TJ-RJ atende pleito da OAB e dará a Campos seis novos juízes

Representantes do TJ-RJ, da magistratura e OAB de Campos, reunidos no Fórum, na última quinta (foto: divulgação)
Representantes do TJ-RJ, da magistratura e OAB de Campos, reunidos no Fórum, na última quinta (foto: divulgação)

 

O Tribunal de Justiça do Estado do Rio de Janeiro (TJ-RJ) vai designar seis novos juízes a Campos, egressos do último concurso. Com prazo previsto para maio serão preenchidas a 1ª, 3ª e 4ª Varas Cíveis, o 1º Juizado Especial Cível e as 1ª e 2ª Varas Criminais da comarca goitacá, que estavam sem juízes titulares, algumas há anos. Pleito da OAB-Campos, enviado em ofício ao TJ-RJ em 13 de janeiro de 2016, o reforço na magistratura do município foi garantido numa reunião na última quinta-feira (14/04), no Fórum de Campos.

A garantia do envio de novos juízes foi feita pelo presidente da Comissão de Políticas Institucionais para Eficiência Operacional dos Serviços Judiciais (Comaq) do TJ-RJ, desembargador Ricardo Cardozo:

— Além da designação dos novos juízes, foi anunciado que todas as varas foram autorizadas a remeter processos para o Grupo de Sentença. Serão promovidos mutirões nos Juizados Especiais Cíveis. Também nos comprometemos a manter as juízas Leidejane Chieza Gomes da Silva, titular da Comarca de Natividade, e Fabíola Costalonga, titular da 2ª Vara de Bom Jesus do Itabapoana, que se ofereceram e já estão auxiliando a 1ª Vara Criminal de Campos — complementou o presidente da Comaq.

Liderada por ele, o TJ-RJ enviou a Campos uma comissão formada também pela presidente da Comissão Estadual dos Juizados Especiais (Cojes), desembargadora Ana Maria Pereira, pela juíza auxiliar da Presidência do TJRJ Adriana Ramos de Mello e pelos juízes auxiliares da Corregedoria Geral da Justiça Simone Lopes da Costa e Aroldo Gonçalves Pereira Junior. Eles se reuniram os juízes locais Heitor Campinho, diretor do Núcleo Regional de Campos (Nurc), e Ralphe Manhães, diretor do Fórum, além do presidente da OAB-Campos, Humberto Nobre, os conselheiros da entidade Gilberto Alvarenga e Isabelle Cruz, e do presidente da Escola Superior de Advovacia (ESA) Felipe Estefan.

— Nossa avaliação sobre as reuniões foi amplamente positiva. Tanto os magistrados quanto os representantes da OAB de Campos elogiaram a iniciativa da administração do TJRJ, porque houve uma preocupação de dialogar e buscar soluções. Os advogados se mostraram dispostos a colaborar com o Tribunal, no que for possível, para discutir e apresentar propostas visando a melhoria na Comarca de Campos. Os juízes, também, ressaltaram seu comprometimento com o TJ-RJ — avaliou o desembargador Ricardo Cardozo.

 

Página 7 da edição de hoje (16/04) d Folha da Manhã
Página 7 da edição de hoje (16/04) d Folha da Manhã

 

Publicado hoje (16/04) na Folha da Manhã

 

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Fabio Bottrel — Do Outro Lado do Silêncio

“Clarividência”, de René Magritte
“Clarividência”, de René Magritte

 

 

Acordo, há tanto tempo, tentando escutar a voz que ainda há de gritar.

Fui procurá-la no outro lado do silêncio.

— Tem gente que vive dentro da poesia aqui. — Disse minha amiga Viviane, sobre os internos da Santa Casa.

Não demorei a me aprontar, fui para a rua caminhar entre os que enlouquecem da razão, do amor sem vazão, secando o corpo suando sangue, limpando a pele com poluição.Reafirmando meus esparsos passos diários serem do Tango antes de dar bom dia aos personagens.

