Governador Wilson Witzel em visita à Folha da Manhã no período de campanha (Foto: Folha da Manhã)
A pedido do governador Wilson Witzel (PSC), que reiterou a vontade de estar presente no RioAgro Coop, o evento vai ser realizado no dia 23 de maio, no mesmo local, a Coagro, em Campos (RJ). No dia 17 de maio, data inicialmente marcada, o governador foi convocado para um encontro nacional em Salvador (BA), e pediu para que o RioAgro Coop, realizado pelo Sistema OCB-RJ e Coagro, e organizado pelo Fatore, pudesse considerar a mudança da data, em função da agenda pública consistente, composta por pautas como a do crédito e subsídio rurais, e a mudança da classificação climática regional para semi-árido.
O RioAgro Coop conta com apoio do Grupo Folha, e Inter TV. Abaixo, o vídeo promocional do evento:
Rafael, Wladimir, Silvinho, Perfil, Igor e Jorginho (Montagem: Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)
Ação e reação política
O governo Rafael Diniz (PPS) está certo ao não querer antecipar a disputa eleitoral. Mas após dois anos arrumando a casa, por conta de uma dívida de R$ 2,4 bilhões do governo Rosinha Garotinho (hoje Patri), foi o próprio prefeito que assumiu a candidatura à reeleição em 2020. Fez isso na mesma entrevista à Folha, publicada em 30 de dezembro, em que admitiu ser “a hora de avançar politicamente”. E, aos avanços políticos do governo, com Marcão Gomes (PR) no Desenvolvimento Humano e Social, Abdu Neme (PR) na Saúde e uma série de novidades administrativas, houve a reação dos que também pensam em disputar a eleição a prefeito.
Rafael x Wladimir
Reitor do Instituto Federal Fluminense (IFF), Jefferson Manhães Azevedo chegou a ser cogitado como prefeitável para 2020. Mas, em entrevista à Folha publicada (aqui) no último domingo (28), declinou da disputa, à qual apontou Rafael e o deputado Wladimir Garotinho (PSD) como pré-candidatos mais fortes. Não é preciso dirigir a maior instituição de ensino da região para projetar isso. Surpresas recentes da urna recomendem cautela, como a eleição do governador fluminense Wilson Witzel (PSC) e do mineiro Romeu Zema (Novo). Ainda assim, o prefeito e o herdeiro do clã Garotinho parecem ser a aposta mais lógica em Campos.
Restaurante Popular
Embora insista em não assumir sua pré-candidatura, Wladimir age como candidatíssimo. Com Garotinho e Rosinha inelegíveis até 2024, o filho usa o cacife político que restou à família junto ao novo governador Wilson Witzel (PSC). Nos bastidores, tenta dividir a paternidade de iniciativas importantes do governo Rafael. É o caso do Restaurante Popular. Ainda com pernóstico nome de Centro de Segurança Alimentar e Nutricional, Marcão prometeu reabri-lo até o fim do primeiro semestre. E já propôs à gestão Witzel a cessão do prédio estadual onde funcionou o antigo. Por sua vez, Wladimir tenta que governador o reabra por conta própria.
Tomógrafo do HFM
Essa disputa com os principais reforços políticos do governo Rafael, se dá também com Abdu. Através do contato deste com o secretário estadual de Saúde, Edmar Santos, o município vai receber o tomógrafo móvel do Estado na próxima sexta, dia 3, para realização de exames no Hospital Ferreira Machado (HFM), cujo aparelho próprio está em manutenção. No vácuo do único tomógrafo público do município, os vereadores de oposição Eduardo Crespo (PR), Josiane Morumbi (PRP), Renatinho do Eldorado e Alonsimar (ambos do PTC) ser reuniram com Wladimir. Que pediu à secretaria estadual de Saúde o mesmo que Abdu.
Caio fora
Enquanto algumas disputas se antecipam, outras parecem ainda não deflagradas. Anunciada pela coluna no último domingo (28), a articulação do deputado estadual Rodrigo Bacellar (SD) com os vereadores governistas Igor Pereira (PSB), Marcelo Perfil (PHS) e Silvinho Martins (PRP), pelo apoio ao pré-candidato Caio Vianna (PDT), foi ontem negado pelos quatro primeiros. Os três edis admitiram afinidade com o parlamentar da Alerj, mas garantiram que não conversaram com ele sobre possibilidade de apoio político ao filho do ex-prefeito Arnaldo Vianna (MDB). A versão foi endossada pelo filho do ex-vereador Marcos Bacellar (PDT).
Base da base
Os três vereadores da situação indicaram que devem continuar com Rafael. Silvinho pareceu o mais convicto: “Caminhei dois anos e meio com Rafael. Por coerência, como poderia fazer diferente a seis meses da eleição?”. Por sua vez, Perfil disse: “Desde o momento em que eu entrei na base, minha tendência é caminhar com Rafael. Só não vou estar com ele, se o prefeito não quiser”. Aliado antigo dos Bacellar, Igor projetou para 2020: “Vereador da base caminha com o governo. Estou caminhando. Essa é a minha perspectiva”.
Luz, água e gás
Outro vereador governista, Jorginho Virgílio (PRP) ficou ainda mais próximo com a costura do deputado estadual João Peixoto (DC), a quem apoiou em 2018, com Rafael para 2020. O edil comemorou o parecer favorável da Procuradoria da Câmara e da Comissão de Constituição e Justiça sobre um projeto seu, que impede cobrança por estimativa de luz, água e gás. Nada mais justo que cada um pague exatamente o que consumiu no mês. Projetos neste sentido, por parte das câmaras municipais, tiveram sua constitucionalidade atestada em 2018 pelo Supremo Tribunal Federal (STF). O de Jorginho será votado em 1º turno na sessão de hoje.
