Começa o segundo turno a presidente do Brasil e… gol da Alemanha!!!

 

Jornalista Ricardo Noblat
Jornalista Ricardo Noblat

Na abertura da campanha no segundo turno, Aécio vence Dilma por 7 a 1

Por Ricardo Noblat

 

Onde Dilma começou melhor do que Aécio a campanha do segundo turno da eleição presidencial deste ano?

Na Paraíba, talvez, com o apoio do candidato do PSB ao governo. Mesmo assim se ele derrotar Cássio Cunha Lima, candidato do PSDB ao governo.

Aécio deu uma goleada de 7 a 1 em Dilma.

Ganhou o apoio de Eduardo Jorge, candidato do PV a presidente. E do PV.

Do pastor Everaldo, e do PSC.

Do PSB de Marina. E da própria Marina que anunciará, hoje, seu apoio a Aécio.

Da parte sadia do PMDB – Jarbas Vasconcelos (PE), Pedro Simon (RS) e o candidato do PMDB ao governo, favorito para vencer o segundo turno, José Ivo Sartori.

E da parte boa do PDT – Cristovam Buarque (DF), José Reguffe (DF) e Pedro Taques, eleito governador do Mato Grosso.

Luciana Genro imaginou levar o PSOL para o lado de Dilma. O PSOL preferiu se manter neutro.

No dia em que tudo isso aconteceu, Paulo Roberto Costa, ex-diretor de Abastecimento da Petrobras, contou à Justiça do Paraná que o esquema de corrupção da empresa financiou campanhas do PT, PMDB e PP.

E a ex-contadora do doleiro Alberto Yousseff, também preso, revelou à CPI da Petrobras que o PT repassou repassou dinheiro para Enivaldo Quadrado pagar a multa imposta pelo Supremo Tribunal Federal na condenação do esquema do mensalão.

Dono da corretora Bônus-Banval, Quadrado foi condenado por lavagem de dinheiro.

Está bom ou quer mais?

Dilma e Aécio baterão de frente na próxima terça-feira durante o primeiro debate entre os presidenciáveis promovido pela Rede Bandeirantes de Televisão.

 

Publicado aqui, no Blog do Noblat

 

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Ponto final — Chumbo grosso no segundo turno para presidente e governador

Ponto final

 

Os petistas de Crivella

Passado o pacto anunciado desde antes do primeiro turno (aqui), entre Marcelo Crivella (PRB) e Anthony Garotinho (PR), o dia ontem foi cheio de novidades verdadeiras nas alianças ao segundo turno, seja na disputa ao governo do Estado do Rio ou da República. Na primeira, o sobrinho de Edir Macedo recebeu o apoio do ex-candidato a governador Lindberg Farias e do presidente regional do PT, Washington Quaquá, prefeito de Maricá. Aos dois coube o leme no naufrágio estadual do partido em 5 de outubro, seguindo o mapa impreciso traçado pelo ex-presidente Lula.

 

O PT com Pezão

Enquanto isso, a grande maioria dos petistas fluminenses que tem mandato, manteve ou conquistou o seu nas urnas do último domingo, preferiu optar (aqui) pelo apoio ao governador Luiz Fernando Pezão (PMDB). Além de todos os nove prefeitos do partido no Estado, à exceção décima e única de Quaquá, sete dos 11 deputados federais e estaduais eleitos, e 20 vereadores embarcaram na barca Niterói/Rio capitaneada pelo prefeito Rodrigo Neves, desde quando alguém ainda acreditava na candidatura de Lindberg.

 

NF também

Com o vereador Marcão e a ex-prefeita Carla Machado, PT campista e sanjoanense também se fizeram representar ontem no Rio, no ato de adesão em massa da legenda a Pezão. Um dos coordenadores da sua campanha em Campos, o também vereador Nildo Cardoso (PMDB) bateu ponto no evento. Pouco depois, na sede do PT goitacá, Makhoul Moussallem, ex-candidato a deputado federal e a prefeito pelo partido, ecoou na noite o apoio ao candidato pemedebista a governador.

