Wladimir marca audiência com Marco Aurélio na luta contra partilha dos royalties

 

Deputado Wladimir e ministro do STF Marco Aurélio (Montagem: Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)

 

O deputado federal Wladimir Garotinho (PSD) teve hoje confirmada uma audiência com o ministro Marco Aurélio Mello, do Supremo Tribunal Federal (STF), às 18h20 da próxima terça (24), para tratar do julgamento da partilha dos royalties marcado para 20 de novembro. O parlamentar de Campos fez a solicitação em conjunto com o deputado Sargento Gurgel (PSL) e convidou toda a bancada fluminense para participar, inclusive o presidente da Câmara Federal, Rodrigo Maia (DEM). Quem também confirmou presença na audiência no STF é o vice-governador do Rio, Cláudio Castro (PSC).

 

Gabinete do ministro Marco Aurélio confirmou audiência no dia 24 (Reprodução)

 

Wladimir confirmou por envio de documento o que a coluna Ponto Final já tinha adiantado (confira aqui) desde sábado (14): Luís Roberto Barroso, também ministro do STF, se declarou suspeito para julgar o caso. Como a Folha havia explicado antes do anúncio oficial de Barroso, ele era procurador do Estado do Rio e assinou a Ação Direta de Inconstitucionalidade (Adin) nº 4.917. Foi sobre ela que a ministra Carmen Lúcia deu em 2013 uma liminar favorável a estados e municípios produtores de petróleo, que segurou a partilha aprovada pelo Congresso Nacional e cujo julgamento final no plenário do STF será daqui a 63 dias.

 

Ministro Luís Roberto Barroso se declarou suspeito para julgar partilha dos royalties no STF (Reprodução)

 

Este blog anunciou o julgamento (lembre aqui) tão logo ele foi marcado no último dia 10 de abril, pelo presidente do STF, ministro Dias Toffoli. De fato, foi pela notícia divulgada pela Folha que a própria Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro (Alerj) foi informada do fato. Mais de cinco meses depois, só no dia 11 deste mês o jornal O Globo finalmente deu uma matéria de peso sobre o que pode significar a bancarrota do estado do Rio e seus municípios produtores de petróleo. Se passar a partilha dos royalties, o jornal carioca calculou o total da perda na receita de Campos: 35%. Seus vizinhos, São João da Barra perderia 39%; Quissamã, 35%, e Macaé, 24%.

 

Leia a reportagem completa na edição desta quinta (19) da Folha da Manhã

 

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Produzir e se propor a checar fake news é cabrito tomando conta de horta

 

 

O termo fake news foi criado no jornalismo, não na academia, durante a eleição presidencial dos EUA de 2016, vencida pelo republicano Donald Trump. Foi para designar as notícias falsas contra sua adversária democrata Hillary Cinton, criadas por hackers do Leste Europeu e veiculadas em escala geométrica nas redes sociais. As denúncias de influência do presidente russo, Vladimir Putin, com esses hackers para favorecer Trump nas eleições à Casa Branca, gerou investigação no Congresso dos EUA. O assunto é também tema do best seller “Como as Democracias Morrem” (2018), dos conceituados professores de Harvard Steven Levitsky e Daniel Ziblat.

 

 

Além disso, o papel da empresa Cambridge Analytica na manipulação eleitoral a partir do algoritmo das redes socias, tanto na eleição do Brexit, que gerou o atual impasse entre Grã-Bretanha e Comunidade Europeia, quanto na eleição de Trump e várias outras pelo mundo, inclusive a de Jair Bolsonaro (PSL) no Brasil, é eviscerada no documentário “Privacidade Hackeada” (2019). Dirigido por Karim Amer e Jehane Noujaim, e contando com as delações de ex-funcionários da própria Cambridge Analytica, além de cenas do depoimento do CEO do Facebook, Mark Zuckerberg, no Congresso dos EUA, o filme alcançou grande sucesso e repercussão desde que foi lançado recentemente na Netflix.

 

 

O fato é que, depois de eleito, Trump se apropriou do termo fake news. E passou a utilizá-lo aleatoriamente para atacar a imprensa do seu país. Sempre que não gosta da notícia ou da opinião de um órgão de imprensa profissional, independente da verdade, o presidente dos EUA simplesmente decreta: fake news! Também acusados de usar e abusar das fake news na campanha presidencial brasileira de 2018, é mais ou menos como os Bolsonaro e seus militantes acríticos continuam a fazer diariamente nas redes sociais brasileiras.

 

 

A checagem das notícias falsas deveria ser feita por cada usuário das redes sociais, antes de disseminá-las. Deveria! Mas ao jornalismo que se pretende profissional é uma obrigação. Chamar isso de jornalismo investigativo é tão redundante quanto seria falar de palhaço engraçado. Mas a coisa fica ainda mais circense quando um determinado veículo, que se anuncia como de “jornalismo profissional”, é notoriamente conhecido em Campos e região pela produção indiscrimada de fake news.

 

 

Pode ser para defender a soldo um prefeito da região atacando outros (como aqui). Pode ser na tentativa abjeta de usar um feminicídio para atacar políticos que se negam a pagar “proteção” (como aqui), em atuação “jornalística” que em nada fica a dever às milícias. Pode ser para atacar de maneira torpe um vereador de São João da Barra (como aqui), por motivos que só interessam à sua intimidade familiar. Pode ser para atacar um candidato a reitor da Uenf, assim como uma liderança estudantil que critica esses ataques para deles se tornar alvo (como aqui), tulmutuando o processo democrático da universidade sonhada por Darcy Ribeiro.

E, depois disso, usar óleo de peroba como creme facial para cobrar de uma instituição do respeito e porte da Uenf a “depuração” que não faz nas fake news que produz sobre a universidade.

 

(Foto: Folha da Manhã)

 

Sem meias palavras, foi como reagiu nas redes sociais (aqui) ao caso mais recente o sociólogo e professor da Uenf Roberto Dutra:

 

 

Ministro da Propaganda da Alemanha nazista de Adolf Hitler, Joseph Goebbels se notabilizou pela sentença: “Uma mentira contada mil vezes vira verdade”. Antecipou em 70 anos os tempos da pós-verdade em que hoje vivemos. Mas até neles há que se ter algum senso de ridículo. Produzir fake news de péssimo nível sobre políticos que não pingam no caixa, depois querer impor essa prática nefasta à mais importante universidade de Campos e região, para então se anunciar como checador de fake news seria trágico, se não fosse cômico.

Enquanto um jornalista do porte do saudoso Alberto Dines deve estar se revirando no túmulo com quem lhe foi (im)posto(r) como análogo, o que fica de sério dessa pretensão de onbusdman é melhor resumido no velho dito popular: “É cabrito tomando conta de horta”.

 

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Eleição a reitor da Uenf — Ataques geram reação de líderes estudantis e professores

 

O Flamengo 1 a 0 Santos do sábado (14), com direito a golaço de Gabigol e a liderança isolada do seu time no Brasileirão, consumiu a atenção do final de semana para quem sonha acordado com as glórias do passado de Zico e companhia. Mas em assunto bem mais sério a Campos e região, no sábado também foi soado o apito inicial do segundo turno da eleição a reitor da Uenf, nos 11 polos Cederj. Que atinge o seu ápice nesta terça (17), nos campi Campos e Macaé.