Numa cidade como Campos, na qual a maioria dos pré-candidatos a prefeito são egressos de uma tradição familiar na política, o deputado Gil Vianna (PSL) apresenta seu nome como uma exceção para 2020: “Eu não tenho berço político e, na minha família, não existe nenhum político, além de mim. Vejo que essa é a hora de mudarmos essa visão dentro do município”. Foi o que ele disse na manhã de hoje, quando foi o convidado do Folha no Ar, programa da Folha FM 98,3, sempre das 7h às 8h45 de segunda a sexta.
Gil Vianna na manhã desta segunda no Folha no Ar (Foto: Isaias Fernandes – Folha da Manhã)
O entrevistado também avaliou o governo Rafael Diniz (PPS). Entre a nota 6 dada (aqui) pelo presidente da Câmara de Campos, vereador Fred Machado (PPS), e a nota 7 ou 8 dada (aqui) pelo reitor do IFF, Jefferson Manhães de Azevedo, ambos em entrevistas à Folha, Gil ficou com a avaliação do primeiro. Mas observou que o prefeito vem fazendo um trabalho de recuperação financeira do município, após ter herdado R$ 2,4 bilhões em dívidas (aqui) da administração Rosinha Garotinho (hoje Patri). Incluída a “venda do futuro” de Campos feita pela então prefeita, contra a qual o hoje deputado votou contra quando era vereador.
Líder da bancada do PSL, maior da Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro (Alerj), Gil espera contar com o apoio da família Bolsonaro em sua pré-candidatura à Prefeitura de Campos. E disse acreditar que o presidente vai conseguir recuperar a popularidade perdida, segundo todas as pesquisas, nos primeiros meses de governo. Ele também esperar ter o apoio do governador Wilson Witzel (PSC) em 2020, que disputa nos bastidores com o deputado federal Wladimir Garotinho (PSD). Mas garantiu que concorrerá a prefeito independente disso.
Presidente do IMTT, Felipe Quintanilha, será o convidado do Folha no Ar da manhã desta terça (Foto: Folha da Manhã)
No início da manhã desta terça (30) o convidado do Folha no Ar será o presidente do Instituto Municipal de Transporte e Trânsito (IMTT), Felipe Quintanilha. Ele detalhará (aqui) o novo modelo de transporte público de Campos. Com previsão de início em maio, ele fará a integração entre ônibus na área central com vans e micro-ônibus, nos distritos. As lotadas também continuarão passando por rigorosa fiscalização. Segundo Quintanilha, o governo Rafael herdou 400 agindo livremente na cidade, e hoje seriam apenas entre 30 e 50. Para o presidente do IMTT, “o grande desafio será resgatar a credibilidade do sistema de transporte”.
Enquanto não chega a entrevista com Felipe Quintanilha nesta terça, confira nos quatro vídeos abaixo a íntegra do Folha no Ar desta desta segunda com Gil Vianna:
Lula na entresvista do dia 26 à Folha de São Paulo e ao El País (Reprodução)
Só hoje, com algum tempo, assisti à entrevista de Lula com os jornalistas Mônica Bergamo (Folha SP) e Florestan Fernandes Júnior (El País), gravada na última sexta (26). Para quem esperava que o ex-presidente estivesse mais humilde após mais de um ano preso na Superintendência da PF de Curitiba, ele exibiu a mesma megalomania de sempre.
Nem tanto por insistir da teoria conspiratória de que foi condenado e preso no caso do triplex do Guarujá por um conluio do promotor Dallagnol, do ex-juiz Moro, de três desembargadores do TRF-4, de cinco ministros do STJ e até do Departamento de Justiça dos EUA. Até porque talvez não lhe reste outra saída entre o delírio e a admissão de culpa, a aposta no primeiro era esperada. Nem que seja para ser balida pelos fieis que restaram.
Lula também insistiu em não fazer autocrítica pelos muitos erros e “mal feitos” do PT, nem pela escolha desastrosa de Dilma para sucedê-lo. E não teve constrangimento ao mais uma vez se ufanar como o “maior presidente da história desse país”. Também foi ácido com adversários políticos, como o também ex-presidente FHC, com quem cultiva uma relação recíproca de amor e ódio — que “se irmanam na fogueira das paixões” reduzida a cinzas pela ducha de água fria do bolsonarismo.
Sobre Ciro, não sem razão, o líder petista observou que o cearense nao sabe conviver com o contraditório. Mas exibiu o mesmo defeito ao ser demasiadamente cruel na avaliação da sua ex-ministra Marina Silva. Lula deixou escorrer pelo canto da boca a mesma bílis que ele e Dilma destilaram em 2014 contra a ex-petista, quando esta quase pôs fim à bipolaridade entre PT e PSDB na eleição presidencial daquele ano.
Lula também lembrou a falta à política nacional que fazem figuras como Ulysses Guimarães, Leonel Brizola e Miguel Arraes. E se nisso não falou nenhuma mentira, foi mais uma vez hipócrita ao não lembrar que foi ele quem entregou a cabeça da petista Marília Arraes (neta do velho Miguel) ao PSB de Pernambuco, só para isolar Ciro na última eleição presidencial.
