Reitor do IFF entre as eleições dos EUA e Campos, no Folha no Ar desta 6ª

Entre as eleições presidenciais dos EUA e as municipais de Campos, o convidado do Folha no Ar, a partir das 7h15 desta sexta (12), é o professor Jefferson Manhãs de Azevedo, reitor do IFF. Ele falará sobre a eleição do democrata Joe Biden a presidente dos EUA e suas consequências ao Brasil de Jair Bolsonaro (sem partido). E analisará as possibilidades ao pleito deste domingo, a dois dias da urnas a prefeito de Campos.
Quem quiser participar ao vivo do Folha no Ar desta sexta pode fazê-lo com comentários em tempo real, no streaming do programa. Seu link será disponibilizado alguns minutos antes do início, na página da Folha FM 98,3 no Facebook.
Cientista político aposta em 2º turno entre Wladimir, Caio, Calil e Rafael

“A lógica, o desenrolar dos acontecimentos, leva (Campos) a um segundo turno. Pela seguinte razão: há um quantitativo de chapas (11) para a Prefeitura que é algo que nós não tínhamos em outras eleições. Para que não tivéssemos primeiro turno, nós teríamos que ter um grande favorito. E o grande favorito, nessas circunstâncias, poderia ser o candidato da situação, seria o prefeito Rafael Diniz (Cidadania), que neste momento tem a máquina. Mas o grande favorito teria que estar muito bem avaliado para que levasse no primeiro turno. Em um cenário em que não há grandes favoritos e, com o quantitativo de candidaturas que nós temos, é lógico e natural que exista a pulverização dos votos, que leve ao segundo turno. A não ser que, com esse grande quantitativo de indecisos, aconteça a migração dos mesmos para algum nome, que pode ser o Rafael Diniz, o Wladimir Garotinho (PSD), o Bruno Calil (SD), o Caio Vianna (PDT), pelo que tem dado nas pesquisas. Eu arrisco esses quatro nomes com possibilidade numérica de chegar ao segundo turno. Dado que esse grau de indecisão, você tem mais de 40% de indecisos, ele pode promover reviravoltas, pode desmentir pesquisas no domingo (15)”. A quatro dias das urnas, foi o que projetou na manhã de hoje o cientista político e sociólogo George Gomes Coutinho, professor da UFF-Campos. Ele falou em entrevista ao vivo no programa Folha no Ar, da Folha FM 98,3.
O cientista político também analisou cada um dos 11 candidatos a governar Campos a partir de 1º de janeiro de 2021:
Wladimir Garotinho — “Wladimir Garotinho é o herdeiro do maior capital político que Campos conseguiu gerar pós-1988 (ano da promulgação da atual Constituição Federal). E não estou fazendo nenhum alinhamento automático de filho com os pais; traz traços genéticos, mas não é a mesma pessoa”.
Caio Vianna — “Caio Vianna me parece uma liderança bastante jovem ainda e, em termos comparativos com Wladimir, me parece com menos experiência. E, neste momento, para a imaginação política local, ele representa as boas memórias que eu acho que parte da população tem do governo Arnaldo Vianna”.
Dr. Bruno Calil — “Bruno Calil me parece um agente político bastante ambicioso. E não estou dizendo ambição negativa ou positiva, não; estou dizendo do agente político que se apresenta neste pleito com bastante ambições. Mas, politicamente, me parece um artefato muito recente ainda, para que eu faça qualquer apontamento”.
Rafael Diniz — “Rafael Diniz, eu acho que é um agente político que teve uma experiência no Legislativo, assumiu a Prefeitura de Campos. Teve pontos de acerto, não vou aqui enumerá-los, mas existem pontos de acerto; eu acho importante que se faça justiça. Nem todas as críticas dão conta da complexidade que foi o governo Rafael Diniz. Mas, ao mesmo tempo, eu acho que ele assumiu demais uma postura gerencialista, demasiadamente gerencialista. Que, sem dúvida alguma, é pauta de parte da classe média e dos grupos empresariais de Campos, mas não é pauta majoritária da população. Campos precisava de algo mais do que um excesso de gerencialismo”.