Foi também no sábado que o estudante da Uenf, presidente do Diretório Central do Estudantes (DCE) da universidade e membro da nova direção do PT em Campos, Gilberto Gomes, publicou aqui, no Facebook, uma nota pública. Com o assertivo subtítulo “Sobre oportunismo, mau-caratismo e o quanto incomoda um estudante com voz”, foi resposta aos ataques que sofreu após ter publicado aqui, neste blog, um artigo no qual defendia a candidatura a reitor do professor Raúl Palacio de ataques anteriores. Que, pelo baixo nível, causaram mal-estar na comunidade uenfeana.

Ainda assim, em seu primeiro texto, Gilberto deu o devido teflon à candidatura do professor Carlão Rezende, que disputa a reitoria no segundo turno da eleição com Raúl: “Carlão é um profissional exemplar e referência nas mais diversas áreas. Tem competência e totais condições de dirigir a Uenf”. Mas ressalvou: “Não necessita deste tipo de apelo tendencioso para alavancar sua candidatura”.

Na última quinta (12), o sociólogo e professor da Uenf Roberto Dutra também havia externado aqui, neste Opiniões, a opinião sobre a eleição a reitor, na qual tomou partido de Raúl. Foi publicado no blog e na Folha da Manhã junto do artigo do engenheiro agrônomo e também professor da Uenf José Carlos Mendonça, que defendeu aqui o voto em Carlão. Ambos tiveram a elegância de assumir suas posições com elogios aos candidatos opositores.

Hoje (16), após os ataques reiterados aos líderes estudantis da universidade, Roberto Dutra voltou a se manifestar aqui, em sua linha do tempo do Facebook:

 

 

Para quem quiser tomar pé do trabalho de cobertura das eleições do Grupo Folha, com igual espaço a todos os lados envolvidos desde o primeiro turno, feito no jornal Folha da Manhã, na rádio Folha FM 98,3, no site Folha1 e em seus blogs, um bom resumo foi feito ontem (15) aqui, pelo ex-uenfeano Edmundo Siqueira. Abaixo, em resposta aos ataques de “forma vil” que sofreu, o texto publicado por Gilberto no sábado:

 

(Foto: Folha da Manhã)

 

 

Gilberto Gomes, presidente do DCE da Uenf e membro na direção recém-eleita do PT de Campos

Nota pública

Sobre oportunismo, mau-caratismo e o quanto incomoda um estudante com voz

Por Gilberto Gomes

 

Hoje (sábado) tive um texto publicado no jornal Folha da Manhã, no blog Opiniões, do Aluysio Abreu, no qual aponto questões que, em minha opinião, tem marcado de forma negativa as eleições da Uenf. Em especial, o uso de inverdades para atacar os professores Raúl e Rosana.

Recentemente um outro texto havia sido publicado em um portal que é amplamente reconhecido pela prática de fake news (links que comprovam este fato estão aqui, aqui e aqui nos comentários). Este texto atacava os professores Raul e Rosana de forma covarde, questionando até sua produção acadêmica, e foi amplamente compartillhado nas redes sociais por uma figura que irá aparecer ao longo desta nota.

Parece que meu apelo por eleições marcadas pelo bom debate, aos invés dos boatos, incomodou aqueles que não estão acostumados com um simples estudante com voz nos meios tradicionais de comunicação.

Incomodou em especial um professor da Uenf, o qual me recuso a citar o nome, que tem perdido cada vez mais a capacidade de debates honestos. Para descredibilizar meus argumentos, este professor precisou expor condições pessoais, como minha vida acadêmica e até meu trabalho.

Mas a pesquisa deste professor poderia ter seguido métodos mais eficientes. Faltou dizer, por exemplo, que o estudante que ele alega ter abandonado um curso presencial para buscar um EAD o fez porque não possui condições de trabalhar e estudar ao mesmo tempo. Não soube informar, por exemplo, que esse estudante precisa pegar 3 conduções para chegar e 3 para voltar da universidade, mora em um distrito distante do Centro da cidade, é filho de um professor de escola pública e de uma dona de casa e que, infelizmente, necessitou optar por um curso a distância para poder manter seus compromissos, condição adotada por muitos estudantes da classe trabalhadora que não podem se manter num curso integral.

Meu texto também apontou para o fato de que um dos integrantes da chapa 11 foi o autor das novas normas de graduação, extremamente abusivas com o estudante e que, independente da reitoria eleita, devem ser revistas o quanto antes. Este professor mentiu ao afirmar que os estudantes poderiam ter uma ativa participação da discussão destas normas, uma vez que nunca fomos convidados para tal e a representação estudantil neste colegiado apenas ocupa uma cota sem muito poder de vetar quaisquer textos.

O professor também mente ao dizer que o auxílio-moradia teria sido aprovado na gestão do professor Silvério. O auxílio moradia aprovado em 2015 no Consuni jamais foi levado para discussão com o governo. Quando me refiro a aprovação, em meu texto, falo da aprovação que realmente importa, em 2016, na Alerj, para composição do orçamento da universidade através da LOA 2017. Estar aprovado anteriormente no Consuni não significava nada, uma vez que qualquer bolsa só pode ser implementada se estiver aprovada no orçamento, como ocorreu somente na gestão do professor Passoni, e que somente não foi implementada até agora devido o não cumprimento do orçamento da universidade por parte do governo estadual.

Se tivesse pesquisado mais a fundo também saberia que em meu “currículo” no movimento estudantil (uma vez que tenta me apontar a todo momento como um profissional) também estão conquistas como a luta pelo restaurante universitário e o histórico reajuste das bolsas. Saberia das noites sem dormir, das extensas viagens ao Rio (muitas delas em sua companhia), das horas e mais horas de reuniões para que cada conquista fosse viabilizada.

Este professor tenta estabelecer uma linha de argumentação que, devido eu compor uma representação estudantil, deveria ater minhas opiniões como teriam feitos representações docentes, outra inverdade, uma vez que diversos professores da atual direção da associação docente estão diretamente envolvidos na eleição. A nossa diferença, professor, é que eu não criminalizo esta prática. Acredito que, quanto mais pessoas representamos, mais devemos nos posicionar, uma vez que a pior liderança é aquela que fica em cima do muro.

Mas o que está ruim, pode piorar. O mesmo professor que me condena por ser uma liderança e ter me posicionado de forma ávida nestas eleições, me procurou no ano de 2015 para responder em seu blog outro docente, que me condenava pela mesma prática, por ter me posicionado na última eleição para reitor. A diferença é que, naquele ano, o professor blogueiro e eu ocupávamos a mesma fileira e defendíamos o mesmo candidato a reitor.

Em 2015, o professor considerou um completo absurdo os ataques que recebi, quando fui chamado de “pelego”, e assim escreveu no mesmo blog que me atacou hoje: “[…] decidi postar a resposta do Gilberto Gomes por dois motivos: 1) que o tipo de adjetivação que lhe foi imposta por simplesmente ter tomado a decisão de apoiar a chapa 10 não é compatível com a democracia, especialmente num espaço universitário, e 2) por saber de sua firmeza de propósito em defender os interesses dos estudantes da Uenf que têm sido tão prejudicados pelo alinhamento da reitoria da Uenf com os seguidos (des) governos que vem tentando destruir a nossa universidade”. (link para texto completo nos comentários).

Atualmente, o docente que me atacou em 2015, e o professor que me atacou hoje, defendem o mesmo candidato nas eleições para reitoria.

