Destaques negativos e positivos no primeiro debate a governador do Rio

 

Final do primeiro debate entre os candidatos a governador do Rio, encerrado na madrugada de hoje

 

Acabou nesta madrugada o primeiro debate entre os candidatos a governador, promovido pela Band. E o desempenho dois oito presentes não foi exatamente o mesmo das intenções de voto reveladas no dia anterior. Pela sondagem estimulada do instituto Real Time Big Data, Romário (Pode) tem 25%; Eduardo Paes (DEM), 19%; Anthony Garotinho (PRP), 14%; Indio da Costa (PSD), 6%; Tarcísio Motta (Psol), 3%; Márcia Tiburi (PT), 3%, Pedro Fernandes (PDT), 3%; e Wilson Witzel (PSC), 1%. Líder na pesquisa, Romário foi pouco atacado no debate. Ainda assim, o ex-craque se juntou à petista Tiburi na disputa pelo desempenho mais fraco na Band.

Romário teve dificuldades em articular quase todas suas respostas. E mais ainda quando teve que perguntar. Quando instado a falar das finanças falimentares do Estado, demonstrou ignorar economia ainda mais que o presidenciável Jair Bolsonaro (PSL). Seu incômodo e nervosismo foram fisicamente denunciados durante todo o debate, na quantidade de vezes em que teve usar a língua para molhar os lábios. Com a boca seca, o “Peixe” estava claramente fora d’água.

Professora de filosofia, Tiburi tem boa articulação verbal, mas se revelou militante travestida de candidata. Não por estar usando uma camisa e um colar com as imagens do ex-presidente Lula, mas pelo caráter meramente panfletário das suas intervenções. No último bloco resumiu as perspectivas reais da sua candidatura: “Muitos candidatos aqui falam em prender e arrebentar e daqui a pouco acabam eles presos (…) Lula vai vencer e eu também”. Depois, concluiu com sua proposta de governo: “fazer um Rio de Janeiro feliz para as pessoas”.

Tiburi lembrou ser a única mulher entre os candidatos. Mas ressalvou que entre eles não havia nenhum negro. Romário reivindicou a cota e disse que o negro ali era ele. Pelo que ambos mostraram, as condições para governar o Estado não dependem de gênero ou raça.

Se não restou dúvida dos piores desempenhos da noite/madrugada, é difícil falar em melhores. Certamente, Tarcísio, Garotinho e Indio mostraram traquejo adquirido com experiência. Que também não falta a Paes, mas ele foi a Geni do debate, por conta da ligação com o ex-governador Sérgio Cabral. Se já era de se esperar, o que surpreendeu foi a dobradinha entre Garotinho e Indio para bater no ex-prefeito carioca. Sobretudo porque, em entrevista à Folha da Manhã publicada (aqui) em 6 de agosto de 2016, repercutida na mídia carioca (aqui e aqui), Indio declarou: “a política de Garotinho é manter o pobre na pobreza”.

Na primeira oportunidade que teve no debate, Índio rolou a bola com açúcar e afeto a Garotinho, ao lhe perguntar como Clarissa tinha encontrado a Prefeitura do Rio herdada de Paes, na condição de secretária de Marcelo Crivella (PRB). O político de Campos bateu com tanta força que gerou direito de resposta. Nele, o candidato do DEM disse que Garotinho havia levado até Rosinha à cadeia, “numa das três ou quatro vezes que foi preso”. Em seu direito resposta, o ex-governador alegou que sua esposa foi desrespeitada por Paes, porque este convive com agressor de mulher, em referência ao deputado federal Pedro Paulo (DEM).

Em nível bem mais elevado, se mostrou Tarcísio. Ao ser perguntado por Pedro Fernandes sobre o destino dos palácios do governador, o candidato do Psol primeiro se solidarizou com o adversário, cujo pai desapareceu recentemente num acidente de aviação. Tarcísio foi quem melhor atingiu em Garotinho, dizendo e dando exemplos de como este, quando governador, não foi diferente de Cabral. Mas, pelo bom papel que fez como candidato a governador em 2014, seu desempenho no primeiro debate de 2018 não surpreendeu.

As novidades positivas ficaram por conta de Fernandes e Wilson Witzel. O pedetista demonstrou sinceridade ao propor austeridade e exemplifica-la nos benefícios de que abriu mão como deputado estadual. Por sua vez, com a carreira de juiz federal que abandonou para ser candidato, Witzel mostrou embasamento e, sobretudo, firmeza em suas propostas contra a corrupção. Pareceu estar falando bastante sério quando as assumiu como tentativa de estender a experiência da Lava Jato ao governo do Estado do Rio.

Com 2% de intenções de voto na pesquisa, Marcelo Trindade (Novo) não participou do debate porque seu partido não ocupa o mínimo de cadeiras no Congresso Nacional.

 

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Este post tem 3 comentários

  1. Alex Olimpio

    Acompanhei todo o debate e concordo com suas colocações. Excluo da minha lista de favoritos o comunista Tarcísio e a petista. Acho que de todos, apenas 03 teriam experiência e ou capacidade de governar um Estado tão problemático como o RJ: O juiz, Eduardo Paes e o Garotinho.

    O juiz me pareceu muito firme e não conheço a sua trajetória. Acho que seria um bom nome. Eduardo Paes tem fama de boa gestão, mas está envolvido num monte de treta. Por último tem o Garotinho, que infelizmente parece ser o mais “experiente” e preparado por já ter sido governador e atuado na gestão de Rosinha. Enfim, eu ficaria entre o Juiz e o Garotinho que, apesar dos pesares teria mais experiência, pois na situação em que o RJ se encontra tem q ser experiente

  2. ISAIAS MARTINS SILVA

    Quem entende mais de economia? Lula ou Bolsonaro?

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