Professora Natália — “É difícil, pela seguinte razão: ela foi com quem eu tive mais contato profissional. Eu tive o prazer e a honra de ter Natália como estudante na UFF, na graduação; eu fui professor dela. Primeiro, ela é uma excelente estudante, aplicadíssima, apaixonada pelo conhecimento. Ela me parece uma liderança ascendente, uma liderança popular sensível e ascendente, na minha perspectiva”.
Odisséia — “Odisséia é uma liderança também do campo popular. É uma mulher que tem longa tradição sindical no Sepe, ela conhece as questões, os desafios da educação regional. E, neste momento, assume, acho que muito corajosamente, a tarefa de levar o nome do Partido dos Trabalhadores em um momento em que o partido está se reconstruindo nacionalmente. Acho que é um nome, uma interlocutora, assim como todos os outros. Espero que quem venha a levar o pleito, quem for o vencedor, convide vários desses nomes como interlocutores nos próximos quatro anos, porque Campos não tem poucos desafios. E eu acho que a Odisséia é um nome a contribuir também”.
Tadeu Tô Contigo — “Eu acho que o Tadeu Tô Contigo é uma das faces da direita. Do que se chama de bolsonarismo. do que se chama de fenômeno da direita no Brasil, de 2018 para cá, ele é multifacetado, tem vários aspectos. E Tadeu, não o conheço em profundidade, mas me parece que ele faz um pouco da linha dos comunicadores que se lançam, que têm um apelo popular importante e se lançam como nome político. Como o Celso Russomano, por exemplo, em São Paulo, mas com menos capital político que ele. O Russomano vinha com uma trajetória política formal. E Tadeu se lança. Vamos ver o que ele vai angariar”.
Roberto Henriques — “Roberto Henriques é um político profissional. É um remanescente do Muda Campos (movimento político que levou Anthony Garotinho a e eleger prefeito de Campos pela primeira vez, em 1989), é um político experiente, tem uma trajetória de ter circulado em diversos partidos. É um homem que conhece a política local e, assim como eu falei no caso da Odisséia, eu acho que ele seria um interlocutor importante em qualquer governo”.
Cláudio Rangel da Boa Viagem — “Eu acho que ele também é um sintoma desse movimento da direita brasileira. Você criou os comunicadores, você criou a ideia do empresário/político. Eu acho que o Cláudio se apresenta como um nome da ideia: ‘olha, nós temos aqui um empresário e ele vai, necessariamente, vai ser um bom governante’. Eu sempre lembro o eleitor: pode ler Maquiavel, pode ler ‘O Príncipe’, você vai ver que ele não morde, e que não tem nada a ver uma coisa com a outra. Às vezes o cara pode ser muito bem sucedido no âmbito privado e ser um desastre na vida pública”.
Jonathan Paes — “Está aí um nome que eu tenho muito pouca informação. Aí ele me parece um pouco o representante do bolsonarismo avant la léttre (“antes do estado definitivo”). Porque é o tipo de nome que poderia acontecer mesmo, para surfar uma onda. Mas me parece que não colou, não vingou.
Dra. Carla Waleska — “A Carla é um nome muito recente. Mas eu acho que o PSDB e o PT local têm desafios que ainda não conseguiram responder totalmente, dado o tamanho dos dois partidos nacionalmente. Em âmbito local, Campos, o PSDB tem uma agenda ainda a apresentar à altura do tamanho do partido nacionalmente. Isso não é uma crítica destrutiva, é uma reflexão. Tanto o PSDB, quanto o PT, precisam pensar e construir localmente”.
Confira abaixo os dois blocos da entrevista com o cientista político George Gomes Coutinho, professor da UFF-Campos. O primeiro dedicado ao resultado às eleições presidenciais dos EUA. O segundo, que compôs a matéria acima, sobre as eleições municipais de Campos:
Roberto Dutra entre eleições dos EUA e Campos, no Folha no Ar desta 5ª

