Cineclube Goitacá exibe e debate nesta quarta “Lawrence da Arábia”

 

Lawrence da Arábia. O que falar do clássico do cinema e da personagem real na qual ele se baseia? Considerado pelo American Film Institute como o sétimo melhor filme já feito, o longa dirigido em 1962 pelo mestre inglês David Lean (1908/91) ganhou os Oscar de melhor filme, diretor, edição, fotografia, direção de arte, som e trilha sonora. A partir das 19h de hoje, a obra será apresentada no Cineclube Goitacá, na sala 507 do edifício Medical Center, no cruzamento das ruas Conselheiro Otaviano e 13 de Maio. A entrada e a participação no debate são gratuitas e bem vindas.

Apesar dos sete Oscar de “Lawrence da Arábia”, Hollywood cometeu das maiores injustiças da sua história ao não conceder também o prêmio de melhor ator ao irlandês Peter O’Toole (1932/2013). Até hoje, impressiona sua solar interpretação da personagem que batiza o filme: o arqueólogo, literato, agente secreto, diplomata e militar britânico Thomas Edward Lawrence (1888/1935).

A partir da morte de Lawrence num acidente de moto, o filme recua em flash-back até o início do seu envolvimento no teatro da I Guerra Mundial (1914/18), no palco do Oriente Médio. Com boa parte dele controlada há 400 anos pelo Império Otomano, o conhecimento profundo da língua e cultura árabes fizeram com que o jovem arquéologo fosse requisitado pelo serviço de inteligência do Império Britânico, para atuar na ligação com as tribos beduínas do deserto. Elas lutavam contra o domínio turco muito antes da I Guerra.

Aliada da Alemanha e Império Austro-Húngaro, a Turquia enfrentava em seus antigos domínios a Grã-Bretanha e a França. Ambas já se interessavam pelo controle da região rica em petróleo, naquele início de século XX — importância geopolítica que o Oriente Médio mantém, 100 anos depois. Como oficial de ligação e agente secreto, Lawrence foi enviado ao acampamento nômade do príncipe Feiçal. Interpretado no filme por Alec Guiness, ele era líder de Meca (cidade mais sagrada dos muçulmanos) e da até então incipiente Revolta Árabe (1916/18).

Na demada do “milagre” pedido por Feiçal, Lawrence assumiu seu protagonismo no papel de profeta sem Deus. Com 50 beduínos, ele cruzou o deserto de Nefud, considerado intransponível, para conquistar Aqaba, na atual Jordânia. Cidade portuária fundamental ao domínio da região, toda a pesada artilharia turca estava apontada para o mar. Por terra, no lombo de camelos e comandando apenas árabes nômades, cujas vestes e costumes passou a adotar, o jovem ocidental de 28 anos fez o que a poderosa Marinha Real Britânica havia tentado, sem conseguir.

A partir do feito militar sem precedentes, Lawrence fundamentou o que ficaria conhecido como guerra de guerrilha. Os árabes tinham camelos, cavalos, espadas e fuzis. A Turquia já contava com metralhadoras, granadas, artilharia e a aviação de um exército moderno e mecanizado. Na impossibilidade de sucesso em confronto aberto, o líder britânico aproveitou a agilidade dos beduínos no deserto, atacando e sumindo rapidamente nas extensas paisagens castigadas de sol. Reproduziu o que a Inglaterra havia feito na Terra com navios.

Após Aqaba, Lawrence realinhou o alvo dos árabes sobre o mar das ferrovias inimigas, fundamentais ao abastecimento numa região desértica. Dinamitadas em açõs cirúrgicas, causaram o esgotamento dos turcos por falta de suprimentos e armamentos, até que o gigante se ajoalhasse vagarosamente por inanição.

O ponto alto da Revolta Árabe, após Jerusalém, foi a tomada de Damasco. Os árabes comandados por Lawrence foram os primeiros a entrar na capital da Síria. E, como libertadores, impuseram o fim de quatro séculos de domínio da Turquia sobre o Oriente Médio. Ao seu lado, o britânico tinha líderes beduínos como Ali ibn el Kharish (Omar Sharif) e Auda Abu Tayi (Anthony Quinn). Imbatíveis na guerra, os nômades se revelaram, todavia, incapazes de administrar as demandas sedentárias de uma grande cidade em tempos de paz.

Após o esfuziante sucesso militar, o dilema do jovem oficial no pós-guerra se revelou não só entre os beduínos que liderou, mas na pátria a que serviu. A partir do acordo Sykes-Picot, de 1916, Inglaterra e França já haviam dividido o Oriente Médio nos países que passamos a conhecer. E, no lugar da liberdade e da autodeterminação prometidas por Lawrence aos árabes, as duas nações europeias vencedoras da I Guerra assumiram da derrotada Turquia o papel de domínio da região. O que só acabaria após a II Guerra (1939/45).

