Gustavo atira como de costume, mas também acerta

Novo filme da oposição: “A guerra dos candidatos”

Por Gustavo Matheus, em 07-08-2013 – 0h40

Chega a ser cômica! A oposição em Campos é algo muito próximo de um devaneio pertencente a um bêbado em coma. A falta de estratégia, organização e, principalmente, bom senso, fortalece o discurso de membros do governo que apontam para os oposicionistas com certo desdém.

Orgulhosos e incapazes, alguns grupos da segregada oposição campista utilizam de um lema geralmente aplicado aos adversários, mas que a mesma se auto inflige: “Dividir e conquistar”. Ou seja, eles se dividem para que os rosáceos possam colher os louros.

O PT desta planície é um exemplo clássico desse despreparo e falta de comando. Por aqui, com a exceção da pré-candidatura do ex-candidato a prefeito Makhoul Moussalem, a única para a Câmara Federal, nada faz sentido. São três pré-candidaturas buscando o mesmo objetivo, todas com poucas chances de abraçar o objetivo juntas, separadas então…
Os pré-candidatos, Marcão, Odisséia e Professor Alexandre Lourenço, já deixaram claro que não irão compor. Todos garantem que serão candidatos.

Para piorar o cenário oposicionista, as candidaturas de Makhoul e Nelson Nahim (PPL) para a Câmara Federal ganharam companhia. O ex-prefeito Arnaldo Vianna (PDT) e o vereador Nildo Cardoso (PMDB) acabam de entrar na briga para em bolar esse meio de campo. Pezão decidiu dar uma de Garotinho, pensando na majoritária, e começa a lançar à mesa seus peões. Trata-se daquela velha tática de ser ajudado fingindo ajudar. Vários se levantam, mas poucos se mantêm de pé.

Podem esperar, mais candidatos irão surgir. Em breve teremos a guerra dos candidatos.

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Prefeitura consegue liberar no TJ o “Reda da educação”

Prefeitura derruba liminar no TJ-RJ e mantém Processo Seletivo

Por Alexandre Bastos, em 06-08-2013 – 21h48

O Tribunal de Justiça do Estado do Rio de Janeiro (TJ-RJ), através do Desembargador André Ribeiro, da 21ª Câmara Cível, suspendeu a liminar concedida pela 1ª Vara Cível de Campos, que paralisou o Processo Seletivo Simplificado, marcado para o dia 27 de julho, pela Prefeitura de Campos. A partir da decisão concedida nesta terça-feira (06), a prefeitura dará continuidade ao Processo, visando a contratação temporária de professores.

A liminar que suspendia o Processo Seletivo Simplificado foi concedida após Ação Popular proposta pelo advogado José Paes Neto. A notícia sobre o a suspensão foi divulgada no último dia 25 pelo blog do Gustavo Matheus (aqui).

O Desembargador André Ribeiro argumentou em sua decisão que o Processo Seletivo de Contratação Temporária pautou-se na transitoriedade e excepcionalidade, bem como no interesse público devidamente justificado pela municipalidade. O Procurador Geral do Município, Matheus José, reitera que os professores contratados irão ocupar vagas temporárias decorrentes de licenças e readaptações, medida esta feita com base em lei autorizativa e previsão constitucional.

A secretária municipal de Educação, Esporte e Cultura, Marinéa Abude, informa que nesta quinta-feira (08) será publicado no Diário Oficial, um aviso dando continuidade ao processo e informando os procedimentos necessários aos futuros contratados. Segundo Marinéa Abude, a secretaria inscreveu 1.349 candidatos para o processo seletivo para vagas de professor substituto.

Vagas — Elas são voltadas para professor I (20h) para atuar na Educação Infantil e no 1º segmento do Ensino Fundamental, para professor II (35h) que exercerão atividades nas creches e Professor II (25h), que serão encaminhados para escolas do segundo segmento (com turmas do 6° ao 9° ano do ensino fundamental). Os salários variam entre R$ 1.403,55 a R$1.901,95. Os interessados não podem possuir vínculo empregatício, já que os contratos têm como finalidade suprir carências e o mesmo poderá ser transferido de unidade escolar e de horário constantemente.

O processo seletivo será realizado por meio de prova objetiva, de caráter eliminatório e classificatório. As provas contarão questões de língua portuguesa, conhecimentos pedagógico e gerais.

