Calote de Rosinha na Saúde pode matar 50 no dia seguinte ao Natal

 

(Foto: Divulgação)
(Foto: Divulgação)

Todos os pacientes com insuficiência renal internados nas UTIs dos dois hospitais públicos e quatro conveniados da rede municipal de Campos correm risco de morte a partir de segunda-feira (26). No dia seguinte ao Natal, este pode ser o próximo presente ao povo de Campos dado pelo governo Rosinha Garotinho (PR), que só pagou uma das quatro parcelas de uma dívida de R$ 1.517.550,00 com a Clínica Pró-Rim. Após enviar três avisos extrajudiciais ignorados, ela não vai mais prestar o serviço de hemodiálise móvel aos pacientes internados em tratamento intensivo nos hospitais Ferreira Machado (HFM), Geral de Guarus (HGG), Plantadores de Cana (HPC), Álvaro Alvim (HAA), Santa Casa de Misericórdia de Campos (SCMC) e Beneficência Portuguesa (BP).

Médico nefrologista (especialista em rins) e diretor técnico do Pró-Rim em Campos, Raymundo Santiago revelou que comunicou hoje à secretaria municipal de Saúde e a todos os hospitais da rede pública municipal que, na próxima segunda, o atendimento irá parar por falta de pagamento. A dívida corresponde aos serviços de hemodiálise móvel prestados nas seis unidades da rede pública e conveniada, entre outubro de 2015 e julho de 2016. Em setembro, a Prefeitura assumiu a dívida e acordou fazer o pagamento em quatro parcelas de pouco mais de R$ 379 mil. Mas só honrou a primeira, em novembro, com dois meses de atraso:

— Prestamos dois tipos de serviço. Para pacientes crônicos, prestamos o serviço na Pró-Rim e viemos recebendo normalmente pelo SUS (Sistema Único de Saúde). E àqueles internados nas UTIs das redes pública e conveniada, levamos nossos equipamentos e profissionais para fazer a hemodiálise nos hospitais. Nestes, fazemos uma média de 500 procedimentos/mês, para uma cerca de 50 pacientes — disse Raymundo, quantificando os que passam a correr risco de morte a partir de segunda.

O secretário de Saúde Geraldo Venâncio assumiu a dívida e o descumprimento do acordo de pagamento da Prefeitura. Ele informou que estará amanhã no Rio, para tentar despachar sobre o grave assunto com a prefeita. Rosinha acompanha o marido Anthony Garotinho (PR), solto do Complexo Penitenciário de Bangu, mas proibido de voltar a Campos pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE), para não atrapalhar as investigações da Polícia Federal (PF) e Ministério Público Eleitoral (MPE) na operação Chequinho.

Apesar de assumir a dívida e o não pagamento do acordo que assinou, Venâncio lembrou:

— Isso é um débito contraído num período anterior a mim na secretaria de Saúde. Há o reconhecimento da dívida. Mas se eles interromperem, vão colocar em risco uma série de pessoas. E interromper um serviço essencial à vida, não deveria caber discussão. Estamos tentando de todas as maneiras resolver isso.

Diretor do Pró-Rim, Raymundo informou ainda que, como vence em 31 de dezembro o contrato descumprido pela falta de pagamento do atual governo, seria deste a obrigação de recontratualizar o serviço 90 dias antes do final do mandato. Mas isso também não foi feito por Rosinha.

Página 7 Folha 21-12-16

Publicado hoje (21) na Folha da Manhã

0

Calote de Rosinha na Saúde pode matar no dia seguinte ao Natal

 

Saúde doente 1

 

Todos os pacientes com insuficiência renal internados nas UTIs dos dois hospitais públicos e quatro conveniados da rede municipal de Campos, correm risco de morte a partir de segunda-feira (26). No dia seguinte ao Natal, este pode ser o próximo presente ao povo de Campos dado pelo governo Rosinha Garotinho (PR), que só pagou uma das quatro parcelas de um dívida de R$ 1.517.550,00 com a Clínica Pró-Rim. Ela executa o serviço de hemodiálise móvel, com equipamento e profissionais, aos pacientes internados em tratamento intensivo nos hospitais Ferreira Machado (HFM), Geral de Guarus (HGG), Plantadores de Cana (HPC), Álvaro Alvim (HAA), Santa Casa de Misericórdia de Campos (SCMC) e Beneficência Portuguesa (BP).

Médico nefrologista (especialista em rins) e diretor técnico do Pró-Rim em Campos, Raymundo Santiago revelou que comunicou hoje à secretaria municipal de Saúde e a todos os hospitais da rede pública municipal que, na próxima segunda, o atendimento irá parar por falta de pagamento. A dívida corresponde aos serviços de hemodiálise móvel prestados nas seis unidades da rede pública e conveniada, entre outubro de 2015 e julho de 2016. Em setembro, a Prefeitura assumiu a dívida e acordou fazer o pagamento em quatro parcelas de pouco mais de R$ 379 mil. Mas só honrou a primeira, em novembro, com dois meses de atraso.

O secretário de Saúde Geraldo Venâncio assumiu a dívida e o descumprimento do acordo de pagamento da Prefeitura. Ele informou que estará amanhã no Rio para tentar despachar sobre o grave assunto com a prefeita Rosinha. Ela acompanha o marido Anthony Garotinho (PR), solto do Complexo Penitenciário de Bangu, mas proibido de voltar ao Campos pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE), para não atrapalhar as investigações da Polícia Federal (PF) e Ministério Público Eleitoral (MPE) na operação Chequinho.

Diretor do Pró-Rim, Raymundo informou que, como vence em 31 de dezembro o contrato descumprido pela falta de pagamento do atual governo, seria deste a obrigação de recontratualizar o serviço 90 dias antes do final do mandato. Mas isso também não foi feito por Rosinha.

