Feijoada da Folha — Um outro olhar: Campos, SJB, SFI e Quissamã

 

(Arte: Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)

 

“Na dinâmica do jogo político, uma só ocasião pode ter vários recortes, e cada recorte abre margem a interpretações diversas. Como nenhum analista é onipresente e nem toda roda de conversa conta com ‘passarinhos verdes’, certamente há muito mais a ser contado sobre o que rolou nos bastidores da Feijoada e os caminhos que levam às urnas de outubro. Até lá, e também depois, fiquemos com o bom exemplo da Folha, que se faz democrática do bom jornalismo à promoção do amplo convívio social”, definiu o jornalista Matheus Berriel a Feijoada da Folha do último sábado.

— Da região, Campos é a cidade com maior número de pré-candidatos a prefeito. No cargo e líder na única pesquisa registrada, Wladimir Garotinho talvez seja, entre os que compareceram, o mais otimista. Seu grupo aposta na vitória já no 1º turno. Ele não esconde que vê a possibilidade de crescer nas próximas sondagens, com a saída de Carla Machado. Wladimir circula bem na classe empresarial, mesmo sem ser unanimidade. Entre seus aliados, estava no evento o que talvez tenha sido o principal responsável por quebrar, em parte, a resistência ao garotismo na “pedra”: seu atual vice e pré-candidato à reeleição Frederico Paes — registrou o jornalista Arnaldo Neto. Que abriu o leque:

— Quem também circulou bem, apesar de estreante na política, era Madeleine Dykeman. Nome conhecido na “pedra”, por sua atuação como delegada, encontrou com pessoas do seu convívio profissional, como delegados, advogados e juízes. A pré-candidata apoiada pelo presidente da Alerj, Rodrigo Bacellar, diz estar convicta de que haverá 2º turno em Campos. O professor Jefferson de Azevedo, ex-reitor IFF, é outro nome já conhecido. Ele afirmou que a hora é de botar o bloco na rua. No primeiro evento como único pré-candidato petista, estava com outros nomes importantes da sigla. O PT, segundo dirigentes, dará o tempo necessário a Carla para avaliar o papel dela na futura campanha municipal— complementou Arnaldo.

— Caminhar por entre as alamedas da Feijoada é circular entre tribos distintas que, vez por outra, acabam se encontrando. Ou se evitando. É o momento de falar, pedir, conversar, encontrar, articular. Tudo isso num ambiente de festa e, por isso, mais descontraído. A política rodeava as mesas, integrando num mesmo espaço, direita, esquerda, oposição, situação, aliados e ex-aliados. Como a eleição não deve trazer muitas surpresas no resultado ao Executivo, o foco da maioria ficou por conta do Legislativo — ressaltou a jornalista Suzy Monteiro. Ela seguiu:

— Wladimir que, com a agenda lotada na pré-campanha, ficou bem menos tempo que nos anos anteriores. Seu até então chefe de Gabinete Thiago Ferrugem, já de malas prontas para deixar o cargo e coordenar com Mauro Silva a campanha, projetava eleger 18 vereadores da base. Perto de Wladimir, o ex-prefeito e ex-desafeto dos Garotinho, Arnaldo Vianna, que irá apoiar Dr. Maninho, enquanto o filho Caio, que não foi, está firme na pré-campanha de Dudu Azevedo — enumerou Susy, antes de circular a bola da ponta canhota à destra:

— Mais à esquerda, a mesa congregava o professor Jefferson, pré-candidato a prefeito de Campos, Luciano D’Angelo, Odisseia Carvalho, Gilberto Gomes, entre outros petistas. Odisseia acredita que não só o PT irá conquistar uma cadeira no Legislativo, como conseguirá, junto a outras candidaturas de oposição, levar a eleição ao 2º turno. A delegada Madeleine Dykeman também seguiu o manual: circulou, conversou, tirou fotos e dançou, mostrando leveza na pré-candidatura. Aliás, como tem feito também nas ruas — comparou a jornalista.

Além de Wladimir, Madeleine e Jefferson, outros prefeitáveis de Campos bateram ponto na Feijoada da Folha:

— A princípio com pré-candidaturas a prefeito de menor expressão, Jorge Magal e Fabrício Lírio foram outros presentes. A lista de políticos também contou com o vice-prefeito e candidato à reeleição na chapa de Wladimir, Frederico Paes; o secretário estadual de Habitação, Bruno Dauaire; e os ex-prefeitos de Campos Sérgio Mendes, Arnaldo Vianna e Alexandre Mocaiber. Confirmando o caráter regional do evento, marcaram presença a prefeita de Quissamã, Fátima Pacheco, bem como pré-candidatos de Quissamã, São João da Barra e São Francisco de Itabapoana — elencou Matheus Berriel.