Fonte: Ascom/Prefeitura de Campos

Atualização às 22h27: Aqui, o jornalista Ricardo André Vasconcelos foi o primeiro na blogosfera goitacá a repercutir a vitória jurídica de Rosinha no TJ. Aqui, Ricardo publicou a íntegra da decisão do desembargador André Ribeiro.

Atualização às 14h34 de 07-08-13: Na verdade, o primeiro a noticiar na blogosfera local a vitória jurídica de Rosinha no TJ foi o Ralfe Reis, de longe o melhor blogueiro entre os francamente governistas. Confira aqui.

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Após ser internado na UTI do Beda, Fred vai ainda hoje para o quarto

Fred Machado no UTI do Beda

Por Suzy Monteiro, em 06-08-2013 – 16h34

O vereador Fred Machado foi internado na UTI ontem pela manhã com fortes dores no peito. Os exames indicam que não foi infarto, como chegou a se pensar no princípio. O vereador continuará na UTI até amanhã por prevenção, conforme explicação médica.

De acordo com informações publicadas no facebook de Fred, ele está bem e o quadro dele é estável. Se tudo continuar bem e os exames não mostrarem gravidade, ele irá para o quarto amanhã.

Ele está no Beda II, mas não pode receber visitas.

(Fonte: Assessoria do vereador)

Do blogueiro: Ao Fred os desejos sinceros por seu pronto restabelecimento.

Atualização às 18h29: O blogueiro acabou de falar, no telefone de Fred, com sua irmã, a ex-prefeita sanjoanense Carla Machado, de quem teve boas notícias. O vereador de Campos, que se internou no Beda após sentir dores no peito, na noite de domingo, felizmente já está saindo da UTI a caminho do quarto do hospital.

Atualização às 22h20: Aqui, o jornalista Alexandre Bastos informou que Fred já havia chegado ao quarto e passava bem, esperando apenas a chegada do seu médico, do Rio, para receber alta do hospital.

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Peça ensaiada sobre a paternidade do Trianon é farsesca

O TRIANON NÃO TEM UM DONO SÓ

Por Ricardo André Vasconcelos, em 06-08-2013 – 11h19

Foto publicada na capa da Folha de Manhã de 01/08/1998: Rosinha, Ilsan e Arnaldo inauguram o Trianon 1998. A obra atravessou os governos de Garotinho, Mendes e Arnaldo
Foto publicada na capa da Folha de Manhã de 01/08/1998: Rosinha, Ilsan e Arnaldo inauguram o Trianon 1998. A obra atravessou os governos de Garotinho, Mendes e Arnaldo

Habituado a reescrever o passado como convém aos seus interesses do momento, o deputado Garotinho anda se gabando de que construiu sozinho (veja aqui) o Trianon — só falta dizer que carregou, pessoalmente, tijolo por tijolo! — mas a verdade não é essa.

Ninguém lhe tira o justo mérito de ter iniciado o movimento que culminou na doação de US$ 1 milhão pelo Bradesco (o banco que comprou, demoliu o antigo Trianon e construiu uma agência bancária no local). Esse dinheiro deu início às obras nos anos de 1991/1992. O prefeito que substituiu Garotinho, Sérgio Mendes, enfrentou muitas dificuldades e dívidas deixadas pelo antecessor. Mas como como parte das dívidas foram para obras que ajudaram a elegê-lo, engoliu em seco e suportou o quanto pode…

Mesmo assim, de 1993 a 1996 as obras de construção do Trianon não pararam e boa parte da alvenaria do prédio foi realizada neste período. Em sua gestão Sergio também garantiu uma segunda doação do Trianon, que deveria ser efetivada no final das obras.

De volta ao governo municipal em 1997, Garotinho deu sequência às obras concluídas 18 meses depois, quando Arnaldo Vianna (eleito vice) já tinha assumido o cargo com a renúncia do titular, e inaugurou, em 31/07/1998, o teatro. A placa foi descerrada por Arnaldo, Ilsan Vianna e Rosinha, representando o marido que, candidato ao Governo do Estado, estava impedido de comparecer.

Garotinho tem seu lugar na história do Trianon, sim, principalmente pela utopia de iniciante que contagiava a todos, mas isso não lhe confere o direito de escrever uma história de personagem único.

Stálin explica.