Sobre política internacional, Lula também insistiu em velhos erros, personificados nos elogios à ressureta argentina Cristina Kirchner e ao falecido venezuelano Hugo Chávez. E disse ser vergonhoso o reconhecimento que o Brasil deu à liderança de Juan Guaidó na Venezuela de Nicolás Maduro, quando o mesmo foi feito pelo Parlamento da Europa. Pregou que a união dos governos do PT com países da América Latina e da África seria para reforçar posição no cenário internacional, não para exportar a rede de corrupção da Odebrecht.
Lula fez também duas análises corretas. Mas que condenam suas conclusões. Disse que é preciso “crediblidade” para liderar o país. E, pelo menos em curto prazo, é difícil crer que ele ou o PT voltem a tê-la para além dos convertidos. Observou também como mudou o perfil do trabalhador, desde que era liderança sindical nos anos 1980. Mas, mesmo assim, insistiu em pregar contra a necessidade de mudança nas regras das relações de trabalho, incluindo a reforma da Previdência.
Por outro lado, o ex-presidente foi preciso ao constatar que, com a ascensão de Jair Bolsonaro à presidência — e seus três filhos não eleitos ao cargo —, o Brasil passou a ser governado “por um bando de malucos”. Como também não errou ao sinalizar dois pesos e duas medidas, quando a Polícia Federal entra na casa de um ex-presidente, como fez na dele, mas não foi acionada para buscar Fabrício Queiroz, depois que o ex-assessor de Flávio Bolsonaro ligado às milícias cariocas se negou a depor no MP sobre suspeitas de corrupção.
Com todos os seus erros, mas também por seus acertos, talvez não faça mal ter Lula de volta à opinião pública do país. Ainda que sua aguardada entrevista tenha dado muito menos repercussão que um tuíte de Bolsonaro sobre “golden shower” no carnaval.
Se ainda não viu, ou quiser rever, confira abaixo:
O Folha no Ar, de 7h às 8h45 na Folha FM 98,3, volta no início da manhã desta segunda (29), quando o entrevistado será o deputado estadual Gil Vianna. Líder da bancada do PSL na Alerj, ele falará também sobre sua pré-candidatura a prefeito de Campos em 2020.
Gil Vianna, Felipe Quintanilha, Seu Zé, Fátima Pacheco e Ricardo André Vasconcelos (Montagem: Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)
A programação terá continuidade na terça (30), quando o convidado será o presidente do Instituto Municipal de Transporte e Trânsito (IMTT), Felipe Quintanilha. Na quarta, 1ºde maio, dia do trabalhador, o entrevistado será José da Conceição Pereira Viana, o Seu Zé, garçom do gabinete do prefeito de Campos desde a última gestão Zezé Barbosa (1982/88). Na quinta (02), será a vez da prefeita da prefeita de outro município, Fátima Pacheco (Pode), de Quissamã. E, na sexta (03), o Folha no Ar fecha a rodada da semana com o jornalista e servidor federal Ricardo André Vasconcelos.
Enquanto Gil Vianna não abre a semana, você pode conferir abaixo os vídeos das duas últimas entrevistas do Folha no Ar. Na quinta (27), o convidado foi o jornalista e secretário de Governo Alexandre Bastos. E, na última sexta (28), o professor, poeta e dramaturgo Adriano Moura:
Ex-prefeito Arnaldo Vianna (Foto: Genilson Pessanha – Folha da Manhã)
Arnaldo Vianna (MDB) será candidato a prefeito de Campos em 2020? A pergunta foi lançada (aqui) pelo próprio ex-prefeito, que tirou certidão negativa de improbidade administrativa e inelegibilidade, além de duas certidões de nada consta em decisões condenatórias com trânsito em julga e em antecedentes criminais. Ele apresentou esses documentos no final da última semana. E disse que, na próxima, irá ao Rio se reunir com o diretório estadual do MDB. A pauta do encontro será a possibilidade de concorrer na próxima eleição municipal.
As certidões foram pedidas pelo advogado de Arnaldo, Antônio Carlos Dias Vieira, o Toninho. Há cerca de um ano, assumiu a assessoria jurídica do ex-prefeito. Procurado pela reportagem da Folha, ele admitiu não ter conhecimento completo de todos os processos do seu cliente, mas admitiu que seus antecessores deixaram “uma situação crítica”. Ainda assim, aposta na possibilidade da candidatura:
Certidões da Justiça que permitiram a Arnaldo se candidatar a prefeito em 2020 (Montagem: Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)
— Pela certidão negativa de improbidade e inelegibilidade, não vejo porque Arnaldo não possa concorrer a cargo público. Pode vir uma nova condenação? Pode! Mas caberá recurso.
Arnaldo já disputou duas eleições a prefeito com base em liminares da Justiça. Em 2008, quando foi o segundo mais votado a prefeito no primeiro turno, só conseguiu disputar o segundo por conta de nova liminar. Rosinha Garotinho (hoje Patri) chegou a fazer uma carreata da vitória, mas teve que adiar a comemoração até o turno final. Em 2012, novamente candidato à Prefeitura, Arnaldo ficou em terceiro lugar, atrás de Makhoul Moussallem (então no PT) e de Rosinha, que se reelegeu ainda no primeiro turno. O ex-prefeito sequer chegou a ter os votos contabilizados pela Justiça Eleitoral.