 

(Foto: Vilson Correia)

 

De fato, a política de Campos não foi o único jogo jogado na Feijoada da Folha:

— De São João da Barra, a principal conversa política era sobre a nova composição da Câmara. Com cinco cadeiras a mais que a atual, a expectativa é que os vereadores de mandato larguem na frente, mas naturalmente haverá espaço para novos e até mesmo o retorno de alguns. Da disputa ao Executivo, a ampla vantagem da prefeita Carla Caputi nas pesquisas, deixa a cobertura da outrora acirrada disputa eleitoral sanjoanense, no mínimo, sem graça. De repouso, nos últimos dias de gestação, ela foi representada na Feijoada por vereadores da base e representantes do governo — narrou Arnaldo, antes de passar à oposição:

— Danilo Barreto, que abriu mão de uma promissora eleição a vereador para tentar a prefeito, marcou presença. Segue otimista com a construção atual e, certamente, projetos futuros. No evento, confirmou a professora Maria Adriana Abreu, estreante nas urnas, como futura vice na chapa. Apesar de dialogar bem com atores políticos da região, em alguns momentos ele parecia isolado. Reflexo do que acontece em SJB: diante do peso da máquina e do perfil agregador da prefeita, o grupo de Danilo carece de nomes já reconhecidos e com votos consolidados. Talvez seja uma estratégia, de tudo ser novo. Mas quem acompanha política de perto sabe que não funciona assim — advertiu o jornalista sanjoanense.

De São João da Barra, Suzy virou o jogo a Quissamã:

— Em uma mesa era possível ver a sempre pragmática Fátima Pacheco, prefeita de Quissamã, junto com seu vice e pré-candidato a sucedê-la, Marcelo Batista, além da pré-candidata a vice, Tania Magalhães. Trabalhando para fazer nove das 11 cadeiras na Câmara, a situação terá quatro nominatas de vereadores: PP, PSD, PDT e PT: “Nossa expectativa é muito boa”, disse Batista. E falou da responsabilidade de ser o nome a suceder uma figura tão marcante na política regional: “Ainda bem que já fiz um estágio com ela e se Deus quiser tudo vai dar certo” — registrou a jornalista, antes de inverter o jogo à oposição quissamaense:

— Enquanto essa conversa rolava na mesa de Fátima e Marcelo, não muito distante, o ex-prefeito de Quissamã Armando Carneiro cumprimentava seu ex-secretário de Comunicação, atual no mesmo cargo em São João da Barra, Rodrigo Florêncio. Armando revelou à Folha que acredita na união da oposição para reconquistar o Executivo — completou Suzy.

De Quissamã, perto da Região dos Lagos, Arnaldo subiu o litoral político do Norte Fluminense até São Francisco de Itabapoana, na fronteira costeira com o Espírito Santo:

—  Da outra margem do Paraíba, a vereadora Yara Cinthia, pré-candidata a prefeita dos governistas em São Francisco, aproveitou o sábado para demonstrar bom trânsito com atores políticos da região. Não é uma figura desconhecida, já tem três mandatos na Câmara e foi secretária municipal de Educação. Na Feijoada, como no que se percebe, ao observar de longe o cenário político do antigo sertão, ela circulou com a vantagem de já estar definida como pré-candidata, enquanto a oposição ainda não tem uma convicção, por questões políticas e jurídicas — comparou Arnaldo.

— Como já disse, comecei a frequentar a Feijoada na 10ª edição, entre a sempre presente política e a “Curva do Rio”, meu antigo espaço de crônicas no jornal Folha da Manhã. Este ano, da mesa 10 às margens do Paraíba, entre jornalistas e intelectuais, foi possível constatar que algumas coisas mudam, outras alteram o roteiro, mas o sabor e o tempero continuam os mesmos — concluiu Suzy.