 

Crivellinho x Pinóquio

Em um lado da disputa e no outro também, tudo isso foi depois do debate acirrado entre Pezão e Crivella (aqui), primeiro do segundo turno fluminense, promovido no início da tarde pela revista Veja. Enquanto o primeiro mandou o segundo “tomar cuidado ao defender Garotinho”, batizando a nova dupla político-evangélica de “Crivellinho”, o candidato do PRB comparou Pezão a Pinóquio, com a distinção de que este cresceria o pé, no lugar do nariz, a cada nova mentira.

 

Reciprocidade

No ato de adesão do PT estadual à sua candidatura, Pezão deu a contrapartida federal, garantindo que votou em Dilma Rousseff no primeiro turno e a apoiará no segundo. Pelo sim, pelo não, os deputados pit bulls do PMDB fluminense Eduardo Cunha (federal) e Jorge Picciani (estadual) não deram as caras no evento. Ficam ambos de sobreaviso, tanto para rosnar e morder, caso a presidente se engrace muito com Crivella, quanto para guiar nas trilhas da mata tucana, caso se abra clareira à vitória de Aécio Neves (PSDB).

 

Apoios de Aécio

Foi Aécio que ontem saiu na frente (aqui) na busca dos reforços necessários para conquistar a vitória no segundo tempo do jogo mais disputado à presidência desde 1989. O sobrinho de Tancredo Neves (1910/85) conseguiu o apoio do progressista Eduardo Jorge e seu PV, assim como do conservador Pastor Everaldo e seu PSC. Isso sem contar o PSB do falecido Eduardo Campos, enquanto Marina Silva ficou hoje de dar vida à sua posição.

 

Chumbo grosso

Em contrapartida, apesar da neutralidade do Psol, a ex-presidenciável Luciana Genro deu aos seus eleitores dois caminhos, o do voto nulo ou em Dilma, rumo ao mesmo destino em 26 de outubro: “Aécio, não!”. Tudo isso somado ao fato de que a primeira consulta popular do segundo turno presidencial, encomendada pela conhecida revista Época ao obscuro instituto Paraná Pesquisas, também divulgada ontem, deu (aqui) o tucano na frente com 54% contra 46% dos votos úteis contra Dilma, só dá uma certeza: vem chumbo grosso por aí!

 

 

Publicado hoje na Folha

 

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Pezão recebe apoio e diz: “Sem o PT, senti que estava faltando algo de mim”

PT do prefeito de Niterói, Rodrigo Neves, e do vereador Marcão apoia Pezão a governador (foto: divulgação)
PT do prefeito de Niterói, Rodrigo Neves, e do vereador Marcão apoia Pezão a governador (foto: divulgação)

 

A jornalista Suzy Monteiro já havia antecipado aqui: “PT: Prefeitos com Pezão, Lindberg com Crivella”. Mas no evento que acabou agora há pouco, no auditório do Hotel Guanabara, no Centro do Rio de Janeiro, o apoio do PT fluminense ao governador Luiz Fernando Pezão foi muito além. Dos 10 prefeitos petistas no Estado do Rio, apenas o presidente regional do partido, Washington Quaquá, de Maricá, ficou com o candidato Marcelo Crivella (PRB). Os outros nove, liderados por Rodrigo Neves, prefeito de Niterói, que sempre esteve com Pezão, mesmo quando o senador Lindberg Farias ainda era candidato do PT ao Palácio Guanabara, fecharam com seu atual ocupante. E seguiram o mesmo destino dois dos cinco deputado federais (Luiz Sérgio e Chico D’Ângelo) e cinco dos seis deputados estaduais eleitos em 5 de outubro pelo partido da presidente Dilma Rousseff.

O PT da região também fechou fileiras com Pezão no segundo turno, representado por seu vereador em Campos, Marcão, e pela ex-prefeita de São João Barra, Carla Machado, como o jornalista Alexandre Bastos noticiou aqui. Representando os 20 vereadores do PT fluminense presentes ao evento, Marcão teve lugar na mesa principal, junto de Pezão, do prefeito do Rio, Eduardo Paes (PMDB); do deputado estadual reeleito Carlos Minc e de Chico D’Ângelo. Em agradecimento ao apoio maciço dos petistas fluminenses, o governador e o prefeito do Rio garantiram que votaram em Dilma no primeiro turno e declararam seu apoio à reeleição da presidente no segundo. Ao discursar, Pezão disse: “Sem o PT, senti que estava faltando um pedaço de mim”.

