Odontólogo e candidato a prefeito de Campos, Dr. Buchual (Novo) é o convidado do Folha no Ar desta sexta (6), ao vivo, a partir das 7h da manhã, na Folha FM 98,3. Ele abre a série de entrevistas que o Grupo Folha fará com todos os candidatos a prefeito Campos, com ordem estabelecida em sorteio (confira aqui) no último dia 22, com a presença dos representantes de todas as candidaturas.
Buchaul avaliará os erros e acertos da gestão Wladimir, o cenário apontado pelas pesquisas eleitorais (confira aqui e aqui) e sua nominata de vereadores. Ele também falará das suas propostas para saúde, educação, transporte público e segurança. E, por fim, do que propõe à revitalização do Centro, à retomada da vocação agropecuária do município, à geração de empregos e à construção do futuro de Campos para além dos royalties do petróleo.
Quem quiser participar ao vivo do Folha no Ar desta sexta poderá fazê-lo com comentários em tempo real, no streaming do programa. Seu link será disponibilizado alguns minutos antes do início, nos domínios da Folha FM 98,3 no Facebook e no YouTube.
Livro infantil “Ururau Pançudo” e suas criadoras, as professoras de História, escritoras e integrantes da Academia Campista de Letras (ACL) Carmen Eugênia Sampaio Gomes e Sylvia Paes
Por Carmen Eugênia Sampaio Gomes e Sylvia Paes
A literatura oral, o contar histórias, sejam elas lendas, contos, histórias de família, é como a varinha mágica que nos remete a um tempo espaço diferenciado e único, um momento de encantamento e afetividade. É essa oralidade que primeiro toca as crianças em seu mundo de fantasias. São elas que se transformam em ururau para nadar no rio, voam em dragões e comem doces junto com João e Maria. Enquanto crianças vivemos esse universo sobrenatural de encantamento e de magia que carrega o mundo real sem a sua crueldade.
No Paleolítico o homem produziu esculturas, pintou paredes de cavernas e dançou ao redor do fogo. Ele se tornou nômade no neolítico e construiu habitações fixas em áreas férteis junto aos rios, domesticou animais e grãos, cresceu demograficamente. Iniciou trocas comercias, a divisão do trabalho e, por conseguinte, a interpretação do místico e do sagrado. Os cultos agrários foram a origem das festas populares com danças e cânticos incorporando máscaras e outros adereços. Para Nitzsche “a arte é a única justificativa possível para o sofrimento humano”. (apud Murray 2005)
Segundo documento da Unesco o Patrimônio Cultural Imaterial representam as práticas, as expressões e os conhecimentos técnicos de um grupo social, pelos quais os indivíduos se reconhecem como sendo parte desse grupo. Esse patrimônio que se transmite de geração para geração está constante recriação de acordo com a visão de mundo de cada um desses grupos. Portanto esse patrimônio é flexível uma vez que está em constante processo de mutação de valores. (Guidolin e Zanotto 2016:79)
É na infância que nossas varinhas mágicas, muitas vezes feitas de um galho qualquer, têm o poder da transformação de imaginação em “realidades” únicas e individuais. Nossas bonecas falam, o lobo mal está escondido atrás da porta, animais falam. A literatura trás na sua essência a capacidade de transformar tudo isso em objetos de afeto depois da chupeta e mamadeira. A literatura oral remete a momentos de transformação e encantamentos, o alumbramento do momento mágico. (Rios 2013)
A oralidade como patrimônio imaterial podem ajudar aos alunos a construir a sua história, a história da família, a história da nação. Os registros de memória são objetos de memória que contextualizam o tempo e o espaço. A memória popular está contida na memória familiar por meio das festas e podem ser também memórias coletivas. A memória pública está nos locais consagrados à preservação da memória. (Del Priore e Horta 2005)
Importância da memória para formação da identidade
Os estudos da neurociência tratam a memória como um fenômeno resultante de um sistema dinâmico e assim se associam as ciências humanas e sociais.
Para Pierre Janet (apud Le Goff, 1996 : 242) o ato da memória está diretamente ligado ao comportamento narrativo, sendo a linguagem produto das relações sociais. Primeiro se fala, depois se escreve, diz Henri Atlan, sendo a escrita uma extensão da memória. “Isto significa que antes de ser falada ou escrita, existe uma certa linguagem sob a forma de armazenamento de informações na nossa memória.” (Atlan, 1972 : 461 apud Le Goff, 1996 : 425)
Contudo a memória pode sofrer perturbações causadas pelas nossas emoções, por exemplo, que podem apagar certos detalhes ou por outro lado dar destaque demasiado a certos fatos. Também pode sofrer pela afasia[1] ou pela amnésia a perda de referenciais importantes.