Cheguei à Santa Casa, logo entrei na poesia e bem no meio do verso encontrei Nilo, deitado nas palavras, com sua roupa de metáforas, do outro lado do silêncio, que a voz soberana não se macula com saliva. Sentei numa letra, fui ser plateia da sua peça, enquanto era escrita naquele diálogo. No dia em que escrevo esse texto fui me encontrar com a voz que ainda há de gritar, mas em seu dorso dormem as dores do mundo.

— Rapaz, meu corpo está sem voz, mas hás de ouvir minha alma falar.

Escutei histórias da juventude que salvou livros dos que rasgavam todos os sentimentos que cabem em uma palavra. O jovem que sempre gostou dos super-heróis das histórias em quadrinhos. Admirador dos animais, surgiu alium nome para sua nova empreitada na escrita: “Banquete com os Cães.” Era Nilo antes de ter na pele a marca do tempo.

Ao sair desse pequeno texto, percebi que Deus emprestou-lhe o seu sorriso, enquanto tento mudar o presente, para afastar o futuro doente. Não se joga uma vida inteira fora só porque ela está um pouco maltratada, é por isso que Nilo escreve todos os dias a literatura, libertadora.

“Não dormir é decretar o fim de todos os pesadelos e sonhos.

Seja fiel aos seus sonhos, pois senão terá uma asa (s) quebrada (s) e deixará de voar (e viver).

Para onde ir? A toda parte de lugar nenhum.”

NILO

Fiel aos sonhos, sempre, obrigado Nilo.

 

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TJ-RJ atende pleito da OAB e vai designar seis novos juízes titulares a Campos

Representantes do TJ-RJ, da magistratura local e da OAB-Campos, na última quinta, no Fórum de Campos (foto: divulgação)
Representantes do TJ-RJ, da magistratura local e da OAB-Campos, na última quinta, no Fórum de Campos (foto: divulgação)

 

O Tribunal de Justiça do Estado do Rio de Janeiro (TJ-RJ) vai designar seis novos juízes a Campos, egressos do último concurso. Com prazo previsto para maio serão preenchidas a 1ª, 3ª e 4ª Varas Cíveis, o 1º Juizado Especial Cível e as 1ª e 2ª Varas Criminais da comarca goitacá, que estavam sem juízes titulares, algumas há anos. Pleito da OAB-Campos, enviado em ofício ao TJ-RJ em 13 de janeiro de 2016, o reforço na magistratura do município foi garantido numa reunião na última quinta-feira (14/04), no Fórum de Campos.

 

Leia a reportagem completa na edição de amanhã (16/04) da Folha da Manhã

 

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Após gravidez de Clarissa, Garotinho planta “barriga” sobre Feijó

Como o Alexandre Bastos postou aqui, segundo o também jornalista Fernando Molica, de O Dia, o deputado federal Paulo Feijó (PR) teria sido convencido pelo secretário de Governo de Campos, Anthony Garotinho (PR), a não votar na sessão do próximo domingo (17/04) que decidirá o impeachment da presidente Dilma Rousseff (PT). Só que era mentira! A verdade já havia sido publicado aqui, neste “Opiniões”, ao qual o deputado reafirmou em entrevista concedida hoje, que será publicada amanhã (16/04) na Folha, sua intenção de votar a favor do impeachment.

Na verdade, a informação equivocada, “barriga” no jargão jornalística, foi repassada ao jornalista carioca pelo próprio Garotinho. Antes, ele já tinha exposto a própria filha, a deputada federal Clarissa Garotinho (PR), com a barriga sem aspas da gravidez de sete meses, ao constrangimento nacional (relembre aqui e aqui) de pedir licença de 120 dias para não votar, nem deixar seu suplente fazê-lo no domingo — mesmo após já ter se posicionado abertamente (aqui) a favor do impeachment de Dilma.

