do seu entorno e o resultado será o mesmo. O Garotinho não tem companheiros ou correligionários, têm seguidores. Sua ação ultra personalista e voluntariosa transcende os limites da civilidade dos partidos e beira às raias da cegueira das seitas.

A sucessão municipal que se aviziinha, revela uma reação nunca vista no pacífico e ordeiro povo de Campos. O eleitorado é um nervo exposto. Um expressivo segmento, ouso dizer que amplíssima maioria, não votará por dever ou escolha ou indignação cívica, mas por raiva. Aliás, esta, talvez seja a mais hercúlea realização da administração de plantão: uma monumental catedral de ódio sobre a cidadania.  Convenhamos, a sociedade sempre perde quando elege um gestor ou parlamentar pelo deboche ou pelo ódio. É uma satisfação momentânea, é um sinal, mas não é uma alternativa.

O deputado Geraldo Pudim sabe que há entre ele e o eleitorado uma couraça que precisa ser rompida. E como fazê-lo? É sua equação mais desafiadora. Tem em seu favor um acervo invejável: 30 anos de vida pública e nenhum escândalo de natureza política contabilizado, nenhuma acusação de improbidade administrativa, tem vida modesta, o que na realidade atual é indispensável salvo conduto, uma vez que a mãe das crises política e econômica é a devastadora crise moral.

Para além, do comportamento político, Pudim estudou e aprendeu a lição sobre o município de Campos dos Goytacazes. Sua história rica e soberana, sua geografia singular, sua economia mutante — já estamos na curva descendente da exploração de petróleo na Bacia Campista — seus desafios emergentes, a pressa de uma cidade que se transforma em metrópole e não tem ainda arcabouço para mudança tão radical. Pudim sabe que não é mais posssível repetir o passado, governar empiricamente, sem planejamento e sem aliar nossa mais rica reserva, o saber intelectual, com o poder político democrático e moderno.

Escolher, com raiva, alguém que seja capaz de derrotar o Garotinho, é nada.

Não me move outro sentimento que não seja o de discutir, madura e civilizadamente, o processo eleitoral de 2016. De contribuir para que tenhamos uma indispensável conversa coletiva sobre noso futuro, ao invés de uma briga de rua, tão ao gosto dos agentes mandatários do poder. Os mesmos que minimizam o debate e o engessam numa surrada cantilena de medição de forças entre ricos e pobres. A sociedade, senhora de seu desttino, não pode se apequenar e deixar escapar as grandes causas.

Por fim, imagino que na hora própria, Pudim responderá pelo que se compromete em fazer e não perca tempo com o enjoado bolero da traição do sempre traído, que há de ser a marcha fúnebre deste governo. O novo prefeito de Campos tem que cumprir duas missões basilares: elaborar um plano de emergência para os primeiros 100 dias e providenciar cirúrgica auditoria nas contas públicas.

E se me cabe dar algum conselho ao próximo prefeito, repito o que disse o saudoso Austregésilo de Athaíde, quando lhe perguntaram que primeira medida tomaria se fosse presidente do Brasil: “amarrar a chave do cofre no cós da calça”.

 

Publicado hoje na Folha da Manhã

 

0

“Garotinhos manobraram na Câmara para vender o futuro de Campos”

 

Por Aluysio Abreu Barbosa e Alexandre Bastos

 

Onde foram aplicados os R$ 250 milhões recebidos na antecipação de R$ 300 milhões de receitas futuras de Campos, feita pelo governo Rosinha Garotinho (PR) junto ao Banco do Brasil (BB), no ano passado? E qual será o destino do R$ 1,2 bilhão que o mesmo governo quer também antecipar, vendendo o futuro do município? Segundo o vereador Gil Vianna (PR, de malas prontas para o PSB), todo o campista busca um resposta a essas perguntas, assim como para outra: “Quem quebrou Campos?”. Na dúvida, ele tem certeza ao afirmar que a manobra governista na Câmara Municipal para autorizar a “venda do futuro” foi o principal motivo para abandonar o barco rosáceo. Fora dele, seu destino é o PSB do senador Romário, pelo qual pretende disputar a sucessão de Rosinha, em 2016, como cabeça de chapa ou compondo-a ao lado de “grandes homens e políticos” da oposição.

 

 

Gil Vianna 1

 

 

Folha da Manhã – Você já adiantou (aqui) que, após dois mandatos consecutivos como vereador, não disputará a reeleição ao cargo ano que vem. E se não sair a janela para transferência de partido na reforma política, impossibilitando sua candidatura a prefeito pelo PSB?