A eleição à Prefeitura de 2016 não contou com a participação direta de Arnaldo. Mas ele foi considerado fundamental no resultado das urnas. Enquanto seu filho único, Caio Vianna (PDT) ostentava o apoio do pai, chegou a liderar (aqui) a série histórica de pesquisas do instituto Pró-4. Mas por conta de divergência internas, o ex-prefeito acabou sendo obrigado a sair do PDT e, depois, até do nanico PEN, antes de ir ao MDB e oficializar (aqui) seu apoio a Geraldo Pudim (MDB). Nos bastidores, comentava-se que os polos da disputa, misturando família e política, eram a ex-veredora Ilsan Vianna (PDT), mãe de Caio e ex-mulher de Arnaldo, e a atual esposa deste, a psicóloga Edilene Vianna (MDB).
Se não conseguiu transferir sua popularidade a Pudim, Arnaldo feriu de morte a candidatura do filho em 2016, que desidratou até terminar o pleito em terceiro lugar. Antes, Caio fez um acordo por baixo dos panos com o ex-governador Anthony Garotinho (hoje sem partido), na tentativa de forçar o segundo turno. No último debate antes das urnas, na InterTV, o filho do ex-prefeito fez clara dobrada com o candidato garotista Dr. Chicão (PR). Mas ambos foram batidos ainda no primeiro turno por Rafael Diniz (PPS), que venceu em todas as zonas eleitorais do município.
Consumado o pleito a prefeito, Garotinho passou a apostar publicamente na realização de uma nova eleição. E Caio se animou com a possibilidade de disputá-la com o apoio do ex-governador, com quem se reuniu (aqui) várias vezes no Rio, no prédio do “Palavra de Paz”, que era monitorado pela Polícia Federal. Após Garotinho ser condenado e preso na operação Chequinho, o filho de Arnaldo se mudou de Campos. Voltou a residir no município só para disputar a eleição a deputado federal em 2018. Mas voltou a perder e se mudou mais uma vez da cidade que sonha governar, onde só voltou a residir há pouco mais de um mês.
Em 2019, após ter sugerido (aqui) que Caio tivesse uma mulher como vice em sua chapa a prefeito, e de ter criticado publicamente (aqui) o fato do filho só aparecer em Campos nos períodos pré-eleitorais, o ex-prefeito passou a ter o apoio ostentado pelo jovem pedetista, em fotografias nas redes sociais. Ao lançar a possibilidade de voltar a concorrer à Prefeitura em 2020, Arnaldo descartou a possibilidade de disputá-la contra o filho:
— Temos um acordo. Se eu me candidatar, Caio me apoiará. Se eu não vier, apoio ele. Não dá para nós dois concorrermos juntos.
No dia 9, mesmo em que Arnaldo Vianna ofereceu publicamente seu apoio ao filho, Caio preferiu posar com Rodrigo Bacellar (Foto: Reprodução)
Bastidores de 2020 (I)
Em entrevista publicada na Folha em 22 de dezembro, pouco antes de assumir como deputado estadual, o advogado Rodrigo Bacellar (SD) se colocou como pré-candidato a prefeito em 2020. No entanto, desde que foi postada nas redes sociais uma foto sua (aqui) com o filho do ex-prefeito Arnaldo Vianna (MDB), Caio Vianna (PDT), a pré-candidatura deste a prefeito passou a ser o eixo das ações de Rodrigo. Foi no dia 9 deste mês. E, a partir dali, o deputado já se reuniu com os vereadores Igor Pereira (PSB), Silvinho Martins (PRP) e Marcelo Perfil (PHS). A pauta foi o apoio desses vereadores, da base governista do prefeito Rafael Diniz (PPS), para Caio em 2020.
Vereadores governistas Igor Pereira, Silvinho e Marcelo Perfil foram sondados por Rodrigo para apoiar Caio (Montagem: Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)
Bastidores de 2020 (II)
Há vários aspectos a serem encarados nessa movimentação. A foto de Rodrigo e Caio, por exemplo, foi uma resposta direta do segundo ao seu pai. Na manhã do mesmo dia 9, Arnaldo tinha dado uma entrevista (aqui) ao programa Folha no Ar, da Folha FM 98,3, dizendo que, para ter seu apoio, bastaria o filho procurá-lo. Curioso, mas talvez não por coincidência, no mesmo dia o ex-vereador Marcos Bacellar (PDT), pai de Rodrigo, publicou nas redes sociais uma foto com o secretário de Educação de Rafael, Brand Arenari. O recado público pareceu claro: Marcos, assim como seu outro filho Nelsinho, ficavam com o governo, enquanto Rodrigo apoia Caio.
No mesmo dia da foto do filho Rodrigo com Caio, Marcos Bacelar publicou nas redes sociais uma foto sua com Brand Arenari (Foto: Reprodução)
Bastidores de 2020 (III)
Duas outras entrevistas no Folha no Ar revelaram outros aspectos dessas movimentações. Em 3 de abril, o presidente da Câmara Fred Machado (PPS) avisou (aqui): estaria atento aos edis governistas que pretendessem “costear o alambrado” na eleição a prefeito. Aparentemente, Igor, Silvinho e Perfil pagaram para ver. A outra entrevista da Folha FM foi do secretário de Governo Alexandre Bastos. Na última quinta (25), ele respondeu (aqui) com veemência às críticas do deputado federal Wladimir Garotinho (PSD) a Rafael. Mas foi complacente com as de Rodrigo, que disse à Folha (aqui) em dezembro: “o governo precisa querer ser ajudado e assumir suas falhas”.