Segundo o jornalista Lauro Jardim, de O Globo, noticiou aqui, o ultimato de Garotinho a Clarissa, grávida do primeiro filho, foi: “Tudo bem você votar a favor do impeachment. Mas no dia seguinte você tira o Garotinho do seu nome”. Se, mesmo nestes termos, o diálogo com a filha chegou a existir, o mesmo não se deu com Feijó. Segundo ele, houve o encontro entre ambos por volta das 18h30 de hoje (15/04), na sede do PR em Brasília. Mas antes de Garotinho tocar no assunto, enquanto tinha ido ao banheiro, o deputado deixou a conversa.

Um pouco depois, Feijó recebeu uma ligação dos também deputados federais Maurício Quintela (AL), ex-líder do PR, e Rodrigo Maia, líder do DEM na Câmara. Eles tinham lido a nota do Molica e questionaram a suposta mudança de posição do colega. Indignado, porque mantivera sua posição e em momento algum tratou do assunto com Garotinho, Feijó ligou na sequência para o jornalista de O Dia, que retirou o link da nota da versão online do jornal carioca (confira aqui) e publicou a retificação aqui, em seu perfil pessoal do Facebook.

 

Retratação do jornalista Fernando Molica (reprodução de Facebook)
Retratação do jornalista Fernando Molica (reprodução de Facebook)

 

Depois de conseguir a retratação com Molica, Feijó ligou para Garotinho. Mas o secretário de Governo de Campos, que oficialmente está em Brasília para tentar a terceira “venda do futuro” da cidade, no valor de mais de R$ 1 bilhão, comprometendo as contas públicas municipais até 2031, estava com o celular desligado.

 

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Feijó: “Garotinho não me pediria isso (votar contra o impeachment ou se ausentar) nunca”

Paulo Feijó (foto: divulgação)
Paulo Feijó (foto: divulgação)

 

“Pelo que sei, a Clarissa está na 35ª semana de gravidez, e realmente traz riscos para sua gestação. Viajar de avião traz riscos, segundo orientações médicas. Fora isso, não sei de mais nada. Em relação a Garotinho, ele não me pediria isso nunca (…) tomei a iniciativa no meu momento, de declarar o voto (aqui) a favor do impeachment. Não abro mão de andar com minha cabeça erguida, tendo sempre o respeito das pessoas, meus amigos e eleitores”.

Essa foi um do trecho da entrevista feita hoje por e-mail com o deputado federal Paulo Feijó (PR), que está em Brasília para votar favorável ao impeachment da presidente Dilma Rousseff (PT) no próximo domingo (17/04). Confira a íntegra da entrevista na edição de amanhã (16/04) da Folha da Manhã.

 

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Garotinho confirma licença de Clarissa no impeachment e fala em “falta de escrúpulos”

Clarissa com a mão na barriga de gestante e a bandeira do Brasil no ombro, no plenário da Câmara no qual não estará na sessão do próximo domingo (foto: reprodução)
Clarissa com as mãos sobre a barriga de gestante e a bandeira do Brasil no ombro, no plenário da Câmara no qual não estará na sessão do próximo domingo (foto: reprodução)

Aqui, em seu blog, o secretário de Governo de Campos, Anthony Garotinho (PR), confirmou a licença da deputada federal Clarissa Garotinho (PR) às vésperas da votação do impeachment da presidente Dilma Rousseff (PT), no próximo domingo (17/04). Ele confirmou o que noticiou aqui o jornalista Ricardo Noblat, assim como sua reunião no Palácio do Planalto, com o ministro da secretaria de Comunicação Ricardo Berzoini (PT), revelada aqui pela revista “Época”.

Ao tentar justificar a licença de Clarissa, Garotinho disse: “Todo o cidadão minimamente informado sabe que após o sétimo mês de gravidez, os médicos proíbem as gestantes de viajar de avião. Na semana passada, desobedecendo seu médico, Clarissa viajou a Brasília e foi parar no Departamento Médico da Câmara”. Só não explicou porque, então, a “licença” de Clarissa foi de 120 dias, não 121 ou mais, o que permitia ao seu suplente do DEM assumir e votar em seu lugar.