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Trapézio dos meninos

Madrugada de mudanças, após um domingo de sopro nordeste e sol de inverno, que seria banido na segunda seguinte pelo vento sul, carregador das tormentas na liteira do céu. O dia fora bom com os dois meninos, um seu filho, outro seu afilhado, frutos do mesmo ventre. Algumas mulheres após a mãe de ambos, algo fora dali, mas dentro dele, incomodava a quem se dedicava à paternidade em sangue e por batismo.

Saiu do quarto, onde deixou os meninos, e se encaminhou à sala ao lado. Acendeu o cigarro, buscou caneta e bloco para tentar escrever. Sua prosa, há anos, já era parida e criada em vida integralmente digital. Mas não seus versos, cuja vértebras ainda demandavam o tato da tinta para serem dados à luz. Bem verdade que a poesia, amante de longa data, já não lhe era tão solícita quanto fora um dia. Afinal, como o sexo, era produto também da prática. Mas naquele momento, mesmo dela enferrujado, era a catarse de que dispunha.

Em meio ao barulho do mar e da mudança dos ventos em Atafona, ecoavam dentro de si apenas as batidas do coração. “Menos uma, menos uma”, divagava a ressalva do cineasta Mário Peixoto, gênio de filme mudo e único, “Limite”, em contato revelado com Walter Salles, que depois utilizaria a sentença de morte na vida em um de seus próprios filmes, “Abril despedaçado”. Tentando juntar os cacos daquele início de agosto, mês tradicional de maus augúrios, o cinéfilo e poeta em busca de redenção se lembrou de uma imagem que nunca o abandonara, desde que suas vistas tinham lhe rascunhado na alma.

Poderia ter sido há 10 anos, poderia ser mais. Fato é que abandonava a planície pela BR 101, nos caminhos de serpente entre a Serra do Mar e o Atlântico, rumo às terras de São Sebastião. Guiando o carro ainda na antiga Favela da Linha, antes de Ururaí, percebeu o menino trepado de ponta a cabeça no muro da casa à beira da estrada, só de bermudas, torço nu, sustentando todo seu corpo magro e retinto contra Newton, pelas pernas dobradas à altura do joelho, como trapezista de circo. Braços abertos e tombados pela gravidade, no escambo de prazer com vertigem, ele escancarava no rosto invertido de lado o seu sorriso de marfim.

Por sempre pretender fazer uso da imagem, jamais a esquecera. Enquanto a espinha dos versos era escavada na paleontologia do papel e da caneta, antes de finalmente ganhar projeção de corpo inteiro na computação gráfica do word, ouvia os risos dos meninos brincando no quarto, que acabaram entrando na sala e no poema. E, pelas mãos, finalmente pegaram aquele trapezista há tanto solto em voo no espaço da memória.

Entre a criança do passado e as do presente, o homem encontrou paz para se lançar outra vez do seu próprio trapézio ao futuro. Menino redescoberto em meninos e salvo de si por se saber ainda poeta, ele também sorriu.

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Campos Run

foto[1]O Campos Run,ontem,marcou a festa da nossa cidade. Eu chargista e blogueiro não podia estar de fora da terceira etapa do Campos Run com o tempo de 19 min 57 segundos fiz uma bela prova na minha categoria de 30 a 39 anos fiquei com o primeiro lugar e olha que não trenei como eu  gostaria,mas agora é me preparar para a quarta etapa no dia 15 de Setembro.

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Miro prega PDT fora do governo Cabral que quer suceder

Miro Teixeira diz que o PDT pode deixar governo Cabral

Por Saulo Pessanha, em 05-08-2013 – 6h11

As dificuldades enfrentadas por Sérgio Cabral contribuem para deixar mais animada a disputa por sua sucessão. Para o deputado federal Miro Teixeira (PDT), que, no início do ano, lançou sua pré-candidatura ao Palácio Guanabara, a crise reforça a possibilidade de seu partido deixar o governo estadual. “Muita gente não está contente com esta participação”, diz.

Segundo Miro, as razões para a saída são outras e antigas, relacionadas à administração estadual. Mas o desgaste de Cabral deve reforçar o rompimento que, para ele, é fundamental.

