Qual Lula é o verdadeiro? O educado da propaganda ou o moleque de rua dos comícios?

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Jornalista Ricardo Noblat
Jornalista Ricardo Noblat

Uma tremenda molecagem

Por Ricardo Noblat

 

Qual Lula é o verdadeiro?

O bem educado que aparece no programa de propaganda eleitoral de Dilma na televisão, defende os 12 anos de governos do PT e, ao cabo, sorridente, pede votos para reeleger sua sucessora?

Ou o moleque de rua que pontifica em comícios país a fora, sugerindo, sem ter coragem de afirmar diretamente, que Aécio é capaz, sim, de dirigir embriagado, agredir mulheres e se drogar?

O segundo é o mais próximo do verdadeiro Lula. Digo por que o conheço desde quando era líder sindical. Lula é uma metamorfose ambulante. Não foi ninguém quem o disse, foi ele quem se rotulou assim.

A esquerda tudo perdoaria a Lula desde que chegasse ao poder. Chegou, cavalgando-o. Uma vez lá, se corrompeu. Quanto a ele… Não sabia de nada. Nunca soube.

Justiça seja feita a Lula: por desconhecimento de causa e preguiça, ele jamais compartilhou as ideias da esquerda. Assim como ela se aproveitou dele, Lula se aproveitou dela. Um casamento não por amor, mas por interesse.

Na primeira reunião ministerial do seu governo em 2003, Lula se irritou com um ministro e desabafou: “Toda vez que me guiei pela esquerda me dei mal”.

Retifico: ele não disse que se deu mal. Usou um palavrão. Nada demais para o sujeito desbocado que nunca pesou o que diz. Grossura nada tem a ver com infância pobre.

Lula é um sucesso do jeito que é. Mudar, por quê? Todos admiram sua astúcia. Muitos se curvam à sua sabedoria. E outros tantos temem ser apontados como desafetos do retirante nordestino que se deu bem.

Uma das chaves do sucesso de Lula é a coragem de dizer o que lhe apetece — às favas a verdade.

No último sábado, em comício em Belo Horizonte, Lula disse que nunca foi grosseiro com adversários.

Textualmente: “Não tive coragem de ser grosseiro contra Collor, Serra, Alckmin, Fernando Henrique. Pega uma palavra minha chamando candidato de mentiroso e leviano”. É fácil.

Lula chamou Sarney de ladrão. E Itamar Franco de filho da puta.

Resposta de Itamar em maio de 2003: “Gostaria de saber o que aconteceria se a situação fosse inversa, ou seja, se esse indivíduo arrogante e elitista fosse o presidente da República e alguém lhe chamasse disso. (…) Minha mãe se chamava Itália Franco. Mas fosse um filho da p., certamente teria por ela o mesmo amor filial”.

Você pensa que Lula ficou constrangido com a resposta de Itamar? Foi ao velório dele. Assim como foi ao velório de Ruth Cardoso, mulher de Fernando Henrique. Chorando, lançou-se aos braços do ex-presidente.

Pouco antes da morte de Ruth, a Casa Civil da então ministra Dilma montara um dossiê sobre despesas com cartão de crédito do casal FH. Depois, a ministra se desculpou.

Lula não é homem de se desculpar. Nem mesmo quando trata um assessor a pontapés. Como governador de Minas Gerais, no auge do escândalo do mensalão, Aécio lutou para que o PSDB não pedisse o impeachment de Lula. Conseguiu.

Mais tarde, Lula tentou convencê-lo a aderir ao PMDB para disputar a presidência com o seu apoio. Aécio não quis.

De volta ao comício de Belo Horizonte.

Antes de Lula falar, foi lida a carta de uma psicóloga acusando Aécio de espancar mulheres e de ser megalomaníaco. Ele ainda foi chamado de “coisa ruim”, “cafajeste” e “playboy mimado”.

Por fim, a plateia foi ao delírio ao ouvir Lula dizer sobre o comportamento de Aécio em debates: “A tática dele é a seguinte: vou partir para a agressão. Meu negócio com mulher é partir para cima agredindo”.

 

Publicado aqui, no Blog do Noblat

 

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De quando o tucanato deu graus variáveis de solidariedade e silêncio

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Jornalista Elio Gaspari
Jornalista Elio Gaspari

Todos soltos, todos soltos, até hoje

Por Elio Gaspari

 

Nos debates medíocres da Bandeirantes e da SBT, em que Dilma Rousseff parecia disputar a Presidência com Fernando Henrique Cardoso, e Aécio Neves parecia lutar por um novo mandato em Minas Gerais, houve um momento estimulante. Foram as saraivadas de cinco “todos soltos” desferidas pela doutora.

Discutia-se a corrupção do aparelho petista, e ela arrolou cinco escândalos tucanos: “Caso Sivam”, “Pasta Rosa”, “Compra de votos para a reeleição de FHC”, “Mensalão tucano mineiro” e “Compra de trens em São Paulo”. A cada um, ela perguntava onde estavam os responsáveis e respondia: “Todos soltos”. Faltou dizer: todos soltos, até hoje.