Com a lealdade dividida entre árabes e britânicos, algo se quebrou dentro da personalidade multifacetada do próprio Lawrence. Na busca do que desse sentido à sua fantástica aventura na Península Arábica, ele a transformou no livro “Os sete pilares da sabedoria”. Escrito entre 1919 e 1922,  com revisão do dramaturgo e amigo George Bernard Shaw, seu autor só o lançou não comercialmente em 1926. Mas o poder da narrativa foi tamanho que a obra de mais de 600 páginas rapidamente se disseminou, sendo considerada um marco da literatura do século XX.

Mais conhecido como primeiro-ministro da Grã-Bretanha, do que como jornalista, pintor e prêmio Nobel de Literatura, Winston Churchill escreveu sobre o monumento literário de Lawrence, baseado em suas experiências à luz do sol no deserto:

— Se fosse obra de mera ficção, haveria de viver enquanto o inglês fosse falado em algum recanto do globo.

Foi no livro em que o filme se baseou. Depois do que seu autor fez e contou, não houve um movimento de guerrilha no mundo, dos chineses de Mao Tse-Tung e Zhu De, aos cubanos de Fidel Castro e Che Guevara, dos vietnamitas de Ho Chi Minh e Vo Nuguyen Giap, aos brasileiros dos Carlos Lamarca e Marighella, que não tivesse assumidamente bebido no relato do jovem arqueólogo e militar britânico. Nas suas palavras: tomou “nas mãos estas ondas de homens”.

Talvez a grande virtude do filme seja reproduzir em imagens os parágrafos do livro “escritos ao ritmo do lombo dos camelos”, como definiu C. Machado, seu primeiro e definitivo tradutor no Brasil. Para levar a história às telas, David Lean contou com a ajuda de outro mestre da sétima arte: o diretor de fotografia inglês Freddie Young (1902/88). Numa das parcerias mais exitosas do cinema, renderia ao fotógrafo mais dois Oscar, em duas outras obras-primas dirigidas por Lean: “Dr. Jivago” (1965) e “A filha de Ryan” (1970).

Sobre a personagem histórica de Lawrence, tão fascinante quanto intrigante, ou sua imortal cinebiografia, diz C. Machado, tradutor do livro: “Hamlet do Hedjaz (deserto a oeste da hoje Arábia Saudita), que ajustava a mira do velho fuzil enquanto interrogava as estrelas”.

 

Confira o trailer do filme:

 

Sobre o livro:

 

Acusação de racismo para tentar inverter o jogo entre futebol e política

 

No último dia 13 de abril, antes da Copa da Rússia, Özil presenteou o controverso Erdogan com sua camisa 11 do Arsenal (Foto: Reuters)

 

O meia Mezut Özil, do Arsenal, anunciou ontem nas redes sociais que não defenderá mais a seleção da Alemanha. Filho de pais turcos, o campeão da Copa de 2014 saiu atirando e acusou os dirigentes da Federação Alemã de racismo. O pomo da discórdia foi uma foto que o jogador fez em maio deste ano com o presidente da Turquia, o controverso Recep Erdogan, que estava em plena campanha de reeleição.

Na ocasião, a foto e sua ampla divulgação foram alvo de críticas de dirigentes do futebol alemão. Mas como Özil era o camisa 10 da seleção então campeã do mundo, uma das favoritas ao título na Rússia, a coisa ficou por isso mesmo. Daí veio a Copa. E o jogador e sua seleção não jogaram nada.

Titular no primeiro jogo, na derrota de 1 a 0 contra o México, Özil foi sacado do time na vitória de 2 a 1 sobre a Suécia. E, inexplicavelmente, voltou a ser titular na vergonhosa derrota de 2 a 0 para a Coreia do Sul. Por questão de futebol, não racial, sua presença em campo foi unanimemente encarada pela crítica internacional como um dos motivos do retumbante fracasso alemão.

Herdeira dos Impérios Bizantino e Otomano, além do controle sobre boa parte do mundo islâmico, a Turquia era uma das maiores potências do mundo até I Guerra Mundial (1914/18), quando foi derrotada junto com a Alemanha. O que restou do país foi salvo na Guerra de Independência Turca (1919/23) liderada pelo militar Mustafá Kemal Atatürk (1881/1938), que fundou a República da Turquia como estado laico e foi seu primeiro presidente.

O culto à figura do fundador da Turquia moderna, que sobrevive até hoje, é criticado pelos islâmicos, que dizem não adorarem santos. Ironicamente, o líder mais marcante que o país teve de lá para cá foi Erdogan. No poder desde 2003, ele é considerado um anti-Atatürk, por ter resgatado a promiscuidade entre religião e política banida do país desde a década de 1920, quando já era encarada como sinônimo de atraso.

Por contestações como essa, Erdogan sofreu uma tentativa de golpe fracassada em 2016. Que respondeu fortalecendo seu poder, baseado no populismo religioso, em condições de exceção que perduram. Cerca de 107 mil servidores públicos e soldados foram demitidos e mais de 50 mil pessoas estão até hoje presas. Mais de 5 mil acadêmicos e 33 mil professores também perderam os empregos. Sem contar cerca de 150 jornalistas detidos desde 2016.