No dia 2, Rodrigo propôs aliança com João e Gil para 2020, mas esqueceu de contar que seria também com Caio (Foto: Reprodução)
Bastidores de 2020 (IV)
Rafael não quer antecipar confrontos. E tem razão para agir assim. Rodrigo Bacellar flertou (aqui) com os colegas de Alerj João Peixoto (DC) e Gil Vianna (PSL), mas não combinou com eles que sua aliança envolveria também Caio. João já estava em conversa com o governo para 2020. Já Gil reafirma sua pré-candidatura a prefeito e não tem vontade de bisar a experiência de 2016, quando foi vice do filho de Arnaldo. Após fechar com João, é bem provável que o novo alvo da costura governista seja Rodrigo. Que tenta surfar na sua proximidade com o presidente da Alerj, André Ceciliano (PT), enquanto pode estar usando Caio só para valorizar seu passe. A ver.
O médico Arnaldo Vianna (MDB) é pré-candidato a eleição municipal de Campos em 2020? A possibilidade foi levantada pelo próprio ex-prefeito, que enviou ao blog uma cópia e sua certidão negativa de improbidade administrativa e inelegibilidade.
Certidão negativa de Arnaldo por improbidade administrativa e inelegibilidade, cujo número do CPF foi checado (Reprodução)
Com vários problemas na Justiça, que trouxeram problemas na contabilização oficial de seus votos nas eleições a prefeito de 2008 e 2012, Arnaldo agora está assessorado pelo advogado Antônio Carlos Dias Vieira, o Toninho. Ele disse acreditar que, juridicamente, o ex-prefeito pode voltar a se candidatar.
Arnaldo disse que vai na próxima semana ao Rio de Janeiro, onde irá se reunir com a direção nacional do MDB para avaliar a possibilidade de concorrer a prefeito de Campos. Se decidir se candidatar, ele garantiu que terá o apoio do filho, o também pré-candidato Caio Vianna (PDT):
— Temos um acordo. Se eu me candidatar, ele me apoiará. Se eu não vier, apoio ele. Não dá para nós dois concorrermos juntos.
Leia a reportagem completa na edição deste domingo (28) da Folha da Manhã
Os cem primeiros dias do Governo Bolsonaro deixam clara sua estratégia de poder. Montado num ministério tecnocrático, complementado por pastas ideológicas e de costas para o fisiologismo político, ele oferece ao país reformas a serem votadas no parlamento sem a prévia constituição de uma base parlamentar. Faz sentido.
Na geleia geral dos partidos brasileiros, o PT governou com o Centrão, de centro-direita, para se perpetuar no poder com um ajambrado “social-desenvolvimentismo”, e quando Temer assumiu o governo, sob os auspícios do mesmo grupo, a “ponte para o futuro”, de sentido radicalmente distinto, passou a ser seu Norte – logo se transformando numa “pinguela” no esforço prioritário de salvar o Presidente (e a si próprios) de uma investigação criminal. Fazendo tábula rasa de tudo isso, PSDB e PPS embarcaram nessa canoa na expectativa de convencer o eleitorado de que se tratava de uma “frente democrática para tirar o país do atoleiro”: resultado, o PSDB ficou fora do páreo, onde tinha lugar cativo desde 1994. Bolsonaro não teria destino melhor se resolvesse governar com eles – embora a alternativa seja uma pirambeira de pedras.
O fato é que as elites tradicionais (neopatrimoniais) dominam o Congresso, em especial a Câmara Federal, e nem os deputados liberais e bolsonaristas juntos podem com elas somadas à oposição. A oposição surfa nessa onda sem se importar com os efeitos sobre o sistema democrático, como é de praxe desde o PT. Seus setores mais consequentes chegam a apostar que a chicana parlamentar do Centrão, tomando como reféns a reforma da previdência e a Lei anticrime, são parte do “jogo democrático” e um freio ao autoritarismo bolsonarista. Sob a liderança de Rodrigo Maia, acreditam que se pode chegar a um ponto de equilíbrio que salvaguarde a Constituição. Bolsonaro agradece por mais este tiro n’água.
A aposta do Centrão e da oposição tem, a seu favor, a tradição: desde Collor, todos os Presidentes, vendo suas pautas ameaçadas, cederam às pressões. Bolsonaro, apoiado pela maioria da opinião pública, até aqui, reage pelas redes sociais reforçando seu compromisso eleitoral com a “refundação da República” – termo cunhado na campanha pelo Senador Álvaro Dias, mas encarnado pelo Capitão em sua oposição radical ao petismo. A resistência governamental procura se valer dos interesses sociais em jogo para confrontar a maioria parlamentar. Neste primeiro embate, deu certo: o mercado e o empresariado forçaram Maia à correção de rumo quanto à reforma da previdência.
De seu lado, não obstante a narrativa da imprensa de “acerto mútuo”, Bolsonaro não piscou: recebeu os dirigentes partidários de seu campo, mas manteve a Lei Anticrime e não revogou as normas que impôs para ocupação de cargos públicos: ficha limpa, perfil condizente com o cargo e admissibilidade pelo dirigente do setor, sinalizando que este não é um “governo normal”, como crêem muitos analistas políticos, convictos de que ele é prisioneiro de uma narrativa que o impediria de governar.
Mesmo perdendo popularidade no intrincado processo de negociação com a elite parlamentar, Bolsonaro segue sustentando seu objetivo “revolucionário” – expressamente assumido nos bastidores da recente visita à Trump – de recompor a racionalidade burocrática perdida pelo Estado brasileiro desde o fim do regime militar, e, assim, reanimar a economia e o emprego.