Entre as eleições presidenciais dos EUA e as municipais de Campos, o convidado do Folha no Ar, a partir das 7h15 desta quinta (12), é o sociólogo Roberto Dutra, professor da Uenf. Ele falará sobre a eleição do democrata Joe Biden a presidente dos EUA e suas consequências ao Brasil de Jair Bolsonaro (sem partido). E analisará as possibilidades ao pleito deste domingo, 15 de novembro, a prefeito de Campos.
Quem quiser participar ao vivo do Folha no Ar desta quinta pode fazê-lo com comentários em tempo real, no streaming do programa. Seu link será disponibilizado alguns minutos antes do início, na página da Folha FM 98,3 no Facebook.
Reitor da Uenf vê 2º turno a prefeito de Campos entre Wladimir e Caio

“Eu projeto (a eleição a prefeito de Campos) em dois turnos. Nós temos um percentual muito grande de pessoas que ainda não se decidiram. Mas os candidatos que estão à frente hoje, é inegável, em todas as pesquisas estão aparecendo, são o Wladimir (Garotinho, PSD) e o Caio (Vianna, PDT). Mas a gente não pode esquecer da força que o Rafael (Diniz, Cidadania) está tendo nos últimos momentos, do convencimento de algumas lideranças que poderiam estar ressentidas. Então, talvez, parte desses indecisos possa vir com Rafael. Eu, sinceramente, acho que vamos ter um segundo turno entre esses três candidatos, com uma porcentagem maior entre o Wladimir e o Caio. No segundo turno (em 29 de novembro), vai ser pouco tempo para essa decisão, mas eu acho que vai ser muito acirrado, vai contar mais a rejeição. Neste processo, os candidatos vão ter que ter a capacidade de poder somar. E eu vejo Caio com capacidade de somar mais gente à sua campanha do que Wladimir”. Foi o que projetou para a eleição a prefeito de Campos, em dois turnos o professor Raul Palacio, reitor da Uenf. Ele falou em entrevista ao vivo no programa Folha no Ar, da Folha FM 98,3.
O reitor da maior universidade de Campos e região analisou cada um dos 11 candidatos a governar Campos a partir de 1º de janeiro de 2021:
Wladimir Garotinho — “Está no segundo turno. Tem grande possibilidade de ser o prefeito de Campos”.
Caio Vianna — “A mesma coisa (que Wladimir). Mas é o candidato que eu acho que pode somar todas as outras forças. Pela experiência que tivemos anteriormente na cidade, os Garotinho polarizam isso. Tem gente que gosta muito deles, tem pessoas que não gostam. E eu acho que o Caio, no caso de ir para o segundo turno, vai se colocar como o candidato que pode somar todas aquelas forças”.
Dr. Bruno Calil — “É um candidato que tem um futuro muito promissor na política. Ele agora está, digamos, sendo apoiado por um grupo político, mas ele tem se mostrado uma pessoa muito presente, muito trabalhadora, com propostas. Talvez não seja este o seu momento, mas é uma pessoa que tem futuro na política”.
Rafael Diniz — “O Rafael é, como ele coloca, o prefeito da coragem. Eu concordo com ele. O prefeito que eu acho que todo mundo deveria avaliar o que ele fez. E realmente, em algum momento, entender a situação (financeira) em que está a cidade. Hoje, certamente, é o cara que melhor conhece a cidade. Eu acho que um grupo dos indecisos deve ir para ele, talvez um grupo grande. E daí a possibilidade de Rafael estar no segundo turno”.
Professora Natália — “A Natália talvez seja a melhor candidata que tem neste momento; eu não posso deixar de falar isso. É uma mulher e a cidade precisa de uma prefeita mulher. Infelizmente, o número de votos que tem é muito pequeno. Mas, de fato, é uma pessoa extremamente preparada e que você sente realmente que está com vontade de fazer. Vai ter um futuro político tremendo dentro da cidade. Não vai ser nesta eleição, infelizmente, mas ela vai ter um bom resultado nas próximas eleições. Precisa construir esse caminho, entender que eleição não é só o momento do voto. Ela precisa construir o caminho ao longo dos próximos quatro anos, para na próxima eleição ter um momento bem melhor do que agora. Mas é uma excelente candidata”.
Odisséia — “Ela representa o PT e talvez, no meu ponto de vista, o que o pessoal denomina como a ‘política velha’. Eu a considero uma professora muito boa, uma candidata boa, mas eu teria gostado que o PT trouxesse nomes novos. E esses nomes novos talvez tenham agora os quatro anos para poder se formar para a política de Campos”.
Tadeu Tô Contigo — “Tadeu representa o grupo da Record. Embora ele tenha as suas propostas, eu acho que não tem um futuro político. E acho, sinceramente, que ele já foi vereador e não conseguiu se reeleger. Então, ele está fazendo seu trabalho, a sua responsabilidade social, mas eu não o vejo com futuro na política de Campos dos próximos anos”.
Roberto Henriques — “O Roberto Henriques talvez seja o mais conhecido de todos eles. Eu diria que é o ‘camaleão’ entre todos os candidatos. É uma pessoa excelente de conversa, eu já tive muito relacionamento com ele. Mas, talvez, já tenha passado o tempo dele. Ele poderia colaborar muito em qualquer governo. É isso que está fazendo, se mostrando, se apresentando, para que as pessoas entendam que ele ainda está ativo e que vai contribuir para qualquer governo que venha a ganhar”.
Cláudio Rangel da Boa Viagem — “Como empresário, eu acho que ele demonstra capacidade. Mas, como político, eu acho que ele não se preparou. Mas, de qualquer jeito, eu acho que é um direito de qualquer um se apresentar, de representar um grupo político, e bola para frente. Mas eu não vejo ele participando da política nos próximos anos”.
Jonathan Paes — “Representa, talvez, o pior candidato de todos. É o candidato do ódio, o candidato da agressividade e ele se esforça para poder colocar isso. Ele chega ao ponto de incongruências, quando ele defende o presidente Bolsonaro e, ao mesmo tempo, tenta defender o funcionalismo público. Ou uma coisa ou outra, não tem como fazer as duas coisas. É o que a gente não quer para a política de Campos. Digamos que, pela comparação, poderia ser o Trump de Campos”.
Dra. Carla Waleska — “Ela entrou no último momento, então eu tenho pouca referência em relação a ela. Ela, inclusive, é a esposa de um funcionário que a gente tem contratado na universidade, com o qual eu tenho um certo grau de relacionamento, mas com ela não tenho nenhum. Foi muito conturbado o processo do PSDB: primeiro não tinha (candidato a prefeito), depois tinha, depois não tem mais e, agora, colocaram a Carla Waleska. Se ela quiser ter futuro na política, não sei se ela quer, vai ter que construir esse futuro. Não se faz uma imagem política assim, aos 45 minutos do segundo tempo fica muito difícil”.
Confira abaixo os dois blocos da entrevista com o professor Raul Palacio, reitor da Uenf. O primeiro dedicado ao resultado às eleições presidenciais dos EUA. O segundo, que compôs a matéria acima, sobre as eleições municipais de Campos:
Bolsonaro comemora morte para deixar de salvar vidas de brasileiros