Foi a esse tipo de líder político que Özil apoiou publicamente antes da Copa. Meia técnico, ele sempre foi, no entanto, o tipo de jogador conhecido como “vaga-lume”: que acende e apaga durante uma partida. Por essa inconstância, não conseguiu se firmar no Real Madrid, do qual foi liberado para tentar a sorte no Arsenal.

Aos 29 anos, pelas atuações de pouca qualidade e nenhum comprometimento na Copa da Rússia, Özil tinha seu desligamento da seleção alemã tido como certo. Mas, quase um mês após a eliminação germânica do Mundial, o jogador agora alega ter sido vítima de racismo, porque apoiou o governante do país de seus pais, de clara inclinação autocrata, e foi repreendido no país democrático em que nasceu.

Ao simular vontade própria em sua despedida da seleção da Alemanha, após a crônica esportiva do mundo já ter decretado seu adeus, Özil tenta usar o politicamente correto para inverter o jogo. Só pode colar com quem não entende nada de história, geopolítica, ou  futebol. Infelizmente, é a maioria da “torcida”.

 

Alexandre Buchaul — Fim do começo

 

 

Esses últimos dias fecharão o prazo para realização das convenções partidárias e definições dos candidatos para a eleição em outubro. Essa etapa é a finalização de acordos que se arrastam em articulações sem fim há ao menos um ano. Por mais que o calendário eleitoral determine datas em um cronograma bem definido sobre as ações eleitorais dos partidos e candidatos, sabemos que a campanha nunca tem fim. Os exércitos que agora se perfilam para a batalha já deixaram acordos que cobrem a eleição de 2020, sejam lá quais forem os resultados alcançados por cada postulante, os algoritmos estão determinados e, terminando esta eleição, ganhará vida o tabuleiro municipal.

O “centrão”, ao menos por hora, estará com Geraldo Alckmin do PSDB na corrida presidencial, Ciro morre afogado lentamente na própria intemperança, Marina… bem Marina “ainda não decidiu se é contra, a favor ou muito pelo contrário” — faz de sua já habitual indefinição uma nódoa permanente. Bolsonaro, com todas as suas peculiaridades, diz que o centrão é escória, mas que está em boa parte com ele e continua sonhando com a Janaína Pascoal, que não se definiu, como sua vice. Os demais pré candidatos ainda precisam comer muito arroz com feijão, ou sair da cadeia, para valer a pena comentar.

Na corrida para o legislativo a profusão de candidatos vindos de todos os cantos possíveis, alguns inimagináveis me leva a ter cada vez mais convicção de que deveríamos adotar o sistema distrital.

Acharam ruim? Melhor nem falar sobre o Rio de Janeiro…

 

Hamilton Garcia — Do socialismo cientítico ao socialismo mítico

 

 

O título principal do artigo é uma referência ao texto do revolucionário socialista russo Vladimir Lênin escrito em 1897, onde ele, à semelhança de Marx e Engels n’A Ideologia Alemã (1846), procurava situar a luta socialista nos marcos do realismo empírico (socialismo científico) ou seja, da modernidade fundada, a duras penas, nas révolutions citoyens dos séculos anteriores – em oposição ao idealismo romântico (socialismo utópico) predominante na esquerda da época.

Se no trabalho de Marx&Engels[1] o foco era o idealismo crítico da esquerda alemã, que acreditava ser possível combater “o mundo real lutando contra a ‘fraseologia’ do mundo”, numa “luta filosófica contra as sombras da realidade” — de novo em voga no séc. XXI —, no de Lênin[2] o alvo é a crítica populista ao capitalismo, que se transformara em repulsa ao desenvolvimento e apologia à comunidade rural originária russa.

Enquanto nossos autores alemães[3] refutavam seus filósofos por não terem se lembrado “de procurar a conexão da filosofia alemã com a realidade alemã, a conexão de sua crítica com o seu próprio ambiente material”, nosso russo[4] condenava os populistas por ignorarem as mudanças causadas pelo capitalismo na realidade rural da Rússia, mantendo uma visão romântica do campo e, assim, fazendo “o jogo da estagnação e de toda a sorte de asiatismos” ao comparar “sempre a realidade do capitalismo com a ficção do regime pré-capitalista”, daí concluindo pela superioridade do segundo — como, amiúde, fazemos com relação aos povos naturais e às populações vulneráveis.

O que animava a corrente realista da esquerda, desde o Manifesto Comunista (1848), era a ideia de que “(…) não é possível conseguir uma libertação real a não ser no mundo real e com meios reais; (…) não é possível abolir a escravatura sem a máquina a vapor e a mule-jenny (fiação automática), nem a servidão sem uma agricultura aperfeiçoada (…). A ‘libertação’ é um fato histórico, não um fato intelectual, e é efetuada por condições históricas, pelo nível da indústria, do comércio, da agricultura”[5].