Nesta fase “paz&amor”, o Capitão torce para que as patacoadas parlamentares e judiciárias não só superem as de sua gestão – o que não é pouco! –, como convença os recalcitrantes da frente liberal-conservadora que o elegeu – com suas convicções democrático-procedimentais à moda de Schumpeter[i] – que este dois poderes, tal como estão hoje divididos, não serão capazes de contribuir com o país naquilo que deles o povo exige: desprendimento para recolocar a nave na rota do desenvolvimento. Esta conclusão só pode amadurecer, no seio da própria coalizão governamental, na travessia deste rubicão parlamentar, por meio da tática das “aproximações sucessivas” – já mencionada pelo Gen. Hamilton Mourão como sua perspectiva de superação dos impasses numa institucionalidade claudicante.
Tal aposta, pressupõe, naturalmente, que a soberania legislativa e a arbitragem judiciária se esvaiam no espetáculo deprimente da pequenez política e do particularismo corporativista que o Centrão não cansa de dar – agora secundado pelos torquemadas do STF –, e que só tende a adensar o apoio popular à “refundação”, abrindo caminho para iniciativas plebiscitárias de Governo que podem, inclusive, culminar na própria reforma do sistema político, cujo déficit de representatividade foi desnudado em 2013 e continua à espera da solução que evite seu colapso total – o que, em parte, não acontece porque a atual legislação político-partidária que enfraquece o poder de arbitragem dos eleitores, é a mesma que empoderou as oligarquias capitalistas até aqui (vide, Reforma Política e Governo Representativo).
A eventual emasculação das reformas, assim, é mais provável que seja debitada, pelo povo e o próprio empresariado, na conta do sistema político esgotado, não de Bolsonaro, como esperam as oposições mirando suas caneladas. O único elemento capaz de embaraçar este cenário, parece ser a ofensiva olavista contra o generalato, que pode levar a seu exato oposto: enfraquecimento do Presidente em proveito do Vice, num processo tão desgastante quanto o de Dilma. Para que este cenário se estabeleça, todavia, seria necessário que capitalistas e militares, junto com boa parcela da opinião pública, se convençam que Bolsonaro e seus filhos são o verdadeiro empecilho às reformas.
Uma solução sem Bolsonaro, porém, teria também seus riscos, podendo precipitar o agravamento da crise econômica no curto-prazo e deixando o cenário bastante nebuloso, não só pela reação bolsonarista, mas, principalmente, pela combustão espontânea que o agravamento da estagnação econômica e seus possíveis efeitos inflacionários podem produzir sobre um tecido social já esgarçado pelas drogas, violência, desemprego e aumento da pobreza.
Neste caso, a solução da crise não se daria pela simples assunção constitucional do Vice, um General da linha dura, mas pela provável decretação do estado de exceção (defesa ou sítio) para conter eventuais distúrbios e ameaças, cuja extensão e profundidade tornaria impossível controlar seus desdobramentos, em meio à polarização política e à desmoralização institucional (Legislativo e Judiciário).
Ademais, diante de um parlamento burocratizado[ii], com alta insensibilidade social – vide Maia e seu desdém pela Lei anticrime, que não foi capaz de propor antes de Moro – e crônica disfuncionalidade institucional, plasmada na assimetria entre o poder de veto e sua (ir)responsabilidade governamental, não é possível cravar que as mesmas medidas já apresentadas seriam aprovadas pelo Congresso apenas porque o Presidente mudou.
A esta altura do jogo, em que a caixa de Pandora parlamentar se encontra escancarada – com o Centrão cogitando vetar até os mais simples decretos presidenciais pela singela motivação de afrontar o Governo, com o apoio de setores liberais temerosos das tendências autoritárias do bolsonarismo – e que o Judiciário é comandado por personagem que se sente acuado por simples matéria jornalística, parece não haver dúvidas que as instituições, com ou sem Bolsonaro, precisam ser reparadas, institucional e eticamente.
De um legislativo dominado pelo Centrão, só se pode esperar o agravamento da anarquia gerencial/orçamentária, com pautas-bomba sendo detonadas em série, à moda dos aumentos salariais ao alto funcionalismo e magistratura, das PECs onde os recursos públicos são investidos sem planejamento, ao sabor dos interesses locais imediatistas, de anistias amplas às infrações políticas, etc. De um STF que rasga a constituição para implantar a censura em proveito próprio, e faz cara de paisagem, a mesma coisa: só novos casuísmos na mesma direção.
Oxalá, tal barafunda seja revertida pela razão e a força das vontades populares expressas nas recentes eleições, caso contrário, a refundação da República trilhará, inexoravelmente, por caminhos tortuosos, onde, pelo menos num primeiro momento, a poliarquia[iii] pode não sair ganhando – o que não se constituiria numa exceção histórica.
[i] Vide Joseph Schumpeter, Capitalismo, Socialismo e Democracia; ed. Fundo de Cultura/RJ, 1961, passim.
[ii] Vide Max Weber, Parlamentarismo e Governo numa Alemanha Reconstruída, in. Max Weber – textos selecionados (Os Pensadores), ed. Abril Cultural/SP, 1985, passim.
[iii] Vide Robert Dahl, Poliarquia – participação e oposição; ed. USP/SP, sd, passim.
[iv] Universidade Estadual do Norte-Fluminense (Darcy Ribeiro).
A jornalista Suzy Monteiro é a nova superintendente adjunta de Comunicação da Prefeitura de Campos. O convite partiu do superintendente da pasta, o publicitário Thiago Bellotti. Suzy trabalhou por 20 anos na redação da Folha, onde teve destaque como repórter especial da editoria de Política. E, por 10 anos, à frente do blog Na Curva do Rio, dos mais acessados do Folha1. Por decisão pessoal, ela encerrou seu último período no jornal, entre 2012 e março deste ano, para seguir novos rumos profissionais, mas mantém (aqui) seu concorrido blog.