 

Página 3 do caderno especial “Feijoada da Folha — Um outro olhar”, publicado hoje na Folha da Manhã (edição: Aluysio Abreu Barbosa/diagramação: Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)

 

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Feijoada da Folha — Um outro olhar: ingredientes políticos

 

Capa do caderno especial “Feijoada da Folha — Um outro olhar”, publicado hoje na Folha da Manhã (edição: Aluysio Abreu Barbosa/diagramação: Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)

 

“Quantas histórias cabem em uma única história? Sem dúvida, muitas e incontáveis, especialmente quando se trata da histórica e tão repleta de fatos e fotos Feijoada da Folha, que chegou a sua 31ª edição”. Foi como abriu sua análise a jornalista Suzy Monteiro, convidada para uma mesa composta de mais três jornalistas (Edmundo Siqueira, Arnaldo Neto e Matheus Berriel), um economista (Alcimar das Chagas Ribeiro) e um sociólogo (Roberto Dutra), professores da Uenf; e um cientista político (George Gomes Coutinho), professor da UFF-Campos. No evento associado às elites regionais, uma elite intelectual e formadora de opinião.

A proposta é que cada um deles desse a sua visão da tradicional Feijoada, realizada no último sábado (29), no Rancho Gabriela, às margens do rio Paraíba do Sul e da estrada Campos/São Fidélis. Os quatro jornalistas, com suas visões sempre generalistas. E os três acadêmicos, como especialistas, analisando como fenômeno político, econômico e social. Para dividir essas histórias e visões em critério jornalístico, a proximidade das urnas municipais de 6 de outubro, daqui a apenas 93 dias, fez com que a política fosse o primeiro ponto de avaliação comum por essas diferentes visões:

— Na observação sobre o comportamento da classe política no evento em ano eleitoral, inegável e sensata discrição. Flanando entre mesas, os membros da classe política local pareciam reconhecer que o espaço era uma vitrine e o sorriso, um cartão de visitas fartamente distribuído. Caso não fosse possível ampliar alianças, que estas ao menos não fossem rompidas, e os caminhos de diálogo, especialmente com o empresariado local, deveriam ser cuidadosamente preservados e/ou construídos. Eu não faria diferente — admitiu o cientista político George Gomes Coutinho.

— Se cada político presente na tradicional Feijoada da Folha pudesse colocar uma “colherzinha” de sentimento em forma de tempero no prato principal, o sabor predominante seria o de otimismo. Dos mais bem colocados nas pesquisas até aos que, sob a ótica de analistas desapaixonados, dificilmente terão fôlego para a corrida, todos demostraram confiança no resultado das urnas. Como de praxe na festa realizada há 31 edições, a rivalidade fica da porta para fora. E se não há clima para acenos, assessores se esforçam para que os adversários não fiquem frente a frente — observou o jornalista Arnaldo Neto. Que seguiu:

— Atores políticos de Campos, Quissamã, São João da Barra e São Francisco de Itabapoana circulavam pelo espaço junto a empresários e nomes influentes de diversos segmentos. Para muitos, o momento era prioritariamente de descontração, mas político fala de política até quando se diverte. Via de regra: se está bem na pesquisa, a tônica é de ampliar a vantagem; senão, acredita que o jogo começa agora — contrastou Arnaldo.

— A feijoada é um ensopado com carne de porco, acompanhada de arroz, farofa, laranja e couve. A da Folha não era diferente. Embora alguns falem que ela teve origem na África, o Brasil se apropriou de seus significados. O prato, com base no feijão preto, assume contornos diferentes a depender da região, mas é sempre misturado. E assim como o Brasil, não é uma mistura ingênua, tampouco pacífica. Há muito de política em uma feijoada. Não é à toa que Chico já a cantou em verso, relacionando à anistia e ao trabalho da mulher. Uma feijoada pode ser tudo, menos irrelevante. Ela sempre tem algo a dizer — ressaltou Edmundo Siqueira, servidor federal e único jornalista da mesa a hoje integrar o Grupo Folha. Ele seguiu:

— Nessa Feijoada tipicamente campista até as folhas de louro e alhos amassados já sabiam que a classe política ia se fazer presente. E, assim como prega a feijoada, se misturaram. Oposição e situação estavam como convidados da Folha, não como adversários. Cada um fez a sua presença em separado, mas todos sabiam que ali era para misturar. Talvez a Feijoada da Folha seja o melhor momento de Campos para dar uma boa olhada nesses espelhos. Os políticos se veem refletidos em suas oposições, que passam comendo um canapé e entreolhando-se de rabo de olho — constatou Edmundo.