Deriva disso que a revolução socialista só poderia ser obra de uma sociedade evoluída, onde a divisão do trabalho estivesse suficientemente avançada, o acúmulo de riqueza e cultura elevado e a forma de existência há muito tenha deixado de ser local. Do contrário, diziam nossos alemães, “só a penúria se generaliza, e (…) a miséria recomeçará a luta pelo necessário e se cairá de novo na imundície anterior”[6].

Foi precisamente a não observância desse limite real à mudança social (revolução), levando longe demais a ideia de “revolucionar o mundo existente”[7], que levou o socialismo racional ao colapso. Se na Comuna de Paris (1871), Marx apoiara os trabalhadores por se tratar de um gesto extremo numa situação extrema — sabendo da impossibilidade de qualquer socialismo naquelas condições —, Lênin, ao provar a possibilidade (e necessidade) da revolução popular na Rússia (outubro de 1917) para garantir qualquer progresso democrático ao país, creu ser possível, por isso mesmo, estender o poder popular à esfera econômica sem maiores considerações acerca da capacidade da classe trabalhadora — já em pleno taylorismo — em gerir adequadamente as modernas empresas, com as desastrosas consequências sabidas, entre elas: a guerra civil, o colapso da produção industrial e agrícola, e a consequente anomia social que levou à hipertrofia do Estado e à supressão das liberdades públicas.

Desde então, já sob o stalinismo — que foi a reação da nomenklatura soviética à tentativa de Lênin, com a NEP, de reverter a tragédia —, o racionalismo socialista foi posto a serviço da mais perversa das formas idealistas de todos os tempos: o marxismo-leninismo, uma espécie de super-Leviatã despótico à serviço da utopia comunista(!); capaz de fazer bula rasa de qualquer abordagem empírica honesta e, pior, usando, para tal, os maiores inimigos da utopia (Marx, Engels e Lênin), em nome dos quais — com o uso arbitrário e abusivo de seus textos, transformados em sagrados — se constituiu a mais fantástica máquina de narrativas fraudulentas da história, à guisa de redenção revolucionária, representada por um jornal chamado Pravda (Verdade).

Iludem-se os que pensam que este cruel processo degenerativo do socialismo-científico, transmutado em socialismo-mítico, tenha se esgotado junto com seu mais célebre protagonista (Stálin) ou sua mais iminente criatura (PCUS). Na verdade, seu ocaso inaugurou uma nova era de mistificações na esquerda, agora não mais sob a roupagem do comunismo, mas do humanitarismo, que, aditivado pelas interpelações pós-modernas de matiz norteamericana (identidades, lugares de fala, etc.), nos levam, sem mais mediações, da razão à emoção e, dependendo do contexto, à comoção, num agir comunicativo que não só prescinde da análise histórica rigorosa e da própria ciência natural, como exige seu abandono em nome de um novo puritanismo ético, de caráter laico-utópico, muito mais amplo e persuasivo do que o comunismo.

É impossível separar o homem de sua natureza histórica e de sua história natural — natureza esta que é a base de sua própria existência —, já haviam nos ensinado os alemães[8], mas a “nova esquerda” não se contentou em suplantá-los — aniquilando, por tabela, o legado de Morgan e Darwin —, libertando também a própria ideia humanitária de qualquer determinação complexa para torná-la apanágio exclusivo de uma “vontade política” personificável.

Não é por outro motivo que complexas antinomias se transformaram em simples paradoxos na verve de lideranças prestidigitadoras, capazes de, em frases curtas e penetrantes ao nível do subconsciente, ressignificar a conexão entre economia e política de modo a possibilitar a mais ampla e discricionária liberdade da última sobre a primeira — maximizando o pecado original leninista.

“Se, ao final de meu mandato, cada brasileiro puder se alimentar três vezes ao dia, terei realizado a missão de minha vida”[9], disse LILS, a maior liderança política da esquerda desde a redemocratização, ao tomar posse, em 2002, sem maiores preocupações com o fato de que o capitalismo brasileiro havia sido capturado pela “doença holandesa” (rentismo) e que a realização deste sonho — mais do que justo, inadiável — não seria sustentável sem reformas econômicas que visassem, mais que o consumo das famílias — perspectiva de curtíssimo-prazo dos liberistas —, os investimentos produtivos capazes de criar empregos e produtos, além de reformas políticas que pusessem fim ao domínio neopatrimonial sobre o Estado, que junto com o setor financeiro se constituem em verdadeiros “devoradores de mais-valia”[10] ou, em outras palavras, parasitas dos excedentes produtivos que deveriam sustentar a economia pública e privada de todos.

 

[1] A Ideologia Alemã – crítica da filosofia alemã mais recente nos seus representantes Feuerbach, Bruno Bauer e Max Stirner e do Socialismo Alemão nos seus diferentes profetas, ed. Centauro/SP, 2006, pp. 11-12, 15.