Nesta madrugada, o presidente Jair Bolsonaro comemorou nas redes sociais a morte de um voluntário como motivo para a Anvisa suspender os testes da Coronavac. É a vacina contra a Covid-19 desenvolvida pelo laboratório chinês Sinovac e o instituto brasileiro Butantan, capaz de salvar a vida de dezenas de milhares de brasileiros. Com o país à beira da segunda onda da doença, sem ainda ter saído (confira aqui a situação em Campos) da primeira.
Pois hoje à tarde, poucas horas depois, o IML de São Paulo divulgou que o voluntário, de 33 anos, morreu de suicídio. O que assina o atestado de óbito de qualquer traço de inteligência ou caráter não só do atual presidente do Brasil, caído da mudança na derrota eleitoral nos EUA que (confira aqui) fez sua, como de qualquer um que ainda se preste a apoiar um tipo desse de ser humano:
— Mais uma que Jair Bolsonaro ganha — escreveu o presidente.
E se você não é capaz de enxergar com toda a clareza quem perde, meus pêsames!

George Coutinho entre eleições dos EUA e Campos, no Folha no Ar desta 4ª

Entre as eleições presidenciais dos EUA e as municipais de Campos, o convidado do Folha no Ar, a partir das 7h15 desta quarta (11), é o cientista político e sociólogo George Gomes Coutinho, professor da UFF. Ele falará sobre a eleição do democrata Joe Biden a presidente dos EUA e suas consequências ao Brasil de Jair Bolsonaro (sem partido). E analisará as possibilidades ao pleito deste domingo, 15 de novembro, a prefeito de Campos.
Quem quiser participar ao vivo do Folha no Ar desta quarta pode fazê-lo com comentários em tempo real, no streaming do programa. Seu link será disponibilizado alguns minutos antes do início, na página da Folha FM 98,3 no Facebook.
Hamilton Garcia: “Não se governa mais Campos com o ‘meu grupo político’”

“Eu andei acompanhando várias entrevistas que vocês fizeram na Folha da Manhã, e o que a gente vê são candidatos (a prefeito de Campos) falando do ‘meu grupo político’. Então eles passam diretamente do seu grupo político para a municipalidade, sem mediação. Isso aconteceu com o próprio Rafael (Diniz, Cidadania), que governou com o grupo político dele. Não é negociar com a Câmara, é negociar com as lideranças políticas da cidade. Isso Rafael não foi capaz de fazer e acho que ele nem se apercebeu disso. E os candidatos alternativos a ele tampouco percebem que a dimensão política da cidade exige uma coalizão de forças. Rafael conseguiu tirar Campos das páginas policias para colocar nas páginas políticas, mas isso ele não conseguiu fazer. Olhando para as lideranças locais, elas ainda estão no tempo do ‘meu grupo político resolve’. Não se governa Campos com o ‘meu grupo político’, é preciso dar um passo além”. Foi o que disse o cientista político Hamilton Garcia, professor da Uenf, em entrevista na manhã de hoje no Folha no Ar, da Folha 98,8 FM.
— Por que que eles (Wladimir Garotinho, PSD, e Caio Vianna, PDT) estão lá em primeiro lugar (nas pesquisas eleitorais)? Por causa das oligarquias familiares. Mas se elas são importantes para ocupar o espaço político que foi deixado com o fracasso do governo Rafael, não são suficientes para se instituir um governo. Sobretudo nos dois primeiros anos do próximo governo, você vai ter que distribuir sacrifícios. Para que as pessoas aceitem, se coloca a questão do pacto: sacrifício para quê? Sacrifício para o “meu grupo”? Não faz sentido. Ou sacrifício que você faz é para todos, ou o que você vai ter são greves, sabotagens, uma Câmara baseada em ‘Chequinho’. E não funciona mais, até porque o ‘Chequinho’ murchou. Ou então vai afundar um pouco mais na crise (financeira) e nas consequências da crise. Porque a gente acha que a situação está muito ruim, mas não há ruim que não possa piorar. A questão é se as pessoas vão correr para um falso porto seguro do passado, que as oligarquias representam. É aquela ideia de que ‘o passado era bom’. Mas, votando nas oligarquias, o passado não volta, não voltam as condições econômicas; voltam só as oligarquias — advertiu o cientista político.