 

Com os detaques do blog, confira abaixo o ofício no qual o governo Rosinha assumiu a dívida com a Pró-Rim, prometendo pagá-ka em quatro parcelas iguais e mensais, a partir de setembro, mas só honrou a primeira em novembro:

 

Dívida Pro-Rim

 

 

Com os destaques do blog, confira abaixo a terceira e última notificação extrajudicial da Pró-Rim, advertindo que o descumprimento do acordo de pagamento levaria à suspensão do serviço de hemodiálise:

 

Dívida Pro-Rim 1

 

 

Confira a cobertura completa na edição de amanhã (21) da Folha da Manhã

 

0

Ocinei Trindade — Rosíssima Garotíssimo

 

Ocinei 20-12-16

 

 

“Quando a festa estiver no auge, é hora de ir embora”. Ouvi da cantora Tina Turner a frase anterior durante entrevista quando ela se despedia dos palcos em grandes shows. Fiquei pensando, pensando, e acho que faz sentido mesmo, pois quando a festa está se arrastando até o dia clarear, quase sempre há bêbados, decadentes e decrépitos além da conta pelo salão. A festa fica com cara de baile dos horrores ou com alegria forçada. Rosinha Garotinho, a bela, teve tudo para sair de cena no auge da festa, mas creio que não será bem assim neste fim de mandato como prefeita de Campos dos Goytacazes.

Rosinha poderia ter saído de cena com algum prestígio após deixar o cargo de governadora do Rio de Janeiro (foi a primeira mulher eleita na história estadual para a função), um dos estados mais importantes do Brasil. Apesar de acusações e críticas por parte da sociedade, da elite e setores da imprensa à época, ela tinha popularidade suficiente juntamente com seu marido, o ex-governador Anthony Garotinho, para ajudarem a eleger o seu sucessor, Sérgio Cabral Filho. E assim foi. Depois, como se sabe, tornaram-se inimigos políticos. O poder de Cabral espalhou-se bem mais, como também sabemos.

Rosinha queria ser atriz, cantora, artista, apresentadora de televisão. E foi assim, apesar dos desvios e fracassos nessas áreas. Seus melhores desempenhos na dramaturgia até hoje foram ser esposa e matriarca, além de dublê de governante. Sempre linda, certamente. Para mim, ela e o ex-governador Anthony Garotinho não são políticos provincianos como muitos cariocas preconceituosos adoram desdenhar de quem vem do interior fluminense, mas são personagens que já fazem parte da história política, do imaginário popular, além do anedotário que costuma render todo tipo de piada e críticas.

O casal Garotinho parece mesmo um par perfeito. Eles são muito inteligentes, apesar dos vícios do poder. Um casal mais próximo dos Kirschner do que dos Clinton, e anos-luz distante dos Obama. Se comparados a outros casais de políticos brasileiros, os Garotinho diferem do casal Amin, do casal Camata e do ex-casal Suplicy.  Os Garotinho costumam causar mais comoção por onde passam. Basta lembrar a cena da ambulância em frente ao hospital público que levaria preso o ex-governador para o presídio de Bangu. Cena histórica, apesar das atuações terem dividido opiniões. Uns acreditaram, de fato, mas outros consideraram fingimento e nada convincentes, faltando um diretor mais competente (quem sabe o Luiz Fernando Carvalho). Esta cena em particular, para mim, foi a típica situação de gente que preferiu ficar até o fim da festa, quando poderia ter ido embora  na melhor parte. E se assim fosse, não precisariam ser vistos em situação vexatória ou serem alvo de fofoca e intrigas. Ninguém quer ir para Bangu, seja bandido ou gente de bem, a não ser em casos extremos (há quem se sinta mais seguro dentro do que fora da cadeia). E ter dois ex-governadores presos em Bangu ao mesmo tempo é quase um atentado à segurança nacional, como chegou a ser um tremendo risco quando Cabral e Garotinho estiveram no local naquela mesma semana surpreendente.

Muitos amam Rosinha e Garotinho. Já outros querem ver sua condenação máxima (seria ódio, inveja ou desprezo?). Há muitos anos, uma amiga vidente teve um sonho terrível com o casal. Sonhara que as cabeças de Rosinha e Garotinho estavam decapitadas e expostas em vidros como se fossem troféus em praça pública. Não sei se ela associou o casal a outro casal histórico: Lampião e Maria Bonita. Fiquei chocado também com a suposta imagem que ela narrara. Na semana passada, quem teve sonho ruim fui eu. Sonhei que Garotinho me telefonou me fazendo uma série de questionamentos sobre o que escrevo. Ele não se identificou, não reconheci sua voz e perguntei quem era. Quando disse seu nome, respondi: “quanta honra receber sua ligação”. Acordei assustado, mas voltei a dormir e tive outro sonho ruim. Passei a língua por toda a boca e dei por falta de três dentes. Um pesadelo, na verdade. Qual será o significado dos sonhos? Acho que os políticos brasileiros têm nos aterrorizado cada vez mais. Dormir tranquilo é para os fortes.

As ambições do casal Garotinho às vezes lembram aquelas que o casal Macbeth aspiraram em um reino não tão distante daqui. Vale tudo para chegar e se manter no poder? Alguns falam que nenhum político sobrevive sem sujar as mãos ou sem mentir. Há políticos que dão um jeito de matar seus adversários de uma maneira ou de outra (desconstroem, caluniam, criam fatos, fazem a mentira se tornar verdade e vice-versa, minam a existência dos oponentes, envenenam a alma, adoecem, aniquilam, jogam pesado, mas se um dia for preciso abraçar o inimigo e se tornarem aliados, assim o farão). Matam também seus eleitores e seguidores, pois eles nos enchem de esperança e promessas de uma vida mais digna, justa e melhor, mas não dão conta, nos deixando ainda mais vulneráveis, inseguros e mais empobrecidos: o dinheiro púbico é desviado em obras por empreiteiras de grande porte como a Odebrecht, além daquelas de fundo de quintal ou empresas fantasmas. Conseguem nos tirar o melhor que possuímos. Roubam-nos dinheiro e dignidade. Até quando?

Todos nós sempre soubemos dos esquemas de propinas que envolvem políticos, empreiteiros e fornecedores em todo o Brasil, mas como provar e acabar com essa prática criminosa sem juízes, promotores e policiais suspeitos ou acima de qualquer corrupção? É difícil cobrar índole e decência das autoridades quando a população pratica também tantas mentiras e desonestidades (das menores às enormes). Somos nós que elegemos políticos com fichas sujas, suspeitas de crimes ou condenados pela justiça. A imprensa tem noticiado uma lista enorme de políticos de todo o país que receberam algum tipo de ajuda em milhões de reais de executivos da Odebrecht. Entre eles, Rosinha, Garotinho e Clarissa, além de tantos outros do estado do Rio de Janeiro como Francisco Dornelles, Sérgio Cabral, Luiz Fernando Pezão, Lindberg Farias, e outros nomes menos expressivos. Todos negam envolvimento, pois admitir um crime desses é sentença garantida. E por aí vai esgoto abaixo nossa moral política brasileira. Triste, muito triste esse fim de festa.