Quem também prestigiou o evento foi outro vereador campista, Nildo Cardoso (PMDB). Em Campos, numa coletiva marcado para daqui a pouco, às 19h, na sede municipal do PT, o ex-candidato a deputado federal e a prefeito pelo partido, Makhoul Moussallem, também vai anunciar seu apoio a Pezão, como o colunista Murillo Dieguez antecipou na edição da Folha de ontem.

 

Marcão entre quem já estava com Pezão desde o início: Rodrigo Neves e Nildo Cardoso (foto: divulgação)
Marcão entre quem já estava com Pezão desde o início: Rodrigo Neves e Nildo Cardoso (foto: divulgação)

 

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Primeira pesquisa do segundo turno: Aécio lidera com 54%, contra 46% de Dilma

Aécio Neves (PSDB) largou na frente da presidente Dilma Rousseff (PT) neste início da campanha de segundo turno nas eleições presidenciais deste ano. É o que mostra uma pesquisa feita com exclusividade para ÉPOCA, pelo instituto Paraná Pesquisas. Se a eleição fosse hoje, Aécio teria 49% das intenções de voto contra 41% de Dilma. Não sabe ou não responderam somam 10%. Em votos válidos, Aécio tem 54%, e Dilma, 46%. Na pesquisa espontânea, em que não são apresentados os candidatos, Aécio tem 45%, e Dilma, 39%.

 

Época

 

O instituto Paraná Pesquisas entrevistou, entre a segunda-feira (6) e esta quarta-feira (8), 2.080 eleitores. Foram feitas entrevistas pessoais com eleitores maiores de 16 anos em 19 Estados e 152 municípios. A pesquisa foi registrada no Tribunal Superior Eleitoral, sob o número BR 01065/2014. O nível de confiança da pesquisa é de 95%, com uma margem de erro de 2,2% para mais ou para menos. Isso significa que a probabilidade de a realidade corresponder ao resultado dentro da margem de erro é de 95%. Se a eleição fosse hoje, a votação de Aécio variaria, portanto, de 52% a 56%; e a de Dilma, de 44% a 48% dos votos válidos.

>> Saiba tudo sobre as Eleições 2014

“Podemos afirmar que Aécio Neves inicia o segundo turno com uma boa vantagem, porque herdou mais votos de Marina Silva (a terceira colocada). Vamos ver como o eleitor se comportará após o início do horário eleitoral gratuito no rádio e na televisão”, afirma o economista Murilo Hidalgo, presidente do Paraná Pesquisas.

>> As diferenças dos programas de Aécio e Dilma

A pesquisa também avaliou a rejeição dos candidatos. Dilma Rousseff é rejeitada por 41%. Outros 32% afirmaram que não votariam em Aécio “de jeito nenhum”. Apenas 16% disseram que não rejeitam nenhum dos candidatos, e 8% não souberam ou não quiseram responder. De acordo com Hidalgo, a rejeição é sempre um fator fundamental em eleições de segundo turno.

>> A quem interessa insistir na desconstrução de Marina Silva?

No quesito escolaridade, Dilma é a preferida dos eleitores com apenas o ensino fundamental. Ela tem 46% das intenções, ante 45% de Aécio. Entre os eleitores com ensino superior completo, Aécio lidera com 55% das intenções, e Dilma apresenta 34%. Aécio também está na frente no eleitorado feminino, com 50% das intenções de voto, ante 40% de Dilma. Entre os homens, Aécio tem 47% das preferências, para 43% de Dilma.

>> Infográfico: A votação presidencial por Estado

A pesquisa foi registrada no Tribunal Superior Eleitoral, sob o número BR 01065/2014 e 2.080 eleitores do dia 6 ao dia 8 de outubro.

 

Publicado aqui, no site da revista Época.