Transformações significativas acontecidas na memória coletiva possibilitaram o aparecimento da escrita. Ou seja, para não se perder ou para evitar transtornos na memória social do grupo, houve a necessidade da produção de símbolos que dessem sentido à memória coletiva, à escrita. E a memória coletiva foi então gravada em muros das cidades e dos templos para sua perpetuação.
Na sua dimensão política, o patrimônio é a memória que revive é uma história remanipulada, reprimida. Os documentos antigos sejam eles escritos, iconográficos, arquitetônico, paisagem saberes e fazeres, a própria oralidade é uma herança comum. Dizem Mary Del Priore e Maria de Lourdes Horta (2005) que: “A memória é a faculdade de lembrar e conservar estados de consciência passados e tudo quanto a ele está relacionado”.
Leitura e identidade: Coleção “Tô Chegando”
Chegou o momento de contarmos um pouco de o nosso caminhar acerca da contação de histórias das investidas referentes à preservação da nossa cultura. Aliadas às nossas memórias locais, ao nosso patrimônio material e imaterial e, portanto, a nossa história e identidade enquanto cidadãs do maior município do Norte Fluminense, Campos dos Goytacazes, nos lançamos nessa aventura de promover para estudantes da educação básica material para didático que comtemple um pouco dessa nossa história e tradição cultural.
Em 2012 sentindo a dificuldade de colegas professores de história, em obter material apropriado para o trabalho da história local, resolveram escrever para os pequenos. Então nasceu a Coleção “Tô Chegando” e o primeiro livro “Ururau Pançudo” foi lançado na Bienal do Livro de Campos em 2014. Todos os livros da Coleção “Tô Chegando” tratam do patrimônio cultural local/regional com ênfase no patrimônio intangível, contudo não deixam de abordar o patrimônio ambiental e material, sobretudo o arquitetônico.
Podemos dizer que os livrinhos têm marcas identificadoras; toda coleção tem ilustrações de Alício Gomes; tem links com imagens dos personagens; as histórias sempre terminam à noite por entendermos que o amanhã nos traz sempre uma nova história; ao final da história mantemos um glossário que sempre traz a linguagem regional; também um exercício é proposto para fixação dos saberes adquiridos com a leitura.
Bem, parece que foi ontem, mas já se passaram 10 anos do lançamento do primeiro livro da coleção “Tô Chegando”, Ururau Pançudo. Então, as autoras resolveram comemorar de forma a envolver a comunidade escolar. Dessa forma, fomos em busca de oportunidade e ela chegou quando do lançamento do programa Mais Ciência na Escola, promovido pela secretaria municipal de Educação, Ciência e Tecnologia (Seduct), que disponibilizou a área de Ciência Humana e de Interdisciplinaridade. Foi neste contexto que o projeto “Ururau Pançudo: a lenda continua…” foi agregado.
Neste momento, encontramo-nos em fase de escrita da lenda (continuação) por parte dos estudantes. Aguardamos o encaminhamento das três (03) melhores histórias de cada unidade escolar. As três (03) histórias escolhidas pela comunidade escolar serão analisadas por um grupo de especialistas da Seduct e das autoras do livro. Dessas (03) histórias, sairá apenas uma que vai disputar com as demais produções das outras escolas.
Propomos que os estudantes envolvidos no projeto pudessem valorizar o patrimônio cultural regional/local, descrevendo o espaço vivido e as características do território. A narrativa deve ser focada na realidade deles, oportunizando a observação e analise da comunidade. A questão de pertencimento e de identidade está em pauta.
A produção que ganhar o primeiro lugar terá sua história ilustrada pelo profissional Alício Gomes, responsável pela produção visual da coleção “Tô Chegando”. E terá a sua disponibilização em forma de e-book, além de outros prêmios.