Oficialmente, Garotinho está em Brasília para tentar viabilizar a terceira “venda do futuro” de Campos, no valor de mais de R$ 1 bilhão, que comprometeria o futuro do município até 2031, mas sem o qual governistas admitem em off que não haverá dinheiro nem para pagar ao servidor, dada a ruína das finanças públicas no governo Rosinha Garotinho (PR). Como o Christiano Abreu Barbosa bem lembrou aqui, em seu “Ponto de vista”: “Na bolsa de apostas do Palácio do Planalto se especulou durante as últimas semanas que uma ausência na votação de domingo renderia R$ 400.000,00 ao deputado que se omitisse do processo. O voto contra o impeachment seria premiado com R$ 1 milhão”.

Clarissa que havia se declarado aqui publicamente favorável ao impeachment de Dilma, em postagem no Facebook marcada com as tags #PeloFuturo e #PeloBrasil, até agora não deu explicações sobre a novidade de última hora da licença. Por sua vez, Garotinho atribuiu as revelações feita pelo Extra e Ricardo Noblat a “pessoas inescrupulosas” e “desonestidade intelectual”.

 

Atualização às 12h52: Aqui, novamente em seu “Ponto de vista”, o Christiano foi o primeiro na blogosfera goitacá a reproduzir a revelação, feita aqui no Blog do Lauro Jardim, sobre os reais motivos da licença de Clarissa. Mesmo grávida de sete meses do primeiro filho, ela teria recebido (e se submetido) ao ultimato do pai: “Tudo bem você votar a favor do impeachment. Mas no dia seguinte você tira o Garotinho do seu nome”.

 

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Garotinho negociou “venda do futuro” pelo voto de Clarissa no impeachment?

Após ter declarado publicamente aqui, em seu perfil do Facebook, sua posição favorável ao impeachment da presidente Dilma Rousseff (PT), a deputada federal Clarissa Garotinho (PR) usou sua gravidez para entrar com um pedido de licença de 120 dias. Assim, ela não só não participa da votação do impeachment do próximo domingo (17/04), como impede que seu suplente do DEM assuma e vote em seu lugar, o que faria se a licença fosse de 121 dias ou mais.

 

Declaração virtual de Clarissa em apoio ao impeachment de Dilma, com direito a bandeira do Brasil sobre o ombro, não resistiu à realidade (reprodução de Facebook)
Declaração virtual de Clarissa em apoio ao impeachment de Dilma, com direito a bandeira do Brasil sobre o ombro, não resistiu à realidade (reprodução de Facebook)

 

Segundo revelou aqui em seu blog o Ricardo Noblat, que chamou Clarissa de “Clarisse”, ela teria dado entrada ao pedido logo após seu pai, o secretário de Governo de Campos, Anthony Garotinho (PR) conversar no Palácio do Planalto. Por sua vez, a coluna “Expresso”, da revista Época, publicou aqui que Garotinho teria se encontrado no Palácio do Planalto com o ministro da secretaria de Governo, Ricardo Berzoini (PT), no último dia 13 — notícia que o jornalista Alexandre Bastos foi o primeiro a divulgar (aqui) na blogosfera goitacá.

 

Encontro de Garotinho teria sido no Palácio do Planalto, com o ministro Ricardo Berzoini. “Venda do futuro” de Campos negociado pelo voto da própria filha? (reprodução)
Encontro de Garotinho teria sido no Palácio do Planalto, com o ministro Ricardo Berzoini. “Venda do futuro” de Campos negociado pelo voto da própria filha? (reprodução)

 

Ao anunciar a “licença” de Clarissa, Noblat questionou: “Sabe-se lá com quem, ontem, o ex-governador do Rio de Janeiro, Garotinho, conversou no Palácio do Planalto… E sobre o que ele tratou”. Oficialmente, Garotinho está em Brasília para tentar viabilizar a terceira “venda do futuro” de Campos, no valor de mais R$ 1 bilhão, que comprometeria o futuro do município até 2031, mas sem o qual governistas admitem em off que não haverá dinheiro nem para pagar ao servidor, dada a ruína das finanças públicas no governo Rosinha Garotinho (PR).