Para não se perder por completo numa linha oportunista e mau-caráter, o professor também tentou me adjetivar, tal qual o outro docente. Tentou me conceder a alcunha de “pau pra toda abra”, devido minha atuação em diversas frentes de trabalho. Neste trecho, talvez a única verdade, uma vez que sempre considerei minha versatilidade uma qualidade de fato imprescindível.

Obrigado, professor.

É com muita satisfação que percebo o quanto um estudante com voz e espaço para debate pode incomodar os “phdeuses”, que acreditam que um currículo lattes extenso é suficiente para subjugar e silenciar o próximo.

Finalizo esta nota informando que todas medidas judiciais cabíveis estão sendo tomadas devido à exposição de meu nome e de condições pessoais.

Como afirmei em 2015, repito:

Os cães ladram, mas a caravana passa.

 

Com direito à íntegra dos vídeos, confira as entrevistas dadas aqui, pelo candidato Raúl Palacio, e aqui, pelo candidato Carlão Rezende, ao programa Folha no Ar 1ª edição, da Folha FM 98,3, na disputa do segundo turno da eleição a reitor da Uenf.

 

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Líder isolado do Brasileirão, Flamengo de Gabigol e Jesus flerta com a glória de Zico

 

Entre o Rei Zico e o artilheiro Gabigol, a massa rubro-negro torce para ver, como nos versos de Cazuza, “o futuro repetir o passado” (Montagem: Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)

 

 

O golaço ontem de Gabigol deu ao Flamengo a vitória sobre o Santos. E a liderança isolada do Brasileirão, com 42 pontos, seguido por Palmeiras (39) e o próprio Santos (37). Sob a batuta do técnico português Jorge Jesus, que caiu nas graças da torcida rubro-negra como “Mister”, o futebol que o time da Gávea vem exibindo realmente lembra aquele praticado pela geração de ouro de Zico e companhia, que ganhou tudo no início dos anos 1980.

Grêmio, depois Boca ou River, estão entre o Flamengo e o Valhala com o Liverpool (Arte: Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)

Sobretudo porque, se conseguir passar pela pedreira do Grêmio nas semifinais da Libertadores, em 2 e 23 de outubro, e depois bater na final de 23 de novembro o vencedor entre os tradicionais copeiros argentinos Boca Juniors e River Plate, quem estará esperando na disputa do Mundial de Clubes é o Liverpool. Que já fez a sua parte ao levantar a Champions da Europa.

Ocorre que o Liverpool, onde hoje brilha o cracaço egípcio Mohamed Salah, é o mesmo time inglês que o Flamengo de Zico bateu por 3 a 0 em 1981, em outra final de Mundial. É a tessitura do destino que ameaça reconduzir o clube mais popular do Brasil  à sua maior glória em quase 124 anos de história.

Apesar do torcedor sonhar acordado com o Liverpool, jogadores e técnico sempre reafirmam que o Flamengo ainda não ganhou nada. E é a mais pura verdade. Sem títulos, tudo que o time de Jesus vem fazendo será reduzido a momentos fugazes de um belo futebol. Se ganhar o Brasileiro, entrará para a história. Agora, se sobreviver ao Grêmio e, depois, ao Boca ou River na Libertadores, para fazer outra final do Mundial contra o Liverpool, 38 anos depois, aí seria o Valhala — onde homens se tornam deuses.

Pés no chão dos mortais, cautela e canja de galinha nunca fizeram mal a ninguém. Tanto mais a quem tem o Galinho de Quintino como Rei. A “história do que poderia ter sido”, na definição do poeta português Fernando Pessoa, é a história do próprio futebol.

Se o clube da Gávea nada ganhar, a segunda maior torcida do Brasil, a antiflamenguista, certamente reeditará a provocação do “cherinho”. Mas que, até aqui, o “Sobrenatural de Almeida” do tricolor Nelson Rodrigues parece estar sorrindo ao Flamengo de Gabigol, Arrascaeta, Bruno Henrique, Gerson, Filipe Luís, Éverton Ribeiro e “Mister” Jorge Jesus, não dá para negar.

Nos três vídeos abaixo, a benção do Rei a Gabigol, o golaço deste contra o Santos e outros 10 de artesania semelhante, que habitam um passado mítico:

 

 

 

 

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Diretor da UFF Campos: eleição para reitor da Uenf e sua importância à educação

 

(Foto: Folha da Manhã)

 

 

Roberto Cezar Rosendo, diretor da UFF Campos

Eleição para reitor e a importância da Uenf ao desenvolvimento regional

Por Roberto Cezar Rosendo

 

A Universidade Estadual do Norte Fluminense Darcy Ribeiro (Uenf) materializa-se no início dos anos 1990 como resultado, respectivamente, de um árduo desejo da população campista e da histórica confluência da expertise e genialidade de três grandes mestres, a saber: na Educação, o magnífico professor e antropólogo Darcy Ribeiro; na arquitetura, o imortal Oscar Niemeyer; e na política, o consagrado e emblemático governador Leonel de Moura Brizola.

Em suas trajetórias de vida, Darcy, Brizola e Niemeyer perceberam, desde cedo, que o investimento em educação pública, gratuita e de qualidade, associado ao permanente estimulo à produção científica e tecnológica, consistiam nos elementos fundamentais para que se produzisse no Brasil uma verdadeira revolução social e econômica pela Educação. Havia a expectativa de que uma revolução pela educação como concebiam, sobretudo, Darcy e Brizola, levaria o Brasil a um salto em seu desenvolvimento econômico e social “cach up”. Como antropólogo e educador, Darcy expressou em muitas de suas obras literárias que a maior riqueza do Brasil era o povo brasileiro. Portanto, investir no aprimoramento intelectual da nação, especialmente dos jovens, era a receita para tirar o país do atraso.

O projeto para revolucionar o país de Darcy, Brizola e Niemeyer inicia-se pela educação básica no estado do Rio de Janeiro, por meio da implantação dos Centros Integrados de Educação Pública (Cieps).  A proposta era inusitada em todos os sentidos, desde a concepção arquitetônica de Niemeyer, que concebeu os Cieps por meio de estruturas de estilo moderno, que eram pré-moldadas construídas em escala industrial, passando pelo inovador modelo didático e pedagógico proposto por Darcy Ribeiro, que notabilizou os Cieps como “escolas de tempo integral”. No plano político, Brizola construiu 500 Cieps em seus dois governos no Estado do Rio de Janeiro (1983 a1987) e (1991 a 1994).

A estruturação do Campus da Uenf ocorre entre os anos de 1990 a 1993, e se dá como desdobramento da perspectiva que Darcy, Brizola e Niemeyer tinham da educação. No plano arquitetônico, a estrutura dos centros de pesquisa lança mão do projeto arquitetônico dos Cieps. No plano acadêmico e organizacional a Uenf é pensada por Darcy — na maturidade e experiência que adquiriu ao planejar a Universidade de Brasília (UNB) e ter contribuído com a implantação de várias universidades na América Latina —, como uma experiência revolucionária nos campos do ensino superior,  da Pesquisa e Desenvolvimento (P&D) e da Ciência e Tecnologia (C&T).

Como a ênfase na educação superior pensada por Darcy Ribeiro para a Uenf era em P&D e C&T, a organização da universidade se dá por meio de laboratórios e não por departamentos. Neste sentido, a Uenf inicia suas atividades acadêmicas com cursos de pós-graduação nas diferentes áreas do conhecimento científico. Procura, então, atrair pesquisadores altamente qualificados, nacionais e estrangeiros, para compor os diferentes laboratórios e dar início aos programas de mestrado e doutorado.