Fonte: Informe do Dia (Fernando Molica)

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Na terra de abelhas e marimbondos, Ranulfo nega ser presente de grego

Ranulfo Vidigal: “Não existe essa história de cavalo de Tróia”

Por Alexandre Bastos, em 05-08-2013 – 2h03

O ex-prefeito e atual secretário de Fazenda de São João da Barra, Ranulfo Vidigal, afirmou no programa de rádio “São João da Barra no ar”, no último sábado (03), que não existe a possibilidade do seu ingresso na Prefeitura de SJB ser uma forma de cooptar o atual prefeito para o grupo político do deputado federal Anthony Garotinho (PR). “Não vim inventar a roda. Ela já existe e está funcionando. Eu não vim aqui para fazer um cavalo de tróia, para levar o Neco para lá ou para cá”, afirmou.

De acordo com Ranulfo, tudo na vida passa. “Torço pelo sucesso do governo Rosinha. Porém, agora faço parte da Prefeitura de São João da Barra e estou ao lado do prefeito Neco e da ex-prefeita Carla Machado”, afirma o secretário.

Cavalo de Tróia — O Cavalo de Tróia foi um grande cavalo de madeira usado pelos gregos durante a Guerra de Tróia como um estratégia decisiva para a conquista da cidade fortificada de Tróia. Tomado pelos troianos como um símbolo de sua vitória, o cavalo foi carregado para dentro das muralhas, sem saberem que em seu interior se ocultava o inimigo. À noite, guerreiros saem do cavalo, dominam as sentinelas e possibilitam a entrada do exército grego.

Fonte: SJB Online

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Arthur Soffiati — Cultura entre o populismo do poder e o maniqueísmo dos artistas

Mais de uma vez, já disse que o grande barato da lida blogueira é a interatividade imediata com você, leitor, e que suas contribuições na forma de comentários, não raro, acabam sendo tão interessantes quantos as postagens que os geraram. Menos vezes, pelo menos aqui, disse que o grande barato de se ter a formação de autodidata, é poder ter escolhido livremente os seus mestres, no lugar de simplesmente aceitá-los por imposição acadêmica. Em contrapartida, é ruim por ter poucos mestres com os quais se pôde conviver, sem a chance de conhecê-los na dimensão humana do cotidiano, posto terem sido em grande maioria distantes em tempo e espaço. Exceção orgulhosa para mim, foi a oportunidade de ter entre eles o professor, escritor e ambientalista Aritides Arthur Soffiati, a quem considero o maior intelectual de fato nesta planície de sombras e pretensões de luz cortada pelo Paraíba do Sul. Com sua licença devida, na relevância maior de post, reproduzo abaixo o comentário feito originalmente aqui, no blog, e aqui, na democracia irrefreável das redes sociais, sobre a entrevista concedida pelo também professor e escritor Adriano Moura, acerca dos rumos e desrumos da cultura goitacá…

Venho acompanhando com atenção toda a polêmica iniciada com a propalada censura da peça “Bonitinha mas ordinária”, de Nelson Rodrigues, pela prefeitura de Campos. Inicialmente, preciso definir que parto de duas premissas para me posicionar. A primeira é a distinção entre vertente patrimonial e vertente da produção cultural. A segunda diz respeito às quatro políticas públicas de cultura segundo Abraham Moles: políticas informal, populista, autoritária e democrática. Claro que elas não podem ser vistas de maneira estanque.

Tive uma experiência de 18 meses como gestor público de cultura e me empenhei em definir uma política democrática de cultura que contemplasse as vertentes patrimonial e da produção cultural. Fracassei não por incompetência, mas por trabalhar com um prefeito que tinha uma visão informal de cultura sem sequer saber que sua visão era essa. Saí sem manchas, até porque recebi apenas dois meses durante os 18 em que tentei algo novo.

A partir de Garotinho, os prefeitos adotaram, todos eles, uma mistura de política populista com autoritária. Populista por fazerem política partidária com a cultura e por verem na cultura uma forma de ganhar dinheiro ilícito. Autoritária por imporem seus padrões de cultura à sociedade.

Por outro lado, concordo com Adriano Moura. Aqueles que trabalham com cultura em nosso município pautam sua atuação de forma medíocre e também partidária. São pessoas que desejam apenas se apresentar como produtores de cultura, sem a preocupação e o empenho de se situarem nos processos culturais. Acham que, para fazer teatro, literatura e outras manifestações culturais, basta apenas o desejo. São pessoas que cortejam o poder e o apóiam se seus projetos foram acolhidos. Fora do poder, criticam os governantes se não são contemplados. Claro que não generalizo porque sempre é injusto colocar todo mundo num mesmo balaio.