— Por que movimentos da natureza da Feijoada Folha não extrapolam o estágio político/social para uma interferência mais estratégica no ambiente socioeconômico do território? Fica a imagem da falta de sensibilidade das lideranças sobre a importância do coletivo e da evidência sobre esforços cada vez mais acentuados no âmbito da competição individual. É garantido que os resultados de longo prazo desse quadro nos levem a uma condição de perde/perde. É preciso entender a total inter-relação entre as unidades sociais e, sobretudo, que a fragilidade de uma tende a afetar direta e indiretamente a outra — pregou o economista Alcimar das Chagas Ribeiro.

— O esforço de governança observado no evento pode ser extrapolado para a solução de problemas estruturais no âmbito do território. Politicamente, é importante para estreitar os ciclos de aprofundamento da pobreza com oportunidade de trabalho e renda que criam dinamismo econômico e animam investimentos privados com geração de novas ondas de empego — projetou Alcimar.

 

Mesa 10 da 31ª Feijoada da Folha. Em pé: o sociólogo Roberto Dutra, os jornalistas Arnaldo Neto, Matheus Berriel, Suzy Monteiro, Edmundo Siqueira e Paula Vigneron, e o geógrafo e estatístico William Passos. Agachados: o jornalista Aluysio Abreu Barbosa e o cientista político George Gomes Coutinho (Foto: Vilson Correia)

 

— Em ano eleitoral, as atenções estiveram voltadas à movimentação dos pré-candidatos a prefeito, especialmente de Campos, cujo cenário teve movimentos importantes nas últimas semanas. A começar pelo professor Jefferson de Azevedo, ex-reitor do IFF, que fez da Feijoada uma passarela para oficialmente “botar o bloco na rua”. Já sem as limitações impostas pela antes possível candidatura da deputada estadual Carla Machado, Jefferson usou bem o primeiro evento público ao qual compareceu após ser oficializado como único pré-candidato do PT à Prefeitura goitacá. Sua presença em várias rodas de conversa sinalizou para o que deve acontecer nos próximos meses: uma investida maciça por apoio, buscando criar uma frente progressista que possa o conduzir ao 2º turno — registrou o jornalista Matheus Berriel. Ele continuou:

— Mais tímidas do que a de Jefferson, foram as aparições do prefeito Wladimir Garotinho, pré-candidato à reeleição pelo PP, e da delegada Madeleine Dykeman, representante oficial do maior grupo de oposição ao atual governo. Wladimir, por exemplo, cumpriu protocolo ao prestigiar um evento do maior grupo de comunicação da cidade. Quando ele chegou, “o bloco de Jefferson” já estava circulando havia mais de duas horas. Não que o gestor municipal tenha aberto mão de fazer sua pré-campanha. Acontece que, liderando as pesquisas com considerável vantagem sobre os concorrentes, ele pode ter mais a perder do que a ganhar em aparições públicas não oficiais. Daí a rápida passagem pela Feijoada, suficiente para demonstrar prestígio ao ser ciceroneado enquanto caminhava para integrar a foto oficial do evento — completou Matheus.

— Por mais privilegiada que seja a posição de classe de um político, ele não pode ignorar as demandas das classes populares se quiser sucesso na disputa eleitoral. A Feijoada da Folha foi, de certo modo, uma oportunidade para furar as bolhas, assim como vários outros eventos e reuniões informais também podem ser. A cidade tem muito a ganhar com esta combinação de competência com abertura a outras perspectivas, por exemplo, com políticos e cientistas que saibam compreender a importância da atividade alheia. No entanto, para serem mais competentes e mais abertas, nossas elites precisam ser mais populares, recrutadas em amplos setores sociais e não apenas em poucas famílias — cobrou o sociólogo Roberto Dutra.

— Devo ter começado a frequentar a Feijoada, trabalhando ou não, lá pela 10ª edição. E sempre impressiona o fato de o evento ser, desde sempre, disputado por quem quer ou precisa ser visto, lembrado ou reconhecido. Durante todo esse tempo, não foram raros os momentos em que adversários políticos se encontraram e se cumprimentaram, reconhecendo a Feijoada como espaço neutro. Já vi alguns até abraçados como melhores amigos, após ficarem anos trocando acusações — testemunhou Suzy.

 

Página 2 do caderno especial “Feijoada da Folha — Um outro olhar”, publicado hoje na Folha da Manhã (edição: Aluysio Abreu Barbosa/diagramação: Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)

 

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Oposição a prefeito de SJB no Folha no Ar desta sexta

 

(Arte: Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)

 

Administrador público e pré-candidato a prefeito de São João da Barra, Danilo Barreto (Novo) é o convidado para fechar a semana do Folha no Ar nesta sexta (5), ao vivo, a partir das 7h da manhã, na Folha FM 98,3. Prefeita de SJB e pré-candidata à reeleição, Carla Caputi (União) também tinha sido convidada, com entrevista agendada para a última sexta (28), mas teve que cancelar por conta da sua gravidez.