 

O Jornalista Ricardo Noblat quer saber do que Garotinho tratou no Palácio do Planalto. E você? (reprodução)
Jornalista Ricardo Noblat quer saber do que Garotinho tratou no Palácio do Planalto. E você? (reprodução)

 

Ontem, Garotinho tentou desmentir a notícia veiculada aqui, na coluna do Lauro Jardim do dia anterior, de que estaria negociando o voto da filha na mesa de almoço com deputados petistas. Aqui, em seu blog, o político da Lapa chegou a garantir: “A deputada Clarissa Garotinho, maior de idade, 33 anos, está em todas as listas favoráveis ao impeachment. É a opinião dela, e eu respeito”.

Em respeito ao leitor, enquanto o futuro de Campos e do Brasil são decididos, segue abaixo uma música à reflexão:

 

 

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Aristides Soffiati recebe Medalha Tiradentes da Alerj nessa sexta

“O Captain! my Captain! rise up and hear the bells;
Rise up — for you the flag is flung — for you the bugle trills”

“Ó Capitão! meu Capitão! Ergue-te ao dobre dos sinos;
Por ti se agita o pendão e os clarins tocam teus hinos”

(Walt Whitman a Abraham Lincoln)

 

Soffiati na charge de Marco Antônio Rodrigues
Soffiati na charge de Marco Antônio Rodrigues

Já escrevi aqui, que tenho o historiador Aristides Arthur Soffiati na conta de irmão, mestre e maior intelectual vivo destas terras de planície paridas e cortadas pelo Paraíba do Sul. Num gesto digno de elogio, o deputado estadual Dr. Julianelli (Rede), campista radicado há anos em Resende, vai entregar amanhã a Soffiati a Medalha Tiradentes, mais alta honraria concedida pela Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro (Alerj). A cerimônia está marcada para às 19h dessa sexta, dia 15, na Câmara Municipal de Campos.

Abaixo, o convite feito (aqui) por Soffiati na democracia irrefreável das redes sociais, a reprodução do convite impresso pela Alerj e a repetição da cena final do filme “Sociedade dos poetas mortos” (1989), do mestre australiano Peter Weir, como homenagem particular:

 

Senhoras e senhores,

Entendeu o Deputado Estadual Dr. Julianelli distinguir-me com a Medalha Tiradentes, alta comenda da Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro. Sinto-me honrado pela distinção por conhecer bastante bem o Dr. Gláucio Julianelli. Ele é campista, mas, há muitos anos, está radicado na cidade de Resende. Médico, ele também é militar do Exército. Ele me honra ao propor-me a comenda porque é também um homem honrado e honesto. Excelente médico e militar, ele é agora excelente representante do povo na Alerj.

Se não posso enviar convite a todos, permitam-me convidá-los, de forma virtual, à solenidade de entrega da medalha e do respectivo diploma na Câmara Municipal de Campos dos Goytacazes, no próximo dia 15 de abril às 19 horas.

 

 

Soffiati Alerj

 

 

 

Atualização às 22h17 para correção do partido do deputado Dr. Julianelli, que está no Rede Sustentabilidade, não no Psol, como inicialmente colocado.

 

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Campos nas ruas sexta e domingo, contra e a favor do impeachment

Impeachment Dilma 4

 

 

Se eclodem pelo país as manifestações favoráveis e contrárias ao impeachment da presidente Dilma Rousseff (PT), Campos já tem marcadas suas, num sentido e no outro também.

Amanhã (15/04) quem defende o governo federal se reunirá para fazê-lo às 16h, em frente a rodoviária Roberto Silveira, de onde está programada uma passeata até o Pelourinho, no Boulevard Francisco de Paula Carneiro. A manifestação pró-Dilma se repete no domingo (17/04), dia da votação do impeachment, no Jardim do Liceu de Humanidades de Campos. Também no domingo, dia que promete parar o Brasil, quem defende o afastamento da presidente se reunirá na praça São Salvador, onde será instalado um telão para acompanhar ao vivo a votação na Câmara Federal.