Claro também que não espero criadores geniais vivendo em Campos. Os grandes nomes da província foram embora para desenvolver suas vocações. Vejamos José Cândido de Carvalho, Thiers Martins Moreira, José Américo Motta Peçanha, Ivald Granato e Lúcia Laguna, para só mencionar alguns nomes. Essas pessoas guardaram a província em seus corações, mas partiram para outras plagas. Contudo, permanecer na província não exime os criadores culturais de Campos de empreender uma reflexão mais aprofundada sobre sua condição. Neste aspecto, coloco-me como os historiadores neopositivistas, que examinam e julgam as manifestações culturais dentro do seu contexto.

Certa vez, um poeta se aproximou do saudoso Prata Tavares e perguntou o que ele havia achado do seu livro. Prata, na sua sinceridade rude, respondeu: você precisa estudar poesia. Certa vez, um produtor de teatro me disse que eu seria considerado inimigo do teatro se não assistisse à sua peça. Respondi-lhe prontamente que podia me considerar inimigo do teatro.

Em síntese, não estamos diante de um filme em que bandidos e mocinhos são absolutamente distintos e separados. Não gosto da visão maniqueísta dos nossos intelectuais e artistas.

Arthur Soffiati

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Adriano Moura — O artista não é apenas uma vítima na cultura de Campos

“Pra todos ou pra ninguém. Sem privilégios”. Distante do que vê hoje em Campos, esta é a fórmula ideal do escritor, dramaturgo e professor Adriano Moura à cultura do município. Embora com várias críticas a fazer ao modelo implantado pelo garotismo/rosáceo, não só na cultura, mas na educação e na própria política, ele não acha que tenha sido diferente, em nenhum desses setores, nos governos passados dos dissidentes Arnaldo Vianna (PDT) e Alexandre Mocaiber (PSB). Tampouco acha, especificamente na questão cultural, que o poder público municipal seja o único culpado: “O artista não é apenas uma vítima no meio disso tudo”.

Folha Dois – Em texto no facebook, replicado depois no blog do jornalista Ricardo André Vasconcelos (aqui), você escreveu: “O que há em Campos é mais que perseguição a Nelson Rodrigues (…) É estupidez mesmo; é gente burra, despreparada, insensível, cafona, ignorante que, por ser ‘amiguinho’ de A ou B, é indicada para administrar setores aos quais desconhece”. Nos dois pólos dessa “amizade”, a quem você se referiu?

Adriano Moura – A lista é grande, pois não é uma característica apenas deste governo. Não me referi a uma pessoa especificamente nem gostaria de nomeá-las. Atuo em vários segmentos educacionais e artísticos da cidade há mais ou menos vinte anos. No entra e sai de governos é gente assumindo cargos não por competência ou currículo, mas por conveniência política apenas. A Fundação Teatro Trianon já foi presidida por esposa de prefeito só por ser esposa de prefeito. Outras instituições tiveram à frente a filha de “fulano”, a amiga de “sicrano”. Não preciso citar os nomes, porque todos sabem muito bem do que estou falando. A “estupidez” e burrice a que me refiro é essa prática. O que vivemos hoje nada mais é do que a continuidade de uma culturazinha de bairro, onde tudo acaba sendo tratado como um problema doméstico.

Folha – Sua crítica foi feita apenas ao setor cultural, onde atua como escritor, dramaturgo e ator, ou também como educador, onde exerce sua profissão em rede pública e privada?

Adriano – Minha crítica se estende a todos os setores. Precisamos parar de pensar cultura como algo não pertencente ao resto do corpo social. O que afeta o meio artístico está presente nos demais setores. É comum vermos pessoas tendo de chegar quase doze horas antes às filas de postos médicos para conseguir uma consulta. Algumas escolas são administradas por pessoas sem nenhum vínculo com a educação pública; algumas por pessoas até mesmo sem vínculo com educação, como já ocorreu na Escola Albertina em Travessão. Não há bibliotecas estruturadas na maioria dos estabelecimentos de ensino. Não dá para pensar em desenvolvimento educacional sem leitura. O setor cultural sofre a íngua do resto da ferida.