Danilo falará dos motivos que o fizeram optar por uma promissora pré-candidatura a vereador pela única de oposição a prefeito de SJB. Também dirá como pretende desconstruir o favoritismo de Caputi nas pesquisas (confira aqui) às urnas de 6 de outubro, 94 dias depois de amanhã. Por fim, ele falará da montagem de nominata do seu grupo e tentará projetar a nova composição da Câmara Municipal.

Quem quiser participar ao vivo do Folha no Ar desta sexta poderá fazê-lo com comentários em tempo real, no streaming do programa. Seu link será disponibilizado alguns minutos antes do início, nos domínios da Folha FM 98,3 no Facebook e no YouTube.

 

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SJB e Campos em qualidade de vida e à urna no Folha no Ar desta 5ª

 

(Arte: Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)

 

Geógrafo com especialização doutoral em estatística pelo IBGE e consultor estatístico do Núcleo de Pesquisas Econômicas ao Estado do Rio de Janeiro (Nuperj) da Uenf, William Passos é o convidado do Folha no Ar desta quinta (4), na Folha FM 98,3.

William detalhará o levantamento da Nuperj/Uenf, com base na metodologia internacional do Índice de Progresso Social (IPS) 2024, que colocou (confira aqui) São João da Barra e Campos entre os dois municípios de melhor qualidade de vida no Norte Fluminense. E tentará projetar as eleições a prefeito de 6 de outubro, daqui a 95 dias, em Campos, SJB e outros municípios do NF, com base (confira aqui) nas pesquisas.

Quem quiser participar ao vivo do Folha no Ar desta quinta poderá fazê-lo com comentários em tempo real, no streaming do programa. Seu link será disponibilizado alguns minutos antes do início, nos domínios da Folha FM 98,3 no Facebook e no YouTube.

 

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SJB e Campos têm a melhor qualidade de vida do NF

 

(Arte: Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)

 

São João da Barra (16º município do Brasil em oportunidades individuais e o 39º em garantia de acesso à educação superior) e Campos (387º município do Brasil em oportunidades individuais e o 238º município em garantia dos direitos individuais) lideram a qualidade de vida no Norte Fluminense. Os resultados são do Índice de Progresso Social (IPS) 2024, uma metodologia internacional que calcula o bem estar da população a partir de dados oficiais.

Pela primeira vez, a metodologia foi aplicada a todas as cidades brasileiras. O ranking dos municípios do Norte Fluminense foi elaborado pelo Núcleo de Pesquisas Econômicas ao Estado do Rio de Janeiro (Nuperj) da Uenf, sob a responsabilidade do geógrafo William Passos. O Nuperj tem como diretor-científico o economista Alcimar das Chagas Ribeiro, professor da Uenf, e como integrante outro economista: José Alves de Azevedo Neto.

O levantamento divulgado hoje recebeu o nome de IPS Brasil 2024 e consiste numa colaboração entre o Instituto do Homem e do Meio Ambiente da Amazônia (Imazon), a Fundação Avina, a Anattá Pesquisa e Desenvolvimento, o Centro de Empreendedorismo da Amazônia e o Social Progress Imperative. Para a construção do IPS 2024, foi realizada a filtragem de mais de 300 indicadores, consolidados em 52 índices, extraídos de órgãos oficiais e de institutos de pesquisa, como o DataSUS, o Conselho Nacional de Justiça, a Anatel e o CadÚnico. Também compuseram o indicador dados inéditos produzidos pelo Mapbiomas, sobre áreas verdes e disponibilidades de praças.

 

(Infográfico: Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)

 

William Passos, geógrafo com especialização doutoral em estatística no IBGE e consultor estatístico do Nuperj/Uenf

— No conjunto do Norte Fluminense, Macaé se destaca como o 550º município do Brasil em oportunidades individuais, sendo o 11º município do país em garantia de acesso à educação superior. Cardoso Moreira se sobressai como o 278º município do Brasil em inclusão social e Conceição de Macabu como o 689º município do país em acesso à informação e comunicação, com destaque para a densidade de internet banda larga fixa — listou William Passos. Ele também explicou a metodologia do levantamento:

— O IPS 2024 é dividido em três dimensões principais: Necessidades Humanas Básicas; Fundamentos para o Bem-estar; e Oportunidades. Cada uma delas tem quatro componentes, cuja combinação forma uma média final. Mas cada componente é formado por alguns indicadores, normalmente de três a cinco, com pesos entre eles. Por exemplo, no componente de segurança, o dado de taxa de homicídio tem peso maior que o de morte de jovens — concluiu o geógrafo e estatístico.