Considerações finais
Enquanto componentes do Grupo Unsum, estamos há 10 anos na caminhada objetivando promover a valorização da cultura e da tradição local. Entendemos que não se pode amar uma história e uma tradição se não as conhecemos. Refletir que num mundo globalizado e cheios de atrativos efêmeros e transitórios de valores, buscar na memória do coletivo próximo, dos grupos em que pertencemos, os elementos que nos unem e tecem identidades específicas de dessa comunidade é de vital importância. Um povo sem memória é um povo sem alicerce e facilmente manipulado pelos interesses de grupos economicamente globalizantes, que visam apenas os interesses das grandes empresas. E assim, nós nos tornamos presas fáceis senão nos apegarmos aos nossos valores, tradições e cultura e nos fortalecermos enquanto grupos.
Referências
GUIDOLIN, Camila e ZANOTTO, Gisele. Patrimônio Imaterial. In: Mapeamento do Patrimônio Imaterial de Passo Fundo/RS. Passo Fundo: Projeto Passo Fundo, 2016.
HORTA, Maria de Lourdes Parreiras. Os lugares de memória. Memória patrimônio e Identidade. Ministério da Educação: Boletim 4, abril 2005.
LE GOFF, Jacques. História e Memória. Campinas/São Paulo: Editora da UNICAMP, 1996.
MURRAY, Charles. As Festas Populares como objetos de memória. Memória patrimônio e Identidade. Ministério da Educação: Boletim 4, abril 2005.
RIOS, José Arthur. Objetos não são coisas. Rio de Janeiro: José Arthur Rios, 2013.
SANTOS, Isabela de Oliveira. A Contação de Histórias da Educação Infantil. Monografia apresentada ao Centro de Ciências do Homem (CCH), da Universidade Estadual do Norte Fluminense Darcy Ribeiro, como requisito para obtenção do título de Licenciatura em Pedagogia. Campos dos Goytacazes – RJ junho2018.
[1] É a perda do poder de captação de expressão da palavra ou símbolos que podem ocorrer em casos de lesões em centros celebrais, mas que não acontecem por defeito ou perda auditiva ou do mecanismo fonador.
Felipe Fernandes, cineasta publicitário e crítico de cinema
Angústia, desconforto e excentricidade
Por Felipe Fernandes
Situada no início dos anos 90, “Longlegs: Vínculo mortal” é um thriller que reverencia duas obras seminais do gênero lançadas naquele período, os clássicos “O silêncio dos inocentes” e “Seven”. Não por acaso, na cena de apresentação do caso, o chefe da polícia afirma que o trabalho deles é bater de porta em porta, como nos filmes. Um diálogo preguiçoso, que reforça sua base cinematográfica.
O filme trabalha sua linha temporal através dos detalhes. Abre com uma razão de aspecto diferente, que por associação e pelo trabalho do design de produção, nos remete aos anos 70 e com a curiosa escolha de expor ambientes com quadros dos presidentes estadunidenses vigentes. Com a figura de Bill Clinton surgindo constantemente nos escritórios do FBI. Uma forma curiosa de estabelecer o período que a história se passa. Uma decisão que soa mais como um capricho, já que não encontra relevância na trama.
A obra abraça mais as características do cinema de horror que as de investigação policial. O longa constrói uma atmosfera angustiante, um local frio, nublado, com ruas sempre vazias, um local aparentemente sem vida. A característica é compartilhada com a protagonista, representada em uma transição da personagem para uma árvore sem vida.
A protagonista Lee Harker é uma mulher claramente deslocada. Parece uma pessoa sem energia, sem vivacidade. Ela apresenta uma espécie de clarividência, que traz à tona uma pegada sobrenatural, que se expande na reta final da trama. Sua vida também parece ser consequência de um trauma, característica recorrente nesse estilo de personagem.
O filme é um recorte de elementos de filmes do gênero e a direção de Osgood Perkins reflete muito isso. Os zooms sutis e constantes, as câmeras subjetivas, os enquadramentos que apresentam espaços vazios, de onde algo pode surgir, emulam um estilo de direção muito comum no cinema de terror desse início de século. A referência temática são os anos 90, mas a direção dialoga com o terror atual.
Praticamente todo o marketing do longa foi feito sobre a atuação de Nicolas Cage. O próprio filme brinca com isso, já que por mais da metade do filme acompanhamos o assassino sem de fato ver o seu rosto. Uma decisão eficiente em criar um suspense sobre o personagem, mas que termina em uma revelação anticlimática de um personagem de visual pouco inspirado. Parece um rockeiro andrógeno, sensação reforçada pelos posters em seu quarto e na constrangedora cena em que ele canta.