[2] ¿A Que Herencia Renunciamos?, in. Obras Escogidas Vol.1, ed. Progreso/Moscú, 1979, passim.

[3] Op. cit. p. 15.

[4] Op. cit. pp. 96-97.

[5] A Ideologia Alemã, p. 29, grifo meu.

[6] id. p. 45, grifo meu.

[7] Id. p. 31.

[8] Id., pp. 32-33.

[9] Luís Inácio da SIlva, apud. Bernardino Furtado e Ronald Freitas, Cruzada Contra a Fome, in. <http://revistaepoca.globo.com/Epoca/0,6993,EPT432696-1659,00.html>, edição 233 de 04/11/02, em 20/07/18.

[10] Gramsci, apud. Giuseppe Vacca, Modernidades Alternativas – o século XX de Antônio Gramsci, ed. FAP-Contraponto/DF-RJ, 2016, p.190.

 

Guilherme Carvalhal — Heteronímia

 

 

Em uma antiga civilização, um profeta anunciou o novo ordenamento das divindades para que sempre que um homem ou uma mulher morresse, todos aqueles com o mesmo nome, independentemente do status social, mudassem de nome. O nome do falecido jamais seria repetido e ele se tornaria único na morada celeste, justificava o portador da tábua com o mandamento.

Nos primeiros meses da implementação dessa norma pouca coisa se alterou. Morria alguém e os xarás passavam pelo inconveniente de alterar seu registro civil e demais documentos. Aqueles que não enfrentavam esse infortúnio davam risadas quando morria um Quased e todos os Quased precisavam procurar o tabelião para se adequar.

Com o passar dos anos, o peso dessa regra se agravou. Algumas pessoas mudavam várias vezes de nome ao longo da vida e isso atrapalhava o sistema de correios e de cobrança bancária. Provar ser dono de um imóvel e outras demandas judiciais se tornaram confusas em decorrência dessa alteração contínua de contratos e documentos. Os cartórios mesmo encontraram dificuldade para colocar em ordem sua papelada.

No âmbito do convívio social também se notaram rachaduras. Conhecidos que não se viam há tempos muitas vezes caíam em saias justas por não saberem o nome uns dos outros. Houve um caso de um casamento em que os convites foram enviados e o noivo precisou trocar de nome antes da cerimônia, causando forte mal-estar.

Paulatinamente, a quantidade de nomes disponíveis no idioma desse povo foi se esgotando e precisaram adotar os de outros países e até mesmo inventar. Como consequência, o tecido social se converteu em uma intrincada teia de sílabas e fonemas antes inexistentes. Lembrar a identidade do outro se tornou mais difícil diante da capilaridade e a busca por novos nomes acabou criando influências diversas no falar, como na introdução de palavras e expressões exóticas.

Esse processo desencadeou na ininterrupta quebra de laços entre as pessoas. Conflitos aos poucos se tornaram mais comuns e a violência tomou conta das cidades. O não reconhecer uns aos outros levou à barbárie e desencadeou em uma sangrenta guerra civil que conduziu toda essa civilização ao colapso.

Séculos depois, os arqueólogos se empenham em descobrir como um povo portador de uma cultura tão complexa e sofisticada conseguiu sucumbir por conta própria. E mal imaginam os sacerdotes dando risadas quanto ao seu poder de definir os destinos da humanidade envergando as palavras dos deuses.

 

Ciro ofende e ameaça promotora que o processou por injúria racial

 

Na noite de ontem, Ciro Gomes (PDT) chamou de “um filho da puta desses” o promotor de São Paulo que o processou por injúria racial. Na declaração feita durante a sabatina da Associação Brasileira de Máquinas e Equipamentos (Abimaq), o presidenciável foi além: “Ele que cuide de gastar o restinho das atribuições dele, porque se eu for presidente essa mamata vai acabar”.

 

 

O processo foi movido pelo Ministério Público paulista por conta de uma declaração dada por Ciro em abril, numa entrevista à rádio Jovem Pan. Na ocasião, ao falar da possibilidade de uma aliança sua com o DEM, ele se referiu ao histriônico líder do Movimento Brasil Livre (MBL) e vereador paulistano Fernando Holiday (DEM), que é negro, como “capitãozinho do mato”.

Certamente, o novo destempero de Ciro foi de encontro aos eleitores de esquerda, ressentidos com a operação Lava Jato, que já colocam o pedetista como terceiro colocado em todas as pesquisas nos cenários sem Lula. Mas como a Lava Jato conta com o apoio de cerca de 90% da população brasileira, a incontinência verbal do político cearense parece ter pouca chance de conquistar votos para além dos já convertidos.