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“Chega de PT” ou “Mais PT”? Você decide!

urna teclado

 

Jornalista Elio Gaspari
Jornalista Elio Gaspari

No segundo turno, um plebiscito

Por Elio Gaspari

 

A doutora Dilma vai para o segundo turno sem uma plataforma clara. Em junho, durante a convenção do PT para anunciar um “Plano de Transformação Nacional”, no qual, além de generalidades, ela prometeu uma reforma dos entraves burocráticos e um projeto de universalização do acesso à banda larga. Como? Não explicou. No seu lugar, entraram autolouvações e manobras satanizadoras contra os adversários. Delas, a mais mistificadora é aquela que confunde os oito anos de Fernando Henrique Cardoso com uma ruína econômica e social. Foi o período de esplendor da privataria, época em que um hierarca do Ministério do Trabalho dizia que o aumento do número de brasileiros sem carteira assinada era uma boa notícia, mas deve-se ao tucanato algo muito maior: o restabelecimento do valor da moeda. Sem isso, Lula, Dilma e o PT não teriam conseguido quaisquer avanços sociais. Por questão de justiça, reconheça-se que o DNA demofóbico de parte do tucanato seria um obstáculo para que fizesse o que Lula fez.

A ideia segundo a qual o PT precisa continuar no poder porque no poder deve continuar é pobre e pode funcionar como uma armadilha. Na noite de domingo, a doutora Dilma afirmou que o “povo brasileiro vai dizer que não quer os fantasmas do passado de volta”. Pode ser, desde que se entenda que o Brasil de FHC foi um castelo mal-assombrado. Mesmo nesse caso, o PT faz sua campanha pretendendo continuar no governo pelos defeitos do adversário e não pelas suas próprias virtudes. Colocando a questão dessa maneira, deu a Aécio Neves a oportunidade de responder: “O Brasil tem medo dos monstros do presente”.

O desempenho da doutora no primeiro turno foi o pior desde 1998. Ficou em terceiro lugar em São Bernardo, no coração do ABC paulista. A bancada petista no Congresso perdeu 18 cadeiras. Em Pernambuco, foi dizimada. Boa notícia, o PT só recebeu de Minas Gerais, onde o eleitorado negou ao PSDB o mandato que lhe daria 16 anos de poder ininterruptos. É isso que o PT busca na esfera federal. Nunca na história deste país um grupo político homogêneo ficou no poder por 16 anos.

Dilma vai para o segundo turno com a arma do favoritismo de quem ganhou no primeiro. Contudo, faltam-lhe dois amparos. Agora, o tempo de televisão será o mesmo e os debates serão mano a mano. Aécio, como fez o petista Fernando Pimentel em Minas, falará em desejo de mudança. É o “Chega de PT”. Dilma defenderá o “Mais PT”. Darão ao pleito um tom plebiscitário. Seria melhor se discutissem propostas para os próximos quatro anos. O PT carrega êxitos e escândalos, porém, o programa de Aécio é mais uma coleção de platitudes e promessas. Seus capítulos para a educação e a saúde não enchem um pires. Se Marina Silva obtiver dele a meta de implantar em quatro anos o tempo integral nas escolas públicas, terá justificado sua passagem pela disputa. Em qualquer país que tenha um sistema universal de saúde com uma clientela de 150 milhões de pessoas, suas deficiências seriam discutidas por todos os candidatos. O assunto ficou fora dos debates. Aconteceu a mesma coisa com os planos privados, que coletam recursos de 48 milhões de fregueses e financiam generosamente seus candidatos.

 

Publicado aqui, na globo.com

 

 

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O PT é a luz, a verdade e a vida. Ninguém chegará ao Pai senão reelegendo Dilma

PT religião

 

Jornalista Ricardo Noblat
Jornalista Ricardo Noblat

Fora do PT não há salvação. É o que o PT imagina!

Por Ricardo Noblat

 

Curioso o PT. Curioso, não: esquisito. Arrogante. Dono da verdade.

No primeiro turno, patrulhou os adversários por não admitir que eles pudessem discordar de suas posições.

Bolsa Família?

Ai daquele que não se comprometesse com a continuação do programa.

Minha Casa, Minha Vida?

Como se julgar capaz de encontrar melhor solução para a falta de moradias?

Mais Médicos?

Está para ser inventado algo superior ao que o governo do PT inventou.

O país cresce pouco?

Culpa da crise da economia internacional.

A inflação aumentou?

Culpa da crise da economia internacional.

O Brasil é campeão dos juros altos?

Idem.

Em resumo: fora do ideário do PT não existe solução. Jamais existirá.