Conhecido por seu estilo por vezes excêntrico e exagerado em suas atuações, nos últimos anos, Cage se tornou meio cult justamente por isso. Aqui, ele tem um papel que permite utilizar esses exageros em uma composição interessante, compondo um personagem ora ameaçador, ora meio patético.
Na mistura de thriller com elementos sobrenaturais, “Longlegs: Vínculo mortal” é um longa que cultua clássicos e busca uma subversão ao misturar elementos do cinema de horror. O saldo final é um longa com boas ideias, algumas inconsistências de roteiro e sem muita personalidade. Que não se sustenta nem pela atuação de Nicolas Cage. É mais um terror mediano, em um ano repleto deles.
Os movimentos entre 2024 e 2026 são especulações. Que esbarram na ressalva do gênio do futebol Mané Garrincha na Copa do Mundo de 1958 ao técnico Vicente Feola, que arquitetava planos para o Brasil vencer a União Soviética: “O senhor já combinou com os russos?” Clube que revelou Garrincha, o Botafogo lecionaria no Brasileirão de 2023: não existe campeão de véspera. Sobre a projeção de teto (máximo) de votação pelas pesquisas Paraná e Big Data, em 2º lugar entre 17,9% e 15% de intenção do voto (ou entre 20,81% e 17,44% de voto válido) na estimulada, a Delegada Madeleine (União) preferiu não comentar. Mas garantiu: “a surpresa ficará para 6 de outubro”.
Projeção de tetos de votação
No último sábado (31), para além das suas intenções de voto, o teto de Madeleine foi projetado entre os campistas que hoje não aprovam o governo Wladimir: 23,6% na pesquisa Paraná e 27% na Big Data. Sobre esses parâmetros, opinaram os estatísticos Eduardo Shimoda, professor da Candido Mendes; e William Passos, do Nuperj da Uenf; o diretor do instituto de pesquisa Pro4, Murillo Dieguez; os cientistas políticos George Gomes Coutinho e Hugo Borsani, professores da UFF-Campos e da Uenf; e o sociólogo Roberto Dutra, outro professor da Uenf. Os seis especialistas projetaram a possibilidade da reeleição de Wladimir em turno único.
(Infográfico: Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)
Jefferson e números de indecisos
Em 3º lugar na corrida a prefeito de Campos, entre 2,7% e 4% de intenção de voto nas consultas estimuladas Paraná e Big Data, Professor Jefferson comentou: “As pesquisas captam o momento presente, não o futuro. A campanha está em aberto, o voto não está cristalizado na maior parte do eleitorado. As projeções indicam que essa decisão se cristaliza nos últimos 15 dias antes da eleição. Mais de 50% dos entrevistados ainda não definiram o seu voto”, apostou com base nos 53,9% de indecisos na consulta espontânea Paraná, reduzidos a 30% na Big Data. Indecisão que, nas consultas estimuladas, cai para apenas 5,8% e 6% dos eleitores.
(Infográfico: Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)
Sem “já ganhou”
“Esse clima de ‘já ganhou’ (em relação ao favoritismo de Wladimir nas pesquisas) não é o que sentimos nas ruas. Tenho andado por toda a Campos, ouvindo e conversando com pessoas em diferentes contextos sociais. A propaganda na TV acabou de começar e aos poucos nosso nome e nossa imagem já ganham mais visibilidade. Tenho absoluta certeza de que teremos tempo para apresentar nossas propostas e vamos chegar ao 2º turno. Nós temos o melhor programa para o enfrentamento dos problemas estruturais do nosso município, com justiça social e equidade”, pregou Jefferson.
(Infográfico: Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)
Dr. Buchaul e Pastor Fernando
Entre 0,6% e 1% nas estimuladas Paraná e Big Data, Dr. Buchaul (Novo) disse: “Eleição é decidida nas urnas, poucos dias antes do pleito. A população nem sabe direito quem são os candidatos. As entrevistas só começaram e os debates ainda não foram marcados”. Já o Pastor Fernando (PRTB), entre 0,1% e 1% de intenção de voto, disse: “Sou pastor há 40 anos e toda a minha vida foi dedicada a servir. Construímos um programa de governo que atenderá às necessidades da população. Aceitei o desafio como uma missão”. Os candidatos Raphael Thuin (PRD), entre 1,1% e 1%; e Fabrício Lírio (Rede), entre 0,7% e 1%, preferiram não comentar.