Quando Rosinha se candidatou à reeleição para a prefeitura de Campos dos Goytacazes, eu estava fora da cidade e quis escrever uma crônica sobre ela. Desisti. Pessoalmente, eu tinha uma mágoa e queixas com o seu governo que devia a mim e à minha mãe dinheiro de aluguéis referentes ao Programa Saúde da Família iniciado nas gestões passadas, e que fora extinto pela gestão da prefeita. Outras cerca de sessenta famílias que alugaram suas casas para o PSF se viram na mesma situação, além de terem seus imóveis depredados, sem devolução ou aluguéis em atraso.  Foram mais de quatro anos sem receber pagamentos (quando por fim pagaram, foi sem correção e sem juros) e as obras de reparação do imóvel não foram concluídas. Um prejuízo financeiro e emocional, pois minha mãe dependia desse imóvel para se manter, e morreu sem ter o caso solucionado. Este é um exemplo do que é a má-gestão pública com o dinheiro público. Pedi a todos os seus assessores próximos uma solução, e apenas recebia tapas nas costas e promessas: “vamos resolver”. E olha que eu era uma pessoa relativamente conhecida, trabalhava na imprensa (imagina um anônimo sem contatos dentro do governo?). A festa já tinha terminando para mim e eu fui obrigado a esperar até o final, sem nenhum sorriso nos lábios, nem música, nem comida ou bebida. Algumas pessoas do governo nem me cumprimentam mais. E outros, mais ofendidos, me excluíram do Facebook (quase uma ciberinquisição, vejam só).

Não sei se a lista de delações de executivos da Odebrecht envolvendo os membros da família Garotinho é verdadeira, mas as denúncias já são investigadas pelos agentes da operação Lava-Jato. Não sei que apelidos lhes foram dados pelos executivos da mega-construtora, já que eles já são naturalmente apelidados ou em nome ou em sobrenome, Não sei se eles chegaram ao fim da carreira política com tantas denúncias e inimizades em toda a parte como verificamos.

Não sei se daqui a dois anos, Rosinha, Clarissa ou Garotinho se candidatarão ou se conseguirão serem eleitos para qualquer cargo ou mandato político. Não sei se uma nova festa será programada por eles e seus aliados e quem irá aos bailes da família. Não sei se o próximo governo que sucederá Rosinha conseguirá recuperar a auto-estima e a esperança da população de Campos. Não sei se Rosinha que agora usa cabelos longos e lisos retomará sua carreira de atriz iniciada nos palcos do Teatro do Sesi e Teatro de Bolso de Campos; se fará novelas bíblicas na TV Record como A Terra Prometida; ou se gravará um álbum com os cantores Elymar Santos e Joanna; se vai se dedicar apenas à família e aos netos; se vai escrever um novo livro de memórias ou de denúncia sobre quem quer prejudicar e eliminar seu marido, a ela e os seus (o estilo Truman Capote poderia inspirar a narrativa, quem sabe) como ela relatou sofridamente sobre o homem-bomba ao jornalista Roberto Cabrini no programa Conexão Repórter, do canal SBT.

Não sei se os Garotinho se converterão à uma nova fé, e quem sabe, se repetirão a antiga tradição judaica de mudar de nome quando uma nova vida se iniciar, como Abraão, Sara, Paulo e Jacó o fizeram. Só sei que a festa de 2016 está acabando. No dia 31 de dezembro, o último a sair da Prefeitura de Campos deve apagar a luz. Não desejo o mal a nenhum de nossos governantes. Ao contrário. Que sejam abençoados. E que, se forem condenados pela justiça dos homens ou divina, que paguem, pois “bem-aventurados os que têm fome e sede de justiça, pois eles serão fartos” (Matheus 5:6). Acho que este fim de festa não foi feliz nem para os Garotinho, nem para as pessoas que vivem nesta cidade, e também no estado do Rio de Janeiro e em todo o Brasil. Perdemos muito. Estamos com a imagem bastante desgastada. Melhor seguirmos a sugestão de Tina Turner ao sair de cena. É hora de ir embora para a casa. Por enquanto, não há nada mais para festejar.

 

0

Nesta quarta, na Villa Maria, teatro e poder sobem ao palco

 

 

Tese TB

 

 

Invenção grega de antes de Cristo, como a democracia, o teatro é o palco em que será defendida a partir das 9h a manhã desta quarta-feira, na Villa Maria, a tese de doutorado do campista Glauber Matias em Sociologia Política pela Uenf: “Palco e resistência: a geração do Teatro de Bolso”. Ciente da importância do trabalho de Glauber, com foco entre o final das décadas de 60 e 80 do séc. 20 — chegando ao “Muda Campos” que levou Anthony Garotinho (atual PR) pela primeira vez ao poder — o professor da Cândido Mendes José Luis Vianna da Cruz, convidado à banca de análise, criou aqui, na democracia irrefreável das redes sociais, uma página para convidar ao evento.

Como orientadora da sua tese, Glauber teve a professora de Sociologia da Uenf Luciene Silva. Sobre o trabalho do orientando, ela disse:

— A tese fez uma retomada da atividade teatral em Campos, através dos seus principais grupos, partindo do final dos anos 1960, mas principalmente dos anos 1970, acompanhando os vários movimentos que vão confluir no “Muda Campos” (que elegeu Garotinho prefeito da cidade pela primeira vez em 1988). Era um teatro de vanguarda, crítico, em diálogo com coisas importantes que estavam acontecendo no Brasil da época. Com isso, poderia ter gerado uma mudança cultural na cidade. Mas a questão temática foi o teatro, as peças, os grupos a recepção popular; não a política. Tentamos fugir da armadilha que seria centrar a análise na figura que, a partir de certo momento, fez tudo girar em torno de si: Garotinho.