Se o PT estivesse certo, ficaria dispensada a realização de eleições com regularidade. Eleições para quê? Para o país correr o risco de ir para o brejo?

Uma vez que faliu, a proposta de ditadura do proletariado daria lugar à da ditadura partidária. Naturalmente, uma ditadura chancelada pelo voto popular limitado ao mais do mesmo.

Marina Silva pagou caro por ter tentado pensar diferente do PT. E acenado com alternativas estranhas ao catecismo do PT.

Chegou a vez de Aécio Neves pagar caro.

Que não ouse pensar diferente do PT. E se é para pensar igual, está dispensado. Basta o PT.

 

Publicado aqui, no Blog do Noblat

 

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Ponto final — Após o primeiro turno, caras se revelam no segundo

Ponto final

 

Que Anthony Garotinho (PR) fecharia com Marcelo Crivella (PRB), já estava anunciado desde que o primeiro republicou em seu blog (aqui) uma matéria de O Dia, postada no site do jornal carioca no final da noite da última sexta (aqui), dando conta da aliança contra Luiz Fernando Pezão (PMDB), em torno de quem contra ele disputasse o segundo turno. Como deu Crivella, ontem ele veio a Campos para consumar o “pacto” anunciado (aqui) desde o domingo de eleição por esta coluna.

Enquanto não saírem as novas pesquisas, e as próximas só serão divulgadas amanhã, nada excederá a especulação, a não ser o fechamento das alianças na disputa do segundo turno ao governo do Rio e do Brasil. E com as falhas graves cometidas nas projeções dos institutos de opinião, que erraram Garotinho para mais e Aécio Neves (PSDB) para muito menos, as tendências apontadas pelas novas consultas não bastarão para saber se os acordos foram felizes ou não.

Passadas as impressões iniciais do primeiro turno, é nos apoios do segundo que as verdadeiras caras se revelarão. Assim, depois de se acusarem de coisas que até Deus duvida na campanha, mas agora irmanados na mistura de fé, mídia e política que sempre os aproximou, Crivella e Garotinho se unem para arrebanhar o eleitorado evangélico do Estado e ainda tentar mordiscar uma beirada da hóstia dos seus 45,8% de católicos. E se um espírita, umbandista ou ateu também quiser estender os 10 dedos das duas mãos, mas não para orar, por que não? Afinal, para isso serve o estado laico.

O PT, após mostrar com Marina Silva (PSB) ser capaz de tudo para não largar o osso da tíbia do Brasil, ficou ainda mais enfraquecido do que já era no Rio, a partir do naufrágio da candidatura de Lindberg Farias. Por isto, e por precisar do apoio de Pezão, vai anunciar neutralidade ao governo fluminense, liberando seus quadros para apoiar quem quiserem. Já o Psol, após deixar boa impressão com Luciana Genro a presidente e Tarcísio Motta, a governador, não pensou duas vezes para pular no colo de Dilma Rousseff (PT).

Antes do Psol anunciar sua decisão oficial hoje, Tarcísio já declarou “Aécio e Pezão, nem pensar”. Quer dizer, contra a ameaça da volta do “neoliberalismo” dos social-democratas que lançaram o Plano Real e estabilizaram a economia do país, são esquecidas as lágrimas de vergonha que fizeram uma banda boa sair do PT para um novo partido (o Psol), no escândalo do Mensalão em 2005, como outra banda boa saíra do PMDB em 1988 para fundar o PSDB.

Mas o professor Tarcísio deve estar mesmo certo: introduzir a meritocracia no magistério estadual pode ser outro pecado (do) capital. Para ficar contra ele e Pezão, o fundamentalismo religioso que alimenta Crivella e Garotinho no Rio, ou gerou nos EUA a George W. Bush, é um mal menor. Para preencher o vácuo do PT fluminense e transformar o deputado estadual Marcelo Freixo (Psol) em candidato competitivo à Prefeitura do Rio em 2016, com o apoio de Dilma reeleita presidente, qualquer distensão de ordem moral vira alienação de pequeno burguês.