Ciro já ficou fora do 2º turno da eleição presidencial de 2002, após declarar que o principal papel da sua então esposa, a atriz Patrícia Pillar, era “dormir” com ele. Depois, em março de 2016, se envolveu num bate-boca em frente ao prédio do seu irmão. Visivelmente alterado, ele chegou a confrontar e ameaçar fisicamente manifestantes — “amanhã, vem um e dá um tiro na sua cabeça, filho da puta!” —, além de se referir a Lula como: “um merda!”.

 

 

Agora, processado por outra declaração infeliz, Ciro ofendeu e ameaçou institucionalmente um membro do Ministério Público. Com o nome preservado, foi revelado hoje que se trata de uma mulher.

O maior promotor de acusação contra Ciro é ele mesmo. E sua boca grande. Fosse peixe, no lugar de presidenciável, dificilmente passaria da fase de alevino.

 

Morre no Rio o jornalista de Campos Joca Muylaert

 

Jornalista Joca Muylaert entre as rosas das ruínas de Atafona (Foto: Facebook)

 

Acabou de falecer no Instituto Nacional do Câncer (Inca), no Rio de Janeiro, o jornalista Jorge Luís Muylaert, o Joca. Ele tinha 60 anos e estava internado desde 28 de janeiro, para tratamento de leucemia. Devido a complicações pulmonares e renais, ele foi para o CTI do hospital, onde estava desde sexta (13), e faleceu nesta tarde. Joca deixa seis filhos e um neto. O velório será a partir das 8h desta quarta, no Campo da Paz, onde o corpo será sepultado às 16h.

Joca era bastante conhecido na cidade não apenas como jornalista, ofício que exercia muito antes de se formar na Faculdade de Filosofia, em 2002. Como militante político, a partir da reabertura democrática no Brasil, ele foi um dos fundadores do PSDB de Campos no final dos anos 1980. Depois, comandou durante alguns anos o PV no município e foi coordenador do partido na região.

Com militância ativa também no cenário cultural de Campos, Joca foi poeta vencedor do FestCampos de Poesia Falada. Ele também foi diretor da Casa de Cultura Villa Maria, nos anos 1990, ainda no processo de implantação e consolidação da Uenf. Ciente das questões de diversidade que só se tornariam pautas da moda alguns anos depois, um dos destaques da sua administração foi a instalação do Centro de Referência da Cultura Afro-Brasileira (CCAB) na Villa.

Como autor, Joca publicou um único livro: “O Beija Flor Amigo”, lançado em 2002. Pai amoroso de meia dúzia de filhos, dedicou a obra à literatura infantil. No governo Alexandre Mocaiber, ele foi ainda diretor da Biblioteca de Campos durante a gestão da produtora Luciana Portinho na Fundação Cultural Jornalista Oswaldo Lima (FCJOL).

Jornalista, poeta, irreverente e contestador por natureza, Joca também foi um boêmio conhecido na noite goitacá. Pelo menos na última década, seu ponto mais frequente era a saudosa Toca dos Amigos, na rua Pero de Góis, que fazia quase de segunda casa. Ele era muito amigo do proprietário, Roberto Alves da Costa. O falecimento deste (aqui), em 9 de abril deste ano, deixou o cliente e amigo, já internado no Inca, profundamente triste.

Elevada pelo encantamento dos seus personagens mais ilustres, a Toca dos Amigos agora é outra. Com uma cerveja estupidamente gelada, é de lá que Joca e Roberto erguerão seus copos de botequim, com choro do santo derramado em chuva, para justificar os que agora são apenas saudade.

 

Leia a cobertura completa na edição desta quarta (18) da Folha da Manhã

 

Encruzilhada Trump/Putin e o despacho da direita e da esquerda

 

(Foto: Kevin Lamarque/ Reuters)

 

A esquerda brasileira odeia o Trump e relativiza o Putin. A direita brasileira se referencia no Trump e finge que ele não deve sua eleição ao Putin. Em coletiva após encontro de cúpula em Helsinque, na segunda-feira (16), Trump desautoriza o serviço de inteligência do próprio país e não se constrange em ser o moleque de recados do Putin.

Conclusão? No tabuleiro geopolítico da Terra, direita e esquerda brasileiras têm a relevância de um despacho na encruzilhada dos peões.

 

Copa da Rússia, contas de Rosinha e impeachment de Crivella em debate

 

Na noite de ontem (15), não pude ficar até o final da sexta edição do 4 em Linha. Mantido por Igor Franco, Gustavo Alejandro Oviedo e Alexandre Buchaul, o debate girou em torno da final da Copa da Rússia, da votação das contas de Rosinha Garotinho (Patri) na Câmara Municipal e da tentativa de impeachment do prefeito carioca Marcelo Crivella (PRB). Se você não assistiu à live no Facebook, ou se viu e quiser rever, confira abaixo:

 

 

Igor Franco — Royal Straight Flush

 

 

No domingo passado, enquanto o país digeria a dolorosa derrota para a Bélgica na já finada Copa da Rússia de 2018, surgiu uma notícia com toda cara de fake news: Lula livre.