Com laboratórios e cursos de pós-graduação já estruturados, somado a um corpo docente muito qualificado, logo sugiram os primeiros cursos de graduação na Uenf. A idiossincrasia da Uenf revela-se mais uma vez na concepção de educação que permeou sua construção histórica. Assim, a perspectiva de educação integral, de educação continuada e de uma sólida formação acadêmica e humana de Darcy, Brizola e Niemeyer deram frutos abundantes desde sua inauguração: a Uenf formou centenas de pesquisadores em seus 15 programas de mestrado e doutorado ao longo das três últimas décadas. E, da mesma forma, muitas centenas de bacharéis e licenciados em seus 16 cursos de graduação e quatro de licenciatura. A Uenf contribui de maneira singular para desenvolvimento científico e tecnológico nacional e regional, sendo uma das expressões deste esforço o Laboratório de Engenharia de Petróleo (Lenep). Localizado em Macaé, que desenvolve frequentes parcerias com a Petrobras.

A educação continuada e os investimentos em iniciação científica também deram frutos: em 2003, por ter obtido o maior percentual de ex-alunos participantes da iniciação científica concluindo cursos de mestrado e doutorado, a Uenf ganhou o Prêmio Destaque do Ano na Iniciação Científica, conferido pelo CNPq (Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico). Em 2009, foi novamente premiada.

Anualmente, a Uenf sedia o Congresso Fluminense de Iniciação Científica e Tecnológica (Confict) e, mais recentemente, o Congresso Fluminense de Pós-Graduação que integra alunos de iniciação científica e de mestrado e doutorado das instituições de ensino superior do Norte Fluminense, com destaque para a participação dos alunos da Universidade Federal Fluminense (UFF/Campos), do Instituto Federal Fluminense (IFF) e da própria Uenf. Trata-se de um dos maiores congressos científicos e tecnológicos do estado do Rio de Janeiro, e um dos maiores do Brasil.

A eleição para reitor da Uenf é de suma importância não apenas para a educação do estado do Rio de Janeiro, mas para educação brasileira. A Uenf representa o sonho de Darcy, Brizola e Niemeyer que se materializou, o sonho de mudar a nossa região, o nosso estado e o nosso país pela educação, o que temos constatado. Viva a educação pública, gratuita e de qualidade!

 

Publicado hoje (15) na Folha da Manhã

 

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Caos à vista: bancada do RJ projeta que partilha dos royalties passa no STF por 6 a 4

 

 

(Arte de Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)

 

Caos à vista em 67 dias

Era 12 de abril quando esta coluna anunciou aqui: “O campista talvez não tenha dado a devida importância ao que acontecerá se o Supremo Tribunal Federal (STF) validar a nova lei de partilha dos royalties do petróleo, aprovada em 2013 no Congresso Nacional. O julgamento foi marcado na quarta (10 de abril) para 20 de novembro. Se for derrubada a Ação Direta de Inconstitucionalidade (Adin) nº 4.917, que segurou a partilha por decisão liminar, Campos perderá cerca de 70% das receitas do petróleo”. Hoje, faltam 67 dias para o julgamento que pode levar municípios produtores, como Campos, e estados, com o Rio, à bancarrota.

 

Projeção de 6 a 4 contra produtores

Ex-juiz federal, o governador Wilson Witzel (PSC) parece seguro da vitória dos produtores. Tem repetido isso à bancada federal fluminense, dizendo que cabe a ele conduzir o processo, com a mesma necessidade de protagonismo que o faz participar até das ações policiais do estado. O resultado, porém, pode ser análogo à morte das dezenas de inocentes este ano em confrontos da polícia com o tráfico. Na última quarta (11), o deputado federal Wladimir Garotinho (PSD) se reuniu com o colega Rio Rodrigo Maia (DEM/RJ). Para o presidente da Câmara Federal, os produtores perderão no STF por 6 a 4. A conta é a mesma na bancada federal do estado.

 

E os Bolsonaro?

Procurador do estado do Rio, que assinou a Adin que será julgada pelo STF, seu hoje ministro Luís Roberto Barroso deve se declarar suspeito no julgamento. Paulista, mas com sua vida pessoal e política radicada no Estado do Rio, o presidente Jair Bolsonaro (PSL) e dois de seus filhos — o senador Flávio e o deputado federal Eduardo, eleito por São Paulo, ambos do PSL — dizem estar no esforço para evitar o colapso financeiro dos estados e municípios produtores  de petróleo. Mas adeptos de uma “nova política” que tem muita rede social e pouca política de fato, não se observa da parte do clã nenhuma movimentação.

 

Apito dos árbitros

Na manhã do dia 10 de abril, o insuspeito presidente do STF, ministro Dias Toffoli, recebeu uma comitiva da XXII Marcha a Brasília em Defesa dos Municípios. Como a grande maioria deles é de não produtores de petróleo, o pleito era julgar a liminar concedida pela ex-presidente do STF, ministra Carmen Lúcia, com base na Adin do estado do Rio, em março de 2013. Era a única coisa que segurava a nova Lei de Partilha dos Royalties aprovada naquele mesmo mês. Toffoli garantiu (aqui) que o julgamento em plenário como primeiro item da pauta de 20 de novembro. O que se confirmou (aqui) com a divulgação da pauta do STF em 20 de junho.

 

Alerj soube pela Folha

Assim que a decisão de Toffoli foi anunciada em 10 de abril, a Folha ouviu vários juristas para levar o leitor o embate jurídico no STF que pode levar cidades como Campos, São João da Barra, Quissamã e Macaé ao caos financeiro. Entre estes juristas, estava (aqui) o advogado campista Robson Maciel Júnior. Na Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro (Alerj), onde é assessor do deputado Rodrigo Bacellar (SD), ele levou a ele a notícia, que a repassou ao presidente da casa, deputado André Ceciliano (PT). Este interrompeu a sessão para comunicar a todos (aqui) a gravidade da notícia dada em primeira mão pela Folha.

 

O Globo acordou

Assim como a cidade do Rio ainda padece da orfandade de ex-capital da República, da mesma maneira é a sua imprensa. Olha sempre mais preocupada as questões nacionais do que, por exemplo, do interior fluminense. Mas como, com a proximidade do julgamento no STF, a possibilidade de perda seria monstruosa também ao estado, o jornal O Globo finalmente acordou em sua edição da última quarta, 11 de setembro — coisa que a Folha havia feito de Campos à Alerj cinco meses antes. Se passar a partilha dos royalties, o jornal carioca calculou o total da perda na receita de Campos (35%), SJB (39%), Quissamã (35%) e Macaé (24%).

 

Campista dorme?

Da frieza dos números às suas consequências reais, caso o STF endosse o que o Congresso já aprovou, esta coluna advertiu desde 12 de abril: “a nova regra de partilha provocará demissão em massa na região, em momento de desemprego galopante no país. O que tornará cada um dos municípios produtores de petróleo incapaz de manter o que hoje oferecem de serviços públicos, mesmo os mais básicos. A conta seria paga pela população mais carente em suas necessidades de saúde, educação, limpeza, saneamento, assistência social, cultura, esporte e lazer”. De lá para cá, ninguém parece ter acordado. E você?