Frederico Paes e Wladimir Garotinho na Câmara Municipal de Campos
Vice de Wladimir
Desde a eleição de 2020, a candidatura a vice-prefeito do engenheiro agrônomo e diretor da Coagro Frederico Paes (MDB) sofre pressões internas no grupo político hoje liderado pelo prefeito Wladimir Garotinho (PP). Sobretudo no grupo original, mais ligado ao ex-governador Anthony Garotinho (REP), hoje candidato a vereador na cidade do Rio de Janeiro. Se foi assim há quatro anos, quando Frederico era considerado fundamental à penetração da chapa na 98ª Zona Eleitoral (ZE) de Campos, na tentativa de levar no 1º turno, voltou a ser agora, quando Wladimir lidera em todas as pesquisas na 98ª ZE e na possibilidade de se reeleger (confira aqui) no 1º turno.
“Frederico só não será vice se não quiser”
As especulações de que Caio Vianna (também MDB) pudesse substituir Frederico como vice na chapa de Wladimir começaram desde que o primeiro rompeu (confira aqui) com o prefeito carioca Eduardo Paes (PSD) para se aliar, em 29 de março deste ano, ao prefeito de Campos. “Cupido” da aproximação política entre Caio e Wladimir, especula-se que o candidato a vereador governista Dudu Azevedo (REP) tentaria operar essa mudança na chapa. Que, pela legislação eleitoral, pode ocorrer até 20 dias antes do pleito. Mas foi negada com veemência: “Frederico só não será o vice se não quiser”, disseram ontem à coluna, em uníssono, Wladimir e Dudu.
Nova mesa diretora da Câmara Municipal
Dudu creditou essas especulações com seu nome para trocar Frederico por Caio como vice na chapa de Wladimir às urnas de 6 de outubro, daqui a apenas 32 dias, como “conversa plantada pela oposição para tentar dividir nosso grupo”. Com a divulgação das pesquisas Paraná e Real Time Big Data no início da semana passada, ambas conferindo à reeleição da chapa Wladimir/Frederico os mesmos 63% das intenções de voto (ou 73,26% das intenções de voto válido) na consulta estimulada, a disputa passou a ser, além de tentar diminuir essa grande diferença a prefeito, pela eleição da nova mesa diretora da Câmara Municipal.
(Infográfico: Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)
Prefeito x presidente da Câmara
A oposição trabalha com a possibilidade de Wladimir, se reeleito, deixar a Prefeitura em 2026 para se candidatar a outro cargo: deputado federal (mandato que já ocupou) ou, a depender das circunstâncias, a senador ou compondo chapa de governador. Como ser cabeça de chapa a governador em 2026 é hoje a meta de Rodrigo Bacellar (União), presidente da Alerj e principal líder da oposição em Campos. Assim, mesmo se perdessem a prefeito com a Delegada Madeleine (União), os Bacellar fariam tudo para manter a presidência da Câmara, hoje ocupada por Marquinho (União). Na principal derrota política, até aqui, do governo Wladimir.
“Em Campos, vote no Professor Jefferson”. Foi o que pediu em vídeo de campanha à eleição a prefeito de Campos em 6 de outubro, divulgado nesta noite de 3 de setembro à noite, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Confira abaixo:
— Estamos colocando o Brasil na direção de um futuro melhor para todos, trazendo de volta programas como o Farmácia Popular e o Mais Médicos, criando empregos, cuidando das pessoas. A gente saber quem ninguém governa sozinho. Precisamos estar juntos, trabalhando para melhorar a sua vida e a de sua família. Agora é hora de quem vai nos ajudar a colocar a sua cidade no rumo certo. Em Campos, vote no Professor Jefferson — pediu Lula.
Ao ser eleito presidente da República pela terceira vez, o líder petista teve no 2º turno presidencial de 2022 o voto de 100.427 campistas, ou 36,86% dos votos válidos. Pesquisas dos institutos Paraná e Real Time Big Data, divulgadas em 26 e 27 de agosto, deram a Jefferson entre 2,7% e 4% de intenção de voto na consulta estimulada. O que corresponde a 3,14% e 4,65% de intenção de voto válido para 6 de outubro, daqui a pouco mais de 32 dias.