 

Publicado hoje na Folha

 

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PT do Rio ficará neutro, petistas não

Rio – Na dúvida entre ficar com Pezão ou Marcelo Crivella no segundo turno das eleições, o PT-RJ optará por uma posição conciliatória: o partido anunciará sua neutralidade, mas seus filiados poderão manifestar livremente sua preferência e até fazer campanha para o escolhido. A solução tenta preservar o apoio dos candidatos do PMDB e do PRB à reeleição de Dilma Rousseff.

A proposta, que será submetida amanhã à direção estadual do partido, foi articulada nesta terça em reunião, em Brasília, entre Rui Falcão, presidente nacional do PT; Washington Quaquá, presidente do partido no Estado do Rio; e o senador Lindberg Farias, candidato derrotado ao governo. Como o ‘Informe do Dia’ revelou hoje, a direção nacional tentava impedir o apoio a Crivella defendido por Quaquá e Lindberg. Outros petistas, como o prefeito de Niterói, Rodrigo Neves, já haviam anunciado que ficariam com Pezão.

No último dia 2, o Informe revelou que Lindberg e Crivella haviam feito um acordo: quem passasse para o segundo turno teria o apoio do outro.

 

Publicado aqui no site de O Dia

 

Atualização às 18h27: A informação já havia sido reproduzida antes aqui, pelo jornalista Alexandre Bastos.

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Ponto final — A arte do possível entre Crivella e Garotinho, Pezão e Romário

Ponto final

 

O fato de Marcelo Crivella (PRB) ter dito, no momento da sua votação no domingo, que “Garotinho é passado” (aqui), não deve ser levado em conta. Tampouco ter sido chamado na campanha, pelo mesmo Garotinho, de “mentiroso, ingrato, fariseu e encantador de serpentes”, na mistura sempre indesejável de política e religião. Nem insinuar que a ficha do ex-governador é “mais suja do que a do Fernandinho Beira-Mar”, como Crivella fez em Campos e Macaé a 30 de agosto, gerando a manchete de capa do dia seguinte da Folha, que hoje ilustra matéria da sua página 2.

O que importa, como noticia a reportagem do jornalista Arnaldo Neto, é que Crivella volta hoje a Campos, não para ofender Garotinho, mas para se encontrar com ele, como o próprio político da Lapa anunciou ontem em seu blog (aqui). Da fundação da democracia na Antiguidade, o filósofo grego Aristóteles (384 a.C./322 a.C.) ressalvou: “Política é a arte do possível”. Na busca do que é possível, fingir esquecimento das ofensas mais vis faz parte desse jogo.

Para Crivella, só é possível vencer o governador Luiz Fernando Pezão (PMDB) no segundo turno se somar apoios. Nada mais natural do que buscá-lo no terceiro colocado do primeiro turno, muito embora a enorme rejeição do eleitor fluminense a Garotinho (47% pelo Datafolha) tenha que ser também considerada. Hoje governador de São Paulo reeleito, Geraldo Alckmin (PSDB), por exemplo, chegou ao segundo turno presidencial contra Lula (PT) em 2006, aceitou o apoio de Garotinho e conseguiu diminuir sua votação.

Mas se não é difícil saber o que Crivella busca nesse “pacto” com Garotinho, o que este entende ser possível ter em troca? Em primeiro lugar, conter a debandada dos dois vereadores do PRB, Alexandre Tadeu e Dayvison Miranda, que andaram cantando de galo oposicionista durante a campanha do primeiro turno. E fora o óbvio paroquial, pactuar com o sobrinho de Edir Macedo pode ser atender também à presidente Dilma Rousseff (PT), contrariada pelo apoio já declarado do senador Francisco Dornelles (PP), vice de Pezão, à candidatura do sobrinho Aécio Neves (PSDB).

Num dos piores momentos da sua carreira política, desde que se elegeu governador em 1998, seu último cargo no Executivo, a votação de Garotinho no domingo revela uma acentuada decadência eleitoral não só no Estado, mas em todos os municípios do Norte Fluminense, seu reduto. É o que fica claro à compreensão de qualquer garotinho real, no contraste dos números lembrados pelo Murillo Dieguez em sua coluna na página 6, ou no infográfico na capa desta edição, comparando os percentuais das votações de 1998, 2002 e do último domingo.