 

Da assessoria da Nuperj/Uenf.

 

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Os 85 anos da ACL como catalisador da cultura de Campos

 

Acadêmicos no dia 21, durante a celebração dos 85 anos da ACL (Foto: Divulgação)

 

Ronaldo Junior, poeta, professor de Letras e presidente da ACL

Para além das oito décadas de história

Por Ronaldo Junior

 

Ao longo de cinco dias do mês de junho, a Academia Campista de Letras (ACL) abriu suas portas para celebrar seus 85 anos de fundação. Foram dias para refletir sobre o patrimônio cultural campista, o que aconteceu por meio da valorização de nossas instituições históricas.

No dia 8, a professora DSc. Maria Catharina Reis Queiroz Prata fez uma palestra que marcou a abertura da exposição de ilustrações do Grupo Urban Sketchers Campos — coordenado pelo arquiteto Ronaldo Araújo. A palestrante, que falou sobre “A cidade no espelho”, provocou os presentes a refletir sobre a valorização dos prédios históricos de Campos, assim como a pensar como nos relacionamos com nossa memória. As ilustrações do Grupo USk Campos, por sua vez, apresentaram diferentes visões artísticas de três prédios: a Academia Campista de Letras, a Lira de Apolo e a Livraria Ao Livro Verde.

Uma mesa redonda — composta pela professora Valéria Crespo e pelos acadêmicos Genilson Soares e Sylvia Paes — trouxe à tona memórias da Livraria Ao Livro Verde no dia 13 de junho, quando a Livraria completou 180 anos de fundação num delicado momento de sua história, marcado pela resistência para garantir sua continuidade. Pensando nisso, na mesma noite do dia 13, foi fundada a Associação de Amigos de Ao Livro Verde (Asalve), como resultado da Campanha SOS Ao Livro Verde, tendo o jornalista Adelfran Lacerda à frente desse importante movimento.

 

ACL na mesa redonda sobre a Livraria Ao Livro Verde (Foto: Divulgação)

 

A ACL abriu as portas, também, para receber sua coirmã, a Associação de Imprensa Campista (AIC), entidade que completou 95 anos de fundação no dia 17 de junho. Seu presidente, o jornalista Wellington Cordeiro, organizou uma conferência ministrada pelo jornalista Herbson Freitas, também acadêmico da ACL, para relembrar a rica história da instituição. Além disso, foram entregues certificados de reconhecimento para aqueles que auxiliaram a escrever mais de nove décadas de história.

 

ACL homenageia sua coirmão Academia de Imprensa Campista (Foto: Divulgação)

 

No dia da fundação da Academia Campista de Letras — 21 de junho —, o público pôde ouvir um relato histórico da jovem historiadora Ana Tereza Viana, que estudou nossa instituição em seu trabalho de conclusão de curso. Assim como os presentes acompanharam a cerimônia de entrega da Comenda da ACL, em homenagem aos atuais acadêmicos e acadêmicas que compõem os quadros da instituição. E, por fim, uma apresentação da Sociedade Musical Lira de Apolo foi o ápice da celebração. Na ocasião, também, foi apresentado o site oficial da ACL, espaço de preservação da memória da instituição (academiacampista.org.br).

Para encerrar, no último sábado (29), as portas de nossa sede histórica foram abertas para receber um dos maiores intelectuais brasileiros, referência internacional nos estudos de antropologia, o professor Roberto DaMatta. Ele participou de um bate-papo com o acadêmico e segundo vice-presidente da ACL, Carlos Augusto Souto de Alencar. Os presentes puderam ouvir e aplaudir o entusiasmado palestrante, que, do alto de seus 87 anos, passeou por tópicos de sua obra e propôs pertinentes reflexões sobre o Brasil.

 

ACL recebeu a palestra do antropólogo e professor Roberto Da Matta (Foto: Divulgação)

 

Ao longo do mês, portanto, a ACL demonstrou que seus 85 anos de história podem ser contados sob recortes muito diversos. Mas todos eles passam pela valorização das instituições que caminham em prol da preservação da memória campista. Demonstramos, com isso, que, em mais de oito décadas, a ACL estabeleceu seu papel na história cultural de Campos, mas não esteve solitária.