Não foi Dilma quem botou a bancada da Papuda na cadeia, foi a Justiça. Lula e o comissariado petista deram toda a solidariedade possível aos companheiros, inclusive aos que se declararam “presos políticos”.

Aécio também nada tem a ver com o fato de os tucanos dos cinco escândalos estarem soltos. Eles receberam essa graça porque o Ministério Público e o Judiciário não conseguiram colocar-lhes as algemas. O tucanato deu-lhes graus variáveis de solidariedade e silêncio.

Pela linha de argumentação dos dois candidatos, é falta de educação falar dos males petistas para Dilma ou dos tucanos para Aécio. Triste conclusão: quando mencionam casos específicos, os dois têm razão. A boa notícia é que ambos prometem mudar essa escrita.

A doutora Dilma listou os cinco escândalos tucanos, todos do século passado, impunes até hoje. Vale relembrá-los.

• Caso Sivam

Em 1993 (governo Itamar Franco), escolheu-se a empresa americana Raytheon para montar um sistema de vigilância no espaço aéreo da Amazônia. Coisa de US$ 1,7 bilhão, sem concorrência. Dois anos depois (governo FHC), o “New York Times” publicou que, segundo os serviços de informações americanos, rolaram propinas no negócio. Diretores da Thomson, que perdera a disputa, diziam que a gorjeta ficara em US$ 30 milhões. Tudo poderia ser briga de concorrentes, até que um tucano grampeou um assessor de FHC e flagrou-o dizendo que o projeto precisava de uma “prensa” para andar. Relatando uma conversa com um senador, afirmou que ele sabia “quem levou dinheiro, quanto levou”. O tucano grampeado voou para a embaixada do Brasil no México, o grampeador migrou para o governo de São Paulo, e o ministro da Aeronáutica perdeu o cargo. Só. FHC classificou o noticiário sobre o assunto como “espalhafatoso”.

• Pasta Rosa

Em agosto de 1995, FHC fechou o banco Econômico. Estava quebrado e pertencia a Angelo Calmon de Sá, um príncipe da banca e ex-ministro da Indústria e Comércio. Numa salinha do gabinete do doutor, a equipe do Banco Central que assumiu o Econômico encontrou quatro pastas, uma das quais era rosa. Nelas, estava a documentação do ervanário que a banca aspergira nas eleições de 1986, 1990 e 1994. Tudo direitinho: 59 nomes de deputados, 15 de senadores e dez de governadores, com notas fiscais, cópias de cheques e quantias. Serviço de banqueiro meticuloso. Havia um ranking com as cotações dos beneficiados, e alguns ganharam breves verbetes. No caso de um deputado registravam 43 transações, 12 com cheques.

Nos três pleitos, esse pedaço da banca deve ter queimado mais de US$ 10 milhões. A papelada tornara-se uma batata quente nas mãos da cúpula do Banco Central. De novo, foi usada numa briga de tucanos, e deu-se um vazamento seletivo. Quando se percebeu que o conjunto da obra escapara ao controle, o assunto começou a ser esquecido. FHC informou que os responsáveis pela exposição pagariam na forma da lei: “Se for cargo de confiança perdeu o cargo na hora, se for cargo administrativo será punido administrativamente”. Para felicidade da banca, deu em nada.

• A compra de votos para a reeleição

Em maio de 1997, os deputados Ronivon Santiago e João Maia revelaram que cada um deles recebera R$ 200 mil para votar a favor da emenda constitucional que criou o instituto da reeleição dos presidentes e governadores. Ronivon e Maia elegiam-se pelo Acre e pertenciam ao PFL, hoje DEM. Foram expulsos do partido e renunciaram aos mandatos. Ronivon voltou à Câmara em 2002. De onde vinha o dinheiro, até hoje não se sabe.

• O mensalão tucano mineiro

Em 1998, Eduardo Azeredo perdeu para o ex-presidente Itamar Franco a disputa em que tentava se reeleger governador de Minas Gerais. Quatro anos depois, elegeu-se senador e tornou-se presidente do PSDB. Em 2005, quando já estourara o caso do mensalão petista, o nome de Azeredo caiu na roda das mágicas de Marcos Valério. Quatro anos antes de operar para o comissariado, ele dava contratos firmados com o governo de Azeredo como garantia para empréstimos junto ao Banco Rural (o mesmo que seria usado pelos comissários.) O dinheiro ia para candidatos da coligação de Azeredo. O PSDB blindou o senador, abraçou a tese do “caixa dois” e manteve-o na presidência do partido durante três meses. Quando perdeu a solidariedade de FHC, Azeredo disse que, durante a disputa de 1998, ele “teve comitês bancados pela minha campanha”. Em fevereiro passado, o Supremo Tribunal Federal aceitou a denúncia do procurador-geral contra Azeredo, e ele renunciou ao mandato de deputado federal (sempre pelo PSDB). Com isso, conseguiu que o processo recomeçasse na primeira instância, em Minas Gerais. Está lá.