À beira de perder a imunidade de deputado federal e sem perspectiva de candidatura em 2016, fazer um favor à presidente, no sentido de pressionar o PMDB fluminense, não faria mal nenhum a Garotinho. E ainda pode render vaga numa comissão importante na Câmara Federal para sua filha Clarissa (PR), caso Dilma se reeleja. Enquanto isso, Pezão promete uma surpresa no anúncio de reforços (aqui). A coluna não é dada a palpites, mas tudo leva a crer que se trata do senador eleito Romário (PSB), craque nos votos como foi nos campos. Se for, tudo parecerá mais possível ao governador.

 

Publicado hoje na Folha

 

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Dilma pode mandar passar a faixa presidencial?

Marina Silva

 

Jornalista Ricardo Noblat
Jornalista Ricardo Noblat

A escolha de Marina

Por Ricardo Noblat

 

“Desvio de dinheiro é natural e intrínseco ao serviço público” 

(Cid Gomes, governador do Ceará)

 

Marina Silva, candidata do PSB a presidente da República, jogara a toalha há dez dias. Foi quando comentou com um dos seus conselheiros: “Levadas em conta as circunstâncias que marcaram minha entrada na campanha, já fui longe demais”. Voltou ao assunto depois do debate entre os presidenciáveis promovido pela TV Globo na última quinta-feira. Admitiu desanimada: “Eu estar onde estou já é um milagre”.

É CLARO QUE não estava satisfeita com seu desempenho. Conformada? É quase certo que sim. Queria ganhar naturalmente. Mas repetia que a ganhar perdendo preferia perder ganhando. Um jogo de palavras. Não só um jogo. Cadê dinheiro para pagar as despesas sempre crescentes da campanha? Dinheiro até poderia existir. Estrutura montada para administrar a campanha com eficiência, jamais existiu.

CADÊ MATERIAL de propaganda? Até daria tempo para produzi-lo. Para fazê-lo chegar às mãos de eleitores em todo o país… Impossível. Foram queimados mais de 50 milhões de “santinhos” com Marina de candidata a vice-presidente. Ela evitava dizer que se sentia mal acolhida pela facção do PSB liderada por Roberto Amaral, o presidente em exercício do partido desde a morte de Eduardo Campos.

LEVARÁ MAIS algum tempo para que Marina reconheça os muitos erros que cometeu — se é que o fará. O primeiro e mais barulhento dos erros foi autorizar a divulgação do seu programa de governo sem ter lido com rigor a versão final. Acabou sendo obrigada a retificá-lo. E pagou por isso um preço elevado. Desgastou-se. Acusaram-na — e com razão — de dizer uma coisa hoje e de se desmentir amanhã.

O SEGUNDO ERRO grave foi não abdicar da posição de se manter distante de políticos que julgava indignos de sua companhia. Um deles: Geraldo Alckmin, governador de São Paulo, que acabaria reeleito no primeiro turno. Marina liderou as pesquisas de intenção de voto em São Paulo. Depois foi desbancada por Dilma. Por fim, autorizou a impressão de suas fotos junto com as de Alckmin. Era tarde. E, no entanto…

NO ENTANTO, teria sido tão fácil para ela, uma vez Eduardo morto, recuar de certos dogmas que apregoara sem ônus como candidata a vice… A maioria dos eleitores compreenderia se ela dissesse: “Em respeito à memória de Eduardo, assumo como meus todos os compromissos assumidos por ele”. E ainda poderia se permitir, de fato, a respeitar alguns e a esquecer de outros porventura difíceis de engolir.

TUDO INDICA que Marina não repetirá o comportamento que adotou na eleição presidencial de 2010, quando foi a terceira candidata mais votada e negou seu apoio a qualquer um dos finalistas do segundo turno — Dilma e José Serra. Para ser coerente com o que disse sobre Dilma, apoiará Aécio se ele adotar parte do seu programa de governo. Aécio pagará qualquer preço pelo apoio de Marina. E com razão.

NA ÚLTIMA SEMANA de campanha, Aécio disparou na frente de Marina e quase atropelou Dilma na reta de chegada. Pôde fazer isso, sobretudo, graças aos votos de mineiros e de paulistas. Nenhum instituto de pesquisa foi capaz de antecipar o tamanho da ojeriza nacional ao PT. O partido, praticamente, acabou varrido do Sul do país onde perdeu as eleições para governador e senador.