A partir da decisão de um desembargador plantonista que posteriormente se descobriria ser um antigo militante petista, a ordem de soltura do presidente foi despachada para que a Polícia Federal a cumprissem em caráter de urgência. Segundo o desembargador Rogério Favreto, havia um fato novo no pedido: a pré-candidatura de Lula. Até o momento, não foi respondida a pergunta sobre onde estaria o desembargador nos últimos dois anos, enquanto o ex-presidente anunciava a quem não perguntasse sua intenção de se candidatar ao Planalto.

Segundo o despacho, o preso mais ilustre e reverenciado do país deveria ser solto de imediato e estaria, inclusive, liberado do exame de corpo de delito — trâmite normal para qualquer movimentação de entrada e saída do sistema penitenciário.

Os autores do pedido de habeas corpus, os deputados Paulo Pimenta, Paulo Texeira e Wadih Damous, todos do PT, pareciam ter tirado a sorte danada: o pedido de soltura foi protocolado apenas meia hora após o início do plantão do desembargador Rogério Favreto. O desembargador, embora tivesse militado por 20 anos no partido dos deputados, tivesse sido nomeado nos governos Lula e Dilma em cargos de confiança e embora também tivesse sido alçado a desembargador pela ex-presidente, não se sentiu pressionado a declarar suspeição. Numa dessas coincidências que só acometem aos petistas, a chegada dos deputados Wadih Damous e Paulo Pimenta à carceragem da Polícia Federal de Curitiba se deu trinta e cinco minutos antes da publicação no site do TRF4 da esdrúxula decisão de soltar Lula. Obviamente, como coincidência não havia no fato do sítio atribuído a Lula possuir pedalinhos com nomes de seus netos, também nesse caso os pontos não foram dados sem nós.

Os deputados petistas executaram um plano ousado e com potencial explosivo no cenário político do país. Peticionar especificamente a um desembargador companheiro, durante o recesso forense, em meio à Copa do Mundo sugando as atenções gerais e, principalmente, durante as férias do incansável e antagonista juiz de primeira instância que havia conduzido o processo era um plano fenomenal. Conseguida a libertação de Lula, uma nova prisão demandaria um motivo muito forte e um desgaste ainda maior das autoridades, considerado todo o tumulto do primeiro encarceramento. Um Lula livre e capaz de articular alianças, gravar vídeos e entrevistas — ainda que em domicílio — subverteria totalmente a já confusa corrida eleitoral, abalaria os mercados e tornaria plausível a hipótese de uma chicana jurídica capaz de habilitá-lo à eleição — hipótese, hoje, tão desejada quanto difícil de ser executada com um ex-presidente preso.

Ecoando as palavras do colega de espaço Alexandre Buchaul, com quem o presente artigo dialoga, o mais esperto e maior político do país lançou uma jogada fulminante para subverter o cenário atual. O lance, porém, não contava, mais uma vez com a carta na manga do juiz Sérgio Moro. Mesmo de férias, o magistrado desafiou a ordem do desembargador Favreto e conseguiu retardar o cumprimento da ordem até que o relator do caso — desembargador Gebran Neto — se pronunciasse e obtivesse o respaldo do presidente do Tribunal.

A ousadia de Moro despertou a ira dos petistas que já comemoravam nas redes sociais e fez ruir o maquiavélico plano. A repercussão do imbróglio, embora possa favorecer politicamente o ex-presidente, jogou holofotes sobre a estratégia petista de escapar do caminho institucional tradicional para buscar a libertação do chefe — o que, em última instância (literalmente) — pode ter acabado por sepultar qualquer chance de uma reviravolta.

Se é possível dizer que Lula jamais enfrentou nas urnas um adversário que fizesse frente à sua habilidade política, é inegável reconhecer que, ao longo da Lava Jato, Sérgio Moro esteve sempre uma rodada à frente do petista.

Sorte do Brasil.

 

Blog elege seleção, técnico, craque, melhor jogo e gol mais belo da Copa da Rússia

 

Como disse o ténico da Inglaterra, Gareth Southgate, “foi uma aventura fantástica” Finda ontem (15) a Copa da Rússia, é hora de voltar o mundo normal e lidar com a crise de abstinência. Antes, o blog se despede elegendo sua seleção, o técnico, o craque, o jogo e o gol mais belos, entre as 32 seleções nacionais que se enfrentaram durante os últimos 32 dias, no maior evento esportivo da Terra. Enquanto Qatar 2022 não vem, vamos nós a eles:

 

Goleiro: Thibaut Courtois (Bélgica)

 

Lateral-direito: Thomas Meunier (Bélgica)

 

Zagueiro: Thiago Silva (Brasil)

 

Zagueiro: Domagoj Vida (Croácia)

 

Lateral-esquerdo: Lucas Hernández (França)

 

Volante: N’Golo Kanté (França)

 

Meia: Paul Pogba (França)

 

Meia: Luka Modric (Croácia)

 

Meia: Eden Hazard (Bélgica)

 

Atacante: Kylian Mbappé (França)

 

Atacante: Edinson Cavani (Uruguai)

 

 

Técnico: espanhol Roberto Martínez (Bélgica)

 

 

Craque: Luka Modric (Croácia)

 

 

Melhor jogo: França 4×3 Argentina (30/06)

 

 

Gol mais bonito: Lionel Messi, primeiro do Argentina 2×1 Nigéria (26/06)

 

 

Confira aquiaqui, aqui e aqui, respectivamente, as seleções, os técnicos, os craques, os melhores jogos e os gols mais bonitos da fase de grupos, das oitavas, quartas e semifinais.