Por sua vez, o próprio Glauber confessa que o ocupação recente do Teatro de Bolso Procópio Ferreira em maio deste ano (aqui), pelos artistas e coletivos culturais da cidade, foi o que determinou o foco em seu trabalho de pesquisa:

— Quisemos descobrir o papel social que o teatro representou na história do município, na luta pelo poder. Pesquisamos desde as primeiras experiências de resistência cultural e política, a partir de 1968, sobretudo do teatro amador. E fomos dali até o contexto histórico do qual emergiu Anthony Garotinho, quando o processo de luta criou uma ruptura na ordem vigente. Ela vai emergir de uma luta pela hegemonia do Teatro de Bolso e, dali, pela cidade. No final dos anos 1970, muitos deles eram jovens que vinham do movimento estudantil, ligados à política. E criaram o que chamamos na sociologia de “estruturas de sentimento”: foram se aproximando, se conhecendo nos bares, ruas, no Teatro de Bolso, quando este estava aberto, problema que se repetiu desde a sua fundação, em 1968, até hoje. Era a luta contra a Ditadura Militar (1964/85), contra as forças conservadoras. Essa disputa pela hegemonia vai gerar o “pé na porta” (do qual Garotinho se catapultou à política) no Teatro de Bolso. E levou até o “Muda Campos”, em 1987 e 88. Mas não entramos na parte política, quando os arranjos de força se tornaram outros.

 

0

Fabio Bottrel — O ajuste do tempo e do sentimento

 

Bottrel 17-12-16

 

 

Na cozinha iluminada à vela pela falta de luz com a chuva torrencial que caia afora a janela, vi minha amada sorrir sozinha enquanto cortava alguns legumes e eu os refogava. Gotas de chuva se misturavam a suaves melodias, preparando o ambiente perfumado pelo aroma do jantar enquanto nos distraíamos cozinhando.

— Está rindo sozinha? – Perguntei.

— Essa música me abre o sorriso.

Parei o que estava fazendo para prestar atenção à música e ela também me abriu o sorriso. Era Raindropskeepfallingonmyhead, de Billy Joe Thomas ou B. J. Thomas, trilha sonora do famoso faroeste americano de 69 estrelado por Paul Newman e Robert Redford:Butch Cassidy andthe Sundance Kid. Além de ter sido escrito por um dos roteiristas mais consagrados do mundo, William Goldman, que levou o Oscar de melhor roteiro original, e ganhou outro Oscar em 76 por AllthePresident’sMen. Fazia tempo que não escutava a música, mas como toda boa obra ela sempre se ajusta ao tempo e aos sentimentos, cabendo perfeitamente no clima da cozinha e na vida. Aprendi que sempre há uma maneira leve de levar a vida dura, e assim seguir, com graciosidade através das tempestades. Segue o vídeo com a música, letra, tradução e algumas imagens do filme:

 

 

 

 

 

Raindrops Keep Falling On My Head

Raindrops keep falling on my head
And just like the guy
Whosefeet are too big for hisbed
Nothingseemstofit
Those rain drops keep falling on myhead
They keep falling

So I justdid me some talkingtothesun
And I said I didn’tlike
The wayhegotthingsdone:
Sleepingonthejob
Thoseraindropskeepfallingonmyhead
Theykeepfalling

Butthere’sonething, I know
The blues theysenttomeet me
Won’tdefeat me
It won’tbelong
Tillhappinessstepsuptogreet me

Raindropskeepfallingonmyhead
Butthatdoesn’tmean
Myeyeswillsoonbeturningred
Crying’snot for me
‘Cause I’mnevergonna stop therain
Bycomplaining
BecauseI’mfree
Nothing’sworrying me!
It won’tbelong
Tillhappinessstepsuptogreet me.

Raindropskeepfallingonmyhead,
Butthatdoesn’tmean
Myeyeswillsoonbeturningred
Crying’snot for me
‘Cause I’mnevergonna stop therain
Bycomplaining
BecauseI’mfree
Nothing’sworrying me!

 

Tradução de Murilo no site Letras.mus.br.

Gotas de Chuva Continuam Caindo Em Minha Cabeça

Gotas de chuva estão caindo em minha cabeça
E igual ao sujeito
que já não cabe mais em sua cama,
Nada parece se ajustar.
Esses pingos de chuva estão caindo em minha cabeça
Eles continuam caindo

Então eu bati um papo com o Sol,
E falei que não gostava
Do modo que ele fazia as coisas:
Dormindo no trabalho
Esses pingos de chuva estão caindo em minha cabeça
Eles continuam caindo

Mas há uma coisa, eu sei,
Tristeza que eles me enviaram
Não me derrotarão;
Não vai demorar muito
Para a felicidade me encontrar

Pingos de chuva continuam caindo em minha cabeça,
Mas isso não significa
Que meus olhos logo ficarão vermelhos.
Eu não sou de chorar
Porque eu nunca vou parar a chuva
Reclamando
Porque eu sou livre,
Nada está me preocupando!
Não vai demorar muito,
Para a felicidade me encontrar

Pingos de chuva continuam caindo em minha cabeça,
Mas isso não significa
Que meus olhos logo ficarão vermelhos.
Eu não sou de chorar
Porque eu nunca vou parar a chuva
Reclamando
Porque eu sou livre,
Nada está me preocupando!

 

0

Votação inócua após Justiça vetar uso de imóveis para pagar rombo de Rosinha

Ponto final

 

 

Após liminar, votação inócua

Diante da pressão da população, que lotou as galerias da Câmara nas sessões de terça (13) e ontem (15), o governo Rosinha Garotinho (PR) não conseguiu aprovar seu projeto de lei, mais duas emendas do presidente do Legislativo Edson Batista (PTB), que comprometeriam todos os bens imóveis, créditos e direitos creditórios do município, para pagar o rombo rosáceo no Previcampos. E, depois da decisão liminar de ontem do juiz da 4ª Vara Cível de Campos, Eron Simas, vetando a dação de imóveis nos termos propostos por Rosinha, mesmo que seja aprovada pelo vereadores rosáceos na sessão extraordinária de hoje, o projeto será inócuo.