• A compra de trens em São Paulo

Assim como o Caso Sivam, o fio da meada da corrupção para a venda de equipamentos ao governo paulista foi puxado no exterior. O “Wall Street Journal” noticiou em 2008 que a empresa Alstom, francesa, molhara mãos de brasileiros em contratos fechados entre 1995 e 2003. Coisa de US$ 32 milhões, para começar. O Judiciário suíço investigava a Alstom e tinha listas com nomes e endereços de pessoas beneficiadas. Um diretor da filial brasileira foi preso e solto. Outro, na Suíça, também foi preso e colaborou com as autoridades. Um aspecto interessante desse caso está no fato de que a investigação corria na Suíça, mas andava devagar em São Paulo. Outras maracutaias, envolvendo hierarcas da Indonésia e de Zâmbia, resultaram em punições. Há um ano, a empresa alemã Siemens, que participava de consórcios com a Alstom, começou a colaborar com as autoridades brasileiras e expôs o cartel de fornecedores que azeitava contratos com propinas que chegavam a 8,5%. Em 2008, surgiu o nome de Robson Marinho, chefe da Casa Civil do governo de São Paulo entre 1995 e 2001, nomeado ministro do Tribunal de Contas do Estado. Em março passado, os suíços bloquearam  uma conta do doutor num banco local, com saldo de US$ 1,1 milhão. Ele nega ser o dono da arca, pela qual passaram US$ 2,7 milhões (Marinho tem uma ilha em Paraty). O Ministério Público de São Paulo já denunciou 30 pessoas e 12 empresas. Como diz a doutora, “todos soltos”.

 

Publicado aqui, na Folha de São Paulo

 

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Você vota em Aécio ou Dilma? Por quê?

Christiano Abreu BarbosaO governo atual, de Dilma Rousseff, candidata à reeleição, teve um desempenho pífio na economia nos 4 anos de mandato dela.

O país apresentou baixo crescimento, com a economia tendo o pior crescimento médio dos últimos 3 presidentes, perdendo para Lula e FHC.

Além de não fazer o país crescer adequadamente, o governo de Dilma não controlou a inflação como deveria, corroendo o poder de compra dos brasileiros.

O país apresentou crescimento negativo pelo segundo trimestre seguido, configurando uma recessão técnica.

O ministro da Fazenda de Dilma, Guido Mantega, que deveria cuidar da economia do pais, é o que ficou mais tempo no cargo e o mais incompetente desde o fim da ditadura.

Dilma não apresentou nenhuma solução para os problemas da saúde, educação e segurança pública.

Loteou a Petrobras entre políticos incompetentes permitindo que a empresa fosse literalmente saqueada.

Por isso ela não merece uma nova chance.

Entre as outras opções, Aécio Neves, governador de sucesso em Minas Gerais por oito anos, é o melhor nome para recolocar o país nos trilhos, em especial a economia.

Tem a experiência administrativa, a equipe e a estrutura partidária necessária.

(Christiano Abreu Barbosa, empresário pós-graduado na Universidade de Ohio e blogueiro)

 

José Luiz Vianna da CruzMinha perspectiva de um governo federal vai para além dos dois candidatos. Tenho dificuldade em aceitar que não se possa avançar nas coalizões recentes que têm dado suporte aos governos federais pós-ditadura. Porque, com essas coalizões, interesses corporativos e clientelistas inaceitáveis se perpetuam, o que dificulta políticas públicas mais republicanas, impessoais e universais. Haveria que meter uma cunha nesses grupos corporativos e fortalecer as alas mais republicanas, progressistas e comprometidas com o interesse púbico e universal, inclusive dentro do PT.

A partir dos governos do PT, com todas as suas insuficiências, dificuldades e contradições, alguns conflitos vinculados à origem civilizatória da nossa sociedade, ficaram mais nítidos, mais públicos e acirrados, o que é altamente positivo e um dos maiores serviços que a Era PT prestou ao país. Um deles é o conflito entre o público e o privado em que a interferências dos interesses privados é tão grande que paralisa a realização do interesse público e social; com o PT o atendimento ao interesse público cresceu muito, a presença do Estado na garantia desses interesses aumentou, o que acho correto. Outro é entre um país em que prevalece “para a elite tudo, para os menos favorecidos, nada”, no acesso aos bens, serviços, estrutura e equipamentos públicos.

Os governos do PT legaram uma legislação, um conjunto de políticas públicas, uma estrutura e uma dinâmica institucionais que são uma verdadeira revolução em relação ao que existia.

(José Luiz Vianna da Cruz, professor, diretor aposentado da UFF-Campos e coordenador de Mestrado da Cândido Mendes)

 

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“Meninas de Guarus” — Ainda virão muitos esclarecimentos à superfície

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Jornalista e blogueiro Gustavo Matheus
Jornalista e blogueiro Gustavo Matheus

Muita calma nessa hora

Por Gustavo Matheus

 

O mais sensato talvez fosse ficar quieto e deixar o vendaval de desinformações, pré-julgamentos e análises distorcidas assentar, mas infelizmente não consigo. Sei também que não sou a pessoa mais imparcial para comentar o que considero uma tremenda covardia, e um carnaval de interesses, para atingir um político que vivia um momento ascendente em sua carreira, mas ninguém que o conhece jamais será.

A situação é delicada, já que o caso Meninas de Guarus repugna qualquer um. Trata-se de um aglomerado de crimes hediondos e perversos, cometidos pela escória dos marginais, que ultrapassam a sensibilidade de toda gente da comunidade. Porém, independente do nosso sentimento de revolta, não podemos ser levianos. Alguns abutres com agenda política sobre o caso insistem em promover uma pública crucificação, bem precoce. Os mais lúcidos precisam interferir e analisar com calma. Até porque, não há dúvidas de que a situação virá a ser esclarecida em breve. Infelizmente, a mácula atrelada à imagem de Nelson Nahim já foi feita, e não há juiz ou júri que o inocentem do preconceito popular. Sequer sabemos qual seria a sua suposta participação no escândalo, se é que houve alguma, e ainda assim algumas pessoas não hesitam em bradar “pedófilo”. Nelson é um político respeitado, mas antes disso é um pai, marido, avô, irmão, tio e filho. E com este movimento circense promovido por alguns, as pessoas acabam se esquecendo de que quem mais sofre é a família.

Sem um julgamento e, muito menos uma condenação, não há culpado. E deste nefasto episódio ainda virão muitos esclarecimentos à superfície. Só espero, de coração, que esta não seja apenas uma agenda para prejudicar alguém que vinha numa crescente na região, como principal personagem da oposição junto com outros nomes, e que estes crimes hediondos, praticados por covardes, sejam apurados com afinco. A investigação não pode recuar agora. Não interessa o nome de quem esteja no tal inquérito, a justiça tem que ser feita em sua plenitude. Fazer pose, transformar a situação em um circo político, é fácil. Quero ver mesmo é esse imbróglio chegar ao fim, com os criminosos, os verdadeiros criminosos, respondendo pelos seus crimes. A justiça tem que ser feita. O ministério público não pode se dar por satisfeito, pois houve de tudo até agora, durantes estes cinco anos, menos justiça.

 

Publicado hoje na Folha

 

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Tentar fazer Dilma de coitada já não tinha funcionado desde a Copa do Mundo

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Jornalista Merval Pereira
Jornalista Merval Pereira

Vitimização de Dilma

Por Merval Pereira

 

O truque já foi usado uma vez, recentemente, e não funcionou, ao tentarem fazer da presidente Dilma uma coitadinha quando foi vaiada na abertura da Copa do Mundo no Itaquerão. Nada indica que funcionará desta vez. Transformar a presidente Dilma em uma senhora delicada que foi tratada com grosseria por seu adversário Aécio Neves no debate do SBT na quinta-feira, não é um relato fiel do que aconteceu, nem faz jus à história da presidente e do PT. Beira o ridículo.

O mal-estar da presidente a final do debate pode ter sido provocado pelo calor da discussão e do estúdio de televisão, e prenuncia uma fragilidade emocional dela, conhecida por seu vigor verbal, digamos assim. Ontem, Dilma, antes de adiar uma vinda ao Rio ” a conselho médico” que depois foi desmentido, disse algo como “o PT não é de briga, mas sabe enfrentar desafios”. Nada menos verdadeiro.

Ao contrário, o PT só sabe fazer política na base do confronto, precisa de um inimigo para mobilizar seus militantes, que andam meio desanimados ultimamente. Esse clima de guerra permanente foi instalado pelo PT no país, que não sabe fazer política sem radicalizar. A prática do “nós contra eles”, aprofundada nesta campanha com uma tentativa de jogar o PSDB contra os nordestinos, acaba levando a exacerbações.

Na ocasião da abertura da Copa escrevi que a grosseria é um problema nosso, de uma sociedade que precisa encontrar novamente o caminho da civilidade e da convivência pacífica entre os contrários. A vaia é um problema da presidente Dilma e do PT. Naquela ocasião, a presidente Dilma passou a ser tratada como uma senhora frágil e desacostumada a essa linguagem, quando ela própria já demonstrou, em reuniões com ministros e empresários, que sabe lidar com esse tipo de problema. Que o digam os ministros que já saíram chorando de seu gabinete depois de uma boa espinafração, muitas vezes com uso de palavras nada convencionais.

O ex-presidente Lula voltou a tentar o truque depois do debate do SBT, dizendo que “quando eu vejo um homem na televisão ser ignorante com uma mulher, como ele tem sido nos debates, eu fico pensando: se esse cidadão é capaz de gritar com a presidenta, fico imaginando o dia que ele encontrar um pobre na frente: é capaz dele pisar ou não enxergar”.

Lula evidentemente está fazendo baixa política, sem muita chance de dar certo. A própria presidente Dilma não dá razão para esse tratamento condescendente com ela, pois quando soube que a ex-candidata Marina Silva havia chorado ao ser atacada pela propaganda petista, saiu-se com esse comentário: “um presidente da República tem de resistir à pressão”.

Em discurso dirigido a movimentos negros em Nova Lima, na região metropolitana de Belo Horizonte, Dilma afirmou que quem não quer ser criticado “não pode ser presidente”.

— Um presidente da República sofre pressão 24 horas por dia. Se a pessoa não quer ser pressionada, não quer ser criticada, não quer que falem dela, não dá para ser presidente da República. Acho que, (para) ser presidente, a gente tem que aguentar a barra — disse Dilma.

Se a vitimização de Marina não teve sucesso, e ela só reagiu à altura dos ataques muito tempo depois, quando sua votação já se esvaía, agora o candidato do PSDB Aécio Neves está enfrentando  os mesmos ataques, o que coloca um dado novo na disputa presidencial. Na verdade, Aécio é o primeiro candidato tucano que enfrenta o PT sem receios, resgatando o legado de Fernando Henrique Cardoso e exorcizando de vez a demonização que o PT vem fazendo dos governos tucanos pelos últimos 12 anos.

Tanto Serra quanto Alckmin entraram na disputa contra o PT com receio de se indispor com Lula e seus seguidores, e tiveram dificuldades para defender as políticas do PSDB, quando não evitaram simplesmente temas polêmicos como as privatizações. A postura de Aécio Neves já mostrou que há um projeto político para enfrentar o lulismo, e defendê-lo não tira votos.

 

Publicado aqui, no Blog do Merval

 

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Você vota em Dilma ou Aécio? Por quê?

Hélio CoelhoVoto em Dilma porque estou convencido de que o caminho para as grandes transformações no Brasil passa pelo reformismo social. Através da construção de um estado democrático de bem estar social (tipo Welfare State) ganharemos musculatura para outros embates mais profundos e revolucionários, lá na frente.

E não há como negar: as altas  taxas de inclusão social e a elevação do nível de vida das camadas populares, atestam o acerto das políticas sociais da era Lula-Dilma. Ainda que seja preciso melhorar questões de qualidade, a quantidade de brasileiros estudando em todos os níveis sinaliza para um futuro melhor para o nosso país em breve.

E mais: não foi a corrupção que cresceu com estão alardeando: é que nunca se apurou tanto e tão profundamente a corrupção, a ponto de cortar com a navalha própria carne do governo. E esse é o lado saudável desse processo! Claro que não vivemos no melhor dos mundos, há problemas e graves. Muitas questões são decorrência do nosso presidencialismo de coalizão, que não dá para aprofundar neste pequeno espaço. Mas a verdade é que avançamos e não podemos permitir o retrocesso que seria a volta do individualismo predatório, da fúria do mercado e do arrocho sobre o povo trabalhador que a vitória de Aécio Neves representa. Temos que dar, como dizia o Brizola, um rotundo Não a isso! Em 2003 a Petrobras era uma empresa que valia R$ 15,4 bilhões. Hoje, está avaliada em R$ 214 bilhões! Por isso e muito mais, voto Dilma 13.

(Hélio Coelho, professor, escritor e presidente da Academia Campista de Letras)

 

 

José Cunha FilhoVoto em Aécio Neves. Não necessitaria explicitar os motivos da minha opção. Estamos, apesar de todos os defeitos, numa democracia. Mas, para justificar, digo que é hora de tentar uma nova abordagem para velhos problemas que se acumularam nos anos petistas. A alternância é positiva, quando se trata de poder. Caso contrário, o país pode acabar com a “síndrome de Montezuma”, o partido único mexicano a se eternizar no governo. Além do mais, acredito que o Aécio tem o DNA de um novo Juscelino, o governante que despertou nos brasileiros a confiança de “que, sim, nós podemos”. Só quem viveu um país de economia fundamentalmente agrícola e o viu se transformar em uma nação industrializada, sabe do que falo. O Aécio pode obter a confiança dos que ainda acreditam construir um país moderno, não um país bursátil, onde impera o assistencialismo e a corrupção generalizada. Voto em Aécio como, mea culpa, máxima culpa, votei em Lula em sua primeira experiência no Planalto. Por ser preciso mudar, experimentar, apostar que é possível vencer as dificuldades que os meus netos herdarão com a incompetência e falta de visão com que o país foi tratado nos últimos 12 anos. Ainda há tempo para reverter a marcha para o abismo, o possível caos da implantação de um regime autoritário avalizado pelo voto popular, sonho dos que defendem a candidatura majoritária. Hitler tomou o poder via eleições, alguém se lembra?

(José Cunha Filho, jornalista, escritor e membro da Academia Campista de Letras)

 

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O amor ficou naquele janeiro de 2003, onde Lula e FH trocaram juras que jamais serão

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Jornalista Arnaldo Bloch
Jornalista Arnaldo Bloch

O discurso do ódio

Por Arnaldo Bloch

 

Pegadinha rápida: quem era a pessoa mais feliz no Brasil quando Lula foi eleito pela primeira vez, em 2002? Essa é fácil: Fernando Henrique Cardoso. O então presidente deu gelo em José Serra durante a campanha e cochichou publicamente que era a hora de Lula lá.

FH havia trazido a estabilidade e a base de muita coisa boa, mas acabou imerso na espuma fisiológica. Governou com aliados degenerados, e os sonhos tucanos mais libertários comungaram com a herança maldita dos anos de chumbo. Isso ocorreu pela impossibilidade de um amor platônico: a união PT-PSDB, sonhada por muita gente sensata dos dois lados.

Em êxtase cívico, FH deu um abraço de camarada em Lula e, na hora de passar a faixa, trêmulo, quase que se enforca na flâmula verde-amarela. O amor ficou ali, naquele momento nacional simbólico.

Aquela campanha de 2002 havia sido marcada, já, pelo chamado Discurso do Medo. Regina Duarte previa inflação de Alemanha pré-Reich, quando, em Berlim, se trocava uma batata por milhões de marcos. Lula teve que escrever uma carta, passou a usar terno fashion, implantou sorriso Kolynos, aparou a barba e juntou à estrela petista o lema dos hippies: Paz e Amor.

Assim a coisa andou. Não houve rupturas de contratos nem crise institucional. Com popularidade inédita, Lula, mesmo tentado, recusou o cálice autoritário e cedeu ao vigor democrático que já vinha irrigando o país.

Mas cedeu também à tal da base aliada com gosto de podrão, e, com crescimento alto, grana entrando, popularidade mantida, perdeu a chance de entubar o vicioso Congresso Nacional com as reformas política e tributária.

Porém, o país cresceu, distribuiu, os banqueiros ficaram na boa, a classe média, como sempre, ralou, mas seguimos. No campo político, houve retrocesso, e, em vez de lançar um paradigma de correção, Lula disse que é mesmo assim, que a gente bota a mão na lama e vai ser desse jeito por muito tempo.

O que vemos hoje? Passados quatro anos do governo da sua sucessora, o abismo se consolidou: PT e PSDB jamais estiveram tão longe. Na gritaria insana em que se transformou o debate, o que de bom houve nos anos FH-Lula parece um vapor distante. Dilma e Aécio parecem alunos com pirulitos.

Se estivessem num ringue, seriam apresentados como Dilma, do PT, república sindical que aparelhou o país e fez o que o PCB nunca conseguiu, isso dentro do jogo democrático, e hoje representa a esquerda totalitária. Do outro lado, Aécio, playboy da Zona Sul mais burguesa, à frente dos anseios do PSDB, partido que um dia inspirou grandes transformações, representa a direita e os liberais anarcocapitalistas de extrema.

O Discurso do Medo voltou na campanha do primeiro turno, mas, aos poucos, foi substituído por um outro discurso, mais perigoso: o Discurso do Ódio. É esse que predomina nas ruas, nas redes, no horário gratuito e nos debates. Se a esperança seria o antídoto ao medo, contra o ódio não há remédio.

Para Aécio — que, no primeiro turno, juntara-se a Dilma para massacrar Marina qual uma barata ecochata —, o país precisa se libertar do jugo da máfia vermelha. Para Dilma, o país precisa purgar o fantasma de uma extrema-direta preconceituosa que odeia pobres e planeja, na calada da noite, o holocausto das conquistas sociais. Comandados pelos seus candidatos, os eleitores se xingam, desfazem amizades, bloqueiam-se, fabulam (essa é a palavra da hora, e Goebbels virou carochinha), engolem excremento e, como numa batalha medieval, erguem espadas sedentas das jugulares do próximo.

No abismo fica um vazio: temas críticos são varridos para a base do vulcão. Não se fala de aborto. De células-tronco. De homofobia. De drogas, só sob o viés repressivo, virando as costas para o mundo.

Não se discutem políticas públicas. Bate-se na tecla dos escândalos que são endêmicos desde que o Brasil é Brasil. O PT é o escândalo em si, e o tucanato é uma espécie de Santa Sé (que, aliás, é boa de escândalo também). Ou, ao avesso, PT é a própria providência salvadora eterna da pátria, e o PSDB é o Reich às vésperas de anexar a Polônia e rumo a Moscou.

O que fica disso tudo? Tristeza. Melancolia. Um país partido em polos que podiam dialogar, mas duelam à morte. Para Dilma viver, o PSDB tem que morrer. Para Aécio sobreviver, o PT tem que ser varrido da História. Ganhando um ou outro, em que clima governará? De que maneira o brasileiro vai dialogar com si próprio, se não é capaz de trocar IDEIAS, só de impor a verdade final dos tempos?

Claro que o Brasil, e a democracia, vão, mais uma vez, sobreviver ao medo e ao ódio. Mas, seja qual for o resultado, o país provará da herança maldita do desamor. O amor ficou naquele janeiro de 2003, na rampa, onde Lula e FH trocaram juras que jamais serão.

 

Publicado aqui, na globo.com

 

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O bafômetro de quem nunca dirigiu

Blog do Moreno

 

É fácil

Em comício ao lado do companheiro Jader Barbalho, Lula disse que não pode ser presidente da República quem se recusa ao teste do bafômetro.

Lula só disse isso porque nunca dirigiu.

 

Publicado aqui, no Blog do Moreno

 

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Ponto final — Pedofilia, quem pagará o preço pelo resto da sua vida?

Ponto final

 

“Meninas de Guarus”

Como escreve o jornalista Esdras Pereira em sua coluna na página 7, no caso conhecido como “Meninas de Guarus”, tão graves quanto as suspeitas de prostituição de menores, comercialização e consumo de drogas e até homicídio, são as denúncias de manipulação dos depoimentos e do inquérito para tentativa e prática de extorsão. Afinal, não custa lembrar que policiais civis que participaram da investigação depois acabariam presos por crime de extorsão, em outro caso, no município vizinho de Italva.

 

Nelson Nahim

Sem sombra de dúvida, além da gravidade das denúncias, o que mais chamou a atenção da grande mídia ao caso foi a suspeita de envolvimento do ex-vereador Nelson Nahim (PSD), irmão e opositor do deputado federal Anthony Garotinho (PR), ainda referência da política estadual e nacional. E não deixa de ser irônico constatar que quem mais se ufanou pela ação de ontem, ecoado por seu assessor parlamentar Cláudio Andrade, foi o deputado estadual não reeleito Roberto Henriques, também do PSD e cuja eleição em 2010 só aconteceu a partir do apoio de Nahim, à época prefeito interino.

 

“Repórteres” da internet

Como Esdras também frisou, as denúncias de extorsão sequer foram citadas ontem pelos “afobados ‘repórteres’ artesanais da internet”, que não sabem distinguir opinião de fato, nem fato de fofoca. Como uma suposta verdade não pode ser utilizada na tentativa de se endossar 10 mentiras reunidas no mesmo bolo, sobretudo se for para atender a interesses tão criminosos quanto a causa da investigação, é preciso também ter cautela na hora de separar os suspeitos por seus supostos crimes.

 

Presos por quê?

No mandado de prisão preventiva, que não equivale a condenação, o juiz Leonardo Cajueiro distinguiu: “há reiteradas notícias do emprego de violência  por parte dos denunciados Leilson (Rocha da Silva), Thiago (Machado Calil), Fabrício (Trindade Calil) e Ronaldo (de Souza Santos) sobre as adolescentes submetidas à exploração sexual”. Para o magistrado, os quatro são os “supostos líderes do grupo”. “Quanto aos réus Nelson (Nahim) e Sérgio (Crespo Gimenes Júnior), há notícias (…) de que ambos estariam constrangendo as vítimas e testemunhas”, explicou o juiz da 3ª Vara Criminal.

 

Morte em vida

Dos seis mandados de prisão, só não se cumpriu o de Thiago Calil, que estaria foragido. Há ainda 14 outras pessoas suspeitas. Segundo o próprio Ministério Público e a Polícia Civil, todos os nomes deveriam ter sido mantidos em sigilo. Mas foi intenção muito mal conduzida, permitindo todo tipo de especulação até o vazamento das prisões. Sejam estas mantidas ou não, independente de qualquer julgamento num tribunal, a palavra “pedofilia” é capaz de condenar à morte em vida, perante à sociedade, qualquer um que for a ela associado, a partir de supostas evidências ou pura leviandade.

 

Jurisprudência paulista

Foi o caso da Escola Base de São Paulo, em 1994, fechada depois que seus dois diretores, mais uma professora e um motorista foram acusados de molestar sexualmente crianças de 4 anos. Quatro foram também os absolvidos pela lei, mas que nunca se livraram da suspeita. Ou você, caro leitor, se pai ou mãe, teria a coragem de colocar seu filho para estudar na escola em que qualquer um deles trabalhasse? Por este dano moral irreversível, só a Rede Globo foi obrigada a pagar R$ 1,35 milhão aos inocentes que colocou como suspeitos de pedofilia, com base na Polícia Civil e Ministério Público paulistas.

 

Quem pagará?

Assim que o caso “Meninas de Guarus” estourou, a Folha da Manhã foi o primeiro e até então único a noticiá-lo, em sua capa de 7 de junho de 2009. Jamais faremos questão de dar sobre ele nenhuma palavra final, que só caberá à Justiça em caso de condenação. Porque se algum suposto envolvido for inocentado no fim, só resta saber quem pagará o preço pelo resto da sua vida.

 

 

Publicado hoje na Folha

 

Atualização às 13h20 para introduzir correção feita aqui pelo leitor Rodolfo

 

 

 

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Você vota em Aécio ou Dilma? Por quê?

Marcelo AmoyVoto Aécio 45 porque reconheço no PSDB a responsabilidade, a racionalidade e a credibilidade que têm faltado na atual condução da economia nacional, bem como a origem dos atuais programas sociais, que praticamente só mudaram de nome por razões de marketing. Além disso, o PSDB é um partido que: respeita as instituições democráticas; não confunde governo com Estado nem partido com governo; e que nos oferece um programa com ideias modernas para um projeto de país, não de poder. Voto Aécio 45 porque sei que, em seu governo, o Brasil jamais fechará os olhos para os ataques à democracia em nossos vizinhos ou em qualquer parte; porque ele não fará terrorismo eleitoreiro; não tentará aparelhar o Estado ou desrespeitar os demais poderes da República; e muito menos chamará corrupto de “herói”. Acredito que o Estado não deve demonizar a iniciativa privada, mas vê-la como parceira na solução dos imensos gargalos de infraestrutura que atrapalham nosso desenvolvimento e produtividade. Paralelamente, as agências reguladoras têm que ser técnicas, não políticas, para que efetivamente cumpram bem o seu papel. Sei que o PSDB fará isso, então voto Aécio 45: futuro presidente do Brasil!

(Marcelo Amoy, gerente administrativo, tradutor e militante da candidatura Aécio Neves nas redes sociais)

 

Alexis SardinhaMeu voto no segundo turno será, sem dúvidas, para Dilma Rousseff. Voto em Dilma, pois ela luta e sempre lutou em prol dos direitos fundamentais. Quando jovem, teve o desprendimento e gigantesco amor à humanidade a ponto de colocar sua própria vida em risco para combater os déspotas da Ditadura Militar. Encontrar outro político com a mesma grandeza de caráter é tarefa dificílima. Não é por acaso que os jovens a chamam de “coração valente” nas redes sociais. Além disto, voto em Dilma porque ela será a única capaz de executar o atual projeto político que combina desenvolvimento econômico, soberania (Brics) e ampla distribuição de renda. Voto Dilma porque sou cristão e, como tal, devo sempre me lembrar dos mais fracos. Tenho o que comer todos os dias, mas me importo profundamente com aqueles que não têm o pão, o que se expressa politicamente em programas como o “Bolsa Família”, elogiado e recomendado pelo Pnud da ONU. Voto em Dilma porque sou advogado e acompanhei a quantidade de boas leis que ela sancionou durante o primeiro mandato, como o marco civil da internet, a Lei de Acesso à Informação, a Lei Maria da Penha, dentre outras. Voto na competente candidata para proteger nosso povo do desemprego, da inflação e dos altos juros. Voto em Dilma para responder às dificuldades da vida com um belo grito de esperança! Dia 26 é Dilma 13.

(Alexis Sardinha, advogado, integrante do movimento “Cabruncos Livres” e militante da candidatura Dilma Rousseff nas redes sociais)

 

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Com calma, lógica e argumentos bem pensados, Aécio foi impiedoso

Dilma debate SBT

 

 

Jornalista Ricardo Noblat
Jornalista Ricardo Noblat

No debate do SBT, Aécio fez picadinho de Dilma

Por Ricardo Noblat

 

Aécio Neves deixou de ser tucano.

Na versão política, tucano é uma ave que, apesar do bico grande, bica com delicadeza. É capaz de perder a vida para não perder a elegância. Foi assim, por exemplo, com Serra no primeiro debate do 2º turno contra Dilma em 2010.

De certa forma foi assim também com Aécio no debate da última terça-feira contra Dilma na Rede Bandeirantes de Televisão.

Quem imaginou que ele, ontem, no debate do SBT, ofereceria a outra face para apanhar, enganou-se.

O instinto de sobrevivência empurrou Aécio para cima de Dilma, e dessa vez foi ela que não estava preparada para enfrentar tamanha fúria.

Marqueteiros costumam dizer que o eleitor detesta troca de ataques entre candidatos. Lorota.

O eleitor diz que detesta para aparecer bem na foto — mas ele gosta de ataques, sim.  Os ataques só não podem resultar em baixarias.

Se alguém quase se rendeu a baixarias foi Dilma quando tentou aplicar uma pegadinha em Aécio. Perguntou o que ele achava da lei que pune motoristas que dirijam bêbados ou drogados.

Uma vez, no Rio, Aécio foi surpreendido por uma blitz da Lei Seca. E se recusou a fazer o teste do bafômetro.

Se Dilma sabe que ele estava bêbado ou drogado deveria ter dito. É uma grave acusação que não pode apenas ser insinuada. Ela preferiu insinuar. Leviandade.

No debate da Band, Dilma impôs a Aécio sua agenda de discussão. Acuou-o com perguntas sobre o governo dele em Minas. Aécio saiu derrotado.

No debate do SBT, Aécio impôs sua agenda. E rebateu os ataques de Dilma com calma, lógica e argumentos bem pensados. Foi impiedoso.

Dilma voltou a perguntar pelos parentes que Aécio empregou no governo de Minas. Aécio respondeu sobre apenas um deles — sua irmã, Andrea, que trabalhou no governo sem nada ganhar.

Em seguida, Aécio perguntou a Dilma pelo irmão dela, “que ganha sem trabalhar” da prefeitura de Belo Horizonte. Dilma fugiu da resposta. E começou a falar em “dilmês”.

Aécio carimbou na testa de Dilma que ela não conhece direito Minas Gerais. Dilma passou recibo da acusação.

O debate acabou com Dilma nocauteada. Não é força de expressão.

Desorientada, como se não soubesse direito onde estava e o que lhe aconteceu, Dilma perdeu a voz ao responder à pergunta de uma repórter do SBT. Esqueceu que estava ao vivo. E, aparentemente grogue, pediu para recomeçar.

Não conseguiu. Alegou então que estava passando mal. Uma queda de pressão. Foi socorrida com um copo de água. Arranjaram-lhe uma cadeira.

Quis voltar a responder à repórter. Como seu tempo acabara, se irritou com ela. Chamou-a de “minha querida”.

Desfecho perfeito para uma luta que perdeu.

 

Publicado aqui, no Blog do Noblat

 

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