De Campos ao Acre, Lula e Bolsonaro nas pesquisas do Brasil

 

Lula da Silva e Jair Bolsonaro (Montagem: Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)

 

 

Bolsonaro de Campos ao Acre

Campos deu a Jair Bolsonaro (hoje, PL) 64,87% dos seus votos válidos no segundo turno presidencial de 2018. Foi quase 10 pontos a mais do que os 55,13% da votação nacional do capitão. Não há pesquisa confiável para dizer se a maioria do eleitorado campista continua bolsonarista, ou não. Mas é fato que o município contribuiu menos à eleição do presidente do que o Acre, estado mais bolsonarista do país em 2018. Que deu 77,22% no turno final ao vencedor — 12 pontos a mais que Campos. E, ainda que no empate técnico, o ex-presidente Lula (PT) já ultrapassou Bolsonaro nas pesquisas presidenciais de 2022 até no Acre.

 

Lula no primeiro turno?

Encomendada pela Federação das Indústrias do Acre (Fieac), a pesquisa Perfil deu a Lula 34,5% das intenções de voto daquele estado, contra 33,2% de Bolsonaro. É diferença bem mais apertada do que no resto do Brasil. Nas duas últimas semanas, cinco pesquisas nacionais — Quaest, Ipec, Datafolha, MDA e Ipespe — registraram que, se a disputa fosse hoje, Lula a venceria no primeiro turno. Mas o fato é que Lula sempre precisou de dois turnos para se eleger presidente: em 2002 e 2006. Desde que o segundo turno foi instituído em 1989, só Fernando Henrique Cardoso (PSDB) se elegeu presidente em turno único: em 1994 e 1998.

 

A impossibilidade da rejeição

Com o segundo lugar nas intenções de voto em todas as pesquisas, Bolsonaro ultrapassa os 50% de rejeição em todas elas — na Datafolha bateu 60%, 62% na Ipespe. O que torna sua reeleição aritmeticamente impossível em um eventual segundo turno. Que só existe para que um candidato atinja o mínimo de 50% mais um dos votos válidos. Mais do que aumentar suas intenções de voto dos 20% a 25% em todas as pesquisas, contra um Lula entre 42% e 49% — números maiores se contados só os votos válidos —, o capitão precisa diminuir a rejeição. No que conta com seu Auxílio Brasil, que pagará R$ 400,00 mensais a 14,5 milhões de famílias.

 

Moro e a toalha jogada por Olavo

Terceiro colocado na corrida, isolado em algumas pesquisas, em empate técnico com Ciro Gomes (PDT) em outras, o ex-juiz federal Sergio Moro (Podemos) está cerca de 15 pontos distante do segundo. Seu desafio foi melhor definido pelo jornalista Lauro Jardim: não é Moro x Bolsonaro, mas Moro x o erário. Ainda assim, ciente das grandes dificuldades do capitão em se reeleger, o astrólogo Olavo de Carvalho, considerado “guru do bolsonarismo”, ontem jogou a toalha: “Não venham com esperanças tolas, porque a briga já está perdida”. Traduzindo, goste-se ou não, o fato é que Lula termina 2021 como franco favorito a outubro de 2022.

 

PL no RJ com Bolsonaros e Castro

As articulações presidenciais movimentam também as eleições legislativas no estado do Rio e em Campos. A migração de Bolsonaro e seu clã ao PL, assim como do governador Cláudio Castro, gera expectativa de crescimento das suas bancadas em 2022. O senador Flávio Bolsonaro se reuniu na segunda (20) com o presidente estadual da legenda, deputado federal Altineu Côrtes. A expectativa é eleger de 12 a 16 deputados federais e de 10 a 14 estaduais. Primeiro suplente à Câmara Federal do PL no estado, Marcão Gomes confirmou sua nova pré-candidatura ao cargo em outubro. Mas lembrou que pode voltar a ocupá-lo antes.

 

Marcão aposta

“A chegada do governador Cláudio Castro e do presidente Bolsonaro ao PL irá sacudir o tabuleiro eleitoral do RJ. Tenho conversado semanalmente com nosso presidente Altineu. E há negociações avançadas para a chegada de deputados federais à nossa bancada. O PL pode saltar de partido de força mediana para a condição de maior do estado às vésperas da eleição. Nossa pré-candidatura a deputado federal está consolidada. E há ainda a possibilidade de assumir o mandato em 2022, caso a deputada Soraya Santos ganhe a vaga de ministra do TCU, eleição no primeiro trimestre do próximo ano”, disse Marcão à coluna.

 

Ironias da política ao futebol

A saudação à chegada de Bolsonaro ao PL por Marcão tem dupla ironia. Vereador de Campos por dois mandatos, chegou ao primeiro pelo PT. E só não se elegeu deputado federal em 2018 pela onda bolsonarista. Ironia por ironia, ele devolveu a feita pelo prefeito Wladimir Garotinho (PSD) no Folha no Ar na última sexta (17), sobre quem seria o pé frio na derrota do Flamengo na final da Libertadores em Montevidéu, à qual ambos foram: “Que ele não seja um prefeito pé frio e resolva os problemas do município. E que, na próxima final do Mengão, Wladimir não vá para testar se o pé frio é ele, como disseram os internautas (risos)”, provocou Marcão.

 

“Esquerdas” nas Américas

Além das dificuldades em todas as pesquisas nacionais, Bolsonaro enfrenta conjuntura internacional adversa à sua reeleição. Começou com a eleição presidencial de Alberto Fernández na Argentina em 2019, passou por Joe Biden nos EUA de 2020 e, no último domingo (19), chegou mais perto com Gabriel Boric no Chile. Fernández é peronista e só pode ser considerado de esquerda por quem não conhece nada do peronismo. Biden sempre foi um moderado. Boric, sim, aos 35 anos, representa a esquerda. Mas uma inserida no século 21, que não parou no tempo da Guerra Fria que matou o ex-presidente chileno Salvador Allende em 1973.

 

Publicado hoje na Folha da Manhã.

 

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Este post tem 4 comentários

  1. Cesar Peixot

    Pesquisa não ganha eleição,o que ganha eleição é o voto na boca da urna. Ainda é muito cedo pra falar que A ou B é favorito, as pesquisas muitas das vezes erram.

    1. Aluysio Abreu Barbosa

      Caro Cesar Peixoto,

      Pesquisa não ganha eleição, mas indica, sim, o favorito. E, a pouco mais de 9 meses das urnas, o favoritismo de Lula é tanto que, como o texto cita, com o link devido, Olavão já jogou a toalha do bolsonarismo.

      Grato pela chance da constatação!

      Aluysio

  2. Cesar Peixot

    A organização Globo e a folha de São Paulo,
    estão servindo de cabo eleitoral de Bolsonaro.

    1. Aluysio Abreu Barbosa

      Caro César Peixoto,

      O maior cabo eleitoral de Lula, em seus 43 anos de vida pública, é Bolsonaro. E os bolsonaristas que, como vc, fingem ser cegos ao óbvio.

      Grato pela chance da correção!

      Aluysio

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