Para citar apenas as instituições celebradas nesse mês de junho, é possível ressaltar que muitos dos acadêmicos fundadores da ACL, que estiveram no Café Club em 21 de junho de 1939, eram membros da Associação de Imprensa Campista. O atual prédio-sede da ACL foi inaugurado, segundo relatos, com uma apresentação da Banda Lira de Apolo no ano de 1916 — que marcou a abertura da Escola Wenceslau Brás. Além disso, quantas histórias de nossos acadêmicos a Livraria Ao Livro Verde poderia contar?

Isso quer dizer, portanto, que nossas instituições possuem histórias que se complementam em diversos pontos de contato na linha do tempo, pois estão interligadas na complexa trama a que chamamos Cultura Campista.

A você que nos lê, deixamos o convite para conhecer a Academia Campista de Letras e participar desse movimento em prol de nossa cultura.

 

Folha Letras da edição de hoje da Folha da Manhã

 

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MP enquanto classe, eleições, minorias e maconha no STF

 

Procurador de Justiça Cláudio Henrique da Cruz Vianna, campista reeleito ao 3º mandato consecutivo como presidente da Amperj (Foto: Amperj)

 

 

Desafio às urnas daqui a 95 dias

“A eleição municipal é muito mais desafiadora. Em eleição, o Ministério Público desagrada todo mundo. Lembro que numa eleição, como promotor de Campos, fui à Escola Técnica, hoje IFF, que estava com um monte de cartazes de um candidato. Disse ao diretor: ‘isso é crime eleitoral, um órgão público não pode fazer propaganda’”. Recordou na manhã de ontem (2), no Folha no Ar, o procurador de Justiça Cláudio Henrique da Cruz Viana. Campista, ele foi reeleito, no dia 10, ao 3º mandato seguido de presidente da Associação do Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro (Amperj).

 

Redes sociais e fake news

“Hoje, temos outra questão: as redes sociais e as fake news; que sempre existiram. Mas era diferente, acontecia no próprio programa eleitoral e gerava direito de resposta. Hoje, o programa eleitoral gratuito (de rádio e TV) é o que menos importa. A campanha vai acontecer em rede social; isso é uma realidade. E com o avanço da tecnologia, agora com a inteligência artificial, é muito difícil ao Direito acompanhar todos esses avanços. Até que ponto o Estado tem que intervir? Isso não está regulamentado no Brasil, mas tem avançado mais na Justiça Eleitoral”, disse o procurador.

 

Impunidade desmoraliza Justiça

“A grande questão da Justiça é a impunidade, o seu caráter desmoralizante. Quando era professor de Direito Penal, eu dizia: ‘a certeza da pena é muito mais importante que o tamanho da pena’. Não adianta criminalizar tudo, essa tendência de dizer: ‘tem que aumentar a pena’. No trânsito, há a certeza de que a multa vai chegar se você avançar o limite de velocidade no radar. Você não vai ser preso, vai receber a multa, perder pontos na carteira. Mas é uma certeza, se for uma Ferrari ou um Fusca. Essa mensagem é muito importante na Justiça. E na política é o mesmo”, comparou Cláudio Henrique.

 

“Vingança” do PT e Centrão derrotada

Sobre seu terceiro mandato à frente da Amperj, o presidente disse: “É um novo mandato, mas é uma continuidade. Ser reeleito é um recado da classe, os promotores e procuradores, ativos e aposentados, do Ministério Público do Rio de Janeiro: o caminho que estamos trilhando é o melhor caminho. Tivemos nesse período um grande desafio nacional, que foi a PEC 05 (de 2021, também chamada de “PEC da Vingança”, numa resposta à operação Lava Jato), uma Proposta de Emenda Constitucional (de deputados do PT e do Centrão) que seria muito ruim ao interesse público e ao Ministério Público”.

 

Da questão nacional à estadual

“Essa PEC (05) visava tirar autonomia dos membros do Ministério Público para agir. Seria um grande retrocesso. Tivemos que trabalhar fortemente para impedir essa emenda constitucional. E obtivemos êxito graças à ajuda, principalmente, da imprensa e da sociedade civil. Outro momento que tivemos importante, no Rio de Janeiro, foi a reforma da Previdência Estadual (também em 2021). Trabalhamos junto a outras entidades de classe, da magistratura, da defensoria, da procuradoria do estado. E mostramos que era possível compatibilizar os interesses”, recordou o procurador.