Ao final do Folha no Ar, o professor Hamilton respondeu a um pinga-fogo, com um resumo do seu pensamento sobre cada um dos 11 candidatos a prefeito de Campos para as urnas de 15 de novembro:
Wladimir Garotinho — “É o desafio da mudança geracional. Nem sempre a gente tem bons sinais disso. Sérgio Cabral também foi uma mudança geracional importante na política do Estado do Rio do Rio de Janeiro, e deu no que deu”.
Caio Vianna — “Da mesma maneira. Só que tenho a impressão que Caio Vianna também tem o problema da inexperiência política. Wladimir teve a experiência parlamentar (como deputado federal), está mais apetrechado que o Caio Vianna, que me parece muito arrogante”.
Dr. Bruno Calil — “Eu conheço pouco o candidato, mas acho que ele não se preparou adequadamente para essa eleição”.
Rafael Diniz — “Um prefeito que enfrentou a crise, não foi bem sucedido, mas pelo menos ele sabe o tamanho do pepino que ele tem que administrar. E me parece que tem que avançar muito em termos da compreensão do quadro político regional e sair da bolha; porque ainda não furou a bolha onde ele está”.
Professora Natália — “Parece uma candidata conceitual, que mostra essa ideia da possibilidade de um governo mais popular, mais aberto à sociedade, mais dialogal. É uma promessa interessante, mas que ainda não galgou o lugar de uma alternativa política”.
Odisséia — “Uma liderança experimentada no sindicalismo, na Câmara de Vereadores, uma pessoa com a capacidade de interlocução ampla. Mas ainda muito presa à pauta sindicalista e também pouco projetada numa candidatura política ampla da cidade”.
Tadeu Tô Contigo — “Um grande comunicador, que ainda se vale dessa possibilidade da comunicação. Pode vir a surfar ondas como comunicador, com as suas promessas. Mas acho que está distante de entender o que está acontecendo com a cidade”.
Roberto Henriques — “Talvez seja o único candidato com uma consciência muito clara, essa visão; eu não vejo nos outros. Pode ser um cacoete de linguagem, mas eu desconfio que não, que é uma consciência profunda da política. Que, no entanto, vai ter que ser refeita nas condições atuais”.
Cláudio Rangel da Boa Viagem — “Ele me surpreendeu nas entrevistas com vocês (no Folha no Ar). Porque apesar do pouco preparo escolar, de expressão, de mídia, ele surpreendeu pelas boas ideias, pelo entendimento que ele tem da realidade. É um candidato que tem muito pouca chance, pela sua forma, mas é bastante compromissado com a cidade”.
Jonathan Paes — “Esse é o candidato que eu menos observei nesse cenário. É muito impetuoso, mas talvez não tenha condições de assumir responsabilidades maiores”.
Dra. Carla Waleska — “Eu comentaria sobre o antigo candidato (a prefeito do PSDB, que desistiu). Beethoven parecia ter se preparado muito para disputar essa eleição, parecia ser o candidato com chances de, se eleito, fazer alguma coisa. Ela, eu não tenho grandes informações, não saberia dizer. Entrou no final do segundo tempo e não fez aquecimento”.
Confira abaixo os dois blocos da entrevista com o cientista político Hamilton Garcia, professor da Uenf. O primeiro dedicado ao resultado às eleições presidenciais dos EUA. O segundo, que compôs a matéria acima, sobre as eleições municipais de Campos:
Crescimento da Covid ainda não preocupa, mas Unimed suspendeu cirurgias