 

Com e sem coincidências

Por coincidência, Eron responde também pela 99ª Zona Eleitoral de Campos, que julga as 38 Ações de Investigação Judicial Eleitoral (Aijes) daquilo que o Ministério Público Eleitoral (MPE) denunciou como “escandaloso esquema”, na suposta troca de Cheque Cidadão por votos na eleição de outubro. Destes, 11 foram eleitos ou reeleitos à Câmara Municipal. Sete já ocupam assento no Legislativo. Sem coincidência, votarão hoje a favor de se usar os imóveis do município para pagar o rombo de Rosinha no Previcampos, estimado em mais de R$ 400 milhões: Jorge Rangel (PTB), Kellinho (PR), Magal (PSD), Thiago Virgílio (PTC), Ozéias (PSDB), Cecília Ribeiro Gomes (PT do B) e Miguelito (PSL).

 

Articulações reveladas

Para conseguir a maioria que não tinha na sessão de terça (13), mesmo proibido pelo Tribunal Superior Eleitoral de pisar em Campos, para não atrapalhar as investigações da Polícia Federal (PF) na operação Chequinho, Anthony Garotinho articulou em videoconferências na quarta (14) para ter o voto de três vereadores que estavam indecisos: Jorge Magal (PSD), Abdu Neme (PR) e Álvaro César (PRTB). Na quarta (14), no blog “Opiniões”, hospedado na Folha Online, e ontem (15), nesta mesma coluna, foram reveladas as articulações de Garotinho, atuando como “prefeito de fato” do município, como já havia antecipado o juízo da 100ª Zona Eleitoral.

 

Previsível

O resultado, revelado na tensa sessão de ontem, que adiou novamente a votação para hoje, foi que Abdu e Álvaro César apresentaram uma nova emenda governista, na qual limitavam os imóveis que pretendem utilizar para pagar o rombo rosáceo na previdência dos servidores. Seriam eles o prédio do próprio Previcampos, na av. Alberto Torres; a nova Rodoviária do Shopping Estrada; o novo prédio do Procon, na av. José Alves de Azevedo; além de três terrenos do Fudecam: em Mineiros, Travessão e no Pq. Nogueira. O prédio do Previcampos e o Shopping Estrada também já tinham sido adiantados, ontem, nesta coluna.

 

A causa de tudo

Foi também no “Ponto Final” que se revelou o verdadeiro motivo dessa busca desesperada nos últimos 15 dias de um governo que administrou o município por oito anos. Distante da insustentável explicação de “cálculo atuarial” que Garotinho quis vender ainda na terça (13), a causa real do seu nervosismo é que, sem a efetivação da draconiana proposta de lei, Rosinha corre o sério risco de se tornar inelegível já a partir de 1º de janeiro de 2017.  E graças à liminar da 4ª Vara Cível, em ação do advogado e vereador eleito Cláudio Andrade (PSDC), a (ainda) prefeita está mais perto disso. Independente do que seus vereadores votarem hoje.

 

No prejuízo

Há quase três anos na estrutura provisória do parque Alberto Sampaio, os camelôs perderam as contas de quantas vezes viram suas mercadorias se perderem por causa de alagamentos. À espera da nova estrutura, que ainda parece estar longe de ser inaugurada, eles amargam mais um prejuízo às vésperas do Natal. Muitos investiram em mercadorias justamente para a ocasião. Ontem, ao invés de vender, eles passaram o dia tirando a sujeira e contabilizando as perdas.

 

Resposta nas urnas

O que se espera agora é que depois tantas mancadas dadas pelo atual governo municipal, inclusive com a construção da nova estrutura do Camelódromo em área inadequada por conta do valor histórico do Mercado Municipal, os camelôs sejam tratados com mais respeito e não como massa de manobra para eleger candidatos. Não só os camelôs, mas milhares de campistas têm entendido que não dá mais para suportar esse tipo de política e a resposta já veio nas urnas.

 

Publicado hoje (16) na Folha da Manhã

 

0

Guilherme Carvalhal — O velho marinheiro

 

Carvalhal 15-12-16

 

 

Movido pelas alvíssaras estipuladas na bola de cristal garantindo-lhe sucesso nas aventuras e riquezas escondidas além dos mares, o jovem impulsivo ingressou no navio e atravessou águas longínquas acumulando um número infinito de histórias. Temperou-se de sal a estibordo e queimou-lhe o sol pendurado ao mastro, gritando ao capitão quando avistava terras nunca pisadas pelo homem ou bestas marítimas jamais registradas nos catálogos biológicos.

Cada vinco talhado na face guardava uma passagem específica e sua pele servia de papel para um diário escrito em cicatrizes e marcas. As rugas no rosto indicavam a bexiga e os dentes ausentes o escorbuto. O pedaço arrancado do mindinho se foi quando um tufão arrancou umas das velas e ele travou a mão tentando firmá-la pelas cordas. Sua respiração falha surgiu quando quase se afogou após um naufrágio e um navio dos mercantes holandeses resgatou-o e o degredou em uma ilha no Caribe.

Se seu corpo contava essas histórias, a memória de elefante acrescentava muitas e muitas mais. Resgatava de memória sua visita aos reinos de Shaka e o susto ao testemunhar a habilidade com que abatiam zebras em um único arremesso de lança. Avistou as tropas de soldados orientais combatendo com suas espadas recurvadas, bebeu vinho em crânios ao norte de Europa e assistiu às danças sensuais das mulheres em Cuba.

E, pelos muitos territórios, conheceu amores fugazes, preenchendo-se um pouco com os mistérios dos véus daquelas que cruzavam os desertos e daquelas com a pele protegida por grossos gibões nas terras glaciais. Cantou ao som do alaúde pelas tabernas da Espanha e fugiu de maridos ciumentos na América do Norte.

Os anos foram se passando e nada da fortuna aparecer. Colhia pouco dinheiro e o perdia em prazeres passageiros. Não amealhou nenhum grande patrimônio, tampouco um pecúlio para se sustentar na velhice. Quando faltou-lhe o viço da juventude, despejaram-no ao litoral à própria sorte, esperando crocodilos jurássicos devorarem suas sobras de carnes.

Em uma tarde de chuva branda à beira dos manguezais que o ouvi contar suas desventuras. Sua feição de pesar, de quem mete as caras por horizontes promissores e retorna com as mãos abanando e o estômago roncando, conquistava certo público e esses, pesarosos diante de sua súplica, lançavam algumas moedas com as quais ele comprava um pão dormido.