Como o próprio prefeito Rafael Diniz (PPS) revelou em entrevista, publicada (aqui) na Folha em 30 de dezembro, que era o momento de se “avançar politicamente”, com vistas à reeleição em 2020, a entrada no governo de uma das mais destacadas jornalistas políticas de Campos e região é um passo nessa direção. Agora na superintendência de Comunicação da Prefeitura, ela se juntará a outras profissionais de redação com passagem exitosa na Folha, como Anna Luíza Paixão e Liliane Berreto. Isso sem contar o jornalista Alexandre Bastos, secretário de Governo e companheiro de Suzy por anos na editoria de Política do maior jornal de Campos e região.
Do reforço na Comunicação do governo municipal, falaram Bellotti e a própria Suzy. Personificada na lembrança do jornalista Aluysio Cardoso Barbosa (1936/2012), amigo e conselheiro da nova superintendente adjunta de Comunicação, este blog e a redação da Folha desejam a ela a melhor sorte:
— A chegada de Suzy Monteiro à Prefeitura de Campos reforça o excelente time de jornalistas da superintendência de Comunicação. Sua grande experiência com o cotidiano de Campos em duas décadas de jornalismo vai contribuir para que o poder público se aproxime ainda mais da população. Ganham a verdade, o diálogo e o desejo de continuar transformando nossa cidade — disse Belloti.
— Recebi o convite de Thiago Bellotti para integrar a equipe da Comunicação do governo Rafael Diniz e aceitei por ser algo bem diferente do que vinha fazendo mais diretamente nos últimos anos, apesar de trabalhar há mais de 15 anos também com assessoria de imprensa. Assim, conhecendo dificuldades e demandas dos dois lados, quero aproximar ainda mais a superintendência de Comunicação da imprensa local, em um trabalho que seja transparente, satisfatório e pautado no respeito pela informação, pelos profissionais e, principalmente, pela população de Campos — disse Suzy.
Na quarta (24) o ex-governador Anthony Garotinho publicou nas redes sociais: “conversei com meus filhos que não podemos votar em uma reforma da Previdência que prejudica pobres, doentes, pensionistas, trabalhadores rurais e só vai aprofundar a concentração de renda no Brasil”. Sem mandato, sem partido e inelegível até 2024, Garotinho hoje tem sua relevância política resumida aos seus dois filhos: os deputados federais Wladimir (PSD) e Clarissa (Pros). A coluna tentou ouvi-los na quarta, mas ambos só retornaram ontem. E, diferente do passado, nenhum dos dois pareceu muito disposto a seguir a ferro e fogo as determinações do pai.
Wladimir
Inclusive em entrevistas à Folha da Manhã e ao programa Folha no ar, da Folha FM 98,3, Wladimir tem feito críticas a pontos da Nova Previdência do governo Jair Bolsonaro (PSL). Assim como à falta de informações do ministro da Economia Paulo Guedes. Mas tem sempre defendido a necessidade da reforma. Do que aconselhou o pai sobre o tema, o deputado manteve o mesmo tom: “A proposta é dura demais para diversos setores, como professores, trabalhadores rurais e pessoas de baixa renda. A reforma é necessária ao equilíbrio das contas, mas temos que levar em conta a vida real dos brasileiros e não só números frios no papel”.
Clarissa
Por sua vez, do que Garotinho disse sobre a Previdência, a assessoria de Clarissa informou que “ela não vai se manifestar sobre isso; não tem nada a acrescentar”. É postura mais evasiva que a do irmão, mas que parece querer guardar distância do vexame que a deputada passou na votação do impedimento da ex-presidente Dilma Rousseff (PT) na Câmara Federal. Após posar grávida e enrolada na bandeira do Brasil na campanha pelo impeachment, ela se ausentou da votação. Não mudou o resultado, mas Dilma em troca, nos últimos dias do seu governo, determinou que a Caixa fizesse a “venda do futuro” de Campos na administração Rosinha.
Erramos
Na sopa de letras e números para se calcular o percentual máximo de 54% da Receita Corrente Líquida (RCL) do município com gasto de pessoal, determinado pela Lei de Responsabilidade Fiscal (RCL), é fácil cometer erros. E a coluna ontem teve dois. O primeiro, quando escreveu que o aumento de 15% pleiteado pelos servidores de Campos, se concedido, geraria aumento de despesa de R$ 150 milhões mensais. Na verdade, seriam anuais. O outro erro foi dizer que a redução do percentual para 47% da RCL, no gasto com servidor, seria oficial do Tribunal de Contas do Estado (TCE). Verdadeiro, o número consta do Portal da Transparência da Prefeitura.
Em SJB
Apesar de o ex-prefeito Betinho Dauaire ter lançado o aliado Franquis Areas (PR) como pré-candidato a prefeito de São João da Barra, Bruno Dauaire (PSC) é quem continua no alvo das discussões. O embate tem sido com o ex-presidente do PSC local, Renato Timotheo. Aliado de longa data da prefeita Carla Machado (PP), Renato deixou a legenda chamando Dauaire de “oportunista”. A repercussão, inclusive nos bastidores da Alerj, gerou reação do deputado. Aproveitando a bola rolada, Bruno falou que Timotheo já tinha de ter saído, uma vez que apoiou Eduardo Paes (DEM) ao invés do governador Wilson Witzel (PSC).