Campos vem registrando aumento de casos de Covid-19 nas últimas quatro semanas. Diante do crescimento, o Hospital da Unimed suspendeu na semana passada suas cirurgias eletivas desde o último dia 4. Mas, diferente do que foi divulgado em áudios anônimos de WhatsApp, que viralizaram nas redes sociais locais, o avanço da doença ainda não preocupa. E, por enquanto, não é nada que tire o município da Fase Verde do plano de enfrentamento ao novo coronavírus. A informação é da chefe da Vigilância em Saúde de Campos, a médica infectologista Andreya Moreira. E foram em parte endossadas pelo diretor-médico do Hospital Dr. Beda, o médico oncologista Diogo Neves.

Os áudios falavam de uma suposta superlotação da rede privada do município. Andreya explicou que, apesar do aumento de casos, a Unimed abriu em seu hospital seis novas vagas de UTI específicos para Covid. Onde tem hoje dois infectados pela doença, com outros 14, em casos menos graves, internados em leitos clínicos. Em relação ao Dr. Beda, Diogo informou que existem hoje quatro doentes de Covid em leitos de UTI, e outros 13 em leitos clínicos. O médico esclareceu que, pelo menos no Beda, o aumento de casos ainda não preocupa e está longe de atender mesmo número de casos de dois meses atrás.