Assim então o coloquei sob minha proteção e lhe garanti um fim de vida menos desamparado. Dei-lhe pouso e duas refeições ao dia e, em troca, comparecia à sua cabana para tomar-lhe um bocado de seu conhecimento. Não poderia deixar de notar que aquele homem combalido por uma tosse sangrenta e insistente parecia gigante perante mim, impelindo-me a uma vergonhosa pequenez.

Ele morreu em meus braços. Tentei acudi-lo quando as dores no peito se acentuaram. Reclamou comigo a miséria de sua vida, pela sua busca inútil por uma promessa infundada na juventude, que o prendeu a uma paixão arrebatadora da qual não conseguiu se desvincular. E somente quando a morte bafejou em sua nuca ele se deu conta de escolhas erradas que o lançaram a uma morte à mendicância, dependendo do favor de um samaritano.

Fechei seus olhos inertes e saí da cabana tomado pela súbita vontade de chorar. Aquele homem morria com a plena certeza de ter desperdiçado toda a sua vida. E eu não conseguia parar de invejá-lo.

 

0

Câmara contra o Uber quer entregar prédios para cobrir o rombo

Ponto final

 

 

Fiel da balança: Abdu, Álvaro e Magal

Na terça, a população campista lotou as galerias da Câmara e impediu a aprovação do projeto de lei da prefeita Rosinha Garotinho (PR) e duas emendas do presidente do Legislativo Edson Batista (PTB), que disponibilizariam todo os prédios, créditos e direitos creditórios do município para pagar o rombo rosáceo no Previcampos. A despeito disso, o destino de Campos foi mais uma vez selado por Anthony Garotinho (PR). Ontem, ele teria fechado o apoio dos três edis que ainda estavam em dúvida para a votação na sessão extraordinária às 10h da manhã de hoje: Abdu Neme (PR), Álvaro César (PRTB) e Jorge Magal (PSD).

 

Previcampos, Apic e Shopping Estrada

O “prefeito de fato” do município, segundo o juízo da 100ª Zona Eleitoral, teve que ceder para ter o apoio dos três edis reticentes. Em duas videoconferências entre Garotinho, secretários e vereadores rosáceos, na manhã e tarde de ontem, o martelo foi batido — sobre a cidade e a vontade da sua população. No lugar de disponibilizar todos os bens imóveis de Campos para pagar o rombo de Rosinha na previdência dos servidores municipais, serão três os prédios destinados a fazê-lo: o do próprio Previcampos (antiga Caprev), na av. Alberto Torres; o da antiga Apic (atual Projeto Resgate), na av. 28 de Março; e o Shopping Estrada.

 

Cobrir rombo e inelegibilidade

Assim, com os votos de Paulo Hirano (PR), Albertinho (PMB), Jorge Rangel (PTB), Thiago Virgílio (PTC), Auxiliadora Freitas (PHS), Cecília Ribeiro Gomes (PT do B), Kellinho (PR), Mauro Silva (PSDB), Miguelito (PSL) e Ozéias (PSDB) somados aos de Adbu, Álvaro e Magal, além do próprio Edson, se for necessário, tentarão cobrir o rombo de Rosinha no Previcampos, a 15 dias desta encerrar seu mandato. Caso contrário, a atual prefeita de direito e única aposta de Garotinho numa tentativa de voltar a ocupar o governo do Estado em 2018, corre o risco de ficar inelegível já a partir de 1º de janeiro de 2017.

 

É bom pensar

Se confirmada hoje a pretensão dos rosáceos, os vereadores que fizerem a vontade dos Garotinho — muitos já citados no “escandaloso esquema” do Cheque Cidadão —, podem estar se envolvendo em mais um impasse judicial. Na visão do presidente da OAB-Campos, Humberto Nobre, os que votarem a favor do projeto de Rosinha “darão margem, certamente, para que a Justiça corrija eventuais danos ao patrimônio municipal, inclusive com a responsabilização dos atores que levaram o município a tal quadro”. Para os que ainda não aprenderam a didática lição aplicada pelo Judiciário e Ministério Público de Campos, é bom pensar desde já nas consequências.

 

Uber “brecado”

O que já havia se desenhado na audiência pública, do último dia 8, se confirmou ontem na Câmara com a proibição do Uber em Campos. O clima amistoso entre oposição e governistas pouco lembrou os conflitos em pauta e a maioria concordou em “brecar” o funcionamento do aplicativo de transporte na cidade. Cederam à pressão de taxistas como eleitores, sem permitir à população o direito de escolha. Ainda há dúvidas sobre como ficará a fiscalização, mas especula-se que não será a mesma feita sobre as lotadas dominadas pelas milícias, que atuam livremente na cidade.

 

Oposição e situação unidas

Se na tribuna 15 vereadores se uniram contra o aplicativo, com apenas algumas faltas e três abstenções — Nildo Cardoso, Auxiliadora e Tadeu —, nas galerias, mais uma vez lotadas, a população também reagiu com vaias ao “breque” ao Uber aprovado na Câmara e que seguirá para sanção da prefeita Rosinha Garotinho (PR), que deve aprovar seguindo o desejo de seus aliados. Mas não pense que se a sanção ficasse a cargo do prefeito eleito Rafael Diniz (PPS), o resultado fosse diferente. Ontem, ele foi um dos vereadores que votou contra o aplicativo.

 

O que está em jogo?

Rafael já vinha se colocando oficialmente contra o funcionamento do Uber em Campos, que, comparado com os táxis, colhe elogios onde é implantado. O prefeito eleito foi criticado na mesma democracia irrefreável das redes sociais que foi fundamental à sua vitória em 2 de outubro. Seu interesse agora é outro: a eleição da Mesa Diretora da Câmara, que tem como Marcão (Rede) à presidência da Casa — outro contra o Uber. Aliado de ambos, o vereador José Carlos (PSDC) foi o algoz do Uber com seu projeto aprovado ontem, por motivos óbvios, mesmo mal confessos.