 

Time mais eficiente da Copa, França é campeã com erros de arbitragem

 

Mbappé comemora seu terceiro gol, quarto da campeã França sobra a Croácia, primeiro a ser marcado por um jogador com menos de 20 anos numa decisão de Copa, desde Pelé (Foto: Reuters)

 

O placar de 4 a 2 na a final da Copa da Rússia, vencida pela França, sinaliza ao futebol mais ofensivo do passado. Inclusive pelo fato de que o jovem Mbappé, autor do terceiro gol francês, foi o único jogador com menos de 20 anos, depois de Pelé, a marcar numa decisão de Mundial. Mas quem ganhou foi a seleção mais eficiente, não a de melhor futebol. E, mesmo nos tempos do VAR, o que definiu a partida foram dois erros do árbitro argentino Néstor Pestana, nos dois primeiros gols da França, respectivamente em falta e pênali inexistentes.

A Croácia começou melhor o jogo, marcando sob pressão no campo adversário e explorando as jogadas sobre os bons, mas jovens e inexperientes laterais franceses. Até que se deu o primeiro erro capital do juiz argentino, tão atabalhoado na final quanto a seleção do seu país na Copa. Aos 17’, à esquerda da área croata, o atacante Griezmann se jogou num lance em que não foi tocado pelo volante Brozovic. Assim mesmo, a falta foi marcada. O próprio Griezmann bateu a bola dentro da área, tocada de cabeça por Mandzukic contra seu própio gol.

Como em todos os jogos da fase eliminatória, em que saiu atrás no placar, a Croácia não se intimidou. Aos 27’, após uma cobrança de falta de Modric pela direita, a bola ficou viva dentro da área, até que o zagueiro Vida a ajeitou para Perisic. Ele dominou, driblou Kanté e bateu de canhota para empatar.

Quando o equilíbrio foi alcançado no placar, coube novamente ao árbitro Pestana desempatar em outro lance polêmico. Aos 39’, após uma cobrança de escanteio pela direita, o meia Matuidi furou a cabeçada e a bola, involuntariamente, foi desviada pelo braço de Perisic. Apesar das reclamações dos franceses, o juiz não marcou nada, até ser alertado pelo fone de ouvido. Ele conferiu o lance na tela ao VAR, ao lado do campo, e mesmo claramente em dúvida — saiu e voltou para olhar de novo — decidiu marcar o pênalti, bem cobrado por Griezmann.

Com a desvantagem no placar, a Croácia se mandou à frente,  tão logo se deu o segundo tempo. E se expôs aos contra-ataques. Num deles, brilhou o talento de Pogba. Aos 13’, da sua intermediária, ele acionou o veloz Mbappé na direita, que chegou à ponta e cruzou a Griezmann. Marcado, ele rolou a Pogba, que tinha corrido até a entrada da área, para concluir a jogada que iniciou. O clássico meia bateu de direita, a bola rebateu na zaga e voltou para ele chapar de pé canhoto, à direita do gol.

Time experiente e acostumado às adversidades, a Croácia sentiu o golpe. E passou a oferecer ainda mais espaços em seu campo defensivo. Aos 19’, após uma boa arrancada do lateral-esquerdo Hernández, Mbappé bateu de fora da área e entrou para a história numa bola defensável, mas aceita pelo goleiro Subasic.

Quando tudo parecia definido, a conhecida arrogância francesa pregou uma peça. Em bola fácil atrasada pelo zagueiro Umtiti, aos 23’, o goleiro Lloris tentou driblar Mandzukic diante do seu gol. E pagou pelo erro, mas não o suficiente para alterar o resultado final: França 4×2 Croácia

Após o jogo, Griezmann foi eleito o melhor jogador da partida. Mbappé recebeu o prêmio de melhor jogador jovem do Mundial. Com igual justiça, ainda que não tenha brilhado na final, Modric foi escolhido melhor jogador da Copa.

Campeão pela França como jogador em 1998, quando levantou a taça dentro de casa, na condição de capitão daquele grande time, Deschamps hoje foi campeão novamente como técnico. Igualou a façanha do alemão Beckenbauer e do brasileiro Zagallo. Mas superou a ambos no caráter histórico da conquista: ser vencedor na Rússia que derrotou Napoleão.

E depois choveu a balde em Moscou.