 

Publicado hoje (14) na Folha da Manhã

 

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Gilberto Gomes — A Uenf merece o bom debate, sem denuncismo ou fake news

 

(Foto: Folha da Manhã)

 

 

Gilberto Gomes, presidente do DCE da Uenf e membro na direção recém-eleita do PT de Campos

Sem denuncismo ou fake news: a Uenf merece o bom debate

Por Gilberto Gomes

 

As táticas que vem sendo adotadas por alguns integrantes da chapa 11 não são dignas de um processo eleitoral em uma universidade tão avançada como a Uenf, que deveria sempre zelar pelo diálogo e pelo respeito. Neste momento, deveríamos estar discutindo ideias propositivas para a garantia de uma universidade forte.

Faltam frentes de diálogo da chapa 11 com diversos setores da universidade e para frear o debate da chapa 10, nos últimos dias surgiram uma série de ataques infundados. A estratégia é fazer com que a chapa 10 perca tempo desmentindo boatos e acusações. Falharam. Apenas entregam o tipo de política que constroem: a política da boataria, da denúncia, do clickbait.

Os posicionamentos denuncistas e facciosos vão desde questionar o rendimento acadêmico de colegas professores, relativizar a importância da presença da professora Rosana Rodrigues como candidata a vice-reitora e até mesmo a publicação de matérias anônimas em sites locais reconhecidos amplamente pela prática de fake news.

Rendimento acadêmico, por exemplo, é uma das formas mais abusivas de exercer autoridade dentro de uma instituição de ensino. É assim que muitos professores, conhecidos nos corredores como “phdeuses”, se aproveitam para humilhar bolsistas e estudantes, por exemplo, como se um currículo Lattes fosse capaz de, por si só, garantir alguma qualidade docente.

Neste momento, é muito importante a atenção do eleitor. Faça suas escolhas baseadas estritamente no perfil dos candidatos e no debate de ideias. Não deem ouvidos aos ataques. Carlão é um profissional exemplar e referência nas mais diversas áreas. Tem competência e totais condições de dirigir a Uenf. Não necessita deste tipo de apelo tendencioso para alavancar sua candidatura.

Outro exemplo é a tentativa de ilustrar o professor Raúl como alguém “de direita” devido fotos com alguns políticos tradicionais. Risível. Raúl sempre deixou claro seus posicionamentos em defesa da educação, do estudante e contra o desmonte do ensino público. Ocupava um cargo institucional e isto exigia dele as mais variadas frentes de diálogo para garantir a ampla defesa da Uenf no estado do Rio de Janeiro.

Mesmo num cargo institucional, Raúl nunca negou uma reunião sequer com a representação estudantil, através da reitoria, mesmo que houvesse divergência. Sempre acolheu as demandas e as defendeu perante o governo. Assim, por exemplo, foi conquistado o histórico reajuste das bolsas, fruto de muita luta dos estudantes e diálogo com uma reitoria que, sob outras administrações, jamais recebia as representações estudantis.

Será mesmo que Carlão e companhia pretendem tocar uma reitoria conversando apenas com os companheiros dos partidos de esquerda? Se assim for, o isolamento será implacável com o destino da Uenf. Quem alerta para isto é um estudante, ativo no movimento estudantil e declaradamente filiado ao Partido dos Trabalhadores. Gostaria muito que o diálogo pudesse ser apenas com nossos aliados, com aqueles que entendem a importância da educação pública, gratuita e de qualidade. No entanto, eu mesmo fui um dos atacados pela chapa 11, pelo simples fato de ter exercido democraticamente a minha escolha por um candidato que não o deles.

Se coubesse a mim a postura de denúncia adotada pela chapa 11, poderia explorar diversas frentes, todas comprováveis, que poderiam estar colocadas desde o primeiro dia de campanha. É fato, por exemplo, que o vice da chapa 11 atuou na construção das novas normas de graduação, que possuem ampla rejeição entre o corpo estudantil. Isto sequer foi utilizado na campanha pelos estudantes que apoiam Raúl.

Optamos pelo diálogo, pela discussão das ideias.

Esperamos que assim esta última semana de eleições na Uenf. Com corações e mentes mais iluminados pelo bom senso, pela transparência do bom debate.

Transformar um momento tão importante num espaço onde permeiam fake news e ataques infundados somente favorece aos oportunistas do governo que aguardam ansiosamente por uma universidade dividida para aplicar seus pacotes de maldades.

 

Publicado hoje (14) na Folha da Manhã

 

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Arthur Soffiati — Só podemos esperar da Uenf mais uma demonstração de democracia

 

(Foto: Folha da Manhã)

 

 

Arthur Soffiati, ecohistoriador, professor aposentado da UFF e colaborador mais longevo da Folha

A importância da Uenf

Por Arthur Soffiati

 

Antes mesmo de a Uenf iniciar suas atividades de ensino, pesquisa e extensão, eu já a conhecia parcialmente. De certa forma, minha ligação com ela foi grande nos seus primórdios. Três instituições civis enviaram um documento ao governador do Rio de Janeiro, reivindicando uma universidade pública estadual para o norte-noroeste fluminense. Uma delas foi o Centro Norte Fluminense para a Conservação da Natureza, organização não-governamental que presidi por doze anos, entre 1979 e 1991.

Mais do que apenas atuar em defesa do meio ambiente, o CNFCN apoiava com veemência a importância da academia na produção de conhecimento sobre o papel dos ecossistemas na vida humana. Oficialmente, a ong ainda existe, embora não atue mais. Sou talvez seu único sobrevivente físico e mental. Mas hoje, uma cultura em defesa do ambiente cresce cada vez mais, na medida em que a crise ambiental também se amplia. Jamais nos ocorreu que um presidente da república pudesse atribuir aos ambientalistas a pecha de incendiários.

Para nós, a Uenf era bem-vinda para, entre outras muitas contribuições, desenvolver pesquisas sobre os ecossistemas da região. Esse foi o campo que mais acompanhamos. De fato, a Uenf consolidou conhecimentos sobre as lagoas e rios, formações vegetais nativas, fauna silvestre, estrutura geológica e classificação de solos. Outras setor de extrema importância é o cultural. A Uenf contribuiu significativamente para o conhecimento das manifestações culturais populares, da arqueologia, da história regional, da sociologia, da ciência política e da área de ciências humanas em geral.

Por pouco mais de um semestre, atuei na Uenf graças a um convênio guarda-chuva que ela e a UFF, de onde fui professor durante 25 anos, haviam firmado. Foi um período rico para minha formação. Trabalhei igualmente num levantamento dos ecossistemas aquáticos continentais com destaque para a qualidade da água, fauna constituída de peixes e aves e história das relações entre sociedades humanas e natureza com a finalidade de propor-se a criação de um sítio Ramsar na região. Ramsar nasceu de uma convenção incorporada pela ONU para a proteção de áreas úmidas. O sítio não vingou, mas nosso levantamento talvez seja o mais completo já realizado no Norte Fluminense.

Sempre manifestamos nosso contentamento e agradecimento aos professores da Uenf por todos os serviços prestados à comunidade regional. Mas ela transcendeu os limites do Norte e Noroeste Fluminense para se transformar numa instituição universitária com excelência reconhecida nos planos estadual, nacional e internacional.