Polarização
Renato Thimoteo voltou a rebater Bruno. Disse que seu apoio a Paes foi porque o candidato do DEM esteve no município e que seu “partido é SJB”. A crítica é claramente à família Dauaire, pelo fato de não residirem no domicílio eleitoral. Fato é que nesta briga em ano pré-eleitoral, ainda que candidatos não estejam definidos, a polarização entre os grupos políticos dos Dauaire e de Carla Machado tende a se repetir. Já os nomes de possíveis candidatos de terceira via ainda estão fragmentados, alguns, inclusive, sem a segurança de um partido para lançamento de futuras candidaturas.
Na conta
Hoje começa a parte recreativa dos festejos da padroeira de Atafona, Nossa Senhora da Penha, que prossegue até segunda-feira. E para os servidores de SJB, o início é com dinheiro na conta. A prefeita sanjoanense anunciou a antecipação do pagamento, previsto no calendário para o último dia útil do mês. Carla ainda destacou que os preventos serão creditados com o reajuste de 4,91%. Na cidade, segunda-feira é feriado municipal. Na terça, ainda não foi oficializado, mas a tendência é que terça seja ponto facultativo, já que quarta-feira, 1º de maio, também é feriado.
Na manhã do último dia 16, o secretário de Gestão Pública de Campos, André Oliveira, confirmou (aqui) no programa Folha no Ar, da Folha FM 98,3, que o reajuste salarial dos servidores estava sendo discutido pela categoria diretamente com o prefeito Rafael Diniz (PPS). De lá para cá, a conversa avançou, até chegar ao impasse: o governo acenou com aumento de 4,18%, enquanto o funcionalismo reivindica 15%. Os pleitos vão além: reajuste de 100% no auxílio alimentação (de R$ 200 a R$ 400) e a retomada do plano de saúde individual para os cerca de 13 mil ativos, cortado pela ex-prefeita Rosinha Garotinho (hoje, Patri) desde 2013.
Servidores de Campos (II)
O aumento salarial oferecido pela Prefeitura foi calculado com base no IPCA dos últimos 12 meses. Bem verdade que os servidores tiveram seu último reajuste em junho de 2016. As perdas são, portanto, anteriores. Mas o que o governo propõe significaria jogar mais R$ 40 milhões para girar por 12 meses na economia local. O que o funcionalismo quer implicaria em acréscimo de despesas de R$ 150 milhões/ano. O que o poder público municipal alega, não sem razão, é que isso implicaria em avançar o gasto com pessoal acima do limite de 54% da Receita Corrente Líquida (RCL), imposto pela Lei de Responsabilidade Fiscal (LRF).
Servidores de Campos (III)
Médico e três vezes candidato a prefeito, Makhoul Moussallem ressaltou (aqui) no Folha no Ar da manhã de ontem que a gestão Rafael fez o “dever de casa” no saneamento financeiro do município. Após herdar o gasto com pessoal no exato limite de 54% da LRF, conseguiu baixar o percentual nos últimos dois anos à casa mais segura dos 47%. Os dados são oficiais do Tribunal de Contas do Estado (TCE), que não por acaso reprovou as contas de Rosinha de 2016, último dos 28 anos do garotismo no poder, e aprovou as contas de Rafael de 2017. As duas decisões foram por unanimidade de um TCE saneado pela prisão de cinco ex-conselheiros.
Servidores de Campos (IV)
Em ano de véspera de eleição, o funcionalismo está no seu papel ao pressionar por reposição de perdas reais. Sobretudo quando se cadastra ao ponto biométrico. Mas conceder o reajuste salarial pleiteado seria cometer crime de responsabilidade fiscal. Que seria inevitável se, além do aumento, fosse dobrado o auxílio alimentação e retomado o plano de saúde. O primeiro, implicaria em despesas de R$ 2 milhões/mês, enquanto o segundo, cerca de R$ 5,2 milhões mensais. Os servidores têm assembleia marcada na próxima segunda, dia 29. Reivindicar é premissa legítima de qualquer categoria. Mas avançar sobre a LRF é não jogar com a realidade.
Ensino
A Universidade Estadual do Norte Fluminense (Uenf) abriu inscrições para o curso de graduação em Engenharia Meteorológica nas modalidades Reingresso/Ingresso para Portadores de Diploma e Transferência Externa/Interna. Ao todo são 20 vagas. Os interessados devem fazer a inscrição até o dia 17 de maio na secretaria da Graduação no Laboratório de Meteorologia (Lamet), em Macaé, ou na Pró-Reitoria de Graduação da Uenf, em Campos.
Lançamento
O economista e professor Alcimar Chagas irá lançar, no próximo dia 13, o livro “A economia fluminense: análise da conjuntura e perspectivas”. Na obra, o autor relata que o aumento das receitas dos municípios do Norte Fluminense, em decorrência dos royalties do petróleo e dos impostos provenientes de grandes empreendimentos — como o Porto do Açu — não redundou em desenvolvimento econômico para a região. Alcimar também analisa a oferta de empregos em cada mesorregião fluminense. O lançamento acontece na Academia Campista de Letras, às 19h.
Alerta
A mudança de comportamento de parte da população campista para reduzir os índices de chikungunya em Campos foi defendida pelo diretor do Centro de Referência de Doenças Imuno-infecciosas (CRDI), Luiz José de Souza, que fez um novo alerta ontem. Segundo ele, é preciso ter cuidado redobrado com a doença, que é bem mais difícil de combater do que a dengue. De acordo com dados do CRDI, o número de casos de chikungunya em 2019, até o momento, é quase 14 vezes maior que no mesmo período do ano passado. São 1.933 diagnósticos confirmados da doença