Gil Vianna – No momento certo e no prazo legal, independente ou não da janela de transferência, estarei deixando a legenda do PR, migrando para a legenda do PSB, o que não me impossibilitará de me colocar à disposição do PSB para uma pré-candidatura nas próximas eleições pela nossa querida cidade.

 

Folha – Você também já garantiu que não vai ficar no PR. Caso a janela não saia em setembro, não teme ter que deixar o mandato de vereador com o partido?

Gil – Não tenho receio algum de deixar a legenda do PR, caso não venha a ser contemplado pela janela de transferência, tendo em vista que, no decorrer do meu mandato, me certifiquei de vários documentos, informações e pessoas, o que na seara jurídica constitui uma justa causa para minha desfiliação partidária.

 

Folha – Você foi eleito em 2014 primeiro suplente para deputado estadual na coligação PR/Pros. Como deputados devem se candidatar em 2016 a prefeito, caso algum deles se eleja, a cadeira fica vaga na Assembleia Legislativa. Fora do PR, não seria mais difícil ocupá-la?

Gil – Sim, sabemos que o TSE já teve a oportunidade de se manifestar a respeito do assunto, salientando que, no atual quadro jurídico, o mandato pertence ao partido. Estando eu fora do PR, ou seja, no PSB, seria ilógico eu assumir a vaga de suplência da Alerj. Mas, como fui diplomado suplente de deputado estadual pelo PR, caso haja vacância de uma vaga na Alerj, poderia eu regressar ao PR e assumir a vaga de deputado, o que claro, seria uma derrogação de meus planos junto ao PSB. É muito provável que isso não ocorra.

 

Folha – Qual foi o principal motivo da sua saída da bancada de Rosinha: a falta de apoio à sua campanha para deputado estadual, ou sua posição contrária à “venda do futuro” de Campos pelos Garotinho, aprovada numa manobra governista na Câmara Municipal, na polêmica sessão (aqui) de 10 de junho?

Gil – Diversos fatores contribuíram ao longo do meu mandato para minha saída da bancada de apoio à prefeita Rosinha, mas o fator culminante foi a manobra na Câmara Municipal para venda do futuro da nossa cidade.

 

Folha – Como você e os demais vereadores que votaram contra a “venda do futuro” enxergam sua esmagadora reprovação popular. Na pesquisa Pro4 feita entre 18 e 22 de junho, 88,7% dos campistas foram contra (aqui), rejeição muito próxima à registrada nas enquetes da Folha Online (84,8%) e da InterTV (90%). Quem votou a favor terá que pagar o preço nas urnas?

Gil – O sentimento não é só dos vereadores que votaram contra a “venda do futuro”, mas sim a população, que hoje está politizada demostrando a insatisfação nas pesquisas acima. Sobre quem votou a favor, o povo que vai decidir o que será melhor para nossa cidade.

 

Folha – Após aprovar um empenho de R$ 300 milhões de receitas futuras, no final do ano passado, junto ao Banco do Brasil, para receber apenas R$ 250 milhões, o governo Rosinha não disse em que gastou o dinheiro. A ausência de destinação, naquele empréstimo e nesse autorizado na sessão de 10 de junho, estimado em até R$ 1,2 bilhão, foi o motivo alegado por você e os demais vereadores independentes para votar contra. Afinal, para onde vai tanto dinheiro?

Gil – É verdade. O primeiro empréstimo de R$ 300 milhões de receitas futuras vai ser pago dentro do atual governo, e o outro empréstimo estimado em até R$ 1,2 bilhão, aprovado pelos vereadores da base do governo, será pago pelos futuros prefeitos de nossa cidade. Quanto ao destino de todo esse dinheiro, é uma pergunta que todos nós campistas queremos saber.

 

Folha – Num ato público de desagravo por conta de mais uma decisão judicial desfavorável ao seu governo, Rosinha disse (aqui) no último dia 20: “Não fui eu quem quebrou a Prefeitura”. Campos está quebrada? E se não foi Rosinha, quem seria o responsável?

Gil – Boa pergunta. Nos últimos sete anos a Prefeitura recebeu aproximadamente R$ 12 bilhões. E agora ela disse que a cidade está quebrada? Quem será o responsável? Eu também gostaria de saber.

 

Folha – Já correm boatos de que há vereador independente arrependido, querendo voltar à base governista. Vê algum sinal disso em você, Jorge Magal (PR), Albertinho (Pros), Genásio (PTC), Dayvison (PRB) ou Alexandre Tadeu (PRB)? E do lado de quem ficou, há quem queira seguir os passos de vocês?