Ela enfrentou dificuldades? Claro que sim. Qual universidade pública não as enfrentou? Em grande medida, problemas decorrentes de falta de recursos financeiros. Problemas que apresentam ameaça para toda universidade pública do Brasil. Mas a Uenf tem apreendido a superá-lo ou a conviver com eles sem abria mão da qualidade. A Uenf é um exemplo de resistência.

Na véspera do segundo turno da eleição para escolha do novo reitor da instituição, só podemos esperar dela mais uma demonstração de democracia, não apenas em nível regional como em nível nacional. É a minha expectativa e a de muitas outras pessoas. Tenho certeza de que, com o pleito, um novo e competente timoneiro assumirá o comando de uma nau em que todos os marinheiros participem democraticamente das discussões, das decisões e das orientações.

 

Publicado hoje (13) na Folha da Manhã

 

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Carlão faz distinções e críticas a Raúl, na última entrevista da eleição a reitor da Uenf

 

Professor Carlão Rezende fechou na manhã de hoje o ciclo de entrevistas com os candidatos a reitor da Uenf (Foto: Isais Fernandes – Folha da Manhã)

 

 

“É muito nítida a diferença entre a minha candidatura a reitor e do professor Raúl Palacio, no que tange ao mérito acadêmico (…) A gente não pode colocar a eleição para reitor como se fosse uma mera candidatura política simplesmente (…) Infelizmente, acredito que o nosso erro se iniciou há um tempo atrás, na medida em que, por exemplo, o estatuto da Uenf prevê que para seja chefe de laboratório, você precisa ter reconhecimento científico na área. No entanto, para reitor, ele é omisso. Este é o ponto inclusive, caso eu venha a ser indicado (eleito reitor) pela comunidade, ele é um ponto a ser revisto (…) Nós não estamos lá (na reitoria) para sermos apenas gestores administrativos”. Logo na abertura do Folha no Ar na manhã de hoje, programa da Folha FM 98,3, foi o que o professor Carlão Rezende elencou como o principal diferencial da sua candidatura a reitor no segundo turno pela reitoria da Uenf. Seu oponente, o professor Raúl Palacio foi o líder parcial no primeiro turno, com 41,70% dos votos.

Carlão teve os mesmos 28,52% no primeiro turno da eleição conquistados pelo terceiro candidato, professor Enrique Medina-Acosta, que se declarou neutro no segundo turno. Mas o candidato da chapa 11 conquistou a vaga por ser 11 meses mais velho, no critério desempate fixado no estatuto da universidade mais importante de Campos e região. Com votos de professores (com peso de 70%), técnicos (15%) e alunos (os outros 15% do colégio eleitoral), o segundo turno terá início neste sábado (14) nos polos avançados do Cederj. E terá seu ápice na terça (17), nos campi Campos e Macaé.

No segundo bloco da entrevista, Carlão questionou pontos que o professor Raúl tinha levantado na manhã do dia anterior (11), diante do mesmo microfone democrático da Folha FM:

— Um ponto que foi colocado aqui (no Folha no Ar) e que no debate foi também questionado, porque na realidade ele (Raúl) personifica a situação de 2017 (quando os salários da Uenf chegaram a ficar dois meses atrasados, por conta da crise financeira do Estado do Rio) como se fossem o (Luis) Passoni (atual reitor) e ele os responsáveis por manter a universidade aberta. Se esquecem da comunidade. Na realidade, durante aquele período, quem tocou não foi o R$ 1 milhão que a Comissão de Educação liberou. Foram recursos dos projetos de pesquisa das pessoas. O laboratório continuou a funcionar porque tinha recursos de projetos de pesquisa. Eu acho que essa personificação de uma solução centrada em uma ou duas pessoas é, primeiro, subestimar toda a capacidade de todo o corpo docente, técnico e de alguns estudantes, porque muitos voltaram para casa. Porque a greve foi longa. E dos terceirizados que trabalhavam lá também.

Como na quarta Raúl chegou a projetar sua vitória no segundo turno com uma estimativa entre 55% e 60% dos votos, Carlão também foi perguntado se fazia alguma projeção de resultado. Ao que respondeu:

— Eu não tenho projeção. Eu só vejo o seguinte: 60% aproximadamente das pessoas votaram contra a administração que está aí (de Passoni), que Raúl representa a continuidade. Obviamente não haverá 100% de transferência de votos do Medina para mim. Ele se manteve fora, disse que não declararia apoio a mim, ou qualquer outra pessoa. Inclusive, o posicionamento dele foi muito mais enfático que o meu no primeiro turno, contra a administração que está aí e tenta se manter por mais quatro anos. Então eu acredito que, mesmo que não haja uma transferência de 100%, parte desses eleitores devem votar na chapa 11, não necessariamente no Raúl. Agora o Raúl sempre foi uma pessoa desse tipo mesmo, ele acha que sabe tudo e vai resolver tudo do jeito dele. Então eu não tenho uma projeção. Se ele fez uma pesquisa, eu não fiz absolutamente nenhuma (…) Mas eu vou continuar acreditando que eu tenho chance até o final do segundo turno.

Último candidato a reitor da Uenf a ser ouvido pelo Folha no Ar antes da consumação do pleito, Carlão também disse, no terceiro bloco da entrevista, ter se sentido prejudicado para montar a logística da sua campanha:

— Por exemplo, a lista de professores votantes, eu só fui conseguir dois dias antes da eleição. Uma coisa que para mim, que já participei apoiando em outras eleições, nunca tinha visto antes. A norma é omissa, mas a gente sempre pedia e tinha a lista. Agora, tive dificuldade de conseguir. Eu mesmo fui um dos caras que apoiou Passoni, estava à frente da eleição dele (a reitor). Agora, eu só tive acesso a isso muito próximo à eleição. Isso dificulta a logística da campanha para alguns, porque acredito que quem está dentro da máquina tenha conseguido isso de forma muito mais fácil (…) A Comissão Eleitoral teria que dar para todo mundo a lista de informações (…) Só há dois dias atrás eu recebi telefones e e-mails de contatos dos (11) polos (Cederj). E então comecei a mandar o material que eu tinha de forma digital. Até então, todas as vezes eu estava indo aos polos entregar material escrito. E vocês sabem que essa garotada do ensino à distância olha mais internet e WhatsApp do que folheto. Eu me senti prejudicado nessa parte.

Na sua última fala na entrevista, Carlão destacou:

— Eu tenho uma história de trabalho coletivo muito grande. Prezo muito por estarem ao meu lado pessoas que realmente possuem qualidade acadêmica. Estando na reitoria, certamente as pessoas que estarão ao meu lado, elas serão escolhidas através de critérios objetivos muito claros de desempenho acadêmico (…) O que mede o meu trabalho é a quantidade de projetos que eu conquistei para a universidade, é a quantidade de artigos que eu publiquei para a universidade, a quantidade de gente que eu formei pela universidade e as aulas que eu dou (…) É um privilégio de poucos participar da criação de uma universidade. Eu vou morrer daqui a algum tempo, a Uenf vai ficar, jovens estarão aqui, meus filhos e meus netos talvez estudem aí. E daqui a pouco as pessoas vão estar celebrando os 100 anos da Uenf (…) Eu fico muito feliz de ter optado em vir para Campos. Não foi falta de opção. Foi uma opção de futuro mesmo. Eu me orgulho de estar aqui. E vou continuar lutando pela Uenf de todas as formas, independente de onde eu tiver; se eu estiver só na minha sala, no meu laboratório, se eu estiver na reitoria.