Folha – Em outra parte do mesmo texto, você pareceu mais específico ao afirmar: “Desde 1989 que a cidade vive nessa indigência, na dança das cadeiras dos poderes que insistem em permanecer na República do Chuvisco (…) Enquanto alimentarmos com nossos votos esses ‘zumbis’ viveremos nessa indigência”. A solução ao problema que identifica seria, portanto, cultural, educacional ou política?

Adriano – Por todas essas vertentes. A questão é política, mas não político-partidário apenas. A prova disso é o fato de a cidade, desde 1989, ter tido diferentes dirigentes. O problema é que cada um quer fazer as cosias a sua maneira, ignorando o que deu certo na gestão do outro. Parece que o fato de dar continuidade significaria admitir o acerto do antecessor. Cultura, educação e saúde em Campos estão no meio de uma queda de braços entre dois lutadores. Penso que já passou da hora de abandonarem o ringue; mas isso não vai acontecer porque o prêmio deve ser muito bom. Guardadas as devidas proporções, a administração é conduzida como no tempo dos coronéis ainda. Sempre foi assim e ainda não mudou.

Folha – Em entrevista à Folha Dois, o Artur Gomes bateu forte (aqui) na questão religiosa, denunciada (aqui) como motivo à suposta censura à peça “Bonitinha, mas Ordinária”, de Nelson Rodrigues, no Trianon. Um pouco antes, você questionou (aqui): “Nunca vi artista querendo impor regras a religiosos. Por que religiosos tentam impor regras aos artistas?”. Entre uma coisa e outra, qual o limite? Ele é respeitado em Campos?

Adriano – Depois de tanto bate-boca acabei concluindo que essa história de censura foi uma grande falácia, ou desculpa. Particularmente nunca tive problema com censura religiosa aqui, nem mesmo quando apresentei minha peça “O julgamento de Lúcifer”, que não poupa nenhum segmento religioso. Essa história da censura à peça do Nelson Rodrigues tem um lado positivo, pois suscitou outras discussões importantes para o cenário cultural, mas ficou meio sem explicação, pelo menos para mim. Como diz a “filósofa” minha mãe: “tinha mais caroço nesse angu”, mas ficou por isso mesmo.

Folha – Você, assim como os escritores Antonio Roberto Kapi e Vilmar Rangel, têm batido na tecla da necessidade de implementação real do Fundo Municipal de Cultura (saiba mais aqui), numa tentativa de se conferir independência políticas às manifestações artísticas de Campos. No seu ponto de vista, esse deveria ser o eixo da discussão?

Adriano – O Fundo Municipal de Cultura tiraria o artista da posição de mero pedinte, sempre dependendo de acesso pessoal a quem tem poder para viabilizar os projetos; além de ser um processo mais democrático e transparente. Os artistas teriam de se organizar, criar projetos consistentes para poder usufruir dos benefícios.

Folha – Muitos dos que defendem a política cultural de Rosinha, o fizeram atacando os artistas mobilizados a partir da denúncia de censura à peça de Nelson, alegando que estes só o fizeram por terem perdido a guarida que receberiam no governo Mocaiber. Até onde a reação dos artistas, ou parte dela, pode ter servido para forçar e/ou encarecer a venda do passe à cooptação pública municipal?

Adriano – O artista não é apenas uma vítima no meio disso tudo. Muitos participam da “dança das cadeiras” a que já me referi e dançam conforme a música mesmo. Mas isso se dá devido à dependência político-partidária, financeira e desemprego. Funciona assim: quando quem está no poder é o pessoal do “Arnaldo/Mocaiber”, os vilões são os seguidores de “Rosinha/Garotinho”. Quando quem está no poder são “Rosinha/Garotinho”, os vilões são os seguidores de “Arnaldo/Mocaiber”, e assim segue.

Folha – Como artista, você sempre buscou e conquistou seus espaços por conta própria. Seja pelas cifras bilionárias dos royalties, seja por uma política pensada de cooptação da sociedade civil, seria exagero dizer que o pires na mão estendida à Prefeitura, há algum tempo, dita o comportamento da classe artística, como de várias outras em Campos?