 

Com a colaboração do jornalista Rodrigo Gonçalves

 

Publicado hoje (15) na Folha da Manhã

 

0

OAB adverte: Justiça vai corrigir danos ao patrimônio de Campos

 

OAB-Campos

 

 

E se os vereadores de Campos, na sessão extraordinária na manhã desta quinta, votarem a favor do projeto de lei nº 0101/2016, assinado pela prefeita Rosinha Garotinho (PR), que disponibiliza o patrimônio imóvel do município para cobrir o rombo rosáceo no Previcampos?

Bem, na visão do advogado Humberto Nobre, presidente da OAB-Campos, os vereadores que votarem a favor do projeto de Rosinha “darão margem, certamente, para que a Justiça corrija eventuais danos ao patrimônio municipal, inclusive com a responsabilização dos atores que levaram o município a tal quadro”.

Para os rosáceos quem ainda não aprenderam a didática lição aplicada pelo Judiciário e Ministério Público de Campos, na denúncia e julgamento do que o último classificou como “escandaloso esquema”, na denúncia do Cheque Cidadão na troca por voto nas eleições de outubro, é bom pensar desde já nas consequências do seu voto.

Abaixo, a manifestação do presidente da OAB, que estará presente na votação desta quinta na Câmara:

 

Presidente da OAB-Campos, Humberto Nobre (Foto: Tércio Teixeira - Folha da Manhã)
Presidente da OAB-Campos, Humberto Nobre (Foto: Tércio Teixeira – Folha da Manhã)

 

As medidas contidas no Projeto de Lei nº 0101/2016 são denotativas de uma atitude drástica, posto que constituem, em última análise, a possibilidade de alienação de parcela significativa, senão total, do patrimônio imóvel da municipalidade.

Por si só, penso, tal medida deveria ter sido amplamente debatida no seio da sociedade em conjunto com os edis, mormente quando se trata de uma gestão que até antes das eleições alardeava saúde financeira.

Apesar de não se ter a exata dimensão do problema financeiro que se pretende sanear, esta obscuridade já constitui motivo suficiente para se objetar contra o prosseguimento do projeto de lei em questão.

Não se pretende substituir os poderes outorgados pelo voto direto, mas ressai absurdo de tal situação, que tais medidas sejam adotadas agora, no apagar das luzes, de uma gestão que se encerra, sem fazer sucessor, conforme vontade popular.

Resta a esperança de que os nobres vereadores possam, demonstrando o tamanho da responsabilidade dos votos que lhes foram confiados, suspender a votação e iniciar um processo de abertura ao debate com toda a sociedade, a exemplo do que já estava fazendo com a realização de Audiências Públicas (ex.: Código Tributário e Uber), não só para procurar soluções para a crise criada, mas igualmente para investigar os motivos que levaram a sua existência.

Assim não o fazendo darão margem, certamente, para que a Justiça corrija eventuais danos ao patrimônio municipal, inclusive com a responsabilização dos atores que levaram o município a tal quadro, o que não se revela, ao menos não a mim, a melhor saída, posto que a judicialização de problemas que podem e devem ser enfrentados, neste caso, pelos poderes municipais constituídos e competentes, sempre ao lado e do lado da população, não devem ser relegados a uma solução que afaste sociedade de sua discussão.

A se adotar procedimento diferente, afastando ainda mais a população da vida política e das decisões que envolvem tamanho interesse público, os vereadores reforçarão com vigor a ideia latente na população brasileira que não encontra nesta classe política reverberação dos seus anseios e necessidades.

Só resta esperar que a voz da sociedade encontre eco na Casa do Povo e das Leis, a não ser assim, certamente a Justiça será convocada a se manifestar.

 

0

Garotinho negocia para tapar rombo de Rosinha e impedir sua inelegibilidade

Garotinho mandão

 

 

Tudo indica estar certo o juízo da 100ª Zona Eleitoral, quando afirmou (aqui) o que Campos inteiro já sabia: Anthony Garotinho (PR) é o “prefeito de fato” de Campos. Se, graças à ministra Luciana Lóssio, do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), em decisão depois referendada pelo plenário do TSE, Garotinho conseguiu se ver livre da cadeia — após ter sido preso como chefe do “escandaloso esquema”, na denúncia da troca de Cheque Cidadão por voto nas eleições de outubro —, a decisão de mantê-lo fisicamente afastado de Campos não surtiu efeito prático para impedi-lo de continuar a determinar os destinos da cidade.

Na manhã e tarde de hoje, em duas vídeoconferências com vereadores e secretários rosáceos,Garotinho teria conseguido fechar o apoio dos três edis ainda reticentes em aprovar o projeto de lei da prefeita Rosinha Garotinho (PR) e duas emendas modificativas do presidente do Legislativo Edson Batista (PTB), que disponibilizariam (aqui) todo os prédios, créditos e direitos creditórios do município para pagar o rombo rosáceo no Previcampos.

Assim, na sessão das 10h desta quinta, marcada extraordinariamente para votar o projeto e suas emendas, os vereadores Abdu Neme (PR), Álvaro César (PRTB) e Jorge Magal (PSD) devem ser juntar aos colegas Thiago Virgílio (PTC), Albertinho (PMB), Jorge Rangel (PTB), Auxiliadora Freitas (PHS), Cecília Ribeiro Gomes (PT do B), Paulo Hirano (PR), Kellinho (PR), Mauro Silva (PSDB), Miguelito (PSL) e Ozéias (PSDB); além de, se necessário, o próprio Edson. Além de aprovarem o projeto de Rosinha e as emendas de Batista, a última carga do rolo compressor governista deve também passar por cima das duas emendas ontem propostas (aqui) pelo vereador Marcão (Rede).

Na primeira emenda da oposição, a intenção é excluir do processo todos prédios da Saúde e Educação Públicas, das unidades de acolhimento, das secretarias municipais e de administração pública direta e indireta, a sede da Prefeitura e os teatros Trianon e de Bolso . A segunda se baseia no vacatio legis (vacância da lei) para que a nova lei, mesmo se aprovada, só possa ser sancionada num prazo de 60 dias, já após a posse de Rafael Diniz (PPS) na Prefeitura e um amplo debate sobre o assunto juntos aos servidores.