A Carlão, aos professores, técnicos e alunos da Uenf, ficam as desculpas pelo atraso nesta postagem. Mas assim como a página de Facebook da Folha FM sofreu ataques na madrugada de quarta, impedindo a transmissão ao vivo do streaming da entrevista com Raúl Palacio, na manhã de hoje o alvo de ataques foi o blog, o que atrasou em horas a edição da matéria do Folha no Ar com Carlão. Abaixo, em três blocos, seguem seus vídeos:

 

 

 

 

Confira aqui o Folha no Ar da manhã desta quarta com Raúl Palacio

 

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Roberto Dutra — O voto em Raúl e Rosana na eleição para reitoria da Uenf

 

(Foto: Folha da Manhã)

 

 

Roberto Dutra, sociólogo e professor da Uenf

Eleição para reitor da Uenf: o primado da política e da ética da responsabilidade

Por Roberto Dutra

 

Eleição para reitor é o auge da democracia interna em uma universidade. É o momento político por excelência. Na Uenf, duas chapas disputam o segundo turno da eleição para a reitoria: Raúl e Rosana (chapa 10) contra Carlão e Juraci (chapa 11). Neste texto defendo o primado do caráter político da eleição e do cargo de reitor e o voto na chapa 10, de Raúl e Rosana.

Costuma-se atribuir ao ambiente universitário certa incompetência em lidar com o jogo político real que se desenvolve fora da universidade, especialmente na tarefa de construir imagem pública vigorosa da instituição como recurso de poder para os desafios políticos de defender a universidade pública em ambiente fortemente hostil, como o atual, marcado pela realização assustadora de graves ameaças ao ensino, à pesquisa e extensão. Ao reitor cabe um papel primariamente político: fortalecer, ramificar e instrumentalizar os vínculos da universidade com a sociedade como recurso de poder para construção e defesa da vida científica, pedagógica e extensionista da universidade pública. A relação com o governo do estado do Rio de Janeiro é a arena mais importante em que este papel precisa ser desempenhado, mas as relações com o público da região e com os governos local e central também importam bastante.

Todos os candidatos a reitor da Uenf, incluindo os da chapa que não foi para o segundo turno, prestam contribuições inestimáveis à nossa preciosa universidade. Ajudaram a construí-la com árduo e competente trabalho cotidiano. Academicamente, existem diferenças que podem ser ressaltadas, mas todos são professores altamente envolvidos com os problemas centrais da universidade. A disposição de professores tão positivamente reconhecidos por seus colegas em assumir a arriscada e pessoalmente sacrificante condução política da universidade deve explicar, em parte, o altíssimo comparecimento eleitoral no primeiro turno. Tenho profundo respeito e admiração por quem se arrisca e se sacrifica na política. E isso vale também para a universidade. Na universidade, existem cargos que são tipicamente de gestão científica, na qual a competência política depende diretamente da liderança científica. É o caso, evidentemente, da gestão da pós-graduação.

Mas não é o caso do cargo de reitor. O posto é primariamente de condução política. A liderança científica em si não garante as competências necessárias para a tarefa de construir e defender politicamente a universidade pública. Precisamos de bons políticos para este cargo. E acredito que o professor Raúl, um cubano apaixonado pelo diálogo e pela empatia, é a melhor opção para a condução política da Uenf nos próximos anos, que prometem exigir doses redobradas de habilidade política. O professor Raúl reúne, na minha visão, bem mais que o outro respeitável candidato, a combinação entre convicção e responsabilidade que, segundo Max Weber, caracteriza a profissão política em sua efetividade de realizar causas coletivas. Raúl pratica bem o que Weber chama de “ética da responsabilidade”, a única forma de ética capaz de ser politicamente efetiva, diferenciando-a da “ética da convicção”. Enquanto a “ética da convicção” orienta a ação exclusivamente pelo valor moral (como as causas coletivas) atribuído ao agir, a “ética da responsabilidade” combina adesão a valores com a avaliação e a responsabilidade pelas consequências previstas e não previstas da ação. Porta bem a “ética da responsabilidade” aquele político que chama para si a construção dos meios políticos — recursos de poder — necessários para realizar ou defender o bem comum, como nossa preciosa e ameaçada Uenf. No uso desta “ética” própria da política, o diálogo e a construção da empatia, na medida em que viabilizam apoio na sociedade e na esfera política, são requisitos fundamentais e não contradizem, de nenhum modo, a capacidade de enfrentamento. É somente ampliando o leque de forças sociais e política que apoiam a Uenf que se pode obter recurso de poder e capacidade de conflito.

Para isso não é preciso abrir mão de valores e causas coletivas, mas apenas não tomar a dimensão moral como referência absoluta para o fazer político, sobretudo para alianças e compromissos com quem pensa diferente. O absolutismo de valores trai a realização dos próprios valores, pois ignora as consequências da ação. É preciso que o reitor consiga dialogar com setores muito diversos da sociedade e da administração pública, como, por exemplo, a Política Militar, com quem o professor Raúl demonstrou, na atual gestão da Uenf, muita capacidade de construção política, desarmando a interação de preconceitos ideológicos politicamente improdutivos.

Não se trata de valores absolutos como “continuidade” ou “mudança”. E nem da diferença entre quem defende ou não a universidade pública de excelência e inclusiva. Os dois candidatos são defensores incontestes da universidade pública nestes moldes. A escolha é sobre quem possui maior capacidade política de realizar esta tarefa, e é por este motivo que voto na chapa 10.

 

Publicado hoje (12) na Folha da Manhã

 

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José Carlos Mendonça — O voto por Carlão e Juraci na eleição para reitoria da Uenf

 

(Foto: Folha da Manhã)

 

 

José Carlos Mendonça, engenheiro agrônomo e professor da Uenf

Eleições livres e democráticas na Uenf

Por José Carlos Mendonça

 

Como toda a Região sabe, a Universidade Estadual do Norte Fluminense Darcy Ribeiro — nossa Uenf —, escolherá, de forma livre e democrática o seu Magnífico Reitor nos próximos dias 14/09 (polos do Cederj) e 17/09 (campis Campos e Macaé) e como membro presente da comunidade acadêmica e enquanto solicitado por esse importante veículo de comunicação, não poderia de deixar de externar algumas das minhas reflexões. Pois quem me conhece sabe do meu carinho, respeito e dedicação à Uenf ao longo desses últimos 26 anos desde sua fundação… Na verdade, um pouco mais, pois estou nessa história desde as primeiras reuniões com o professor e à época senador Darcy Ribeiro.

No inicio da década de 1990, a Uenf foi criada dentro de um projeto nacional para ser uns dos cinco centros de excelência do país. Este projeto vem se cumprindo desde então. Não me surpreende seus bons desempenhos em nível nacional e internacional, pois nosso quadro de docentes é de excelência. E, por conseguinte, nossos formandos, tanto na graduação, quanto nos diversos programas de pós-graduação, nos enchem de orgulho.

Passamos momentos difíceis, como no governo do já falecido Marcelo Alencar, e mais recentemente, nos governos Cabral e Pezão. Isso nos faz refletir, pois precisamos, com a excelência construída com nosso corpo docente e técnico, nos afastar da dependência do nosso tutor Governo Estadual e sermos auto-suficientes na captação de recursos — em consonância com o mundo real: sermos auto-sustentáveis. O Governo Estadual não cumpre sua função básica — e constitucional — que é aplicar 2% do ICMS na Faperj. Eu mesmo tenho projetos de pesquisas aprovados, conta bancária aberta e sem os recursos financeiros depositados… Alguns nos nossos projetos em andamento estão sendo financiados pela “fundação meu bolso”. Isso é difícil! E para complicar mais ainda, estamos vendo o Governo Federal, através da Capes e do CNPq, anunciar cortes nos orçamentos e redução de bolsas!