 

Maconha no STF e crise entre Poderes

Indagado sobre a crise entre Poderes no Brasil, agora entre Judiciário e Legislativo, com o julgamento no Supremo Tribunal Federal (STF) sobre a quantidade de maconha portada para se diferenciar usuário de traficante, gerando acusações do Congresso Nacional de atropelo de atribuição legislativa, Cláudio Henrique ponderou: “O avanço das leis e direitos sociais trouxe o Judiciário a discussões que antes eram dos outros Poderes. Essa é a ideia original de judicialização da política. A questão é quando isso passa ao ativismo judicial. O Judiciário é um Poder inerte, só age quando provocado”.

 

Judiciário legisla sobre Direito Penal?

“O ativismo judicial é quando o Judiciário passa a agir não a partir de uma provocação. Um exemplo forte foi quando o STF deu interpretação extensiva na lei de discriminação racial para entender como crime também a homofobia. Até em situações como essa, em que há um consenso positivo que deveria ser crime, teria que vir através do Congresso, não de decisão do STF. Aquela decisão pode nos ter agradado no varejo, por impedir a discriminação, mas pode ser um precedente no atacado para que o STF possa legislar sobre o Direito Penal, tirando isso do legislador”, explicou o presidente da Amperj.

 

Casamento homoafetivo, maioria e minoria  

“Quando o STF reconheceu o casamento de pessoas do mesmo sexo, se dependesse do Congresso Nacional, isso nunca seria votado e regulamentado. Porque a sociedade brasileira é conservadora nos costumes; essa é a verdade. E o Congresso é eleito por essa maioria para representá-la. O STF viria para defender o direito de uma minoria que não estivesse bem defendida pelo legislador. O problema todo é a medida. Até quando isso faz parte do sistema de freios e contrapesos, em que um Poder equilibra o outro; ou até que ponto um Poder avança sobre o papel de outro Poder?”, questionou o procurador.

 

Publicado hoje na Folha da Manhã.

 

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Cinema, Rio negro e curso na Uenf no Folha no Ar desta 4ª

 

(Arte: Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)

 

Diretores de cinema e da produtora audiovisual Quiprocó Filmes, o sociólogo Fernando Souza e o antropólogo Gabriel são os entrevistados do Folha no Ar desta quarta (3), ao vivo, a partir das 7h da manhã, na Folha FM 98,3. Eles falarão sobre o documentário “Rio, Negro”, selecionado ao Dubai Festival de 2023, exibido no Rio, São Paulo e outras cidades brasileiras, inclusive Campos, onde o filme foi exibido dia 19 (confira aqui e aqui) na Villa Maria.

Além da contribuição negra e africana na gênese da cidade do Rio e do Brasil, tema do documentário, Fernando e Gabriel também falarão da migração da sociologia política e da antropologia ao cinema. E analisarão a tentativa da retomada do projeto de um curso de cinema na Uenf, presente na fundação da universidade em 1993 e depois abandonado.

Quem quiser participar ao vivo do Folha no Ar desta quarta poderá fazê-lo com comentários em tempo real, no streaming do programa. Seu link será disponibilizado alguns minutos antes do início, nos domínios da Folha FM 98,3 no Facebook e no YouTube.

 

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Campista na Amperj, Cláudio Henrique no Folha no Ar desta 3ª

 

(Arte: Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)

 

Procurador de Justiça e reeleito no dia 10 (confira aqui) para o terceiro mandato consecutivo como presidente da Associação do Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro (Amperj), o campista Cláudio Henrique da Cruz Viana é o convidado do Folha no Ar nesta terça (2), ao vivo, a partir das 7h da manhã, na Folha FM 98,3.

Cláudio Henrique falará do que considera os maiores feitos das suas duas primeiras gestões à frente da Amperj, e dos objetivos que tem para a terceira. Também analisará os conflitos entre os Poderes Judiciário e Legislativo em pautas polêmicas. E, por fim, falará de como o Ministério Público do RJ se prepara para as eleições municipais de 6 de outubro, daqui a exatos 97 dias.

Quem quiser participar ao vivo do Folha no Ar desta terça poderá fazê-lo com comentários em tempo real, no streaming do programa. Seu link será disponibilizado alguns minutos antes do início, nos domínios da Folha FM 98,3 no Facebook e no YouTube.

 

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