Como a população de Campos, que lotou as galerias na sessão de terça (13) e impediu a votação do projeto de Rosnha e das emendas de Edson, promete voltar nesta quinta, a revolta pode ser grande, caso se confirme o acordo firmado embaixo dos panos por Garotinho. E o clima de tensão deve ser maior às 10h da manhã, depois que o “prefeito de fato”, a 15 dias de deixar o cargo para o qual não foi eleito, mandou (aqui) convocar desde hoje, via WhattsApp, todos DAS e RPAs do governo rosáceo para também comparecerem à sessão.

Nesta quinta, a despeito da vontade da imensa maioria da sua população, Campos deve perder prédios, créditos e direitos creditórios para pagar o rombo no Previcampos deixado por Rosinha — e impedir que ela seja considerada inelegível já a partir de 1º de janeiro de 2017. À luz do dia, vale tudo para atender aos ditames de um político degregado pelo TSE da sua própria cidade.

 

Confira amanhã (15) os detalhes na coluna “Ponto Final”

 

Atualizado às 21h04 para correção de informação

 

0

População impede que Rosinha e Edson vendam Campos para cobrir rombo

Ponto final

 

 

Povo recusa projeto de Rosinha

Pode até soar demagogia a quem não esteve presente na sessão de ontem, na Câmara Municipal. Mas para quem assistiu ao vereador e prefeito eleito Rafael Diniz (PPS) entrar com a bancada de oposição, sob os aplausos da população que lotou as galerias, bem como as vaias que levaram o presidente da Câmara Edson Batista (PTB) e os demais edis rosáceos, pouca dúvida restou: Rafael e seu candidato a presidir a próxima Legislatura, vereador Marcão Gomes (Rede), não estavam mentindo quando disseram (aqui e aqui) ter sido o povo campista o responsável pela recusa ao projeto de lei da prefeita Rosinha Garotinho (PR).

 

Esclarecimento viral

Pelo projeto de Rosinha, ficariam comprometidos todos os bens imóveis do município. Não bastasse, uma emenda proposta por Edson ainda queria avançar sobre todos os créditos e direitos creditórios de Campos. Tudo para pagar o rombo deixado pelos rosáceos no Previcampos. Da intenção e suas consequências, a população campista foi esclarecida na edição de ontem desta coluna e pelo blog “Opiniões”, que anunciou (aqui) o “Ponto Final” e reproduziu (aqui) seu teor, na Folha Online e em links na democracia irrefreável das redes sociais (aqui, aqui, aqui e aqui). Até ontem, as postagens dos dois textos tinham 137 compartilhamentos e mais de 2,9 mil curtidas.

 

Ecos de Garotinho

Com a sessão suspensa e a votação adiada para sessão extraordinária, amanhã (15) de manhã, o vereador governista Thiago Virgílio (PTC) afirmou (aqui): “Ninguém está vendendo nada. Não há rombo”. Forte candidato rosáceo à presidência da próxima Legislatura, ele fez coro a Anthony Garotinho (PR). Degredado de Campos pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE) e da rádio O Diário pelas investigações da Polícia Federal (PF), o marido da prefeita — “prefeito de fato” no juízo (aqui) da 100ª Zona Eleitoral — disse (aqui) nas redes sociais que toda a polêmica se resume a uma questão de… “cálculo atuarial”. E foi ecoado no final da noite (aqui) numa nota oficial da Prefeitura.

 

Certos e duvidosos

Desde as jornadas de março de 2013, quando os brasileiros saíram às ruas para protestar contra os rumos do país, passando pelo impeachment da ex-presidente Dilma Rousseff (PT) e o apoio à operação Lava Jato, que já chegou (aqui) ao casal Garotinho, a população tem encurtado as distâncias da democracia representativa, fungando no cangote daqueles que elegeu. Ontem, em Campos, não foi diferente. Com 11 votos certos e três duvidosos — Abdu Neme (PR), Jorge Magal (PR) e Álvaro César (PMN) — contra o projeto de lei de Rosinha e as emendas draconianas de Edson, a pressão popular na Casa do Povo será mais uma vez decisiva amanhã.

 

Edson de exemplo

Ontem, a oposição também apresentou duas emendas, ambas de Marcão. Na primeira, a intenção é excluir do processo todos os prédios da Saúde e Educação, das unidades de acolhimento, das secretarias e da administração pública direta e indireta, a sede da Prefeitura e os teatros Trianon e de Bolso . A segunda, se baseia na vacatio legis (vacância da lei) para que o projeto, mesmo se aprovado, só possa ser sancionado em 60 dias. No jogo de interesses dos dois lados, quem contrariar aqueles de quem o elegeu corre o risco de sair, na sessão de amanhã, como Edson, na de ontem: vaiado e chamado em coro de “corrupto” pela população.

 

À espera de novembro

A situação do servidor estadual ainda está longe de melhorar, mas pelo menos para os profissionais ativos da Educação um alívio virá hoje com o pagamento até o fim do dia dos salários de novembro. Já os funcionários ativos e inativos da área de Segurança — policiais civis e militares, bombeiros e agentes penitenciários — terão seus vencimentos depositados na próxima sexta-feira. Mas, para quase 50% dos demais servidores ativos, inativos e pensionistas a situação é ainda pior, pois só receberão de forma escalonada em calendário a ser estabelecido até o fim desta semana.

 

“Gestor de RH”

Ao falar sobre a situação do Estado, Pezão disse que os “governantes se transformaram em gestores de RH, gestores de folha de pagamento, e, se não forem resolvidos esses problemas, dificilmente os estados e as prefeituras conseguirão sobreviver”. Ele destacou ainda que os governadores estão administrando por “soluços”, pois todo o dinheiro que entra sai rapidamente dos cofres.

 

Com a colaboração do jornalista Rodrigo Gonçalves

 

Publicado hoje (14) na Folha da Manhã

 

0

Previcampos — Nota oficial ecoa Garotinho: “desequilíbro atuarial”

Sobre a polêmica da proposta de lei nº 1331/2016, assinada pela prefeita Rosinha Garotinho (PR), que visa disponibilizar todos os bens imóveis do municipalidade para cobrir o rombo deixado por seu governo no Previcampos, a Prefeitura emitiu no final da noite de ontem uma nota oficial.

Em respeito ao contraditório, segue abaixo a versão oficial rosácea, cujo teor é muito semelhante à manifestação anterior (aqui) de Anthony Garotinho (PR) na democracia irrefreável das redes sociais:

 

Previcampos

 

0