Para maiores informações, basta clicar aqui e aqui. Independente do resultado no domingo, quem vence é a democracia.

 

Impeachment Dilma 3

 

Atualização às 22h27 para acréscimo de dados.

 

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Sobre deuses e amizades, o que independe do impeachment

Alterações de discurso são muitas vezes mais reveladoras do que confissões. Quando a retórica abandona a disputa direta do objeto, para se fixar no desmerecimento da mesma, ou projetando-a numa suposta tentativa de depois, quase sempre é uma maneira de tentar manter a pose quando já não dá mais para disfarçar os acessos de tosse da vaca, acometida da gripe contraída na umidade do brejo.

Desde o discurso raivoso de Dilma de ontem (aqui), classificado aqui pela jornalista Vera Magalhães de “cerimônia prévia do adeus”, até a revelação da presidente (aqui), hoje, diante de jornalistas, de que, se vencer no domingo, proporá um pacto, mas se perder, será “carta fora do baralho”, é visível o desânimo em quem ainda se simula impermeável à lógica dos fatos criminosos eviscerados na operação Lava Jato, ou ao desastre econômico do governo federal, com custo de 282 brasileiros (aqui) desempregados a cada hora.

Nesse clima sem música de Baile da Ilha Fiscal (o último do Império no Brasil, antes da proclamação da República em 1889), dois textos foram produzidos na circunscrição goitacá da democracia irrefreável das redes sociais, que este “Opiniões” pede licença para republicar abaixo.

O primeiro (aqui) é de Léo Zanzi, militante dos movimentos negros, dirigente municipal do Psol e servidor público federal. O segundo (aqui), mais longo, é do Fernando Leite, fundador do PT  na Campos do início dos anos 1980, jornalista e poeta.

Muito embora agora talvez seja um pouco tarde, a toada de ambos parece ecoar a advertência de Chico Buarque, feita ao então presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), numa longa entrevista a O Globo, ainda em 2004, mas aparentemente ignorada de lá para cá: “Vai dar merda!”

Na dúvida do desfecho, confira abaixo os textos de Léo e Fernando:

 

 

Léo Zanzi, servidor federal e dirigente do Psol
Léo Zanzi, servidor federal e dirigente do Psol

Será que Deus pode me julgar?

Por Léo Zanzi

 

Deus usa barba, mora em São Bernardo move milhares de pessoas, divide o pão com os ricos, fez escola com os diabos tucanos e pemedebistas, também tem lá seus Judas delatores. Se diz crucificado, mas comprou o martelo e os pregos. E o pior, tira dos pobres para dar aos ricos.

Mas é Deus, jamais deve ser questionado pelos seus seguidores. Mas não mais com a barba de molho! Como não sou servo do senhor, duvido da sua bondade. Mas é o todo poderoso, afinal tem até ateu devoto do ser supremo.

O senhor não é meu pastor e tudo nos faltará. Já está faltando.

 

 

 

Fernando Leite 3
Fernando Leite, jornalista e poeta

O PT, o impeachment, os meus amigos e eu

Por Fernando Leite

 

Tenho amigos no PT, o que me inibe muitas vezes, de proclamar diatribes contra o alto comissariado do Partido. Embora o momento peça temperança, os ânimos cívicos estão à “pele da flor”. Espadachins do ódio inútil, revidam a crítica mais amena, com furor de ofendidos na alma. A palavra vira florete!

É findo o civilizado debate de ideias. Está instaurado o pugilato verbal.

Prometi a mim mesmo, não devolver a raiva ideológica na mesma proporção. Simplesmente, rejeito a raiva. Ela não é minha. Que fique com o seu dono. Por isso, tenho procurado evitar o tema.

Também, muito por asco.

Mas, me perdoem, não posso mais ouvir quieto este mantra; “não vai ter golpe!”