A VALER O que ensina a história das eleições majoritárias de 1994 para cá, o candidato a se eleger no segundo turno será o mais votado no primeiro. Portanto, alô, alô, Dilma! Mande passar a faixa presidencial. Mas, pensando melhor, não mande.

 

Publicado aqui, no Blog do Murilo

 

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Ponto final — Qual o tamanho de Garotinho?

Ponto final

 

Anthony Garotinho (PR) é o político mais importante da história de Campos desde o ex-presidente Nilo Peçanha (1867/1924). Em nível paroquial, todos aqueles que lhe fizeram ou fazem oposição, só serão lembrados daqui a uns 100 anos, se o forem, porque um dia ficaram contra Garotinho, porque orbitaram de alguma maneira em torno da sua gravidade social e histórica mais densa. Tomado por assertiva o título desta coluna: ponto final.

Postas as coisas em suas devidas dimensões, qual será aquela que Garotinho hoje possui, após ser derrotado ainda no primeiro turno do pleito de ontem ao governo do Estado? E quando levado em consideração que o buraco é ainda mais embaixo, com a não reeleição de Geraldo Pudim (PR) como deputado estadual, seu fiel escudeiro, mas muito ruim de voto, enquanto seu filho Wladimir Garotinho (PR) conseguiu (aqui) dar ao jovem e promissor Bruno Dauaire (PR) uma cadeira na Assembleia Legislativa?

Como não há nada que não possa piorar, tampouco estava no script o fato de Clarissa Garotinho (PR), herdeira do talento político do pai, ter ficado mais de 100 mil votos atrás do polêmico Jair Bolsonaro (PP), na eleição fluminense para deputado federal. Ainda assim, os 335.061 votos da bela ajudaram a fazer mais cinco candidatos do PR à Câmara Federal, incluído Paulo Feijó, que provou ter uma relação com as urnas oposta à de Pudim e se cacifou dentro do grupo como opção viável a 2016.

Foi o próprio Feijó, na noite de ontem, saindo da famosa casa da Lapa herdada por Garotinho do pai, que disse (aqui) ser a tendência do grupo o apoio a Marcelo Crivella (PRB) no segundo turno com o governador Luiz Fernando Pezão (PMDB). Ao republicar em seu blog (aqui) uma matéria de O Dia (aqui) na véspera da eleição, dando conta de um pacto com Crivella de apoio mútuo no segundo turno, o próprio Garotinho passou a impressão de estar desde sábado à procura de uma saída para o fracasso eleitoral que sabia inevitável no domingo.

A impressão de que o tal pacto era muito mais necessidade de Garotinho, do que de Crivella, se revelou no ato de votação de ambos. Enquanto o primeiro entrou e saiu da sua seção no Ciep da Lapa, se negando a fazer o sinal da vitória diante dos fotógrafos (aqui), Crivella não fez nenhuma cerimônia para esnobar o concorrente direto por uma vaga no segundo turno contra Pezão. Ao votar no Clube Marimbás, em Copacabana, na Zona Sul carioca, o sobrinho de Edir Macedo foi impiedoso (aqui): “Garotinho é passado!”

De qualquer maneira, foi na reportagem de O Dia que Garotinho deu uma rara demonstração de fraqueza: “Eu não sei como vou começar a campanha se for para o segundo turno”. Como de fato não foi, mais do que seu apoio entre quem permanece na disputa a governador, a dimensão presente e futura de Garotinho será ditada por seus próximos passos na única coisa que lhe restou: a Prefeitura de Campos, com seus 2,5 bilhões de orçamento anual e problemas para resolver, governada de fato por ele, fazendo seu o direito da esposa.

Ontem, ao agradecer (aqui) por seus mais de 1,5 milhão de votos para governador, Garotinho publicou em seu blog ser “melhor perder uma eleição do que a vergonha”. Pudesse ser olhado hoje pelo jovem político que em 2002 também quase chegou a um segundo turno, mas de uma eleição presidencial na qual teve mais de 15 milhões de votos, com que tamanho aquele Garotinho veria esse de agora, 10 vezes menor? Entre uma eleição e a vergonha, até Nilo Peçanha teria cuidado para não perder mais nada.

 

Publicado hoje na Folha

 

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