Administrador público e candidato a prefeito de São João Da Barra, Danilo Barreto (Novo) é o convidado do Folha no Ar desta terça (3), ao vivo, a partir das 7h da manhã, na Folha FM 98,3. Ele dá sequência à série de entrevistas que o Grupo Folha começou a fazer com todos os candidatos a prefeito de SJB e Campos, com ordem estabelecida em sorteio (confira aqui) no último dia 22, com a presença dos representantes de todas as candidaturas.
Danilo falará dos erros e acertos da gestão Caputi, de como pretende reverter o cenário apontado pelas pesquisas eleitorais (confira aqui) e da sua nominata de vereadores. Ele também falará das suas propostas para saúde, educação, transporte público e segurança. E, por fim, do que propõe sobre o Porto do Açu, geração de emprego, avanço de mar e captação e fornecimento de água potável no município.
Quem quiser participar ao vivo do Folha no Ar desta terça poderá fazê-lo com comentários em tempo real, no streaming do programa. Seu link será disponibilizado alguns minutos antes do início, nos domínios da Folha FM 98,3 no Facebook e no YouTube.
Entre as confusões e ameaças entre os vereadores governistas Bruno Pezão e Kassiano Tavares, ambos da Baixada, o prefeito Wladimir Garotinho, favorito em todas pesquisas à reeleição (Montagem: Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)
“Sobre o teto de Wladimir, tudo pode ampliar ou diminuir a receptividade do eleitor. Há o imponderável, mas as ‘balas de prata’ são raríssimas”. Foi o que disse o cientista político George Gomes Coutinho, em matéria no sábado (confira aqui) sobre o teto de votação do prefeito Wladimir Garotinho (PP) em sua tentativa de reeleição na urna de 6 de outubro, daqui a 35 dias. Que as pesquisas Paraná e Real Time Big Data reforçaram a possibilidade de se dar no 1º turno, com os mesmos 63% de intenção de voto na consulta estimula.
Pois, no mesmo sábado, durante carreata de Wladimir na Baixada Campista — da 75ª Zona Eleitoral (ZE), maior do município —, uma nova confusão entre os vereadores governistas e também candidatos à reeleição Bruno Pezão e Kassiano Tavares, ambos do PP do prefeito, quase dá a “bala de prata” que a oposição tanto parece buscar. Entre agressões físicas e verbais entre os dois políticos da Baixada, com Wladimir no meio, o clima ficou bastante tenso.
Após a confusão entre os dois edis no sábado, com direito à ameaça de morte, Wladimir encerrou sua participação na carreata. E depois publicou em grupo de WhatsApp dos candidatos a vereador da base que não vai querer mais a companhia de nenhum, para evitar novas confusões.
Há quem no grupo que tenha achado a medida do prefeito exagerada, pois pode punir todos os candidatos governistas a vereador pelos erros reiterados de apenas dois. E há também o fato de que Wladimir ainda precisa dos votos de ambos na Câmara Municipal.
Além de disputarem votos na mesma área, a tensão entre Pezão e Kassiano estaria acirrada porque eles não têm reeleições consideradas seguras. As confusões entre os dois, no entanto, são antigas. Em 9 de agosto do ano passado, ambos se envolveram (relembre aqui) em um bate-boca no plenário da Câmara. E só não chegaram às vias de fato porque foram contidos fisicamente pelos colegas.
Já em 17 de agosto deste ano, um motorista e assessor do vereador Pezão foi detido pela Polícia Militar (relembre aqui) portando ilegalmente uma arma de fogo. A abordagem se deu na primeira atividade oficial da campanha de Wladimir: uma caminhada pelo distrito de Goitacazes, na Baixada Campista. Em que o clima acirrado entre Pezão e Kassiano teria sido o estopim da confusão.
Fiscalização eleitoral apreendeu cervejas que seriam vendidas, com tabela de preços fixada, no comitê de campanha do petroleiro e candidato a vereador de Campos Tezeu Bezerra (PT), na última sexta, na av. Pelinca (Foto: Divulgação)
A fiscalização da 129ª Zona Eleitoral (ZE) de Campos fez uma ação na sexta (30) no comitê de campanha da candidatura do petroleiro Tezeu Bezerra (PT), no final da avenida Pelinca, e apreendeu latas de cerveja no local. Segundo o candidato e sua assessoria, as bebidas eram vendidas no comitê, o que seria permitido como fonte de arrecadação de campanha, não distribuídas gratuitamente, o que configuraria ilícito eleitoral. No entanto, o evento para arrecadação de campanha teria que ter sido comunicado ao cartório da 129ª ZE.