Adriano – Por que Campos não levou tantas pessoas às ruas como em outras cidades de mesmo porte? Tudo aqui gira em torno da Prefeitura. Muitos montam uma banda pra fazer show pra Prefeitura, não fazem peça se a Prefeitura não der dinheiro pra fazer; tem os que abrem  uma firma de limpeza sonhando prestar serviço à Prefeitura; ou vive de olho nos possíveis vencedores da eleição porque quer um emprego na Prefeitura. É bem pequeno o número dos que não dependem da máquina pública. Como é grande a quantidade dos que dependem dela, o silêncio também é maior. Já vendi espetáculos e projetos para Prefeitura, mas todos bancados com recursos próprios ou em parceria com a iniciativa privada. Já vendi idéias, nunca meu voto ou voz. Há um grupo corajoso, que  expõe o que pensa e luta pelo que acredita. Geralmente tem mais dificuldade e acesso. Isso precisa acabar. É outra prática doente de todos esses anos.

Folha – Acredita que os espaços alternativos da cidade, os teatros como o Sesc e o Senai, ou a própria Lei Rouanet, de isenção fiscal das empresas nos investimentos em projetos culturais, são alternativas tentadas pelo menos tentadas pela maioria dos artistas locais, antes de se queixarem da falta de espaço e apoio público do município? Por quê?

Adriano – A Lei Rouanet é um sonho. O empresariado e alguns artistas a desconhecem. As empresas querem retorno imediato, coisa que uma peça teatral sem ator famoso não proporciona. Convencer o empresário a comprar um projeto pelo seu valor estético é complicado, mas não é impossível. Eu já tentei e não consegui. Mas isso não é uma realidade só de Campos. Em grandes centros como Rio e São Paulo têm sido muito difícil concretizar um projeto, mas a coisa não para. Projetos alternativos são apresentados em bares, cafés, galpões, salões de festas, ônibus, etc. Em Campos, posso citar o Giu de Souza, por exemplo, que organiza eventos envolvendo música, literatura, artes plásticas, teatro, etc.  Corre atrás, busca parcerias e trabalha, produz. Esse é um dos caminhos. Protesto, trabalho, produção e lucidez na hora das escolhas.

Folha –  Em contrapartida, a exemplo do que faz nos subsídios públicos às organizações carnavalescas, no Campos Folia, acredita que a Prefeitura não poderia também investir na promoção de eventos anuais de teatro, música e dança, prestigiando os artistas locais e fomentando sua produção?

Adriano – Sempre questionei isso. Se há tanta verba para as agremiações carnavalescas, pras bandas de pagode e axé; por que  não para o teatro? A dança ainda é mais privilegiada. Teatro não. Os festivais ocorrem sem obedecer a um calendário. Tem ano que tem, ano que não tem. Ora é regional, ora nacional, ora apenas estudantil. Como sempre, depende de quem está “mandando”, não de um projeto consistente e com condições de sobreviver às intempéries das mudanças de governo. Voltando: se tem dinheiro pro boi pintadinho desfilar no carnaval, tem de ter também alguma maneira de viabilizar outras formas de expressão. Pra todos ou pra ninguém. Sem privilégios.

Publicado hoje na edição impressa da Folha.

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“Cabruncos” marcam hora para lavar a Câmara de Campos

Aqui, os “Cabruncos Livres” já tinham marcado a lavagem das escadarias da Câmara Municipal de Campos, em 7 de agosto, na próxima quarta-feira, na volta do recesso dos vereadores. Agora, com hora marcada para concentração, às 16h, e para o ato de protesto, às 17h, a nova convocação já está rodando aqui, desde ontem, na democracia irrefreável das redes sociais.

4º Ato dos Cabruncos Livres

TRAGA SUA VASSOURA E SEU BALDE!

Venha lavar as escadarias da Câmara Municipal e mostrar aos sujos que nos somos limpinhos.

DATA: 07 de Agosto – (Retorno do Recesso Parlamentar)

Concentração: 16 horas Início: 17 horas

POR UMA LEI ORGÂNICA REALMENTE CIDADÃ. AQUI, QUEM MANDA É O POVO.

ORÇAMENTO PARTICIPATIVO;

ELEIÇÃO DIRETA P/ DIRETOR DE ESCOLA MUNICIPAL;

FIM DA TAXA DE ILUMINAÇÃO E ESGOTO;

PARIDADE NO AUMENTO DO SUBSÍDIO DO VEREADOR COM O AUMENTO DO VENCIMENTO DO SERVIDOR MUNICIPAL;

FICHA LIMPA PARA TODOS OS CARGOS DE DIREÇÃO E ASSESSORAMENTO

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