Voltemos às eleições então: os dois candidatos são meus amigos pessoais, os quais respeito e admiro. Porém só tem um voto! Votar no candidato Raúl Palacio é dar continuidade à gestão Passoni, pois todos sabem da relação entre os dois. Luis Passoni teve uma gestão muito difícil devido a “quebra do Governo Estadual”. Mas a continuidade de sua gestão, via Raúl seria, o reconhecimento de sua gestão? Sabemos que no estatuto da Uenf não é permitida à reeleição do mandato para reitor. E isso foi pensado e sugerido pelo então senador Darcy Ribeiro, que não queria polarização, nem a politização na administração superior da universidade. E julgava ser muito salutar o revezamento dos diferentes lideres acadêmicos nessa gestão. Particularmente eu concordo muito com esse ensinamento do professor Darcy.

Carlos Rezende (o Carlão) está aqui desde as primeiras reuniões pró Uenf… Me lembro de levá-lo, juntamente com seu grupo de pesquisa para conhecer as lagoas da região. Foi chefe do Laboratório de Ciências Ambientais; diretor do Centro de Biociências e Biotecnologias do CBB, pró-reitor de Graduação; vice-reitor; e é pesquisador do CNPq… É durão: sim… É serio: sim… Consegue captar recursos financeiros para Uenf: sim… Tem relações internacionais? Muitas! Com quem você acha que eu vou votar para reitor? Voto 11: Carlão e Juraci. Avança Uenf!

 

Publicado hoje (12) na Folha da Manhã

 

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Folha FM: professor Raúl projeta ser eleito reitor da Uenf e responde a ataques

 

Candidato a reitor da Uenf, professor Raúl Palacio foi o entrevistado de hoje do Folha no Ar, que tem como convivado nesta quinta seu concorrente, o professor Carlão Rezende (Foto: Isaias Fernandes – Folha da Manhã)

 

“Nós achávamos, sinceramente, que ganharíamos no primeiro turno. Chegamos muito perto. Faltaram algo em torno de oito, nove votos de professores. Então eu acho que a gente vai ter uma vitória e estamos trabalhando para que seja expressiva. Os votos dos professores que detectamos ao professor (Enrique Acosta) Medina (candidato que ficou no primeiro turno, no critério desempate do estatuto, e declarou depois neutralidade), estamos trabalhando especificamente com cada um deles. A aceitação dos técnicos continua funcionando. Eu acho que a gente pode ganhar com algo em torno de 60%, 55% dos votos”. Foi o que projetou na manhã de hoje, no Folha no Ar 1ª edição, da Folha FM 98,3, o professor Raúl Palacio, no segundo turno da eleição a reitor da Uenf.

O pleito começa no sábado (14) nos polos avançados do Cederj. E tem seu ápice na terça (17), nos campi Campos e Macaé. Também candidato a comandar a universidade mais importante de Campos e região, o professor Carlão Rezende é o convidado desta quinta (12) do espaço democrático do Folha no Ar.

No programa de hoje, Raúl assumiu que sua canidatura a reitor é uma continuidade do atual: “o professor (Luis) Passoni, porque ele representa talvez o principal incentivador para a gente entrar nesse pleito”. Ele garantiu que sua campanha “tem recebido muito carinho da comunidade da universidade, dos professores, dos estudantes, dos técnicos, e continuamos fazendo a nossa campanha limpa, colocando e debatendo ideias”. E apostou: “é isso no final que vai realmente fazer a diferença”.

Do que não ocorreu de maneira talvez não tão “limpa”, Raúl também falou dos ataques que sofreu através de um artigo, publicado recentemente em espaço virtual de baixo conceito na mídia local. O texto de qualidade ruim foi ilustrado com uma foto do ex-deputado federal Paulo Feijó (PR), entre Passoni e Raúl. Como o ex-parlamentar, hoje em prisão domiciliar pela condenação na operação Sanguessuga, votou a favor do impeachment da ex-presidente Dilma Rousseff (PT), a intenção foi “queimar” o candidato a reitor com o eleitorado universitário de esquerda, de grande força na Uenf, como em qualquer universidade pública brasileira:

— A comunidade universitária entendeu que aquilo foi um processo extremamente agressivo. Em relação à foto, a gente foi conversar com o Feijó na tentativa de procurar dinheiro novo para a universidade. É uma das coisas que a gente coloca no nosso modelo funciona com o orçamento estadual, que é muito fechado, restrito. E por problemas que o Estado do Rio estava passando (na crise de 2017), a gente entendeu a necessidade de procurar emendas parlamentares federais. Como Feijó foi colocado como deputado de direita. Poderiam ter colocado lá uma foto com o (Alessandro) Molon (Rede), com o Marcelo Freixo (Psol), com Wladimir Garotinho (PSD), ou com qualquer deputado federal da legislatura anterior ou desta. Acho que é uma obrigação dos deputados federais colocarem o dinheiro das suas emendas aqui. E a educação faz parte disso. Nosso diálogo é com todos, tanto com a esquerda, quanto com a direita, desde que a Uenf esteja em primeiro lugar como universidade pública, gratuita e socialmente referenciada — disse o candidato a reitor. Que foi além nas causas e consequências do ataque:

— De repente, ter mantido a universidade em funcionamento com zero de dinheiro, por dois anos seguidos, talvez tenha incomodado alguém. E por isso colocaram um artigo que os professores, estudantes e técnicos da universidade se sentiram envergonhados por aquilo que foi colocado. O que acontece na universidade se discute na universidade e na sociedade. Mas nós temos que discutir com classe. É neste sentido que eu falo da campanha limpa. Nós vamos solucionar esse problema pelas vias normais. Não vai ficar sem resposta, com toda a certeza. Mas agora, neste momento, a gente não quer se concentrar nisso. Nós estamos concentrados na campanha e aquilo que é importante para a gente conseguir levar à frente o nosso projeto — pontuou Raúl.

Informado durante o programa que o responsável pelo espaço que abrigou o ataque de baixo nível contra sua candidatura a reitor tem como responsável o assessor de um importante pré-candidato a prefeito de Campos em 2020, Raúl respondeu:

— Eu sinceramente acho que, depois daquilo, o pré-candidato talvez repense isso e coloque o cara para fora. Eu realmente tenho convicção de que isso vai acontecer — apostou.

Ao professor Raúl e, sobretudo, aos ouvintes e telespectadores do programa mais ouvido da rádio de Campos, pedimos desculpas pelo streaming do Folha no Ar 1º edição de hoje não ter sido disponibilizado ao vivo, na página da Folha FM no Facebook. Mas esta sofreu ataque virtual durante a madrugada, o que impediu a transmissão. Nesta quinta (12), com o professor Carlão, nossos técnicos estão desde a manhã de hoje trabalhando para que tudo funcione dentro da normalidade.

Abaixo, em três blocos, os vídeos do Folha no Ar com o professor Raúl Palacio:

 

 

 

 

Atualizado às 16h41 para inclusões na postagem.

 

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