Em resposta hoje (1º) à consulta da Folha, a assessoria do Tribunal Regional Eleitoral (TRE) informou que, mesmo que a cerveja fosse vendida para arrecadação de campanha, o cartório da 129ª ZE de Campos não foi comunicado previamente. O que teria motivado a ação da fiscalização, que apreendeu o material e encaminhou relatório ao Ministério Público Eleitoral:
— A equipe de fiscalização da 129ª ZE recebeu a denúncia por meio do aplicativo Pardal e dirigiu-se, na sexta, ao comitê do candidato a vereador do PT Tezeu, na av. Pelinca, onde constatou a distribuição de bebidas alcóolicas, refrigerantes e água. O comitê alegou que se tratava de evento de arrecadação de campanha. Todo material apreendido foi acautelado no cartório eleitoral. A 129ª Zona Eleitoral acrescenta que não houve comunicação ao cartório sobre a realização do evento de arrecadação de campanha eleitoral, conforme preceitua o inciso I, artigo 30, resolução do TSE 23.607. O relatório da fiscalização foi encaminhado ao Ministério Público, para as providências cabíveis.
Advogado de Tezeu, Normando Rodrigues informou:
— Contestaremos a apreensão, com pedido para restituição da mercadoria apreendida. Sugeriremos ainda, ao juiz eleitoral do caso, que o protocolo para esse tipo de fiscalização seja revisto, a fim de evitar abusos.
Juristas ouvidos pelo blog, com experiência em direito eleitoral, sem ligação com nenhuma campanha eleitoral, mas que preferiram preservar o anonimato, informaram que a venda de bebidas como fonte de arrecadação de campanha, segundo a resolução 23.607 do TSE, levantada pela nota do TRE, teria que ser comunicada “formalmente e com antecedência mínima de 5 (cinco) dias úteis, à Justiça Eleitoral, que poderá determinar sua fiscalização”.
Ademais, a Lei 9504/97 (Lei das Eleições), diz no § 6º do Art. 39:
— É vedada na campanha eleitoral a confecção, utilização, distribuição por comitê, candidato, ou com a sua autorização, de camisetas, chaveiros, bonés, canetas, brindes, cestas básicas ou quaisquer outros bens ou materiais que possam proporcionar vantagem ao eleitor.
Evento do candidato na sexta foi anunciado nas redes sociais, com conta PIX para arrecadação, cerveja e karaokê (Foto: Reprodução)
Tezeu argumentou que ele e seus correligionários tentaram mostrar os recibos de PIX com os pagamentos pela cerveja. E que a fiscalização não teria levado em consideração, apreendendo o material no evento de sexta no comitê, que contava com venda de cerveja e um karaokê.
A campanha do petroleiro, presidente licenciado do Sindipetro-NF, e candidato a vereador de Campos emitiu nota sobre o ocorrido:
“A candidatura a vereador de Tezeu Bezerra vem esclarecer que a venda de bebidas, incluídas cervejas, para arrecadação de fundos de campanha, realizada no evento da inauguração de seu comitê eleitoral, é permitida pela legislação e pela resolução 23.607/19 do TSE, em seu Art. 15, inciso IV.
A lamentável apreensão ocorrida, a despeito da exibição de todos os registros de compra e venda aos fiscais do TRE, é sinal não só de que uma candidatura de trabalhadores incomoda. É sinal também da força das oligarquias, que se mobilizam contra qualquer concorrente legítimo que venha de fora.
As medidas judiciais serão tomadas, mas fica claro o abuso de autoridade, seletivo e discriminatório, contra quem conteste o poder.
Reflexo disso é a matéria que trata da ‘descoberta’ de latas de cervejas, como se fosse algo ilícito.
Ao trabalhador tudo é negado. Aos donos do poder, tudo é permitido.
A candidatura não só prossegue ante essa e outras perseguições. Ela existe exatamente contra essas e outras perseguições”, questionou a candidatura de Tezeu.
Em vídeo gravado e divulgado no sábado (31), o candidato a vereador e a deputado estadual Marina do MST (PT) também questionaram a ação da fiscalização eleitoral. Confira abaixo: