Você vota em Dilma ou Aécio? Por quê?
Faço parte de uma geração que foi educada politicamente no ambiente da redemocratização, após o longo período da Ditadura Civil-Militar brasileira. Nossa agenda era formada por necessidades urgentes como o combate ao autoritarismo, à miséria e à desigualdade. Quem me convenceu de que suas visões de mundo eram compatíveis com estas prioridades foram partidos e movimentos sociais de esquerda, como o PT.
Portanto, fazer a escolha do voto neste segundo turno, para mim (e aqui me manifesto mesmo em tom pessoal, não em nome de nenhuma entidade ou instituição que trabalho ou represento), não foi difícil. Ainda que eu tenha críticas ao governo federal, nem de longe elas poderiam me atirar para a preferência por algo que é quase o extremo oposto das políticas que têm promovido a mobilidade social de milhões de pessoas. Por isso, vou de Dilma contra as forças reacionárias representadas por Aécio.
Uma eleição e um governo não resolvem todos os problemas, mas por meio deles disputamos a forma de continuar a enfrentá-los e a quem priorizar.
(Vitor Menezes, jornalista, professor e presidente da Associação de Imprensa Campista)
Em 2002, após oito anos com os tucanos no poder, os petistas defendiam uma alternância. Naquela época, aos 20 anos de idade, optei pelo voto em Ciro Gomes no primeiro turno e, no segundo, na disputa entre Lula e José Serra, votei no primeiro, que naquela eleição trocou o estilo agressivo pelo “Lulinha Paz e Amor”. É impossível reconhecer que o Brasil não avançou no primeiro governo Lula e, na eleição de 2006, votei novamente no Lula. Naquele momento, mesmo escrevendo diversos textos contrários aos petistas mais radicais e sendo leitor de críticos como o Diogo Mainardi, entendi que não era a hora encerrar o ciclo. O problema é que depois disso os petistas resolveram se preparar para iniciar um novo ciclo. E isso incluiu o aparelhamento do Estado e o inchaço da máquina pública, com ações que os próprios petistas condenavam quando eram oposição. Os caciques petistas têm um projeto de poder que vai muito além das discussões sobre economia, crise energética e falta de planejamento. Na ânsia de manter o poder, o PT caminhou ao lado de figuras que impediram o debate sobre temas importantes como a reforma política, por exemplo. Voto em Aécio Neves sem a ilusão de que o ex-governador de Minas Gerais será capaz de virar a mesa e mudar as regras do jogo, mas acredito que é hora de oxigenar o debate e iniciar um diálogo aberto com correntes capacitadas de todos os partidos. Por ironia do destino, 12 anos depois, a esperança precisa vencer novamente o medo.
(Alexandre Bastos, jornalista e blogueiro)