A frase se transformou no único álibi de um governo putrefato. Os nossos gestores, até nas vicissitudes, têm mania de grandeza. Para acusá-los, a Justiça pode recorrer ao corolário interminável de crimes que já cometeram.

Já teve o golpe. Aliás, foram muitos e todos sob o beneplácito e as barbas de Lula e da companheirada.

Ilusração Fernando LeiteO que houve na Petrobras foi GOLPE! Provem que não. Sei, dirão que a roubalheira é antiga e remonta a outros partidos. Mas crimes pretéritos não justificam crimes presentes, nem futuros. Poderia citar Pasadena, o BNDES, o Banco do Brasil e outras autarquias com seus cofres violados.

No caso explícito da Petrobras, ladrões bem postos abordaram a empresa da sociedade brasileira e tungaram 9 bilhões só de propinas, transformando-a numa instituição com um passivo de 59 bilhões de reais e afundando-a no pré-sal do ranking das petroleiras internacionais.

Lula e Dilma nada souberam sobre isso. O casal governa Pasárgada! Não são acusados por tamanho assalto!

A questão que está posta nas inflamadas discussões, são as “pedaladas fiscais” e o debate interminável se configuram crime de responsabilidade ou não. Juristas pró impeachment dizem que sim, juristas anti-impeachment dizem que não.

Julgar é interpretar à luz do Direito. Há os que entendem que maquiar o superávit primário, com dinheiro dos bancos públicos e não com recursos do Tesouro, que é o republicano. E, por conseguinte, desorganizar de tal ordem a economia, que todas as agências internacionais rebaixaram o status do país, além do desemprego e do flagelo da inflação, é crime. Juristas e economistas se engalfinham nessa equação.

Impeachment sem crime é golpe! Golpe eleitoral e aparelhamento do Estado é alta traição.

Repito, pessoalmente, sou contra o impeachment de Dilma Vana Roussef. Não por outra razão, que não seja a de vê-la, em romaria, até o fim do caminho, com o incômodo cadáver do governo nas costas.

O impeachment é uma invenção da Câmara inglesa. De tal forma guarda ainda marcas do rito do reino de Sua Majestade, Elizabeth, a Primeira, que nem há tradução literal para o termo. O que mais se aproxima é impedimento. É um julgamento político, em sua essência. Por isso se dá no Parlamento, que não tem o feitio das cortes judiciárias.

Mas, confesso que pouco me interessa o impeachment, como ato solitário. Defendo eleições gerais — de vereador a presidente. Nada e ninguém me obrigam a escolher um lado nesse duelo de bandidos ao pôr do sol. Não temo julgamentos, nem de terceiros, nem da história. Só me preocupa o que dirá, de mim, minha consciência.

Digo isso sem nenhuma alegria. Estive no movimento de fundação do PT no município. Votei sistematicamente no Partido, na maioria das eleições. Votei em Lula muitas vezes, mas confesso que ele e Dilma me desesperançaram.

O roubo público não deveria combinar, sequer, com a mais leve leniência do Partido, quanto mais com a ação deletéria de alguns de seus mais destacados medalhões.

Mas há vida política ao largo do PT e dos partidos conservadores, que, realmente, querem vingança eleitoral. Os de sempre, fáceis de serem identificados, pela boca torta, pela artéria aorta e pelo sangue ruim.

Rechaço o maniqueísmo fomentado pela grande mídia, enormes aparatos de Poder, como bem identificou Marshall MacLuhan. Eles não me enganam. Nunca me enganaram.

Minha utopia não morreu. Procuro nos Partidos modernos, com preocupações ambientais e planetárias, o guardião, fiel depositário do meu sonho de uma Pátria justa, uma frátria.

Perdoem-me meus amigos, que, com honestidade intelectual de mim divergem. Sigamos, em paz, com nossas convicções. Não nos converteremos um à causa do outro.

Perdoem-me vivandeiras e carpideiras de Lula, mas vossos líderes tanto fizeram que, pelos sinais das ruas, muito provavelmente, abreviaram a sua cerimônia do adeus. Com impeachment ou não.

Até!

 

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