Na rede pública, Andreya informou que o Centro de Controle e Combate ao Coronavírus (CCC), instalado na Beneficência Portuguesa, tem hoje 15 doentes de Covid internado na UTI, em um total de 29 leitos, além de outros 25 em leitos clínicos, setor que conta ao todo com 60 leitos. “Na rede pública, não temos aumento de ocupação até o presente momento”, refirmou a secretária de Saúde de Campos, Cintia Ferrini.
Devido à viralização dos áudios anônimos de WhatsApp dando conta de uma suposta superlotação de pacientes de Covid na rede privada de Campos, o Gabinete de Crise do município emitiu uma nota, para desmentir a notícia e evitar alarmismos. Confira abaixo:
“O Gabinete de Crise de enfrentamento ao Coronavirus está monitorando o aumento de internações na rede particular e informa que na rede pública, até a presente data, 09/11, tem se mantido uma média de 50% de ocupação, com pouca oscilação. Não procede a informação de lotação dos leitos do Centro de Controle, tampouco de unidades hospitalares municipais.
Cabe lembrar que a decisão de mudança ou permanência de fase (Verde) é tomada a partir de avaliação técnica criteriosa da Prefeitura, somada à análise do Departamento de Vigilância em Saúde sobre o cenário epidemiológico.
O modelo matemático e estatístico desenvolvido para avaliar como está a pandemia no município considera os números da última semana no que tange à propagação da Covid-19 e à capacidade do sistema de saúde, além de outros dados, incluindo a ocupação de leitos.
O Gabinete de Crise lembra que é importantíssimo que a população entenda a responsabilidade de permanecer atenta às medidas de enfrentamento à Covid-19 e seguir as orientações”.
Reitor da Uenf entre eleições dos EUA e Campos, nesta terça no Folha no Ar

Entre a eleição presidencial dos EUA e a municipal Campos, no próximo domingo (15), o convidado do Folha no Ar, a partir das 7h15 da manhã desta terça (10), é o professor Raul Palacio, reitor da Uenf. Ele falará ao vivo na Folha FM 98,3 sobre a eleição do democrata Joe Biden a presidente dos EUA e seus reflexos sobre o Brasil de Jair Bolsonaro (sem partido). E projetará suas perspectivas ao pleito a prefeito de Campos, dentro do conexto da grave crise financeira do município.
Quem quiser participar ao vivo do Folha no Ar desta terça pode fazê-lo com comentários em tempo real, no streaming do programa. Seu link será disponibilizado alguns minutos antes do início, na página da Folha FM 98,3 no Facebook.
Entre eleições dos EUA e Campos, Hamilton Garcia nesta 2ª no Folha no Ar

Na semana seguinte à eleição presidencial dos EUA e anterior ao domingo de eleições municipais em Campos e no Brasil, quem abre o Folha no Ar, na Folha FM 98,3, é o cientista político Hamilton Garcia, professor da Uenf. Ele falará sobre a vitória do democrata Joe Biden e suas consequências ao Brasil de Jair Bolsonaro (sem partido), que tinha o presidente derrotado Donald Trump como principal referência política. Analisará também a crise financeira de Campos e dará suas perspectivas sobre o pleito municipal de domingo, 15 de novembro.
Quem quiser participar ao vivo do Folha no Ar desta segunda pode fazê-lo com comentários em tempo real, no streaming do programa. Seu link será disponibilizado alguns minutos antes do início, na página da Folha FM 98,3 no Facebook.
Confirmado oficialmente o que a Folha adiantou: Joe Biden é o presidente dos EUA

A Associated Press acabou de oficializar o que o blog havia adiantado (confira aqui) desde o início da manhã de ontem: Joe Biden foi eleito como 46º presidente dos EUA. Ele venceu o atual presidente Donald Trump tanto no voto popular, quanto no que vale: o do colégio eleitoral dos estados. O que decretou a oficialização foi o estado da Pensilvânia, onde Biden nasceu e bateu Trump por 49,7% a 49,2% do voto popular. Com isso o democrata levou os 20 delegados do estado, somando 284 — 14 a mais que os 270 necessários para definir o ocupante da Casa Branca, a partir de 20 de janeiro de 2021. A vantagem de Biden, no entanto, deve chegar ainda a 306 votos no colégio eleitoral, confirmadas suas vitórias também nos estados da Geórgia (16 delegados) e de Nevada (6 delegados).
— (Estados Unidos da) América, eu estou honrado por você ter me escolhido como líder do nosso grande país. O trabalho à nossa frente será duro, mas eu prometo: serei um presidente para todos os americanos, tenham vocês votado em mim ou não. Com o fim da campanha, é hora de colocar a raiva e a retórica dura para trás e nos unir como uma nação. É a hora de se unir e se de curar. Somos os Estados Unidos da América. E não há nada que não possamos fazer, se fizermos isso juntos — declarou Biden no Twitter sobre a sua vitória, pregando a união de um país dividido nas urnas. Após ser eleito em 1972 como o senador mais jovem dos EUA, aos 29 anos, ele foi confirmado hoje como o presidente mais velho a ser eleito no país. Tem atualmente 77 anos e assumirá a democracia mais longeva do mundo aos 78, após aniversariar no próximo dia 20.