Gil – Como já falei nas primeiras perguntas, não ficarei no PR. Estou criando novas perspectivas de futuro na política e chega num certo momento na vida pública que temos de escolher caminhos diferentes. Quanto aos demais vereadores independentes não vejo arrependimento por parte de nenhum dos companheiros. Já do lado de quem ficou, a decisão de ficar ou sair vai na consciência de cada um, mas quem quiser se unir ao bloco dos independentes será muito bem vindo.

 

Folha – Inegável o carisma do senador Romário (PSB), que lhe fez o convite para entrar no PSB e concorrer pela legenda a prefeito de Campos em 2016. Mas, como deve estar ocupado com sua própria candidatura a prefeito do Rio, que tipo de ajuda real o “Baixinho” e sua legenda poderiam lhe dar?

Gil – Queria primeiro agradecer ao senador Romário pelo convite de fazer parte do próximo pleito eleitoral nas eleições majoritárias pelo PSB. É inegável seu carisma, fazendo quase 5 milhões de votos no Estado do RJ e, em Campos, aproximadamente 110 mil votos. Isso demostra a força do apoio que teremos em 2016.

 

Folha – Se sua meta em 2016 é o Executivo, qual a possibilidade de você vir a compor chapa com, por exemplo, o vereador Rafael Diniz (PPS) ou o ex-prefeito Arnaldo Vianna (PDT)? E com o deputado estadual João Peixoto (PSDC), ao lado de quem começou sua carreira política?

Gil – Ainda é muito cedo para definir as posições, mas se por ventura isso vier a acontecer, será uma honra participar ao lado de grandes homens e políticos de nossa cidade.

 

Folha – Recentemente, você disse que acreditava na sinceridade do rompimento do deputado estadual Geraldo Pudim (PR, de malas prontas ao PMDB) com Garotinho, mas que faltava a população acreditar. O que ele, assim como você, terão que fazer até 2016 para o eleitor não considerar um e outro como um plano B (e C) do garotismo?

Gil – Quanto ao deputado Geraldo Pudim, eu acredito no rompimento, sim. Mas ele terá que realmente provar nas ruas. Quanto a mim, quem me conhece sabe do meu histórico como pessoa e como político. Sempre fui firme em minhas decisões e palavras, estou muito tranquilo com minha consciência.

 

Folha – Farol é conhecida como seu reduto eleitoral. No último domingo, numa rádio comunitária de lá, Garotinho disse que ele e Josias Quintal (PSB), ex-secretário estadual de Segurança e hoje prefeito de Pádua, teriam interferido para evitar uma punição a você, quando era policial militar. Do que ele poderia estar falando?

Gil – Não sei a que esse senhor se refere, porque isso nunca aconteceu. Ele continua dissimulado e mentindo o tempo todo, tentando denegrir a imagem das pessoas no âmbito pessoal. Sou e sempre fui uma pessoa do bem e nada disso me abala.

 

Folha – O secretário de Governo e esposo da prefeita também disse que sua maior obra no Farol, enquanto vereador, teria sido a reforma da sua casa. Se os ataques já estão nesse nível a 15 meses da eleição, o que esperar até lá?

Gil – Primeiro, que quem faz obra pública não é vereador, é o prefeito ou a prefeita. E quanto a minha casa no Farol, não foi reforma, foi construção. Afinal, não tenho nada a esconder. Fiz minha casa na única praia campista, onde tenho laços familiares, de amizade e políticos. Pior é seu tivesse construído em outros balneários famosos, como muitos por aí.

 

Folha – Depois da enquadrada que levou (aqui) do deputado federal Ronaldo Caiado (DEM) em pelo Congresso Nacional, ficou notório que Garotinho afina quando confrontado diretamente, sem a distância segura do blog ou do microfone de rádio. Falta na política de Campos quem desempenhe esse papel, como fez em passado recente o ex-vereador Marcos Bacellar (SD)?

Gil – Falta diálogo entre os representantes do Executivo para com a sociedade campista. A sociedade roga para interagir com os representantes do Executivo, sem lograr êxito. Um bom administrador deve ser aquele que presa a honestidade, a ética. Mas estes atributos devem ser de todo ser humano. Sendo assim, cada um tem seu perfil político. Precisamos ter mais compromisso, pois compromisso é fundamental. Temos que ter vontade de mudar, ser humanizado e trabalhar junto e para o povo. Sobretudo, não se pode mais simplesmente perseguir os que não concordam com seu governo. Enfim, ter uma vida firmada em valores éticos e morais e possuir competência para tomar decisões em favor do próximo, da coletividade e do povo.

 

Publicado hoje na Folha da Manhã

 

0