Político moderado em seus 47 anos de vida pública, oito deles como vice-presidente dos dois mandatos de Barack Obama, Biden conseguiu a candidatura após comandar a maior virada da história (relembre aqui) nas convenções do Partido Democrata, onde bateu o socialista Bernie Sanders. Com a confirmação oficial da sua vitória hoje, ele traz na chapa eleita outra novidade: a primeira mulher e primeira negra a ser eleita vice-presidente, Kamala Harris, ex-senadora pela Califórnia, estado em que já tinha atuado como promotora de Justiça.
https://twitter.com/SamPancher/status/1324515716222115841?ref_src=twsrc%5Etfw%7Ctwcamp%5Etweetembed%7Ctwterm%5E1324515716222115841%7Ctwgr%5Eshare_3&ref_url=http%3A%2F%2Fopinioes.folha1.com.br%2F2020%2F11%2F06%2Fbiden-e-o-novo-presidente-dos-eua-trump-esperneia-e-bolsonaro-fica-mais-so%2F
Derrotado, Donald Trump é o primeiro presidente dos EUA a não conseguir se reeleger desde 1992, quando o também presidente republicano George Bush foi derrotado pelo democrata Bill Clinton. Sem apresentar uma única prova, o atual presidente vem denunciando “fraude” desde antes do pleito de 3 de novembro. Na quinta (05), já ciente da vitória de Biden nas urnas, Trump voltou a denunciar (relembre aqui) “fraude” sem provas. Sem precedente na história dos EUA, mas que deve servir como padrão à mídia do mundo, o pronunciamento presidencial teve a transmissão interrompida pelas principais redes de TV, por conta da divulgação de informações falsas. Assim como vem acontecendo as postagens de Trump no Twitter. Ainda assim, promete recorrer à Suprema Corte contra sua ordem de despejo da Casa Branca emitida pela vontade popular.

Com as apostas encerradas sobre o novo presidente dos EUA, outras serão abertas do lado de cá do Equador. Quais serão os reflexos da derrota do trumpismo ao Brasil de Jair Bolsonaro (sem partido)? E quanto tempo mais durarão nos cargos seus ministros Ernesto Araújo, das Relações Exteriores, e Ricardo Salles, do Meio Ambiente? O primeiro se referia a Trump como “enviado de Deus” para salvar o Ocidente. Já Salles é considerado o principal responsável pelas queimadas na Amazônia, criticadas por Biden no debate presidencial de 29 de setembro. Por sua vez, Bolsonaro endossou publicamente as denúncias de “fraude” sem provas de Trump, a quem tem como ídolo. Cujos pés de barro foram erodidos pela democracia, deixando orfã a extrema-direita do mundo.

Enquanto as dúvidas se instalam no governo Bolsonaro com a derrota de Trump, outras autoridades da República tomaram a frente do Palácio do Planato para saudar a vitória do novo presidente dos EUA e da democracia, com recados velados a Brasil:
— A vitória de @JoeBiden restaura os valores da democracia verdadeiramente liberal, que preza pelos direitos humanos, individuais e das minorias. Parabenizo o presidente eleito e, em nome da Câmara dos Deputados, reforço os laços de amizade e cooperação entre as duas nações — twitou o presidente da Câmara Federal, deputado Rodrigo Maia (DEM/RJ).
— Democracia significa eleições limpas, alternância no poder e respeito aos resultados. E, também, civilidade. Cumprimento Joe Biden, presidente eleito dos Estados Unidos, e a vice Kamala Harris, primeira mulher eleita para a função no país — disse também no Twitter o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) e presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), Luís Roberto Barroso.

